28 de jul de 2012

Testament: crítica de Dark Roots of Earth (2012)

sábado, julho 28, 2012
Em 7 de maio de 1997 estreou nos cinemas o filme O Quinto Elemento. Dirigido pelo francês Luc Besson e escrito pelo próprio Besson ao lado de Robert Mark Kamen, o filme é uma ficção científica cheia de efeitos visuais espetaculares estrelada por Bruce Willis, Gary Oldman, Ian Holm, Chris Tucker e Milla Jovovich. Está longe de ser uma obra-prima, mas é muito bem feito e adquiriu status de cult com o passar dos anos.


O que o filme tem a ver com Dark Roots of Earth, novo disco do Testament? Nada, absolutamente nada. No entanto, quando se pergunta para qualquer headbanger qual banda deveria fazer parte do Big 4 - o combo que une os quatro grandes do thrash norte-americano (Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax) - se houvesse espaço para um quinto nome, o grupo do vocalista Chuck Billy é a escolha da maioria. Nada mais justo. 


Prestes a completar 30 anos de carreira, o Testament lança Dark Roots of Earth, o seu décimo disco de estúdio. Produzido pelo respeitado Andy Sneap, o álbum chegou às lojas europeias ontem, 27 de julho, e desembarca nos Estados Unidos só na próxima terça, dia 31/07. Dark Roots of Earth é o sucessor de The Formation of Damnation (2008), considerado um dos melhores trabalhos do grupo. Para alegria de quem curte som pesado, a qualidade foi mantida.


Há uma mudança de formação no novo play. Sai o competente Paul Bostaph e em seu lugar retorna o monstruoso baterista Gene Hoglan (Dark Angel, Death, Fear Factory), que já havia gravado Demonic (1997) com a banda. Essa alteração deixou o som do Testament ainda mais agressivo, com passagens realmente insanas de bateria, com Hoglan colocando a sua experiência em metal extremo na jogada - ouça os blast beats de “True American Hate”, por exemplo.


No entanto, o principal destaque de Dark Roots of Earth está na dupla de guitarristas Alex Skolnick e Eric Peterson. Alex, principalmente, está brilhante. Um dos instrumentistas mais completos do heavy metal, com experiências bem sucedidas em outros gêneros como o jazz, por exemplo, Skolnick surge como o maestro do Testament atual. Ele torna as composições criadas pelo parceiro Eric Peterson muito mais fortes, inserindo ideias e virando de cabeça para baixo os arranjos. E é justamente esse modo de entender a música que torna o Testament atual tão bom e mortífero. O grupo toca thrash metal, mas não se prende nem por um segundo somente nele. Há uma amplitude, uma variedade estilística, que faz a música do Testament soar única.


Enquanto bandas novatas olham para o passado buscando influências para criar, em grande parte, músicas que apenas requentam o que de melhor o thrash já produziu em sua história, cabe a um dos grupos mais tradicionais do gênero dizer que o caminho para a renovação do estilo não é esse. Não é ohando para trás que o thrash vai andar para frente, e o Testament demonstra essa mentalidade de forma prática em seu novo álbum. Usando e abusando da melodia, que se equilibra com o lado mais agressivo da sonoridade do grupo - aspecto que ficou, como disse, ainda mais acentuado com a adição de Gene Hoglan -, o Testament mostra que é justamente a adição de novos elementos e influências que faz não somente o thrash, mas qualquer gênero musical, se renovar e ficar mais forte, tornando-se sempre relevante.




As composições de Dark Roots of Earth são fortes e, em grande parte, excelentes. Chuck Billy está cantando muito bem, como de costume. Mas o que faz o disco brilhar e voar alto é o trabalho de guitarras. As melodias são onipresentes. As bases e riifs de Peterson despejam peso, enquanto Skolnick soa sempre surpreendente. É impossível prever para onde ele irá a cada intevenção, a cada solo. E tudo isso é ancorado pela fenomenal e sólida cozinha formada por Hoglan e pelo baixista Greg Christian.


Entre as faixas, destaque para “Rise Up”, que abre o disco com classe absoluta. “Native Blood” tem o melhor refrão do disco e riffs excelentes, e inscreve-se desde já entre as melhores músicas da carreira do Testament. “True American Hate” é outra pedrada, enquanto a faixa-título retoma a aproximação que o thrash, de uma maneira geral, sempre teve com o rock progressivo, com ricas e complexas passagens instrumentais e um arranjo crescente. “Throne of Thorns” é uma odisséia de mais de sete minutos com riffs animalescos e a melhor performance de Chuck em todo o disco. 


E há “Cold Embrace”, uma surpreendente balada que pode dividir opiniões entre os fãs. Alguns irão gostar, enquanto outros poderão julgá-la desnecessária. De fato, “Cold Embrace” destoa totalmente das outras oito faixas de Dark Roots of Earth. A faixa leva a música do Testament para um terreno até então inédito - o caso, o classic rock. Sem economizar na sacarose nas linhas vocais, a banda usa do clássico expediente “início lento com explosão pesada no final”, explorando o contraste entre os momentos distintos da composição. Entretanto, a empreitada não convence e soa cansativa e sem inspiração, sensação totalmente contrária à causada pelas demais músicas do disco. Além de tudo, se estende até quase beirar os oito minutos em uma estrutura repetitiva que não acrescenta nada ao trabalho.


A versão normal de Dark Roots of Earth tem 9 faixas, mas a edição especial do disco conta com quatro faixas bônus. Três delas são covers - “Dragon Attack” do Queen, “Animal Magnetism” do Scorpions e “Powerslave” do Iron Maiden -, enquanto a quarta é uma gravação ligeiramente diferente e um pouco mais longa de “Throne of Thorns”. “Dragon Attack” é diversão pura, e sua audição deixa isso latente. “Animal Magnetism” ganhou doses cavalares de peso e ficou maravilhosamente sombria. E “Powerslave” parece ter nascido para ser regravada por uma banda de thrash metal, já que a sua estrutura intrincada e cheia de mudanças de andamento casa perfeitamento com o estilo, como demonstra a competente releitura do Testament.


Dark Roots of Earth é um ótimo disco. Em se tratando de thrash metal, provavelmente o melhor de 2012. Vale, e muito, o play!


Nota: 8,5


Faixas:
  1. Rise Up
  2. Native Blood
  3. Dark Roots of Earth
  4. True American Hate
  5. A Day in the Death
  6. Cold Embrace
  7. Man Kills Mankind
  8. Throne of Thorns
  9. Last Stand For Independence
Bonus:
  1. Dragon Attack
  2. Animal Magnetism
  3. Powerslave
  4. Throne of Thorns

Ouça versão do Arctic Monkeys para “Come Together”, dos Beatles

sábado, julho 28, 2012
A cerimônia da abertura das Olimpíadas de Londres, ontem, 27 de julho, teve diversos momentos musicais antológicos. Não poderia ser diferente, afinal estamos falando da ilha mais rock and roll do planeta. Infelizmente, os vídeos disponíveis no YouTube estão sendo bloqueados pelo Comitê Olímpico Internacional por violação dos direitos autorais, o que nos impede de postá-los aqui.


Um dos momentos mais legais aconteceu quando o quarteto Arctic Monkeys subiu ao palco e mandou ver uma versão competente e muito próxima da original de “Come Together”, clássico dos Beatles. A banda também disponibilizou uma versão de estúdio para a sua versão, e você pode escutá-la abaixo:

Hellion Records chegando com vários lançamentos

sábado, julho 28, 2012
Uma das principais gravadoras brasileiras dedicadas ao heavy metal e ao hard rock, a Hellion Records preparou uma avalanche de lançamentos para as próximas semanas. Anote na agenda!


A estreia do Soen, Cognitive, já está disponível em edição nacional. A nova banda do baterista Martin Lopez, ex-Opeth, ao lado do baixista Steve DiGiorgio (Sadus, Testament, Death, Iced Earth) faz um som que mistura elementos de metal com progressivo, pendendo mais para o segundo. A música é bem percussiva e interessante, com uns lances meio Tool. Recomendo!



Também na mão em edição nacional o novo EP do Gamma Ray, Skeletons & Mejesties. O disquinho tem versões para faixas raramente ou nunca executadas pela banda ao vivo, além de uma releitura acústica da clássica “Rebellion in Dreamland”. Item de colecionador!




O novo do Ten, Stormwarning, também ganhou uma edição nacional pela Hellion. O CD já está disponível para venda no site da gravadora e nas melhores lojas. Altamente indicado para quem curte hard rock de qualidade e bastante melodia.




Mais para frente, dia 17 de agosto chega às lojas o novo ao vivo do Stratovarius. O CD duplo e o DVD Under Flaming Winter Skies trazem os shows de despedida do baterista Jörg Michael, que deixou do grupo. O CD conta com os maiores sucessos da banda, enquanto o DVD, além do show, vem com um documentário de 30 minutos, entrevistas com os músicos e um depoimento de Michael sobre os motivos que o levaram a sair da banda. Só lembrando, o Stratovarius já tem um novo baterista, Rolf Pilve.




Dia 17 também é a vez de um item que anda atiçando os colecionadores desembarcar nas lojas brasileiras. Trata-se do CD duplo WhoCares, da parceria entre Ian Gillan e Tony Iommi. O álbum traz 18 faixas raras, ao vivo e difíceis de serem encontradas, gravadas pelas duas lendas do rock ao longo de suas carreiras. Além disso, estão no disquinho as duas excelentes composições que a dupla lançou como single em 2011, “Out Of My Mind” e “Holy Water”, que contaram com a participação de Jon Lord, Nicko McBrain e Jason Newsted. Um item histórico, sem dúvida!




E no dia 31 de agosto chega às lojas o duplo ao vivo ACT 1, de Tarja Turunen. O disco traz um show gravado em Rosario, na Argentina, nos dias 30 e 31 de março deste ano. O tracklist traz faixas da carreira da cantora, hits do Nightwish - como “Nemo” e “Over the Hills and Far Away” - e releituras para composições de outras bandas. Ao contrário dos lançamentos recentes de Tarja, ACT 1 é focado no rock e não na música clássica. ACT 1 será lançado em CD duplo e também em DVD duplo.


Parabéns a Hellion pelos ótimos lançamentos, e que o nível do trabalho da gravadora permaneça elevado como está!


Para maiores informações, acesse os sites da Hellion:

27 de jul de 2012

Classic Rock e Metal Hammer lançam edição especial dedicada à cena gótica da década de 1980

sexta-feira, julho 27, 2012
A revista inglesa Classic Rock acaba de lançar mais uma edição especial dedicada ao sempre crescente mercado de rock clássico. Intitulada The Cure & The Story of the Alternative 80s, a publicação passa a limpo grande parte da cena pop e rock gótica dos anos 80.


Matérias especiais com The Cure, The Cult, Siouxie & The Banshees, The Damned e entrevistas exclusivas com Sisters of Mercy, Peter Murphy, The Mission, Love and Rockets, Killing Joke e Fields of Nephilim são os destaques do especial, que enfoca também grupos mais atuais influenciados pela sonoridade daquela época, como Marilyn Manson, HIM, Cradle of Filth, Nightwish, White Zombie, Tiamat e Type O Negative.


A edição traz também reviews das músicas e discos que marcaram a década, e um CD de brinde com sons clássicos do período. 


A revista já está em pré-venda neste link.




David Bowie na capa da nova edição da Mojo

sexta-feira, julho 27, 2012
A fase eletrônica de David Bowie é o destaque da nova edição da revista inglesa Mojo, uma das mais respeitadas publicações sobre música de todo o planeta. O novo número da Mojo traz uma matéria especial sobre como a música eletrônica salvou a carreira de David Bowie no final da década de 1970.


Além disso, matérias com Animal Collective, Van Dyke Parks, Liz Fraser e a cobertura do festival da Ilha de Wight deste ano, e, pra completar, uma lista com os 50 discos mais importantes de música eletrônica já lançados.


Como acontece com a grande maioria das revistas gringas, a nova Mojo vem com um CD de brinde dedicado totalmente ao som eletrônico.


Para comprar ou assinar a revista, vá até o site da publicação.




Conheça a capa de Battle Born, o novo disco do The Killers

sexta-feira, julho 27, 2012
O The Killers divulgou a capa de seu novo disco, Battle Born


O quarto álbum do grupo chega às lojas dia 18 de setembro com uma arte que é pura Las Vegas, cidade natal da banda. O trabalho foi produzido pela própria banda ao lado de nada mais nada menos que cinco produtores diferentes - Stuart Price, Steve Lillywhite, Damian Taylor, Brendan O’Brien e Daniel Lanois.


Confira a capa de Battle Born abaixo:



Joe Strummer na capa da nova Uncut

sexta-feira, julho 27, 2012
O novo número da inglesa Uncut, uma das melhores revistas de música do mundo, acaba de sair e traz o lendário Joe Strummer, vocalista e guitarrista do The Clash, em sua capa. A publicação tem uma matéria especial sobre os anos perdidos do músico, entre o final do grupo e a fase derradeira de sua carreira.


Além disso, a nova Uncut tem matérias com Captain Beefheart, Mark Knopfler, Animal Collective, Lynyrd Skynyrd, Bob Dylan e outros, além do tradicional CD gratuito, que neste número vem com 15 faixas retiradas dos álbuns mais recentes de artistas como Ry Cooder, Dirty Projectors e Jesca Hoop.


Para comprar ou assinar a Uncut, acesse o site oficial dos caras.




Testament na capa da nova edição da Decibel

sexta-feira, julho 27, 2012
A revista norte-americana Decibel colocou o Testament na capa de sua nova edição. A publicação bateu um papo com o grupo, que acaba de lançar o seu novo disco, Dark Roots of Earth.


Além do Testament, são destaques na nova edição da Decibel bandas como Ghost, Gojira, The Darkness, Periphery, Candlemass e outros.


Para comprar a nova edição ou assinar a revista, acesse o site oficial.




Lady Gaga estreará no cinema na sequência de Machete

sexta-feira, julho 27, 2012
O maior nome do pop atual, a norte-americana Lady Gaga, fará a sua estreia no cinema na sequência de Machete, filme de Robert Rodriguez que tem o ator Danny Trejo no papel principal.


Gaga fará o papel de La Chameleón em Machete Kills e já está em um dos pôsteres do filme. Não foram divulgados maiores detalhes sobre a personagem da cantora. Machete Kills já tem confirmado grande parte do seu elenco, incluindo nomes como Lindsay Lohan, Michelle Rodriguez, Vanessa Hudgens, Sofía Vergara, Mel Gibson, Jessica Alba, Zoe Saldana, Charlie Sheen e William Sadler, entre outros.


O primeiro filme, lançado em 2010, conta a história da luta de um policial mexicano contra chefões do crime organizado e do cartel de drogas, tudo embalado por muita violência, litros de sangue, nudez e uma trilha sonora de primeira.


Machete Kills estreará, a princípio, em meados de 2013.






Ouça a versão do Hellyeah para clássico do Def Leppard

sexta-feira, julho 27, 2012
A edição japonesa do novo álbum do Hellyeah, Band of Brothers, traz como bônus uma versão para “High ‘n’ Dry”, clássico do Def Leppard lançado originalmente no segundo disco da banda inglesa, de 1981.


Evidentemente, a releitura do Hellyeah é bem mais pesada e tem muito mais groove que a gravação original, realçando as características principais do novo grupo do baterista Vinnie Paul, ex-Pantera.


Ouça o cover e a original nos players abaixo, e diga pra gente qual você mais curtiu:

26 de jul de 2012

História em quadrinhos para amantes do jazz

quinta-feira, julho 26, 2012
Passou batido. Fiquei sabendo apenas hoje desse lançamento bacana pra quem gosta de jazz e quadrinhos. 

Bourbon Street – Os Fantasmas de Cornelius (publicação da editora gaúcha 8 Inverso) conta a história de Alvin, um guitarrista de terceira idade na Nova Orleans dos anos 90 que, desgostoso por nunca ter alcançado a fama com sua banda de jazz e swing, empolga-se com o sucesso comercial do grupo cubano Buena Vista Social Club. Alvin decide, então, remover seus antigos parceiros musicais do ostracismo e partir em busca de Cornelius, exímio e insubstituível trompetista desaparecido há 50 anos. Para isso, conta com a ajuda do fantasma de Louis Armstrong.

Primeiro volume de uma história dividida em duas partes, Bourbon Street – Os Fantasmas de Cornelius foi editada originalmente na França em 2011 e, em seguida, na Itália, na Holanda e na Alemanha. O segundo volume da obra será publicado na França em outubro de 2012; no Brasil, deve sair em 2013, também pela 8INVERSO. Este é o primeiro trabalho do roteirista Phillipe Charlot com quadrinhos; Alexis Chabert já tem diversos livros do gênero publicados. A HQ tem apresentação de Luis Fernando Verissimo.

A HQ tem 56 páginas, formato 28x21cm e custa, em média, R$ 51.

The Magic Numbers grava “You Don’t Know Me” para tributo aos 70 anos de Caetano

quinta-feira, julho 26, 2012
O quarteto londrino The Magic Numbers gravou uma versão de “You Don’t Know Me”, faixa de abertura do álbum Transa (1972), para um tributo aos 70 anos de Caetano Veloso.


Intitulado A Tribute to Caetano, o disco foi idealizado por Paul Ralphes e conta com 16 versões feitas por artistas nacionais e internacionais como Mutantes, Beck e outros. O álbum sairá em todo o mundo no próximo dia 7 de agosto, data em que Caetano comemora sete décadas de vida.


Assista ao clipe da competente releitura do Magic Numbers abaixo:

Ouça “I’m a Man”, a excelente nova música de Cee-lo Green

quinta-feira, julho 26, 2012
Prepare-se para ouvir uma das melhores músicas do ano! Cee-lo Green divulgou hoje a inédita “I’m a Man”. A faixa faz parte da trilha do filme Sparkle, que estreia nos Estados Unidos no próximo dia 17 de agosto mas só desembarca nos cinemas brasileiros no final do ano.


Com uma pegada totalmente setentista, metais espertos e o excelente - como sempre - vocal de Cee-lo, “I’m a Man” é contagiante!


O novo disco do cantor, que a princípio se chamará Everybody’s Brother, deve sair ainda em 2012. Se mantiver o que ouvimos em “I’m a Man” teremos um trabalho do mais alto nível, capaz de superar o já ótimo álbum anterior de Green, The Lady Killer, de 2010.


Caia no embalo de “I’m a Man” no player abaixo:

Assista “Noc-A-Homa”, o novo clipe do Black Lips

quinta-feira, julho 26, 2012
O quarteto viajandão Black Lips colocou na roda mais um clipe do seu último disco, Arabia Mountain, lançado em 2011.


O vídeo de “Noc-A-Homa” traz cenas e situações que fazem alusão à história de Chief Noc-A-Homa, mascote do Milwaukee e do Atlanta Braves, tradicional time de baseball norte-americano, da década de 1950 até 1986.


Assista abaixo:

Tire as crianças da sala e assista “Cut Myself in 2”, o novo clipe do Black Drawing Chalks

quinta-feira, julho 26, 2012
A banda goiana Black Drawing Chalks, uma das mais interessantes do atual rock brasileiro, lançou hoje o clipe da faixa “Cut Myself in 2”. A música faz parte do terceiro álbum do grupo, No Dust Stuck On You, que sairá ainda em 2012.


O vídeo é estrelado pela atriz Ana Elisa Campos, que se refresca em um sensual banho de rio no meio do mato. Já a música é um rock muito bem feito, com um bom riff de guitarra e um clima tranquilo e insinuante. Destaque para a produção também.


Assista em alto e bom som:

Discos Fundamentais: Easy Rider OST (1969)

quinta-feira, julho 26, 2012
Um filme absolutamente rock and roll só poderia ter uma trilha sonora imperdível. É o caso de Easy Rider, clássico do cinema dirigido pelo ator Dennis Hopper e que estreou nos cinemas em 14 de julho de 1969. A história dos dois motoqueiros que cruzam os Estados Unidos vivendo histórias surreais e encontrando pessoas mais singulares ainda tem uma das trilhas mais famosas do rock.


A história por trás disso tudo é deliciosa. O editor Donn Cambern, que também era um grande colecionador de discos, quando estava montando o filme pesquisava músicas em sua própria coleção para ilustrar as cenas da película. Muitas das escolhas iniciais de Cambern acabaram sendo usadas na versão final do filme, gerando um custo de licenciamento superior a 1 milhão de dólares - mais do que o triplo do orçamento total do próprio filme, que custou apenas US$ 360 mil.


Quem também teve um papel importante nesse aspecto foi o trio Crosby, Stills e Nash. Hopper era amigo pessoal de David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash e apresentou o corte inicial do filme para os músicos, que ficaram encantados com o que viram - e ouviram - e garantiram ao diretor que ele não conseguiria fazer algo melhor do que já estava ali. A opinião dos três fez com que Dennis Hopper tivesse ainda mais certeza de que estava no caminho certo, tanto no aspecto cinematográfico quanto em relação à trilha.


Bob Dylan, já naquela época um dos maiores e mais respeitados músicos e compositores do rock, foi convidado para participar da trilha, mas não se empolgou muito com a ideia. Para não deixar os produtores na mão permitiu que uma de suas canções, “It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)”, fosse utilizada na obra, porém em uma nova gravação de Roger McGuinn, dos Byrds. Além disso, escreveu o primeiro verso de uma letra até então inédita e deu aos produtores com a seguinte recomendação: “Entreguem isso a Roger, ele saberá o que fazer”. O rascunho de Dylan acabou se transformando em “Ballad of Easy Rider” pelas mãos de McGuinn, uma das músicas mais emblemáticas do final da década de 1960.



O LP com a trilha do filme chegou às lojas em agosto de 1969 pela Dunhill, selo da Reprise Records, subsidiária da Warner. Com apenas dez faixas, sendo cinco de cada lado, o disco é o retrato literal de uma época. Todas as faixas aparecem no álbum na mesma ordem em que surgem na tela, tornando a experiência de ouvir a bolacha ainda mais forte e próxima do filme de Dennis Hopper.


O Steppenwolf dá o pontapé inicial com duas composições que se tornariam eternas. “The Pusher” é um blues nada convencional que classifica como traficantes de drogas apenas aqueles que vendem maconha e como “empurradores”- o “pusher” do título - aqueles que comercializam heroína, “um monstro que não se importa se o usuário vai viver ou morrer”. 


A sequência se dá com o hino “Born to Be Wild”, que a partir da sua inclusão em Easy Rider se transformou em um dos maiores clássicos do rock, com literalmente milhares de versões gravadas ao longo das décadas. Uma das músicas mais famosas da história, “Born to Be Wild” virou sinônimo de liberdade e passou a ser associada com a cultura do motociclismo, relação essa que só se intensificou no decorrer dos anos.


O play segue com a curiosa versão de Smith para “The Weight”, faixa originalmente gravada pela The Band e que, por motivos contratuais, não pode ser incluída no disco com a trilha. No entanto, é a gravação original da própria The Band que aparece no filme. Por essa razão, a releitura de Smith é propositalmente bastante similar à original. “Wasn’t Born to Follow”, composição lançada pelo The Byrds em The Notorious Byrd Brothers (1968), comparece em seguida, assim como a hilária “If You Want to Be a Bird”, do The Holy Modal Rounders, que fecha o lado A do LP.


Virando o disco temos o Fraternity of Man com a ótima “Don’t Bogart Me”, um country sensacional típico de um boteco de beira de estrada norte-americano. A psicodélica “If 6 Was 9”, faixa de Axis: Bold as Love, é a contribuição de Jimi Hendrix para a trilha, e acentua o clima multicolorido e entorpecido. Essa sensação, é claro, fica ainda mais clara com “Kyrie Elelson (Mass in F Minor)”, do Electric Prunes, cujo destaque são os celestiais vocais.


O álbum se encerra com uma dose dupla de Roger McGuinn: as excelentes “It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)” e “Ballad of Easy Rider”, acústicas e paridas a partir da mente privilegiada de Bob Dylan. Um fechamento perfeito para uma das jornadas sonoras mais fortes do cinema.


Duas faixas que aparecem em Easy Rider acabaram ficando de fora da trilha por questões contratuais. São elas “Let’s Turkey Trot”, da cantora norte-americana Little Eva, e “Flash, Bam, Pow”, do Electric Flag.




O LP se tornou um item cobiçado pelos colecionadores, não pela sua raridade - afinal, devido ao sucesso alcançado o disco foi relançado diversas vezes ao longo dos anos e sempre foi relativamente fácil de ser encontrado nas lojas -, mas sim pela qualidade de suas faixas e pelo significado histórico que a trilha possui. 


Em 2004, a Warner colocou no mercado uma deluxe edition dupla, com um segundo CD intitulado Something in the Air 1967 to 1969 trazendo 19 faixas que retratam o período mas não estão, necessariamente, no filme, incluindo a versão original de “The Weight”, da The Band, e músicas de grupos como Jefferson Airplane, The Who, Procol Harum, Blue Cheer e outros. Essa edição ainda está em catálogo, e é possível encontrá-la pesquisando um pouco.


Seja pelo aspecto histórico ou pela qualidade de suas faixas, a trilha de Easy Rider é um disco fundamental em qualquer coleção de rock. Suas faixas mais conhecidas se transformaram em hinos, e as composições menos famosas são verdadeiras pérolas que retraram com precisão o espírito de uma época.  


Se você ainda não tem, já passou da hora de adquirir uma cópia.


Faixas:
A1. Steppenwolf - The Pusher
A2. Steppenwolf - Born to Be Wild
A3. Smith - The Weight
A4. The Byrds - Wasn’t Born to Follow
A5. The Holy Modal Rounders - If You Want to Be a Bird


B1. The Fraternity of Man - Don’t Bogart Me
B2. Jimi Hendrix Experience - If 6 Was 9
B3. The Electric Prunes - Kyrie Elelson (Mass in F Minor)
B4. Roger McGuinn - It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)
B5. Roger McGuinn - Ballad of Easy Rider


Faixas extras da deluxe edition:


Something in the Air 1967 to 1969
  1. The Seeds - Pushin’ Too Hard
  2. The Electric Prunes - I Had Too Much to Dream Last Night
  3. Blues Magoos - We Ain’t Got Nothin’ Yet
  4. The Animals - San Franciscan Nights
  5. Jefferson Airplane - White Rabbit
  6. The Who - I Can See for Miles
  7. Procol Harum - A Whiter Shade of Pale
  8. The Young Rascals - Groovin’
  9. Richie Havens - High Flyin’ Bird
  10. The Band - The Weight
  11. The Byrds - You Ain’t Going Nowhere
  12. The Chambers Brothers - The Time Has Come Today
  13. Joe Cocker - With a Little Help From My Friends
  14. Blue Cheer - Summertime Blues
  15. The Moody Blues - Nights in White Satin
  16. Sir Douglas Quintet - Mendocino
  17. The Youngbloods - Get Together
  18. The Flying Burrito Brothers - My Uncle
  19. Thunderclap Newman - Something in the Air

The Who na capa da nova Rolling Stone espanhola

quinta-feira, julho 26, 2012
A nova edição da Rolling Stone espanhola traz o The Who na capa e uma matéria especial sobre o rock britânico. A publicação dedicada páginas e mais páginas a diversas bandas que fizeram o rock inglês se tornar tão influente ao longo dos anos, como Led Zeppelin, Beatles, David Bowie, Clash, Queen, Muse, Arctic Monkeys, Smiths, Blur, Oasis e muitos outros. A matéria também lista os 50 discos essenciais lançados por bandas inglesas.


Para comprar a revista, acesse o site oficial da publicação.




Assista “Runaways”, o novo clipe do The Killers

quinta-feira, julho 26, 2012
A banda norte-americana The Killers divulgou o primeiro clipe de seu novo disco, Battle Born. A primeira música inédita do grupo em quatro anos ganhou um vídeo que combina com o clima épico e grandioso da canção - que, após algumas audições, gruda na cabeça e não descola tão cedo.


O novo disco do quarteto sairá no próximo dia 18 de setembro.


Assista o retorno do Killers abaixo:

Abrindo o box do novo álbum do Testament

quinta-feira, julho 26, 2012
Enquanto o aguardado novo disco do Testament, Dark Roots of Earth, não chega às lojas, a Nuclear Blast, gravadora da banda, divulgou um vídeo pra dar água na boca dos fãs. Nele, é possível ver nos mínimos detalhes como é o box set da edição especial do trabalho, cheia de itens exclusivos.


Dark Roots of Earth desembarca nas lojas de todo o mundo nesta sexta, dia 27 de julho, e, por incrível que pareça, ainda não vazou.


Enquanto o disco não chega, assista o unboxing abaixo:

25 de jul de 2012

Ouça “Elephant”, primeiro single do novo álbum do Tame Impala

quarta-feira, julho 25, 2012
A banda australiana Tame Impala acaba de divulgar a faixa “Elephant”, primeiro single de seu segundo disco, Lonerism, que chegará às lojas dia 9 de outubro. O som é um pop psicodélico delicioso, pesado e grudento.


O quarteto toca dias 14 e 15 de agosto no Cine Joia, em São Paulo.


Ouça “Elephant” abaixo e tente não apertar o repeat depois do final da música:

Slipknot na capa da nova Metal Hammer polonesa

quarta-feira, julho 25, 2012
A filial polonesa da Metal Hammer colocou a banda norte-americana Slipknot na capa da sua nova edição. Na matéria, a revista fala sobre o retorno do grupo após a morte do baixista Paul Gray e os planos do conjunto para o futuro.


O novo número tem também matérias com Rush, Baroness, Jorn, Flapjack, Grave, In Flames, HellYeah e outros.


Para maiores informações, acesse o site oficial ou o Facebook da revista.

Assista “Kicking”, o novo clipe do Torche

quarta-feira, julho 25, 2012
Responsável por um dos discos mais legais de 2012, o ótimo Harmonicraft, o quarteto norte-americano Torche lançou um clipe para a faixa “Kicking”, presente no álbum.


O vídeo mostra a banda e sua turma praticando um esporte que é uma espécie de união entre o baseball, o futebol e o basquete, tudo isso complementado por imagens psicodélicas e de gosto um tanto estranho.


Assista abaixo:


SOJA confirma 5 shows no Brasil em outubro

quarta-feira, julho 25, 2012
A banda norte-americana de reggae Soldiers of Jah Army, também conhecida entre os fãs pela sigla SOJA, confirmou que voltará ao Brasil em outubro para cinco shows.


O grupo tocou na edição 2011 do festival SWU e volta ao país promovendo o seu último disco, Strength to Survive, lançado este ano.


O SOJA se apresentará dia 5 de outubro em Porto Alegre, dia 6 em Florianópolis, 7 em Curitiba, 11 no Rio de Janeiro e 12 em São Paulo. Ainda não foram divulgados os locais e nem os preços dos ingressos.

Entrevista com o colecionador Fernando Lacreta

quarta-feira, julho 25, 2012
Retomando as entrevistas com colecionadores aqui na Collectors Room, bati um longo papo com Fernando Lacreta, dono do blog Fireball Music e colaborador do Lágrima Psicodélica. Fernando me mostrou a sua coleção de discos, repleta de poderosos venenos, e falou da sua relação com a música. Confira o nosso papo abaixo.


Fernando, para começarmos o nosso papo, gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores: quem você é e o que você faz?


Olá, leitores da Collector’s Room. Meu nome é Fernando Lacreta, tenho 42 anos, sou médico anestesiologista, casado, dois filhos e moro em Sorocaba, interior de São Paulo, há 15 anos. Na internet uso o apelido de Fireball, mantenho um blog que está passando por um longo período de hibernação - o Fireball Music - e sou colaborador do Lágrima Psicodélica, um dos blogs relacionados a música mais visitados no Brasil.

Qual foi o seu primeiro disco? Como você o conseguiu e que idade você tinha? Você ainda tem esse álbum na sua coleção?


Eu gosto de música desde bem pequeno e me lembro dos discos do Roberto Carlos, Stevie Wonder, coletâneas de sucessos da época e trilhas sonoras de novelas que eu escutava em casa. Mas considero como sendo o meu primeiro disco, o marco zero da minha coleção, o Piece of Mind do Iron Maiden, que comprei no início de 1984, aos 13 anos de idade. A partir daí a coisa não parou mais. Infelizmente não tenho mais esse exemplar pois, com o passar dos anos, eu troquei a maior parte dos meus LPs pelos respectivos CDs, e o Piece of Mind entrou na dança.

Você lembra o que sentiu ao adquirir o seu primeiro LP?

Não lembro exatamente qual foi a sensação mas, naquela época, o Iron Maiden exercia um fascínio sobre a garotada. A gente ficava analisando os desenhos do Derek Riggs para encontrar detalhes e tentar entender o significado das capas, enquanto viajava ouvindo as músicas.




Porque você começou a colecionar discos, e com que idade você iniciou a sua coleção? Teve algum momento, algum fato na sua vida, que marcou essa mudança de ouvinte normal de música para um colecionador?


Como eu disse, comecei a comprar discos regularmente aos 13 anos de idade. Não sei exatamente o que me motivou, mas nos primeiros anos tudo era difícil, eu tinha que economizar o dinheiro da mesada e onde eu morava não havia lojas diferenciadas. Eu era um pequeno colecionador, digamos assim. Comprava só o que encontrava no comércio local, o que não era muito. 


A grande virada aconteceu em 1993 e 1994 por vários motivos que vou enumerar abaixo:


- estava no quinto ano da Faculdade de Medicina em Botucatu quando comecei a receber uma bolsa que, somada à minha mesada, aumentou substancialmente minha renda


- foi também nesse período que o CD começou a bater o vinil em vendas e os bolachões sumiram das prateleiras. Vários títulos que estavam fora de catálogo passaram a ser relançados em CD. Foi aí que comprei meu primeiro CD player, que tenho até hoje

- nessa época, eu tinha uma namorada que morava em São Paulo e também um primo que fazia faculdade lá. Era comum eu passar alguns finais de semana na casa dela. Numa das minhas viagens a São Paulo meu primo me mostrou a Galeria do Rock e eu fiquei maluco com aquilo! Era um universo totalmente novo para mim poder encontrar todos os discos de todas as bandas que eu gostava num mesmo lugar


- pra completar, o Brasil passava por um momento surreal na economia, com o real valendo mais que o dólar. Com isso, pasmem, o CD importado era mais barato que o nacional!! 


Então, eu ia para São Paulo e aproveitava para comprar um monte de CDs importados que nem se sonhava serem lançados aqui. Acho que foi quando o hábito virou vício (rs).


Alguém da sua família, ou um amigo, o influenciou para que você se
transformasse em um colecionador?


Não acho que houve uma pessoa que me influenciou diretamente, mas uma situação. Quando eu e meus amigos começamos a nos interessar seriamente pelo rock, cada um procurava encontrar alguma novidade e dividir com os outros. Quando alguém chegava com um disco novo, fazíamos várias cópias em fita K7 para os demais. Eu, pessoalmente, não gostava muito das K7 e sentia uma ponta de inveja de quem tinha o bolachão para poder curtir a capa, as fotos e ler os detalhes do encarte (apesar de os encartes serem raridade naquele tempo, pois os discos nacionais eram muito pobres). Com isso, eu passei a comprar meus álbuns preferidos e isso acabou gerando um círculo vicioso. Acho que assim comecei minha coleção.



Quantos discos você tem?


Até alguns anos atrás eu tinha tudo catalogado mas, de uns tempos pra cá, não tenho me dado mais esse trabalho. Então, por estimativa, eu devo ter em torno de uns 2.000 CDs, 200 DVDs e uns 100 LPs que resistiram ao tempo.


Qual gênero musical domina a sua coleção? E, atualmente, que estilo é o seu preferido? Essa preferência variou ao longo dos anos, ou permaneceu sempre a mesma?


O que predomina na minha coleção é rock a partir do final da década de 60, principalmente hard rock, heavy metal e progressivo, mas com alguma coisa de punk e pop rock. Tenho também bastante coisa de blues moderno (apesar de ser fã de Buddy Guy e Luther Allison, eu gosto mesmo é do chamado “blues branco”, do tipo que fazem Johnny Winter, Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton, Alvin Lee, Rory Gallagher e Joe Bonamassa, provavelmente pela pegada mais rocker). Pra completar, sobra um espacinho para jazz, fusion e música clássica. Não tenho um estilo preferido, acho que Black Sabbath, Pink Floyd, Lynyrd Skynyrd e Eric Clapton podem dividir o mesmo espaço sem problemas. Ao longo desses quase trinta anos consumindo música aprendi que as preferências vem e vão conforme a ocasião. Alguns álbuns podem ficar anos encostados mas, de repente, volta a vontade de ouvi-los como se fossem novos.


Vinil ou CD? Qual você prefere e quais são os pontos fortes de cada formato, na sua opinião?


Sem dúvida o CD, pela praticidade e som cristalino. Apesar de ser apaixonado por música, não tenho e não acredito na sensibilidade dos audiófilos, que dizem que o som do vinil é mais cheio e completo que o do CD. Talvez porquê eu nunca tive um som de alta qualidade para ouvir o vinil, enquanto que para o CD hoje eu tenho. Além disso, passei a odiar os estalos e chiados do disco de vinil. Acho que a única vantagem do vinil é o visual, já que a arte gráfica dos álbuns perde muito com o tamanho reduzido do CD.




Existe algum instrumento musical específico que o atrai quando você ouve música?


No rock e no blues, que são 99% do que eu ouço, o que mais atrai é a guitarra, sem dúvida. Mas qualquer instrumento bem tocado me chama a atenção, seja de sopro, teclado, baixo ou bateria.


Qual foi o lugar mais estranho onde você comprou discos?


Não me lembro de nenhum lugar tão estranho a ponto de marcar minha memória mas, com certeza, já entrei em muita loja fuleira para tentar encontrar alguma pérola.


Qual foi a melhor loja de discos que você já conheceu?


Eu nunca tive oportunidade de conhecer as grandes lojas do exterior como a Virgin e a Amoeba. Então, meus parâmetros são as lojas aqui do Brasil. A primeira loja de discos especializada em rock que conheci e me fascinou foi a Woodstock, que ficava na Praça da Bandeira em São Paulo. Mas para mim, a Galeria do Rock na década de 90 era uma coisa fantástica, tinha várias lojas incríveis. Eu era capaz de passar o dia inteiro vendo as vitrines e procurando discos. Hoje, infelizmente, ela se descaracterizou, tem mais lojas que vendem acessórios e souvenirs do que a música propriamente dita.


Acho chato também entrar em lojas tradicionais de outrora que passaram a vender principalmente cópias piratas, deixando os originais em segundo plano. Mas algumas tem resistido e mantido a qualidade. Gosto muito da Music House, da Die Hard e da Zeitgeist, minhas preferidas. Acho que vale citar que hoje em dia compro muita coisa pela internet, principalmente na CD Point, que é a melhor loja online brasileira, e também na CD Universe e na CD Baby.




Conte-me uma história triste na sua vida de colecionador.


Na verdade, tem duas  passagens que me causam arrependimento: ter passado pra frente grande parte da minha coleção de LPs e ter trocado minha coleção do Iron Maiden lançada pela Castle Records em versões com discos duplos e um CD bônus pelos relançamentos remasterizados com enhanced CDs.


Como você organiza e guarda a sua coleção?


Organizo minha coleção por ordem alfabética e, entre os álbuns de um mesmo artista, por ordem cronológica. Guardo tudo em um armário que fiz exclusivamente para isso, com gavetas fechadas para evitar poeira. As edições em digipak, que são mais frágeis, eu mantenho dentro de um plástico. Só isso.


Além da música, que outros fatores o atraem em um disco?


Sem dúvida a arte gráfica. Desenhos, fotos, letras, créditos, informações em geral. Se não fosse por isso, provavelmente eu não seria um colecionador. Por isso, sou presa fácil dessas edições deluxe que estão sendo relançadas aos montes. Estou com vários discos repetidos (rs).






Quais são os itens mais raros da sua coleção?

Para mim, a prioridade na música é a qualidade do som. Por isso, não sou muito fã de bootlegs e coisas do gênero. Também não costumo comprar singles e edições que pouco acrescentam às originais. Também não sou fanático por nenhuma banda exclusivamente. Por isso, não fico procurando itens que se diferenciam por pequenos detalhes. Sendo assim, acho que minha coleção se destaca pela variedade, mas não tem muitos itens raros. 


Talvez o mais raro deles seja o boxset do Liquid Tension Experiment, LTE Live 2008, lançado em comemoração aos dez anos da banda numa edição limitada com 6 CDs, 2 DVDs e 1 blu-ray que só foi vendida no site da Ytsejam Records. Nunca o vi a venda em nenhum outro lugar. Vale citar o Eddie’s Archives, do Maiden, que também teve uma tiragem limitada e parece que virou item de colecionador. Tenho alguns CDs difíceis de serem encontrados, mas que não sei se chegam a ser raridade, de bandas como Gales Brothers, Three Seasons, Thalamus, Scarlet Runner, Gugun Power Trio, Stranger, Truth, Carburetors, Blindstone, Bland Bladen, Timothy Pure, Boogie Knights, etc.


Você tem ciúmes dos seus discos?


Como a maioria dos colecionadores, eu morro de ciúmes dos meus discos. Não empresto de jeito nenhum e não gosto nem que manuseiem muito (tem gente que pega o encarte como se estivesse lendo um jornal, deixando as folhas amassadas e cheias de impressões digitais – detesto isso!). Só eu tenho a chave da minha sala de som e no carro só ando com um pendrive ou CDs de mp3, nunca com os originais.


Quando você está em uma loja procurando discos, você tem algum método específico de pesquisa, alguma mania, na hora de comprar novos itens para a sua coleção?


Não sigo nenhum ritual para comprar os discos. Às vezes tento fazer uma lista com o que estou a fim, mas isso quase nunca dá certo. Geralmente falta algum item na loja ou aparece outro que não estava na lista (rs). Normalmente, o que faço é entrar, bisbilhotar, perguntar a opinião e as dicas dos vendedores e, no final, escolher o que levar para casa.





O que significa ser um colecionador de discos?


Para mim, é um hobby pelo qual sou apaixonado, um passatempo delicioso. Espero deixar tudo isso para meus filhos, e que eles continuem o que comecei.


O que mudou da época em que você começou a comprar discos para os dias de hoje, onde as lojas estão em extinção? Do que você sente mais saudade?


O que mudou nesses quase 30 anos foi, principalmente, a facilidade de acesso à música. A internet e a estabilidade econômica do Brasil foram fatores fundamentais para essa mudança. Em meados da década de 80 eu morava numa pequena cidade do interior chamada Batatais. Lá não tinha nenhuma loja especializada em discos, muito menos em rock. Os discos eram vendidos em lojas de departamentos e pequenos bazares de maneira completamente desorganizada. Era possível encontrar um The Number of the Beast dividindo a prateleira com Amado Batista e Almir Rogério (rs). As informações eram lentas e chegavam em revistas mensais como Bizz e Metal ou nas publicações da editora Somtrês. Por um curto período fui assinante da Rock Brigade, que era apenas um fanzine que, apesar de me apresentar bandas como Metallica, Megadeth e Running Wild, eu achava muito radical com aquele papo furado de “true metal”. 


Conseguir um álbum novo era uma epopéia. Com a inflação de quase 700% ao ano, os preços subiam astronomicamente, era difícil prever o que sobraria no final do mês, e comprar um item importado era algo inimaginável para a maioria das pessoas. Hoje nós temos infinitos sites com informações atualizadas várias vezes ao dia, você fica por dentro de tudo que está acontecendo imediatamente. Qualquer banda de garagem tem sua própria página virtual. Isso tudo nos leva a conhecer uma diversidade de sons e bandas impossíveis de se atingir em outros tempos. Se quiser, é possível escutar um CD antes do seu lançamento e comprá-lo sem sair de casa. Tudo muito fácil.


Com a iminente extinção das lojas físicas, tenho usado muito do expediente das compras virtuais. Frequentemente adquiro cds na CD Point (brasileira), CD Universe ou CD Baby. Com o dólar relativamente estável, comprar um CD importado diretamente dos EUA sai mais barato que um CD nacional chinfrim. 


O lado ruim disso é que perdeu-se o glamour da espera, da expectativa em torno do que se está adquirindo. Não tem mais a magia de se pegar um LP novo e tocá-lo pela primeira vez, sem saber o que teremos pela frente.


Além de colecionar discos você é bem ativo na internet através dos blogs Fireball Music e Lágrima Psicodélica, ambos especializados em downloads. Quando e porque você se envolveu nisso, e como surgiu a ideia de compartilhar suas descobertas sonoras com milhares de leitores de todo o Brasil, e também do mundo?


Música é bom de qualquer jeito, mas um dos meus passatempos preferidos é reunir os amigos na churrasqueira com um cerveja bem gelada para ouvir e trocar informações sobre música. Sempre que possível eu faço isso. Desde o começo, eu sempre compartilhei música com meus amigos. Antes eram as fitas K7 numa roda limitada de pessoas, hoje a internet possibilita fazer a mesma coisa numa escala infinitamente maior.


Comecei nos blogs em 2005 por curiosidade, mandando uns arquivos para serem publicados no Lágrima Psicodélica e ver qual seria o feedback. Como eu devo ter me tornado um pentelho mandando arquivos regularmente, o Johnny F, webmaster do blog, me convidou para colaborar diretamente na página, sendo eu mesmo o responsável pela montagem do post. A sequência natural foi montar minha própria página e, quando vi, já estava com 1 milhão de visitas. Porém, desde que o FBI baniu o Megaupload e, com ele, cerca de 500 arquivos que eu tinha hospedado lá, acabei desanimando e parei com as postagens (pouco tempo antes eu já tinha tomado um porrada do Rapidshare e perdido uns 1.000 arquivos). A minha página continua online, como um museu ou guia para quem queira procurar alguma dica. Mas não posto nada novo desde janeiro. Talvez um dia eu volte.


Mas, por incrível que pareça, eu não sou consumidor de música virtual. Só tenho exclusivamente em MP3 o que eu não encontro em CD ou o que não gostei o suficiente para gastar meu dinheiro. Uso a internet como um filtro: baixo e escuto. Se gostar, vou atrás e compro. Aliás, se alguém souber onde encontro o West Four do Rod Price, serei eternamente grato!





Quais bandas e discos você tem ouvido atualmente, e recomenda para os nossos leitores?


Minhas bandas preferidas são os dinossauros como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Iron Maiden, Pink Floyd, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan e por aí afora. Esses não saem jamais do meu player. Atualmente, o que eu mais tenho ouvido é Joe Bonamassa, stoner rock e bandas que fazem um revival dos anos 70. Nesse aspecto, o que surge de melhor vem dos países escandinavos, principalmente da Suécia, que é onde se faz o melhor rock da atualidade. Recomendo aos leitores que procurem conhecer as bandas Mustasch, Blindstone, Thalamus, Riverside, Carburetors, Graveyard, Spiritual Beggars e Grand Magus, para não me extender muito.


Já em relação a discos, os que mais tenho ouvido atualmente são o Internal Affairs do The Night Flight Orchestra, o Life’s Road do Three Seasons, Driving Towards the Daylight do Joe Bonamassa, Coming Up for Air do Davy Knowles, Bag of Bones do Europe e Mastermind do Monster Magnet.


Fernando, muito obrigado pelo papo.


Eu que agradeço a oportunidade de participar da Collector’s Room e poder divulgar minha coleção para todo mundo. Foi um prazer e uma honra. Grande abraço!



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