05/02/2010

Em 2010, gravadoras brasileiras deixam de tocar projetos de reedições de seus acervos


Marcus Preto
Jornalista
(matéria publicada originalmente na Folha Online)

O baú está fechado. É quase insignificante o número de álbuns históricos da música popular brasileira que, ainda inéditos em CD, chegarão legalmente às prateleiras das lojas no formato digital em 2010.


Neste ano, as gravadoras brasileiras não devem lançar em CD álbuns perdidos na era dos LPs. Das cinco gravadoras que detêm os direitos sobre quase todos os fonogramas produzidos no Brasil no século 20 - Universal, EMI, Sony, Warner e Som Livre -, apenas uma, a Sony, tem projetos que envolvem recuperação do acervo analógico.

Nos outros quatro casos, álbuns ainda perdidos na era do LP continuarão assim - e por tempo indeterminado. O que mais atravanca esses relançamentos, segundo as gravadoras, é a burocracia. Contratos muito antigos e defasados com os envolvidos nos respectivos discos fazem projetos se arrastarem por anos.

Mas a raiz do problema é mais profunda. O mercado das reedições chegou ao ápice de produção e vendas entre 2002 e 2003, quando a pirataria já afetava grandes lançamentos (Ivete Sangalo, Maria Rita, a série
Acústicos MTV), mas ainda não atingia o consumidor de catálogo.

Naquele momento, chegou a se tornar parte importante na receita das gravadoras. Hoje, com a difusão da troca de arquivos MP3 pela internet, seu consumidor se dissipou. E os investimento passou a não interessar mais aos departamentos comerciais das empresas.
"A conta não fecha mais", diz Alice Soares, gerente de marketing estratégico da Universal, empresa que comanda os acervos da Philips, da Polydor, da Polygram e da Elenco. "Com isso, o mais sensato agora é trabalhar para recolocar o catálogo que já está digitalizado - como fizemos recentemente com Jorge Ben Jor e pretendemos fazer neste ano com Tim Maia e Gal Costa."

Alice conta que, nessa seara, as caixas que reúnem obras completas de artistas ainda têm saída relativamente boa, mas que o mercado não consome títulos avulsos. Exemplo: a Universal lançou recentemente, como experiência, títulos soltos da discografia de Elba Ramalho. O impacto sobre o consumidor foi quase nulo.

"Não adianta querer botar um disco antigo na loja sem mote para isso, sem um conceito bem amarrado", afirma Fernanda Brandt, coordenadora de marketing estratégico da Warner, que também detêm direitos sobre os tapes da Continental e da Chantecler. "Esses lançamentos não seguem mídia tradicional, não têm single, não têm rádio para tocar. Dependem exclusivamente da mídia impressa. Se lançados soltos, essa mídia não dá atenção, e eles encalham mesmo", completa.

Mesmo a Sony - que tem os direitos sob os catálogos da BMG e da CBS e, indo contra a corrente, deve lançar neste ano uma série de CDs ainda inéditos no formato - toca o barco cheia de dúvidas. "
Tudo o que era comercialmente oportuno já foi digitalizado no passado", diz Marcus Fabrício, diretor de marketing e vendas da gravadora. "Os álbuns que ainda não saíram em CD são para um público bem mais segmentado."

Segundo Fabrício, por questões industriais é preciso produzir pelo menos mil unidades de cada título que vá ser lançado, e não existe mais essa demanda para o produto. Nos próximos meses, a Sony pretende trazer para o CD álbuns de Amelinha, Elba Ramalho, Dominguinhos, Sandra de Sá, Elza Soares e Walter Franco, entre outros.

Luiz Garcia, gerente de marketing estratégico da EMI - que possui o catálogo da Odeon -, diz que a empresa deve lançar, em 2010, apenas uma caixa com tapes garimpados em acervo analógico. Trata-se da obra completa da cantora e compositora Dolores Duran. O material, no entanto, já está pronto desde o ano passado. "
Se fôssemos começar neste ano, talvez nem esse saísse", diz. "O negócio é difícil. Fabricamos os mil CDs, mandamos 100 à imprensa, vendemos 200 ou 300. O resto fica parado no meu estoque. E, se não sai em dois anos, tenho que mandar quebrar. Não posso ficar pagando para guardar aquilo."

Responsável por séries memoráveis de reedições nos últimos três anos, a Som Livre, dona também do acervo da RGE, é ainda mais radical. "
Ainda não temos nenhum lançamento de catálogo planejado", diz Leonardo Ganem, presidente da empresa. "É melhor concentrarmos nossos esforços em artistas novos."

Os do passado esperam por melhores dias. No futuro.


Ringo Starr - Y Not (2010)


Por Anderson Nascimento
Colecionador

Galeria Musical


Cotação: **** 

Ringo Starr abre a década lançando mais um álbum que faz bonito em sua discografia. Y Not é o primeiro disco a ser produzido pelo próprio Ringo, e o batera optou por um álbum de rock básico, bem diferente de riquíssimas produções mais recentes como Ringo Rama (2003) ou, um pouquinho mais para trás, Vertical Man (1998).


A proposta de Ringo fica evidente logo pelo encarte basicão do CD e pelo número reduzido de faixas - apenas dez -, com um total de pouco mais de trinta e seis minutos. Quando o disco rola, fica ainda mais claro que o ex-Beatle quis optar por um álbum de rock, pois o play já abre com a estrondosa e barulhenta "Fill in the Blanks", que conta com uma estridente guitarra e um belo solo pilotado por Joe Walsh (Eagles).

Nessa linha roqueira, o disco traz ainda "The Other Side of Liverpool", com um refrão forte e cantado a altura por Ringo. Essa canção foi escolhida, juntamente com "Walk With You", para apresentar o trabalho à imprensa nos shows de lançamento do disco.

Com o disco pulsando e respirando rock and roll sobrou pouco espaço para os tradicionais baladões de Ringo Starr. Mas, quando o fez, Ringo criou uma das mais belas canções de sua carreira. Trata-se de "Walk With You", uma faixa que fala de amizade e traz Paul McCartney em uma participação para deixar qualquer um arrepiado. Além de Paul e Joe Walsh, outra participação especial é a da cantora Joss Stone, fechando o álbum e cantando a maior parte de "Who´s Your Daddy", escrita em parceria com Ringo em um estilo confortável para a bela e talentosa cantora - o soul.

Outra surpresa interessante é a regravação da excelente "Everyone Wins", canção lançada como lado B do single "Dont Go Where the Road Don´t Go", em 1992, mas pouco conhecida por se tratar de um raro single do baterista. Nessa versão, Ringo modernizou a canção com uma bateria mais rápida e um arranjo mais roqueiro. Seu relançamento faz justiça a essa faixa, que sempre foi considerada uma jóia obscura no repertório de Ringo.

"Mystery of the Night" é outra boa composição, a apresenta uma linda letra feita em parceria com Richard Marx, além de contar com uma excelente interpretação de Ringo. Já a faixa-título é daquelas canções tradicionais que Ringo vem fazendo em seus últimos discos, com aqueles refrões que não saem da cabeça. "Y Not" é uma divertida canção pop, que traduz o espírito de Ringo em seus discos.

Falando nisso, como não poderia deixar de ser, Ringo gravou mais uma faixa no estilo "
peace and love". Trata-se de "Piece Dream", porém essa é especialíssima, figurando entre as mais belas canções em ode à paz já gravadas pelos Beatles e seus remanescentes. A faixa, que cita John Lennon, está também entre as melhores do álbum, e apresenta uma bela performance vocal de Ringo.

Para quem não conhece a carreira solo de Ringo Starr - que fez muito sucesso por aqui nos anos setenta -, vale a pena ouvir os últimos discos do baterista, sobretudo
Vertical Man, Ringo Rama e, agora, Y Not, todos trabalhos bastante autorais, mas sempre recheados de participações especiais que dão um tempero muito especial às belas canções de um dos bateristas mais ativos de toda a história da música.

Faixas:
1 Fill in the Blanks 3:15
2 Peace Dream 3:35
3 The Other Side of Liverpool 3:23
4 Walk With You (with Paul McCartney) 4:43
5 Time 3:50
6 Everyone Wins 3:54
7 Mystery of the Night 4:05
8 Can't Do It Wrong 3:45
9 Y Not 3:50
10 Who's Your Daddy (with Joss Stone) 2:30


04/02/2010

Living Colour - The Chair in the Doorway (2009)


Por Luiz Felipe Carneiro
Jornalista

Cotação: ****

Quando fazia os shows de abertura da turnê Steel Wheels, dos Rolling Stones, no final dos anos oitenta, o Living Colour podia ser chamado de "moleque folgado". Como é que aquela banda novinha podia fazer um som capaz de deixar Mick Jagger (que produzira o primeiro álbum da banda, Vivid, de 1988) de queixo caído?

O tempo passou, e o Living Colour lançou, pelo menos, mas dois discaços - Time's Up (1990) e Stain (1993). A receita era a mesma: uma mistura de rock com funk que ninguém conseguia fazer - pelo menos de forma tão satisfatória. Além da originalidade de suas músicas, o Living Colour podia (e ainda pode) se gabar de contar em sua formação com um dos melhores guitarristas (Vernon Reid) e bateristas (Willian Calhoun) do planeta. O tempo passou, a banda se separou para um retorno com Collideoscope, em 2003.

No ano passado, foi a vez de The Chair in the Doorway, um álbum que, se não chega a ser tão vigoroso quanto Time's Up, mantém o Living Colour como uma das melhores bandas de rock da atualidade. The Chair in the Doorway não pode ser considerado um álbum fácil. Mas, se o ouvinte tiver um pouco de paciência, certamente descobrirá detalhes interessantes nele. Na verdade, nesse novo disco, o Living Colour permanece na rota traçada a partir de Stain, quando partiu para um som mais pesado e industrial, diferentemente do rock puxado para o funk dos seus dois primeiros álbuns - os melhores da carreira da banda, por sinal.

The Chair in the Doorway pode funcionar como uma continuação de Stain, desviando-se do "acidente de percurso" Collideoscope, um álbum menor na discografia da banda de Vernon Reid. A diferença é que as novas canções soam um pouco mais comerciais do que as de Stain. E isso não é uma crítica, pelo contrário, tendo em vista que o Living Colour sabe contrabalançar muito bem o seu hard rock com um pop mais simples. O grande destaque do álbum, e que liga esses dois extremos, é "Hard Times", uma canção na qual dá para entender perfeitamente o poder de fogo do quarteto de Nova York, com uma ótima linha de guitarra de Reid. "Behind the Sun" é um outro bom exemplo, dessa vez com destaque para os ótimos vocais de Corey Glover.

No funk rock "Bless Those" é a vez do baixista Doug Wimbish (que, aliás, originalmente cantava essa canção nos shows que antecederam o lançamento do disco). Em "Young Man", o Living Colour investe novamente em um rock misturado ao funk. O resultado não decepciona, como já era de se esperar. E quando a banda decide atacar com o puro hard rock, também não há decepções, conforme pode ser ouvido em petardos como "Burning Bridges", "DecaDance" e "Out of Mind". E mesmo no pop rock - caso de "That's What You Taught Me", o quarteto mostra que pode fazer boa música sem parecer banal.

Enfim, para os iniciados em Living Colour, The Chair in the Doorway é um prato cheio. Será mais um álbum para ser apreciado por um longo tempo. Para quem não conhece a banda direito, talvez seja melhor fazer antes o dever de casa, ouvindo os clássicos Vivid e Time's Up.



Faixas:
1 Burned Bridges 3:37
2 The Chair 2:09
3 DecaDance 3:20
4 Young Man 2:53
5 Method 4:20
6 Behind the Sun 3:40
7 Bless Those 5:04
8 Hard Times 2:48
9 Taught Me 3:45
10 Out of Mind 3:42
11 Not Tomorrow 3:01
12 Asshole 2:51


03/02/2010

Lefties Soul Connection - Hutspot (2006)


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****1/2

Parece improvável, e realmente é. Explico: você coloca Hutspot, disco de estreia dos holandeses do Lefties Soul Connection para rolar, e o que sai dos alto-falantes é um delicioso e contagiante funk/soul setentista, influenciado por nomes do porte de The Meters e Booker T & The MGs.

Improvável por duas razões: primeiro por a banda ser, como eu já disse, natural da Holanda, e executar com competência ímpar um gênero musical nascido das dores, frustrações e sonhos da população negra norte-americana; e segundo porque, ao contrário do que tudo indica, o primeiro disco dos caras não foi lançado na primeira metade dos anos setenta e ficou escondido anos a fio em sebos e no submundo dos colecionadores - pelo contrário, o CD é de 2006!

Vamos lá então: o Lefties Soul Connection foi formado em Amsterdam, capital holandesa, em agosto de 2001 pelo guitarrista Onno Smit e pelo organista Alviz (assim mesmo, sem sobrenome algum). No final daquele ano o batera Cody Vogel juntou-se à dupla, e o line-up foi completado em meados de 2002, quando o baixista Bram Brosman completou o quarteto (esse último deixou o combo em 2008, sendo substituído por Pieter Bakker).

A banda ganhou destaque na mídia dos Países Baixos através da ótima repercussão alcançada pela versão que fizeram de "Organ Donor", do DJ Shadow, lançada pela gravadora Meltin Pot. O single chamou a atenção da Excelsior, que assinou com os caras, colocando o primeiro play do grupo na praça.

O som, como eu já disse, é um funkão de remexer o esqueleto, repleto de groove e com elementos de soul music, principalmente devido à onipresente e muito bem-vinda influência de Booker T. O disco é totalmente instrumental, com exceção de uma faixa, "It´s Your Thing / Hey Pocky A-Way", que conta com vocais - não por acaso, a "menos boa" do CD. As outras composições levam o ouvinte em um embalo constante, sempre com o órgão Hammond de Alviz à frente.

Momentos empolgantes são garantidos através de pérolas como "Doin´ the Thing", que abre o play com um quebradeira danada; "V2", que nos transporta sem cerimônia para meados dos anos sessenta; a já citada versão de "Organ Donor", onde o grupo desconstrói a composição do DJ Shadow, com destaque para a guitarra de Onno Smit; o groove cheio de malícia de "Generator Oil"; e a energia bruta da faixa-título. A bem da verdade, todas as composições apresentam um nível bastante elevado, e essas citadas são apenas as minhas favoritas.

Depois de Hutspot o Lefties Soul Connection lançou mais um disco, Skimming the Skum, em 2007, e desde então está na estrada, fazendo frequentes turnês pela Europa.

Se você gosta de The Meters, Booker T & The MGs, Kashmere Stage Band e toda aquela cena funk/soul norte-americana do final dos anos sessenta e início dos setenta, vai pirar com esse primeiro disco do Lefties Soul Connection. Uma grata surpresa, que irá descer redondo pelos ouvidos, cabeças e pés de todo e qualquer amante da boa música.

Enfim, um baita disco, extremamente recomendável!


Faixas:
1 Doin' The Thing 2:23
2 Bouncing Ball 3:27
3 It's Your Thing / Hey Pocky A-Way 5:02
4 Peacock Strut 3:50
5 V2 2:39
6 Organ Donor 3:33
7 Sling Shot 3:18
8 Generator Oil 3:28
9 Bam Bam 3:51
10 Welly Wanging 2:28
11 Hutspot 1:58



Minha Coleção - Cristoferson Faria: "Não existem limites para uma coleção"


Por Daniel Sicchierolli
Colecionador
Collector´s Room

Para começar, muito obrigado por ter aceito o convite para participar da Collector´s Room. Antes de mais nada, apresente-se aos nossos leitores.

Olá, meu nome é Cristoferson Faria, tenho 26 anos, nasci em São Paulo e há dezessete anos moro em Marília. Sou formado em Administração e trabalho em uma concessionária de veículos. Comecei a ouvir rock com 15 anos de idade através de um amigo, que me apresentou o estilo.

Você lembra como foi o seu primeiro contato com a música?

Bem, sempre gostei de música, mas nunca havia ouvido rock, estava acostumado com outros estilos, até que em 1998 um amigo meu, o Silvinho, que curtia muito rock, me apresentou algumas bandas como Metallica, Iron Maiden, Nirvana, Green Day, entre outras.

Qual sua banda preferida?

Aerosmith.

E em relação à música pesada e ao hard rock especificamente, como você descobriu o estilo e como chegou ao Aerosmith?

Bem, quando comecei a ouvir rock através desse meu amigo, escutava bandas mais pesadas. Cheguei até a curtir Pantera na época, mas como tudo era novidade comecei a procurar mais grupos, até que peguei emprestado um CD do Guns N´,Roses o Use Your Illusion 2. Quando ouvi o CD fiquei em choque, nunca tinha ouvido nada igual. Pensei: essa é a melhor banda de rock! Naquela mesma semana me lembro de ir atrás de informações sobre eles, quando li uma reportagem do Axl dizendo que foi influenciado pelo Aerosmith. Na ocasião fui atrás para conhecer, pegando mais uma vez um CD emprestado, o Nine Lives. Ao ouvir o disco entrei em choque novamente, achei bem mais legal que o Guns, e a partir daí então foi só Aerosmith (risos).

Toda coleção tem o seu “ponto zero”. Qual foi o seu primeiro disco? Por que você o comprou?

Por incrível que pareça, meu primeiro disco não foi do Aerosmith! Eu trabalhava como office boy em uma loja de roupas, e quando recebi meu primeiro pagamento acabei comprando três CDs do Nirvana - Nevermind, Unplugged e o ao vivo From the Muddy Banks of the Wishkay. Só comprei por não ter opção, já que o loja não tinha nada do Aerosmith e já conhecia o Nirvana.

Quantos álbuns você possui no total?

Não me recordo exatamente, mas pela última contagem estava com quase 600 CDs - sendo 200 do Aerosmith - e 200 Lps - sendo uns 70 vinis do Aerosmith.

Você tem a discografia completa de várias bandas. Quais discografias você destacaria em sua coleção?

A do Aerosmith, que sem dúvida é a mais legal, tanto pela quantidade de CDs que tenho quanto pelas raridades; a do Scorpions, que é toda formada praticamente por CDs e LPs japoneses; Motley Crue, que tem várias edições especiais; gosto muito da do Poison, apesar de muita gente não curtir o estilo acho uma banda bem legal e possuo muita coisa bacana deles; e Kiss, que é a minha segunda banda preferida e tenho muita coisa também.

Quando você percebeu que estava se tornando um colecionador?

Quando não parava mais de comprar álbuns das bandas que gostava,e não emprestava mais os CDs (risos).


A sua coleção não é formada apenas por CDs. Que outros formatos você possui?

Tenho CDs, LDs, VHS, DVDs, K7s, camisetas oficiais, revistas, livros, além de bonecos de outras bandas.

Ter coleção de fitas K7 é uma coisa rara!! Como você consegue comprar?

A princípio nem pensava em colecionar K7, até por que no Mercado Livre, onde eu compro muita coisa, eu não achava nada nesse sentido. Conversando com um amigo meu, Carlos, que compra no eBay e conheci no ML, perguntei se ele me ajudava a dar um novo rumo na minha coleção e que estava procurando a discografia do Aerosmith em K7. Em menos de um mês ele me arrumou quase tudo! Após as discografias vieram os singles, e depois que consegui quase tudo do Aerosmith comecei a pegar K7s de outras bandas que eu curto, como Kiss e Motley Crue, sempre no eBay - lá você consegue praticamente tudo.

Algumas bandas costumam lançar muitos singles em diferentes versões, além de diversos CDs promos ou os famosos e caros boxes. Estes itens costumam ser muito desejados entre os fãs. Já percebi que você coleciona o que conseguir ter acesso. Como você encara esse tipo de lançamento? Já começa a passar mal desde o anúncio (risos)?

Adoro esses tipos de itens, sempre compro quando acho algum. Os boxes mesmo são uma forma de eu ter e conhecer outras bandas que nem curto tanto. Já passei muito mal, hoje sou um pouco mais controlado (risos).

Você prefere ter várias versões do mesmo álbum, ou se contenta apenas com uma versão?

Gosto ter várias versões do mesmo álbum, principalmente as versões japonesas, que são as mais legais. Compro tudo que vejo diferente de qualquer banda que eu gosto. Tenho vários álbuns repetidos do Aerosmith, Kiss, Motley Crue, Poison, etc ...


Também existe em praticamente toda banda os projetos paralelos, discos solos e não somente a banda em si. O que você tem que poderia destacar para os nossos leitores?

De projetos paralelos um que eu gosto muito e que não é muito conhecido é o do guitarrista do Aerosmith Brad Whitford. Ele lançou um álbum em 1981 junto com o St Holmes. O disco tem o título com o nome dos dois - Whitford/ST Holmes. É um disco bem legal, ouço muito ele. Também gosto do Once a Rocker, Always a Rocker do Joe Perry Project.

Tem o do vocalista do Motley Crue, Vince Neil, Exposed, excelente disco, um dos meus preferidos. O projeto paralelo do Nick Sixx, Brides of Destruction, com o Tracii Guns no vocal é muito bom, e o Live to Win do Paul Stanley também é excelente.

Bootlegs são repletos de curiosidades, versões alternativas, raras ou shows históricos. O que você acha de bootlegs? Existe algum na sua coleção você destacaria?

De tudo que possuo na minha coleção os bootlegs são os itens que mais gosto, tanto na versão CD quanto em LP. Hoje é o tipo de item que mais procuro. Sempre que acho algum eu compro, pena que hoje em dia é algo muito difícil de se encontrar.

Os bootlegs que eu destacaria são todos em LPs, inclusive o duplo que tenho, Rock This Way, em vinil vermelho. Em CD também tem dois que eu destacaria: o Hot Popcorn, uma apresentação de 20 março de 1973 em Boston, e o Castle Kings 1994, excelente show.


O que falta ainda conseguir? Quais são os próximos itens que você irá atrás?

Tem muita coisa ainda que eu procuro, por colecionar várias bandas. Do Aerosmith, um item que quero é o LP Nine Lives. É um dos itens mais raros para se achar. Um amigo meu comprou pelo eBay e pagou uma fortuna por ele, é um item que faz falta. Fora isso estou procurando LPs versão japonesa da discografia das bandas que eu gosto, LPs bootlegs do Aerosmith - que nesses últimos meses eu foquei mais e consegui bastante -, o LD do Permanent Vacation e os singles em LP 12". Fora isso, bootlges em CDs de shows de 1998 a 2009.


Qual item você considera o mais valioso da sua coleção?

Difícil dizer um só, vou falar de alguns que eu considero: o shaped do Aerosmith no formato do símbolo do Batman, o LP bootleg Rock This Way em vinil duplo vermelho, o box do Pandora Toys Limited Edition, o CD do Ace Freley Anomaly autografado e o LP triplo do Kiss Alive IV.

Qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?

Foram 35 entre CDs, DVDs, LPs e K7s.

Quantos álbuns em média você compra por mês?

Em média uns 20 itens.


Tem algum item que, só de alguém chegar perto, você já gela e morre de ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

Sim, vários os LPs bootlegs, o CD Castle Kings 1994 do Aerosmith, que foi meu primeiro bootleg - guardo ele com muito cuidado -, e minha coleção de mini CDs do Aerosmith.

Entre tudo o que você possui, quais foram os itens que deram mais trabalho para conseguir?

Todos os LPs bootlegs, pois compro pelo eBay e sempre é leilão, isso acaba encarecendo o produto e na maioria das vezes eu não consigo pegar, sendo difícil aparecer outro depois.

Uma coleção sempre possui diversos itens curiosos. Neste sentido, eu gostaria de saber: qual é o CD mais estranho da sua coleção?

Tem dois bem diferentes. Um é a versão do Get a Grip com capa em veludo, e o outro é a versão do duplo ao vivo A Little South of Sanity com a logo da banda bordada em jeans na capa.


A sua coleção tem um limite? Você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos porque, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Não, acho que nenhuma coleção tem limites. Nunca me imaginei parando de comprar discos. Minha mãe sempre fala que quando eu ficar mais velho e casar nem vou querer mais saber, mas acho difícil, tenho uma paixão muito grande por rock, adoro cuidar da minha coleção e sempre quero mais. Acho que nem depois de velho isso vai acabar - pelo contrário, tende a aumentar.

Já parou para pensar com quem os seus discos ficarão quando você estiver mais velho? Quem será o herdeiro da sua coleção no seu futuro?

Não sou casado, mas quando for e tiver filhos espero que eles tenham gosto, curtam tudo e cuidem bem dela (risos).

Se você pudesse voltar no tempo e assistir um show em qualquer época, qual seria?

Em 1975, tour do Toys in the Attic do Aerosmith.

Como você guarda e conserva os seus CDs?

Guardo tudo em um guarda-roupas modificado. Os CDs ficam em porta CDs por preferência de banda, com exceção dos do Aerosmith, que ficam em uma parte separada. Os LPs ficam no outro lado, por ordem de preferência de banda também. Já os DVDs e boxes ficam nas gavetas, tudo longe do sol. Acho que minha mania é todos os dias fazer uma conferência na minha coleção, apesar de só eu mexer. Fico vendo item por item para ver se está tudo certo (risos).


Por favor, faça um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

Essa é difícil, cinco é muito pouco, mas vamos lá:
- LPs bootlegs;
- Shaped do Aerosmith no formato do símbolo do Batman;
- Books Kisstory;
- Box mini LPs do Aerosmith;
- Boxes Motley Crue – Music to Crash Your Car Vol 1 e 2.


Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Fica difícil dizer só dez, mas vou listar aquilo que eu mais gosto de ouvir:

1 - Aerosmith – Pump
2 - Kiss – Dressed to Kill
3 - Motley Crue – Dr Feelgood
4 - Scorpions – Virgin Killer
5 - Aerosmith – Toys in the Attic
6 - AC/DC – Black Ice
7 - Rainbow – Long Live Rock´n´Roll
8 - Kiss – Destroyer
9 - Twisted Sister – Stay Hungry
10 -Scorpions – Love At First Sting


O que você está ouvindo ultimamente e destacaria para os nossos leitores?

Recentemente comprei o box do AC/DC, Black Ice. O álbum é muito bom, adorei, hard de primeira. É o que mais tenho ouvido. Fora esse comprei também um box do Bon Jovi - 100.000.000 Fans Can´t Be Wrong - com raridades e músicas inéditas, muito bom; o novo CD do Kiss, Sonic Boom, que apesar de não ter nenhuma música de peso é bem bacana e ouço muito; e o Saints of Los Angeles do Motley Crue, que já tem um tempinho do lançamento e é um ótimo disco.

Qual item que você tem que é apenas para completar a coleção?

Vários, principalmente CD´s das bandas que eu gosto. Exemplo: do Rock in Hard Place, do Aerosmith, tenho três versões.

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Se nunca tivesse ouvido falar com certeza seriam bandas de hard. Aerosmith, Kiss, Motley Crue, Bon Jovi. Indicaria como albúm o Pump do Aerosmith, Dr Feelgood do Motley Crue, Crazy Nigths do Kiss (um dos meus preferidos). A coletânea Cross Road do Bon Jovi também é muito boa para iniciantes.


Frequentemente nos deparamos com coleções de bandas específicas, e normalmente as coleções do Kiss ou Iron Maiden se destacam, pela popularidade das bandas e pela a quantidade de itens que elas lançam. Agora, tenho que admitir que achar uma coleção de hard rock, estilo que curto muito, é muito legal. O hard rock (ou glam, hair metal, tanto faz) foi muito exposto através da MTV nos anos 80, o que, claro, trouxe muitos fãs e também muitos críticos ao estilo. Temos muitas bandas boas e poucas delas permaneceram na ativa durante todos esses anos. Qual você acha que é o diferencial desse estilo?

Para mim, acho que o que mais diferencia é o estilo de tocar dessas bandas, o modo como os membros se vestem e tocam. Os frontmen são sempre energia pura em cima do palco. Isso faz com que elas sejam diferentes dos outros estilos - fora que as mulheres fazem um espetáculo à parte nos shows de hard. Resumindo, rock and roll de primeira.

Onde você acha os discos? Afinal, quase nada é lançado no Brasil.

Às vezes na Galeria do Rock e pela internet. Trabalho com o Mercado Livre e tenho alguns contatos que trabalham com eBay que me dão uma força. Um é o Carlos, que conheci pelo ML e que compra no eBay pra mim. Outro que sempre compro alguma coisa é o Flávio Ace do ML - inclusive ele já até expôs sua coleção aqui na Collector´s. E recentemente um amigo meu, Milton, que morava no Japão, sempre me mandava coisas de lá, e quando veio embora me trouxe muita coisa nova.

E as bandas novas que estão rebuscando o estilo, o que você acha? Destaca alguma?

Acho bem bacana bandas que vem rebuscando o estilo, principalmente aquelas que tinham parado e agora estão voltando. Apesar do hard rock hoje ter caído um pouco no esquecimento, existem bandas como Aerosmith, Kiss, entre outras, que mantém o estilo ainda vivo. Pra ser bem sincero não tenho escutado nada de novo, cheguei até ouvir umas bandas, mas recentemente não ouvi mais nada. Uma que eu destaco e que curti muito é a Vanilla Ninja, que já está a um tempinho tocand. Adorei o som delas. Apesar de ser mais pop do que hard, é um som bem bacana.


Sobre o Motley Crue, eles lançaram um álbum sem o Vince Neil. O que você acha do disco? Todo mundo que escuta não acredita no peso e na competência da banda nesse trabalho. Você acha que o grupo teria futuro ou a volta do Vince era necessária?

Eu curto bastante o disco sem o Vince, apesar de ter ficado surpreso quando ouvi. Achei bem pesado, mas com o tempo comecei a gostar e acho um excelente trabalho. O Corabi é um excelente vocalista. Não sei se teriam futuro, mas não seria mais o mesmo Motley Crue. Quando Vince saiu eles perderam muitos fãs e, do meu ponto de vista, o Vince tinha que voltar para recuperar a imagem do Motley Crue e não deixar a banda cair no esquecimento.


Conta aí alguma história legal que você viveu por causa do seu envolvimento com a música.

A experiência mais bacana que tive foi sem dúvida a do show do Aerosmith em 2007. Fui de excursão, chegamos cedo pra caramba em São Paulo. Os portões abriram às 17 horas. Quando entrei no estádio tinha muita, mas muita gente (aliás, foi o maior show que eu já fui). A princípio fiquei meio longe do palco, mas após cinco horas de luta contra todos que estavam na minha frente, exatamente às 22 horas, na segunda música do Aerosmith, consegui chegar na grade. Foi a coisa mais louca, me lembro de ter discutido com três pessoas por furar a frente deles, perdi meu relógio e quase perdi o celular, tudo para ficar bem próximo do palco.

Após o show encontrei um dos caras com quem tinha discutido e conversamos numa boa, trocamos e-mails para mantermos contato para troca de itens. No dia seguinte cheguei de viagem e fui para o trabalho. Nisso me ligaram para falar que eu tinha saído em uma foto no site do UOL e da Rock Brigade. Aquilo para mim foi tudo, pois estava bem registrado aquele momento.

Acho que essa foi para mim a coisa mais legal que me aconteceu.

Como você vê a mudança de vinil para CD e como você encara o download de músicas? Complementando, como você vê o mercado musical para a próxima geração? Qual será o próximo passo?

Prefiro vinil, acho muito mais legal que o CD. Download de música só se for alguma raridade que não tenha sido lançada. O download para nós, colecionadores, acho que traz como maior problema a falta das bandas lançarem mais CDs e edições especiais, já que todo mundo baixa pela internet e poucos, com isso, acabam comprando o produto original.

Infelizmente tende a aumentar o download de músicas. O que resta é ficar atento quando sair alguma novidade e torcer para que seja fácil conseguir, e a um preço acessível, já que, devido ao download, os preços têm sido um pouco salgados.


Agora as famosas rapidinhas. Não fique em cima do muro e escolha uma opção. Melhor capa de um grupo de hard rock?

Dr Feelgood, do Motley Crue.

Melhor música do Aerosmith?

"Dream On".

Melhor música do Poison?

"Power to the People".

Dickinson ou Di´Anno?

Dickinson.

Dio ou Ozzy?

Dio, fase Rainbow.

Black Sabbath ou Deep Purple?

Deep Purple.

Beatles ou Led Zeppelin?

Led Zeppelin.

Um show ou um disco?

Show.

Gotthard ou Wig Wam?

Gotthard.

Ritchie Sambora ou Bon Jovi?

Bon Jovi.

Winger (a banda) ou Kip Winger solo?

Winger.

Vince Neil ou Bret Michaels?

Vince Neil.

Stryper ou Poison?

Poison.

Sebastian Bach solo ou Skid Row com Solinger?

Sebastian Bach.

Paul Stanley solo ou Kiss?

Kiss.

Anos 70’s ou 80’s?

80´s.


Escolha quatro bandas para um festival.

Aerosmith, Kiss, Motley Crue e AC/DC.

Mais uma vez muito obrigado por ter participado da Collector´s Room, parabéns pela bela coleção. Este espaço é seu, deixe o seu recado.

Primeiramente, gostaria de agradecer ao Ricardo e ao Daniel pela oportunidade e parabenizá-los pela
Collector´s Room - um abraço a todos.Quero deixar também meu MSN e e-mail para contato, caso alguém queira add fique à vontade.