Review: Gojira – Magma (2016)



O Gojira é uma força da natureza. A banda francesa galga com vigor os degraus para se transformar em um dos maiores nomes do metal contemporâneo, e dá esses passos impulsionada por discos absolutamente incríveis. Magma, trabalho mais recente do quarteto, saiu em 2016 e é mais um álbum incrível de uma banda sem igual.

Sucessor do igualmente impressionante L’Enfant Sauvage (2012), Magma foi gravado no Silver Cord Studios em Nova York e chegou às lojas em 17 de junho de 2016. Produzido pelo vocalista e guitarrista Joe Duplantier, mostra a banda caminhando naturalmente dentro da evolução de seu universo sonoro. O grupo, que é completado pelo guitarrista Christian Andreu, pelo baixista Jean-Michel Labadie e pelo baterista Mario Duplantier (ele e Joe são irmãos) talvez seja a mais perfeita definição do metal moderno, do modo de se fazer música pesada na década de 2010.

As dez faixas de Magma são densas, alternam andamentos rápidos com outros mais mid-tempo, apresentam riffs pesadíssimos, vocais ora guturais ora limpos e um trabalho rítmico cirúrgico. Um dos pontos principais da sonoridade do Gojira está na abordagem das guitarras, que despejam riffs que alteram de maneira quase simultânea acordes mais graves com rompantes onde os dedos descem pelo braço do instrumento e encaixam notas mais agudas. Isso é feito de maneira tão brilhante e criativa que imprime uma personalidade fortíssima para os franceses, e mostra que tanto Joe Duplantier quanto Christian Andreu compartilham influências que vão de horizontes tão díspares quanto Tom Morello e Euronymous. O groove é outro ponto forte, fazendo com que as composições pulsem em rompantes explosivos e quase orgásticos e contem com uma onipresença percussiva proporcionada tanto pelo baixo quanto pela bateria.

Há um certo clima sombrio e desolador nas canções de Magma, como se elas traduzissem de maneira musical o mundo atual. Uma desesperança, uma ansiedade que teima em ser contida enquanto escapa pelos poros, um sentimento de desespero que insiste em não passar. Black Sabbath, Metallica, Mastodon: no caldeirão de inspirações do Gojira, há espaço para referências das mais diversas épocas.

Aclamado como melhor álbum de 2016 pela Metal Hammer, principal revista do gênero em todo o mundo, e presente em inúmeras listas de melhores álbuns daquele ano, Magma é o disco mais maduro do Gojira. O nível de composição é assustador, enquanto a execução alia técnica e uma química profunda entre os músicos. O resultado só poderia ser um álbum acachapante, que destaca-se com facilidade da imensa maioria de discos gravada nos últimos anos e comprova o quanto o Gojira é uma banda à frente de seus pares.

Entre as músicas, preciso dizer que a canção de abertura, a fantástica “The Shooting Star”, é uma das melhores que ouvi nos últimos anos. Aliando peso e melodia, apresenta a carta de intenções da banda com primazia e desloca o queixo do ouvinte até o chão logo de saída. “Silvera” aumenta o volume da agressividade e traz uma melodia que remete ao oriente e um bem encaixado clima épico. “Stranded” é o que o KoRn quis ser durante toda a vida e jamais conseguiu. A instrumental “Yellow Stone” soa como se Tony Iommi tivesse nascido nos anos 1990 e não no final da década de 1940. A canção que batiza o disco vem com uma parede densa de guitarras, um wall of sound que rebate ondas de melodias e grooves e tem elementos até mesmo de post-punk. O andamento meio Meshuggah de “Pray” é construído através de um arranjo crescente, enquanto “Only Pain” é groove metal na melhor definição do termo.

Magma é um disco completo gravado por uma banda de imenso talento e que não tem medo de explorar suas ideias. E que, justamente por isso, coloca-se como um nome sem igual no heavy metal atual. Do jeito que o Gojira vem crescendo e evoluindo, não há dúvidas de que estamos presenciando o nascimento de um gigante da música pesada.

Comentários

  1. Excelente álbum, canções pesadas e com qualidade, a banda sabe usar as influências das bandas do passado com elementos modernos, criando uma sonoridade própria, que os fazem ganhar essa notoriedade e destaque.

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