9 de dez de 2013

Top 2013 Collectors Room: os melhores do ano na opinião de Rodrigo Carvalho

Um caçador de sons. Um pesquisador ávido. Um garimpeiro a serviço da música. Essas características se aplicam perfeitamente a Rodrigo Carvalho. Sempre curioso e inquieto, Rodrigo traz em seus textos para a Collectors Room o que de mais atual existe no universo de suas duas maiores paixões: o heavy metal e o progressivo.

Vindo do Progcast e hoje integrante fixo da equipe que faz a Collectors, Rodrigo Carvalho conta abaixo quais foram os dez melhores discos de 2013 na sua opinião, além de apontar os destaques de outras categorias também.

Aumente o volume e seja bem-vindo ao mundo dos bons sons!


The Ocean – Pelagial

Sete zonas de profundidade oceânicas, divididas em 11 faixas. Em Pelagial, a banda conduz o ouvinte por uma jornada metafórica e impactante da superfície até a base do oceano, criando um belíssimo paralelo conceitual onde cada uma das partes está devidamente encaixada em seu momento no álbum, sob flutuantes estruturas de composição de margens embaçadas e livres, riquíssimas em detalhes. E quando se está lá, estático na zona bentônica, qualquer outro trabalho de 2013 soa apenas abafado, como uma reverberação através dos níveis, que por mais próximas que cheguem, não alcançam de forma completa o The Ocean.


Intronaut – Habitual Levitations

Algumas bandas não têm o menor receio de experimentar sem o menor escrúpulo a cada novo álbum, quer agrade seus fãs ou não. E o quarteto americano Intronaut faz de Habitual Levitations (Instilling Words With Tones) o seu disco mais solto, amórfico e versátil, aonde as milhares (isto não é uma hipérbole) de influências convergem de forma assustadora em composições mais melódicas e sóbrias, menos raivosas se comparadas com os trabalhos anteriores, que voam entre sludge, stoner, progressivo, dub e, principalmente, jazz, com maturidade e naturalidade de cair o queixo.


Cult of Luna – Vertikal

Poucos discos podem ser tão nocivos à saúde mental quanto Vertikal. Composto de intermináveis minutos de pura agonia, de uma complexidade opressora, ao mesmo tempo viciante e claustrofóbica, que guia de forma ditatorial ao longo de cada uma das músicas. Condizente com todas as más impressões que Metropolis (no qual o conceito do álbum se baseou) também passa, os suecos do Cult of Luna não fizeram apenas uma obra que pode servir de trilha sonora para o filme de Fritz Lang, mas revisitaram-no de forma tão bem construída e desagradável que torna-se impossível não ficar preso em seu universo.


Haken – The Mountain

Se o rock progressivo de seus tempos áureos tivesse de ser trazido para um formato contemporâneo, de forma que mantivesse o mesmo espírito de quatro décadas atrás e ainda fosse capaz de trazer algo novo, sem soar excessivamente retrógrado, o resultado (sem pensar duas vezes) seria o apresentado pelo Haken em The Mountain. A banda, em seu terceiro, álbum coloca-os em um nível muito acima não apenas do qual eles se encontravam na época de Aquarius e Visions, mas também em relação a maioria esmagadora de outros grupos com proposta semelhante. E o mais interessante? A impressão é que eles ainda têm muito a mostrar no que vem a seguir.


Blindead – Absence

Um dos muitos nomes de progressivo que surgiram recentemente na Polônia e adotam um caminho musical focado na criação de atmosferas carregadas, o Blindead segue em Absence a proposta já iniciada em Affliction XXIX II MXMVI (de 2010). Deixando cada vez mais o seu lado extremo com influências de doom e sludge para se aproximar de forma mais do que bem sucedida do post-rock com aquela veia que apenas o leste europeu consegue compor, em faixas de andamentos lentos, ao mesmo tempo contemplativas e ruidosas, que se combinam de forma hipnótica com a interpretação do vocalista Patryk Zwolinski. Um dos mais belos álbuns de 2013. De longe.


Orphaned Land – All is One

Muitas das bandas parecem ter perdido a capacidade de contar uma boa história recentemente. Veja bem, não estou falando de discos conceituais tão rasos quanto uma colher, mas sim de boas histórias de verdade. Estou falando de histórias que prendem a sua atenção, que agridem, destroem e ensinam uma lição, por mais brutal ou belíssima que possa ser. E All is One não apenas traz a sempre riquíssima diversidade instrumental e filosófica que sempre marcaram as obras do Orphaned Land, mas sim um resultado grandioso graças à combinação da música oriental com o heavy metal e o tom épico proporcionado pelo trabalho orquestral, que praticamente nos carrega para algum lugar no meio do deserto, com apenas uma fogueira para espantar os fantasmas e uma boa história para passar o tempo.


Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra

Há certa anarquia, e também certa beleza, em Antes Que Tu Conte Outra. Como se o Apanhador Só tivesse passado alguns dias em um quintal cheio de ferramentas e completamente focado em compor de forma livre, apenas seguindo o fluxo da mente sem a menor preocupação. São infinitas camadas sonoras inesperadas e detalhes cuidadosos (e curiosos) em meio às ácidas letras, frutos de um pensamento musical nada padrão por parte do grupo gaúcho, que definitivamente colocam-nos como os responsáveis por um dos mais interessantes álbuns nacionais do ano.


East of the Wall – Redaction Artifacts

Unindo a sujeira do sludge americano com a complexidade estrutural do rock progressivo e as megalomanias técnicas do technical death metal, o quinteto americano East of the Wall atinge em Redaction Artifacts o equilíbrio que já vinha sendo desenhado aos poucos em seus três álbuns anteriores. Sem descambar para o exagero auto-indulgente, as onze faixas oscilam de forma vertiginosa, desafiadora, sem saber o que pode vir após cada segundo. Mas, acredite, é uma tensão extremamente positiva e muito além do que se pode descrever.


Rosetta – The Anaesthete

Imagine que o mundo já acabou há algum tempo e se tornou um lugar desolado, sombrio, tomado pelas ruínas dos monumentos erguidos por uma espécie humana que não existe mais. Agora imagine que você é o último sobrevivente deste cenário completamente sem vida. É basicamente esta sensação de desespero e isolamento que The Anaesthete, quarto álbum do Rosetta, passa para o ouvinte, com infinitas transformações que passam pelo sludge, hardcore e drone, sempre com o post rock servindo de notória linha guia.


Iron Tongue – The Dogs Have Barked, The Birds Have Flown

Como se saído de velhas cidades moribundas que caem aos pedaços no meio das mais áridas regiões dos Estados Unidos, o Iron Tongue pode ser classificado, ainda que superficialmente, como uma banda de southern rock. Porém, com uma linha de raciocínio muito mais negativa e reflexiva, a música arrastada do septeto do Arkansas carrega um assombroso sentimento de falta de esperança na interpretação da dupla CT (também vocalista do Rwake) e Stephanie Smittle, como um velho sentado na varanda de sua casa ao entardecer, observando uma nuvem negra se formando no horizonte ainda muito longe.


Retorno do Ano: Black Sabbath

Independente dos motivos (e não estamos aqui para julgar isso), a presença de Bill Ward poderia ter tornado esse retorno ainda mais histórico. De qualquer forma, o Black Sabbath permanece como banda mais importante da história do heavy metal, e tanto 13 quanto Live... Gathered in Their Masses encerram de uma vez por todas qualquer discussão sobre este assunto.


Decepção: Avenged Sevenfold – Hail To The King

Apesar de em 2013 termos sido “agraciados” com um Super Collider e um Frequency Unknown, temos que considerar a expectativa nesse caso. E o que se esperava dos californianos era algo que fizesse justiça ao que já haviam apresentado anteriormente. O que aconteceu? Um disco perdido, forçado, seco de sentimentos e que, apesar de contar com (raros) momentos aceitáveis, traz o Avenged Sevenfold soando como algo que definitivamente não é.


CD/DVD Ao Vivo: Anathema – Universal

Gravado no antigo teatro romano de Plovdiv (Bulgária), a banda dos irmãos Cavanagh conseguiu registrar toda a atmosfera que as suas apresentações proporcionam, transformando em uma experiência imersiva, quase hipnótica, mesmo para quem não pôde estar naquela gravação. Alie uma banda extremamente interpretativa com um setlist montado cuidadosamente e devidamente acompanhado de uma orquestra, e encontrará a resposta de porque os espectadores conseguem apenas assistir vidrados e quase sem reação durante cada uma das músicas.

Música: Wisdom of Crowds – Frozen North

5 Melhores Sites Sobre Música

Invisible Oranges
Metal Sucks
About.com Heavy Metal
Scream & Yell
Tenho Mais Discos Que Amigos
 

8 comentários:

Daniel Silva disse...

Respeito muito o Rodrigo pelo gosto musical e conhecimento. Muito bacana a lista, ainda mais por citar o Apanhador Só, uma das bandas brasileiras que eu mais gosto.

Diego Camargo disse...

Grande Rroio. Nunca concordamos (ta la o Orphaned Land que não me deixa mentir xD), mas uma bela lista. Fiquei curioso com o Pelagial, tava deixando pra lá mas vou checar por tua culpa rs

Rodrigo Carvalho disse...

Valeu, Daniel! E saiba que o respeito é recíproco!

E Diego, sabia que ia comentar algo do Orphaned Land (li a resenha no Progshine esses dias mesmo hehe).

Patrick Raffael Comparoni disse...

Esse disco do The Ocean é mesmo muito bacana.

O do Intronaut fui ouvir com muita expectativa, depois de tudo de positivo que li a respeito, mas me decepcionei.

Do restante, há 3 ou 4 álbuns a dar uma checada, e o Iron Tongue, uma novidade que eu achei legal, me lembrando bastante o Down, e até então só havia lido a respeito no Metal Sucks.

Romulo8 disse...

O Orphaned Land e o Intronaut tambem estão na minha lista de melhores de 2013!! Q bom que alguem lembrou deles!!

Diego Camargo disse...

Acabei ouvindo o The Ocean ontem. Cara, musicalmente falando o disco é ótimo, realmente ótimo. Mas eu tenho uma birra com vocais 'gritados' que é foda.
O vocalista dos caras é fantástico, com uma extensão animal, os vocais gritados combinam com a música deles, nada está fora do lugar, mas me incomoda, não sei dizer porque.

Mas no final das contas é sim um puta disco :)

lucas disse...

Orphaned Land foi um album lindo, tanto em conceito quanto em tudo!! muito legal ver esse disco aqui!! e sobre o Avenged Sevenfold também senti a mesma vibe de fiz por fazer!

Leonardo Guimarães disse...

Pelagial é uma obra sensacional. Esse Orphaned Land não me desceu de jeito nenhum. Achei estranho.

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