31 de dez de 2013

Retrospectiva 2013: todos os reviews de discos

terça-feira, dezembro 31, 2013
Em 2013, a Collector's Room resenhou 134 discos. Uma média de mais de dez novos reviews ao longo de cada um dos doze meses do ano. Fato que gerou um recorte bastante interessante e fiel do que de melhor e mais relevante foi produzido no cenário musical em suas inúmeras ramificações. Há também, claro, trabalhos ruins e questionáveis. Só não há tapinhas nas costas, pois o site está longe de ter postura chapa branca. 

Confira uma espécie de retrospectiva com um apanhado mês a mês que só não vai de ABBA a Zappa porque ambos não lançam albuns mais. Mas a ampla diversidade presente na compilação a seguir certamente contempla universos tão variados e distintos quanto. É o último dia do ano, mas ainda dá tempo de pinçar algo bacana que tenha passado batido ou apenas rever aquela crítica que exaltou ou detonou seu disco favorito de 2013. 

Música além do óbvio, amigos. Mergulhem de cabeça!

Janeiro (10)

Newsted - Metal
Helloween - Straight out of Hell
Bad Religion - True North
JackDevil - Faster Than Evil
Lancer - Lancer
Crashdïet - Savage Playground
Egypt - Become the Sun
Cult of Luna - Vertikal
Philip H. Anselmo & The Illegals/WarBeast - War of the Gargantuas
Hatebreed - Divinity of Purpose

Fevereiro (8)

Sulphur Aeon - Swallowed by the Ocean's Tide
Audrey Horne - Youngblood
Riverside - Shrine of New Generation Slaves
Coheed And Cambria - The Afterman: Descension
Enforcer - Death by Fire
Matanza - Thunder Dope
Black Debbath - Nå får det faen meg være Rock! Akademisk Stoner-Rock!
Black Veil Brides - Wretched and Divine: The Story of the Wild Ones

Março (16)

Steven Wilson - The Raven Tha Refused do Sing (And Other Stories)
Rotting Christ - Kata Ton Daimona Eaytoy
Bon Jovi - What About Now
Ancient VVisdom - Deathlike
Jess and The Ancient Ones - Astral Sabbat
David Bowie - The Next Day
Terra Tenebrosa - Purging
Adrenaline Mob - Covertá
Johnny Marr - The Messenger
Anthrax - Anthems
Stratovarius - Nemesis
Intronaut - Habitual Levitations (Instilling Words With Tones)
The Strokes - Comedown Machine
Clutch - Earth Rocker
Avantasia - The Mystery of Time
Darkthrone - The Underground Resistance

Abril (14)

Soilwork - The Living Infinite
Black Rebel Motorcycle CLub - Specter at the Feast
Killswitch Engage - Disarm the Descent
Bring Me the Horizon - Sempiternal
Hypocrisy - End of Disclosure
Justin Timberlake - The 20/20 Experience
Stone Sour - House of Gold & Bones Part 2
Ghost - Infestissumam
Kvelertak - Meir
Shining - One One One
Volbeat - Outlaw Gentlemen & Shady Ladies
Cathedral - The Last Spire
Amorphis - Circle
Lordi - To Beast or Not to Beast

Maio (11)

Orchid - The Mouths of Madness
Device - Device
Deep Purple - Now What?!
Spiritual Beggars - Earth Blues
Kadavar - Abra Kadavar
Queens of the Stone Age - ...Like Clockwork
Queensrÿche - Frequency Unknown
Black Star Riders - All Hell Breaks Loose
Evile - Skull
Dark Tranquility - Construct
Charles Bradley - Victim of Love

Junho (13)

Megadeth - Super Collider
The Winery Dogs - The Winery Dogs
Daft Punk - Random Access Memories
Black Sabbath - 13
Deventter - Empty Set
Alice in Chains - The Devil Put Dinosaurs Here
Anciients - Heart of Oak
Airbourne - Black Dog Barking
Rob Zombie - Venomous Rat Regeneration Vendor
Leprous - Coal
Amon Amarth - Deceiver of the Gods
Valient Thorr - Our Own Masters
Scorpion Child - Scorpion Child

Julho (15)

Kanye West - Yeezus
The Dillinger Escape Plan - One of Us is the Killer
Centurian - Contra Rationem
Jay-Z - Magna Carta ... Holy Grail
Phil Anselmo & The Illegals - Walk Through Exits Only
The Crystal Caravan - With Them You Walk Alone
Kylesa - Ultraviolet
Blood Ceremony - The Eldritch Dark
Uncle Acid & The Deadbeats - Mind Control
The Dirty Streets - Blades of Grass
LO! - Monstrorum Historia
Powerwolf - Preachers of the Night
Violator - Scenarios of Brutality
Baroness - Live at Maida Vale
Andrew Stockdale - Keep Moving

Agosto (8)

Five Finger Death Punch - The Wrong Side of Heaven and the Righteous Side of Hell
Farscape - Primitive Blitzkrieg
Black Tusk - Tend No Wounds
Orphaned Land - All Is One
Extol - Extol
Toxic Rose - Don't Hide in the Dark/I Drown in Red
Avenged Sevenfold - Hail to the King
Franz Ferdinand - Right Thoughts, Right Words, Right Action

Setembro (9)

Newsted - Heavy Metal Music
O Rappa - Nunca Tem Fim
Reckless Love - Spirit
Embate do Século: Nação Zumbi x Mundo Livre S/A
Fleshgod Apocalypse - Labyrinth
Thor - Aristocrat of Victory
The Strypes - Snapshot
Haken - The Mountain
Scalene - Real/Surreal

Outubro (11)

Houston - II
Carcass - Surgical Steel
Dream Theater - Dream Theater
Soulfly - Savages
Fates Warning - Darkness in a Different Light
Trivium - Vengeance Falls
Korn - The Paradigm Shit
Tarja - Colours in the Dark
Asking Alexandria - From Death to Destiny
Arcade Fire - Reflektor
Charlie Brown Jr. - La Familia 013

Novembro (14)

Almah - Unfold
Corrections Home - Last City Zero
Lady Gaga - Artpop
Blackrain - It Begins
Protest the Hero - Volition
Questions - Out of Society
Baranga - O 5° dos Infernos
Sepultura - The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart
Ghost - If You Have Ghost
Paul McCartney - New
Pearl Jam - Lightning Bolt
Anjo Gabriel - Lucifer Rising
Red Fang - Whales And Leeches
Arctic Monkeys - AM

Dezembro (5)

Place Vendome - Thunder in the Distance
Tedeschi Trucks Band - Made Up Mind
Deafheaven - Sunbather
Dave Evans - Sinner e Judgement Day
Whipstriker - Troopers of Mayhem

Por Guilherme Gonçalves

27 de dez de 2013

Quais foram os melhores discos de 2013 na sua opinião?

sexta-feira, dezembro 27, 2013
Chegou a hora de você participar do nosso Top 2013 e contar pra todo mundo quais foram os melhores discos do ano na sua opinião.

Funciona assim: vá nos comentários deste post e poste a lista com os seus 10 discos favoritos de 2013. Você tem até o dia 10 de janeiro para publicar a sua lista. Após esse prazo, computaremos os votos e revelaremos quais foram os melhores discos de 2013 segundo os nossos leitores.

Participe agora mesmo, divulgue, convide seus amigos!

Até lá, um grande abraço e um feliz ano novo de toda a equipe da Collectors Room.

26 de dez de 2013

Whipstriker: crítica de Troopers of Mayhem (2013)

quinta-feira, dezembro 26, 2013

Victor Vasconcellos pode se gabar de estar envolvido em alguns dos principais atentados musicais oriundos do abundante cenário subterrâneo carioca. Aos 28 anos, traz no currículo o fato de encabeçar nomes como Farscape, Atomic Roar e Diabolic Force, expoentes daquilo que de melhor o Rio de Janeiro produz em termos de heavy metal desde a virada do século. Em 2006, também integrou o Toxic Holocaust na turnê brasileira do álbum Hell On Earth (2005). Ainda assim, não se deu por satisfeito e, para escoar o lado mais cru e cinzento de seu vasto leque de influências, arregimentou em 2008 um novo front de guerrilha: o Whipstriker.

A alcunha o acompanha desde os primórdios do Farscape, quando do lançamento da primeira e ainda ingênua demo: Doctrine Sickness (2001). Logo, nada mais natural do que batizar de Whipstriker o projeto que visa dar vazão a um som radical - de raiz, fundamental à origem de qualquer coisa - como o metalpunk encontrado em seus trabalhos a partir de então.

O primeiro foi Crude Rock'n'Roll (2010), um eficiente cartão de visitas que acabou sendo aclamado até nos bueiros mais obscuros da Europa. Tanto que rendeu turnê por países como Alemanha, Suécia, Itália, França, Noruega, República Tcheca, dentre outros. Após vários splits, alguns com gente como Iron Fist, Germ Bomb e Power From Hell, eis que saiu no fim de outubro Troopers of Mayhem, o segundo full lenght dessa one man band e o segundo trabalho de Victor no ano, já que em maio o Farscape havia soltado Primitive Blitzkrieg - leia aqui o review.

O disco foi lançado pela Kill Again Records, selo de Ceilândia, no Entorno de Brasília, e consolida uma certa mudança na sonoridade do Whipstriker em relação ao trabalho de estreia. Como o próprio nome escancara, o primeiro álbum apresentava um rock'n'roll rude, bruto e cru. Não porque precisava ser lapidado ou desenvolvido, mas pelo fato de o objetivo ser realmente ir ao encontro de influências primárias, desde os riffs secos do Motörhead até o tom sacana/sarcástico do Thin Lizzy, passando por toda urgência da NWOBHM e sua gritante contribuição melódica.

Troopers of Mayhem, por sua vez, busca um outro norte. Poderia até ser apontado como um disco de uma banda distinta não fosse o fato de termos ciência prévia de que trata-se do mesmo mentor, Victor Whipstriker, e de alguns aspectos que lhe são característicos, como o timbre vocal. Na prática, porém, é como se o novo álbum deixasse para trás boa parte do amálgama supracitado e, de forma deliberada, avançasse cronologicamente algumas casas, passando então a apostar todas as fichas que tem em vertentes ligeiramente posteriores, como a fase embrionária do speed metal, a veia pós-apocalíptica do d-beat/crust e tudo mais que vier diretamente do Venom.

Se, em síntese, o Whipstriker faz metalpunk, Crude Rock'n'Roll seria o lado punk, enquanto que Troopers of Mayhem ficaria com a porção metal dessa simples equação. Para comprová-la quase que matematicamente, basta observar as capas dos dois discos, nas quais fica mais do que nítida tal distinção. Outra forma rápida e objetiva de fazer essa identificação é por meio de "Troopers of Mayhem", faixa que abre, dá nome ao álbum e logo de cara mostra um som mais carregado e sombrio. O que era safado e puro sarcasmo virou agressividade e sujeira radioativa.

"We Came From the Wild Lands" transborda os ensinamentos de Cronos, Mantas e Abaddon, seja na guitarra ou na linha vocal. Mais Venom impossível, mas também sem abrir mão da pegada típica de bandas do underground brasileiro. Um hino do terceiro mundo. "Lucifer Set Me Free" lembra muito "Children of Three Eyes", do Atomic Roar, e talvez seja a mais bacana justamente por ir na contramão da velocidade pura e simples. Mais cadenciada, apresenta um peso descomunal e um dos melhores riffs do disco. O solo do meio também chama a atenção. "Genocide Now!" encerra a primeira metade do trabalho retomando o ritmo alucinante com dois minutos de proto death metal bem na linha do que o Hellkommander, também do Rio, faz com maestria. Semelhança que aumenta por conta da participação especial de Victor Poisonhell no vocal.

A segunda parte do álbum é um pouco menos inspirada, e o destaque fica com "Murder in VM Street", que no início coloca o pé no freio para só depois atacar com uma levada totalmente Discharge. Ótimo contraponto e que mostra a versatilidade dos irmãos Leo Witchcaptor e Pedro Skullcrusher, responsáveis pela gravação da guitarra e da bateria, respectivamente, e comparsas de Victor Whipstriker também em toda a trajetória do Farscape.

Troopers of Mayhem, porém, se encerra com "Backward Progress", cujo título esboça bem o paradoxo do 'progresso para trás' que paira ao término de cada audição. Não resta dúvida de que, da estreia para cá, o Whipstriker evoluiu, ganhou força e retornou com outro disco muito bom. No entanto, com uma proposta que não é mais tão singular quanto a oferecida em Crude Rock'n'Roll.

Antes, o som era selvagem e quase único. Acima da média ao se diferenciar do trivial. Agora, traz ótimas canções, mas está mergulhado em uma seara metalpunk onde encontra inúmeros pares semelhantes. Apesar de ter amadurecido, caiu em uma armadilha e se vê rodeado por várias bandas com apelo igual. De nomes antigos como Driller Killer e Inepsy a caras novas como Children of Technology, Speedwolf e Midnight. O desafio passa a ser achar uma maneira de se sobressair, ainda que com a mesma fórmula. Victor já mostrou conhecimento de causa para tanto.

Aguardemos os próximos capítulos.

Nota: 7,5


Faixas

1 Troopers of Mayhem 4:31
2 We Came From the Wild Lands 4:55
3 Lucifer Set Me Free 4:14
4 Genocide Now! 2:26
5 These Grey Days 3:59
6 Murder in VM Street 4:22
7 Streeptrap 2:52
8 Backward Progress 4:26

Por Guilherme Gonçalves

25 de dez de 2013

Dave Evans: crítica de Sinner (2006) e Judgement Day (2008)

quarta-feira, dezembro 25, 2013
O australiano Dave Evans é o vocalista original do AC/DC. Ele permaneceu na banda por aproximadamente um ano, sendo substituído por Bon Scott em outubro de 1974, período no qual participou da gravação do primeiro single do grupo. O resto é história, e o quinteto criado pelos irmãos Angus e Malcolm Young se transformou em um dos maiores nomes e em uma das mais perfeitas traduções do rock and roll. Já Evans não trilhou o mesmo caminho. Ainda na década de 1970 fez parte do Rabbit, com quem gravou dois discos apenas medianos - o debut batizado apenas com o nome da banda e Too Much Rock N Roll, ambos lançados em 1976. Depois foi para o Thunder Down Under na década de 1980, onde também não decolou, e mais recentemente lançou três discos solo. O segundo e o terceiro acabam de ser lançados no Brasil pela Hellion Records.

Sinner e Judgement Day são dois itens apenas curiosos, e muito provavelmente atrativos apenas para os fãs mais dedicados do AC/DC. Como era de se esperar, ambos trazem um hard xerocado da banda de Angus e Malcolm, soando como uma espécie de cover esforçado e nada além disso. As canções trazem as principais características do AC/DC e, em alguns momentos, chegam até a quase roubar passagens inteiras compostas pelos Young. 


Pessoalmente, não vejo motivo algum para discos como esses serem lançados no Brasil. São álbuns fracos, para dizer o mínimo, e que não sobrevivem à primeira audição. Entendo a curiosidade de quem quer conhecer a carreira de Dave Evans, mas, para esses, recomendo os LPs do Rabbit.

O chamado classic rock está sedimentado e possui um mercado próprio que já é alimentado pelas bandas que fizeram história na música, o que não é o caso do cidadão chamado Dave Evans. Enquanto gravadoras preferirem investir em coisas genéricas e de gosto duvidoso como esses dois discos em detrimento a dar espaço para novas bandas, mais limitado e saudosista ficará o mercado e a mente de quem acha que nada de bom é produzido atualmente.

Em suma, passe longe, vá ouvir os seus discos do AC/DC e não perca tempo com figuras como Dave Evans.

Nota 3

Por Ricardo Seelig

24 de dez de 2013

Deafheaven: crítica de Sunbather (2013)

terça-feira, dezembro 24, 2013


No dia 11 de junho de 2013, um certo disco com uma inusitada capa de tons róseos e apenas o nome do trabalho escrito com fonte que parecia tirada de uma revista de moda fisgou a atenção de praticamente todo o mundo musical. Sunbather, o segundo álbum do Deafheaven, formado pela dupla americana George Clarke e Kerry McCoy, imediatamente teve todos os holofotes apontados para ele, extrapolando qualquer barreira que ainda pudesse existir entre a restrita música extrema e o absurdo sucesso mainstream (ora essa, eles apareceram até no anúncio do iPhone 5C).

E não apenas isso, o álbum figurou como um dos principais destaques do ano nas mais diversas publicações, superando inclusive os trabalhos quase unanimes do Black Sabbath e do Carcass, por exemplo, e considerada uma das maiores obras-primas recentes em diversas críticas mundo afora. Então, uma questão permanece martelando na mente de muitos: é realmente tudo isso?

As primeiras notas de “Dream House”, que percorrem de forma desenfreada os minutos iniciais do álbum, apresentam de forma clara a sujeira resultante do híbrido entre o black metal e o post-rock. Apesar de a tendência puxar mais para o lado do primeiro, por conta da predominância da velocidade e da crueza dos timbres dos instrumentos, os incessantes blastbeats e as terríveis linhas vocais cuspidas de forma atônica, é inegável que há a criação de uma atmosfera riquíssima, com notável quebra de ritmo e interessante mudança de direcionamento em seu final, para algo mais contemplativo e perigosamente próximo ao shoegaze.

Na estrutura de Sunbather, as faixas mais longas são intercaladas por outras menores, como uma transição de pensamentos controversos na mente de uma pessoa com sérios distúrbios de personalidade. Mal cessa o caos de “Dream House”, a tranquilidade quase pastoral nos dedilhados de “Irresistible” remete a tempos mais simples e despreocupados, que são obliterados com a gélida introdução da faixa título, e talvez exatamente por isso, comecem a transparecer alguns pontos estranhos.

A música que dá nome ao álbum traz a mesma fórmula, alternando entre os momentos mais vomitados com outros de pura catatonia épica, de margens nebulosas, praticamente impossíveis de serem definidas. Os poucos descansos sonoros, quase esbarrando no rock progressivo também funcionam como minúsculos interlúdios em uma faixa que parece correr em volta do seu próprio eixo de forma cansativa (ok, talvez isso faça parte da proposta da banda – mas ainda assim determinadas passagens parecem estar ali sem nenhum propósito).

“Please Remember”, com seu crescendo de ruídos e interferências tipicamente utilizadas no post-rock atinge o seu ápice cacofônico até descambar para uma belíssima passagem acústica que precede “Vertigo”, a composição mais completa em Sunbather, aonde a dupla atinge o perfeito equilíbrio entre as suas diversas influências, com 14 minutos de mudanças de andamento devidamente encaixadas e em coerente desenvolvimento. Do hipnótico início árcade, que aos poucos recebe inserções de elementos mais desconexos até os mais agressivos momentos, “Vertigo” realmente cria uma experiência muito além da musical e finalmente torna-se possível visualizar um ambiente alvorar próximo às inusitadas cores da arte do trabalho.

Em seguida, chega a ser intrigante imaginar se as pregações em “Windows” não fazem referência ao Pink Floyd, unindo a transmissão com um incessante loop de sintetizador e piano, como se Waters e Wright, em uma realidade alternativa, fossem entusiastas de um som mais extremo. Devaneios a parte, “The Pecan Tree” mergulha de forma ainda mais profunda no black metal, de certo sentimento épico que flutua entre o Burzum e o Bathory em certos momentos, contando com um instrumental ainda mais saturado e estourado, irreconhecível quando as passagens etéreas aparecem de forma brusca e assustadora, criando mais uma vez o contraste entre as identidades conflitantes da banda, encerrando o álbum praticamente da mesma forma que começou.

Há qualidade em Sunbather. Principalmente pela inversão da equação que o Deafheaven faz, ao basear as músicas não em faixas extremas com toques atmosféricos, mas sim de ser uma banda de post-rock/shoegaze que utiliza elementos extremos para acentuar a sonoridade apocalíptica de sua criação e o conflito transparecido também nas letras. Analisando isoladamente, é um bom trabalho, de produção excessivamente suja em certos momentos e um vocal apático que tenta vociferar de forma agonizante algo que o estraçalha por dentro, mas acaba passando a mensagem apenas de forma monótona, apesar das inteligentes estruturas instrumentais e pela combinação já comentada.

Qual o motivo então de todo o hype em cima do álbum? Bandas como Fen e Alcest (e até mesmo o Burzum) já fizeram algo próximo em sua discografia, da mesma forma que outros ótimos lançamentos de 2013, dos grupos Capa, Altar of Plagues, Castevet, Gris e Vattnet Viskar (para citarmos alguns) podem não ter proposta exatamente igual, mas apresentam direcionamentos parecidos e não tiveram nem uma porcentagem do reconhecimento do Deafheaven. Não estamos falando que é injusto, apenas que soa um tanto quanto descabido.

O black metal manifestado em meio a outros estilos não é grande novidade, e tampouco aparece aqui em sua forma mais completa e coerente durante todo o trabalho. Então, quais seriam os motivos de toda a comoção causada? Teria atingido um público diferente, ainda ignorante em relação a tudo o que vem sendo lançado nos últimos anos? O trabalho visual e o conteúdo lírico confundiram as pessoas em um primeiro instante? Há necessidade de ter uma obra prima e enfiarmos esse veredito goela abaixo de todos, em uma tentativa de unir grupos inicialmente antagônicos? E quanto ao próximo álbum, daqui a alguns anos, terá recepção tão calorosa por aqueles que facilmente se cansam e descartam o novo de ontem como se fosse arcaico hoje? Muitas questões permanecem, e assim provavelmente continuarão durante algum tempo.

Em todo caso, como já dito: há qualidade em Sunbather. Também há beleza e elegância deitada ao lado da desordem e do desespero em um gramado ao nascer do sol. É um bom disco, e deve ser encarado musicalmente como tal. O reconhecimento pelo trabalho da banda é excelente, de fato, mas devemos ter em mente que não é a única bolacha no pacote.

Nota 7,5

Faixas:
1 Dream House
2 Irresistible
3 Sunbather
4 Please Remember
5 Vertigo
6 Windows
7 The Pecan Tree 

Por Rodrigo Carvalho

22 de dez de 2013

Crítica do livro Sete Pecados Capitais, de Corey Taylor

domingo, dezembro 22, 2013

Apesar de o subtítulo anunciar que trata-se de uma autobiografia, Sete Pecados Capitais, livro escrito por Corey Taylor, vocalista do Slipknot e do Stone Sour, está longe disso. O que temos em suas pouco mais de 200 páginas é uma espécie de manifesto, de modo de ver o mundo, a partir das opiniões e pontos de vista de um dos artistas mais emblemáticos do heavy metal.

Dono de um texto ácido, irônico e muito bem desenvolvido, Taylor usa os sete pecados capitais como palco para falar de momentos de sua vida, elaborar críticas à sociedade norte-americana e à sua geração. O que chama a atenção é a qualidade do texto de Corey, que revela-se um cronista inspirado em uma posição privilegiada, sentado no topo do mundo enquanto olha para trás e aponta o dedo para o seu passado e para as contradições e hipocrisias tão naturais aos Estados Unidos.

Quem espera encontrar em Sete Pecados Capitais a história da vida de Corey Taylor, a trajetória do Slipknot e a formação do Stone Sour, ficará frustrado. Não é disso que o livro trata. O único capítulo que pode ser considerado realmente autobiográfico é o sexto, intitulado Minha Waterloo, onde o vocalista relembra sua infância e adolescência. Os demais trazem trechos de memórias mesclados com raciocínios agressivos sobre a cultura, a sociedade e o american way of life.

Como literatura, Sete Pecados Capitais é uma espécie de diário de anotações de um Hunter Thompson mascarado e com tendências sociopatas, que página após página vai desnudando-se sem maiores princípios até revelar-se um personagem complexo e muito interessante, dono de uma mente sagaz e inquieta, faminta e sempre ativa. O texto de Taylor é muito bom, ele sabe como prender o leitor e mostra-se um narrador cheio de recursos. Corey consegue transportar a figura de frontman hipnótico mostrada no palco para as páginas do livro.

Ao terminar a leitura, fica claro que Corey Taylor é não apenas um sobrevivente, mas um dos artistas mais inteligentes e singulares do rock. Mordaz, dono de uma ironia ácida e certeira, o cantor revela em Sete Pecados Capitais o seu modo de ver as coisas, apresentando seus pontos de vista como se estivesse falando com uma gigantesca plateia em um show - o que não deixa de ser verdade, já que o livro vendeu horrores nos EUA, indo parar na prestigiada lista de mais vendidos do New York Times.

Ótimo lançamento da editora Best Seller aqui no Brasil, com tradução de Bruno Cassoti.

Por Ricardo Seelig

20 de dez de 2013

19 de dez de 2013

Slash em estúdio, novo disco em 2014

quinta-feira, dezembro 19, 2013
Slash está em estúdio com sua banda solo, que conta com o vocalista Myles Kennedy (Alter Bridge). Os músicos estão preparando o sucessor de
Apocalyptic Love (2012) e já possuem 16 faixas prontas. 

O terceiro disco de Slash será lançado em 2014, mas ainda não há data confirmada. A sonoridade seguirá a apresentada no álbum de 2012, que foi muito bem recebido por crítica e fãs, apesar de uma parcela ter reclamado dos vocais de Kennedy - saudosismo besta, na minha opinião, já que o cara fez um ótimo trabalho em Apocalyptic Love.

Que venham novos rocks e solos cheios de melodia, Saul.

Por Ricardo Seelig

O Caminho Mais Longo, novo livro de crônicas de Márcio Grings

quinta-feira, dezembro 19, 2013
Depois de Drive-in,  livro lançado na última Feira do Livro de Santa Maria, Márcio Grings, autor santa-mariense de 43 anos, coloca na roda sua nova publicação. Trata-se de O Caminho Mais Longo, uma coletânea de 46 crônicas que foram publicadas ao longo de dezesseis meses (2012-2013), sempre às sextas-feiras no Diário de Santa Maria, época em que o autor atuou como cronista do jornal.

Suas histórias falam de temas comuns a todos nós: angústias, alegrias, o previsível gosto pela nostalgia, e o contraditório flerte com a tecnologia e a vida na cidade. Muitas crônicas versam sobre o tempo, solidão, a assumida inaptidão em vivermos sozinhos, a inabilidade com afazeres domésticos, a peculiar relação entre pai e filho, a contemplação da natureza e a busca por uma vida simples. Também estão lá textos que exploram o amor, a amizade, o vai e vem dos relacionamentos, o movimento das estações, a sensação (imaginária ou não) de deslocamento, sonhos e pesadelos e reflexões sobre dilemas da humanidade.

E claro, além das citações literárias, das pinçadas pelos filmes, a música é borrifada incessantemente pelas páginas de O Caminho Mais Longo. Bandas ou artistas como Bob Dylan, Neil Young, Gram Parsons, Rolling Stones, Crosby Stills and Nash, Tim Hardin, Willie Nelson, Grateful Dead, entre tantos outros, fazem a trilha sonora do livro. 

O Caminho Mais Longo será lançado no próximo dia 27 de dezembro, 18h, na Athena Livraria. 
Além de Drive-in, Grings já lançou A Nós, o Clube dos Descontentes (2009), Vivendo À Sombra dos Gigantes (2006), Rock & Roll (2004) e Saindo da Linha (2002), além de ter organizado e participado da coletânea Santa Invasão Poética (2003).

O Caminho Mais Longo é uma publicação independente capitaneada pelo Blog Memorabilia em parceria com a Athena Livraria.  


Rod quer, Ian não

quinta-feira, dezembro 19, 2013
Nas últimas semanas, Rod Stewart deu declarações na imprensa dizendo que finalmente se encontrava pronto para uma reunião com os seus antigos companheiros de banda do Faces, um dos nomes mais populares e influentes do rock setentista.

Respondendo ao cantor, o tecladista Ian McLaggan falou exatamente o contrário: "Rod disse isso sem falar comigo e com Kenny (Jones, baterista). Acredito que esteja falando a verdade, mas em 2015 comemoraremos 50 anos do Small Faces e estaremos muito ocupados. Faces só em 2016".

O The Faces surgiu a partir do Small Faces e contava também com Ron Wood e Ronnie Lane. Nos últimos anos, a banda tem excursionando com Mick Hucknall, do Simply Red, no lugar de Stewart.

Por Ricardo Seelig

18 de dez de 2013

Top 2013 Collectors Room: o resultado final

quarta-feira, dezembro 18, 2013
Nas últimas semanas, publicamos 26 listas com os melhores do ano segundo a nossa equipe e convidados especiais (jornalistas, blogueiros, colecionadores) de todo o Brasil. Agora, chegou a hora de revelar o que essas listas nos mostraram, confeccionando uma lista final com os melhores discos de 2013 segundo o Top 2013 Collectors Room.

De Abyssal a Yeah Yeah Yeahs, foram citados nada mais nada menos que 170 álbuns diferentes. Essa pluralidade e mistura de estilos nos deixa muito orgulhosos, porque, além de pinçar o que de mais relevante o ano nos deu na música, oferece aos leitores e a nós mesmos a oportunidade de ouvir discos pelos quais passamos batido durante o ano, proporcionando a sempre agradável recompensa de descobrir novos sons.

Algumas curiosidades sobre o Top 2013 Collectors Room:

- publicamos 26 listas distintas com 10 discos cada uma

- ao todo, foram citados 170 álbuns diferentes

- o disco mais citado foi 13, do Black Sabbath, presente em 16 das 26 listas. Na sequência, David Bowie (10), Paul McCartney (8), The Winery Dogs (8), Ghost (7) e Queens of the Stone Age (7)

- o álbum com mais números 1 nas listas também foi o último do Black Sabbath, que liderou 4 das 26. Em seguida tivemos Ghost (3), The Winery Dogs (2) e Queens of the Stone Age (2)

A seguinte metodolodia foi aplicada para chegar ao resultado final do nosso Top 2013:

- demos pontos em uma escala de 10 a 1 para cada lista que recebemos, com o primeiro colocado recebendo 10 pontos e o décimo 1 ponto

- também distribuímos um ponto extra para cada vez que determinado disco foi citado. Assim, se um álbum foi citado em 15 listas, recebeu 15 pontos adicionais

- em caso de empate, o primeiro critério foi o número de vezes em que o título foi citado, seguindo pela posição mais alta que ele alcançou

Dito isso, gostaríamos de agradecer a todos que atenderam ao nosso convite e participaram de nosso Top 2013. Obrigado por enviarem as suas listas, e nos vemos no final de 2014 com mais uma maratona semelhante. Você pode conferir todas as listas do nosso Top 2013 clicando aqui. E aproveite e dê uma olhada também nos melhores dos anos anteriores: 2012, 2011 e 2010.

O ano está chegando ao fim, e mais uma vez foi muito bom para todos nós que fazemos a Collectors Room dividirmos a nossa paixão pela música com vocês, nossos leitores, que não apenas nos dão audiência mas também nos ensinam com seus comentários. Esperamos que cada um de vocês siga ao nosso lado em 2014.

A lista abaixo é bastante democrática (tanto em sua construção, já que levou em conta as escolhas de todos os participantes, quanto em sua abrangência) e vai do pop ao metal, passando pelo rock, soul, indie, folk e blues. Dispa-se de seus preconceitos e use-a como guia para descobrir novas bandas, novos sons e novos gêneros.

Com vocês, os 25 melhores discos de 2013 segundo o Top 2013 Collectors Room:

25 Deventter - Empty Set
24 Arcade Fire - Reflektor
23 The Strokes - Comedown Machine
22 Arctic Monkeys - AM
21 Volbeat - Outlaw Gentlemen & Shady Ladies
20 Mavis Staples - One True Vine
19 Manic Street Preachers - Rewind the Film
18 Alice in Chains - The Devil Put Dinosaurs Here
17 Dream Theater - Dream Theater
16 Anciients - Heart of Oak
15 Deep Purple - Now What!?
14 Haken - The Mountain
13 Fates Warning - Darkness in a Different Light
12 Scorpion Child - Scorpion Child
11 Sepultura - The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart
10 Laura Marling - Once I Was an Eagle
9 Tedeschi Trucks Band - Made Up Mind
8 Daft Punk - Random Access Memories
7 Carcass - Surgical Steel
6 The Winery Dogs - The Winery Dogs
5 Paul McCartney - New
4 Queens of the Stone Age - ... Like Clockwork
3 Ghost - Infestissumam
2 David Bowie - The Next Day
1 Black Sabbath - 13

Por Ricardo Seelig

Top 2013 Collectors Room: os melhores do ano segundo Márcio Grings

quarta-feira, dezembro 18, 2013
O Grings é parceiro de longa data da Collectors. Diversos textos seus estão aqui no site, onde o jornalista, radialista e escritor gaúcho desfila o seu conhecimento avantajado sobre música. Amigo dos bons sons, Grings revela abaixo os seus preferidos de 2013.

Com essa lista, encerramos o nosso Top 2013. Esperamos que vocês tenham gostado. Ainda hoje, colocaremos no ar o resultado final da nossa eleição, revelando quais foram os melhores discos do ano segundo a Collectors Room. Fiquem ligados!

Rinoceronte – O Instinto

Assim como o animal que inspirou o seu nome, o grande mamífero perissodátilo de pele espessa e pregueada, que possui um ou dois chifres sobre o nariz, a Rinoceronte (banda) também pode ser considerada um peso pesado do pedaço. O Instinto, segundo disco dessa banda de Santa Maria (RS), postula no alto do pódio por motivos óbvios. O som feito pelo trio formado por Paulo Noronha (voz e guitarra), Vinícius Brum (baixo e voz) e Alemão (bateria), é uma ilha no universo do rock nacional. Ah, e eles ainda lançaram o play em vinil! Nuances de stoner rock, forte influência no som pesado dos anos 1970 e uma digital única que pode ser conferida em canções como “Chemako”, “As cores” e na faixa-título.

Tedeschi Trucks Band – Made Up Mind

Esse é um daqueles discos que nos enchem de alegria. Basta ouvir os segundos iniciais da faixa homônima para você concluir que está na trilha não apenas de um dos melhores discos do ano, mas da década. Formada por uma reunião de músicos de primeira linha, o casal Susan Tedeschi e Derek Trucks (Allman Brothers) comanda as operações apresentando uma aula de blues, rock, soul e até mesmo pop, mas tudo isso com aquela dose de equilíbrio pertencente aos artistas que sacam do cortado. Se Derek é considerando um dos melhores guitarristas da atual geração, Susan não fica para trás, impossível não relacioná-la como um dos destaques da voz feminina do blues/rock. Ouça “Whiskey Legs” e tire a prova. Destaque para a (contraditória) leveza de “It’s So Heavy”, para a ‘MarsallTuckeriana’ “Idle Wind” e “Sweet and Low”, um daqueles blues de chorar no cantinho.

Laura Marling – Once I Was An Eagle

Nenhum trabalho me impressionou tanto nos últimos tempos. As primeiras quatro músicas de Once I Was an Eagle estão tão bem entrelaçadas que mal podemos saber onde começa uma e termina outra. Ao menos que você as ouça em LP, olhando para o vinil na sua frente. Nesse álbum, a britânica Laura Marling distancia-se do pop e se aproxima ainda mais do folk e da introspecção. A grosso modo dá pra dizer que ela soa como uma mistura de Tim Buckley com Joni Mitchell, por mais estranho que isso possa parecer. Aquela estranheza bonita, entende? “Once” explica em partes o que acaba de ser dito. “Little Love Caster” parece um tema mexicano salpicado de dor e “Devil’s Resting Place” não passa de uma cantiga cigana desesperada. A narrativa de “Undine” nos tira o fôlego. Um disco com cheiro de inverno e repleto de silêncios, com ecos de solidão e feito para ser ouvido como uma cantilena a beira de uma fogueira.

Willie Nelson – To The All Girls

Willie Nelson é um artista a ser estudado. 80 anos nas costas, 143 shows em 2013 e cerca de 74.000 km percorridos de leste a oeste dos Estados Unidos. E a produção do vovô não dá a mínima pinta de cessar. To The All Girls, seu álbum de duetos, é uma mostra desse poder de reinvenção. Mesmo quando apresenta versões batidas de canções exploradíssimas em sua discografia como “Always On My Mind”, ou ao reinventar o clássico do Creedence “Have You Ever Seen the Rain”, Nelson consegue nos surpreender com novas e criativas abordagens. Poucos conseguem manter esse pique. E rodeado de tanto talento feminino, esse velho tarado definitivamente está em casa.

Black Sabbath – 13

Um dos lançamentos mais esperados de 2013 não decepcionou. 13 pode não ter sido uma unanimidade quanto à produção de Rick Rubin, assim como também pode não ter aquela unidade perceptível nos primeiros discos com Ozzy, mas está longe de ser um trabalho medíocre. Bem pelo contrário, há muito a ser celebrado. Os riffs de Iommi continuam matadores, a voz de Ozzy parece revigorada e canções como “Age of Reason”, “God is Dead?” e “End of Beginning” não fizeram feio no setlist das apresentações (frente aos clássicos dos velhos tempos). E de quebra, o velharedo ainda nos deu um dos melhores shows do ano.

Elton John – The Diving Board

Se existe alguém que redescobriu seu verdadeiro som nos últimos tempos, esse cara é Elton John. Desde Songs From the West Coast, Eltinho parece ter desembaraçado o fio da meada, numa carreira que estava atravancada desde meados dos anos 1980. The Diving Board já começa emocionante com “Oceans Way”, uma canção que cheira a Elton John e Bernie Taupin. Um disco despojado de requinte, piano na linha de frente antecipando melodias muitas vezes amargas, temas que certamente não serão ouvidos nas FMs. Candidato e capa do ano, The Diving Board é uma obra maiúscula que consegue fazer o que muitos álbuns de Elton não conseguiram nos últimos trinta anos – retornar aos melhores momentos dos 1970. Ouça “Mr. Quicksand”, “Can’t Stay Alone Tonight” e você entenderá perfeitamente o que digo.

Mavis Staples – One True Vine

Coloque a Bíblia ao lado do toca-discos. Depois de ganhar um Grammy com o álbum You Are Not Alone (2010), uma das vozes mais poderosas da música negra, Mavis Staples, lançou um novo disco digno de figurar entre os grandes da música gospel. Esse é o segundo trabalho de Mavis com produção de Jeff Tweedy (Wilco), que também compôs três temas para One True Vine. O catecismo de Mavis pode tanto nos derrubar ou energizar, dependendo do estado de espírito de cada um, mas uma coisa é certa: impossível ficarmos impassíveis a esse conjunto de canções.

Paul McCartney – New

Macca trabalhou em silêncio e só soubemos desse novo trabalho quando o play já estava prestes a ser lançado. New é um disco que mostra o Beatle muito à vontade, fazendo o que sabe: música de altíssima qualidade. E há um punhado de boas canções que agradam tanto ao fã mais ortodoxo quanto a nova geração. Destaque para “Save Us”, “On My Way to Work”, “Early Days” e “Get Out of Here”. Não é nenhum Chaos and Creation in the Backyard, mas novamente Paul nos mostra do alto de seus 71 anos que continua louco para bater uma bolinha.

Madeleine Peyroux – The Blue Room

Se a crítica malhou The Blue Room, pouco importa. Madeleine Peyroux sempre me emociona. Para compor o espírito do novo trabalho, a diva se inspirou em Modern Sounds of Country and Western, clássico de Ray Charles lançado em 1962 – quatro temas do disco de Charles foram revisitados pela cantora. Esse lance de abordar clássicos da música caipira (ou similares) com o espírito do jazz, continua rendendo um caldo. Dá pra perceber o barato do enlace em “Taking These Chains”, “Changing All Those Changes” e “I Can’t Stop Loving You”. Orquestrações na medida, aquele clima “slow” e a voz de uma das melhores cantoras da atualidade garantem a satisfação na audição. E tem um lance fundamental: Madeleine não tem medo de soar pop. E isso acaba fazendo toda a diferença no resultado final.

Gustavo Telles – Eu Perdi o Medo de Errar

Quando conheci o álbum de estreia de Gustavo Telles, confesso que fiquei semanas ouvindo o CD no carro, em casa, no fone de ouvidos, em qualquer lugar que parasse para ouvir música. Se o segundo trabalho do ex-Pata de Elefante não é tão empolgante como o anterior, bueno, isso é culpa dele mesmo que nos deixou mal acostumados. Já em Eu Perdi o Medo de Errar, Telles se distancia um pouco da veia country rock e se aproxima do soul, no entanto, o clima romântico das letras continua imperando. Destaques para a (quase) ecumênica “Tudo Vai Ficar Bem”, o hino anti-nostalgia “A Dor de Morrer” (a melhor do disco) e para “Na Sua Solidão”, única pérola genuinamente country de um disco raro no mercado nacional. O CD pode ser baixado gratuitamente por este link.

Top 2013 Collectors Room: Silvio Essinger, do Jornal O Globo, revela os seus melhores do ano

quarta-feira, dezembro 18, 2013
Um dos mais respeitados críticos de música do Brasil, Silvio Essinger, atualmente no Jornal O Globo, passou por diversas publicações nacionais e possui dois livros publicados - Punk: Anarquia Planetária e a Cena Brasileira e Batidão: Uma História do Funk.

Silvio participa dos nossos melhores do ano, revelando o seu top 10 de 2013.

Wado - Vazio Tropical

Apoteose de um compositor há muito promissor.

Disclosure - Settle

Luz no fim do túnel da dance music, com jovialidade e vocabulário.

Maglore - Vamos pra Rua

Dos mais maduros encontros entre a MPB e o rock contemporâneo.

My Bloody Valentine - m b v

Extremos da guitarra psicodélica em um percurso inebriante.

Paul McCartney - New

A consistência que falta aos novos, a novidade que falta aos velhos.

Do Amor - Piracema

Reflexivo, extenso, livre, a reinvenção necessária de uma banda fervilhante.

Toro y Moi - Anything in Return

Ouriversaria pop com requintes de Todd Rundgren. Um pequeno prodígio.

Sepultura - The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart

A maior banda brasileira de rock reencontra o fio da meada em disco sanguíneo.

Death Grips - Government Plates

O rap no que ele tem de mais feio, sujo, transgressivo, barulhento e assustador. Não é para qualquer um.

Laura Marling - Once I Was an Eagle

Folk do fundo do abismo, com beleza suficiente para conversar com os anjos.

Top 2013 Collectors Room: os melhores do ano segundo Rafael Fernandes, do Geek Musical

quarta-feira, dezembro 18, 2013
O Geek Musical é um site de duas cabeças. Criado e levado a cabo por Diogo Salles e Rafael Fernandes, é uma evolução do trabalho da dupla no Digestivo Cultural e no podcast Tungcast. Com textos sempre críticos porém bem humorados, o Geek Musical possui uma linha editorial distinta da grande massa de sites e blogs musicais brasileiros, entregando um conteúdo diferenciado e nada raso.

Assim como Diogo Salles, Rafael Fernandes também participa do nosso Top 2013 revelando para os leitores da Collectors Room quais foram os melhores discos do ano na sua opinião.


The Dear Hunter - Migrant

Esse ótimo grupo de rock pop liderado por Casey Crescenzo volta mais livre e direto ao ponto, depois de álbuns conceituais e flertes com o progressivo. Os arranjos continuam muito bem cuidados, com variações de instrumentações e climas. Música recomendada: “Girl”


Queens of the Stone Age - ... Like Clockwork

Josh Homme nos apresenta mais um belo trabalho, um pouco diferente dos anteriores: mais maduro, reflexivo, menos pesado e sujo, com certo grau de sofisticação - e algo de sombrio. É um álbum bem pensado na construção do repertório e que deve ser ouvido com atenção. Música recomendada: “Like Clockwork”


Nine Inch Nails - Hesitation Marks

Trent Reznor volta com o Nine Inch Nails numa sonoridade mais eletrônica em relação ao disco anterior, The Slip (2008). Os climas parecem de uma viagem nonsense ao submundo de uma mente perturbada e obsessiva - não à toa, David Lynch dirigiu o vídeo de “Came Back Haunted”. O apuro sônico e de produção são, como sempre, os destaques. Música Recomendada: “In Two”


The Dillinger Escape Plan - One of Us is the Killer

The Dillinger Escape Plan continua pesado e virtuoso, mas parece cada vez mais focado. One of Us is the Killer é um ótimo álbum, com tudo na medida certa: poucas músicas e canções mais diretas, sem perder suas características de virtuosismo e quebra de ritmos. Música Recomendada: “When I Lost My Bet”


Norma Jean - Wrongdoers

Seu avô diria que o Norma Jean, assim como o The Dilliger Escaple Plan, faz “rock paulêra”. Mas se o primeiro é mais técnico e virtuoso, o segundo é mais sujo e cru - ainda que também capriche nos arranjos. Wrongdoers, o sexto disco do grupo, mostra uma boa evolução em relação aos anteriores. Música Recomendada: “Funeral Singer”


Freak Guitar - The Smorgasbord

Projeto solo de um dos guitarristas mais criativos dos últimos anos, Mattias “IA” Eklundh (Freak Kitchen).  Um álbum duplo com 40 faixas calcadas nas idiossincrasias guitarrísticas bem humoradas desse instrumentista sueco. Ideal para amantes de um virtuosismo meio maluco. Música Recomendada: “Mattias - The Beautiful Guy"


Tomahawk - Oddfellows

A banda liderada por Duane Denison (ex-Jesus Lizard) e Mike Patton (Faith No More) fez um dos melhores discos de sua carreira. E, também, o mais “comercial”. Músicas bem construídas que unem a crueza bem pensada da guitarra de Denison às melodias e gritos de Patton. Música Recomendada: “White Hats/Black Hats”


Joe Satriani - Unstoppable Momentum

Joe Satriani é um músicos mais gente fina e trabalhadores da música - e ainda achou tempo para se divertir no Chickenfoot. Mas há muitos anos ele deve aos fãs um grande álbum solo. Seus lançamentos mais recentes soam mais do mesmo. Apesar disso, sempre há alguns bons achados. Música Recomendada: “Jumping Out”


Dream Theater - Dream Theater

Esse disco é bem amarrado em termos de repertório e produção. A banda parece mais leve depois do primeiro e bem sucedido lançamento sem Mike Portnoy (A Dramatic Turn of Events, de 2011). John Petrucci evoluiu como produtor e, nas guitarras, está mais afiado do que nunca. O que falta para o grupo, agora, é sair de sua zona de conforto - para não correr o risco de repetição. Música recomendada: “The Looking Glass”


The Winery Dogs - The Winery Dogs

Um dos mais aguardados lançamentos do ano, o auto intitulado disco do The Winery Dogs é competente e consistente. Nele, ficam comprovados o talento subestimado de Ritchie Kotzen, o alto nível de Billy Sheehan e a versatilidade de Mike Portnoy. Porém, não é um disco brilhante - falta um "algo mais". Quem sabe no próximo disco? Música recomendada: “Not Hopeless”

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