29 de jan de 2011

Dirty Sweet e o bom rock dos anos 2000!

sábado, janeiro 29, 2011

Por Ricardo Seelig

Não, essa não é uma banda setentista daquelas que apenas poucas pessoas ouviram falar. O Dirty Sweet é um grupo atual formado em 2003 em San Diego, e que tem dois discos em sua carreira, ... Of Monarchs and Beggars (2007) e American Spiritual (2010).

O som dos caras é totalmente calcado no rock norte-americano da década de 1970, repleto de riffs e melodias vocais que bebem sem medo no pote sem fundo das melhores bandas do período.

Abaixo, só para você sentir o gostinho, uma versão acústica da faixa que dá nome e encerra o segundo álbum dos caras.

Vale muito a pena!



28 de jan de 2011

Aquiles Priester: resenha do livro De Fã a Ídolo!

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Por Ricardo Seelig

Todo mundo conhece a história de Aquiles Priester. Fundador do Hangar, baterista do Angra entre 2001 e 2008 e considerado um dos melhores do mundo em seu instrumento, o músico acaba de lançar a sua autobiografia, De Fã a Ídolo. Lendo as 162 páginas do livro percebe-se que, na verdade, poucas pessoas conhecem de verdade a história de Aquiles.

Escrito em parceria com o renomado jornalista musical Antônio Carlos Monteiro, que integrou por anos a redação da Rock Brigade e agora faz parte da equipe da Roadie Crew, De Fã a Ídolo é uma obra transparente, empolgante e que vai muito além da música. O livro narra a trajetória de Aquiles desde a infância sofrida e cheia de desafios diários até a consagração profissional ao lado do Angra e do Hangar. O texto ágil e bem amarrado de ACM faz com que a leitura flua fácil e o leitor não tenha vontade de desgrudar os olhos das páginas.


Diferente do que se encontra habitualmente nos livros do tipo, De Fã a Ídolo não se resume a apenas relatar o que aconteceu nos quase 40 anos de vida de Aquiles (ele nasceu em 25 de junho de 1971), traçando interessantes relações com os problemas que todos nós, em algum momento, encontramos na vida. Ainda que em alguns trechos essas associações soem meio piegas, no geral o resultado é positivo, revelando outra faceta do livro: a força que a gente precisa, de vez em quando, para enfrentar o dia a dia, superar algum obstáculo, não desistir dos nossos sonhos.

Aquiles deixa claro durante todo o livro a sua paixão pelo Iron Maiden, mais especificamente sobre o modo com que Steve Harris sempre dirigiu a banda e a grande influência que Nicko McBrain teve não só no seu modo de tocar, mas na própria decisão de ser músico. Um dos momentos mais emocionantes acontece quando Aquiles narra o encontro que teve com Nicko em Londres durante um evento exclusivo para bateristas e conversou longamente com o batera do Maiden.

Historicamente, o período anterior à criação do Hangar e a entrada no Angra, quando Aquiles vagou por dezenas de bandas primeiramente em Foz do Iguaçu e depois em Porto Alegre, é de grande valia para os fãs, pois mostra como o cara que hoje é apontado como um dos melhores bateristas do mundo nunca desistiu naquilo que acreditava, e em como foi encontrando e desenvolvendo o seu estilo.

Esclarecedor também é o período em que Aquiles se afastou da música e focou todas as suas energias na Dana Corporation, empresa norte-americana onde ingressou no departamento de marketing. As ideias de Aquiles fizeram com que ele se destacasse e acabasse saindo de Porto Alegre e sendo enviado para a unidade da Dana em São Paulo. Essa transferência aconteceu um pouco antes da entrada de Aquiles Priester no Angra, e, com absoluta certeza, foi fundamental para que isso acontecesse.


Mas os trechos mais importantes e chamativos de De Fã a Ídolo ocorrem quando o assunto é o Angra. Aquiles narra os primeiros encontros com Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, e em como os três definiram e aprimoraram os arranjos das faixas que fizeram parte de Rebirth, álbum lançado em 2001. Aquiles foi o primeiro a entrar na banda após a saída traumática de Andre Matos, Luís Mariutti e Ricardo Confessori, e só depois que as músicas já estavam em adiantado estado de composição é que Edu Falaschi e Felipe Andreoli foram anunciados como integrantes.

Fica claro que os problemas enfrentados pelo Angra tinham a sua raiz totalmente na adminisstração das finanças da banda, nas mãos de Antônio Pirani, o dono da Rock Brigade. As coisas nunca ficavam claras para o trio que chegava ao grupo, com Aquiles, Edu e Felipe de um lado e Kiko e Rafael de outro. Aquiles deixa clara a sua admiração por Kiko e Rafael como músicos, mas também fala claramente o que pensa a respeito de ambos – na opinião do baterista, Rafael Bittencourt é a mente pensante por trás da música do Angra, o verdadeiro maestro do grupo, quem faz as coisas acontecerem, enquando Kiko, nas palavras de Aquiles, “sempre poupava ser agradável”.

O texto não se furta de nada, falando claramente sobre os problemas internos e administrativos que o Angra atravessou durante o processo de composição e gravação do álbum Aurora Consurgens (2006) e que culminaram com a saída de Aquiles em 2008. O músico fala inclusive que ele, Edu Falaschi e Felipe Andreoli comunicaram a Kiko e Rafael que estavam saindo do grupo em conjunto, mas os dois últimos acabaram retornando mais tarde. A polêmica história sobre a agressão física entre Rafael Bittencourt e Aquiles, que acabou em vias de fato, bem como a transparente e bombástica entrevista dada por Aquiles para a Roadie Crew no período, onde falou de forma aberta sobre os problemas do grupo e a insatisfação que sentia, estão no livro, formando um documento muito interessante sobre aquela que é uma das mais importantes bandas do heavy metal brasileiro.

É revelador também conhecer a opinião de Aquiles Priester sobre o álbum Temple of Shadows (2004), considerado pelo baterista o seu melhor trabalho no Angra e um dos grandes discos da história do metal, opinião idêntica a que possuo, já que, para mim, Temple of Shadows entra fácil na lista dos melhores discos de power metal / metal melódico de todos os tempos. A parte final do livro é focada no Hangar e nas atividades recentes do conjunto, como não poderia deixar de ser.


Alguns pontos devem ser levados em conta ao final da leitura de De Fã a Ídolo. O livro é ótimo, e uma grande lição de vida. Fica claro com o passar da história que Aquiles, como lhe falou um companheiro das antigas, “nasceu para ter a sua própria banda, para liderar o seu próprio grupo”. Isso, aliado aos problemas internos vividos pelo Angra, foram os fatores que levaram o baterista a deixar o conjunto, afinal dois “machos alfa” como ele e Kiko Loureiro jamais conseguiriam conviver de maneira harmoniosa em uma mesma banda. Ainda em relação ao Angra, é importante lembrar que o que está em De Fã a Ídolo é a visão de apenas um dos lados da história, portanto sair julgando as coisas sem conhecer o outro lado é uma atitude um tanto precipitada, apesar de, pela simpatia e proximidade que Aquiles sempre demonstrou com os fãs em sua carreira, isso ser meio inevitável.

De Fã a Ídolo é um grande livro, um documento sobre a carreira de um dos músicos mais talentosos e, acima de tudo, profissionais que o metal brasileiro já conheceu. Sua leitura é obrigatória não só para os fãs de Aquiles Priester, do Hangar e do Angra, mas para qualquer pessoa que curta música e relações humanas. Recomendável, e ponto final!

Lançamentos da semana – 29/01 a 04/02/2011!

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Por Ricardo Seelig

Prontos para conferir os discos mais legais que chegam às lojas nessa semana? Vamos lá então! Marianne Faithfull retorna com Horses and High Heels, enquanto o UK Subs, um dos maiores ícones do punk britânico, também volta ao batente com Work in Progress, seu primeiro álbum desde Violent State (2005).

Tem ainda o novo do sempre ótimo North Mississipi Allstars, o disco de covers do Stryper (com uma das piores capas de todos os tempos, fácil), lançamento exclusivo dos brasileiros do MindFlow no mercado norte-americano, o aguardado novo álbum dos russos do Pushking – com participações especiais de gente como Paul Stanley, Billy Gibbons, Alice Cooper, Glenn Hughes e mais um monte de malucos -, mais um item para a sua infinita coleção do Grateful Dead, o rap de Talib Kweli (belíssima capa!), os noruegueses do Kaizers Orchestra (outro disco com uma capa de tirar o chapéu!), caixa com oito álbunsdo Hot Chocolate e mais algumas delícias.

Confira!

27 de jan de 2011

Mixtape Collector´s Room #001: quem disse que não tem música boa rolando?

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Por Ricardo Seelig

Aumentem o volume porque tem novidade na Collector´s Room: a partir de hoje teremos uma mixtape para levar bons sons até você!

Mas o que é uma mixtape? Uma mixtape é uma seleção de músicas, mais ou menos como aquelas fitas K7 que você gravava quando era um mero adolescente espinhudo. A principal diferença entre a mixtape e os antigos podcasts da Collector´s é que você só ouvirá música e não terá que ficar escutando a minha voz aí do outro lado.

Cada mixtape será temática, com um tema específico, totalizando aproximadamente uma hora de duração. Elas pintarão aqui no site de tempos em tempos, sempre levando sons diferentes e interessantes para você.

Pra começar com o pé direito, uma seleção só com discos recentes – alguns ainda quentinhos, mal saídos do forno -, mostrando que há, sim, música de qualidade sendo produzida em todo o mundo, ao contrário do que aquele seu amigo bolha pensa.

Clique aqui para baixar a Mixtape #001 da Collector´s Room!

Link alternativo no Megaupload.





Confira o tracklist abaixo:


The Decemberists – Don´t Carry It All
The Decemberists – Down by the Water
Álbum: The King is Dead (2011)

Blitzen Trapper – Love and Hate
Álbum: Destroyer of the Void (2010)

Drive-By Truckers – Used to Be a Cop
Álbum: Go-Go Boots (2011)

Mondo Drag – True Visions
Álbum: New Rituals (2010)

Iron & Wine – Tree by the River
Iron & Wine – Walking Far From Home
Álbum: Kiss Each Other Clean (2011)

Cake – Long Time
Álbum: Showroom of Compassion (2011)

Mumford & Sons – The Cave
Álbum: Sigh No More (2010)

Arcade Fire – Modern Man
Álbum: The Suburbs (2010)

Destroyer – Savage Night at the Opera
Álbum: Kaputt (2011)

Dirty Sweet – Get Up, Get Out
Dirty Sweet – American Spiritual
Álbum: American Spiritual (2010)

Ouçam com atenção. Tem um monte de sons legais nessa primeira edição, bandas que estão fazendo um ótimo trabalho e que merecem ser conhecidas por todo mundo que gosta de música. E, claro, eu vou querer saber a opinião de vocês sobre as faixas e os grupos, então coloque a boca no trombone nos comentários!

Espero que vocês curtam mais essa novidade da Collector´s!

Discos Injustiçados: Deep Purple - Who Do We Think We Are (1973)

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Por Ronaldo Costa

Imagine a seguinte situação: você faz parte de uma banda de rock que encontra uma formação muito bem equilibrada. Os integrantes são simplesmente extraordinários naquilo que fazem. Todos são músicos de capacidade e inventividade incontestável. Você e seu conjunto então lançam uma sequência de três discos que se tornam obras essenciais do estilo e passam a ser influência básica de boa parte do que viria depois. Não satisfeito com isso, ainda aparecem com outro álbum que se transforma num dos mais impressionantes registros ao vivo que se tem notícia. Após realizar tudo isso e chegar ao auge, de que forma você daria continuidade à sua carreira? No caso do Deep Purple, a resposta a tal questionamento é o que discutiremos agora.

Por mais que existam debates acerca de quais foram as melhores formações e fases do Deep Purple, não há como negar que o período mais produtivo e de maior sucesso da banda ocorreu no início dos anos 1970. Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Jon Lord, Roger Glover e Ian Paice constituíram o que ficaria imortalizado como MK II. Em um espaço de tempo relativamente curto, essa formação concebeu clássicos absolutos como In Rock (1970), Fireball (1971), Machine Head (1972) e Made in Japan (1972). O Purple atingia dessa forma o status de um dos maiores e mais influentes nomes do rock no mundo. Exaltados como uma banda virtuosa, que normalmente brindava seus fãs com apresentações ao vivo vigorosas e ainda ostentando um enorme sucesso comercial à época, não haveria como não considerar que realmente tinham chegado ao topo.

No entanto, chegar e, principalmente, manter-se no topo não é somente um mar de rosas, traz consigo exigências cada vez maiores e uma pressão absurda para que se faça algo sempre de qualidade melhor e de mais sucesso do que o já realizado, seja por parte dos fãs ou da mídia. Com isso, o ritmo intenso de trabalho, aliado à já referida pressão sobre o grupo, acabariam cobrando o seu preço. Os membros da banda, notadamente Ian Gillan e Ritchie Blackmore, reconhecidamente tinham personalidades fortes, além de pontos de vista diferentes sobre determinadas coisas.

Obviamente, isso geraria, no decorrer dos anos, tensões crescentes e cumulativas. O cansaço físico e mental a que estavam expostos acabaria por elevar tais divergências a um nível além do aceitável, de forma que a relação pessoal entre o vocalista e o guitarrista praticamente deixou de existir. Só que, no meio disso tudo, havia um grupo com uma carreira a seguir, contratos a cumprir e, o mais importante, uma legião de fãs fervorosos sedenta por shows e por mais material novo. Diz a história que, ainda no final de 1972, Gillan avisou que deixaria o Purple em seis meses, para que seus colegas e os empresários decidissem o que fazer da banda. É dentro desse contexto que em fevereiro 1973 é lançado o álbum Who Do We Think We Are.

Uma das últimas imagens da MK II

É claro que para existir o melhor também tem que existir o pior. Entretanto, nem sempre falar que uma coisa é melhor que outra implica em dizer que uma é boa e a outra é ruim. Algumas pessoas não entendem bem quando se diz que um disco é injustiçado ou subestimado. Consideram que o que está sendo falado ou escrito é que tal álbum é melhor que os outros, ou imaginam que se está afirmando que ele é um clássico atemporal. Bem, não é isso. O que está em questão é tão somente o fato de se compreender que uma determinada obra tem reconhecimento e importância histórica aquém da sua real qualidade. E aqui temos mais um exemplo muito bem acabado disso.

Embora não tenha sido um fracasso comercial retumbante, Who Do We Think We Are não agradou boa parte dos fãs e da crítica já na época de seu lançamento. Importantes publicações especializadas em música naquele tempo já o pintavam como “um disco totalmente deslocado”, “o fim da capacidade criativa da banda”, “um conjunto funcionando no piloto automático” e por aí vai. Muitos se questionavam sobre onde teria parado o virtuosismo dos caras. Outros o criticavam pela falta de peso, de vigor, da própria essência e musicalidade do grupo. Suas canções jamais figuraram entre as mais pedidas pelos seguidores da banda nas apresentações ao vivo. Se um fã for solicitado a apontar dez ou mesmo quinze clássicos do Deep Purple, são enormes as chances de não aparecer nenhuma música deste álbum na hipotética lista. Nenhum dos integrantes envolvidos no trabalho jamais demonstrou morrer de amores pela obra. Chega-se ao ponto de algumas pessoas até mesmo ignorarem a existência desse disco, ou então lembrarem-se apenas de “Woman From Tokyo”. Mais do que isso, até mesmo em algumas entrevistas e vídeos retratando parte da história da banda o álbum foi sumariamente esquecido!

Tudo bem, você até pode dizer que os demais discos gravados por aquela formação são melhores. Pode ir além e afirmar que a MK II só tinha clássicos no currículo até então. Ninguém vai criticá-lo por isso. Pelo contrário, muitos dirão “esse cara sabe do que está falando”. Só que uma coisa é considerar que In Rock, Fireball, Machine Head ou até mesmo Burn, que veio depois e com outra formação, sejam obras melhores ou mais queridas. Outra coisa é julgar um trabalho como algo realmente ruim. Se for feita uma análise um pouco mais detalhada das sete faixas que compõem o álbum em discussão aqui, será que o disco é tão fraco como o tratamento dispensado a ele nos leva a acreditar? Será essa mais uma daquelas conversas de fã, cego pelo fanatismo e querendo justificar as presepadas de seus ídolos?


A bolacha começa com o single “Woman From Tokyo”, sem dúvidas a canção mais conhecida do disco e a que pode ostentar o status de clássico. Muita gente, de forma absurda, acusava a música de ser uma tentativa frustrada de repetir o sucesso de “Smoke on the Water”, devido ao tipo de introdução e de riff que iniciava ambas as faixas. O fato é que a canção traz mais um dos riffs clássicos de Ritchie Blackmore e já dá sinais de que o disco é mais calcado em riffs do que em solos, no que diz respeito às guitarras. Uma parte mais calma no meio mostra o quanto o Purple é capaz quando quer desenvolver partes mais melódicas e sentimentais.

Na sequência temos “Mary Long”, com sua letra bem humorada, uma cutucada em Mary Whitehouse, britânica que se tornou famosa por sua cruzada em defesa da moralidade. Nessa faixa, além da boa levada e do ritmo constante, Blackmore se destaca com um ótimo solo. “Super Trouper” traz uma guitarra com o principal de sua agressividade residindo na melodia em detrimento da distorção, alternando com lapsos de algo mais psicodélico, sobretudo no refrão. O trabalho do baixo de Roger Glover também é digno de nota.

A seguir somos levados ao momento mais agitado do disco, inicialmente com “Smooth Dancer”, um rock clássico, direto, dos mais contagiantes do álbum. Lembra vagamente a levada de “Speed King”. O bom e velho Hammond de Jon Lord ganha nessa faixa o seu primeiro grande destaque no álbum. O mais impressionante, no entanto, é a letra, onde Ian Gillan deixa bem claros seus sentimentos por Ricthie Blackmore. Fica sempre a dúvida: será que o guitarrista não entendeu sobre o que tratava a letra antes de gravá-la? E, se entendeu, como não hesitou em gravá-la?

O que dizer então de “Rat Bat Blue”, música que tinha todas as condições de se transformar num dos grandes clássicos da banda, daqueles presentes em todos os shows? Desde seu riff inicial, passando pelo groove meio 'zeppeliniano', até desembocar no solo fantástico de Jon Lord e na batida firme de Ian Paice, uma pérola meio que esquecida pelo grupo e pelos fãs.

O blues “Place in Line” mostra mais uma vez o virtuosismo da banda, sobretudo de Blackmore, em seu melhor momento no álbum. Ian Gillan comparece com um vocal carismático e totalmente bem encaixado na proposta da faixa, ainda que cantando blues, que não era a sua especialidade. Fechando o álbum, temos a semi-balada “Our Lady”, canção simples, fácil de assimilar, pela melodia simples e mais pop, sem, no entanto, soar piegas.


O desempenho individual dos músicos nesse trabalho talvez não tenha superado aquele obtido nos discos anteriores com a mesma formação. Entretanto, dizer isto está longe de considerar que todos eles não tenham atingido uma ótima performance. Ian Gillan não apresentou os vocais agudos absurdos verificados em discos como In Rock e Machine Head, por exemplo, mas soube encaixar muito bem sua voz em todas as canções, além de interpretar com maestria todas as letras. Blackmore focou seu trabalho mais no desenvolvimento de riffs e melodias do que na composição de solos enlouquecidos ou nas viagens sonoras que embarcou em obras anteriores (e posteriores). Jon Lord, quando apareceu em destaque nas músicas, apareceu bem demais, como sempre foi a tradição de um dos maiores tecladistas da história. Roger Glover mostrou a competência de sempre, segurando com classe a cozinha ao lado de Ian Paice, este último, como já escrito em várias resenhas de material do Purple, um sujeito que parece nunca ter passado por maus momentos, musicalmente falando.

Como que um disco que contém melodias cativantes, instrumental bem executado, uma excelente voz a dar vida às letras, além de uma identidade própria, pode ser visto como algo fraco? Who Do We Think We Are foi atacado por ser um álbum menos pesado, menos virulento que a média da obra da banda. No entanto, sua essência mais branda de forma alguma deveria depor contra ele. Sua natureza mais melódica e seu flerte com o pop, como já era de se esperar, desagradaram muita gente. Apesar disso, essas características não parecem ter surgido de maneira premeditada, objetivando uma maior penetração no mercado. Soam apenas como o registro de uma banda num momento musical menos intenso e com uma sonoridade mais despojada, embora sob o ponto de vista de relacionamento interno a coisa estivesse ocorrendo de forma totalmente antagônica, algo que é perfeitamente notado nas letras que, a despeito da sonoridade mais leve, são carregadas de raiva, frustração e pessimismo. Ninguém jamais poderá acusá-lo de ser um álbum mal produzido, mal trabalhado ou pobre na questão instrumental. Ele era apenas um Deep Purple um pouco diferente daquele que se estava acostumado a ver e ouvir. Além disso, todos os problemas internos do grupo também ajudaram nas avaliações negativas sobre o álbum.

Se para muitos o disco não foi superior ao restante da obra da MK II, ele também não era, e não é, merecedor de tamanha indiferença ou das críticas com que sempre teve que conviver. Quando um determinado artista na música já tem uma trajetória constituída, é quase impossível não comparar um novo trabalho com aquilo que já existe. Ainda assim, o que faz de um disco algo bom ou ruim são única e exclusivamente as músicas contidas nele e não o fato de haver algo anterior melhor ou pior. Who Do We Think We Are provavelmente não é o melhor e nem o segundo melhor disco do Deep Purple, mas é composto por um conjunto de canções muito boas se analisadas com a mente aberta e sem preconceitos. Muito de sua má acolhida pode ser atribuída ao fato de que, após uma sequência de discos tão memorável, a expectativa da grande maioria das pessoas era de que o próximo trabalho fosse algo perfeito, acima do bem e do mal. O interessante é que muitas bandas de relativo sucesso atravessam uma carreira inteira sem conseguir conceber um material do mesmo nível aqui observado.

Como essa história continuou, todos já sabem. Ian Gillan saiu, sendo seguido pouco tempo depois pelo antigo parceiro Roger Glover. Para seus lugares, a banda contratou o então novato David Coverdale e o baixista/vocalista Glenn Hughes. Surgia ali a MK III, outra formação que se tornaria clássica, que conceberia grandes álbuns nos anos que se seguiriam e que até hoje envolve polêmicas entre os fãs, já que muita gente a considera tão boa quanto a anterior. Mas isso é conversa para uma outra ocasião.

Agora, procure dar mais uma passada pelas faixas que compõem Who Do We Think We Are, preste bastante atenção em cada uma delas e depois deixe a sua opinião. Será ele realmente um disco subestimado ou tem apenas o tratamento que sempre mereceu? A palavra é sua.


Faixas:
A1 Woman From Tokyo 5:45
A2 Mary Long 4:20
A3 Super Trouper 2:53
A4 Smooth Dancer 4:04

B1 Rat Bat Blue 5:12
B2 Place in Line 6:24
B3 Our Lady 4:56

Wilco: banda anuncia a criação de seu próprio selo!

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Por Ricardo Seelig

Após anunciar a sua saída da Nonsesuch Records, o Wilco revelou que criou seu selo próprio. A estampa se chamará dBpm Records e será administrada por Tony Margherita, manager do grupo. A ANTI-Records cuidará da distribuição.

A princípio a dBpm será responsável pelos lançamentos futuros do Wilco e "mais algumas coisas", já que o catálogo da banda não está em suas mãos no momento. O grupo não deu detalhes do que seriam essas "coisas a mais".

Fotos do Loft, o estúdio do Wilco em Chicago

Segundo Jeff Tweedy, vocalista, guitarrista e líder do Wilco, "sempre gostamos de fazer nós mesmos as nossas coisas, portanto ter a nossa própria gravadora é uma consequência natural. E é legal trabalhar em parceria com a ANTI-Records, um selo que foi criado por um cara punk para distribuir e promover os seus trabalhos".

O Wilco está no momento trabalhando em seu novo álbum em seu próprio estúdio, o Loft, em Chicago. Ainda não foram divulgados o título do trabalho e nem a sua data de lançamento.

Descobertas três gravações inéditas de John Coltrane!

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Por Ricardo Seelig

Fãs de jazz, respirem fundo: foram descobertas três novas e inéditas faixas de John Coltrane, considerado por muitos o maior e mais influente saxofonista do gênero!

As três músicas foram registradas nas demo sessions do álbum Africa/Brass (1961), estreia de Coltrane pelo lendário selo Impulse. Essas sessões foram conduzidas pelo trompetista Cal Massey, amigo de longa data de John Coltrane. As fitas com as faixas ficaram todo esse tempo com Zane Massey, filha de Cal.

As três gravações inéditas incluem uma versão para o standard "Laura" e para duas composições de Massey, "The Damned Don´t Cry" e "Nakatini Serenade", essa última em uma versão mais lenta daquela registrada por Coltrane para a Prestige em 1968.


As três faixas serão lançadas em abril no box First Impulse: The Creed Taylor Collection, caixa com 4 CDs celebrando os 50 anos da gravadora Impulse. Completando o pacote, o box trará também os seis primeiros discos produzidos por Taylor para o selo, e também um CD somente com raridades.

Aguardamos ansiosamente!

Rush: o novo livro de Neil Peart!

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Por João Renato Alves

O quinto livro do baterista do Rush, Neil Peart, será lançado no dia primeiro de maio, via ECW Press.

Far and Away: A Prize Every Time traz histórias de turnês, viagens e descobertas pessoais em 260 páginas. Neil compartilha seu amor pela bateria, motocicletas e a estrada, ao mesmo tempo que explora horizontes físicos e espirituais. Também compartilha observações sobre a natureza, sociedade e sobre si.

Fotos coloridas dessas aventuras ilustram a publicação.

26 de jan de 2011

Os 56 anos de Eddie Van Halen!

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Por Ricardo Seelig

O Van Halen é o Led Zeppelin da minha geração: a mais importante, influente e melhor banda de hard rock de sua época. Eles são o arquétipo do rock pesado. O vocalista louro carismático, um baixista virtuoso e dono do melhor backing vocal dos anos 1980, um baterista monstruoso e repleto de feeling e um guitarrista que redefiniu a forma de tocar o instrumento. Quando estavam no auge, entre 1978 e 1984, não houve melhor banda de hard rock no planeta.

Depois, com a saída de David Lee Roth e sua substituição por Sammy Hagar, o som do Van Halen sofreu uma mudança significativa, incorporando influências de AOR e deixando de lado a crueza e energia dos primeiros anos, mas mesmo assim sempre gerando excelentes composições. Seja com David Lee Roth ou com Sammy Hagar, o Van Halen sempre foi uma grande banda.


Hoje, Edward Lodewijk Van Halen completa 56 anos. Considerado o guitarrista mais influente da história depois de Jimi Hendrix, Eddie inovou profundamente o modo de tocar guitarra. A instrumental “Eruption”, presente no primeiro disco do grupo, lançado em 1978, caiu como uma bomba, transformando de maneira definitiva a forma como cada guitarrista subsequente gostaria de tocar e soar. Sem Eddie não haveria Malmsteen, Satriani, Vai e toda a avalanche de guitar heros que surgiu nos anos 1980.


A discografia do grupo é formada por onze álbuns de estúdio e um ao vivo. Da primeira fase, com David Lee Roth, é fundamental que você tenha, ao menos, dois discos: a fenomenal estreia, Van Halen (1978), e o último com Diamond David, o multiplatinado 1984 (1984).

Do período com Sammy Hagar, os meus preferidos são os dois primeiros – 5150 (1986) e OU812 (1988) -, mas tanto For Unlawful Carnal Knowledge (1991) quanto Balance (1995) são excelentes trabalhos, comprovando o quão marcante foi a passagem do Red Rocker pelo grupo. No final das contas, com exceção do horrososo Van Halen III, lançado em 1998 com o ex-Extreme Gary Cherone no vocal, todos os discos da banda valem muito a pena.


Atualmente a banda está em estúdio gravando seu primeiro álbum de inéditas desde Van Halen III, trabalho que marcará também o retorno de David Lee Roth ao conjunto, ao lado de Eddie, Alex e de Wolfang Van Halen, filho de Eddie, que substituiu Michael Anthony no baixo.

Como todo gênio, a vida de Eddie Van Halen tem seus altos e baixos. Alcoólatra, o guitarrista passou por maus momentos na década de 2000, fazendo aparições públicas com um visual que chocou os fãs. O alcoolismo custou o casamento de Eddie e o relacionamento com Sammy Hagar, mas, ao que tudo indica, parece estar sob controle atualmente.


Hoje é o dia de reverenciar um dos maiores músicos que o rock já conheceu. Edward Van Halen é um gênio. Inovador, criativo e brilhante, redefiniu a guitarra como antes somente Hendrix conseguiu fazer, e como ninguém mais fez depois. Além disso, usou com sabedoria sua técnica, revelando-se um excelente compositor, responsável por canções que marcaram época.

Hoje é dia de ouvir Van Halen, então, faça a sua parte!

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