As escolhas passeiam por diferentes vertentes do rock e do metal, reunindo bandas veteranas em fase inspirada, nomes consolidados que souberam evoluir e artistas que elevaram o patamar criativo da cena brasileira. Cada álbum presente nesta lista carrega personalidade, propósito e algo a dizer, seja pela força musical ou pela maneira como dialoga com o seu tempo.
Não é um ranking definitivo, nem uma tentativa de agradar a todos. É, acima de tudo, um recorte editorial, construído a partir de análises, escutas recorrentes e daquilo que permaneceu relevante muito depois do lançamento. Discos que acompanharam o ano, cresceram com o tempo e merecem ser lembrados, agora e no futuro.
10 Arch Enemy – Blood Dynasty
Blood Dynasty
reafirma por que o Arch Enemy segue relevante após três décadas de estrada. Mesmo
sem reinventar o death metal melódico que ajudou a consolidar, a banda entrega
um disco coeso, pesado e bem resolvido,
que equilibra agressividade, melodia e pequenas variações de dinâmica sem
perder identidade. A produção encorpada valoriza riffs cortantes, solos
precisos e uma base rítmica implacável.
“Dream Stealer” funciona como abertura ideal, direta e explosiva, enquanto “Illuminate the Path” chama atenção pelo contraste entre peso e melodia. “March of the Miscreants” traz o DNA clássico do grupo, “Paper Tiger” aposta em guitarras gêmeas afiadas e “Liars & Thieves” fecha o álbum em alta. A releitura de “Vivre Libre”, do Blaspheme, adiciona um clima inesperado e mostra versatilidade sem soar deslocada.
Além da força musical, Blood Dynasty ganha peso histórico por ser o último álbum do Arch Enemy com Alissa White-Gluz nos vocais. Um disco seguro, confiante e representativo, que encerra uma fase importante da banda mantendo identidade, impacto e personalidade em um gênero já saturado.
9 The Black Keys – No Rain No Flowers
No Rain, No Flowers marca um momento de recalibração criativa na trajetória do The Black Keys. Sem a urgência crua dos primeiros discos, mas também longe do piloto automático, o duo aposta em canções mais bem lapidadas, grooves ensolarados e uma produção que amplia o alcance do blues rock para territórios próximos ao soul, pop e psicodelia, sem romper com sua identidade.
“The Night Before” chama atenção pelo clima festivo e pelo groove imediato, “Down to Nothing” cresce com camadas de órgão e uma atmosfera quase gospel, “Babygirl” flerta com a alma Motown de forma elegante, “On Repeat” traz um balanço hipnótico e “Neon Moon” encerra o álbum de maneira contemplativa e etérea. A faixa-título resume bem o espírito do disco: melodias acessíveis, mensagem positiva e refrão que gruda sem esforço.
Não é um retorno às origens nem uma ruptura radical, mas um trabalho que confirma o The Black Keys como uma banda capaz de evoluir com naturalidade, florescendo justamente após a tempestade.
8 SoulSpell – Spirits of Ghosts: Act V
Spirits of Ghosts: Act V representa o ponto mais alto da trajetória do SoulSpell e é um dos trabalhos mais ambiciosos do metal brasileiro recente. O álbum consolida o projeto como uma ópera metal madura, coesa e cinematográfica, em que narrativa, performances vocais e arranjos caminham juntos sem excessos ou artificialismos.
A faixa-título “Spirits of Ghosts” apresenta o clima épico do disco com autoridade, “Dragon Waltz” é power metal direto e envolvente, e “Castle of Illusions” impressiona pela interpretação intensa e pelo peso emocional. “Queen’s Gambit” adiciona fluidez à narrativa, enquanto “The Blackbeard and His Quest for Perfection” encerra o álbum de forma grandiosa, reforçando o caráter teatral e épico da obra.
O disco mostra que o SoulSpell alcançou um nível internacional de produção, composição e storytelling, dialogando com grandes nomes do gênero. Um álbum ambicioso, bem resolvido e representativo, que confirma o Brasil como terreno fértil para obras épicas dentro do metal.
7 Manger Cadavre? – Como Nascem os Monstros
Em Como Nascem os Monstros, o Manger Cadavre? entrega um dos discos mais incômodos, urgentes e relevantes do metal extremo brasileiro recente. Conceitual do início ao fim, o álbum usa o medo como fio condutor para discutir alienação, violência, exploração e a construção social dos monstros que nos cercam, sempre com letras diretas, sem metáforas reconfortantes.
O peso vem do encontro entre death metal, black metal e hardcore/crust, mas a produção permite que riffs, viradas de bateria e vocais apareçam com impacto e inteligibilidade. Não é um álbum feito para soar bonito: ele soa necessário.
Entre os destaques estão “Engaiolados”, com sua sensação opressiva de aprisionamento social, enquanto “Efêmero” transforma o pânico em música extrema. “Câncer do Mundo (Capitalismo)” é direta e brutal na crítica, e “Abutres” sintetiza o tom combativo do trabalho. A faixa-título funciona como eixo conceitual, amarrando todas as ideias do disco.
Como Nascem os Monstros é um disco que reflete o seu tempo, usando o metal extremo como ferramenta de denúncia e confronto. Um trabalho que não busca conforto nem consenso, e justamente por isso se firma como um dos grandes álbuns do ano.
6 Helloween – Giants & Monsters
Em Giants & Monsters, o Helloween mostra que a formação Pumpkins United não é apenas um exercício de nostalgia, mas uma engrenagem criativa que segue funcionando em alto nível. Mais coeso e direto do que o álbum anterior, o disco aposta em canções fortes, refrões memoráveis e no prazer evidente de tocar junto.
A alternância entre as vozes de Andi Deris, Michael Kiske e Kai Hansen é um dos grandes trunfos do trabalho, trazendo variedade e identidade às faixas. A abertura “Giants on the Run” já estabelece o clima energético, enquanto a faixa-título “Giants & Monsters” sintetiza o espírito grandioso do álbum. “Savior of the World” resgata o Helloween mais clássico, “We Can Be Gods” flerta com uma abordagem mais contemporânea, e “A Little Is a Little Too Much” aposta em melodia e acessibilidade sem perder peso. O encerramento com “Majestic” amarra tudo com clima épico e emotivo.
Giants & Monsters mostra o Helloween como uma banda viva, relevante e criativamente confortável com seu próprio legado, e justamente por isso soa tão natural, divertido e eficaz. Um álbum que honra o passado, funciona no presente e garante ao Helloween um lugar mais do que merecido entre os melhores do ano.
5 Maestrick – Espresso Della Vita: Lunare
Espresso Della Vita: Lunare é a confirmação definitiva do Maestrick como uma das bandas mais criativas e ambiciosas do metal brasileiro contemporâneo. Lançado como a segunda parte de uma obra conceitual iniciada em Espresso Della Vita: Solare (2018), o álbum transforma as horas da noite em uma viagem densa, teatral e emocional, onde metal progressivo, swing, jazz, música clássica e elementos da música brasileira convivem com naturalidade e propósito.
O disco é importante por mostrar que o metal progressivo brasileiro pode ser ousado, sofisticado e universal. Uma obra ambiciosa, coesa e artística, que recompensa a audição atenta e consolida o Maestrick em um patamar internacional.
4 Ghost – Skeletá
Em Skeletá, o Ghost dá mais um passo firme em sua transformação de banda cult em potência do rock contemporâneo, sem abrir mão da identidade que construiu ao longo da última década. É um álbum mais introspectivo, melódico e emocional, que assume de vez as influências do hard rock e do rock de arena dos anos 1970 e 1980, mas sempre filtradas pela estética teatral e sombria criada por Tobias Forge.
As canções são o grande trunfo do disco. “Peacefield” abre os trabalhos com clima solene e envolvente, enquanto “Satanized” reafirma o talento do Ghost para criar singles grandiosos e imediatos. “Lachryma” se destaca pela combinação de melancolia e refrão forte, “Umbra” explora atmosferas mais espaciais e densas, e “Excelsis” encerra o álbum de forma épica e emotiva, deixando clara a proposta mais humana e reflexiva do trabalho.
Skeletá mostra um Ghost disposto a priorizar emoção, melodia e narrativa acima do peso puro. Pode dividir opiniões entre quem espera um som mais pesado, mas é justamente essa ousadia, aliada a uma produção impecável e composições sólidas, que coloca o álbum entre os trabalhos mais relevantes do ano. Um disco que confirma que o Ghost não apenas acompanha seu tempo, mas ajuda a moldar o rock com personalidade própria.
3 Dream Theater – Parasomnia
Em Parasomnia, o Dream Theater entrega um dos discos mais significativos de sua fase recente, não apenas pelo alto nível musical, mas pelo contexto histórico que o envolve. O álbum marca o retorno de Mike Portnoy após mais de 15 anos, e essa volta se reflete diretamente na dinâmica das composições, na fluidez dos arranjos e na sensação da banda tocando de forma orgânica, algo que muitos fãs sentiam falta.
Conceitual, o disco mergulha nos distúrbios do sono para construir uma atmosfera densa, onírica e por vezes perturbadora. A abertura instrumental “In the Arms of Morpheus” estabelece esse clima com precisão, enquanto “Night Terror” e “Dead Asleep” trazem peso, riffs marcantes e energia imediata. “Bend the Clock” se destaca como um dos momentos mais emotivos da banda em anos, equilibrando melodia e sensibilidade, e o épico “The Shadow Man Incident”, com quase 20 minutos, sintetiza tudo o que o Dream Theater sabe fazer melhor: técnica, narrativa e variação de climas sem perder coesão.
Parasomnia reconecta o Dream Theater à sua essência, dialogando com a fase clássica sem soar como repetição automática do passado. É um disco ambicioso, bem construído e carregado de identidade, que reafirma a relevância da banda no metal progressivo e garante seu lugar com mérito entre os melhores álbuns do ano.
2 Testament – Para Bellum
Para Bellum prova que o Testament ainda sabe soar agressivo, atual e relevante sem romper com sua própria história. Longe de ser apenas mais um capítulo tardio da discografia, o álbum apresenta uma banda inspirada, pesada e criativamente inquieta, equilibrando o thrash metal clássico com flertes mais sombrios e extremos.
A abertura “For the Love of Pain” já deixa claro que não se trata de um disco acomodado, enquanto “Infanticide A.I.” traz velocidade e temática contemporânea, conectando o thrash à paranoia tecnológica atual. “Shadow People” reforça a força dos riffs, “Meant to Be” surpreende ao mostrar o lado mais melódico e emocional da banda, e a faixa-título “Para Bellum” encerra o álbum de forma grandiosa, quase cinematográfica, sintetizando peso, atmosfera e maturidade.
O álbum mostra um Testament em plena forma, capaz de dialogar com sua fase clássica sem cair na repetição automática. É um disco que soa urgente, bem produzido e musicalmente variado, reafirmando a banda como um dos nomes mais consistentes do thrash metal.
1 Paradise Lost - Ascension
O Paradise Lost reafirma com Ascension por que segue sendo uma das bandas mais consistentes e respeitadas do metal. Após um hiato maior que o habitual, o grupo retorna com um disco que soa pesado, melancólico e profundamente consciente de sua própria história, sem cair na armadilha da repetição automática. É doom, é gothic metal, é Paradise Lost em estado maduro.
Faixas como “Serpent on the Cross” e “Tyrants Serenade” resgatam o peso arrastado e os riffs densos que marcaram a fase death doom da banda, enquanto “Salvation” se impõe como um dos momentos mais épicos e emocionais do álbum, equilibrando lentidão, atmosfera e dramaticidade. Já “Silence Like the Grave” e “Lay a Wreath Upon the World” mostram como Nick Holmes ainda transita com naturalidade entre vocais limpos e registros mais ásperos, sempre a serviço do clima sombrio.
Ascension consegue dialogar com discos como Draconian Times (1995), Faith Divides Us – Death Unites Us (2009) e Obsidian (2020), costurando diferentes fases da banda em um trabalho coeso, elegante e emocionalmente pesado. Um álbum que cresce com o tempo, exige escuta atenta e recompensa quem acompanha a trajetória do Paradise Lost.
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