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Tex Willer Especial 7: Tex, Zagor e o Velho Oeste à beira do abismo (2025, Mythos)


A sétima edição de Tex Willer Especial, com o título de Presságios de Guerra, parte de uma promessa poderosa: o reencontro entre Tex Willer e Zagor, dois dos maiores ícones da Sergio Bonelli Editore, inseridos em um contexto histórico tenso, marcado pelos ecos da Guerra Civil Americana e pelos conflitos com as nações indígenas. Mauro Boselli constrói a narrativa como um grande painel de transição, no qual alianças frágeis, decisões políticas e interesses militares anunciam um conflito inevitável. Vale lembrar que o primeiro encontro entre os personagens foi publicado em Tex Willer Especial 3, com o título de Encontro de Heróis.

A trama se organiza a partir da ameaça de uma nova guerra envolvendo os Comanches, com destaque para a figura histórica de Quanah Parker. Tex e Zagor surgem como mediadores naturais, personagens que transitam entre mundos distintos como o da lei, o do exército e o das nações indígenas, tentando evitar um derramamento de sangue que parece já escrito no horizonte. A presença de coadjuvantes clássicos, como Kit Carson e Chico, amplia o escopo da história, ainda que, em alguns momentos, dilua o foco dramático central.

Boselli aposta menos no impacto imediato e mais na construção gradual do clima de tensão. Presságios de Guerra é, como o próprio título sugere, uma história de antecipação: o conflito maior não explode totalmente aqui, mas se anuncia de forma constante, quase sufocante. Essa escolha narrativa pode frustrar leitores que esperam um confronto mais direto entre forças opostas, mas faz sentido dentro da proposta de retratar um momento histórico instável, em que cada movimento carrega consequências.



Nos desenhos, Alessandro Piccinelli entrega um trabalho sólido e clássico, fiel à tradição Bonelli. Seu traço valoriza expressões contidas, paisagens amplas e cenas de deslocamento, reforçando a sensação de jornada e incerteza. A arte não busca reinventar Tex ou Zagor visualmente, mas funciona como um suporte eficiente para a atmosfera mais séria e reflexiva da história.

Como crossover, Presságios de Guerra talvez não explore todo o potencial dramático do encontro entre Tex e Zagor, mas se sustenta como uma leitura interessante justamente por evitar o espetáculo fácil. Trata-se menos de um evento grandioso e mais de um capítulo de transição, que enfatiza escolhas morais, tensões políticas e o peso da história sobre indivíduos que, apesar de lendários, não conseguem impedir sozinhos o avanço da guerra.

No conjunto, é um especial que valoriza o contexto e a construção de mundo acima do impacto imediato. Uma leitura que dialoga mais com o leitor atento à dimensão histórica e simbólica do universo Bonelli do que com quem busca apenas ação contínua, e que, por isso mesmo, encontra seu valor no silêncio antes da tempestade.

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