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Tex Willer nº 58 - O Ídolo Maldito: templos, sacrifícios e Tex em contato com o lado sombrio do Velho Oeste


Tex Willer nº 58, publicado pela Mythos Editora, marca a chegada ao Brasil de uma das histórias mais atmosféricas da fase jovem do ranger criada por Mauro Boselli. Em O Ídolo Maldito, acompanhamos Tex ainda em processo de formação moral e emocional, lançado em uma aventura que mistura faroeste clássico, tensão mística e ecos de horror ritualístico, elementos que dialogam diretamente com a tradição mais ousada da Bonelli.

A trama gira em torno de Tesah, jovem princesa pawnee atormentada por pesadelos recorrentes, que funcionam como presságios de um perigo real e iminente. Esses sonhos levam Tex ao encalço de uma seita ligada a um antigo ídolo asteca, associado a sacrifícios humanos e a um culto violento comandado pela implacável sacerdotisa Yogar. O que começa como um mistério de fronteira logo se transforma em uma corrida contra o tempo, com Tex tentando impedir que Tesah seja oferecida em um ritual macabro.

Boselli constrói a narrativa com habilidade, equilibrando ação, suspense e elementos sobrenaturais sem jamais perder o senso de western. O Tex desta fase é menos o mito consolidado e mais o homem em construção, alguém que ainda reage aos horrores do mundo com espanto, mas que já demonstra o código moral inabalável que o definirá. Essa abordagem confere densidade psicológica ao personagem e torna seus confrontos mais significativos.



Os desenhos de Roberto De Angelis reforçam esse clima sombrio. Sua arte, que está estupenda principalmente nas páginas que retratam os templos astecas, aposta em contrastes fortes, enquadramentos fechados e expressões carregadas. O resultado é uma atmosfera opressiva, quase claustrofóbica, que dialoga bem com o tom ameaçador da história e aproxima Tex de territórios narrativos raramente explorados no western tradicional.

Mais do que uma simples aventura, O Ídolo Maldito reafirma a força da série Tex Willer ao explorar as origens do personagem sem medo de tensionar seus limites, mostrando que, mesmo antes de se tornar lenda, Tex já caminhava lado a lado com o perigo, a morte e escolhas que definiriam seu destino.

 

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