04/09/2009

O bardo canadense na arena britânica


Por Maurício Rigotto
Colecionador
Collector´s Room

Há cerca de um mês, exatamente no ápice do temor provocado pela pandemia mundial de Influenza A, a popular gripe suína, um casal de amigos, em férias de seus empregos, resolveu passar uma semana fazendo turismo em Buenos Aires.

A escolha deixou os amigos em polvorosa, não que a capital da Argentina não seja uma das mais belas cidades da América do Sul para se visitar, mas o momento os colocava na contramão da história, pois os primeiros casos de infecção pelo vírus por aqui se manifestaram justamente em pessoas que haviam passado por Buenos Aires recentemente, onde o surto estava em descomunal descontrole. A cidade estava praticamente deserta, os eventos foram cancelados, a rede hoteleira estava jogada as traças e todos evitavam ir para lá. Mesmo assim, esse casal de amigos encheu as mochilas com litros de álcool gel e embarcou para a capital portenha. Os amigos diziam: "Quando vocês voltarem, não nos visitem, apenas telefonem".

Quando retornaram, ele me ligou e perguntou: "Adivinhe o que eu trouxe de Buenos Aires?". Arrisquei: "Gripe suína?". Ele redargüiu: "Não, o DVD Leonard Cohen Live in London!". Fiquei empolgado, pois sou muito fã do bardo canadense, a ponto de esquecer os riscos e correr para assistir o tal DVD.


Leonard Cohen, nascido em 1934 em Montreal, província canadense de Quebec, em uma família judia de origem polonesa, é agora um senhor com 74 anos que há quinze anos não fazia uma turnê, desde que se converteu ao budismo, inclusive residindo por um tempo em um mosteiro. Não importa o que o motivou a voltar aos palcos, se foram os cinco milhões de dólares que o seu ex-empresário roubou-lhe, ou qualquer outro motivo, o que importa é que no dia 17 de julho de 2008 Cohen e sua excelente banda subiram ao palco do 02 Arena de Londres com grande entusiasmo, verve e paixão, para defronte a uma platéia lotada (vinte mil pessoas, incluindo o guitarrista do Pink Floyd, David Gilmour), fazer um show impecável de mais de duas horas e meia de duração.

Leonard Cohen continua com o mesmo charme e elegância que fizeram a sua fama. Trajando um terno risca de giz, ele educadamente agradece a multidão por várias vezes durante o concerto, sempre tirando o seu chapéu enquanto é aplaudido e ovacionado pela platéia. Seu humor ácido e seu lirismo poético permeiam seu extraordinário repertório, extraído de seus quarenta anos de carreira musical, desde a abertura com a magistral "Dance Me to the Ed of Love" e em clássicos como "Birn on the Wire"; "Everybody Knows"; "In My Secret Life"; "Who by Fire"; "Suzanne"; "Hallelujah"; "So Long, Marianne" e "Sisters of Mercy", que receberam interpretações magníficas por sua voz grave e rouca, permeada de emoção e poesia. Até mesmo quando tece comentários entre as canções ou quando apresenta os músicos da banda, Mr Cohen parece estar sempre declamando um de seus brilhantes poemas, recheados de cinismo e sarcasmo. Um dos melhores lançamentos do ano. Já tenho o meu exemplar em meu acervo.

Como Leonard Cohen é praticamente um desconhecido no Brasil, considero oportuno citar um pouco da sua trajetória. Aos 17 anos, inspirado em Garcia Lorca, passa a escrever seus primeiros poemas. Em 1956 lança seu primeiro livro de poesia
Let Us Compare Mythologies, seguido em 1961 por The Spice Box of Earth, que lhe conferiria fama internacional. Lançou em 1963 seu primeiro romance, The Favorite Game, seguido em 1964 pelo livro de poemas Flowers for Hitler e por seu segundo romance em 1966, Beaultiful Losers.

Já consagrado como escritor, somente em 1968, aos 34 anos, lança seu primeiro disco, Songs of Leonard Cohen, muito bem recebido por público e crítica, e se apresenta no Newport Folk Festival.

Leonard Cohen segue até hoje com sua proeminente carreira, lançando discos e livros que influenciaram, entre outros, Bob Dylan, Lou Reed, Elvis Costello, U2, Patti Smith e uma infinidade de pessoas.


Discoteca Básica Bizz#166: Sá, Rodrix e Guarabyra - Terra (1973)


(Toninho Spessoto, Bizz#166, maio de 1999)

Antes de começarem a trabalhar juntos, os cariocas Zé Rodrix e Luiz Carlos Sá e o baiano Gutemberg Guarabyra viveram experiências musicais distintas. Rodrix vinha do Som Imaginário, grupo que no final dos anos 60/início dos 70 fundia a música de Minas Gerais com elementos do então nascente rock progressivo. Guarabyra havia vencido o
Festival Internacional da Canção em 1967 com a marcha-rancho "Margarida". Sá trabalhava como compositor, tendo músicas gravadas por Pery Ribeiro e Nara Leão.

O trio Sá, Rodrix & Guarabyra nasceu em 1972, com um estilo batizado de rock rural. O som tinha o progressivo aliado a fortes influências de Beatles, música mineira, folclore baiano, country e folk. O primeiro disco, Passado, Presente, Futuro, deixava isso claro em canções como "Zeppelin", "Jurity Butterfly" e "Hoje é Dia de Rock". Mas o gênero se definiu mesmo em Terra, segundo e último trabalho do trio, lançado em 1973.

O disco abria com o rock saudosista "Os Anos 60", regravado depois por Cely Campello. A balada "Desenhos no Jornal" trazia uma atmosfera beatle. "Mestre Jonas" retratava uma passagem bíblica, com Rodrix arrasando no piano e no órgão. "Blue Riviera" também falava da era primária do rock, mas de modo melancólico. "Adiante" era um country típico, com belos solos de gaita no arranjo.

Em "Pendurado no Vapor", uma história de retirantes, apareciam as influências das cantigas do folclore baiano trazidas por Guarabyra. "O Pó da Estrada", uma canção country no melhor espírito on the road, contava a trajetória de um andarilho em busca de um futuro melhor. "Brilho das Estrelas/Paulo Afonso" retomava a atmosfera do interior baiano,enquanto "Até Mais Ver" era mais uma canção sobre retirantes, mas com estética country.

O rock rural teve continuidade com Sá & Guarabyra (Zé Rodrix fez carreira solo enveredando pelo pop, passou pelo grupo de rock satírico Joelho de Porco e hoje se dedica apenas à criação de jingles publicitários). Alguns dos seguidores do gênero foram o 14 Bis e, de certa forma, Almôndegas, Kleiton & Kledir e Boca Livre.

Terra foi um marco na história do pop brasileiro da época. Até hoje, Sá & Guarabyra têm público fiel e muito do sucesso que fazem se deve ao trabalho que realizaram em 1972 e 1973 ao lado de Zé Rodrix.


Faixas:
1 Os anos 60
2 Eu vou te encontrar
3 Mestre Jonas
4 Blue Riviera
5 Adiante
6 Pendurado no vapor
7 Pó da estrada
8 Brilho das pedras
9 Até mais ver


03/09/2009

Podcast Collector´s Room #018: A História do Hard Rock e do Heavy Metal - Parte I


Por Ricardo Seelig
Colecionador

A partir dessa edição, o podcast da Collector´s Room começará a contar, em alto e bom som, a história do hard rock e do heavy metal através das bandas, dos discos e das músicas que marcaram a trajetória destes dois gêneros tão apaixonantes.

Nossa viagem pelo tempo será feita de forma cronológica, passando de grupo em grupo, ano a ano, com comentários a respeito das bandas e das faixas que ajudaram a construir e a desenvolver o rock pesado.

Prepare-se, porque será uma longa jornada por caminhos muitas vezes nebulosos e escuros, mas estaremos sempre acompanhados de ótimos sons em nossa viagem.

Garantir a sua passagem nessa trip é muito fácil: é só clicar aqui para baixar e ouvir o primeiro programa. Portanto, aumente o volume do seu som, descubra novos grupos e reencontre velhos companheiros pelo caminho.

Sugestões e comentários são, mais do que nunca, muito bem-vindos.

Um grande abraço, e espero que vocês curtam fazer essa viagem comigo.



Discoteca Básica Bizz#165: The Ronettes - Presenting The Fabulous Ronettes Featuring Veronica (1964)


(René Ferri, Bizz#165, abril de 1999)

Fundada em meados de 1961 pelo produtor Phil Spector e seus sócios Helen Noga e Lester Sill, a gravadora Philles Records revolucionou o pop. A sede do selo ficava em Nova York, mas o centro de produção era Los Angeles. Ali, na câmara de eco do estúdio Gold Star, Phil Spector inventou o som que virou sua marca: uma massa sonora
wagneriana com guitarras, metais e teclados em camadas, percussões em cascatas, cordas derramadas em arranjos épicos, vocalizações sobrepostas em tramas sofisticadas, tudo mixado com muito eco - o imitado e jamais igualado wall of sound.

As Ronettes chegaram à Philles no início de 1963. O grupo havia sido formado em 1959 por duas irmãs, Ronnie (diminutivo de Veronica) e Estelle Bennett, e uma prima, Nedra Talley; elas estrearam profissionalmente como dançarinas de twist em 1961. No final desse mesmo ano assinaram com o selo Colpix, para o qual gravaram cinco singles de pouca repercussão, e depois participaram anonimamente nos backing vocals dos discos de Del Shannon e Bobby Rydell.

A empatia entre as Ronettes e Spector foi imediata (Ronnie, aliás, logo se tomou Mrs Spector): em agosto de 1963, já desligadas da Colpix, elas tiveram seu primeiro 45 rpm lançado pela Philles, o clássico "Be My Baby". "
De todos os discos já feitos, este é indiscutivelmente o melhor", costuma dizer o Beach Boy Brian Wilson. Até 1966, ano em que a Philles encerrou suas atividades, o selo lançou ao todo oito compactos e um álbum com as Ronettes.

Phil Spector era um obcecado: editava somente o melhor, arquivando quilômetros de fitas. Com as Ronettes, seu perfeccionismo atingiu níveis inacreditáveis. São verdadeiras as histórias sobre orquestras encarceradas por 24 horas no Gold Star até que saísse o tal som ideal, os solos de dez segundos de Steve Douglas ou Tommy Tedesco sendo repetidos centenas de vezes. Mas o exigente Spector deu OK ao primeiro take de Ronnie em "Walking in the Rain".

No final de 1964 sairia este Presenting The Fabulous Ronettes reunindo os lados A dos quatro primeiros singles, os dois lados do quinto compacto, a primeira gravação solo de Ronnie - "So Young" - e quatro faixas até então inéditas: "Ghapel of Love" (das rivais The Chiffons), "When I Say You", "I Wonder" e "What´d I Say", de Ray Charles, ao vivo. É datado, sim, mas absolutamente irresistível.


Faixas:
A1 Walkin' in the Rain 3:17
A2 Do I Love You 2:51
A3 So Young 2:36
A4 (The Best Part Of) Breakin' Up 3:01
A5 I Wonder 2:45
A6 What'd I Say 4:46

B1 Be My Baby 2:41
B2 You Baby 2:57
B3 Baby I Love You 2:50
B4 How Does It Feel? 2:41
B5 When I Saw You 2:45
B6 Chapel of Love 2:58


02/09/2009

Beatles também na capa da edição brasileira da Rolling Stone


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Conforme já noticiado pela Collector´s Room, os Beatles estampam a capa da última edição da Rolling Stone norte-americana, em uma matéria especial que investiga as razões pelas quais o grupo se separou.

Pois bem, o grupo também estará na capa da edição brazuca da revista, que traz, a princípio, o mesmo texto publicado na edição dos EUA, falando das razões que levaram à separação, uma geral nos lendários estúdios Abbey Road, a análise das novas versões remasterizadas dos discos do Fab Four (que chegam às lojas no dia 09 de setembro) e uma geral na versão do game Rock Band dedicado ao grupo.


A nova edição da Rolling Stone chega às bancas nos próximos dias, então é só preparar a cabeça para ler esse verdadeiro tratado, que deve agradar não só quem curte os Beatles, mas toda e qualquer pessoa que goste de música.


Charlie Watts deixa os Rolling Stones!


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Fontes próximas aos Rolling Stones confirmam que o baterista Charlie Watts anunciou a sua saída do lendário grupo, e não realizará mais gravações nem shows com a banda. Em seu lugar, os Stones contrataram o baterista Charlie Drayton, que já havia tocado com Keith Richards em sua carreira solo.

Segundo consta, Mick Jagger está muito animado com os novos projetos dos Stones, mas Watts, que já conta 68 anos, não estaria mais interessado em seguir o ritmo do grupo, preferindo relaxar com a família e realizando os seus projetos pessoais.

Dessa maneira, dos Rolling Stones originais restam apenas Jagger e Richards, a locomotiva criativa da banda. Musicalmente, Charlie Watts foi fundamental para a sonoridade dos Stones, com sua levada característica que marcou as canções do grupo desde a sua entrada no conjunto, em 1963.

Certamente uma notícia que pega os fãs dos Stones de surpresa, mas Watts bem que merece um descanso depois de décadas aguentando as loucuras de Jagger, Richards, Jones, Taylor, Wood e companhia.


Discoteca Básica Bizz#164: Johnny Cash - At Folsom Prison (1968)


(Celso Pucci, Bizz#164, março de 1999)

Não foi apenas o gosto por roupas escuras que fez Johnny Cash ficar conhecido como "o homem de preto". Nascido há 67 anos em Kingsland, nos cafundós do Arkansas, ele paira como uma graúna sobre os contornos da águia americana dentro do gênero mais tradicional dos EUA: a música country. Johnny nunca quis saber de cantar feitos heróicos de pioneiros. A estrada, as mulheres, a bebida, os cowboys errantes e a eterna atitude fora-da-lei sempre foram os temas recorrentes em sua profunda voz de barítono.

Filho de agricultores pobres, ele chegou a passar fome na infância. Estourou em 1956 com "I Walk the Line", e, junto com Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins, foi sócio do chamado Million Dollar Quartet, que reunia na gravadora Sun os grandes pioneiros do rock'n'roll.

Na década de 60, morando na Califórnia, Johnny viveu anos entre drogas, bebidas, confusões. E prisões. A mais famosa delas aconteceu em 1965: foi pego pela alfândega americana, na fronteira com o México, tentando entrar com mais de mil pílulas de anfetarnina no estojo de sua guitarra. A vida bandida seguiu com um acidente de carro, uma overdose quase fatal e o divórcio da primeira mulher.

Depois da mudança para Nashville e do início do relacionamento com a cantora June Carter, com quem se casou no início de 1968, Cash livrou-se das drogas e se converteu ao fundamentalismo cristão. Com experiências reais por trás das grades, nesse mesmo ano ele convenceu a Columbia a gravar um show na Folsom Prison, penitenciária onde esteve detido e que dava nome a um de seus primeiros hits na Sun ("Folsom Prison Blues", com a famosa frase "matei um homem em Reno só para vê-lo morrer"). Johnny desfilou para a platéia canções que retratavam a opressão do sistema carcerário ("The Wall"), as drogas ("Cocaine Blues") e o corredor da morte ("25 Minutes to Go").

O disco vendeu mais de um milhão de cópias, chegando a superar os Beatles na época. Isso motivou a edição de um álbum semelhante em 1969, dessa vez no presídio californiano de San Quentin, revisitando temas carcerários na faixa-título ("San Quentin, odeio cada polegada sua! Você me cortou e me deixou cheio de cicatrizes / E vou sair daqui um homem mais sábio e mais fraco"), em "I Got Stripes", em "Wanted Man" (de Bob Dylan), e na engraçada "A Boy Named Sue", sobre um cara que volta para matar o pai que o batizara com nome de mulher. O sucesso foi ainda maior.


Faixas:
A1 Folsom Prison Blues 2:42
A2 Dark as the Dungeon 3:04
A3 I Still Miss Someone 1:37
A4 Cocaine Blues 3:01
A5 25 Minutes to Go 3:31
A6 Orange Blossom Special 3:00
A7 The Long Black Veil 3:57

B1 Send a Picture of Mother 2:10
B2 The Wall 1:36
B3 Dirty Old Egg-Sucking Dog 1:30
B4 Flushed From the Bathroom of Your Heart 2:17
B5 Jackson (with June Carter Cash) 3:12
B6 Give My Love to Rose (with June Carter Cash) 2:40
B7 I Got Stripes 1:57
B8 Green, Green Grass of Home 2:29
B9 Greystone Chapel 6:02


01/09/2009

Roadie Crew #128: Immortal


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Nova edição da revista Roadie Crew nas bancas, com a banda norueguesa Immortal na capa. Confira abaixo o que esse novo número da publicação traz para quem curte heavy metal e hard rock:


Matéria de capa: Immortal, com entrevistas com Abbath e Demonaz;

Entrevistas: God Dethroned, Voivod, Amorphis, As I Lay Dying, Ace Frehley, Pat Travers, HIM, Hellish War, Primordial e Hostile Inc.;

Background: Sepultura - Parte 1;

Backspage: 1969, um ano inesquecível para o rock;

Blind Ear: Van Williams (Nevermore);

ClassiCover: "Gimme Shelter" (Rolling Stones/Grand Funk Railroad);

ClassiCrew: Aerosmith (Night in the Ruts - 1979) e Terrorizer (World Downfall - 1989);

Eternal Idols: Midnight (Crimson Glory);

Hidden Tracks: King Kobra;

Live Evil: MSG, Joe Lynn Turner, Sinner/Primal Fear, Paul Di'Anno, Hatebreed, Masters of Rock Festival (República Tcheca) / Wacken Open Air - 20ª Edição;

Roadie Collection - Dream Theater;

Roadie Profile - David Reece (Gypsy Rose, ex-Accept);

Poster - Running Wild (W:O:A 2009).

Além disso, os tradicionais reviews de CDs e DVDs. Agora é esperar chegar nas bancas e postar aqui o que cada um achou dessa edição.


Bandas de Um Disco Só: Khan - Space Shanty (1972)


Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador
Apresentador do programa Estação Rádio Espacial

A Banda

A história começa com o jovem Steve Hillage, que tinha abandonado a banda Arzachel em 1969 para continuar seus estudos (ao contrário da imensa maioria dos jovens músicos da época) na Universidade de Kent. Durante o período em que esteve estudando, Hillage continuou compondo e escrevendo, dentro de um período muito profícuo e inspirado, que refletiu no trabalho da banda Khan.

No final de 1970 ele chegou em Londres disposto a iniciar um novo projeto, recrutando para tal seu amigo baixista e vocalista Nick Greenwood, que tinha estrada com o maluquete Arthur Brown em seu Crazy World of Arthur Brown. Outros dois amigos de Nick se ajuntaram nessa primeira formação - Eric Peachey (baterista), que era da Dr. K's Blues Band, e o tecladista Dick Henningham. A idéia original era chamar Pip Pyle para a bateria, mas ele estava envolvido com o Gong naquela época.

Hillage aproveitou a amizade que cultivou com o pessoal do Caravan, na época da faculdade, para descolar um espaço no selo Deram e o empresariado de Terry King. Quando a banda estava para gravar seu primeiro registro, em novembro de 71, Dick Henningham pula fora. Segundo depoimento de Dave Stewart, esse cara tinha problemas pessoais e não conseguia conciliar os compromissos de banda com seu namoro (parece que a garota vetava as atividades do cara na banda aos domingos porque gostava de cozinhar um rango especial para ele).

A saída encontrada por Hillage para seguir em frente foi chamar o velho parceiro de Arzachel, Dave Stewart, que pilotava os teclados na banda Egg (formada pelos remanescentes do Arzachel). Stewart aceitou, visto a amizade com Hillage e o fato de ter gostado muito do material composto pelo amigo. A química entre a banda e o novo membro foi fantástica. A contribuição dos teclados de Stewart foi acachapante no disco e colaborou para elevar a música do Khan ao patamar de sofisticação e refinamento que hoje milhares de fãs de rock progressivo admiram. As gravações de Space Shanty seguiram rapidamente e foram concluídas ainda em 1971.


Antes de gravar o disco, a banda já estava com a cara na rua, tocando no circuito londrino e abrindo shows para grupos como Caravan, Steamhammer, Gnidrolog, Gary Wright e Audience, entre outros. Apenas em maio de 72 a Deram lança o disco Space Shanty. Em junho, a banda segue para uma tour promocional do LP, contando com o tecladista Val Stevens, que tinha entrado na banda em fevereiro. Em agosto de 72, após a derrocada do Egg, Dave Stewart volta a trabalhar com o Khan. Nessa altura, a formação já era outra - Steve Hillage, Eric Peachey, Nigel Griggs no baixo (que depois integraria o Split Enz) e Dave Stewart.

Esse vai-e-vem de músicos dificultou as coisas para a banda, que não conseguia dar continuidade aos seus trabalhos de divulgação do álbum. Mas mesmo assim, essa última formação começou a trabalhar em um novo material, que viria a ser aproveitado dentro do primeiro disco solo de Hillage, o clássico Fish Rising, 3 anos depois. O empresário Terry King era um cara bem esperto e acabava pressionando a banda a dar duro. Quem sentiu mais a pressão foi Hillage, ainda mais com o fato de não conseguir manter membros fixos no grupo para executar o complexo material do disco. Em outubro é a vez do próprio Steve Hillage desistir do lance e seguir para a Kevin Ayers' Band, integrando também depois o Gong. Daí a banda quebra de vez.

Nicholas Greenwood, o baixista e vocalista original da banda, já tinha algum material composto antes do início do Khan e depois que debandou foi para os EUA, onde registrou seu primeiro disco solo, Cold Cuts, que se transformou num item muito procurado por colecionadores de todo o mundo.

O Disco


Space Shanty é marcado por um talento promíscuo, disposto a traçar riffs poderosos e padronizados do hard rock, levadas jazzy, erudição clássica, senso improvisador com maestria instrumental e dote composicionista de melodias. Não há como escrever isoladamente de nenhuma música, trecho, solo instrumental ou acompanhamento porque aqui tudo é um monumental encontro de perfeições sonoras, seja nas entrelinhas ou naquilo que salta de imediato aos ouvidos. Um disco histórico, devocional, com o melhor do auge do rock progressivo dos anos setenta.

A banda consegue impressionar tanto pelas mágicas e cerebrais harmonias por sobre inconvencionais distribuições matemáticas de ritmo, quanto pela beleza descompromissada de simples acordes palpitados nas cordas de um violão. Há um espectro tão rico e belo de sonoridades de teclado (órgão e piano, sem sintetizadores) e guitarra (distorcida e acústica), tão intensamente explorado, que alcança o nível do cultuável. Nem virtuosismo, nem dramaticidade; nem inovação, nem mediocridade; nem improvisação, nem arranjismo. Nenhum elemento sequer beira o exagero, mas atua numa precisa (e muito rara) sinergia.

De cósmicas passagens vocalizadas aos riffs incisivos da guitarra sobre maciças pratadas e aos momentos de intervenção musical declaradamente livre, tudo acontece neste disco com perfeição. Os temas jazzistas são manejados com refinamento e há uma possante pegada rock ora ou outra interludiando uma cândida linha musical de guitarras ou teclados. As partes vocais, apoiadas em grande parte nos trechos suaves, são fantásticas em sua construção e, em boa parte do tempo, harmonizadas em duo. Há tanta variação e tanta fartura de boas idéias que não raro obriga o ouvinte a uma nova audição para uma melhor apreciação.


O disco foi relançado em CD apenas em 2004 e hoje também está disponível numa bela edição japonesa no formato digipack. Em vinil, apesar de não ser rara, uma cópia em bom estado abocanha uma quantia considerável de dinheiro.

Faixas:
A1 Space Shanty 8:59
A2 Stranded 6:35
A3 Mixed Up Man of the Mountains 7:14

B1 Driving to Amsterdam 9:22
B2 Stargazers 5:32
B3 Hollow Stone 8:16


Separe a grana para os novos lançamentos que estão chegando


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Do black metal ao ska, passando por trilhas sonoras, classic rock e rock progressivo, não vão faltar novidades nas lojas nos próximos dias. Confira abaixo os discos que estão pintando por aí, que vão desde os novos trabalhos de veteranos como o Living Colour até box sets de grupos seminais, mas não tão badalados, como o Big Star.

Separe a grana que ótimas opções não faltam!

Megadeth - Endgame
Gênero: Thrash Metal
Lançamento: 15 de setembro

The Black Dahlia Murder - Deflorate
Gênero: Melodic Death Metal
Lançamento: 15 de setembro

Skinlab - Scars Between Us
Gênero: Heavy Metal
Lançamento: 15 de setembro

Dying Fetus - Descend Into Depravity
Gênero: Death Metal
Lançamento: 15 de setembro

Shadows Fall - Retribution
Gênero: Metalcore
Lançamento: 15 de setembro

Living Colour - The Chair in the Doorway
Gênero: Hard Rock
Lançamento: 15 de setembro

Big Star - Keep and Eye on the Sky (box )
Gênero: Rock
Lançamento: 15 de setembro

Lynch Mob - Smoke and Mirrors
Gênero: Hard Rock
Lançamento: 18 de setembro

Pearl Jam - Backspacer
Gênero: Rock
Lançamento: 20 de setembro

Nick Cave and Warren Ellis - White Lunar
Gênero: Trilha Sonora
Lançamento: 21 de setembro

Uriah Heep - Celebration: Forty Years of Rock
Gênero: Hard Rock
Lançamento: 21 de setembro

Evile - Infected Nations
Gênero: Thrash Metal
Lançamento: 21 de setembro

Gong - 2032
Gênero: Prog Rock
Lançamento: 21 de setembro

Madness - Total Madness
Gênero: Ska
Lançamento: 21 de setembro

Diablo Swing Orchestra - Sing-Along Songs for the Damned & Delirious
Gênero: Prog Metal
Lançamento: 21 de setembro

Danny Elfman - Taking Woodstock
Gênero: Trilha Sonora
Lançamento: 22 de setembro

Yoko Ono - Between My Head and the Sky
Gênero: Experimental
Lançamento: 22 de setembro

Marduk - Wormwood
Gênero: Black Metal
Lançamento: 24 de setembro

Destruction - The Curse of the Antichrist: Live in Agony
Gênero: Thrash Metal
Lançamento: 25 de setembro

Immortal - All Shall Fall
Gênero: Black Metal
Lançamento: 25 de setembro

Hangar - Infallible
Gênero: Heavy Metal
Lançamento: 26 de setembro

Andre Matos - Mentalize
Gênero: Heavy Metal
Lançamento: 26 de setembro

Arch Enemy - The Root of All Evil
Gênero: Melodic Death Metal
Lançamento: 28 de setembro

Ian Brown - My Way
Gênero: Britpop
Lançamento: 28 de setembro

Kraftwerk - The Catalogue (box com 8 discos)
Gênero: Electronic / Industrial
Lançamento: 28 de setembro

Paradise Lost - Faith Divides Us, Death Unites Us
Gênero: Gothic Metal
Lançamento: 28 de setembro

Rod Stewart - The Rod Stewart Sessions 1971-1998
Gênero: Classic Rock / Pop
Lançamento: 29 de setembro

Genesis - 1973-2007 Live
Gênero: Prog Rock / Pop
Lançamento: 29 de setembro

Foreigner - Can´t Slow Down
Gênero: Hard Rock / AOR
Lançamento: 29 de setembro

Steve Vai - Where the Wild Things Are
Gênero: Hard Rock / Fusion
Lançamento: 29 de setembro
P.S.: sai em CD e DVD

Alice in Chains - Black Gives Way to Blue
Gênero: Grunge
Lançamento: 29 de setembro