3 de ago de 2012

Collector´s Room Apresenta: Buffalo Killers

sexta-feira, agosto 03, 2012


Eles são um trio de Cincinnati, Ohio.

A banda já tem três discos: Buffalo Killers (2006), Let It Ride (2008) e 3 (2011).

Os irmãos Andrew (guitarra) e Zachary Gabbard (baixo) dividem os vocais. O batera Joseph Sebaali completa o grupo.

Adeptos da neo-psicodelia, o Buffalo Killers faz um som empoeirado e lisérgico que remete diretamente ao final dos anos 60 e início da década de 70.

Influenciados imensamente por Neil Young e com algumas pitadas de country e southern rock, a banda também tem toques de The Band, Byrds, Stones e Grateful Dead em seu caldeirão sonoro.


Aumente o volume e veja o mundo mais colorido: com vocês, Buffalo Killers!

Walter Pires e sua coleção de dar inveja em qualquer 'bolha'!

sexta-feira, agosto 03, 2012


Por Ricardo Seelig


Walter, em primeiro lugar, apresente-se aos nossos leitores: quem você é e o que você faz?


Bem, em primeiro lugar gostaria de agradecer a oportunidade e pelo convite para participar desta seção. Meu nome é Walter Pires, tenho 29 anos, muitos me conhecem por Kbça, nascido em Salvador e moro em Maceió há mais de 20 anos. Sou coordenador administrativo em uma representação de uma seguradora e um dos fundadores do Clube do Vinil de Alagoas, evento que acontece mensalmente em Maceió.


Qual foi o seu primeiro disco? Como você o conseguiu, e que idade você tinha? Você ainda tem esse álbum na sua coleção?


Quando eu tinha 8 anos de idade comecei a me interessar por música, isto em 1989, no auge do hard rock 'farofa'. Como não tinha grana pra comprar discos, comecei gravando fitas com amigos que tinham as bolachas. Certo dia, nesta mesma época, estava com uma tia no centro da cidade quando fomos a uma loja de departamentos (não lembro se era Mesbla ou Pernambucanas, algo do tipo) e vi o LP Appetite For Destruction, do Guns N' Roses - ela o comprou depois de eu ter passado mais de uma hora pedindo sem parar (risos).


Você lembra o que sentiu ao adquirir o seu primeiro LP?


Muita alegria em ter algo 'de verdade', pois antes só tinha cópias em k7.








Porque você começou a colecionar discos, e com que idade você iniciou a sua coleção? Teve algum momento, algum fato na sua vida, que marcou essa mudança de ouvinte normal de música para um colecionador?


Até uma certa idade eu tinha pouquíssimos LPs. Depois veio a época do CD e era mais fácil adquirir um álbum nesse formato, principalmente em Alagoas, por este motivo deixei de procurar os vinis. Recomecei minha coleção um pouco tarde, há uns 6 ou 7 anos, quando conheci uns camaradas que apreciavam os LPs e fui podendo observar toda magia. ritual, sonoridade, arte em suas capas. De lá pra cá não parei mais de comprar.


Alguém da sua família, ou um amigo, o influenciou para que você se transformasse em um colecionador?


Então, grandes influenciadores poderia citar três: Jr. Beatle (ficava horas ouvindo seus discos e babando pelos mesmos), Jamison (tinha uma lojinha bacana e sempre guardava algo legal pra mim) e Jr. Brou (sempre dizia “velho, o som do vinil é outra coisa...”, e me instigava em comprar mais algum).


Inicialmente, qual era o seu interesse pela música? De que gêneros você curtia? O que o atraía na música?


Passei por várias fases, pois minha vida sempre foi regada por música, mais precisamente o rock e sua vertentes. Comecei com hard 80, passei pelo punk paulista - montei até uma banda quando estava ouvindo este estilo. Hoje em dia curto tudo que realmente me agrade ao ouvido: hard 70, prog, psicodelia, garage, grunge, blues, tropicália, bossa, samba, jazz.









Quantos discos você tem?


Faz tempo que não conto, mas acredito que em torno de 900 LPs e uns 100 compactos.


Qual gênero musical domina a sua coleção? E, atualmente, que estilo é o seu preferido? Essa preferência variou ao longo dos anos, ou sempre permaneceu a mesma?


Curto bastante som do final dos anos 60 e 70, mas acredito que o que predomina em meu acervo é hard setentista. Tenho também bastante coisa de folk, psicodelia, soul, alguma coisa de prog.


A sonoridade desta época considero mais orgânica, ou seja, timbre encorpado, feeling. Quando se escuta um disco do Grand Funk a sensação é que a banda está no meu quarto (risos). Foi isso que me fez pesquisar mais sobre o estilo.


Vinil ou CD? Quais os pontos fortes de cada formato, para você?


Vinil, lógico! Pelo som, pelo ritual, pelo cheiro (risos)! Na minha opinião, a única desvantagem do vinil é a praticidade, mas mesmo assim é mais prazeroso ver uma estante entupida de LPs do que de CDs.


Vantagem do CD? Não sei, mas tem umas edições legais com encartes cheios de fotos, bem elaborados, mas não tenho tesão por CDs. Ainda restam uns poucos aqui, mas mal os escuto.










Existe algum instrumento musical específico que o atrai quando você ouve música?


Depende de cada música. Tem faixa que a bateria chama mais atenção, outra os metais, outra a guitarra, outra o baixo, outra a voz, e por aí vai. Mas como toco (ou tento) guitarra, presto bastante atenção nos timbres. É uma delícia ouvir um som de Les Paul no amp valvulado.


Qual foi o lugar mais estranho onde você comprou discos?


Num mercado. Comprei três compactos (dois do Tom Zé e um do Sérgio Sampaio) de um vendedor de frutas (risos).


Qual foi a melhor loja de discos que você já conheceu?


Como viajo muito pouco, a melhor loja que conheci foi em Salvador, a Bazar Som 3, com uma grande variedade, e o dono (Sr. Haniel) é muito gente boa.


Conte-me uma história triste na sua vida de colecionador.


Triste é o bolso ficar vazio (risos). Mas no final tudo acaba em pizza - ops, digo, em música.











Como você organiza a sua coleção? Dê uma dica útil de como guardar a coleção para os nossos leitores.


Organizo em ordem alfabética, separando os nacionais dos internacionais, e mantenho os discos sempre limpos, protegidos com plásticos e empilhados horizontalmente.


Além da música, que outros fatores o atraem em um disco?


Toda a magia (risos)! O ritual de lavar, ouvir, trocar os lados, a capa grande - que é uma verdadeira obra de arte -, vê-lo girar ...


Quais são os itens mais raros da sua coleção?


Não sei ao certo, mas acredito que seja o compacto da banda carioca A Bolha, de 1972, e o Blood on the Snow do Coven, original com selo Buddah.


Você tem ciúmes da sua coleção?


Cara, não dou e não empresto pra qualquer um. Vinil pode se tornar perigoso para quem não sabe manusear - isto é, perigoso para o dono.







Quando você está em uma loja procurando discos, você tem algum método específico de pesquisa, alguma mania, na hora de comprar novos itens para a sua coleção?


Não tenho. Vou garimpando, daí se aparecer alguma coisa legal vou separando.


O que significa ser um colecionador de discos?


Filosofia de vida. Muitos curtem ioga como terapia, a minha é comprar discos e ouvi-los.


O que mudou da época em que você começou a comprar discos para os dias de hoje, onde as lojas de discos estão em extinção? Do que você sente saudade?


Mudou muito em questão de preços. Antes se encontrava um bom disco por 0,50 ou 1, hoje em dia não. Sinto falta das garimpagens em sebos aqui em Maceió. Como os discos sumiram, ou quando aparecem pedem caro, me rendi à internet.


Você gosta muito do rock dos anos 60 e 70. Só essas décadas tem música boa, ou existiram grupos interessantes também nos anos 80, 90 e 00?


Claro que existiram. Curto muito bandas como Nirvana, U2, Black Crowes, e nacionais como Ira!, Legião, Titãs, Ultraje a Rigor. Hoje em dia aparecem muitas bandas brasileiras boas, só que a grande maioria na cena independente. Vi um show outro dia da Camarones Orquestra Guitarrística (banda de rock instrumental de Natal) e fiquei de cara. Muito bom!


Walter, muito obrigado pelo papo. Pra fechar, o que você está ouvindo e recomenda aos nossos leitores?


Chegaram uns discos aqui e tô pirando. Um deles é o do Josefus de 1970, muito massa!!! Quem não conhece, procura aí.


Ricardo, muito obrigado pelo papo e pela oportunidade de mostrar um pouco do meu hobby. E que um dia todos entendam que disco é cultura, disco é arte, não é loucura como muitos costumam dizer. Abraços.

Estamos em 2012, e não em 1980

sexta-feira, agosto 03, 2012

Nos tempos de hoje, com a internet e as redes sociais assumindo um papel cada vez maior na vida das pessoas, gerando facilidades e abrindo um universo de possibilidades a cada clique, muitos se perguntam qual o papel que a imprensa musical e o crítico de música ainda possuem. Afinal, o que não faltam são sites e blogs - como a própria Collector's Room, por exemplo -, onde gente comum, que nunca teria chance de expor a sua opinião de forma tão abrangente em revistas especializadas antes do advento da internet, tecem os seus comentários sobre os mais variados assuntos dentro da música.

Em relação ao heavy metal, isso se verifica de maneira mais forte ainda. O fã de metal sempre foi, tradicionalmente, mais crítico e opinativo em relação aos seus ídolos do que os apreciadores de outros estilos. Isso vem da dedicação extrema, da paixão descontrolada que alimenta desde adolescentes de 15 anos até adultos beirando os 60, em todo o mundo. O headbanger sempre possui uma opinião sobre qualquer coisa que lhe for perguntada sobre as suas bandas favoritas, desde o que achou do último álbum até o que pensa sobre as roupas que os seus ídolos vestem.

Nesse cenário, o papel da crítica musical, das revistas de música, é bem diferente do que era há vinte, trinta anos atrás. Naquela época, só para citar um exemplo, um disco chegava antes na redação das publicações em apetitosos press kits, e a opinião do jornalista tinha um peso gigantesco, afinal ele estava escrevendo não apenas sobre um álbum que ele foi um dos poucos a ouvir em primeira mão, mas, sobretudo, sobre um trabalho que o mundo todo não via a hora de escutar. Se ele fosse influente e falasse bem, isso fazia uma diferença enorme. E, se ele falasse mal, o estrago seria praticamente irreparável.

Hoje, quando um crítico musical escreve sobre um disco, seja para uma revista, um site ou um blog, ele está expondo a sua opinião de maneira quase simultânea à que a opinião de milhões de fãs é formada, já que o acesso à novidade, tanto por parte de quem analisa quanto de quem consome música, acontece praticamente ao mesmo tempo. 

Então o papel do crítico musical, da imprensa musical, acabou? Não, muito pelo contrário. Em um mundo como o de hoje, onde o acesso a tudo que se é desejado é muito mais fácil, mais do que nunca o papel da imprensa musical de qualidade é importante, pois ela indica os caminhos, separa o joio do trigo, mostra quem está fazendo a diferença.

Nesse ponto, chegamos ao assunto desse texto: o cenário brasileiro de heavy metal, do qual eu e você fazemos parte. As regras do estilo aqui no Brasil, a maneira como o brasileiro consome e entende o heavy metal, foram construídas durante os anos oitenta através de publicações como a Metal e, principalmente, a Rock Brigade. Aqui em nosso país, a propagação dos pensamentos conservadores dos redatores da Brigade, a popularização da forma como a maioria deles pensava, fez nascer uma geração que acredita piamente que o heavy metal se resume, em grande parte, ao power metal - ou metal melódico - de nomes como Helloween, Angra e afins. É por isso que, em nenhum outro lugar do mundo, o estilo ainda teima em sobreviver mesmo estando moribundo há, no mínimo, uma década. E é por isso também, por esse pensamento conservador vendido como verdade inquestionável, que qualquer inovação nas "regras" do heavy metal - e desde quando um gênero musical deve ter regras, já que a música serve para expressar as emoções dos seus criadores? - é, invariavelmente, vista com maus olhos pelo fã brasileiro de metal.

Uma geração que cresceu acreditando que cantar bem era cantar como Michael Kiske. Uma geração que cresceu acreditando que tocar guitarra bem era tocar como Yngwie Malmsteen. Uma geração que cresceu acreditando que deveria se vestir de couro da cabeça aos pés como o Manowar, mesmo vivendo em um país tropical com temperaturas acima dos 40 graus. Uma geração que renegou o maior nome do estilo surgido em nosso país em todos os tempos, o Sepultura, devido às inovações que a banda inseriu em sua música, inovações essas que a fizeram uma das mais respeitadas e influentes bandas de heavy metal em todo mundo.

Hoje, o cenário heavy metal brasileiro é dominado por uma geração de headbangers que, em sua maioria, mantém a cabeça fechada à qualquer novidade e idolatra tudo o que era feito nos anos oitenta como a oitava maravilha do mundo. Aqui, o metal se resume, para a grande maioria dos fãs, a nomes como Black Sabbath, Iron Maiden, Metallica, Slayer, Helloween e Blind Guardian - isso sem falar do onipresente Guns N' Roses, que nem metal é mas parece estar no cromossomo de cada fã de rock nascido em nosso país. E a culpa disso não é somente da finada Rock Brigade, mas também dos principais veículos de imprensa dedicados ao metal aqui no Brasil.

O Whiplash, site com o qual colaboro desde 2004, é um poço de tradicionalismo, focado em grande parte em notícias sobre o Guns N' Roses (até um redator praticamente exclusivo para a banda o site possui, o tal de Nacho Belgrande), Iron Maiden e Metallica. Os leitores do site, por sua vez, esbanjam radicalismo e posições intolerantes nos já famosos comentários dos fóruns, chegando até a defender o espancamento e assassinato de emos (sim, é verdade, leia aqui). Criado pelo genial João Paulo Andrade, um programador excelente, e editado por ele e pelo gente boa Marcos A. M. Cruz, o Whiplash, apesar dos defeitos apontados, é o principal veículo online dedicado ao rock e metal em nosso país. Apesar de não concordar com algumas decisões e direcionamentos tomados pelo site ao longo dos anos, respeito a sua história e vou seguir enviando as minhas colaborações para lá, porque, se eu quero realmente mudar alguma coisa, é preciso expressar as minhas opiniões para a gigantesca audiência do Whiplash.

A Roadie Crew, a principal revista de classic rock e heavy metal do Brasil, é uma publicação de inegável qualidade mas também um poço de tradicionalismo, variando capas entre os nomes mais consagrados do gênero - e que, devido a tudo o que este texto já expôs, é o que a maioria dos leitores querem ler mesmo -, ousando pouco em sua linha editorial. Apesar de nos últimos meses ter dado destaque a bandas inovadoras como o Machine Head e Lamb of God, está atrasada em vários aspectos, e o mais evidente é o culto desmedido ao que foi feito no passado e o desprezo ao que está sendo produzido agora. Sabe o Trivium? Pois é, os norte-americanos já estão na estrada há bastante tempo, já gravaram cinco discos e são uma das melhores bandas em atividade no cenário metálico mundial há um bom tempo. Mas, é claro, não ganharam ainda uma capa da Roadie Crew. O mesmo acontece com nomes como Slipknot, Mastodon, Opeth e Ghost, só pra ficar nas mais óbvias. Porque o Korn não aparece nas páginas da revista? Porque o System of a Down não aparece nas páginas da revista? Sim, essas duas bandas são heavy metal, mas, para um público leitor que cresceu imaginando que o estilo era sinônimo de vozes agudas, melodias onipresentes e letras sobre dragões - e, ao que parece, os editores da revista pensam a mesma coisa -, não existe nada mais antagônico ao metal do que a influência de rap do Korn e o flerte com o rock alternativo do System of a Down.

E esse pensamento vai além, chegando, é claro, até os músicos. Só em um país com esse background é que um cara como Thiago Bianchi, vocalista do Shaman, poderia se criar. Um brutamontes bombado com voz de castrato italiano e um ego maior que o de Lars Ulrich, que posa de porta-voz do gênero através de ideias "geniais" dignas de uma criança de 5 anos, como a criação do Dia do Metal Nacional. Ou Edu Falaschi, o vocalista do Angra (ou seria ex-vocalista?), um indivíduo incapaz de enxergar através do próprio umbigo, que passou vergonha em rede nacional com uma performance ridícula transmitida ao vivo para todo o país na última edição do Rock in Rio, mas que prefere dar piti e mandar os fãs tomarem naquele lugar por preferirem as bandas gringas ao invés do trabalho genial seu grupo, que há tempos dá voltas em torno do rabo e não sai do lugar.

O Brasil se orgulha de ter um dos maiores públicos de heavy metal em todo o mundo, e realmente o possui. Mas esse público precisa enxergar além, e o papel da imprensa especializada é fundamental para isso. Não dá para entregar apenas o que o fã quer ler, é preciso desafiá-lo, apresentar coisas novas, confrontar o leitor. Se uma mesma edição tem uma entrevista com o Iron Maiden e uma com o Mastodon, coloque o Mastodon na capa. Se uma mesma edição traz matérias com o Slayer e com o Asking Alexandria, dê destaque maior para o segundo. Esse é o papel da imprensa: dar voz, apresentar novas possibilidades, legitimar o que vem das ruas. É preciso apoiar as bandas novas, porque as antigas, apesar de estarem em nossos corações e fazerem parte de nossas vidas, não vão estar aí para sempre.

Vamos deixar para trás o culto ao tradicionalismo. Vamos olhar para frente. Todas essas bandas que você idolatra hoje em dia - Sabbath, Maiden, Judas, Metallica, Slayer, Megadeth, Anthrax, Pantera -, só conseguiram se destacar das demais porque foram inovadoras e ousadas. Se não fosse assim, estariam no mesmo caldeirão das dezenas de grupos esquecidos da NWOBHM e do thrash metal, cultuados apenas em seus próprios guetos. É preciso enxergar e valorizar a revolução que está sendo feita agora, neste exato momento, por bandas como o Mastodon, que estão virando o metal de cabeça pra baixo mas aqui, em nosso país, ainda são vistas por grande parte dos fãs de música pesada com má vontade. O mesmo vale para o Slipknot, para o Machine Head e para dezenas de outros grupos. 

Os veículos de imprensa precisam ter um compromisso com o que está sendo produzido agora, e não apenas com o passado. É preciso equilibrar o espaço dado aos gigantes do estilo - espaço merecido, diga-se de passagem -, com uma abertura maior para novos grupos. O metal deve a sua história aos ícones do gênero, mas ela não se resume somente a eles. Unto the Locust é um disco tão importante quanto Master of Puppets, assim como In Waves é o Powerslave de uma geração e The Hunter o Sabbath Bloody Sabbath dos anos 2000.

A Collector´s Room vem passando por uma transformação nos últimos meses. A linha editorial do site está mais focada no heavy metal, e, além disso, estamos dando um espaço muito maior para novas bandas, seja através da série As Novas Caras do Metal, que vem obtendo uma audiência e uma repercussão fantásticas, ou através de matérias com nomes nada óbvios que pintam por aqui. Essa tendência se intensificará ainda mais, fazendo com que o novo divida espaço, em igualdade, com os nomes clássicos do estilo. É assim que a gente enxerga e entende o heavy metal, e, pelo apoio que temos recebido, é assim que um grande número de pessoas também consome o estilo. Mas queremos que essa postura se intensifique também em outros veículos, fazendo com os headbangers brasileiros, que são um dos públicos mais apaixonados do mundo, tenham uma postura mais "open mind" em relação ao heavy metal, consumindo a música fantástica que está sendo feita hoje em dia com o mesmo apetite que consomem o que foi feito no passado.

Afinal, estamos em 2012, e não em 1980.

Entrevista com Maurício Cangani, colecionador do Iron Maiden

sexta-feira, agosto 03, 2012


Maurício, em primeiro lugar, apresente-se aos nossos leitores: quem você é e o que você faz? 


Olá, meu nome é Mauricio Cangani, tenho 35 anos, paulistano e sou executivo de vendas. 


Qual foi o seu primeiro disco? Como você o conseguiu, e que idade você tinha? Você ainda tem esse álbum na sua coleção?


Meu primeiro disco foi o Cabeça Dinossauro do Titãs. comprei no extinto Jumbo Eletro quando tinha 12 anos e tenho ele até hoje, não vendo por nada.


Você lembra o que sentiu ao adquirir o seu primeiro LP?


Tinha apenas 12 anos, mas me senti como os caras mais velhos do meu bairro que eram “metaleiros”. Foi o começo de tudo.


Porque você começou a colecionar discos, e com que idade você iniciou a sua coleção? Teve algum momento, algum fato na sua vida, que marcou essa mudança de ouvinte normal de música para um colecionador?


Começou quando eu ouvi pela primeira vez o Seventh Son of a Seventh Son do Iron Maiden. Meu vizinho me emprestou na época e gravei em cassete. Só fui ouvir outro trabalho do Iron Maiden quando saiu o No Prayer for the Dying, tinha 14 anos na época e comprei no lançamento. Foi aí que descobri que era minha banda preferida e não parei mais de comprar.Além da música, a figura do Eddie foi outro fator determinante para eu virar colecionador. Queria ter todas as capas.


Alguém da sua família, ou um amigo, o influenciou para que você se transformasse em um colecionador?


Não, fui o único colecionador da minha turma e foi somente a paixão pelo Iron Maiden que me fez tornar um colecionador.


Inicialmente, qual era o seu interesse pela música? De que gêneros você curtia? O que o atraía na música?


Comecei ouvindo rock nacional, Golpe de Estado, Titãs, Camisa de Vênus. Depois veio a fase hard rock, Kiss, Guns. Mas o disco que mudou a minha vida foi o Led Zeppelin IV. Esse disco é mágico, não há explicação. Foi a porta de entrada para eu conhecer outros grupos pesados e minha banda preferida, o Iron Maiden.




Quantos discos você tem?


Por volta de 700 itens, dividido entre vinis e CDs. Tive que me desfazer de muita coisa por falta de espaço. Ainda estou organizando, pois mudei há pouco tempo.


De qual banda você tem mais itens?


Depois do Iron Maiden tenho a coleção do Black Sabbath, a grande maioria em vinil. Pode parecer estranho, mas sou muito fã da fase com Tony Martin. Aquelas formações com Cozy Powell, Neil Murray, Bob Daisley são demais, todos ótimos músicos.


Qual gênero musical domina a sua coleção? E, atualmente, que estilo é o seu preferido? Essa preferência variou ao longo dos anos, ou sempre permaneceu a mesma?


Sempre gostei de heavy metal e hard rock, mas o metal inglês é o meu preferido. Gosto muito de progressivo, Yes é minha banda preferida do gênero.





Vinil ou CD? Quais os pontos fortes de cada formato, para você?


Sem dúvida o vinil é melhor. Demorou para eu me acostumar com o CD. As capas, os encartes, não é a mesma coisa, mas como não tenho muito tempo para ouvir música em casa como antes, sou obrigado a ouvir os CDs no carro. 


Existe algum instrumento musical específico que o atrai quando você ouve música? 


Gosto do baixo. Steve Harris é o melhor do mundo, na minha opinião. Outro baixista que adoro é o Chris Squire. Glenn Hughes, além de ser o melhor vocalista do mundo, é um dos melhores baixistas de todos os tempos. 


Qual foi o lugar mais estranho onde você comprou discos?


Foi numa banca de jornal em Santo André. Troquei um vinil que não lembro qual pelo Alice in Hell, do Annihilator.


Qual foi a melhor loja de discos que você já conheceu?


Music Hall, na Galeria do Rock. Lá tem tudo, 60% da minha coleção do Iron Maiden foi comprada nessa loja. 






Conte-me uma história triste na sua vida de colecionador. 


Os preços. Quanto mais raro, mais caro e mais difícil de encontrar. Estou procurando os singles El Dorado e Coming Home do Iron Maiden, mas os preços estão um absurdo. Também o fato dos downloads estarem substituindo os discos físicos.


Como você organiza a sua coleção? Dê uma dica útil de como guardar a coleção para os nossos leitores.


Em especial, minha coleção do Iron Maiden está separada dos outros itens.Tenho um espaço para os boxes e vinis e outro para os DVDs, CDs, livros e revistas, e tudo está na ordem de lançamento. O que não é oficia,l como alguns vídeos e bootlegs, eu separo também. Sempre coloco algum anti-mofo nas prateleiras, principalmente nos VHS, não quero ter nenhuma surpresa.


Além da música, que outros fatores o atraem em um disco?


Um bom álbum tem que ter uma boa capa e um encarte bem diferenciado. O Iron Maiden sabe fazer muito bem seus discos e singles com calendários, posters, cards, etc ...






Quais são os itens mais raros da sua coleção?


Cara, tenho uma história interessante. Quando tinha 14 anos fui ná Galeria e vi o box The First Ten Years. Ele estava na última prateleira da loja para ninguém tocar, e fiquei alguns minutos admirando. Depois disso nunca mais vi esse box, até que estava no Mercado Livre quinze anos depois e ele estava à venda por uma fortuna, mas não pensei e comprei. Foi a segunda vez que a vi novamente. Imaginem como eu fiquei quando recebi a encomenda em casa. O single Wasting Love também é bem raro e demorei 11 anos para encontrá-lo. Os VHS Behind the Iron Coutain e Video Pieces, Live + One em vinil japônes original de 1980, Fear of the Dark Live em vinil picture, Soundhouse Tapes (réplica) autografado por Paul Di'Anno, Woman in Uniforme alemão e um CD bônus autografado pelo Nicko McBrain. 


Você tem ciúmes da sua coleção?


Muito. Ninguém mexe, somente eu organizo e limpo. Minha esposa e filha sabem disso.


Quando você está em uma loja procurando discos, você tem algum método específico de pesquisa, alguma mania, na hora de comprar novos itens para a sua coleção?


Sempre que fui comprar algum disco de uma banda específica nunca saí somente com esse disco, principalmente se encontrar algo do Iron Maiden. Mas se for vinil, tem que estar em bom estado.


O que significa ser um colecionador de discos?


O lugar mais legal da minha casa é onde fica minha coleção. Ela faz parte de você e não tem como ficar sem ela. Ser colecionador é para poucos. Acho que é um dom para manter vivo uma história tão importante, como a do heavy metal. 




O que mudou da época em que você começou a comprar discos para os dias de hoje, onde as lojas de discos estão em extinção? Do que você sente saudade?


Antigamente tínhamos mais contato com o dono da loja, ele indicava os bons discos. Comprei muito dessa forma. Hoje, na Galeria do Rock só tem loja de roupas, poucas lojas de discos ainda sobrevivem. Tenho saudades da época da Woodstock Discos. Ficava a tarde inteira no Anhangabaú. Os ingressos dos shows mais importantes eram vendidos lá, e tenho saudades da quantidade de lojas que existiam na Galeria no ínicio dos anos 90.


O que você acha desse papo de que música boa só existiu nos anos 1960 e 1970, e de que hoje não se faz música de qualidade?


Tem muita coisa boa por aí. Bandas novas como Carro Bomba e bandas antigas fazendo belos discos, como o The Final Frontier do Iron Maiden, Dream Theater com seu último disco - que é ótimo -, o Chickenfoot, uma banda nova com super músicos. Mas grande parte do meu acervo é de discos da década de 70, 80 e 90. Só acho que as coisas boas deveriam ser mais divulgadas.


Qual é o melhor disco de 2011, até o momento?


Black Country Communion 2 superou o primeiro. Espero que essa banda dure por muito tempo. 


Muito obrigado pelo papo. Pra fechar, o que você está ouvindo e recomenda aos nossos leitores?


Eu que agradeço pela oportunidade de mostrar minha coleção da melhor banda do mundo. Recomendo a banda do ex-Deep Purple Glenn Hughes, Black Country Communion. Eles fazem um hard rock com influência de blues de primeira. Joe Bonamassa e Jason Bonham tocam muito.

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