Live EP (2025) é um lançamento curioso dentro da discografia do Led Zeppelin, e justamente por isso vale um olhar mais atento. Pensado como parte das comemorações dos 50 anos de Physical Graffiti (1975), o EP funciona menos como um “novo” documento ao vivo e mais como um pequeno recorte histórico, reunindo quatro performances já conhecidas, mas nunca antes disponibilizadas em áudio puro, fora do contexto do DVD autointitulado de 2003.
Aqui estão dois Led Zeppelin distintos, separados por quatro anos e por atmosferas bem diferentes. De um lado, gravações capturadas em Earl’s Court 1975, palco da fase mais ambiciosa do grupo. A abertura com “In My Time of Dying” chega com força total: é o Led épico, expansivo, com Jimmy Page explorando nuances e Robert Plant ainda em plena forma. “Trampled Under Foot”, na sequência, é puro groove elétrico, com John Paul Jones dominando tudo e mostrando porque aquela tour é uma das favoritas entre os colecionadores.
Do outro lado, Knebworth 1979 captura uma banda mais pesada, mais adulta e também mais marcada pelo tempo. “Sick Again” vem mais seca, direta, quase crua — e essa crueza é parte do charme. Já “Kashmir”, mesmo já cristalizada como hino absoluto, ganha aqui uma dimensão ampla e solene, conduzida pela autoridade de John Bonham e pelo fraseado magnético de Page.
Como lançamento, Live EP não pretende reescrever a história. São apenas quatro faixas em pouco mais de trinta minutos, todas já familiares para quem acompanha o Led Zeppelin de perto. Mas o valor está em outro lugar: na chance de ouvir essas performances isoladas, sem imagens, deixando que a mixagem e a execução falem por si. Para colecionadores, o EP cumpre bem o papel de peça comemorativa — um objeto de prateleira que registra dois momentos importantes da banda com qualidade e impacto.
Não é um disco essencial, mas é um documento interessante. E, como quase sempre acontece com arquivos ao vivo do Led Zeppelin, basta apertar o play para lembrar por que esses caras continuam sendo referência absoluta meio século depois.
O CD foi lançado no Brasil pela Warner em edição limitada de 1.000 cópias.
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