1 de abr de 2010

Os 10 Discos Essenciais do Hard Setentista

quinta-feira, abril 01, 2010

Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador
Apresentador do Programa Estação Rádio Especial

Nunca levo esse papo de listas a ferro-e-fogo. Ao contrário, prefiro levar a coisa para o lado da utilidade – listas são ótimas fontes para se aprimorar o conhecimento musical. Tentar descobrir o porque daquele disco X e não do disco Y que você já conhece é um interessante exercício de senso crítico e uma ótima maneira de ampliar horizontes.

Assim, dessa forma gostaria que o estimado leitor entendesse essa relação que segue abaixo, sobre o hard rock dos anos 70. Se você não conhece algum dos discos relacionados e gosta do estilo ou tem interesse por ele, corra atrás porque são trabalhos que valem a pena!

O hard do começo dos anos 70, período quase que indiscutivelmente áureo para o estilo, é bastante diferente da ideia geral que se tem sobre o hard feito nos anos 1980 e 1990, que é a denominação que se diferenciou do rótulo heavy metal, cunhado inicialmente para bandas de rock pesado, independentemente de suas particularidades. Diferente na conceituação musical, no modus-operandi da coisa.

Era típico no som os riffs dobrados entre baixo e guitarra, a influência nítida do blues na estrutura harmônica, variações rítmicas e de andamento, vocais rasgados, solos longos de guitarra e improvisos dos outros instrumentos. O peso da música era devido, em proporções similares, ao conjunto bateria-baixo-guitarra, não sendo a guitarra a estrela mor dentro do quadro musical do rock, como ocorre com constância ao longo das últimas décadas. Frequentemente também apareciam teclados fazendo um papel mais ativo no som, e também era comum o flerte com outras tendências do período – o rock progressivo, o jazz rock e toda a influência ecoante da cultura psicodélica e hippie. Diferenças essas que uma audição atenta dos diversos períodos do estilo é capaz de evidenciar com facilidade.

Não considerei álbuns das bandas mais famosas (tais como Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, UFO, Uriah Heep, Rainbow) por entender que aqui trato com iniciados, pessoas que já possuem uma ideia da coisa toda. Os discos selecionados concentram-se nos “late 60’s/early 70’s”, período de produção muito fértil para este estilo e muitos outros dentro do rock, indubitavelmente.

Para entender bem o hard rock dos anos 70 é fundamental abrir a cuca, visto que existem poucas (relativamente) bandas/álbuns em que a gente ouve aquela coisa pura, hard em estado bruto do começo ao fim do disco. A heterogeneidade é uma marca do período. Tanto é que se ouve canções pesadas maravilhosas em discos de bandas cujo foco principal não era o hard. Pra sacar o lance todo, o ouvinte tem que mergulhar no cenário, naquela efervescência da época, passar por rock progressivo, psicodélico, jazz rock, blues, rock de garagem, r&b, enfim.

Vamos ao ponto então. A lista não tem ordem, com exceção da sensata ordem alfabética.

Bang – Bang (1971)

Power trio norte-americano, da Filadélfia. Esse primeiro disco é de longe seu mais pesado e expressivo trabalho, trilha obrigatória para quem quiser se aventurar no lado B do hard rock setentista. Fizeram uma linha de hard próxima à do Black Sabbath, sem muita referência explícita ao blues, abusando de distorções agressivas e mão pesada na execução de petardos bem construídos e raivosos, muito raivosos. Sonzeira garantida com “Come With Me”, “Our Home” e “Questions”.

Buffalo – Volcanic Rock (1973)

"Visceral" é um adjetivo razoável para definir este álbum. Mas tem momentos em que essa palavra fica pequena e pobre diante da grandiosidade do som desse disco. Um vulcão em erupção derramando peso e distorção por todos lados, arrasando com qualquer ouvido que se meta em sua fronte. A abertura com "Sunrise" já é uma covardia em termos de hard rock. O vocal de Dave Tice é sensacional, rasgado, potente ao extremo. Em cinco faixas a banda consegue, além de muito peso, aliar momentos viajantes com seus riffs hipnóticos. Se você quiser uma dica de qual dessa lista começar a procurar, comece por este.

Cactus – Cactus (1970)

Em poucas palavras: rock n’ roll de muito peso! Aquela pegada blueseira de raiz somada ao trabalho insano de uma dupla explosiva: Carmine Appice (bateria) e Tim Bogert (baixo). Sujo e rebelde, como todo bom rock n’ roll soa, esse trabalho poderia ser definido, numa visão mais restrita e até medíocre, como uma versão norte-americana do som do Led Zeppelin dos dois primeiros álbuns. Mas essa semelhança tem mais a ver com a abordagem que os dois grupos fazem do blues, que é, sim, similar. De resto, existem muitos elementos subjetivos que provam fácil fácil que "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". Cactus é uma bandaça, que faz um rock arrasador neste disco, quente e venenoso.

Captain Beyond – Captain Beyond (1972)

Objeto de adoração para muitos fãs do rock setentista. Tem uma sonoridade muito atraente e elaborada, mesmo sendo um trabalho de rock pesado. Músicos experientes e dispostos a fazer rock de muita qualidade e impacto é o que se encontra neste álbum. Tem gente que diz até que é progressivo, mas seu som vai além dos rótulos. Inegavelmente, o norte do trabalho é o rock de peso. Além dos timbres, das composições, dos solos, da capa do disco, um ponto de destaque é que este é um álbum conceitual perfeito – você pode escutá-lo como um todo ou ouvir as faixas aleatoriamente, tendo um grande barato em todas elas, pois não ficam amarradas ao conceito do álbum. Riffs incríveis, bateria e baixo arrasadores e o timbre característico de Rod Evans no vocal, além de belos instrumentais climáticos.

Dust – Dust (1971)

Rock n’ roll de peso cheirando hormônio. Um trio de garotos bem jovens tocando como gente grande, ou até melhor. Um super guitarrista/vocalista que tocava com os captadores de Hendrix, um baixista que parecia um Jack Bruce norte-americano e um batera “cavalo” detonando (que depois virou punk no Ramones). Sem contar as composições e a qualidade da gravação. Desse disco poderiam ter saído vários hits, por serem músicas curtas, pegajosas e todas de alto impacto, com exceção de "From a Dry Camel," que é viagem pura! Espetacular!

Leslie West – Mountain (1969)

Esse pode até ser incoerente na lista sob certa ótica, por que o Mountain é uma banda razoavelmente famosa. Mas creio que o disco não é tanto assim e merece ser mais comentado. Além do mais, não vou me ater a uma "pseudo-regra" que eu mesmo criei. Este é o primeiro e genial trabalho da dupla West/Pappalardi. A guitarra de Leslie West é emotiva, agressiva, crua. O baixo de Felix Pappalardi só falta falar neste álbum, tamanha presença. Músicas perfeitas, trabalho instrumental excelente, rock simples e de impacto, timbres maravilhosos junto com a potente voz do gorducho Leslie West. Soa um pouco como o Cream, porém tem sua vida própria. Algo que vem de dentro e reflete anseios mais profundos da alma rocker.

Jeronimo - Jeronimo (1971)

Pauleira de chutar o traseiro do power trio alemão Jeronimo. Banda que teve certa fama no cenário da época, tendo o disco lançado em vários países. Um som vigoroso, sem muitas pretensões, com alguns adereços típicos do rock do começo dos anos 70, mas tudo muito bem construído e cativante. “Sunday’s Child” já dá boas vindas para um deleite de muito peso e um rock muito honesto. Bons vocais e som de alta energia.

Lucifer’s Friend - Lucifer’s Friend (1970)

A abertura do disco parece até uma canção heavy metal dos anos 80, com aquele ar ligeiramente progressivo propiciado pela presença do órgão Hammond. Que coisa sensacional! "Ride in the Sky” é uma faixa mitológica que abre o lar de maravilhas dessa jóia do rock, feita na Alemanha e cantada pelo inglês John Lawton (que também foi vocalista do Uriah Heep em um período posterior). Existe aquela velha sina de que houve um plágio no começo de “Ride in the Sky" com "Immigrant Song" do Zeppelin, ou vice-versa, mas a verdade é aquele fraseado era inspirado em uma vinheta de um programa de TV. Ademais, o disco mescla climas tétricos com passagens muito pesadas conduzidas por um sempre onipresente Hammond e um som vigoroso de bateria e baixo. Os vocais de Lawton são precisos e as composições são ótimas dentro do estilo. Pérola!

Sir Lord Baltimore – Kingdom Come (1970)

Power trio norte-americano em que a palavra “POWER” deveria ser escrita toda em letras maiúsculas. Um dos álbuns mais pesados do período, em que a dupla bateria-baixo faz toda diferença. A maneira como foi capturado o disco o transforma num mito para toda banda que deseja se aventurar pelo estilo. Os riffs de guitarra e a estrutura das canções são até tradicionais dentro do estilo, mas a energia com que a engrenagem toda pulsa torna-o incomparável, extremamente pesado, urgente, ácido, um soco no estômago, pode se dizer assim. Soa como se fosse um cruzamento dos melhores momentos do Stooges com os melhores momentos do Mountain, e pesado como Black Sabbath! Um disparate, um atentado sonoro, um desbunde pesado total!

Toad – Toad (1971)

Não tenho medo em afirmar que Jimi Hendrix é o pai do rock pesado. Sua influência como guitarrista e compositor é impossível de ser negada, é evidente. Este power trio suíço é filho dessa influência. O guitarrista e vocalista Vic Vergeat era um
freak desbundado que abusava de todos os recursos de sua guitarra para extrair delas os gemidos mais viscerais. Werner Fröhlich não deixava por menos e caprichava em suculentos improvisos em seu baixo, e o baterista Cosimo Lampis mandava ver nas baquetadas. Eis a receita para a pauleira. Toad é intenso, rápido, nervoso, som direto. Em oito faixas os caras arrebentam e mandam pra longe qualquer sinal de caretice.

Leia também: Blue Cheer, os inventores do rock pesado?

31 de mar de 2010

Rigotto´s Room: ZZ Top, os barbudos estão chegando

quarta-feira, março 31, 2010

Por Maurício Rigotto
Escritor e Colecionador
Collector´s Room

No próximo mês de maio, em um intervalo de menos de duas semanas, Porto Alegre receberá nada menos que quatro shows internacionais. A maratona de espetáculos terá início no dia 20 no Bar Opinião, com a apresentação da cantora norte-americana de folk rock Cat Power. No dia seguinte, o guitarrista albino Johnny Winter, do Texas, toca pela primeira vez na capital gaúcha, no Teatro do SESI. Dois dias depois, no dia 23, no Pepsi on Stage, será a vez dos barbudos, também texanos, do ZZ Top, fazerem seu primeiro show em Porto Alegre em mais de quarenta anos de carreira. O último desses quatro concertos será no dia 1° de junho, quando o guitarrista inglês Mick Taylor, ex-membro dos Rolling Stones, se apresentará no Teatro Bourbon Country.

E haja grana, pois são shows imperdíveis para quem aprecia o melhor do rock e blues. Descartando Cat Power, de quem não sou tão fã, embora aprecie o seu trabalho, Johnny Winter, ZZ Top e Mick Taylor são figuras lendárias no universo do rock e do blues há mais de quatro décadas; e como esses artistas nunca se apresentaram por aqui, estamos diante de oportunidades únicas de presenciar as performances ao vivo dessas lendas. Hoje e nas próximas colunas vamos falar um pouco sobre as suas trajetórias, iniciando pelo ZZ Top.


O power trio ZZ Top foi formado em Houston, Texas, em 1969, por Billy Gibbons (vocal e guitarra), Dusty Hill (baixo, teclados e vocal) e Frank Beard (bateria). O nome da banda a princípio seria ZZ King, em homenagem aos bluseiros B.B. King e ZZ Hill. Pouco tempo depois, optam em mudar para ZZ Top, em alusão a duas das mais populares marcas de
rolling paper – os papéis de seda usados para fechar baseados – Zig Zag e Top.

No ano seguinte lançam o ZZ Top’s First Album, e em 1972 o álbum Rio Grande Mud, que traz a faixa "Francine", o primeiro sucesso da banda. Em 1973 lançam Tres Hombres, que alcança grande êxito nas rádios com a faixa "La Grange", incluída na trilha do musical A Melhor Casa Suspeita do Texas. As faixas "Waitin’ for the Bus" e "Jesus Just Left Chicago" também fazem sucesso radiofônico, e o grupo é convidado para fazer a abertura de três shows dos Rolling Stones no Havaí.

Em 1975 é lançado Fandango!, com um lado ao vivo e um de estúdio. "Tush" é o hit do disco. Seguem com uma turnê ininterrupta até 1977, quando lançam o disco Tejas e a coletânea The Best of ZZ Top, e anunciam que estão entrando em férias por tempo indeterminado.

Reza a lenda que, durante esse hiato, a banda visitou uma cigana que profetizou que teriam uma carreira de grande sucesso, bem maior do que haviam alcançado até então, mas que em troca teriam que jamais voltar a se barbear. Lenda ou não, o ZZ Top voltou a se reunir em 1979 para o lançamento de
Degüello, e Gibbons e Hill apareceram irreconhecíveis ostentando impressionantes barbas que desciam até a altura do umbigo. Ironicamente, o único que não aderiu a barbudagem foi o baterista Frank Beard ("beard" quer dizer barba em inglês). O hit do disco é a faixa "Cheap Sunglasses", e desde então Gibbons e Hill passaram a se vestir de modo similar e excêntrico, sempre com óculos escuros e chapéus de cowboy ou bonés de baseball. Abusando da excentricidade, passaram a utilizar guitarras e contrabaixos customizados e chamativos, incluindo instrumentos com luzes de neon em seus contornos.


Em 1981, o disco
El Loco causa estranheza nos fãs ao incorporar sintetizadores e exagerados efeitos eletrônicos à sonoridade do grupo. No ano de 1983 a banda alcança o seu maior êxito comercial com o álbum Eliminator. Impulsionado pelo mega-hit "Gimme All Your Lovin’", Eliminator rende milhões de dólares ao grupo e ainda apresenta um novo ícone à imagem do trio, um cherry-red Ford Coupe 1933 hot rod que ilustra a capa do álbum, sendo utilizado também em vídeoclipes e material publicitário do grupo.

Em 1984, a Gillette Company, a maior fabricante de lâminas de barbear do mundo, oferece um milhão de dólares para Gibbons e Hill se barbearem em um comercial de televisão. Os barbudos recusam a oferta argumentando que “
ficam muito feios sem suas barbas”.

No ano seguinte, o álbum
Afterburned recrudesce as experiências em fundir sintetizadores e elementos eletrônicos com o blues rock, com um resultado difícil de digerir. Em 1990 lançam Recycler e aparecem em uma cena do filme De Volta para o Futuro – Parte III.


Em 1993 a banda tem a honra de introduzir o grupo inglês Cream ao
Rock and Roll Hall of Fame. Na ocasião, o ZZ Top declara que o trio de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker foi a maior influência que tiveram desde o início de sua carreira. Seguem com os bons discos Antenna (1994), Rhythmeen (1996) e XXX (1999), que comemora os trinta anos de atividade do conjunto.

Em 2003 lançam o álbum Mescalero e a caixa com quatro CDs Chrome, Smoke & BBQ. No ano seguinte é lançada a coletânea Rancho Texicano e a banda é introduzida por Keith Richards ao Rock and Roll Hall of Fame. Em 2008 o grupo lança o seu primeiro DVD ao vivo, Live From Texas. No ano passado fizeram uma turnê em conjunto com o Aerosmith, que teve seu final antecipado devido a uma acidental queda do palco que tirou temporariamente de circulação o vocalista do Aerosmith Steven Tyler.

O ZZ Top segue se apresentando pelo mundo e em maio desembarca pela primeira vez no Brasil para dois shows em São Paulo e um em Porto Alegre. Os shows aconteceriam em dezembro de 2009, mas foram adiados. Agora finalmente poderemos conferir o desempenho dos barbudos ao vivo.

29 de mar de 2010

Podcast Collector´s Room #27 - Covers desconhecidos

segunda-feira, março 29, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

A nova edição do podcast da Collector´s Room está muito especial! Mergulhamos fundo no baú do rock and roll, tiramos a poeira, limpamos o mofo e selecionamos alguns dos covers mais desconhecidos da história da música pra você!

Nessa edição #27 do podcast da Collector´s Room você vai conhecer releituras de clássicos do rock que estavam cobertas por toneladas de teias de aranha! Você vai ouvir sons que pouca gente conhece, pescados do lado mais obscuro do rock pelo editor da Collector´s, Ricardo Seelig.


Nos comentários, deixe sua opinião sobre as faixas e conte se você já conhecia alguma delas!

Aumente o volume e faça essa viagem pela tempo com a gente!

Tracklist:
Walter Rossi - Going Down
Álbum: Walter Rossi (1976)

Josefus - Gimme Shelter
Álbum: Dead Man (1970)

Euclid - Gimme Some Lovin´
Álbum: Heavy Equipment (1970)

Jody Grind - Paint it Black
Álbum: Far Carnal (1970)

Yuya Uchida & The Flowers - White Room
Álbum: Challenge! (1969)

Armaggedon - Better by You, Better than Me
Álbum: Armaggedon (1970)

Carson - Hey Joe
Álbum: On the Air (1973)

Argus - Superstition
Álbum: Argus (1973)

Billy Cox Nitro Function - You Really Got Me
Álbum: Nitro Function (1972)

Growl - Hound Dog
Álbum: Growl (1974)

Fear Itself - Born Under a Bad Sign
Álbum: Fear Itself (1969)

Heavy Cruiser - C´Mon Everybody
Álbum: Heavy Cruiser (1972)

Crow - Evil Woman
Álbum: Crow Music (1969)

Blind Ravage - Susie-Q
Álbum: Blind Ravage (1972)

Green Bullfrog - My Baby Left Me
Álbum: Green Bullfrog (1972)

Joseph - House of the Rising Sun
Álbum: Stoned Age Man (1970)

Flower Travellin´ Band - Black Sabbath
Álbum: Anywhere (1970)

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