Review: Halford - Crucible (2002)


Crucible chegou às lojas em 21 de junho de 2002. Segundo álbum solo do lendário Rob Halford, o disco mantém o mesmo line-up do aclamado Resurrection, de 2000: a afiadíssima dupla Patrick Lachman e Mike Chlasciak – o folclórico “Metal” Mike – nas guitarras, amparada pela competentíssima cozinha formada por Ray Riendeau no baixo e Bobby Jarzombek na bateria (esse último, mais tarde, faria parte do Iced Earth entre 2004 e 2006).

Pessoalmente, prefiro Crucible a Resurrection, pois considero o primeiro um disco muito mais consistente que o segundo, que, na minha opinião, apesar de ser um bom álbum, tem muito de sua fama ligada ao retorno Rob Halford ao heavy metal do que propriamente por ser um trabalho acima da média - o que, salvo alguns momentos, não o é.

Já em Crucible o papo é diferente. Pra começo de conversa, a banda está muito mais à vontade do que em sua estreia. Halford está em sintonia total com o quarteto de instrumentistas, e isso se reflete de forma violenta nas treze faixas do disco. O timbre animalesco das guitarras, repletas de peso, aliado ao desempenho sensacional de Riendeau e Jarzombek, cria uma base sólida para Halford fazer aquilo que nasceu para fazer: cantar o mais puro heavy metal, a plenos pulmões, com o coração na boca.

Isso fica claro desde o início, com a porrada da faixa título, que abre o play após a intro "Park Manor" com melodias sombrias e um andamento feito sob medida para bater cabeça. “One Will” vem na sequência e soa como um Judas Priest renovado, onde os instrumentistas, ao invés de senhores sexagenário, são garotos recém saídos da adolescência. Essa música tem um refrão sensacional.

Jarzombek arrebenta tudo na abertura de “Betrayal”, uma das melhores composições da carreira de Rob Halford, incluindo aí o seu longo período no Judas. Cantando em tons altíssimos, o eterno Metal God mostra que o peso nunca deixou suas veias. Uma faixa perfeita para mostrar para as novas gerações por quais motivos certos artistas se transformaram em ícones em seus gêneros musicais. Pra fechar com chave de ouro, “Betrayal” conta com melodias faiscantes saídas das guitarras gêmeas de Lachman e Chlasciak.

E o disco segue com um desfile de faixas de cair o queixo. A pesadíssima “Handing Out Bullets” une as características marcantes de Rob Halford a uma sonoridade pra lá de atual. O riff de abertura de “Hearts of Darkness” é puro thrash metal, na medida para bangear até entortar o pescoço. “Crystal” tira um pouco o pé do acelerador, mas sem economizar no peso, e conta com uma grande interpretação de Halford, um dos maiores vocalistas da história do rock. “Heretic” traz Halford transitando com imensa sabedoria e talento pelos caminhos atuais da música pesada, enquanto “Golgotha” é uma verdadeira aula de como uma composição de metal deve ser cantada.

A parte final do trabalho tem ainda a quase death “Wrath of God”, a pesadona “Weaving Sorrow”, a jóia perdida “Sun” (sensacional, introduzida por uma guitarra cheia de efeito que evolui para um hard rock contagiante e com grandes linhas vocais de Rob) e a contemplativa “Trail of Tears”, que fecha o álbum com o refrão “Man will never end your suffering / stealing all your years / God is with you but won't save you / from your trail of tears”.

Produzido por Roy Z - que participou ativamente da composição e toca em algumas músicas -, Crucible foi durante muitos anos o último álbum digno de nota a contar com os vocais de Rob Halford, maldição quebrada apenas com a chegada de Firepower em 2018.

Um pequeno clássico do metal: sem dúvida alguma essa definição cai como uma luva – ou seria como um bracelete de couro repleto de pregos pontiagudos? – em Crucible.

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