22 de mai de 2010

Minha Coleção - Marcus "Negrão" Vinícius: "Se você gosta de uma banda ou alguma outra coisa, vá atrás, dedique-se, que vale a pena!"

sábado, maio 22, 2010


Por Jaisson Limeira
Colecionador
Collector´s Room
Editado por Fernando Bueno

Marcus, antes de mais nada muito obrigado por participar da Collector´s Room e queria que voce contasse um pouco sobre você.

Jaisson, em primeiro lugar, obrigado por esta oportunidade. Tenho 43 anos, sou médico veterinário e trabalho no Ministério da Agricultura, em Porto Alegre. Gremista fanático, gosto de surfar e de ouvir um rock também. AC/DC é um caso a parte na minha vida, foi uma identificação direta com o som e, aquilo que começou como uma brincadeira, hoje virou um hobby ( que sai caro! ...rs...), uma coisa que dá prazer.

Como foi seu primeiro contato com o Rock, qual o primeiro álbum que você comprou?

Meu primeiro contato, foi nos EUA, em 1982. Numa loja em NY, topei com o "For Those About to Rock" e com um Compacto ao vivo ( Back in Black / TNT/ Lets Get it up). Comprei por curiosidade, cheguei no Brasil e não parei mais de ouvir.

De quais bandas você possui mais material, e qual o tamanho da sua coleção?

Tenho material tb do Iron Maiden, Motorhead, Ozzy, Judas Priest, Guns, Pearl Jam, Nirvana, Eric Clapton, U2, Midnight Oil, mas nada de especial. E nacionais também: Nando Reis, Titãs, Camisa de Vênus, Marcelo Nova solo, Raul Seixas, Barão Vermelho, Replicantes, TNT, Cássia Eller e etc....

Vários Bootlegs

Qual o item mais raro da sua coleção?

Difícil dizer, acho que o vinil LIVE 76, que consegui de segunda mão , em 1991.

Vinil LIVE 76

Qual o item que você deseja mais ainda não conseguiu?

Item nenhum, o que eu queria era poder assistir um show ali no canto da palco (risos).

Como é divida sua coleção, entre CD, LPs? A quantidade são proporcionais ou você tem um formato preferido? E como você os conserva?

Tenho de tudo, não tenho formato preferido. Tenho até uma fitas cassete com gravações piratas que nem sei se tocam ainda. São 45 discos em vinil, 72 CDs, 20 DVDs, 5 box, 9 vídeos de fita cassete, 9 livros, várias revistas e books tour. Mais alguns posters objetos em geral.Um dia quero ter um espaço em casa onde possa arrumar tudo direitinho e que fique a mostra. Hj tenho uma caixa plástica grande com todos os vinis: caixas com os Cds e os DVDs estão numa prateleira, num armário.


A sua coleção tem um limite? Você acha que algum dia vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Acho que este dia não existe. Já parei de procurar e comprar por muitos anos ( uns 5 ou 6 anos, eu acho). Hoje em dia, com a internet, se eu me dedicar para isto, não faço mais nada, têm muita coisa que prefiro nem ver (risos).

Você possui algum acervo de bootlegs? O que acha disso? Bootlegs são repletos de curiosidades, versões alternativas e raras. Seguindo este raciocínio, quais bootlegs de sua coleção você destacaria?

Tenho vários! Sei que é uma sacanagem com a banda, mas todo colecionador procura este tipo de material. Duplo Ao Vivo em Estocolmo 1988, Bon Scott Last Oui Oui, Highway to L.A.


E como você vê a banalização deles? Antes nos anos 80 para você ter um Bootleg só achando aquelas prensagens limitadíssimas, hoje em dia com a internet você pode achar qualquer lugar e baixar, fazendo com que sejam quase nulas essas prensagens de "bootleg originais", o que você acha disso?

Isto têm muito a ver com o que escrevi antes! Peguei o tempo da carta escrita a mão, onde trocava correspondência com várias lojas ao redor do mundo atrás destes discos. Comprava e pagava via correio. Ficava sentado no muro de casa esperando o carteiro, na maior expectativa. Hoje em dia a disponibilidade de material é infinita, perdeu a graça um pouco, mas respeito quem se liga nestes materiais também.

Você acha que a industria musical tem alguma salvação ?

Acho que sim, o que falta mesmo são bandas boas!

Agora um pouco sobre AC/DC, como foi pra você essa última passagem da banda pelo Brasil, você já tinha ido em outros shows na Europa, sentiu alguma diferença em relação aos shows europeus?

A última passagem pelo Brasil eu achei fraca, considerando que tocaram 3 vezes em Buenos Aires. Mas melhor assim do que não virem para cá! Em 96, foram 2 shows. Acho que poderia ter sido assim de novo. Temos público para isto. Na Europa a organização é total, muito superior a nossa. Infelizmente sem comparação! Tudo certo, no horário, acesso fácil e seguro. No Morumbi, saímos correndo fugindo de um assalto, os taxistas explorando todo mundo. É a nossa triste realidade. Em Paris e Barcelona, saímos direto pro metrô, sem stress. Em 30 minutos a gente estava no hotel, de volta. Quanto ao público, o pessoal lá é fanático também. A produção do show foi a mesma. Achei a qualidade do som aqui inferior, mas talvez pelo local em que eu estava no Morumbi (cadeiras azuis).

Ingressos Paris 2009

Ingressos Barcelona 2009

Você possui muitos item importados, o que você acha da indústria nacional em questão de qualidade, no que você acha que eles mais pecam na hora de fabricar um CD que daria para eles repararem esse defeito?

Não entendo nada disso (risos).

Qual o principal características você destacaria dos dois principais vocalista do AC/DC, e suas diferenças? E claro, tenho que jogar uma pergunta na fogueira, Voce tem algum preferido?

Acho que o Bon Scott devia ser mais louco, levava uma vida mais louca e interagia mais com o público. O Brian têm o carisma dele também, mas é diferente. Acho que ele poderia falar mais com o público. Gosto do vocal dele também. Como o Bon já não está mais aqui a escolha fica difícil...Sem preferências então, cada um com seu estilo.

Qual a principal fase do AC/DC pra você? Qual álbum você destacaria para um novo fã começar a ouvir, que ache indispensável?

A banda teve "diversas principais fases". A do início, culminando com o estouro do Let There be Rock. A fase do Highway to Hell/ Morte do Bon / Back in Black deve ter sido uma viagem. Um novo fã deveria ouvir estes dois discos.

Vinil Duplo de Estolcomo

Quais seriam, pra você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Esta é fácil (risos):High Voltage, Dirt Deeds Done Dirt Cheap, Let There be Rock, Powerage, If You Want Blood, Highway to Hell, Back in Black, For Those About to Rock, Razors Edge, Black Ice. Só AC/Dc (risos).

Rock in Rio 1985

Quais bandas você tem escutado ultimamente que você poderia indicar pra gente? E o que você acha de banda como Airbourne que tem influências visíveis do AC/DC?

Cara, não escuto muita coisa, muito menos estas bandas novas. Não me considero um roqueiro padrão. Por exemplo: nunca ouvi Airbourne!!!!!

Eu gostaria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

Vinil duplo ao vivo em Estocolmo 1988
110/220
Bon Scott Last Oui Oui 1979 ( Filme Let There be Rock)
Live at Circus Krone 2003
No Bull
Plug Me In

Muito obrigado por ter participado da Collector´s Room e parabéns pela sua coleção. Deixe seu ultimo recado para todos os colecionadores.

Eu que agradeço a oportunidade deste espaço. Foi o pessoal no orkut que botou uma pilha para eu procurar vocês e postar minha coleção. Ela tá na minha página do orkut. Um recado: se você gosta de uma banda ou alguma outra coisa, vai atrás, se dedica, que vale a pena! O prazer recompensa! Ná decada de 80 eu pensava que nunca veria um show deles ao vivo. Quando vi, lá estava a banda na minha frente, em 1991. De lá para cá, já vi mais 5 vezes. Agora em junho, vou atrás de mais 3 shows.

18 de mai de 2010

O dia em que o heavy metal morreu

terça-feira, maio 18, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

A morte de Ronnie James Dio pegou todo mundo que gosta de hard rock e heavy metal de surpresa. É claro que a gente sabia que o mítico vocalista, figura fundamental na história do som pesado, lutava contra um câncer de estômago desde novembro de 2009, mas ninguém imaginava que ele fosse perder essa batalha. Infelizmente, isso aconteceu.

Todos os veículos estão tratando a morte de Dio como a morte de um gênio da música – e isso é verdade. Ronald James Padavona foi uma das maiores vozes do heavy metal, e transformou-se em ícone do estilo. Seu timbre era único, poderoso, agradável, transmitindo com exatidão todos os sentimentos que suas letras, repletas de figuras mitológicas e batalha históricas, faziam surgir diante de nossos olhos.

A carreira de Dio se confunde com a trajetória e a consolidação do heavy metal como gênero musical. Sua passagem pelo Rainbow rendeu discos emblemáticos, sendo que um deles – Rising, de 1976 – é um dos álbuns mais influentes da história do som pesado, responsável direto pela sonoridade seguida por boa parta das bandas surgidas durante a década de oitenta.

Sua entrada no Black Sabbath, além de provar que era possível substituir um vocalista tão emblemático quanto Ozzy Osbourne, renovou o som da mais importante banda de metal de todos os tempos. O álbum Heaven and Hell, de 1980, encara sem medo qualquer disco gravado na fase clássica do grupo, ainda com Ozzy, e é um disco fundamental em qualquer coleção que se preze.

Mas ser uma figura de importância fundamental para dois dos maiores grupos da história do heavy metal não era o sufuciente para Dio. Ele queria mais. Em 1983 chegou às lojas Holy Diver, disco de estreia de sua própria banda, batizada apenas como Dio. O álbum foi muito recebido, e colocou os holofotes, de forma definitiva, sobre o nosso herói. Holy Diver não é apenas um dos melhores trabalhos lançados durante os anos oitenta, mas sim um dos grandes discos da história do som pesado.

E, para fechar com chave de ouro sua jornada, Ronnie James Dio aceitou o desafio e topou tocar novamente com Tony Iommi, Geezer Butler e Vinnie Appice no Heaven and Hell, saciando o apetite de milhões de fãs do Black Sabbath espalhados - e famintos - pelo mundo. The Devil You Know, lançado em 2009, mostra que o quarteto envelheceu como o vinho, mantendo sua qualidade mesmo com a passagem do tempo.

Falar da importância e da influência de Dio para a música é desnecessário. Qualquer pessoa que consome hard rock e heavy metal já ouviu seus discos e sabe que ele foi o responsável por divulgar e popularizar o principal símbolo do estilo, a mão em forma de chifrinhos.

O heavy metal é relativamente recente. Foi de 1970 pra cá que o gênero se desenvolveu e se consolidou, gerando seus ícones, clássicos e clichês. Tudo que é considerado “clássico” hoje em dia surgiu nas décadas de setenta e oitenta. As figuras mais emblemáticas do estilo estão envelhecendo. Personagens que cresceram ao nosso lado estão hoje com 50, 60 anos. O que isso quer dizer? Quer dizer que a morte de Dio demonstra que mesmo os deuses da música não são imortais. É claro que a obra de um artista com a envergadura de Ronnie James Dio permanecerá viva por muitos e muitos anos, mas dá medo imaginar o que virá pela frente. Não imagino a minha vida sem o Metallica, assim como não consigo conceber o mundo sem Bruce Dickinson. Meus dias seriam mais tristes sem a companhia de Paul McCartney, e incompletos sem a genialidade de Jimmy Page. Infelizmente, estou começando a perceber que, ao contrário do que eu pensava, meus heróis não são imortais, e um dia terei que aprender a viver sem eles.

Vá em paz meu brother Ronnie. Siga o seu caminho com a mesma força e energia que sempre nos contagiou. Estaremos sempre ao seu lado, e certamente nos encontraremos no futuro.

… and find the sacred heart ...

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