A história das lendárias London Sessions


No início dos anos 1970, quatro discos reunindo pioneiros do rock e do blues com jovens músicos ingleses foram lançados e se tornaram clássicos instantâneos. Batizados como The London Sessions, esses álbuns trouxeram as lendas Bo Diddley, Chuck Berry, Howlin’ Wolf e Muddy Waters tocando acompanhados por bandas formadas por futuras lendas como Eric Clapton, Rory Gallagher, Steve Winwood, Charlie Watts e outros. Todos os quatro volumes foram lançados pela Chess Records entre 1971 e 1973.

Dá pra dividir essa série em dois grupos. Os discos de Howlin’ Wolf e Muddy Waters são os destaques, com os álbuns de Bo Diddley e Chuck Berry vindo na sequência. O melhor de todos é o volume dedicado a Howlin’ Wolf, onde o velho lobo é acompanhado por uma banda formada por Eric Clapton, Steve Winwood, Bill Wyman e Charlie Watts. O disco foi lançado em agosto de 1971 e traz versões sensacionais para canções como “Rockin’ Daddy”, “I Ain’t Supertitious”, “Sittin’ on the Top of the World” e “The Red Rooster”, essa última com direito a uma interrupção de Wolf para ensinar a Clapton e companhia a maneira correta de como a faixa deveria ser tocada. As London Sessions de Howlin’ Wolf foram relançadas em 2003 com a inclusão de três faixas bônus e um disco extra com outtakes. O álbum alcançou a posição 79 da Billboard e ficou no sexto lugar nos charts de blues.



O disco dedicado a Muddy Waters saiu em 1972 e traz um dos mais influentes bluesmen da história acompanhado por Rory Gallagher, Rick Grech, Steve Winwood e Mitch Mitchell, entre outros. Muddy relê nove faixas do seu repertório com destaque para as mais do que clássicas “Key to the Highway”, “Walkin’ Blues” e “I’m Ready”. Assim como o disco de Howlin’ Wolf esse álbum com Muddy no comando é muito bom e indicadíssimo para quem é fã de blues.

Já Bo Diddley ganhou o seu London Sessions em 1973 e foi acompanhado por uma legião de músicos onde os destaques são o guitarrista Phil Upchurch, o multi-instrumentista Roy Wood, o guitarrista Ray Fenwick (que tocou na Ian Gillan Band e nos álbuns solo do vocalista do Deep Purple), o pianista Eddie Hardin e o saxofonista Willie Henderson. O tracklist conta com nove faixas e tem como destaque uma versão totalmente funkeada e desconstruída para a clássica “Going Down”.



O mais fraco dos quatro volumes é o de Chuck Berry, que chegou às lojas em junho de 1972. Aqui o pai do rock and roll foi acompanhado pelo baterista Kenney Jones (Faces, The Who), pelo também batera Robbie McIntosh (da Average White Band), pelo pianista Ian McLagan (Faces) e pelo baixista Nic Potter (ex-Van der Graff Generator), entre outros. O disco acaba sendo uma decepção por não explorar a fundo essa união entre o clássico e o novo, com apenas o lado A trazendo cinco faixas do projeto, onde o destaque é “Mean Old World”. O lado B vem com três músicas gravadas ao vivo em versões apenas medianas. O legado positivo do disco foi ter dado a Chuck o seu único número 1 nos Estados Unidos e na Inglaterra, para a versão editado de “My Ding-a-Ling”, que foi lançada como single com pouco mais de quatro minutos de duração enquanto no álbum ela supera os onze minutos.

A série The London Sessions é histórica pelo encontro de gerações de músicos distintas, pela reverência desses músicos ingleses aos bluesmen norte-americanos que os influenciaram de maneira profunda e pelo resultado alcançado. Como já comentado, os discos dedicados a Howlin’ Wolf e Muddy Waters são ótimos, em especial o que traz Eric Clapton e companhia ao lado de Wolf. Se você encontrar qualquer um dos quatro pelo caminho, vale a aquisição.

 


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