29 de abr de 2009

Castiga!: O encontro entre Robert Plant e Alison Krauss

quarta-feira, abril 29, 2009

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador
Sinister Salad Musikal

O disco
Raising Sand, de Robert Plant e Alison Krauss, foi sem dúvida um dos melhores lançamentos fonográficos de 2007. Quem ainda não escutou esta belezinha tem que correr atrás. 2007, aliás, foi providencial para o roqueiro britânico que, além deste belo trabalho com a atual diva do bluegrass norte-americano, reuniu os velhos comparsas Jimmy Page e John Paul Jones - e ainda Jason Bonham, filho do mítico baterista John “Bonzo” Bonham, morto em 1980 - para celebrar a volta do Led Zeppelin em um show histórico, em Londres.

Raising Sand é daqueles discos que curto cada vez mais a cada nova audição. Se você é um daqueles rockers veteranos que espera pelo approach e a sonoridade pesada dos tempos zeppelianos, pode tirar o cavalinho da areia (ops). Gravado em Nashville e Los Angeles, conta com a produção do renomado músico e produtor T. Bone Burnett (de trabalhos com Roy Orbison, Los Lobos, Elvis Costello e Wallflowers, entre tantos) e mostra a harmonia do combinado Plant/Krauss embalando canções acústicas nos formatos folk, country, rock e r&b. Um dueto zen que cai redondo tal qual um gole de conhaque numa noite de inverno.


Mister Robert Plant é um senhor tomado de amadurecimento, cantando sem afetações e demonstrando uma tranquilidade e paz interior de causar inveja a um coral de monges budistas. E Alison Krauss te pega de jeito com sua voz aguda, melódica e confortante, vinda de outra dimensão (escute “Sister Rosetta Goes Before Us”, “Trampled Rose” ou “Let Your Loss Be Your Lesson”, por exemplo, e diga se estou mentindo). Como se não bastasse seu canto angelical, Alison ainda toca violino, deixando as melodias ainda mais próximas do paraíso.

Músicas dos Everly Brothers (“Gone Gone Gone - Done Moved On”), Tom Waits (“Trampled Rose”), Gene Clark pós The Byrds (“Polly Come Home” e “Througt The Morning, Througt The Night”), Townes Van Zandt (“Nothin”) e Page & Plant (“Please Read the Letter”, gravada pelos parceiros no álbum
Walking Into Clarksdale, de 1998 ) se destacam em meio a outras canções não menos inspiradas. Percursos naturais para absorver esta obra sensível, cativante e de muito bom gosto que traz na seção rítmica convidados de naipe afiado: o guitarrista Marc Ribot (Los Cubanos Postizos, Tom Waits, John Zorn), o batera Jay Bellerose (Bill Frisell / Nina Nastasia), Dennis Crouch (Johnny Cash / Nashville Bluegrass Band) no baixo acústico e Riley Baugus, que se reveza com Ribot no banjo.

De uma cumplicidade e simplicidade que chegam a emocionar. Contra-indicado para batráquios rastejantes, insensíveis ou energúmenos.

Discos Fundamentais: Jorge Ben - A Tábua de Esmeralda (1974)

quarta-feira, abril 29, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Um exercício mental que algumas pessoas gostam de fazer é ficar especulando o que certos artistas ou bandas fariam, ou teriam feito, caso não tivessem morrido, não tivessem se dissolvido ou simplesmente não tivessem encerrado a carreira. Um dos grupos que mais costumam frequentar tais cabeças pensantes são os onipresentes Beatles.

Refinemos nossos delírios e imaginemos que o quarteto de Liverpool, em vez de se separar, tivesse optado por fazer uma tour pelo Brasil e ficasse o dia todo ouvindo samba-rock, samba soul, um tiquinho de tropicália e algo da jovem guarda. Penso que, se isso acontecesse realmente, o maior grupo da história faria um disco do quilate deste
A Tábua de Esmeralda. Vou um pouco além na minha heresia e afirmo que o hipotético trabalho dos ingleses ainda soaria inferior, porque lhes faltaria um pouco do swing e da malandragem do carioca Jorge Ben.

Tudo isso para dizer que este álbum tem uma levada pop absolutamente fantástica. É claro que a malandragem do samba é forte e que os elementos de funk e soul, dos quais Jorge era devoto, também estão presentes. Mas falo principalmente de uma idéia geral de pop, ou seja, de algo meio sem compromisso, meramente “cantarolável”, de melodias pegajosas e de letras ... bem, letras um tanto simplórias. Mas, vamos lá! 

As letras das músicas de Jorge Ben - já nos lembrava o produtor Armando Pitigliani, nas notas de contracapa de Sacundin Ben Samba, de 1964 – vão muito além do texto e fazem parte mesmo da complexidade rítmica de sua música. Ainda assim, mesmo se considerarmos o aspecto poético-literário, não há como falar que sejam indignas de respeito as letras de “Eu Vou Torcer”, “Zumbi” e “O Namorado da Viúva”. As duas primeiras pelo seu conteúdo histórico-político-social; e a última pela graça e humor, que caem como uma luva numa canção que nada mais é do que um sambão irresistível. E já que é para expressar uma quase adoração por este disco, por que não dizer que a letra de “Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar” tem lá um certo lirismo romântico que também não chega a ser desprezível?

Trata-se de um álbum que é o resultado esmerado de uma linha que Jorge adotara já desde
O Bidú: Silêncio no Brooklin (1967) e que vinha sendo lapidada a cada disco: “é o samba-rock, meu irmão!”. É mais: é samba soul, samba-pop, sampa psicodélico, "samba-beatles" (?!?!). E, como ufanismo pouco é bobagem, é do Brasil um dos melhores discos dos anos setenta. Salve simpatia!


Faixas:
A1. Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas - 3:16
A2. O Homem da Gravata Florida - 3:06
A3. Errare Humanum Est - 4:55
A4. Menina Mulher da Pele Preta - 2:56
A5. Eu Vou Torcer - 3:13
A6. Magnólia - 3:13

B1. Minha Teimosia, uma Arma Prá Te Conquistar - 2:43
B2. Zumbi - 3:29
B3. Brother - 2:54
B4. O Namorado da Viúva - 2:02
B5. Hermes Trismegisto e Sua Celeste Tábua de Esmeralda - 5:28
B6. Cinco Minutos (5 Minutos) - 2:57

Novo álbum de Uli Jon Roth já disponível no Brasil

quarta-feira, abril 29, 2009

Por Eliton Tomasi
Jornalista e Colecionador
Hellion Records

O guitarrista alemão Uli Jon Roth é a própria personificação da arte. Um verdadeiro multi-instrumentista, compositor e arranjador. Ele também é diretor musical, pintor especializado nas técnicas realistas a óleo, escreve sua própria poesia, assim como tratados filosóficos. É sempre citado como influência para inúmeros guitarristas de todo o mundo, entre eles Yngwie Malmsteen e Marty Friedman. Uli Jon Roth é talvez o mais importante protagonista da guitarra neoclássica, um artista de vanguarda, sempre a frente do seu tempo.

O início da vitoriosa carreira de Uli remete à 1973, quando foi convidado para substituir Michael Schenker no Scorpions. Logo se tornou o guitarrista solo do grupo e um de seus principais compositores. Ele ficou na banda até 1978 e gravou cinco álbuns, incluindo vários discos de ouro, como o ao vivo
Tokyo Tapes, que vendeu mais de um milhão de cópias.

Depois de deixar o Scorpions em 1978 ele fundou sua própria banda, o Electric Sun, com a qual gravou mais três álbuns. A partir do lançamento de Aquila Suite em 1991, Uli entrou para a terceira fase de sua carreira, agora muito influenciada pela música erudita. Desde então ele já compôs quatro sinfonias, dois concertos e inúmeras músicas.

Ainda que seja estruturalmente composto como uma obra clássica,
Under a Dark Sky, o mais recente álbum de Roth, é o seu primeiro trabalho voltado ao rock desde Beyond The Astral Skies, o último disco gravado com o Electric Sun em 1985.

Under A Dark Sky é o primeiro trabalho de uma série chamada “Symphonic Legends”, que nada mais é do que um ciclo de música criado por Uli para o seu projeto Sky of Avalon, uma banda formada por sete músicos, entre eles os famosos vocalistas Mark Boals (Yngwie Malmsteen, Royal Hunt), Liz Vandall (Sahara) e o baterista Michael Ehré (Metalium).


Under A Dark Sky foi lançado primeiramente no Japão em agosto de 2008, e em setembro na Europa via SPV. O álbum agora ganha versão nacional pela Hellion Records.
O disco já está disponível para venda através do loja virtual da gravadora: 

Mais Informações:
Hellion
Uli Jon Roth
My Space Uli Jon Roth

poeiraCast#005 no ar: os 40 anos da estreia do King Crimson

quarta-feira, abril 29, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Tem nova edição do poeiraCast no ar. Dessa vez o assunto são os quarenta anos da estreia do King Crimson, com o álbum In the Court of the Crimson King, a influência do mellotron no rock e uma geral sobre os relançamentos em vinil de discos clássicos do progressivo.




28 de abr de 2009

Discos Fundamentais: Led Zeppelin - Physical Graffiti (1975)

terça-feira, abril 28, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Sempre quis responder aquelas entrevistas em que o cara pergunta coisas tipo “
qual disco você levaria para uma ilha deserta?”. Desde os meus dezessete anos, a resposta é a mesma: o disco que eu levaria para uma ilha deserta, que salvaria da minha casa pegando fogo, que indicaria para um amigo, é o Physical Graffiti, sexto álbum do Led Zeppelin.

Não sei explicar. Vamos, então, tentar entender. Antes de descobrir Page e companhia, a minha vida era regada exclusivamente por heavy metal. O primeiro disco que comprei foi o
’74 Jailbreak do AC/DC, e na sequência descobri Iron Maiden, Metallica, Venom, Judas Priest, Black Sabbath e toda aquela turma. Ou seja, meu aparelho de som era incompatível com sons mais calmos, ele só reconhecia guitarras distorcidas.

Então, um dia encontrei "Stairway to Heaven". Não lembro onde, nem como, só sei que ouvi essa música tanto, mas tanto que sabia a letra de cor, era capaz de escrevê-la inteira. Mas até aí, tudo beleza. Comprei alguns discos (o
IV, o Presence, o The Song Remains the Same), mas, mesmo assim, não estava preparado para o choque que tive quando ouvi pela primeira vez o Physical Graffiti.

O disco das janelinhas mexeu com a minha cabeça. Definitivamente. Foi com ele que eu percebi que a música era muito mais. Aquelas quinze faixas me fizeram crescer, viajar, e até hoje, quando as escuto, me trazem grandes e inesquecíveis recordações, sempre novas, sempre diferentes.

Physical Graffiti me chocou bastante, primeiramente, por três músicas. São elas: "In My Time Of Dying", "Kashmir" e "In the Light". "In My Time Of Dying" é, até hoje, a música mais impressionante que eu já ouvi. A bateria de John Bonham nesta faixa justifica todos, absolutamente todos, os comentários passados, presentes e futuros sobre a sua técnica e sobra a sua potência. Cada vez que ela entra você sente um pontapé no peito. A mais chocante canção gravada pela banda faz qualquer pessoa, na primeira vez que a escuta, dar um pulo da cadeira e ficar alguns instantes em silêncio ao seu final. Precisa dizer mais alguma coisa?

"Kashmir" é uma das faixas mais conhecidas do grupo, e um dos maiores clássicos da história do rock and roll. Com o seu andamento cadenciado, que lembra a batida de um coração, mostra o enorme talento de Page e Plant como compositores, buscando no oriente novas sonoridades para o Zeppelin.

E "In the Light" é a mais viajandona das três. Com o seu início também remetendo ao oriente, traz uma interpretação magistral de Robert Plant, uma das melhores de toda a sua carreira. Toda a banda executa a música como se estivesse em outro nível, em outro plano. E, ao ouvi-la, você, ao fechar os olhos, realmente é transportado para o mundo mágico dos
zeppelins. Recomendo a experiência.

Com o passar dos anos, ouvindo o disco mais e mais e mais e cada vez mais, fui descobrindo milhares de detalhes perdidos em cada faixa. "Custard Pie" é a típica canção que só o Led Zeppelin poderia criar; "The Rover" mostra para qualquer banda do mundo como compor um heavy metal clássico; "Houses of the Holy" é rock and roll em seu estado mais puro; "Trampled Under Foot" não tem explicação; "Bron-Yr-Aur" é Jimmy Page brincando com o seu violão (e até brincando ele é genial); "Down by the Seaside" é uma das minhas baladas favoritas desde sempre; "Ten Years Gone" é uma das mais belas canções já escritas; e as coisas seguem por esse nível.

O Led Zeppelin gravou grandes, maravilhosos discos durante a sua carreira.
Led Zeppelin I, Led Zeppelin II, Led Zeppelin III, Led Zeppelin IV e Houses of the Holy estão entre os melhores momentos da história do rock. Todos eles estão repletos de grandes clássicos, um é melhor que o outro. Mas foi com Physical Graffiti que o Led Zeppelin marcou o seu nome a ferro e fogo no DNA do rock and roll. É o seu último grande disco, a prova definitiva e escancarada de como a reunião de quatro gênios no auge de sua juventude pode gerar obras-primas de cair o queixo.

Physycal Graffiti é um dos melhores discos da história do rock para mim, e tenho certeza de que para muitas outras pessoas também. Escute-o. Conheça-o. Não passe por essa vida sem viver essa experiência. Tenho certeza de que você não vai sair imune após uma audição.


Faixas:
A1. Custard Pie - 4:14
A2. The Rover - 5:37
A3. In My Time of Dying - 11:06

B1. Houses of the Holy - 4:02
B2. Trampled Under Foot  5:36
B3. Kashmir - 8:28

C1. In the Light - 8:47
C2. Bron-Yr-Aur - 2:06
C3. Down by the Seaside - 5:16
C4. Ten Years Gone - 6:33

D1. Night Flight - 3:37
D2. The Wanton Song - 4:09
D3. Boogie With Stu - 3:53
D4. Black Country Woman - 4:32
D5. Sick Again - 4:43

Coleção Folha Clássicos do Jazz

terça-feira, abril 28, 2009

Por Eduardo Sallamanka
Colecionador

Esta coleção foi lançada pelo jornal A Folha de São Paulo no período de 30 de setembro de 2007 a 03 de fevereiro de 2008, totalizando vinte CDs. A cada semana, um novo título de um novo artista, formando um painel bastante abrangente da história e evolução do jazz.

Os itens da coleção são formados por coletâneas ou reedições de álbuns, aqui devidamente embalados com a cara gráfica da coleção. Além disso, cada título vinha em um livro-CD com capa dura e dezenas de páginas com a biografia do artista e informações sobre as faixas presente no disco. 

O que trazemos aqui é um trabalho desenvolvido por nosso colaborador Eduardo Sallamanka, também um dos editores do excelente site Rate Your Music, que resenhou todos os itens dessa estupenda coleção, que, ao mesmo tempo que é indicadíssima para quem aprecia o estilo, é também um excelente ponto de partida para quem quer começar a se aventurar por esse gênero tão rico e apaixonante.

Então, boa audição!

#1 - Nat King Cole ****1/2

Este disco faz parte da coleção lançada pelo jornal Folha de São Paulo e é exatamente o título de abertura da série. Os editores do periódico não poderiam ter feito uma escolha mais perspicaz. 

O objetivo cultural da empresa é divulgar o gênero musical considerado difícil pela maioria dos ouvintes habituais da música pop, e o livreto que acompanha o disco trata de explicar justamente que o pianista e cantor norte-americano é um dos artistas mais acessíveis do gênero. Inclusive, muitos críticos chegaram a diminuir sua importância no cenário jazzístico conforme sua música aproximava-se cada vez mais do grande público.

A apresentação contida neste trabalho é exatamente a lançada originalmente no álbum At the Sands, de 1966, relançado em 2002 com duas faixas bônus, também presentes na edição disponibilizada pela Folha.

Conceitualmente, considero este lançamento um primor mercadológico. Bem produzido e barato (cada edição custa R$11,90), a mídia reproduz a miniatura de um LP (um pouco menor do que os antigos compactos), inclusive com a cor negra brilhante dos antigos vinis (nos dois lados do disco). O livreto, em capa dura, traz informações e fotos muito interessantes. Um prato cheio aos ouvintes que apreciam a boa música e se deleitam com as histórias que envolvem cada artista e suas discografias.

Se todo lançamento conservasse essas características, não haveria o porquê do temor das gravadoras perante a pirataria.

#2 - Herbie Hancock ****1/2

Para o segundo título da série, a seleção do repertório foi elaborada de forma a manter o flerte entre o jazz e a música pop, conforme os editores da coleção julgaram ser a melhor maneira de agradar ao público pouco acostumado aos temas jazzísticos.

A estratégia é convincente, pois faixas como "Cantaloupe Island", além de serem primores musicais, cheios da elegância e do suingue que apenas os grandes músicos conseguem casar com qualidade, também são temas conhecidos mundialmente, graças às versões de rádio creditadas a grupos como o Us3, que gravou a referida faixa há alguns anos.

Mesmo com o apelo marqueteiro supracitado, o título se destaca pelo sensível deslocamento às execuções mais intrincadas. Mesmo sabendo que há a preocupação em acostumar os ouvidos menos treinados a ouvir de forma natural essas faixas, percebe-se que o grau de dificuldade do disco já é maior do que o existente no álbum de estréia da coleção.

#3 - Louis Armstrong **1/2

A edição que homenageia Louis Armstrong, pertencente à coleção da Folha de São Paulo, comete o erro que, conforme acreditava, iria ocorrer a qualquer momento no decorrer dos lançamentos desses títulos. 

A coletânea mistura de forma desastrosa as faixas gravadas ao vivo e em estúdio pelo saudoso Satchmo. Desastrosa porque, além da ausência de elos lógicos entre as composições (a não ser pela autoria e execução do próprio músico em sua maioria, obviamente), passamos com sobressaltos dos antigos spirituals e a sonoridade condizente com a tecnologia de gravação disponível na primeira metade do século XX para a mais que remasterizada e límpida "What a Wonderful Word" - ainda tocante, mesmo com sua superexposição.

A nota que atrelo a este álbum, portanto, refere-se às escolhas dos editores do jornal, não ao artista. Particularmente, preferiria a reedição de qualquer obra de sua discografia, ao invés do Frankenstein musical aqui apresentado.

PS.: o livreto que acompanha o disco, assim como os das edições anteriores, foi muito bem produzido.

#4 - Charlie Parker ****

A reedição do disco ao vivo de Charlie Parker, At Storyville, reproduz duas apresentações distintas transmitidas via rádio para parte do território norte-americano, diretamente da casa que dá nome ao disco. Um sinal de notoriedade do músico. Tal expediente tornou-se raro com o passar do tempo e são poucos os artistas que tem suas aparições sobre o palco ecoadas desta maneira atualmente. Por isso, as inserções das locuções do apresentador da emissora ao final de cada uma das apresentações nos parece exótico, ao mesmo tempo que conferem certo charme ao disco.

A qualidade da gravação não é das melhores, dadas a sua idade (o show é de 1953) e a utilização de aparelhos não necessariamente próprios para a captação de futuros discos. Mesmo assim, a execução das composições é convincente o bastante para justificar a publicação deste título. 

A fama conquistada por Parker e seus companheiros que ajudaram a desenvolver o bebop pode ser perfeitamente compreendida através de audições de acontecimentos como estes.

#5 - Art Blakey ****

O enfoque desta coletânea, tanto musical quanto histórico, está baseado no domínio de Art Blakey sobre o seu kit de bateria e, principalmente, sobre seus colegas de banda. Líder inato, o músico foi responsável pelo surgimento de inúmeros artistas importantes do cenário jazzístico nova-iorquino e ficou conhecido pela maneira rígida com a qual os dirigia.

Assim, movido pelo coleguismo com o jazzista, já que fui baterista de uma banda amadora, a Sallamanka (sim, isso soa muito pretensioso, mas leia até o fim, por favor), a empatia foi ainda maior. Art Blakey, muitas vezes, apenas mantinha a banda nos trilhos ritmicamente, e não necessitava fazer piruetas com as baquetas do início ao fim de suas performances. Este disco em particular, inicia-se justamente mostrando o lado do músico condutor. Confesso que quando eu estava na banda meu ponto forte era a sua gerência e não a técnica musical.

Porém, as semelhanças entre mim (cof, cof) e Art Blakey terminam por aí. Com o passar das faixas temos a amostra do que ele podia fazer tecnicamente com o seu instrumento de percussão. "Mosaic" e "Free for All" são estonteantes e as batidas, viradas e ataques aos pratos acabam por protagonizar o espetáculo que é esta obra. A seleção de faixas foi perfeita ao exibir os dois lados mais interessantes desse grande músico norte-americano.

#6 - Ella Fitzgerald ****1/2

Este disco ao vivo disponibilizado pela Folha de São Paulo é, na verdade, a reedição de uma apresentação gravada em Estocolmo em 1966 e lançada pela primeira vez apenas em 1984 pela indústria fonográfica. A banda que acompanhava a cantora contava com ninguém menos que Duke Ellington ao piano, e inclusive o disco original é creditado aos dois artistas, sem designar a liderança do grupo a qualquer um dos dois. No entanto, Ella foi a estrela da noite e os arranjos apresentados pelo próprio pianista não deixam qualquer margem de dúvida a esse respeito.

A esta altura, Ella já não era nenhuma iniciante, mas ainda trazia a jovialidade em seus timbres vocálicos. O controle sobre a sua técnica, no entanto, entregava a sua experiência da melhor forma possível. A inteligência musical demonstrada por ela ao executar seus inúmeros scatterings é de deixar qualquer um de queixos caídos. Ainda assim, nos momentos em que o jazz tradicional é retomado, conscientizamo-nos do porquê do título de primeira-dama da música norte-americana.

O hiato entre a gravação da apresentação e seu lançamento no mercado é surpreendente, já que além da presença desses grandes nomes do jazz a qualidade sonora do registro é ótima.

#7 - Chet Baker ****

Como brasileiro, não posso deixar de atentar ao grau de influência que Chet Baker legou aos artistas compatriotas a partir da bossa nova. Dizem que Caetano Veloso e Astrud Gilberto beberam diretamente desta fonte, algo que não soa esdrúxulo quando ouvimos o jazzista americano nos momentos em que assume o microfone. Há semelhanças entre os estilos suaves, preguiçosos até, nas vocalizações desse grupo de artistas.

A comparação torna-se ainda mais óbvia quando ouvimos o west coast jazz, compassado e irmanado com os ritmos tropicais que a bossa nova devolveria ao hemisfério norte, inclusive em parceria com alguns instrumentistas da escola norte-americana. Chet Baker segue a tendência econômica, porém rica, dos desenhos formados pelas notas de seu trompete, conforme os jazzistas adeptos do cool jazz faziam com seus respectivos instrumentos. Praticamente impossível não apreciar a música calma e bem tocada desse gênero. Aos que preferem os ritmos mais agitados, a coletânea ainda nos brinda com algumas faixas da faceta bebop do trompetista.

Como é de praxe na coleção, o livreto que acompanha o disco narra as histórias do músico em foco. Assim como grande parte de seus colegas, Chet Baker teve uma vida atribulada, cujas intempéries resultaram no final trágico de sua vida. Essa informação, além de outras passagens interessantes, enriquecem ainda mais o lançamento.

#8 - Thelonious Monk ****1/2

Logo que iniciei a minha coleção desta série me informei acerca dos nomes que teriam seus discos disponibilizados pela Folha de São Paulo. Uma rápida pesquisa pela internet indicou que alguns deles seriam barbadas em termos de empatia entre mim e a sua música. Thelonious Monk era um dos músicos que tinha certeza que me agradaria imediatamente.

Assim que este título foi lançado, pude comprovar que a minha percepção estava correta. O desprendimento que o artista teve diante do gênero que ajudou a criar, o bebop, durante toda a vida motivou a criação de temas que não respeitavam quaisquer regras. O poder de auto-destruição contido nesta postura apenas ajudou a gerar trabalhos ainda mais interessantes.

As angulações melódicas impostas pelo artista, alcançadas por sua maneira singular de executar o piano, são irresistíveis, o que nos faz voltar para essas audições sistematicamente.

Por fim, o comportamento excêntrico do jazzista também funciona como um imã e nos faz querer entender o que se passava por sua cabeça, enquanto revirava o gênero musical e deixava os fãs e críticos tradicionalistas de cabelos em pé.

#9 - Benny Goodman ****1/2

Este é o típico caso de discos em que os músicos são exímios instrumentistas, as composições são emblemáticas, há coesão na seleção de faixas pelos produtores mas, a despeito da ciência do trabalho bem feito, o ouvinte não se empolga tanto com o que ouviu, como deveria. 

Claro, este ouvinte sou eu e a ausência de empolgação refere-se apenas ao meu gosto pessoal, já que o swing das tradicionais big bands norte-americanas não é o meu estilo favorito entre aqueles executados pelos jazzistas. Ainda que a coletânea apresente algumas poucas faixas em que Goodman flertara com o bebop (algo que me agrada mais), sua coerência e apego ao balanço de seu estilo tradicional acabam falando mais alto.

Indicado, portanto, aos amantes das danças de salão e suas produções portentosas embaladas pelas orquestras de jazz iconizadas mundo afora por nomes como o próprio Benny Goodman.

#10 - Horace Silver ****1/2

A seleção de faixas para esta coletânea já pode ser considerada uma das melhores da coleção lançada pela Folha de São Paulo. Além de condizer com o desenrolar da carreira de Horace Silver, fortuitamente as faixas apresentam-se homogêneas em sua qualidade de gravação. Algo que não ocorreu no disco de Louis Armstrong, da mesma série.

Horace Silver (originalmente Silva, dada a sua ascendência cabo verdiana) faz o típico som que agrada pelo equilíbrio. O pianista usa e abusa das técnicas mais intrincadas das composições atonais, mas acaba sempre agregando passagens mais acessíveis a essas peças. A expectativa que o acompanhamento das variações dessas execuções gera é algo impagável.

Além disso, a inclusão de faixas memoráveis da carreira de Silver também ajuda. "Song for my Father" - inspirada em ritmos brasileiros, segundo o autor do livreto que acompanha o disco - além de belíssima, funciona como trampolim para "The Cape Verdean Blues", composição que externa de uma vez por todas a atenção dada pelo músico às raízes paternais.

Estes são apenas alguns fatores que acabam por enriquecer a obra de Horace Silver. Há também sua humildade ao destacar os solos dos companheiros de banda, além da postura sempre honrosa diante das situações adversas, conforme o texto encartado com o disco nos revela. Típico caso em que a personalidade ratifica a música, que por sua vez, faz o caminho inverso e realimenta o status do artista.

#11 - Miles Davis ****1/2

Este volume lançado pela Folha de São Paulo é a reedição da coletânea The Best of the Capitol/Blue Note Years, que enfoca os trabalhos de transição da carreira de Miles Davis do bepop para cool. Ótima escolha, pois é quase tangível o momento do encontro sonoro da antiga escola na qual o trompetista nasceu artisticamente com uma nova, que se formava.

Miles Davis não renegou suas origens ao lançar o lendário Birth of the Cool, mas agregou elementos novos àquela música que, aos poucos, foi se tornando algo único e identificável como produto do gênio de Davis. Algumas destas faixas estão registradas neste título. A forma como a seleção do disco foi feita é, portanto, ótima, justamente por nos oferecer a visão do nascimento e da maturação do cool jazz.

Depois disso, várias fusões foram elaboradas pelo bandleader, tornando-o um dos jazzistas mais festejados da história. É por isso que esta edição, além de ser um produto digno do lazer musical propiciado por obras-primas, também pode ser vista como uma respeitável fonte de informações.

#12 - Billie Holiday ***1/2

Talvez esteja enganado acerca das informações seguintes. Portanto, se realmente o estiver, desconsidere o segundo parágrafo.

Dos títulos desta coleção adquiridos por mim até o momento, apenas dois deles tiveram a seleção musical desenvolvida pelos editores da publicação (esta é a informação que pode ser incorreta): Louis Armstrong e este de Billie Holiday. O restante (também até o momento que escrevo) refere-se à reedições de títulos temáticos lançados no exterior. Coincidentemente, os dois álbuns supracitados sofrem com o desnível de qualidade de gravação (falo da engenharia de estúdio) entre as faixas, algo que desvaloriza qualquer lançamento. 

Felizmente, a coletânea de Billie Holiday ainda consegue manter a linearidade durante a maior parte de sua execução, sendo que o tal desnível citado ocorre a partir de suas três últimas faixas. Considero-os bônus. A edição de Louis Armstrong, no entanto, é uma montanha-russa de volumes de áudio, de fases da carreira do artista, de chiados e etc. Esta é a má notícia relacionada também ao disco em questão.

A boa, e óbvia, fica por conta da voz de Billie Holiday e sua forma de interpretar tais canções. Muitas delas refletem as dores vividas pela cantora durante toda a sua conturbada existência. Aliás, os ouvintes que conhecem um pouco de sua história não conseguem evitar a tentativa de captar tais emoções ao ouvir qualquer trabalho lançado por ela.

Hoje, há vários produtores que almejam construir essa aura, a da cantora sofrida, para artistas que mal largaram as saias das mães. Algo um tanto artificial. Billie Holiday, por sua vez, legitima e demonstra toda a autoridade da diva de ótima voz e com algo (doloroso, infelizmente) a nos contar.

#13 - Duke Ellington ****1/2

As faixas apresentadas nesta coletânea foram gravadas durante o período que compreende o fim da década de cinquenta e o início da de sessenta, em sua maioria. Essa informação é importante por dois motivos. Primeiro porque, àquela altura, a tecnologia já permitia perpetuar as sessões musicais com qualidade compatível com as nossas exigências audiófilas atuais. Segundo: Duke Ellington estava em seu auge artístico. Tanto sua capacidade como músico (arranjador e instrumentista), quanto a gerencial (os músicos que o acompanhavam eram justamente os que o artista desejava), alcançavam o ápice nessa época.

Assim, a confluência de situações favoráveis, aliadas às composições reconhecidamente geniais nas mãos do "Duque" norte-americano, não poderiam resultar em um disco que não fosse grandioso.

Confesso que dentre os diversos estilos do jazz, a tradicional formação das big bands não está entre as minhas preferidas. E foi justamente por isso que a qualidade deste trabalho me surpreendeu de forma mais pujante.

Os grandes nomes sempre tem algo a nos mostrar.

#14 - Chick Corea ****

A seleção preparada para este lançamento está focada basicamente na veia bebopper de Chick Corea e relega suas experiências com a música latina, erudita, entre outras, a um novo e distinto título. O resultado é uma fruição homogênea quanto aos princípios, já que o experimento com as melodias angulosas que desconstroem clássicos como "My One and Only Love" conforme apresentado por aqui, dificilmente gerará execuções enlatadas, semelhantes entre si.

Outro aspecto que considero importante em qualquer disco de jazz é o da valorização dos diversos instrumentos que compõem as bandas, a despeito da liderança de um dos músicos e o seu aceitável, desde que balanceado, protagonismo. Isto ocorre neste disco e nos faz querer retomá-lo em outras ocasiões, apenas para descobrirmos os timbres que não demos muita atenção nas audições anteriores.

# 15 - Ornette Coleman ****

O formato livro+disco de cada lançamento desta coleção não é novidade no mercado editorial brasileiro. Outras revistas e jornais como a própria Folha de São Paulo já disponibilizaram séries de gêneros musicais diversos, colhendo sempre bons resultados comerciais destas empreitadas. São várias as características que fazem desses títulos itens de consumo certo por um número significativo de colecionadores.

Desta vez, gostaria de me ater à relevância cultural do volume que traz a música de Ornette Coleman. A simples informação contida no livreto, que nos faz atentar às vinhetas que o jazzista inseria entre um solo e outro de suas composições apenas para organizar aquilo que seria o caos chamado free jazz, é suficiente para que ouçamos o disco com outros ouvidos. Aliar o prazer gerado por aquela música ao pequeno, porém legítimo, conhecimento de causa que acabamos de conquistar não tem preço.

Assim, pequenas e boas características de projetos como este acabam por conquistar o ouvinte e consumidor final. Este, entusiasmado, fecha o ciclo virtuoso deste microcosmo de nossa economia e conhecimento cultural.

# 16 - Dizzy Gillespie ***1/2

Esta edição da coleção
Clássicos do Jazz da Folha de São Paulo mistura faixas gravadas ao vivo e em estúdio. Quando a masterização de títulos como esse não é muito bem feita ou a qualidade dos originais apresenta-se muito disforme conforme a diferença de idade entre os registros, o resultado é uma oscilação de volumes e chiados bastante desagradável de se ouvir. Isso é justamente o que ocorre neste volume.

Felizmente, a qualidade da música aqui apresentada acaba equilibrando o resultado final da audição, principalmente quando a faceta experimental do jazzista é enfocada. A mistura da música cubana com o jazz e o próprio bebop, desbravado inicialmente por ele, formam alguns minutos de consistência da seleção. A fase do swing também é explorada, mas agrada um pouco menos a mim, por uma questão de gosto pessoal.

A nota que julgo ser justa ao título, portanto, refere-se mais à falta de sensibilidade do responsável pela seleção de faixas e pelo trabalho técnico de masterização, que deixou a desejar neste lançamento, já que a música de Dizzy Gillespie nos garante a diversão.

# 17 - John Coltrane ****1/2

Este álbum traz apresentações ao vivo de John Coltrane, sendo que as composições aqui presentes expõem fielmente, através das técnicas apresentadas pelo músico como instrumentista e dos princípios pessoais (principalmente espirituais) ao compô-las, o que viria a ser a carreira do saxofonista. Por se tratar de um volume de uma coleção que visa fazer um apanhado geral da carreira de cada um dos artistas apresentados, diria que a escolha das faixas foi muito feliz.

Uma descrição sucinta basta para nos fazer entender, resumidamente, a rica vida musical do norte-americano. Em "My Favourite Things" a veia exploradora de Coltrane expõe-se concomitantemente ao seu respeito à escola tradicional do jazz. Seus solos extremamente modernos se misturam às bases, que parecem pedir a benção de seus mestres do passado. O próprio Coltrane externava o seu desejo de seguir em frente, sem perder contato com o que deixava para trás.

"Naima" é a típica expressão pessoal do músico, que rendia homenagens às figuras importantes de sua vida - neste caso, sua esposa. No futuro, a experiência seria a espiritual, que renderia uma das maiores obras musicais de todos os tempos:
A Love Supreme.

Outras passagens interessantes, como a do longo solo de baixo em "Impressions", entre outras inserções, ilustram de maneira esclarecedora as parcerias, desvios e retornos na carreira do saxofonista.

John Coltrane é inconfundível. O ouvinte que aprecia sua música sente-se imediatamente confortável ao iniciar a fruição de seus álbuns, já que a técnica impressionante do artista mantém suas características básicas, mesmo quando fazemos um apanhado geral de sua carreira e percebemos a evolução do músico. A empatia, aliada à sede por novos experimentos musicais, torna cada um de seus álbuns algo saboroso de ser dissecado.

# 18 - Al Di Meola ***

Esta é uma edição da coleção da
Folha que se destaca mais pelo texto contido no livreto do que pelo disco. Sua abordagem musical enfoca o trabalho essencialmente oitentista de Al Di Meola e aquela típica sonoridade que não me agrada pelo fato de termos a tecnologia protagonizando os álbuns lançados no período. Muitos músicos relevantes que não se acertaram com as novidades hi-tech daqueles tempos já conseguem trabalhar com a eletrônica de maneira mais equilibrada atualmente.

O texto merece elogios por fazer o resumo competente da vida profissional do músico e ainda adicionar trechos de sua entrevista concedida à Folha de São Paulo no mês de novembro de 2007 - data em que a coleção já vinha sendo publicada. Portanto, trata-se de um material de primeira qualidade e atual. Ótimo!

O autor da biografia ainda cita Frank Zappa, guitarrista que também enveredou pelo fusion, mas critica as transformações desta música nos anos derradeiros da década de setenta - até então, ainda conhecida apenas como jazz-rock, ela era menos comercial, segundo ele. Sua obra significa para mim o link entre o pop e a música mais intrincada e obscura, daí o meu contentamento ao ler sua declaração. Creio que se não tivesse conhecido seus primeiros álbuns eu não seria tão curioso em relação aos discos "esquisitos" que passaram a ser os mais frequentes em meu aparelho de som.

Quanto ao Al Di Meola, daquilo que conheço do músico prefiro ficar com os trabalhos desenvolvidos com o Return to Forever e, a partir de agora, pretendo conhecer mais de sua carreira solo, principalmente dos anos que se afastam dos oitenta.

#19 - Charles Mingus ****1/2

O simples fato de reproduzir o disco ao vivo
Jazz Portraits já torna imperativa a aquisição deste trabalho. A dificuldade de se encontrar títulos do gênero no Brasil e o preço acessível da edição da Folha já justificariam a compra.

Mas o álbum vai além. A qualidade da gravação é ótima e condiz com o enfoque à biografia de cada músico que a coleção provê através de seus livretos. Nesta apresentação, Charles Mingus executa longos solos com seu contrabaixo e ilustra sonoramente tudo aquilo que é explanado pelo texto.

Este é o penúltimo título da série que já deixa saudades. Esperemos que novas campanhas, tão interessantes quanto esta, sejam produzidas por diferentes editores brasileiros da imprensa escrita. Que as lacunas deixadas pelas gravadoras do país sejam preenchidas por eles. Tal inversão de papéis trata de apenas mais uma das idiossincrasias do nosso mercado.

#20 - Lee Morgan ****

Lamentei tanto o término desta coleção no penúltimo disco da série que acabei me esquecendo de resenhar o título que homenageia Lee Morgan, o último volume de fato.

Mais um vez, sinto-me impelido a elogiar a
Folha de São Paulo pela breve biografia presente em cada uma dessas edições. Lee Morgan chama tanta atenção pela música quanto por sua personalidade. Esta, por sua vez, magnetizava os louros da profissão de músico, mas também os problemas gerados por sua simpatia ao hedonismo.

Musicalmente, o disco volta-se principalmente aos dançantes
boogaloos que levaram o trompetista às paradas de sucesso improváveis para um representante do gênero.

E é assim, neste clima de animação, que a
Coleção Folha Clássicos do Jazz é findada, de modo a criar a expectativa para novos lançamentos futuros que, esperamos, sejam tão bons quanto este.

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