3 de out de 2014

In Flames: crítica de Siren Charms (2014)

sexta-feira, outubro 03, 2014
A evolução, transformação e metamorfose - escolha o termo que preferir - pelo qual a música do In Flames passou ao longo dos anos é impressionante. De um dos pilares e responsáveis pela modernização do death metal melódico em discos como Whoracle (1997), Colony (1999) e Clayman (2000), o grupo deu um giro atordoante em seu som e inseriu elementos do metal moderno, aproximando-se do nu metal e do alternativo. Alguns curtiram, outros tantos, não. Faço parte do primeiro grupo.

Siren Charms, novo disco da banda, intensifica uma característica que vem sendo percebida em seus últimos trabalhos: a tentativa consciente, e geralmente bem sucedida, de unir os dois extremos que moldaram a carreira do In Flames até aqui. Ou seja, são canções que apresentam trechos de melodias em arranjos quebrados e com grandes doses de agressividade, resultando em um som que mostra que é perfeitamente possível trilhar, simultaneamente, estes dois caminhos que muitos pensam ser antagônicos.

Uma coisa sempre foi fato: por mais inovador que o In Flames tenha soado em diversos momentos de sua trajetória - e a banda sempre teve a inquietude artística como característica marcante -, as experimentações do grupo vieram ao mundo, invariavelmente, na forma de composições fortes e de grande qualidade. É só olhar pra trás e colocar pra rodar novamente álbuns como Come Clarity (2006) e A Sense of Purpose (2008) para perceber isso. E esse alto nível foi mantido nas músicas que estão em Siren Charms. As onze faixas do disco formam um tracklist consistente, que atesta não apenas a importância do In Flames, mas, sobretudo, a longevidade de um trabalho em constante mutação.

Colocando em palavras mais claras, pode-se dizer que Siren Charms traz um metal moderno e atual, que utiliza alguns elementos do passado para se tornar ainda mais eficiente aos ouvidos. Ou seja, música pesada contemporânea que não assusta os bangers da velha guarda - ou, pelo menos, não deveria repelir esses ouvintes.

A consistência do In Flames segue mantida com este novo trabalho, e isso é uma ótima notícia.

Ah, e a capa é linda!

Nota 7,5

2 de out de 2014

Popa Chubby, aquele gordinho que toca blues

quinta-feira, outubro 02, 2014
A primeira vez que ouvi falar de Popa Chubby foi na comunidade da poeira Zine no recentemente falecido Orkut. O cara era altamente recomendado por grande parte daquele povo. Como ouvinte curioso, fui conferir. E, é claro, não me arrependi.

Nascido Theodore Joseph Horowitz em 31 de março de 1960 no bairro do Bronx, em Nova York, Popa Chubby está na estrada há pelo menos duas décadas e já lançou aproximadamente vinte discos, além de alguns DVDs.

A sua música pode ser definida como um blues que vem sempre temperado com a malícia e o balanço do funk, resultando em um som dançante e com muito groove. No Rate Your Music, seus álbuns mais bem avaliados são Electric Chubbyland (2006), Gas Money (1994) e Old School (2003). Já o AllMusic manda você ouvir The Good, The Bad and The Chubby (2002), Peace Love and Respect (2004) e Stealing the Devil’s Guitar (2006). Se quiser um conselho, recomendo uma passada geral pela discografia do cara.

Um dos nomes mais respeitados e cultuados do blues “recente" (entre aspas mesmo, afinal, como já dito, são mais de duas décadas de carreira), Popa Chubby não é muito conhecido por aqui e não tem o seu trabalho muito divulgado no Brasil - posso estar enganado, mas tenho quase certeza absoluta de que nenhum de seus discos recebeu edição nacional.

E a coisa é aquela de sempre: o som do careca é legal pra caramba, um prato cheio não apenas pra quem gosta de blues mas também para quem curte o bom e velho rock and roll e a sempre bem-vinda música de qualidade.

Pra você sacar qual é a praia do gordinho, use os players abaixo como degustação e sem parcimônia.

1 de out de 2014

Grinderswitch, uma das pérolas escondidas do southern rock

quarta-feira, outubro 01, 2014
O sul dos Estados Unidos é, historicamente, prolífico em ótimas bandas. Tanto que várias delas foram agrupadas em um mesmo rótulo que procurou classificar sons distintos como Lynyrd Skynyrd e Allman Brothers em um barco só. Há semelhanças, é claro, mas quem ouviu nem que seja o mínimo destes dois grupos sabe que o buraco é mais embaixo.

Mas, ao lado do tempero country que torna o rock das bandas do sul norte-americano cheio de malícia e com um tempero próprio, outro elemento se faz perceptível em todas elas: as guitarras. Faiscantes. Brilhantes. Gêmeas. Sempre protagonistas.

Pode ser em “Free Bird”, pode ser em “Highway Song”, pode ser em “Southbound”: não importa. É banda de southern, é certeza de deleite pra quem aprecia as seis cordas que moldaram o rock como o gênero musical mais popular do século XX.

E lá, bem escondida na terra prometida do southern rock (também conhecida como Jacksonville), nasceu uma das mais perfeitas manifestações da alma guitarrística sulista. O Grinderswitch surgiu em 1973 e gravou seis discos até se separar, em 1981. Em 2001 retornaram da aposentaria e lançaram mais dois álbuns. Mas o assunto aqui são os quatro primeiros registros do grupo - Honest to Goodness (1974), Macon Tracks (1975), Pullin’ Together (1976) e Redwing (1977). Em especial, a faixa título do quarto trabalho do grupo. 

Guitarras gêmeas fazem parte da minha vida. Em uma paixão que teve início com o Iron Maiden e o Helloween, cresceu, amadureceu e se transformou em um amor eterno pelo Thin Lizzy e uma paixão platônica pelo Wishbone Ash. Com tudo isso na cabeça, “Redwing" se transformou em uma canção especial desde a primeira vez que meus ouvidos tomaram contato com ela. Uma melodia doce, que embala os versos e colore a vida. Até porque, se for pra falar de música de maneira racional, analisando discos e músicas com métodos e afins, prefiro nem tocar o teclado. É preciso voar alto, deixar que as palavras surjam conforme as notas toquem, e, quando vemos, parágrafos e parágrafos cheios de metáforas afloram pelas páginas.

“Redwing" faz isso, e faz mais. É companhia, é trilha, é luz na escuridão. Como o restante do disco com o qual divide o título.

Meus devaneios já se mostraram bastante frutíferos. Já coloquei o prato principal na mesa. Sirva-se, babe os beiços e divida o sabor com os leitores nos comentários.

Em comunicado, família confirma demência de Malcolm Young

quarta-feira, outubro 01, 2014
Em comunicado oficial, a família Young confirmou que Malcolm, guitarrista e fundador do AC/DC, sofre de demência e que esse foi o motivo para o seu afastamento definitivo do grupo. “Malcolm está sofrendo de demência e a família agradece o respeito à sua privacidade".

O vocalista Brian Johnson também falou brevemente sobre o assunto: “Nós sentimos falta de Malcolm, obviamente. Ele é um lutador. Stevie, sobrinho de Malcolm e que está com a gente agora, é excelente, mas quando você está gravando um novo material e se dá conta que aquele cara que esteve ao seu lado durante anos não está bem, tudo fica mais difícil”.

O AC/DC anunciou que o novo disco do grupo, Rock or Bust, será lançado no dia 2 de dezembro e trará onze músicas inéditas. Como já informado, Stevie Young assumiu o posto do seu tio Malcolm, algo que já havia ocorrido no início da década de 1990, quando o agora aposentado guitarrista precisou se afastar da banda por um período para tratar o seu alcoolismo.


Que Malcolm tenha conforto e viva da melhor maneira o restante de seus dias.

30 de set de 2014

A canção de ninar do Little Feat

terça-feira, setembro 30, 2014
Provavelmente a faixa mais conhecida do Little Feat, “Willin'" veio ao mundo em janeiro de 1971, mês de lançamento do primeiro disco da banda. Balada composta pelo vocalista, guitarrista e líder da banda, Lowell George, a letra traz um olhar auto-biográfico sobre a vida de Lowell, embalada por um instrumental que funde elementos do country, folk, blues, soul, gospel e rock em um mesmo pacote.

A melodia contemplativa reflete os versos, declamados por George com um indefectível feeling.

Pra embalar a tarde, saudar o dia ou apenas cantar junto, “Willin'" figura fácil entre as grandes canções produzidas pelo rock norte-americano durante os anos 1970.


Abaixo, a gravação original e outras versões marcantes daquela que é, pra mim, a melhor canção do Little Feat.

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