Até que ponto é possível expandir uma identidade sonora sem romper com as características que transformaram o Soen em um dos nomes mais respeitados do metal progressivo contemporâneo? Reliance (2026), sétimo álbum da banda sueca, tenta responder a essa questão ao reafirmar o caminho que o grupo vem trilhando desde Lotus (2019) e que foi aprofundado em Imperial (2021), apostando em uma abordagem mais direta, melódica e emocionalmente acessível. Reliance apresenta um som limpo, encorpado e cuidadosamente equilibrado. A entrega um trabalho coeso, que privilegia a construção de atmosferas e refrões marcantes, muitas vezes em detrimento das estruturas mais longas e labirínticas que caracterizaram a fase inicial do grupo. Logo na abertura, “Primal” estabelece o tom do disco com riffs pesados e uma dinâmica que alterna tensão e catarse emocional, fórmula que reaparece em faixas como “Axis” e “Unbound”. Essas músicas evidenciam a capacidade do Soen de construir composições envolventes ...