14 de mai de 2010

McCartney (1970)

sexta-feira, maio 14, 2010

Por Cezar “Dudy” Duarte
Roqueiro e English Teacher

Coube a ele oficializar o que já era mais do que iminente. Em 10 de abril de 1970, a separação da banda mais emblemática da história do rock, The Beatles, era anunciada, por aquele que, ironicamente, foi quem mais queria levar o grupo de Liverpool adiante. Paul McCartney, naquele momento, lançava seu primeiro disco solo, apenas com seu famoso sobrenome.


Primeiro solo? Usando uma linguagem jurídica, há quem diga que o primeiro trabalho individual de fato, não de direito, foi “Yesterday”, em 1965. Primeira gravação só com um beatle, sem mencionar que praticamente toda composição é de Paul, apesar dos créditos incluírem o nome de Lennon (questão contratual). Em “Yesterday”, Paul canta e toca violão acompanhado por um conjunto de cordas arranjado pelo produtor George Martin. Na época, pensou-se em lançá-la em forma de compacto, como um projeto paralelo do baixista. A ideia foi rapidamente descartada. No entanto, “Yesterday” chegou ao mercado americano como compacto, mas com o nome dos Beatles.

No ano seguinte, 1966, antecedendo as primeiras gravações de Sgt.Pepper’s, Paul recebe a proposta para fazer a trilha sonora do filme The Family Way, dirigido por Roy Boulting. Para enfrentar a empreitada, Paul pede auxílio ao amigo George Martin para composição dos temas instrumentais. A faixa principal é “Love in the open air”, que ganharia 13 variações ao longo do LP, além de mais duas versões diferentes lançadas em um compacto. Salienta-se que Paul não toca nenhum instrumento, há, porém, algumas fontes que dizem que ele teria tocado baixo e piano. George Martin acaba sendo o verdadeiro regente através de sua própria orquestra. O lançamento da trilha ocorre em 12 de junho de 1967.


Voltando para a concepção do solo McCartney. Os primeiros passos foram dados em dezembro de 1969, em um estúdio montado em sua casa, até que o disco pronto chegasse às lojas em 17 de abril de 1970. A grande força motora que o fez partir sozinho para as sessões foi um dolorido sentimento de abandono em relação aos seus companheiros.


Nos idos de 69, John, George e Ringo queriam, a todo custo, que o empresário espertalhão, Allen Klein, tomasse conta dos confusos negócios da empresa do grupo chamada Apple. Paul se recusava, terminantemente, assinar o contrato que daria plenos poderes à Klein para fazer o que quisesse em nome dos Beatles. O desacordo foi parar na justiça, até que a dissolução judicial ocorresse em meados da década de 70. Para combater as feridas criadas pelo embate entre ele e os outros beatles, McCartney se dedica de corpo e alma à música, tendo ao seu lado, o total apoio de sua amada companheira, Linda McCartney, grande responsável por manter a veia musical de Paul pulsando em uma longa e promissora carreira solo, com e sem os Wings.

O Disco

Paul toca todos os instrumentos sozinho em McCartney. Como já foi exposto, a maior parte das gravações aconteceu em sua residência, em Londres. Algumas faixas foram finalizadas nos estúdios Morgan e Abbey Road. Para evitar o assédio do público e da imprensa, Linda reservou os dias e horários para as sessões usando o pseudônimo Billy Martin. Assim, Paul teria a tranqüilidade suficiente para se dedicar às gravações da maneira que achasse mais conveniente. Linda, também, emprestou sua voz em algumas faixas fazendo backing vocal e harmonias. Foi incluído na embalagem do disco – edição especial para imprensa da época – um questionário produzido por Derek Taylor e Peter Brown (assessores de imprensa da Apple) no qual, Paul responde a várias questões. Entre suas respostas, está a declaração mais bombástica: Paul diz que está fora dos Beatles e, consequentemente, a banda deixava de existir.


As Músicas

“The Lovely Linda” (0:44) - Ode de Paul à sua adorável companheira. Existe uma versão mais longa que permanece inédita.

“That would be something” (2:37) - Inicialmente, era uma faixa mais curta e mais próxima de um folk. Simples e cativante.

“Valentine Day” (1:40) - Instrumental usado para testar o gravador caseiro Studer de quatro canais, portátil, que acabou sendo incluído no disco.

“Every Night” (2:31) - Chegou a ser tocada pelos Beatles, mas não aproveitada pelo grupo. A letra teve sua origem na Escócia, em 1968, e foi finalizada na Grécia. Balada acústica dentro dos padrões dos Beatles.

“Hot as Sun/Glasses” (2:07) - Segunda faixa instrumental, composta em 1959. É na verdade, a junção de duas partes instrumentais distintas. No final, Paul canta alguns segundos da música “Suicide” que teria sido composta para Frank Sinatra.

“Junk” (1:54) - Começou a ser escrita em Rishikesh, India. “Jubilee” e “Junk in the yard” foram os primeiros títulos. Os Beatles chegaram a ensaiá-la e, fora cogitada para fazer parte de álbuns como White Album e Let it Be. Lenta, nostálgica com arranjo envolvente.

“Man We Was Lonely” (2:57) - A sétima faixa (em CD), conta com as harmonias de Linda que, também, teria tido uma pequena participação na letra. Música mais embalada, conta com um belo coro de Paul e Linda no refrão.

“Oo You” (2:48) - A princípio, era para ser uma faixa instrumental, até Paul criar a letra. O elogiado trabalho de guitarra e os agudos do vocal dão destaques à esta gravação.

“Momma Miss America” (4:05) - Fusão de dois temas instrumentais. O primeiro nome pensado foi “Rock’n’Roll Sprintime” . Paul toca, com maestria, “apenas” sete instrumentos neste número.

“Teddy Boy” (2:23) - Mais uma faixa vinda das últimas sessões dos Beatles. Uma versão foi incluída no projeto Get Back até que este se transformasse no disco Let it Be, sem a referida faixa. Balada acústica de bonita melodia, típica do talento de Paul.

“Singalong Junk” (2:35) - Variação instrumental mais longa que a faixa seis (“Junk”). Ela faria parte da trilha sonora do filme Jerry Maguire, em 1995.

“Maybe I’m Amazed” (3:50) - Pode ser considerada o carro-chefe do disco. Uma das melhores músicas que Paul já fez em toda sua carreira, sem exagero. O próprio já admitiu ser uma de suas canções favoritas. A letra é dedicada à Linda, no qual, ele pede a presença dela para ajudá-lo a superar a difícil adaptação aos novos tempos como ex-Beatle. A versão ao vivo no disco triplo, Wings Over America, de 1976, pode ser considerada a execução definitiva.

“Kreen-Akrore” (4:14) - Paul encerra o disco com mais um instrumental. O título foi inspirado em um documentário chamado The Tribe that Hides From Man (A tribo que se esconde do homem). No caso, Kreen-Ákrore é o nome de uma tribo de nativos da selva amazônica, defensores ferrenhos de seu território. Paul tenta criar sons com base naquilo que ele captou vendo o programa.

Curiosidade: Duas faixas ficaram de fora de McCartney e continuam inéditas: “Indeed I do” e “1982”.


A importância do debut solo de Paul McCartney não se credita, apenas, por se tratar de um trabalho de um ex-beatle. A musicalidade ao longo das 13 faixas justifica, de sobremaneira, a exuberância deste multiinstrumentista que domina, como poucos, o ofício de construir magníficas melodias para o deleite dos ouvidos receptivos à boa música.

O disco é igualmente especial por manter, de alguma forma, a atmosfera dos Beatles. É quase um registro do quarteto feito por apenas um integrante. As canções geradas ainda com os Beatles se encaixam perfeitamente com o restante do repertório. Sim, a qualidade das primeiras gravações dos ex-beatles, provam que Abbey Road e Let it Be não seriam o limite do que eles ainda podiam fazer juntos. De certa maneira, a saga dos Beatles continuou com muito da qualidade que os quatro produziram separadamente em suas respectivas carreiras. McCartney não é exceção.


Créditos:
Paul McCartney: baixo, guitarra, violão, piano, mellotron, bateria, órgão, xilofone de brinquedo, gravação, produção.
Linda McCartney: Vocais, teclados, fotos e capa.

Data de Lançamento:
17 de abril de 1970 (RU)
20 de abril de 1970 (EUA)

Posição nas paradas:
EUA: 1º lugar (Billboard), tendo permanecido por 47 semanas no Top 200.
RU: 2º lugar (UK Albums Chart), tendo permanecido 32 semanas do Top 200.

Este texto é uma parte de um grande especial sobre o fim dos Beatles e o primeiro disco solo de cada integrante após o término, feito para o site Os Armênios. Confira a íntegra em www.osarmenios.com.br

13 de mai de 2010

Classic Tracks: Crosby, Stills, Nash & Young - Carry On (1969)

quinta-feira, maio 13, 2010

Por Ronaldo Rodrigues

Colecionador

Apresentador do programa Estação Rádio Espacial

Solid Rock Radio


1969 foi o ápice criativo da carreira destes 4 músicos, que têm seus sobrenomes estampados nos corações e mentes de muitos apreciadores do rock dos anos 60 e 70. O supergrupo, inicialmente trio – David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash – haviam lançado ao mundo sua fantástica estreia em maio. Naquele mesmo mês, o ex-companheiro de Stills no Buffalo Springfield, Neil Young, havia lançado o também aclamado Everybody Know this is Nowhere, creditado como Neil Young and Crazy Horse. Em agosto, Neil passou a integrar a banda.

A primeira apresentação dos quatros foi em agosto de 69, em Chicago, e logo em seguida no Festival de Woodstock. Neil Young não participou da parte acústica do show e exigiu não ser filmado.

O período, após o lançamento do disco e os primeiros shows, foi de trabalho intenso em estúdios de San Francisco e de Los Angeles, e também de vários atritos entre os quatro. Questões contratuais também interferiam, porque os músicos ainda tinham vínculos com suas antigas bandas e Neil Young entrou com total liberdade de manter uma carreira solista em paralelo.

O grupo vinha num embalo criativo imenso e até o final daquele ano gravaram quase todas as músicas que viriam a integrar o maravilhoso disco Déjà-Vu, lançado em março de 1970, que foi logo para o topo das paradas, atingindo o primeiro lugar nos EUA e o quinto lugar na Inglaterra.

A faixa em questão, “Carry On”, era a abertura deste disco e junto com “Woodstock” representava a criação coletiva do grupo. As demais eram composições solo de cada um, executadas pelo conjunto. A sessão que originou “Carry On” foi gravada sob a engenharia sonora de Bill Halverson no Wally Heider's Studio C, em San Francisco, no dia 28 de dezembro de 69.


Parida nas cavalgadas eletro-acústicas do grupo, rumo ao topo do imaginário coletivo juvenil, a canção é surpreendente logo à primeira audição, mesmo que fosse somente a primeira parte, com as vozes alinhadas do quarteto, os violões vibrantes e bandeirosos e seu clima de amanhecer ensolarado. Para os iniciados, cada audição não deixa de ser estupefante, diante da grandeza da composição, das intervenções de guitarra cheia de alma por entre os espaços acústicos, das interposições perfeitas das vozes.

No meio da canção, somente as vozes entoam um espetáculo harmônico – “Carry On, Love is coming to us all”. Entram percussões, órgão Hammond, solo de guitarra e uma versão revisitada de “Questions”, do Buffalo Springfield, com mais vocais divididos da mais fina excelência. Musicalidade ao extremo e uma comunicação tão direta com os ouvidos que é difícil expressar tamanho poder.

Ao vivo, a banda fazia vigorosas versões elétricas de “Carry On”, tirando-lhe um pouco da magia, mas acrescentando-lhe peso e força, junto a grandes jams e duelos de guitarra.

Leia também: Classic Tracks: Lady Fantasy - Camel (1974)

12 de mai de 2010

Rigotto's Room: O Aerosmith vai pousar em Porto Alegre

quarta-feira, maio 12, 2010


Por Maurício Rigotto
Escritor e Colecionador
Collector´s Room

Como já comentei em textos anteriores, Porto Alegre está sendo brindada por uma avalanche de bons shows internacionais. No próximo dia 27, será a vez de a capital gaúcha receber uma das principais bandas de hard rock do mundo, o Aerosmith, que tocará pela primeira vez no estado no estacionamento da FIERGS, o mesmo local que recebeu o show de Axl Rose em março.

Confesso que o Aerosmith não está entre as minhas bandas preferidas. Respeito os caras e os considero como uma boa banda do segundo escalão, mas é inegável a importância do grupo no cenário roqueiro. A banda surgiu em 1970, formada por Steven Tyler (vocal); Joe Perry (guitarra); Brad Whitford (guitarra); Tom Hamilton (contrabaixo) e Joey Kramer (bateria). Gosto muito dos primeiros trabalhos da banda, principalmente os discos Toys in the Attic (1975) e Rocks (1976) – respectivamente terceiro e quarto disco do grupo. Em 1979, após uma briga com Tyler, Joe Perry deixa a banda para formar o chato Joe Perry Project. Brad Whitford sai do grupo pouco depois. Em 1982 a banda lança o péssimo Rock and a Hard Place, um grande fracasso de público e crítica. Em 1985 as desavenças foram superadas e a formação original voltou à ativa, gravando o álbum Done with Mirrors, seguido pelo bem sucedido Permanent Vacation (1987). Desde então, o sucesso do Aerosmith só recrudesceu e a banda passou a vender milhões de cópias de seus novos álbuns, graças ao apelo radiofônico de baladas açucaradas que passaram a ser o carro-chefe do grupo, embora bons rocks também permeiem o repertório desses discos. O grande estouro se deu em 1989 com o álbum Pump, que vendeu nove milhões de cópias, impulsionado pelos mega-sucessos “Janie’s Got a Gun” e “Love in an Elevator”. Em 1993 a banda repetiu o sucesso com o mega-platinado Get a Grip, que trazia as faixas “Livin’ on the Edge” e as baladas “Crazy” e “Cryin’”, que tocaram exaustivamente nas rádios e na emetevê. Quatro anos depois, mais sucessos com o bom álbum Nine Lives e em 1998, alcançam pela primeira vez o topo das paradas mundiais com melosa balada “I Don’t Wanna Miss a Think”, incluída na trilha do filme Armageddon.

Por mais que os fãs mais xiitas relutem em admitir, o Aerosmith se reinventou se tornando uma banda de baladas “tipo Bon Jovi” para FMs e de clipes com apelo adolescente voltados para a geração MTV. Mesmo assim, mantém petardos do bom hard rock em todos os seus discos. Surpreendentemente, em 2004 a banda voltou às raízes com um álbum de covers de blues, o ótimo Honkin’ on Bobo, onde brindam os fãs com vigorosas releituras.



Mesmo não sendo um fã ardoroso do conjunto, no dia 12 de abril de 2007 eu era uma das 62 mil pessoas que lotaram o Estádio Morumbi em São Paulo para assistir o Aerosmith ao vivo. Após a abertura da banda Velvet Revolver – formada por Slash e outros ex-membros do Guns N’Roses – a atração principal da noite subiu ao palco e abriu seu show com o sucesso “Love in an Elevator”, seguida da ótima “Toys in the Attic”. Após esse bom começo, devo admitir que o show que se seguiu não me empolgou, pois a banda optou em tocar várias baladinhas como “Cryin’” e “Jaded” em detrimento ao repertório setentista. Os fãs deliravam acendendo seus isqueiros, mas eu e uma boa parcela do publico esperávamos mais. Achei os solos de Joe Perry meio que burocráticos e previsíveis. Steven Tyler parecia mais preocupado com a sua pose de rock star e suas caras e bocas que com a música em si. Mesmo assim, são figuras que dominam um palco como poucos e deixaram seus fãs extasiados com seu espetáculo. Há de se levar em conta que essas são as impressões de alguém que até gosta da banda, mas não faz parte de seu vasto fã-clube. A grande multidão de fãs saiu satisfeitíssima com a performance de Tyler, Perry e cia. Ao meu ver, foi morno, aquém do que poderia ter sido, mas mesmo assim um grande e divertido espetáculo. No dia 27 irei repetir a dose em Porto Alegre.

No ano passado a banda enfrentou outra crise, com mais uma briga de Steven Tyler com o resto do grupo, que chegou a anunciar que estaria procurando um substituto para o vocalista. Não sei até que ponto isso é verossímil ou se a rixa era parte de alguma estratégia de marketing para o nome da banda se manter nos holofotes, mas seja como for, parece que as diferenças foram mais uma vez superadas e o grupo está novamente em turnê mundial. O Aerosmith tocaria em Buenos Aires no dia 27 de maio e novamente no Morumbi no dia 29. O show na capital argentina foi suspenso e Porto Alegre acabou sendo incluída no roteiro.

Para o pessoal de Passo Fundo e região, a Jamil Magic Bus está organizando uma excursão para o show. Entre em contato com o Turco Jamil pelo telefone (54) 9964 4403 e garanta o seu lugar. Asseguro que a diversão é garantida.

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