Metal Sobre Rodas: Aventuras Entre o Heavy Metal e o Pedivela poderia facilmente ser apenas mais um livro de bastidores de estrada. Mas Fábio Laguna, conhecido pelo trabalho como tecladista no Angra, Hangar e ao lado de Edu Falaschi, escolhe um caminho bem menos óbvio. Em vez de focar exclusivamente nos palcos, ele desvia para as ruas, trilhas e estradas do Brasil, equilibrando turnês de heavy metal com longos percursos de bicicleta.
O livro nasce a partir de uma turnê de 38 dias, passando por 11 estados e o Distrito Federal, mas funciona mais como um diário de experiências do que como um registro cronológico de shows. Laguna transforma o pedal em ferramenta de observação: das cidades, das pessoas, do próprio corpo e da mente em movimento constante. O heavy metal está sempre presente, mas não como protagonista absoluto: ele divide espaço com o cicloturismo, a contemplação e a busca por liberdade fora do óbvio.
Um dos maiores méritos da obra é justamente essa fusão pouco explorada. O autor não romantiza excessivamente a estrada: há cansaço, imprevistos, dificuldades logísticas e momentos de solidão. Ao mesmo tempo, existe uma honestidade contagiante na forma como o pedal surge como contraponto à rotina intensa dos palcos, quase como um ritual de equilíbrio físico e mental.
A escrita é direta, leve e fluida, sem pretensão literária excessiva, o que joga a favor da proposta. Fotos, mapas e descrições de rotas reforçam o caráter quase documental do livro, aproximando o leitor da experiência real vivida pelo autor. O prefácio assinado pelo jornalista Thiago Rahal Mauro ajuda a contextualizar o projeto e reforça o tom humano do relato.
Metal Sobre Rodas não é apenas para fãs de Fábio Laguna ou do metal nacional. É um livro sobre deslocamento, paixão e resistência, valores que dialogam tanto com a música pesada quanto com o ato de pedalar longas distâncias. No fim, fica a sensação de que estrada nenhuma é feita só de quilômetros: ela também é feita de escolhas, silêncios e descobertas que só acontecem quando se desacelera para olhar ao redor.
Uma leitura sincera, inspiradora e surpreendentemente íntima.
O livro tem acabamento em brochura, orelhas e conta com 98 páginas impressas em papel couchê colorido.

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