13 de ago de 2010

Rigotto's Room: The Redwalls – Universal Blues – Quebrando as paredes vermelhas

sexta-feira, agosto 13, 2010

Por Maurício Rigotto
Escritor e colecionador
Collector's Room

Há cerca de alguns dias, me foi pedido que fizesse uma espécie de retrospectiva entre os textos sobre música que publiquei no último ano. Revirei o baú e revi vários textos, entre eles alguns que já nem me recordava da existência. No arquivo havia escritos apenas medianos, alguns chegando a ser anódinos, e outros que, ao relê-los, sem falsa modéstia, me encheram de orgulho por serem de minha autoria. Porém, o que me chamou a atenção foi o fato de que a esmagadora maioria dos textos, mais de noventa por cento, eram acerca de artistas das décadas de cinqüenta, sessenta e setenta. Pouca coisa escrevi sobre bandas surgidas nas últimas três décadas. Há pessoas que estão estagnadas no tempo, pois defendem que “naquela época que se fazia música boa” e que tudo que foi produzido a partir de 1980 é lixo irrelevante. São pessoas mumificadas, empalhadas por algum taxidermista, que se alimentam de saudosismo e nostalgia por uma época em que muitas dessas próprias pessoas nem ao menos havia nascido. Embora reconheça que o rock teve seu ápice criativo nos anos sessenta, não sou uma dessas pessoas datadas. A música boa é atemporal e sempre busquei o novo, não me privando de ouvir os incontáveis novos artistas que surgem dia a dia. Poderia citar uma enorme lista de bandas maravilhosas que surgiram nos últimos dez anos – não o farei, mas poderia sem nenhuma dificuldade. Muitos novos tesouros musicais estão ao nosso dispor para serem descobertos e apreciados e contamos com a internet para nos auxiliar na garimpagem. Se formos esperar simplesmente pelo que toca nas rádios e televisões, realmente passaremos o resto da vida ouvindo os mesmos velhos discos, porém, os menos comodistas sabem que, embora o mundo esteja cada vez menor em vários aspectos, o universo é bem maior do que ele se mostra superficialmente. Então ao invés de citar e recomendar uma infinidade de bons artistas que ainda são desconhecidos da grande maioria, vou me corrigir e não ficar escrevendo apenas sobre os velhos, dissertando também sobre novos talentos que volta e meia lançam discos fantásticos e que ninguém ouve. Falando nisso, vocês já ouviram os Redwalls?

The Redwalls é uma banda de rock’n’roll formada em 2001 em Deerfield, um povoado de Illinois no subúrbio de Chicago, liderada pelos irmãos Logan e Justin Baren. Em 2003 os Redwalls lançaram o seu primeiro álbum, Universal Blues, que eu considero um dos melhores álbuns de rock do novo milênio. Ao colocar o disco para rodar, os primeiros acordes de “Colorful Revolution” já nos remete a sonoridade de bandas sessentistas como Beatles, Kinks, Byrds e Creedence Clearwater Revival – não que se pareça exatamente como essas bandas, mas percebe-se imediatamente que os garotos as ouviram exaustivamente para compor o seu estilo – mas o que mais surpreende é o vocal de Logan Baren, que nos lembra de imediato dois dos maiores ícones do rock mundial: John Lennon e Bob Dylan. É como se John Lennon tivesse reencarnado e montado uma nova banda, tentando soar como os Beatles na época do Cavern Club, embora “Colorful Revolution” nos remeta mais aos últimos tempos de Lennon na banda, como em “The Ballad of John and Yoko”, “Don’t Let me Down” e “One After 909” (essa última executada pelos Redwalls em seus shows). Os rocks “You’ll Never Know” e “It’s Alright” revelam os grandes méritos dos Redwalls: ótimos timbres adquiridos em combinações de guitarras Rickenbacker e Fender Telecaster, bons solos e backing vocals e principalmente, grandes e grudentas harmonias e melodias. Talvez a melhor faixa do disco seja “Speed Racer”, uma releitura da trilha sonora do famoso desenho animado dos anos sessenta, um rock básico empolgante capaz de levantar qualquer festa. A lenta “How the Story Goes” lembra um pouco o trabalho acústico de Neil Young (o que por si só já é um grande elogio). A primeira referência mais explícita a Bob Dylan surge em “What Shame”, onde além do vocal nos remeter ao estilo do cantor, há um órgão com timbre muito semelhante ao que ouvimos nos álbuns Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde. Após “Home”, outra bela balada, temos “Baliness”, cover do ZZ Top, onde temos a impressão que John Lennon regravou a sua maneira a música dos barbudos. A décima faixa, “I Just Want To Be The One” é totalmente Dylan safra 1965, sendo que qualquer desavisado acreditaria se tratar de algum outtake dos discos Bringing It All Back Home ou Highway 61 Revisited. Acho que até o próprio Bob Dylan teria dúvidas se era ele mesmo ou não na canção. Universal Blues termina com a faixa título. São onze canções brilhantes que formam um álbum coeso e magnífico, uma verdadeira aula de como quatro garotos podem fazer um grande disco de rock’n’roll básico, simples e direto. Em 2007 o relançamento de Universal Blues veio acrescido de seis faixas bônus, oriundas das primeiras demos gravadas pela banda.

No final de 2003, o baterista Jordan Kozer deixa a banda e é substituído por Ben Greeno. No inicio de 2005 lançam seu segundo disco, Da Nova, primeiro pela gravadora Capitol e produzido por Rob Schnapf (Elliot Smith, The Vines), e são convidados pelo Oasis a abrir a sua turnê de verão pela Inglaterra, onde participam de vários festivais, como o Lollapalooza. Em Da Nova os Redwalls mantém o seu rock básico, com acréscimos de saxofones e outros sopros ocasionais e órgãos e mellotrons que as vezes nos lembram Rolling Stones e The Band. O álbum alterna baladas, rocks com influências do som do Television - “Falling Down” - e até de bandas new wave, além de seguir influenciado por Bob Dylan – na acústica canção de protesto “Glory of War” – e pelos Beatles, como na alegre “Rock’n’Roll”. A faixa “Build a Bridge” foi incluída em um comercial da AT&T, tornando a banda relativamente conhecida na Inglaterra e nos Estados Unidos.



Em 2007 a banda lança um EP com quatro músicas, intitulado The Wall to Wall Sessions e em outubro lança o seu terceiro álbum, chamado apenas The Redwalls, produzido por Tore Johansson (Franz Ferdinand, Ok Go, The Cardigans). A banda segue fiel ao seu rock cru, incorporando referências a outras bandas que os influenciaram, como os Faces em “Put Us Down”, o Buffalo Springfield de Neil Young e Stephen Stills em “Little Sister” e The Creation em “Into the Maelstron”, além de acrescentar alguns elementos de rock psicodélico. O moderado sucesso de algumas canções do álbum rendeu ao grupo apresentações nos populares programas televisivos The Late Show with David Letterman e The Tonight Show with Jay Leno. A seguir, os Redwalls voltam à Inglaterra para abrir a turnê do grupo The Zutons. Ainda em 2008, o guitarrista Andrew Langer e o baterista Rob Jensen deixam o grupo para se dedicarem a outros projetos musicais, encerrando ao menos temporariamente a trajetória dos Redwalls.



12 de ago de 2010

Quem você é, o que você faz e do que você gosta?

quinta-feira, agosto 12, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Você pode ajudar a Collector´s Room a ficar cada vez melhor.

O que você precisa fazer? É fácil. Basta responder as perguntas abaixo nos comentários deste post, e você estará nos ajudando a conhecer melhor o seu perfil e o perfil dos usuários que acessam o site. E aí, topa o desafio?

Então é só copiar e colar as perguntas abaixo nos comentários, com as suas respostas para cada uma delas. Fácil, rápido e não solta as tiras.

Nome:
Idade:
Profissão:
Cidade onde mora:
Bandas preferidas:
Como conhecer a Collector´s Room:

Obrigado pela força, e vamos nessa!


11 de ago de 2010

Isolamo-nos ao nos mostrarmos para o mundo?

quarta-feira, agosto 11, 2010

João Renato Alves
Jornalista e colecionador
@jrenato83


Engraçado como alguns assuntos acabam aparecendo onde a gente não imagina e viram assunto até mesmo para discutirmos aqui na Collector´s Room. No caso, estava eu na terapia, falando sobre como as relações humanas mudaram e nos afetam de maneira comum e geral. O exemplo que me veio à cabeça no momento tem a ver com música. Lembro de como há uns doze anos atrás era uma festa quando alguém da turma adquiria um CD que ninguém tinha. Era um tal de juntar a galera no fim de semana, comprar uns comes, bebes e fazer a farra ao som da novidade. Depois era aquela sequência de gravações em K-7 para satisfazer todo mundo. E assim a gente compartilhava o som que gostávamos, mas também socializávamos, chegando até mesmo a fazer novas amizades, buscando material com o amigo do amigo do amigo.

Com a geração anterior à minha (tenho 26 anos até novembro próximo) era ainda mais complicado, já que os bolachões de vinil eram ainda mais complicados de aparecer por aqui a toda hora. A maioria, só importando mesmo, fazendo com que várias relíquias fossem disputadas literalmente a tapa. E ainda tinha aquela coisa absolutamente folclórica na hora de regravar para a parceria, já que tinha que tomar cuidado para não pular o LP, ouvir uma a uma as faixas para ver se tudo deu certo e só depois poder respirar aliviado. Trabalho de horas, mas que fazia com que a atividade se tornasse ainda mais saudável no aspecto pessoal.

Hoje temos uma grande vantagem, que é com simples cliques encontrarmos quase tudo que queremos. Por outro lado, ouvir música tornou-se uma atividade solitária. Eu mesmo sou um que escuta música quase sempre nos fones de ouvido, na solidão do quarto. Uma cena um tanto quanto melancólica se lembrar de alguns anos atrás. Um sinal dos tempos. Hoje você pega um arquivo disponibilizado nem sabe por quem ou de onde, redistribui também muitas vezes sem tomar conhecimento do destino e a vida sem interação segue seu caminho, mesmo sendo uma das ideias principais da internet o contato a qualquer distância.

Não posso apenas criticar os downloads. Graças a essa prática conheci artistas que jamais conheceria de outra maneira, adquirindo posteriormente o produto original e aumentando a coleção. No entanto, ao invés de chamar o pessoal para curtir a novidade comigo aqui em casa, tomando umas geladas e comendo uma pizza, simplesmente repasso links via redes de relacionamento. Sinto falta de como as coisas eram, às vezes. Obviamente outros fatores, como a vida profissional, impedem essa aproximação maior. Ainda assim, essa ideia totalmente nostálgica ajudava a conservar o maior bem que consegui através da música: as amizades para toda a vida.

10 de ago de 2010

Blind Guardian - At The Edge of Time (2010)

terça-feira, agosto 10, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room


Cotação: *****


Nono álbum de estúdio do Blind Guardian,
At the Edge of Time retoma a sonoridade explorada pela banda alemã em seu melhor disco, Nightfall in Middle-Earth (1998), um dos grandes álbuns da história do heavy metal.

O CD já começa de maneira espetacular com “Sacred Worlds”, uma faixa excelente com mais de nove minutos de duração. Grandiloquente, repleta de pompa e bom gosto, é o tipo de composição que tem tudo para se transformar em uma das preferidas dos fãs. Com ótimos solos de Andre Olbrich e Marcus Siepen, “Sacred Worlds” conta com um elaboradíssimo arranjo vocal, que se alterna entre a voz principal de Hansi Kürsch e coros arrepiantes.

Outro ponto alto de “Sacred Worlds” são as suas partes orquestradas. Trabalhando pela primeira vez com uma orquestra de verdade, o grupo reforçou os aspectos sinfônicos de sua música, e isso fica evidente em “Sacred Worlds”, reforçando ainda mais as características épicas da composição.

“Tanelorn (Into the Void)” une agressividade com melodia de maneira exemplar. “Road of No Release” lembra em alguns momentos “Nightfall”, mas com um andamento mais rápido. A ótima “Ride Into Obsession”, na linha de “Mirror Mirror”, irá levar os fãs do Blind Guardian às lágrimas com linhas vocais na melhor tradição da banda.


O desfile de excelentes composições continua com “Curse My Name”. O início acústico coloca na mesa as influências da música da Idade Média sempre presentes no som do Blind Guardian. Ricas passagens instrumentais adornadas por violões, flautas e instrumentos acústicos nos transportam para o mundo fantástico de J.R.R. Tolkien. O fantástico crescimento da música em seu final, com a composição evoluindo de uma canção de celebração a um verdadeiro hino de batalha, a transforma em uma das melhores faixas não só de
At the Edge of Time, mas também de toda a carreira do Blind Guardian. A qualidade segue nas alturas com “Valkyries”, com excelentes coros e magnífica performance instrumental dos músicos. Outro grande momento do disco.

At the Edge of Time ainda reserva momentos de grande satisfação com a balada “War of the Thrones”, feita sob medida para ser cantada a plenos pulmões pelos fanáticos seguidores da banda. “A Voice in the Dark”, o primeiro single e clipe do álbum, é uma composição com as características marcantes do Blind Guardian, ou seja, um power metal com excelentes linhas vocais e arranjo grandioso. A épica “Wheel of Time”, outro grande momento do trabalho, encerra o play com chave de ouro.

Individualmente o destaque vai para Hansi Kürsch. O que o vocalista do Blind Guardian está cantando é um absurdo! A decisão de passar o baixo para Oliver Holzwarth e concentrar-se apenas nos vocais mostra-se pra lá de acertada. Suas linhas vocais únicas, aliadas a interpretações intensas, ratificam a sua posição entre os maiores vocalistas do heavy metal. A banda toda soa afiadíssima, mas Hansi está, sem dúvida alguma, um nível acima.

Concluindo,
At the Edge of Time é um discão, o melhor trabalho do Blind Guardian desde Nightfall in Middle-Earth e figura certa nas listas de melhores de 2010.

Brilhante, mais uma vez!


Faixas:

1 Sacred Worlds 9:17
2 Tanelorn (Into the Void) 5:58
3 Road of No Release 6:30
4 Ride Into Obsession 4:46
5 Curse My Name 5:52
6 Valkyries 6:38
7 Control the Divine 5:26
8 War of the Thrones 4:55
9 A Voice in the Dark 5:41
10 Wheel of Time 8:55

Discos Injustiçados: Kiss - (Music From) The Elder (1981)

terça-feira, agosto 10, 2010

Por Ronaldo Costa
Colecionador
Whiplash! Rock e Heavy Metal


O Kiss chegou aos últimos anos da década de setenta do jeito que sonhara e para o qual fora planejado: ser um supergrupo. A banda, que havia gravado seu primeiro disco em 1974, já contava com vários álbuns em sua discografia, alguns dos quais se tornaram clássicos do rock, como
Dressed to Kill (1975), Destroyer (1976), Rock´n´Roll Over (1976) e Love Gun (1977), isso sem falar nos dois ao vivo (Alive I e II, lançados em 1975 e 1977, respectivamente) e nas coletâneas lançadas.

O conceito do Kiss não era o de ser simplesmente mais uma banda de rock. Eles queriam fazer algo além de tudo o que já havia sido feito antes, inclusive em termos estéticos. A
Kissmania tomou conta dos EUA e já se expandia para o Japão e a Europa. Turnês que iam se tornando cada vez mais grandiosas, revistas em quadrinhos, filme, todo tipo de bugiganga com a logomarca da banda - enfim, aonde quer que se fosse era possível encontrar algo que fizesse o sujeito se lembrar dos caras.

Entretanto, nem a fama, o dinheiro e a legião de devotos que os seguia foi capaz de conter o descontentamento de alguns integrantes, sobretudo o desapontamento do baterista Peter Criss e do guitarrista Ace Frehley. Na tentativa de acalmar as coisas, decidiram que cada membro do grupo gravaria um álbum solo para que pudesse se expressar melhor artisticamente. Feito isso, o Kiss se reuniu novamente e lançou em 1979
Dynasty, um disco que se afastou um pouco do rock característico da banda e trouxe alguns elementos da disco music, tão em voga naquele período.

Como poderia ser previsto, alguns fãs não engoliram aquele material novo, ainda que a popularidade do Kiss não tivesse sofrido tanto, sendo que, inclusive, a música “I Was Made For Loving You” alcançou o topo das paradas. Mas a banda não arredou o pé de sua tendência em investir em um som mais comercial e em 1980 lançou Unmasked. Ao que se sabe, Criss nem chegou a ir ao estúdio para as gravações desse álbum. Logo após seu lançamento, o grupo anunciou um novo baterista, Eric Carr, e partiu para mais uma turnê.

O problema é que a crítica, que já não demonstrava morrer de amores pela banda, agora passava a criticá-la duramente, dizendo inclusive que toda aquela parafernália de produção de palco, efeitos, maquiagem, roupas espalhafatosas e tudo o mais na verdade tinha o objetivo de esconder a fragilidade de seus integrantes como músicos. O resultado disso foi que o Kiss resolveu produzir um material que tivesse qualidade técnica, instrumental e lírica suficientes para calar seus detratores e provar ao mundo sua competência. Começava a tomar forma então aquele que deve ter sido o mais criticado, o que mais dividiu opiniões e, pra muita gente, o mais injustiçado disco da carreira da banda, o álbum
(Music From) The Elder.

Bem, essas matérias sobre discos injustiçados sempre criaram polêmicas e, nesse caso, certamente a coisa não será diferente. Primeiro porque há aquela corrente que detesta qualquer coisa que venha do Kiss, e que encontra o contraponto perfeito nos fãs de longa data do grupo, os quais estão entre os mais devotos que se conhece. Mas o problema é que
The Elder tem críticos ferozes até mesmo dentre os mais fanáticos pela banda. E o pior é que não são poucos os fãs que não gostam dessa obra, alguns dos quais chegam ao ponto de nem reconhecer esse trabalho como Kiss. No entanto, vamos continuar essa conversa e tentar ver se esse disco é tão insosso mesmo ou se é mais um grande caso de injustiça para com um álbum.

Depois de ter que conviver com críticas cada vez mais duras e com a possibilidade de entrar em decadência, a banda percebeu que havia a necessidade de uma reação, de um disco realmente forte e que recolocasse as coisas no seu devido lugar. Para tanto, chamaram de volta o produtor Bob Ezrin, o mesmo de
Destroyer, fato que não agradou muito a Ace Frehley. No entanto, mais divergências começaram a surgir na banda, pois Gene Simmons e Paul Stanley achavam que não adiantava fazer as mesmas canções que compuseram nos anos setenta, e passaram a considerar a hipótese de gravarem um álbum conceitual, ao passo que Frehley, com o apoio do novo baterista Eric Carr, pensava que o correto era fazer um disco bem rock, como mandava a melhor tradição do Kiss.

Ezrin, para o desgosto de Ace e Carr, influenciava cada vez mais no sentido de se produzir um álbum conceitual, e passou a idealizar uma obra com essas características. Com a concordância de Gene e Paul, a banda começou a escrever o material para
The Elder. As ambições para esse disco, assim como quase tudo no Kiss, eram imensas. Partindo de uma história imaginada por Gene, o álbum ia sendo criado com aspirações de ser a obra-prima da banda, um trabalho conceitual com influências e elementos progressivos. Dizia-se que o disco consistiria numa trilha sonora para um pretenso filme que, de fato, jamais foi feito. Lou Reed, ex-Velvet Underground, participou como co-autor em algumas músicas. A banda foi ao Canadá para fazer o LP, enquanto o descontente Ace ficou em sua casa e gravou suas partes em seu estúdio particular.


Terminado o trabalho, a banda então colocou
The Elder no mercado. Um álbum conceitual baseado na história da luta entre o bem e forças do mal, calcado no personagem central, que era uma criança inocente. Qual não foi o susto que os velhos fãs tomaram logo de cara. “Mas o que é isso?!?”, diriam os mais exaltados. “O Kiss tentando soar como uma banda progressiva?”.

As diferenças já começavam a partir da capa. Não havia uma foto da banda, como de costume, apenas uma mão tocando uma porta. Posteriormente, soube-se que a mão era de Paul Stanley. Além disso, o próprio visual adotado pelo grupo passou a ser menos extravagante. Pela primeira vez, via-se os integrantes com cabelos cortados ou bem presos, além de roupas um pouco menos espalhafatosas, embora as máscaras continuassem lá. Bem, não seria isso que deixaria um fã do Kiss desapontado. A questão é que a estética musical de
The Elder era absoluta e radicalmente diferente de qualquer coisa que o Kiss já havia lançado antes. Orquestrações clássicas como som ambiente ligando as faixas, violinos, pianos - aquele definitivamente não era o Kiss que todo mundo estava acostumado a ver e ouvir.

Pois bem, vamos à questão principal. O que faz de algo bom ou ruim? Uma coisa é boa por si só ou só é boa se for melhor que algo feito antes? E mais - na música, algo só é bom se obedecer às características básicas que dão a identidade de uma banda, ou há a possibilidade de um trabalho ser de qualidade ainda que fuja da sonoridade que caracteriza um artista? Essas são questões difíceis de se responder e que podem gerar respostas diferentes, pois cada caso é um caso. Bom, no caso de
(Music From) The Elder, apesar de ter existido até uma certa simpatia da crítica para com o álbum, a resposta dada pela maioria dos fãs variou da indignação até ao total desprezo pela obra, afinal aquele não era o “verdadeiro” Kiss. Foram poucos, bem poucos, os que deram valor ao disco na época de seu lançamento. Mas, afinal, como ele é?

Realmente, pra quem estava acostumado com a sonoridade anterior do Kiss, ouvir
The Elder foi um susto - nem tanto no mau sentido, mas porque ninguém esperava aquele tipo de som. Sim, era o Kiss fazendo um som com um pé bem fincado no progressivo. Claro que não havia a complexidade de um Pink Floyd, seja em termos líricos ou instrumentais, mas percebia-se nitidamente que havia sido um trabalho produzido com cuidado. As letras não eram extremamente sofisticadas, mas também não eram infantis como tantos críticos gostam de alardear.


A instrumental “Fanfare” é ótima, mas totalmente fora dos padrões da banda, com todas as suas orquestrações e partes que em alguns momentos lembram a trilha de um filme de ficção futurista, e em outras uma epopéia medieval, bem diferente de “Escape From the Island”, a outra instrumental do disco, mais rock e ágil, mas que ainda traz certas características de progressivo em seu andamento. “Just a Boy” é uma pérola que se perdeu em meio a todo o desdém com que o disco foi tratado. Uma música meio balada, meio épica, que traz um excepcional trabalho de guitarra e bateria, além dos vocais com falsete, que criam um clima excelente para a canção. O que dizer, então, da emotiva “Odyssey”, uma balada prog com uma melodia belíssima e acompanhada de um piano que deu todo um realce à música?

“Only You”, embora ainda tivesse proximidade com o progressivo, já trazia guitarras um pouco mais ao timbre do velho Kiss. O destaque nessa música é Gene Simmons, tanto por suas linhas de baixo quanto pela linha vocal peculiar que adota nessa faixa. “Under the Rose” fundia elementos do mais puro progressivo com linhas típicas de heavy metal, ainda arrumando espaço para orquestrações e um refrão medieval composto por um coro de vozes mais graves. Lembra, em certos momentos, algumas coisas do Rush do início de carreira. Fantástica!

“Dark Light” é um rock daqueles que só bandas como o Kiss sabem fazer direito - cortesia de Ace Frehley, que canta, entrega riffs precisos e um solo bem legal. Essa música dá claras pistas de como seria a sonoridade de
(Music From) The Elder caso Ace não tivesse sido voto vencido na decisão da banda. “A World Without Heroes” talvez seja a mais famosa do álbum. Uma música bonita, calma e melódica.

“The Oath” é facilmente a mais pesada do disco, com um riff simplesmente matador e um grande refrão, cheio de efeitos sonoros que dão um resultado bem eficiente. “Mr Blackwell” é a mais estranha do trabalho e, possivelmente, a mais fraca também. Não chega a ser uma música ruim, mas é até meio difícil classificá-la. E a mais Kiss de todas, “I”, caberia num daqueles discos dos anos setenta que fizeram a fama da banda, ou mesmo num
Psycho Circus.


Embora metade da banda (Frehley e Carr) não concordasse com isso,
(Music From) The Elder foi composto para ser uma obra de referência na carreira do Kiss. A banda esperava até mesmo iniciar com ele uma sequência de discos que seriam uma continuação da ideia conceitual original do álbum. Imaginou-se para esse trabalho uma turnê que traria um palco confeccionado com todo o cuidado e riqueza de detalhes, que retratasse bem a temática das letras, além de a banda vislumbrar a realização de um filme baseado na história.

Mas
The Elder fracassou no quesito vendas e aceitação do público e, com isso, todos aqueles planos nunca se concretizaram, até mesmo a turnê de divulgação do álbum, que não aconteceu. As raríssimas vezes em que o Kiss tocou algo desse disco foram em programas de televisão. Ace Frehley, que já demonstrava há algum tempo não ter mais a mesma energia do início, parecia cada vez mais infeliz com aquilo tudo. A coisa caminhou para um ponto em que Ace já não se apresentava mais com a banda, até que sua saída fosse consumada em1982.

A própria banda renegou o disco, já que ele representou relativamente um fracasso sem precedentes na carreira do grupo - e o sucesso sempre foi uma obsessão para o Kiss.
The Elder seria então o pior trabalho de sua carreira? Por tudo o que escrevi nesse texto, considero que ele está longe disso. É o melhor? Também acredito que não. Mas é o trabalho mais maduro e lapidado da banda, além de ser possivelmente um de seus melhores discos. Coloca-se em dúvida até mesmo a sinceridade na inspiração para o álbum, já que muita gente afirma que sua única motivação foi a de impressionar os críticos e servir como mais uma jogada de marketing. Sem sombra de dúvidas, o disco foge completamente às características que conquistaram milhões de fãs e que fizeram do Kiss uma das bandas mais famosas do mundo. E aquilo que se convencionou chamar de identidade musical é, com certeza, uma das coisas mais importantes que uma banda pode ter. Fugir a isso muitas vezes pode ser tomado pelos fãs até como traição.

Agora, é uma enorme injustiça não reconhecer todas as qualidades que
(Music From) The Elder traz consigo. Por isso mesmo, este é mais um álbum que figura nessa lista de obras historicamente subestimadas por público, crítica e até mesmo por quem as idealizou. Agora, resta saber o que você acha. Não deixe de dar a sua opinião, de preferência após dar umas boas ouvidas nesse disco. Faça isso com a mente aberta e depois registre as suas impressões.


Faixas:

A1 The Oath 4:31
A2 Fanfare 1:21
A3 Just a Boy 2:25
A4 Dark Light 4:18
A5 Only You 4:17
A6 Under the Rose 4:51

B1 A World Without Heroes 2:40
B2 Mr. Blackwell 4:52
B3 Escape From the Island 2:52
B4 Odyssey 5:36
B5 I 5:03


9 de ago de 2010

Rock Raro: Freedom – Freedom At Last (1970)

segunda-feira, agosto 09, 2010

Por Wagner Xavier
Com edição de Ricardo Seelig
Colecionador
Scream & Yell


O final dos anos sessenta foi uma época mágica e pródiga em termos de bandas de rock, principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Isto talvez explique o motivo de tantos artistas terem criado obras maravilhosas e somente agora muitos destes discos serem apresentados para uma nova geração de ouvintes. O Freedom está neste seleto grupo e foi responsável por um dos melhores álbuns daquele período, Freedom At Last, lançado em 1970.

A origem da banda remonta ao ótimo Procol Harum de Gary Brooker, conhecido pelo mega hit “A Whiter Shade of Pale”, que foi lançado em 1967 e trazia em sua formação o baterista e vocalista Bobby Harrison e o guitarrista Ray Royer. Estes dois músicos se juntaram ao tecladista Wike Lease e ao baixista Steve Shirley na primeira encarnação do Freedom.


A estreia fonográfica do quarteto aconteceu com o álbum Black on White, uma trilha sonora de um filme italiano do diretor Dino De Laurentis. Apesar de o estilo ser muito próximo ao psicodelismo da época, a banda não ficou muito feliz com o resultado final.

Após indas e vindas, embalado pela onda de power trios como Cream e Jimi Hendrix Experience e fortemente influenciados pelo blues rock do Led Zeppelin, Harrison junta-se ao guitarrista Roger Saunders e ao baixista Walter Monaghan para formar a segunda versão do Freedom, responsável pela fama do grupo.


Freedom At Last, o segundo LP do Freedom - e primeiro com esta formação - é um trabalho de primeira linha quando o assunto é rock and roll. O disco abre com “Enchanted Wood”, faixa que já mostra a pegada da banda, destacando o vocal com grande qualidade de Harrison, o baixo no melhor estilo e a guitarra a todo momento. Uma maravilha de música! A próxima é a versão para um blues de Howlin Wolf chamado “Deep Down in The Bottom”, aqui totalmente revisitado no melhor estilo zeppeliniano. Novamente a banda demonstra a garra que lhe era peculiar.

“Have Love Will Travel” é mais popzinha, porém destaca uma pegada bem legal. A próxima faixa é de matar: trata-se de uma versão estupenda da balada “Cry Baby Cry”, dos Beatles, cuja versão original está no White Album de 1968. Vale ouvir para perceber a diferença do vocal de Bobby Harrison. Se no White Album “Cry Baby Cry” está “perdida” entre as trinta músicas do álbum, em At Last o Freedom conseguiu criar um clima de grande destaque e fortes emoções.

Para aumentar a emoção, a banda ainda teve inspiração para recriar outro clássico e transformá-lo em algo mais forte que sua versão original. Trata-se da linda “Time of the Season”, música retirada do clássico absoluto Odessey and Oracle, lançado em 1968 pelo grupo inglês The Zombies. Atenção especial para os solos de guitarra e para o acompanhamento do baixo.

Na sequência temos novamente o blues dando a tônica do disco. Primeiro “Hoo Doo Man”, e na depois um hino de Willie Dixon, a regravadíssima “Built for Comfort”. “Fly”, a próxima, é muito interessante, bem no estilo em voga na época. Em seguida surge “Never Loved a Girl”, de Dell Shanon, uma beleza de balada com destaque novamente para o belo vocal de Harrison. A décima faixa é “My Life”, cantada numa levada incrivelmente similar com a que David Bowie faria em discos como Hunky Dory e The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars. Teria Bowie, antes de alcançar a glória, sido influenciado pelo Freedom?

Nesta altura o álbum já venceu a prova da qualidade, mas ainda não acabou. “Can’t Stay” encaminha o trabalho para o final com um refrão que, sinceramente, emociona. Para encerrar, “Dusty Track”, que deixa uma vontade de começar tudo de novo.

Infelizmente, assim como havia acontecido no primeiro álbum, o Freedom passou quase que despercebido. Certamente a falta de um bom empresário e de investimento na carreira fizeram a diferença. É certo que a banda não pode ser considerada um marco de criatividade como Beatles, Love ou Cream, ou mesmo outros nomes de menor vulto, mas um álbum como Freedom At Last merece um melhor reconhecimento. Após o lançamento deste disco, o Freedom excursionou pelos Estados Unidos abrindo shows para bandas como Jethro Tull, Black Sabbath e Curved Air (este último, diga-se de passagem, era bem mais fraquinho que eles).


Em 1970 lançaram o homônimo Freedom, novamente um discão desde a faixa de abertura, “Nobody”, até a última, “Frustred Woman”, que demonstra uma banda passando pelo teste do terceiro álbum com classe, centrando o foco no repertório essencialmente próprio.


Through the Years, quarto disco da banda, já exibe a desilusão dos caras pelos trabalhos anteriores não acontecerem da forma que se esperava. Apesar de interessante, Through the Years não demonstra a mesma força dos dois álbuns anteriores. Contando com apenas seis faixas, o disco é o epitáfio da banda, que encerrou suas atividades em 1972.


Após o fim todos os músicos partiram para trabalhos diversos, porém nada de grande destaque qualitativo quanto o Freedom. Bobby Harrison criou a banda Snafu com o futuro Whitesnake Micky Moody; Roger Saunders passou a trabalhar como compositor para várias bandas, inclusive juntando-se à banda de Gary Glitter. No início de 2000, Roger Saunders faleceu vítima de um câncer.

Os discos em vinil do Freedom são difíceis de serem encontrados. Through the Years chegou a ter uma edição nacional na época, mas hoje é bem difícil de achar. Quanto aos CDs, em 2000 a gravadora inglesa Angel Air lançou uma edição dupla contendo o ótimo Freedom At Last e o bom Through the Years. Com alguma sorte, é possível ainda encontrar essa versão por aí. O álbum Freedom também teve uma reedição caprichada com livreto informativo, também pela Angel Air.

Rigotto's Room: Timeless: The Hank Williams Tribute

segunda-feira, agosto 09, 2010


Por Maurício Rigotto
Escritor e colecionador
Collector's Room

Álbuns tributo geralmente me deixam não com apenas um, mas com os dois pés atrás. Tanto que costumo chamá-los de álbuns “triputo”, pois é assim que o ouvinte se sente quando constata que a tal homenagem a um grande artista não passa de uma jogada oportunista de alguma gravadora, no intuito de alçar as carreiras de artistas de seu catálogo. Chega a ser praxe em um disco tributo que a relação de intérpretes nada tenha a ver com o homenageado, sendo que se questionassem os artistas que estão pagando tributo se eles saberiam citar o nome de três músicas do homenageado, muitos não teriam o que responder. Alguns tributos são criados pelas gravadoras apenas para tentar reerguer algum artista decadente ou tornar algum novo nome mais conhecido, e acabam por soar tão sinceros quanto aquela versão da música de Natal de John Lennon interpretada pela cantora Simone.

Como em toda generalização, há exceções. Existem tributos em que, acreditem, a intenção é realmente enaltecer a obra do homenageado, através de interpretações honestas e sinceras feita por artistas que realmente são fãs e conhecedores da arte do alvo da homenagem. Entre os tributos íntegros que me ocorrem no momento, estão Stone Free: A Tribute to Jimi Hendrix; Dressed in Black – A Tribute to Johnny Cash; A Vision Shared (Folkways): A Tribute to Woodie Guthrie and Leadbelly e Return of the Grievous Angel: Tribute to Gran Parsons. Um dos tributos que eu mais gosto é Timeless: The Hank Williams Tribute. Mas afinal, quem foi Hank Williams?

As pessoas são unânimes em afirmar que o rock teve a sua origem no blues. A afirmação está correta, mas não é tão simplista assim. O que originou o rock não foi apenas o blues que Robert Johnson fazia nos anos trinta, nem os blues eletrificados que vieram depois através dos negros plantadores de algodão do Mississipi e Chicago, como Muddy Waters, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker e Jimmy Reed. O rock nasceu de uma mistura acelerada de ritmos como o blues; o skiffle – que tinha Lonnie Donegan como seu maior ícone; o bluegrass, a folk music de Woodie Guthrie e Leadbelly; a soul music e a música country, que tem Hank Williams como a sua maior legenda.

Hank Williams nasceu no Alabama em 1923 e morreu no primeiro dia do ano de 1953, com apenas 29 anos. Hank se tornou um dos maiores compositores do século passado, ao ajudar a criar o estilo Honky Tonk, e seu descomunal carisma em suas performances logo aumentaram a sua fama por todo o país. Seu repertório hoje se confunde com a história da música country norte-americana. O músico tinha uma grave lesão congênita em sua medula espinhal, um mal conhecido como “espinha bífida”, o que o levou a consumir compulsivamente bebidas e morfina, como anestésicos, em uma desesperada tentativa de aplacar as insuportáveis dores que o acometiam. O abuso dessa combinação o levou a morte, no auge de sua fama. Suas músicas foram regravadas ao longo dos anos por artistas do porte de Elvis Presley, Bob Dylan, Leonard Cohen, Johnny Cash, Tony Bennett, Patsy Cline, Dinah Washigton, Gene Vincent, Carl Perkins, Ricky Nelson, Ray Charles, Louis Armstrong, Jerry Lee Lewis, Cowboy Junkies e George Thorogood.

Hank Williams and The Drifiting Cowboys

No ano de 2001 é lançado Timeless: The Hank Williams Tribute, com uma verdadeira constelação de artistas interpretando algumas das mais populares canções de Williams. O álbum já abre com Bob Dylan em uma magistral e alegre releitura de “I Can’t Get You Off Of My Mind”; segue com Sheryl Crow fazendo bonito em “Long Gone Lonesome Blues”; e com o bluseiro Keb’Mo’ (aka Kevin Moore) dando a sua versão para a famosa “I’m So Lonesome I Could Cry”. Na quarta faixa temos Beck (ou Beck Hansen), um dos maiores músicos de sua geração, trazendo elementos novos a “Your Cheatin’ Heart”, uma das mais conhecidas pérolas do repertório de Williams. A seguir o ex-líder do Dire Straits, Mark Knopfler, surge acompanhando a renomada cantora country Emmylou Harris, que já foi parceira de Gran Parsons, Neil Young e The Band, em “Lost on the River”. O roqueiro Tom Petty vem em seguida com uma versão bem mais rock (ou seja, rápida), para “You’re Gonna Change (Or I’m Gonna Leave)”, com excelente resultado; e Keith Richards faz uma emocionante e sublime interpretação para o clássico “You Win Again”. Emmylou Harris e Mark Knopfler repetem o seu dueto em “Alone and Foresaken”, onde a cantora passa em sua interpretação a emoção de uma mulher “sozinha e abandonada”, como diz a letra da canção. A dupla mais tarde viria a gravar um disco e um DVD em parceria. Na oitava faixa, o neto de Hank, Hank Williams III, homenageia o avô em “I’m a Long Gonne Daddy”; e a nova estrela da música country, Ryan Adams, faz uma bacana versão para “Lovesick Blues”. Outra estrela da country music, a cantora Lucinda Williams, interpreta “Cold, Cold Heart” com uma sutileza e elegância que nos remete a cantora Karen Dalton. Para encerrar, o grande Johnny Cash canta “I Dreamed About Mama Last Night”. Cash dispensa comentários, tamanha a sua capacidade de emocionar o ouvinte, proporcionando um verdadeiro deleite ao finalizar a audição desse bela homenagem.

Timeless: The Hank Williams Tribute venceu o Grammy em 2002 na categoria de melhor álbum country. Sheryl Crow e Lucinda Williams receberam indicações na categoria “Melhor performance vocal country feminina”; e Ryan Adams e Johnny Cash também concorreram na categoria “Melhor cantor country”. Eu recomendo a audição.



ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE