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From the First Sting (2024): seis décadas de veneno e melodias do Scorpions


Lançada como parte das comemorações pelos 60 anos do Scorpions, From the First Sting existe em duas edições distintas: uma versão enxuta com 16 faixas, que é foco desta resenha, e uma edição mais abrangente, com 31 canções, que se propõe a cobrir a carreira do grupo de forma ainda mais detalhada.

A edição de 16 faixas funciona como um recorte curatorial, quase um “best of essencial”, pensado para oferecer uma experiência mais direta e coesa. O percurso começa nos anos 1970, com “In Search of the Peace of Mind”, resgatando o Scorpions do disco de estreia, Lonesome Crow (1972), ainda fortemente influenciado pelo rock psicodélico e progressivo, e avança por momentos-chave da discografia até chegar a “Rock Believer”, representando a fase mais recente da banda. Nesse trajeto, o álbum consegue condensar mais de cinco décadas sem soar apressado ou meramente protocolar.

Os grandes pilares da carreira estão bem representados. “The Zoo”, “No One Like You”, “Rock You Like a Hurricane”, “Big City Nights” e “Wind of Change” garantem o peso histórico e comercial da seleção, enquanto “Always Somewhere” e “Still Loving You” reafirmam a força do Scorpions nas baladas de alcance global. Um dos maiores méritos desta edição está na inclusão de material raro: “This Is My Song”, em gravação ao vivo de 1973, expõe um Scorpions jovem e cru, e a versão de “Still Loving You” registrada em 1996 no programa Taratata, com participação da violinista Vanessa-Mae, oferece uma leitura sofisticada e pouco conhecida de um clássico absoluto.


Como toda edição condensada, algumas ausências são sentidas. Ficaram de fora canções importantes que aparecem na versão completa com 31 faixas, como “Send Me an Angel”, “Believe in Love”, “Holiday”, “Blackout”, “Loving You Sunday Morning”, “Is There Anybody There?” e outras músicas fundamentais para entender a diversidade e a evolução do grupo, especialmente no auge dos anos 1980 e no período pós-Love at First Sting (1984). Essas ausências não comprometem a qualidade da edição mais enxuta, mas ajudam a deixar claro seu propósito: síntese, não exaustão.

Nesse sentido, From the First Sting em sua versão em CD simples se destaca pela fluidez, pelo equilíbrio entre fases distintas e pela atenção ao formato físico, oferecendo uma audição mais focada e elegante com direito a um longo encarte de 24 páginas e embalagem digisleeve com três painéis. Já a edição com 31 canções surge como complemento natural para quem busca um panorama mais completo. Vale lembrar que, apesar da enorme popularidade da banda no Brasil, ambas não ganharam edições nacionais. 

Juntas, as duas versões reforçam o mesmo ponto: poucos nomes no hard rock conseguiram atravessar gerações com tamanha consistência quanto o Scorpions, e esta coletânea, seja em versão curta ou expandida, deixa isso claro sem esforço.


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