23 de jan de 2015

As incríveis capas da Metal Hammer norueguesa

sexta-feira, janeiro 23, 2015
A cena de metal no Brasil é tão "sei-lá" que até as capas de revistas por aqui refletem isso, com diagramações ultrapassadas, artes questionáveis e tudo mais. Uma pena, mas não deixa de ser um reflexo da realidade em que vivemos.

Já lá no frio da Noruega, a história é diferente. A edição norueguesa da Metal Hammer se notabilizou, entre outras qualidades, por sempre trazer capas muito bem desenvolvidas e que causam impacto nos leitores. 

Separamos algumas das mais legais pra você aqui neste post. Enjoy!



























Whitesnake ganha biografia escrita por Martin Popoff

sexta-feira, janeiro 23, 2015
O prolífico escritor canadense Martin Popoff, autor de dezenas de biografias sobre artistas de rock, está lançando um novo livro dedicado exclusivamente ao Whitesnake. Em Sail Away: Whitesnake’s Fantastic Voyage, Popoff conta a história e transformação da banda, que começou começou no hard e blues rock e e transformou em um dos gigantes do hard oitentista.

A obra conta com 224 recheadas de entrevistas com David Coverdale, Ian Paice, Bernie Marsden, Neil Murray, Micky Moody, Adrian Vanderberg, Steve Vai, John Kalodner, Doug Aldrich, Keith Olsen e diversos outros músicos, montando um painel bastante completo sobre a história da cobra branca.

Aos interessados, o livro está disponível no site do autor e na Amazon.


22 de jan de 2015

Coletânea celebra os 50 anos do Grateful Dead

quinta-feira, janeiro 22, 2015
Por alguma razão que os deuses desconhecem, o Grateful Dead, uma das maiores e mais importantes bandas da história do rock norte-americano, é praticamente ignorada aqui no Brasil. Azar de quem não escuta o som dos caras …

Pois bem. Acabamos de receber a confirmação de que a Warner lançará em nosso país a coletânea comemorativa aos 50 anos de carreira do grupo. The Best of the Grateful Dead chegará às lojas brasileiras no próximo dia 31 de março com o que de melhor a banda liderada pelo vocalista e guitarrista Jerry Garcia produziu em sua história. Dupla, a compilação traz 32 faixas organizadas em ordem cronológica, incluindo clássicos como “Casey Jones”, “Truckin’", “Box of Rain” e “Friend of the Devil”. 

Uma ótima pedida para quem quer conhecer a música do grupo ou rechear a sua coleção, já que os álbuns do Grateful Dead estão fora de catálogo por aqui.

Playlist Collectors Room: No Embalo do Funk

quinta-feira, janeiro 22, 2015
Há algumas semanas, fui surpreendido por um comentário questionando a citação ao funk presente neste post. Fiquei surpreso em ler algo assim a essa altura do campeonato, e fiquei pensando a respeito. Realmente, é surpreendente que algumas pessoas ainda associem o termo funk apenas ao funk carioca, quando, na verdade e como nós sabemos, o estilo tem uma história muito mais antiga e rica musicalmente, que teve o seu início lá no começo da década de 1960 com nomes como James Brown.

Como trata-se de um dos meus gêneros musicais favoritos, criei uma playlist que a princípio seria apenas para consumo interno, mas que acabou vindo parar aqui no site também. Não se tratam das melhores faixas do estilo ou as mais impactantes, mas sim apenas canções que curto bastante e que passeiam pala história do gênero.

Afaste os móveis da sala, aumente o volume e caia no embalo do funk!

21 de jan de 2015

7 releituras para a música de abertura de Game of Thrones

quarta-feira, janeiro 21, 2015
Game of Thrones é uma série espetacular em todos os sentidos. O enredo, a produção, o elenco. E a música. O tema de abertura é arrepiante e recebeu diversas versões ao longo dos anos.

Abaixo, sete das interpretações mais interessantes, uma para cada reino retratado na história, além da original, pra você ter um parâmetro de comparação.

O inverno está chegando …

20 de jan de 2015

Bandas de um disco só: Gandalf - Gandalf (1969)

terça-feira, janeiro 20, 2015

O Gandalf tinha tudo para figurar entre os ícones da psicodelia norte-americana, mas uma série de trapalhadas e um fator geográfico determinante impediram tal ascensão, relegando a banda ao subterrâneo da cena lisérgica do final dos anos 60. Nada conseguiu evitar, porém, que o único disco lançado pelo quarteto galgasse degraus importantes ao longo do tempo até atingir o status de clássico. Atualmente, é item cobiçado por colecionadores dos quatro cantos do planeta.

A origem do Gandalf remonta ao início da década de 1960, quando a psicodelia ainda era algo distante, e passa pela infância musical de Peter Sando, fundador, líder e mente maligna por trás da concepção da banda. Sobrinho de Dolly Dawn, uma importante cantora de jazz, desde cedo Sando teve contato com o mundo mágico dos sons. Chuck Berry e Bo Diddley foram as primeiras influências do garoto, que rapidamente se arriscaria em montar o próprio grupo.

A primeira empreitada de Peter Sando foi o Thunderbirds, que ficou na ativa de 1962 a 1964 após ser formado com amigos de escola. Não durou muito, tampouco teve grande impacto em Tenafly, cidade do estado de Nova Jersey, berço do que futuramente viria a ser o Gandalf. No entanto, foi fundamental para o surgimento da parceria com outro jovem da região: Bob Muller.


O próximo passo, a partir de 1965, já foi algo mais maduro e, de fato, pode ser considerado o embrião do Gandalf: The Rahgoos. As influências mais latentes passam a ser de nomes como Beatles, Rolling Stones e Zombies, e o primeiro show ocorre em 1967 no Club Car, em Greenwood Lake, Nova York. Se antes Peter Sando e seus comparsas estavam confinados apenas em sua cidade natal, com a chegada do ano do Verão do Amor a música dos garotos ganha espaço e toma de assalto vários clubes novaiorquinos, dentre eles The Electric Circus, Scott Muni's Rolling Stone, The Phone Booth, Murray the K's World e o aclamado Night Owl Cafe.

Com a entrada de Frank Hubach e Davy Bauer, o Rahgoos estabilizou sua formação clássica e, por meio de uma versão da canção "Golden Earrings", conseguiu chamar a atenção de uma subsidiária da Capitol. Era hora de gravar um disco. Quando da assinatura do contrato, dias antes de entrar em estúdio, vem a exigência da gravadora: a banda teria que mudar de nome. O quarteto reluta, mas cede à imposição. A nova alcunha, Gandalf, é escolhida a partir de um livro que Bauer lia à época: O Hobbit, sendo essa a única conexão entre a música do grupo e a vasta obra de Tolkien.


Sem tantas músicas próprias, o Gandalf decide incluir no álbum canções de outros compositores. Tim Hardin, que pertencia à mesma gravadora, contribui com três: "Hang on to a Dream", "Never Too Far" e "You Upset the Grace of Living", que ganham novos arranjos e figuram entre as melhores. "Can You Travel in the Dark Alone" e "I Watch the Moon", assinadas por Peter Sando, são as únicas de autoria da banda, mas também brilham com louvor. "Me About You" é outro destaque e sintetiza em pouco mais de quatro minutos o pop psicodélico que nomes badalados como Tame Impala e Temples vêm fazendo atualmente. "Scarlet Ribbons" e, sobretudo, "Tiffany Rings" lembram um Beach Boys mais ácido. "Nature Boy", por sua vez, é a menos interessante do disco.

As gravações aconteceram no Century Sound Studio, em 1968, sob a batuta dos produtores Charles Koppelman e Don Rubin. Os integrantes do Gandalf, no entanto, não participaram do trabalho de mixagem, fato que irritou profundamente Peter Sando, que odiou o resultado final. A longa demora na conclusão desse processo também esfriou o ânimo da banda, que ruiu e se separou antes mesmo de ver o disco nas lojas. O lançamento estava previsto para acontecer no fim do ano, mas um fato inusitado atrasou tudo. Após a prensagem, na hora de distribuir a bolacha, descobriu-se que a embalagem estava trocada e continha o disco de outro grupo: Lothar & The Hand People's. Até se corrigir o equívoco, já estava tudo acabado para o quarteto de Nova Jersey.

O álbum, homônimo à banda, saiu apenas no início de 1969. Dissolvido e distante da Costa Oeste, o Gandalf sequer conviveu ou teve maior contato com a efervescente cena da Califórnia, onde as coisas realmente aconteciam. Com pouca promoção por parte da gravadora, o trabalho logo se perdeu e, na época, caiu no ostracismo. Com o passar dos anos, entretanto, foi redescoberto e relançado em 2002 pela Sundazed, que depois também soltaria um Gandalf 2 (2007), desnecessário e apenas com sobras de estúdio. Algo discreto perto da obra original, que há 45 anos se perpetua como um dos melhores discos malditos da psicodelia dos anos 60.


Formação

Peter Sando (guitarra e vocal)
Bob Muller (baixo e vocal)
Frank Hubach (teclado, piano e harpsichord)
Davy Bauer (bateria)


Faixas

1 Golden Earrings - 2:45 - (J. Livingston, V. Young e R. Evans)
2 Hang on to a Dream - 4:12 - (Tim Hardin)
3 Never Too Far - 1:50 - (Tim Hardin)
4 Scarlet Ribbons - 3:02 - (J. Segal e E. Danzig)
5 You Upset the Grace of Living - 2:38 - (Tim Hadin)
6 Can You Travel in the Dark Alone - 3:07 - (Peter Sando)
7 Nature Boy - 3:06 - (Eden Ahbez)
8 Tiffany Rings - 1:48 - (G.Bonner e A. Gordon)
9 Me About You - 4:54 - (G.Bonner e A. Gordon)
10 I Watch the Moon - 3:50 - (Peter Sando)

Por Guilherme Gonçalves

Playlist Collectors Room: Grandes Guitarristas

terça-feira, janeiro 20, 2015
A inspiração para essa playlist veio deste post da Consultoria do Rock. Além dele, o guia para a escolha dos músicos presentes foi a lista da Rolling Stone publicada há alguns anos.

Quase 50 faixas em mais de 3 horas de música, com alguns dos momentos mais sublimes que a guitarra já proporcionou ao rock. Como sempre, ausências serão sentidas, mas isso faz parte da brincadeira.

Volume no máximo e play abaixo:

A canção não continuou a mesma: a história do filme The Song Remains the Same, do Led Zeppelin

terça-feira, janeiro 20, 2015
Em 1973 o Led Zeppelin já era uma das maiores bandas do mundo. O grupo formado por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham havia acabado de lançar o seu quinto álbum, Houses of the Holy, que desembarcou nas lojas em 28 de março trazendo algumas das jóias da coroa como “The Rain Song”, “No Quarter” e “The Song Remains the Same”. Aproveitando o ótimo momento vivido pelo quarteto, cada vez mais famoso por seus shows memoráveis e imprevisíveis, com setlists variáveis a cada noite, o manager Peter Grant decidiu gravar em filme a passagem do quarteto pelo Madison Square Garden, em Nova York.

O diretor Joe Massot foi contratado para o registro dos concertos realizados pelo Led Zeppelin no MSG nos dias 27, 28 e 29 de julho de 1973. No entanto, em cima da hora aconteceu um problema: a equipe de filmagem não foi autorizada a gravar dentro do MSG. Só a turma responsável pelo áudio foi liberada. Assim, apenas o som dos shows realizados no Madison Square Garden foi gravado. A solução encontrada por Grant, já que tinha todos os profissionais contratados, foi transferir a captação de imagens para o Three Rivers Stadium, em Pittsburgh. Assim, antes do show na cidade alguns dias depois, o quarteto subiu ao palco com o mesmo figurino utilizado em NY e teve a sua performance registrada. A montagem final uniu o áudio dos shows de Nova York com as cenas da apresentação em Pittsburgh. Essa informação, no entanto, só seria divulgada anos mais tarde.

O filme ainda levou alguns anos para ser lançado, estreando nos cinemas somente em 20 de outubro de 1976. A banda precisava dar uma parada, dar uma pausa nos excessos após a antológica turnê norte-americana de 1975 que promoveu Physical Graffiti, e a alternativa encontrada foi o lançamento do filme e de sua trilha sonora, que se tornou o primero e, durante muitos anos, único álbum ao vivo do Zeppelin.

The Song Remains the Same recebeu uma reedição em 2007, com o filme totalmente remasterizado e o álbum ganhando faixas extras que não estavam presentes na edição original. 

Você já assistiu e ouviu. Eu também. Inúmeras vezes. Mas é sempre bom retornar a um clássico que, mesmo com o passar dos anos, mantém a sua magia intacta.

19 de jan de 2015

A irracional fase Racional de Tim Maia

segunda-feira, janeiro 19, 2015
Racional é um dos álbuns mais míticos da música brasileira. Lançado originalmente em 1974, por mais de trinta anos foi objeto de desejo voraz de colecionadores, fato que só foi amenizado em 2006, com o seu tão aguardado lançamento em CD. Mas, para entender o porque de tudo isso, é preciso fazer uma pequena viagem no tempo.

Tim Maia havia lançado quatro discos até 1973 que, por mais que mostrassem uma qualidade acima da média, não haviam estourado e transformado Tim em um fenômeno de vendas. Extremamente autoral e sempre priorizando a sua liberdade artística, Tim trabalhou durante todo aquele ano em um novo LP, e, quando o julgou terminado, apresentou o resultado para a Philips, sua gravadora na época. André Midani, diretor da companhia, recusou o álbum (outro trabalho recusado por Midani na mesma leva Atrás do Porto Tem Uma Cidade, de Rita Lee & Tutti Frutti) e ordenou que Tim refizesse tudo e lhe apresentasse uma nova alternativa. Temperamental, o cantor não admitiu a recusa e rompeu seu contrato com a gravadora. 

Esse fato coincidiu com a descoberta por parte de Tim Maia da seita Racional Superior, a qual se converteu em um fanático adepto. Esta controversa organização era baseada na obra Universo em Desencanto, que defendia que a raça humana tinha origem extraterrestre, em um local chamado Planície Racional (o encarte do disco traz essa teoria mais detalhada, e vale uma análise minuciosa dos delírios nela contidos). Tim Maia resolveu então bancar do próprio bolso a gravação e criou seu próprio selo, o Seroma (sigla para Sebastião Rodrigues Maia, seu nome de batismo), para colocar o disco no mercado, transformando-o assim no primeiro trabalho independente de um artista brasileiro.


As letras dos dois volumes de Racional são uma defesa clara e obstinada do livro Universo em Desencanto. As faixas propagam os ideais propostos pela Racional Superior, resultando em um painel que une em um mesmo caldeirão o surrealismo e o fanatismo religioso. Mas é musicalmente que o bicho pega … Adicionando doses generosas de funk e soul a sua música, Tim alcançou em Racional um resultado admirável. O groove ganhou temperos tropicais, gerando um novo som que nem mesmo o próprio Tim conseguiria repetir no futuro. Mas o que poderia ser o estouro comercial definitivo de Tim Maia foi abortado pelo próprio autor. Após um perído de cegueira fanática, Tim enfim acordou e percebeu que havia metido os pés pelas mãos. Desiludido com a Racional Superior, retirou do mercado todos os exemplares disponíveis de Racional e Racional Vol. 2 (1975), transformando assim um disco espetacular em uma obra pra lá de cult. 

O tempo transformou os dois volumes em objeto de desejo de fãs, colecionadores e DJs, fazendo com que uma raríssima cópia do vinil original alcançasse valores estratosféricos. Isso fez com que por muito tempo Racional carregasse a título de "o disco mais caro"  lançado por um artista brasileiro. 


Em 2006 a gravadora Trama lançou o álbum finalmente em CD. Trabalhando a partir de um vinil, os engenheiros de som e técnicos da companhia transportaram o som original para o formato digital, remasterizando-o de forma exemplar. Todo esse trabalho resultou em uma belíssima edição, que trouxe como bônus também a versão em vinil que serviu de base para a recuperação do material.

Ouvir as faixas de Racional é um prazer. Inspiradíssimo, o cantor entrega pérolas como "Imunização Racional (Que Beleza)" e a positiva "Bom Senso", ambas com belos arranjos e linhas vocais cativantes. Mas a principal música de toda essa fase é "Rational Culture", um hipnótico funk guiado por uma linha de baixo pulsante, onde Tim canta em inglês sobre o Universo em Desencanto. É possível ouvir em "Rational Culture" influências do funk psicodélico do Funkadelic de George Clinton, mostrando o quanto Tim estava antenado com o que rolava na época nos guetos norte-americanos.


Recentemente, através de uma coleção lançada em bancas de revistas pela Editora Abril, os dois volumes de Racional foram relançados em luxuosos digibooks, repletos de textos e informações sobre o período. Além disso, um controverso Volume 3, com sobras de estúdio e gravações da época, também foi disponibilizado, mas serve mais como curiosidade, já que está bem abaixo dos discos originais.

Racional é um trabalho único, a visão maluca de um gênio criativo sobre suas crenças, devidamente embalado por um balanço nunca mais ouvido na música brasileira. Por tudo isso, chamá-lo de clássico, por mais que soe retundante, é uma obrigação.

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