Lançado em 2003, Masterplan chegou cercado de expectativas. Não era apenas o álbum de estreia de uma nova banda, mas a reunião de músicos experientes como Roland Grapow e Uli Kusch, recém-saídos do Helloween, e o vocalista Jørn Lande, que carregavam consigo um passado relevante no metal europeu. O risco, nesses casos, costuma ser alto: ou o projeto soa como uma extensão previsível do que já foi feito antes, ou se perde tentando provar demais. Masterplan evita essas duas armadilhas com notável segurança.
O disco se ancora no power metal melódico, mas não se limita a ele. Há peso, velocidade e refrões fortes, mas também espaço para estruturas mais elaboradas e momentos de densidade emocional que fogem do padrão mais épico ou fantasioso do gênero. Desde “Spirit Never Die”, que abre o álbum com energia e confiança, fica claro que a proposta é direta, mas não simplista. Os riffs são sólidos, a base rítmica é precisa e a produção favorece a clareza sem sacrificar o impacto.
O grande diferencial, contudo, está nos vocais de Jørn Lande. Sua performance imprime personalidade às composições, trazendo um tom mais grave, dramático e humano, distante do estereótipo agudo e excessivamente heroico do power metal clássico. Canções como “Crystal Night” e “Bleeding Eyes” ganham força justamente por esse contraste entre peso instrumental e interpretação carregada de emoção, enquanto faixas como “Kind Hearted Light” e “Heroes”, essa com participação de Michael Kiske, apostam em melodias memoráveis sem soar artificiais.
Porém, nem tudo é absolutamente coeso. O álbum apresenta variações de clima e intensidade que, para alguns ouvintes, podem soar como pequenas quebras de unidade. Ainda assim, essa diversidade funciona mais como um reflexo da ambição do projeto do que como um defeito estrutural. Não há faixas descartáveis, e mesmo os momentos menos impactantes cumprem seu papel dentro do conjunto.
Masterplan entrega algo sempre muito difícil: um disco de estreia maduro, confiante e convincente. É o tipo de álbum que demonstra, já no primeiro passo, que a banda sabe exatamente onde está pisando e que tem repertório, técnica e identidade suficientes para se sustentar além do peso dos nomes envolvidos. Para colecionadores e fãs do gênero, trata-se de uma estreia que envelheceu bem e permanece relevante justamente por sua honestidade sonora e alto nível de execução.
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