19 de mai de 2011

Eddie Trunk: review do livro 'Essential Hard Rock and Heavy Metal'!


Por Ricardo Seelig

Depois de anos apenas sonhando, você finalmente conseguiu tornar realidade aquela tão almejada viagem de férias para Nova York. Agora você está na capital do mundo, curtindo os inúmeros atrativos que a cidade oferece.

Em um dia de folga na programação, resolve ir no boteco que fica na esquina do seu hotel beber alguma coisa. Chegando lá, escolhe uma mesa no canto, tira a sua jaqueta e deixa à mostra a camiseta do Kiss que está usando. Embalado pelo telão do lugar, que rola clipes clássicos de hard rock e heavy metal, pede mais uma cerveja, e mais uma, e mais uma.

Quando percebe, você já está conversando animadamente com o gordinho da mesa ao lado, que também usa uma camiseta de rock, no caso, uma do Black Sabbath. A conversa flui, com histórias sobre música surgindo como água, até que, em um certo momento, você se apresenta para o cara, diz que é brasileiro e que está passando as férias em Manhattan. Seu novo amigo também faz o mesmo, conta que é natural de New Jersey e se apresenta como Eddie. Só então você entende o porque de ter a impressão de que já conhecia seu novo brother: ele é Eddie Trunk, o cara do That Metal Show e um dos mais conhecidos e respeitados jornalistas de heavy metal dos Estados Unidos.

Esse é o astral do livro Eddie Trunk's Essential Hard Rock and Heavy Metal. Nele, Trunk fala de forma descontraída, como se estivesse contando histórias em uma mesa de bar, sobre grupos clássicos para a história e o desenvolvimento do hard rock e do heavy metal, sempre ligando a trajetória das bandas às suas experiências pessoais – exatamente a mesma fórmula que o tornou famoso no That Metal Show, que é transmitido no Brasil pela VH1.

Da paixão juvenil pelo Kiss, passando pela admiração pelo Judas Priest e a amizade profunda com Ronnie James Dio, Eddie Trunk conta de maneira envolvente a sua relação com alguns dos músicos mais importantes do som pesado, ao mesmo tempo em que dá a sua opinião sobre cada um dos grupos abordados.

Ainda que a inclusão dessa ou daquela banda entre as 35 apontadas por Eddie como sendo essenciais seja discutível – no meu caso, questiono a escolha de nomes como Bon Jovi, Poison, Tesla e, principalmente, Billy Squier entre os nomes indicados por Trunk -, essa questão vai para segundo plano pela abordagem dada por Eddie ao livro. Como deixa claro na introdução, ele não pretendeu conceber um documento definitivo sobre o hard rock e o heavy metal, mas apenas colocar em palavras a sua relação e enorme paixão pelo estilo.

Além das trinta e cinco bandas destacadas, há um capítulo final com pequenos textos sobre grupos que também foram muito importantes para o gênero na opinião de Trunk, com nomes como Accept, Dokken, Dream Theater, Exodus, Ratt, Saxon, W.A.S.P. e Whitesnake, entre outros.

Escrito pelo apresentador de uma forma ao mesmo tempo leve e divertida, mas sem abrir mão de deixar clara a sua opinião sobre os mais variados assuntos, o livro causa uma identificação imediata com todo e qualquer fã do gênero, principalmente aqueles que já passaram dos trinta anos e viveram a cena da década de 80.

Os trechos onde Trunk fala da sua experiência como vendedor de uma loja de discos e o período em que trabalhou ao lado do lendário Johnny Zazula nos primórdios da Megaforce são muito interessantes e informativos.

Outra característica legal da obra é que cada capítulo aborda uma banda em específico, com Eddie contando a sua relação com o grupo e contextualizando o impacto e a importância daquele nome para o hard e o metal. Além disso, Trunk sempre compõe um tracklist com as suas músicas preferidas de cada banda, com a inclusão de sons nada óbvios nas suas seleções. Eddie também conta curiosidades do fundo do baú sobre cada grupo abordado, justificando o status de expert que possui.

O livro foi impresso todo em papel couché de ótima gramatura, e tem dezenas de imagens do fotógrafo Ron Akiyama, parceiro do radialista e apresentador no projeto. A introdução, escrita por ninguém menos que Rob Halford, é outro destaque.

Dedicado a Ronnie James Dio, de quem Trunk era um grande fã e acabou se tornando um grande amigo – o capítulo que aborda Dio é de longe o mais emocionante do livro -, Eddie Trunk's Essential Hard Rock and Heavy Metal é leitura indicadíssima para qualquer pessoa que goste de hard rock e heavy metal. A obra documenta a paixão de seu autor pelo gênero, e tem como principal qualidade a maneira singular com que Eddie Trunk conta a história dos nomes mais importantes do hard e do metal associada a fatos de sua vida pessoal – como já disse antes, a mesma fórmula que o tornou famoso tanto em seu programa de rádio quanto no That Metal Show.

Não há previsão de lançamento no Brasil de Eddie Trunk's Essential Hard Rock and Heavy Metal, mas tenho a certeza de que se uma editora comprasse os direitos da obra e a colocasse em nossas livrarias, o livro seria um pequeno best seller.

Para terminar, apenas uma palavra: compre!




10 comentários:

Jay disse...

Apesar de não gostar do Bon Jovi, Billy Squier e do Poison só gostar do Native Tongue, não questiono suas inclusões. Não tem como falar de Hard Rock oitentista sem citar essas bandas. E esse estilo teve grande importância na carreira do Eddie Trunk.

Seria a mesma coisa que eu fazer um livro sobre Heavy Metal e não citar o Dream Theater pelo simples fato de não gostar da banda. Ou, ir ainda mais longe e ignorar todo o Prog Metal pelo fato de não ser um estilo que me agrade. Quando se faz um trabalho desse tipo, é necessário deixar os gostos pessoais um pouco de lado.

Seria como fazer um livro sobre a história do futebol brasileiro, por exemplo, e deixar de citar os times rivais. Como disse, não gosto daquelas bandas citadas. Mas não dá para deixar de reconhecer que elas tiveram importância no gênero, tanto em termos de vendas como ao angariar novos fãs, que começaram por eles e de repente passaram até para bandas mais pesadas na seqüência.

Ricardo Seelig disse...

João, o meu comentário em relação à inclusão dessas bandas se baseia exclusivamente no meu gosto pessoal, e me permiti discordar do Eddie Trunk neste aspecto justamente por ele, na introdução do livro, deixar claro que a inclusão de algumas bandas também se baseou exclusivamente no seu gosto pessoal.

Eu gosto muito de ler esses livros escritos por jornalistas estrangeiros sobre o hard rock e o heavy metal porque eles mostram, quase sempre, uma visão bem diferente sobre o estilo daquela que estamos acostumados a ler aqui no Brasil.

É claro que para um cara como o Eddie, que viveu nos Estados Unidos durante a década de oitenta, as bandas citadas por ele tem um impacto muito grande em sua vida e na cena em que ele viveu, então só esse aspecto já justifica a inclusão dos grupos.

Mas, sinceramente, o que eu gostaria é que esse livro fosse lançado aqui no Brasil. Tenho a versão importada, que a editora enviou para avaliação, mas seria demais se o livro ganhasse uma edição nacional, em português!

Ricardo Seelig disse...

Tem outra coisa também, João. O Eddie deixa claro que não quis escrever um livro acadêmico, um tratado com enfoque histórico sobre a evolução do heavy metal, mas sim apenas contar em um livro a sua relação e paixão pelo gênero.

Fábio RT disse...

Impossível escrever um livro sobre música sem deixar se levar pelo gosto pessoal...é bom que o autor já deixe isso claro logo no início do texto...
só por aí já ganha credibilidade...

Cadão...qual seria basicamente a diferença de visão que vc citou ? fiquei muito curioso....

Ricardo Seelig disse...

Fábio, o heavy metal é entendido diferente em cada país. Nos EUA, por exemplo, que é onde Eddie Trunk atua, a visão é bem distante da que temos aqui no Brasil. Bandas de heavy metal melódico, por exemplo, que são adoradas aqui, lá não tem espaço algum. Os caras não sabem e nem querem saber quem são Gamma Ray, Helloween, Edguy, por aquelas bandas.

Por outro lado, o glam metal ou hair metal é muito maior lá do que aqui no Brasil, onde os grupos de hard californianos sempre foram classificados como 'posers'. Motley Crue é uma lenda nos EUA, e no Brasil, apesar de ter seus fãs, não passa de uma banda média.

Há um respeito histórico pelo que fizeram bandas como Iron Maiden, por exemplo, mas o grupo de Steve Harris e Bruce Dickinson tem uma proporção muito maior no Brasil e na Euripe do que nos EUA. Lá, o Judas Priest é muito mais respeitado e conhecido que o Maiden, e isso se dá pelo fato de a banda ter lançado e emplacado diversos hits e discos no mercado norte-americano durante os anos 80.

Mas o maior exemplo é o Metallica. A banda é a maior da história do heavy metal em termos de venda e popularidade, e isso é incontestável.

O que eu quis dizer em relação às diferenças de enfoque dos jornalistas estrangeiros e dos brasileiros é que lá fora os caras são jornalistas mesmo, não tem medo de de dar a sua opinião sobre os mais diversos assuntos. No Brasil, infelizmente, os jornalistas especializados são e se comportam, em sua grande e imensa maioria, como fãs abobalhados diante de seus ídolos, colocando em segundo plano a atividade jornalística para ficar babando em cima dos artistas.

Se você ler uma revista inglesa ou norte-americana - pegue a inglesa Classic Rock, por exemplo - e comparar a maneira como as críticas aos discos são feitas lá e como elas são redigidas aqui, perceberá as diferenças na hora.

No Brasil parece que é proibido ter opinião, e quem se posiciona e diz o que pensa é apedrejado sem dó.

Fábio RT disse...

É... eu concordo com vc no ponto de vista jornalistico do meio heavy...
Comprei algumas RoadieCrews recentemente e a parte de resenhas é muito estranha... parece que todo mês são lançados clássicos e mais clássicos.... mas é uma boa revista...embora pareça mais com um excelente fanzine

Ricardo Seelig disse...

Fábio, eu gosto muito de resenhas, e nesse aspecto é difícil ler análises isentas no Brasil. Gostava muito das matérias da antiga Bizz, principalmente a seção Discoteca Básica - que, inclusive, está totalmente publicada aqui no site.

Fábio RT disse...

Neste ponto as resenhas da rolling Stone br são interessantes...pena a revista focar tão poucas páginas nesse quesito...

Ricardo Seelig disse...

Fábio, eu nem acompanho mais a Rolling Stone brasileira. Ela parece uma Caprinho ...

Fábio RT disse...

Tem uma amiga minha que assina e eu pego pra ler... sempre tem coisas interessantes....mas na média 50% é tipo capricho mesmo... então também acho que não vale a compra...só de vez em quando....

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