29 de abr de 2016

Pra entender: o que é punk rock?

sexta-feira, abril 29, 2016


O punk surgiu nos Estados Unidos e na Inglaterra em meados da década de 1970, como a resposta de uma nova geração de músicos contrários aos aspectos comerciais cada vez mais presentes no rock, bem como os pretensiosos exageros encontrados principalmente nos grupos de rock progressivo da segunda metade dos anos setenta. Em suma, o que esta geração de novos músicos buscava era a resgate do sentimento de rebeldia e contestação do velho rock and roll.

As raízes do punk estão no final dos anos 1960, em bandas de garage rock e de proto-punk como Stooges e MC5. No entanto, essa associação e o próprio termo proto-punk só passaram a ser utilizados a partir do surgimento e da popularização do gênero, entre 1976 e 1977, através de bandas como Ramones, Sex Pistols e The Clash. 

Essa primeira explosão foi muito forte principalmente na Inglaterra, tendo como bala de canhão a atitude selvagem e o marketing agressivo do Sex Pistols. Com canções provocativas como “Anarchy in the U.K.” e “God Save the Queen”, a banda atraiu a atenção da mídia de maneira massiva, colocando os holofotes sobre a cena. Junto com isso todo um grupo de bandas inglesas veio à tona, revelando ao mundo nomes como Clash, Damned e Wire. Com menos estardalhaço mas com qualidade inegável e influência enorme, a cena nova-iorquina do período, tendo os Ramones e o Television à frente, fez história com discos que se transformaram em clássicos instantâneos como Marquee Moon e Rocket to Russia.



Musicalmente o punk apresenta forte influência do rock dos anos 1950, do garage rock e do surf rock e  é caracterizado por músicas curtas e diretas, andamentos rápidos, riffs agressivos e cheios de distorção, arranjos simples e vocais gritados. Há, claro, variações a partir destes elementos, como fica claro com uma simples audição de qualquer LP do The Clash, por exemplo. 

No aspecto lírico, as letras abordam comumente temas que partem para o confronto e trazem pautas agressivas, sem medo de falar sobre assuntos que passam longe de artistas mais mainstream. A postura anti-establishment, contra o sistema, faz parte do DNA do discurso punk.

Esteticamente, o que temos é um visual agressivo e que reflete a postura contrária ao sistema, estereotipada através de moicanos, piercings, jaquetas de couro, coturnos, jeans e roupas rasgadas. No entanto, basta um mergulho um pouco mais profundo no estilo para perceber diferentes vertentes que refletem desde o olhar minimalista dos skinheads até o aspecto andrógino de Patti Smith.



Uma particularidade do punk é a capacidade de mutação, refletida nas inúmeras transformações e sub-gêneros derivados do estilo, como o Oi!, o Psychobilly e as Riot Grrrl. A mais notável destas variações é o hardcore, com uma sonoridade ainda mais primal, violenta e agressiva e dona de um movimento próprio também com sub-gêneros, como o post-hardcore.

No final dos anos 1990 o mercado musical experimentou um revival do punk com a ascenção de bandas como Green Day, Rancid, Offspring e Blink-182, que obtiveram enorme sucesso nos Estados Unidos e estabeleceram o punk rock como uma força comercial respeitável desde então. Essa geração de bandas acabou sendo classificada como pop punk, termo que reflete a onipresença de refrãos e melodias fortes nas canções dos grupos citados.

Com uma grande variedade de gêneros, movimentos e culturas, o punk não apenas segue vivo em diversas regiões do mundo como atesta a sua importância como um dos gêneros mais influentes e relevantes da história do rock.



Abaixo, uma pequena discografia selecionada com alguns dos títulos mais importantes do punk:

Ramones - Ramones (1976)
Sex Pistols - Never Mind the Bollocks Here’s the Sex Pistols (1977)
The Clash - The Clash (1977)
Wire - Pink Flag (1977)
The Damned - Damned Damned Damned (1977)
Television - Marquee Moon (1977)
Ramones - Rocket to Russia (1977)
Heartbreakers - L.A.M.F. (1977)
Ramones - Leave Home (1977)
Dead Boys - Young Loud and Snotty (1977)
Richard Hell & The Voidoids - Blank Generation (1977)
Buzzcocks - Another Music in Different Kitchen (1978)
Ramones - Road to Ruin (1978)
The Clash - Give ‘Em Enough Rope (1978)
The Clash - London Calling (1979)
Ramones - It’s Alive (1979)
Sex Pistols - The Great Rock ’n' Roll Swindle (1979)
The Undertones - The Undertones (1979)
The Damned - Machine Gun Etiquette (1979)
Stiff Little Fingers - Inflammable Material (1979)
Buzzcocks - A Different Kind of Tension (1979)
X - Los Angeles (1980)
Dead Kennedys - Fresh Fruit for Rotting Vegetables (1980)
Wipers - Youth of America (1981)
X - Wild Gift (1981)
Dead Kennedys - Plastic Surgery Disasters (1982)
Descendents - Milo Goes to College (1982)
Minutemen - Double Nickels on the Dime (1984)
Green Day - Dookie (1994)
Offspring - Smash (1994)
Rancid - … And Out Come the Wolves (1995)
Social Distortion - White Light White Heat White Trash (1996)

Ace Frehley: assista ao clipe de clássico do Free com participação de Paul Stanley

sexta-feira, abril 29, 2016

Origins, Vol. 1, novo álbum de Ace Frehley, foi lançado no último dia 13 de abril e vem fazendo bonito nas paradas norte-americanas. Puxado pela versão de “Fire and Water”, clássico do Free que conta com a participação do parceiro de Kiss Paul Stanley, o disco tem agradado público e crítica.

O trabalho tem doze faixas, todas covers, incluindo canções de bandas como Cream, Rolling Stones, Jimi Hendrix e Thin Lizzy, além de três do Kiss: “Parasite”, “Cold Gin” e “Rock and Roll Hell”. Participações especiais de nomes como Slash, Mike McCready, John 5 e Lita Ford dão ainda mais brilho ao álbum.

Abaixo, o clipe de “Fire and Water” marcando o reencontro de Ace e Paul:

Led Zeppelin: caso de plágio de “Stairway to Heaven” pode ser resolvido por modestos 1 dólar

sexta-feira, abril 29, 2016

Michael Skidmore, advogado que representa a família de Randy California, falecido guitarrista do Spirit, no julgamento em andamento do processo de plágio movido contra o Led Zeppelin envolvendo as similaridades entre as canções “Stairway to Heaven” e “Taurus”, ao que tudo indica ofereceu um acordo bastante interessante à banda inglesa para encerrar as discussões. 

A proposta de Skidmore seria a seguinte: pelo pagamento de módicos 1 dólar, a família de Randy encerraria o processo, já que, segundo o advogado, a disputa não é motivada por dinheiro, mas sim pelo reconhecimento legal de que o Led Zeppelin se inspirou na canção composta por California e que, por isso, deveria dar crédito ao falecido músico.

Agora, um pequeno parênteses: o contrato do Led Zeppelin com sua gravadora pela concessão do uso de “Stairway to Heaven” rendeu 60 milhões de dólares na última vez em que foi renovado. A próxima renovação deve acontecer daqui há dois anos, e caso a proposta de Skidmore seja aceita, Randy California seria creditado como co-autor da canção e receberia uma parcela pelos lucros gerados pela faixa a partir de agora.




28 de abr de 2016

Os Melhores Discos de Todos os Tempos: 1987

quinta-feira, abril 28, 2016

Após a predominância do thrash metal verificada no ano anterior, o universo do rock foi dominado por dois discos em 1987: Appetite for Destruction e The Joshua Tree. Álbuns que transformaram de maneira definitiva a carreira das bandas que os gravaram, colocando o Guns N’ Roses e o U2 definitivamente no seleto clube dos maiores nomes da história do rock and roll.

O ano teve também o retorno de gigantes consagrados do rock progressivo como Yes e Supertramp, voltas essas que foram colocadas em segundo plano com a disputa artística travada entre o Pink Floyd e Roger Waters. A Momentary Lapse of Reason e Radio K.A.O.S. deixaram claras as diferentes abordagens sonoras seguidas por Waters e pelo trio Gilmour, Wright e Mason. Além disso, após uma briga jurídica que se arrastou por alguns anos nos tribunais, o público, sedento pela banda, acolheu o Pink Floyd de braços abertos e transformou a turnê do grupo na mais lucrativa de 1987.

Deep Purple e Aerosmith, duas bandas que haviam retomado suas carreiras alguns anos antes, deram sequência a esse processo com discos inspirados, enquanto os guitarristas do mundo todo foram apresentados ao som alienígena de Joe Satriani.

Na cena glam metal tivemos a explosão comercial do Def Leppard com o multiplatinado Hysteria, a crescimento contínuo do Bon Jovi com Slippery When Wet (lançado no ano anterior) e a transformação sonora do Whitesnake, que largou as influências de soul e blues e os figurinos despojados e abraçou a estética e a sonoridade do hair metal.

No mundo pop, Whitney Houston provou ser uma força respeitável através das excelentes vendas de seu segundo disco, enquanto Michael Jackson retornou após o sucesso astronômico de Thriller com um disco de inegável qualidade, o também ótimo e igualmente recordista de vendas Bad.

Correndo por fora de todos esses personagens que protagonizaram o ano, algumas bandas lançaram em 1987 discos que são até hoje considerados como seus melhores trabalhos. O The Cult caprichou nos riffs e entregou o clássico instantâneo Electric. O Midnight Oil provou que a Austrália tinha mais frutos em seu quintal e veio carregado de singles com o ótimo Diesel and Dust. E o INXS gravou um dos melhores álbuns de pop rock da década, o praticamente perfeito Kick.



Os principais fatos do ano foram:

  • Aretha Franklyn tornou-se a primeira mulher a ser induzida no Rock and Roll Hall of Fame, em cerimônia realizada no dia 3 de janeiro
  • após meses enfrentando sérios problemas em sua voz, Elton John foi submetido a uma cirurgia no dia 5 de janeiro, na Austrália. A operação na garganta do artista inglês fez com que o registro vocal posterior à intervenção fizesse a voz de Elton soar mais grave do que antes
  • em 9 de março foi lançado The Joshua Tree, quinto álbum do U2 e responsável por transformar os irlandeses em super estrelas mundiais. O disco vendeu 14 milhões de cópias somente durante o ano, e até hoje é um dos álbuns mais conhecidos do quarteto
  • em 13 de março foi lançado o primeiro single no formato de fita-cassete. A escolhida foi “Heat of the Night”, canção de Bryan Adams presente no álbum Into the Fire. O formato passou a ser denominado pela indústria fonográfica através do termo “cassingle"
  • inspirados pela clássica apresentação realizada pelos Beatles no topo do edifício da Apple em 1969, o U2 gravou no dia 27/03 o clipe de “Where the Streets Have No Name” no topo de um prédio de Los Angeles
  • em 27 de junho Whitney Houston tornou-se a primeira mulher a ter um álbum estreando direto no primeiro lugar da Billboard. O título em questão foi o segundo disco da cantora, batizado apenas com o seu nome
  • em 4 de junho ocorreu em Moscou o primeiro concerto de rock realizado em conjunto pelos governos dos Estados Unidos e da então União Soviética, com o objetivo de promover a paz. Tocaram no evento The Doobie Brothers, James Taylor, Santana e Bonnie Raitt, além da banda russa Autograph
  • em 21 de julho chegou às lojas norte-americanas Appetite for Destruction, primeiro disco do Guns N’ Roses. Com uma performance inicial fraca em relação às vendas, em poucas semanas o LP começou a vender como água e se transformou no álbum de estreia com o maior número de cópias comercializadas na história, com mais de 18 milhões de discos vendidos somente nos Estados Unidos
  • no dia 3 de agosto o Def Leppard lançou o seu quarto disco, Hysteria. O título foi o mais longo álbum gravado nos formatos LP e K7, com mais de 62 minutos de duração
  • Bad, o aguardado sucessor de Thriller, chegou às lojas de todo o planeta em 31 de agosto. O disco colocou metade de suas faixas (cinco de dez) na primeira posição das paradas de singles dos Estados Unidos, feito jamais alcançado por qualquer outro artista até hoje (a saber: “I Just Can’t Stop Loving You”, “Bad”, “The Way You Make Me Feel”, “Man in the Mirror” e “Dirty Diana”)
  • após uma longa batalha judicial, no dia 7 de setembro foi lançado A Momentary Lapse of Reason, primeiro álbum do Pink Floyd sem Roger Waters. A turnê do disco foi um sucesso, arrecadando mais de 135 milhões de dólares em todo o mundo, valor só alcançado pela soma da quantia conseguida por Michael Jackson e U2 nas tours que realizaram durante o ano
  • “You're All I Need”, do Mötley Crüe, foi lançada como clipe em 19 de outubro. A MTV recusou-se a veicular o vídeo da faixa devido ao seu alto teor de violência
  • em um dos maiores negócios da história da indústria fonográfica, a CBS Records foi vendida para a Sony Corporation no dia 18 de novembro por um valor superior a 2 bilhões de dólares. A nova companhia foi rebatizada em 1991, passando a se chamar Sony Music Entertainment

Foram formadas em 1987 bandas como Alice in Chains, Babes in Toyland, Backyard Babies, Biohazard, Blues Traveler, Cynic, Deicide, Entombed, Fugazi, Gin Blossoms, Harem Scarem, Kingdom Come, Kyuss, Malevolent Creation, Meshuggah, Nirvana, Pink Cream 69, Porcupine Tree, Raimundos, The Roots, Rotting Christ, The Silencers, Therion, Tiamat, Ugly Kid Joe, Uncle Tupelo e Winger. Encerraram as atividades durante o ano nomes como Hüsker Dü, Possessed, Renaissance, The Smiths, Tygers of Pan Tang e Violent Femmes. Após períodos de inatividade, Lynyrd Skynyrd e The Doobie Brothers retomaram as suas carreiras em 1987.

Nasceram em 1987 Kesha (01/03), Joss Stone (11/04), Kendrick Lamar (17/06), Hilary Duff (28/09) e Frank Ocean (28/10). Faleceram durante o ano Buddy Rich (02/04), Carlton Barrett (07/04), Paul Butterfield (04/05), John Hammond (10/07), Peter Tosh (11/09) e Jaco Pastorius (21/09) 

Foram induzidos ao Rock and Roll Hall of Fame em 1987:

  • The Coasters
  • Eddie Cochran
  • Bo Diddley
  • Aretha Franklin
  • Marvin Gaye
  • Bill Haley
  • B.B. King
  • Clyde McPhatter
  • Ricky Nelson
  • Roy Orbison
  • Carl Perkins
  • Smokey Robinson
  • Big Joe Turner
  • Muddy Waters
  • Jackie Wilson

Os vencedores das principais edições da 29ª edição do Grammy foram:

  • Gravação do Ano: “Higher Love”, de Steve Winwood
  • Álbum do Ano: Graceland, de Paul Simon
  • Canção do Ano: “That's What Friends Are For”, de Dionne Warwick
  • Melhor Artista Novo: Bruce Hornsby & The Range

Nas listas de melhores do ano das principais revistas de música do período, os vencedores foram:

  • Kerrang!: Permanent Vacation, do Aerosmith
  • Melody Maker: The Young Gods, do The Young Gods
  • NME: Yo! Bum Rush the Show, do Public Enemy
  • Rolling Stone: Tunnel of Love, de Bruce Springsteen

Os cinco maiores hits de 1987 foram “La Bamba” dos Los Lobos, “Never Gonna Give You Up” de Rick Astley, “I Wanna Dance with Somebody Who Loves Me” de Whitney Houston, “It's a Sin” do Pet Shop Boys e “Who's That Girl” de Madonna.

Também fizeram bastante sucesso durante o ano as seguintes músicas:

  • “Alone” e “I Want You So Bad", do Heart
  • “Always on My Mind”, do Pet Shop Boys
  • “Animal”, ”Hysteria”, “Love Bites”, “Pour Some Sugar on Me” e "Rocket", do Def Leppard
  • “Angel”, “Dude (Looks Like a Lady)” e “Rag Doll", do Aerosmith
  • “Bad” e “I Just Can’t Stop Loving You", de Michael Jackson
  • “Barcelona”, colaboração entre Freddie Mercury e Montserrat Caballé
  • “Beds Are Burning”, do Midnight Oil
  • “Change of Heart” e “What's Going On", de Cyndi Lauper
  • “Cherry Bomb” e “Paper in Fire", de John Cougar Mellencamp
  • “Don't Dream It’s Over”, do Crowded House
  • “Faith” e “I Want Your Sex", de George Michael
  • “The Game”, “Lips Like Sugar” e “People Are Strange", do Echo & The Bunnymen
  • “Got My Mind Set On You”, de George Harrison
  • “Hazy Shade of Winter”, das The Bangles
  • “Heat of the Night”, de Bryan Adams
  • “Here I Go Again” e “Is This Love", do Whitesnake
  • “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, “Where the Streets Have No Name” e “With or Without You”, do U2
  • “(I’ve Had) The Time of My Life”, de Bill Medley & Jennifer Warnes
  • “It's the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)” e “The One I Love”, do R.E.M.
  • “Love Will Find a Way”, do Yes
  • “Luka”, de Suzanne Vega
  • “Mony Mony”, de Billy Idol
  • “Need You Tonight” e “New Sensation”, do INXS
  • “Never Let Me Down Again” e "Strangelove", do Depeche Mode
  • “One Heartbeat”, de Smokey Robinson
  • “Pump Up the Volume”, do MARRS
  • “Sweet Child O’ Mine” e “Welcome to the Jungle", do Guns N’ Roses
  • “War”, de Bruce Springsteen
  • “Why Can’t I Be You?”, do The Cure

Os singles com o maior número de semanas no número 1 da Billboard durante 1987 foram “Livin' on a Prayer”, do Bon Jovi, e “Faith”, de George Michael. Ambos permaneceram no topo das paradas por quatro semanas. Outros destaques foram “With or Without You” do U2, “Alone" do Heart” e “La Bamba” dos Los Lobos, com três semanas cada.

Em relação aos álbuns, seis títulos dominaram a paradas norte-americana. Slippery When Wet levou o Bon Jovi ao número 1 na segunda semana de janeiro, e a banda permaneceu no primeiro posto até o final de fevereiro. Março viu Licensed to Ill, estreia dos Beastie Boys, assumir a ponta até a segunda quinzena de abril. Então chegou The Joshua Tree e o U2 permaneceu na liderança por nove semanas, até o final de junho. A banda irlandesa só foi superada pelo fenômeno de vendas que foi Whitney, segundo álbum de Whitney Houston, que foi o disco com o maior número de semanas na primeira posição durante o ano: nada menos do que onze. Bad, de Michael Jackson, tomou conta das paradas entre o final de setembro e todo o mês de outubro, enquanto a trilha de Dirty Dancing foi o grande best seller do final do ano, assumindo a ponta na segunda quinzena de novembro e ficando por lá até o Natal.

Slippery When Wet foi o álbum mais vendido durante o ano no mercado norte-americano, enquanto “Walk Like an Egyptian”, das Bangles, foi o single com a maior quantidade de cópias comercializadas nos Estados Unidos em 1987.

No Reino Unido o single de maior sucesso foi “Never Gonna Give You Up”, de Rick Astley, enquanto o álbum mais vendido foi Bad, de Michael Jackson. 



Mantendo a mesma metodologia dos anos anteriores, realizamos uma pesquisa em levantamentos similares publicados nos mais diversos veículos com o objetivo de identificar os discos mais significativos do ano. Feito isso, submetemos cada um desses títulos às notas dadas a eles por revistas e sites especializados em música, lançamos em nossa planilha e chegamos ao resultado abaixo.

Com vocês, os melhores discos lançados em 1987 (apenas discos de estúdio, pois como é padrão neste tipo de listas, álbuns ao vivo e compilações não entram):

50 Marianne Faithfull - Strange Weather
49 Depeche Mode - Music for the Masses
48 Sting - … Nothing Like the Sun
47 Bathory - Under the Sign of the Black Mark
46 Suzanne Vega - Solitude Standing
45 The Smiths - Strangeways, Here We Come
44 Titãs - Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas
43 Engenheiros do Hawaii - A Revolta dos Dândis
42 Love and Rockets - Earth Sun Moon
41 Celtic Frost - Into the Pandemonium
40 Savatage - Hall of the Mountain King
39 Sinéad O’ Connor - The Lion and the Cobra
38 Boogie Down Productions - Criminal Minded
37 Eric B. & Rakim - Paid in Full
36 Public Enemy - Yo! Bum Rush the Show
35 George Michael - Faith
34 R.E.M. - Document
33 Kreator - Terrible Certainty
32 Terence Trent D’Arby - Introducting the Hardline According to Terence Trent D’Arby
31 Pet Shop Boys - Actually
30 The Jesus and Mary Chain - Darklands
29 Joe Satriani - Surfing with the Alien
28 The Cure - Kiss Me Kiss Me Kiss Me
27 Marillion - Clutching at Straws
26 Death - Scream Bloody Gore
25 Mötley Crüe - Girls Girls Girls
24 Testament - The Legacy
23 Anthrax - Among the Living
22 Red Hot Chili Peppers - The Uplift Mofo Party Plan
21 The Sisters of Mercy - Floodland
20 Def Leppard - Hysteria
19 Deep Purple - The House of Blue Light
18 Rush - Hold Your Fire
17 Pink Floyd - A Momentary Lapse of Reason
16 Aerosmith - Permanent Vacation
15 Sodom - Persecution Mania
14 Whitesnake - Whitesnake
13 Hüsker Dü - Warehouse: Songs and Stories
12 Midnight Oil - Diesel and Dust
11 Candlemass - Nightfall
10 Napalm Death - Scum
9 King Diamond - Abigail
8 The Replacements - Pleased to Meet Me
7 INXS - Kick
6 Michael Jackson - Bad
5 Helloween - Keeper of the Seven Keys Part I
4 Prince - Sing ‘O' the Times
3 The Cult - Electric
2 U2 - The Joshua Tree
1 Guns N’ Roses - Appetite for Destruction

Meu top 10 do ano é esse:

1 The Cult - Electric
2 U2 - The Joshua Tree
3 INXS - Kick
4 Midnight Oil - Diesel and Dust
5 Guns N’ Roses - Appetite for Destruction
6 The Replacements - Pleased to Meet Me
7 Whitesnake - Whitesnake
8 Red Hot Chili Peppers - The Uplift Mofo Party Plan
9 Joe Satriani - Surfing with the Alien
10 Engenheiros do Hawaii - A Revolta dos Dândis

Abaixo você tem uma playlist com os maiores hits e as músicas mais significativas do ano. E nos comentários queremos saber quais foram os melhores discos lançados em 1986 na sua opinião. Poste a sua lista!

Discoteca Básica Bizz #043: Arnaldo Baptista - Loki? (1974)

quinta-feira, abril 28, 2016


No pop brasileiro, são raros os que driblaram a barreira linguística e edificaram trabalhos fundamentais. Em meio às síndromes progressivas, à invasão da Nordésia e do rockão pauleira, no início de 1974 o LP em questão surgiu não apenas como antídoto a essas tendências, mas também como uma obra única e radical do rock brasileiro.

Gravado em terríveis condições emocionais - Arnaldo havia perdido Rita Lee para sempre -, após sua saída dos Mutantes, o disco conta, além da participação de três ex-integrantes (o baterista Dinho, o baixista Liminha e Rita nos backing-vocals), com arranjos de Rogério Duprat. A gravação, feita às pressas, proporcionou uma pegada inigualável e, dado o seu estado emocional, Loki? acabou por ser o maior tratado existencial do rock brasileiro, algo digno do desespero suicida da nouvelle vague, da dolorosa raiva incontida dos jovens raivosos ingleses e de poetas visionários que enxergaram o lado obscuro da realidade.

Arnaldo demonstrou o que significa amar até perder o nome, buscar os paraísos artificiais a partir da desintegração da alma e percorrer os porões proibidos dos sentimentos, dando vazão aos abismos da vida e anunciando esboços da morte tateada, ainda que não consumada. Nessas antevisões, ele já parecia estar ciente das amargas metamorfoses que delineariam seu destino tatuado por uma tentativa de suicídio em 1980, após ter criado a alucinada Patrulha do Espaço. 

Se, textualmente, provou genialidade, em nível musical nada deixou a dever. Ou seja, a partir de sua voz arrancada do âmago e de um sensível piano de concepção clássica, ele percorre o tecido rock com eclética maestria, indo das mais tristes baladas até rocks progressivos, passando por tons de bossa, jazz, funk e blues.



A primeira faixa do LP, a linda balada rock and roll "Será Que Eu Vou Virar Bolor?", usando o título como mote, traça ironicamente um paralelo entre o futuro de seu amor e o do rock, ambos ameaçados de extinção. A seguinte, "Uma Pessoa Só", arranjada por Duprat, remonta os lindos sonhos dourados de 71/72, quando os Mutantes viviam em comunidade na Serra da Cantareira, numa trip coletiva em que era possível ser "uma pessoa só". 

"Não Estou Nem Aí" é uma balada beat pulverizada por tons de blues e jazz em que, sombreado pela (im)possibilidade de esquecer os "males", ele desafia a morte de forma sarcástica. Em "Vou Me Afundar na Lingerie", um pop blues de primeira linha, instala a evasão absoluta do mundo real "deslanchando bem embaixo" e propondo afogar as mágoas no deslumbre da natureza e na relatividade das pequenas coisas. A instrumental "Honky Tonky" é um delicioso mergulho ao piano.

A segunda fase traz a memorável "Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?", esmerado exercício de bossa nova que desbanca à loucura, mas não exime o prazer pelas viagens. Na baladaça "Desculpe", penetra na angústia passional, um "Jealous Guy" à brasileira, que sentindo "o pulso de todos os tempos" exige o amor a qualquer custo. Na fragmentada "Navegar de Novo", desvenda sua particular "passagem das horas" e as dimensões (im)possíveis do tempo. 

"Te Amo, Podes Crer", uma balada de amor, encarna o pranto de um abandonado que revela: "Dentro de algum tempo eu paro de tocar / espero o apocalipse de então eu te encontrar", um verso que resumiria profeticamente seu futuro. Fechando, a folk psicodélica "É Fácil", microsíntese do amor absoluto.

Se hoje sua obra é mítica, saiba que Arnaldo pagou muito caro por toda essa paixão levada às últimas consequências. "Já leu todos os livros" e sabe que "a carne é triste".

(Texto escrito por Fernando Naporano, Bizz #043, fevereiro de 1989)

26 de abr de 2016

Pra entender: o que é rock progressivo?

terça-feira, abril 26, 2016


Nascido na Inglaterra entre o final dos anos 1960 e o início da década de 1970, o rock progressivo surgiu do desejo de algumas bandas em ir além do formato padrão do rock e da música pop, em uma tentativa de elevar o gênero a níveis mais altos de credibilidade artística. 

Para tanto, as bandas progressivas buscaram ir além do que era feito até então, rompendo os limites técnicos e de composição habituais ao rock, criando canções mais longas (em contraste com o padrão single, entre 3 e 4 minutos) que fugiam do popular esquema estrofe-refrão-outra estrofe-repete o refrão. Para alcançar tal objetivo, muitas vezes os arranjos incluíam elementos e estruturas extraídos ou inspirados em outros estilos como a música clássica, o jazz e a world music.

Há algumas características marcantes e bastante fortes no estilo, que ajudam a definir de uma maneira clara o rock progressivo. A já citada busca por algo além do formato padrão do pop trouxe canções com duração mais longa, com trechos instrumentais estendidos, interlúdios musicais e contrastes entre um movimento e outro. Inspirando-se em um recurso comum à música clássica, muitas vezes ouvimos longas suítes em álbuns de prog, canções que se desenvolvem e evoluem em camadas crescentes até atingir o ápice. A improvisação é um elemento importante, agregando mais possibilidades além dos solos tradicionais. Tudo isso leva a composições que, não raro, ultrapassam os 20 minutos de duração.

Mantendo a coerência, os artistas progressivos inseriram instrumentos que foram além dos tradicionais guitarra, baixo, teclado e bateria habituais ao rock. Instrumentos como flauta, saxofone, violino, sintetizadores, efeitos e colagens eletrônicas ampliaram o leque de timbres disponíveis, deixando a música naturalmente mais rica. Dois desses instrumentos, o moog e o mellotron, tornaram-se intimamente associados ao prog, com suas sonoridades características transformando-se quase em sinônimos do estilo.

Em relação ao ritmo, a exploração de possibilidades além do tradicional 4/4 é onipresente. Novas possibilidades de andamento e mudanças na dinâmica das canções, além de uma liberdade maior na abordagem rítmica, refletem isso. O mesmo raciocínio vale quando analisamos as harmonias e as melodias presentes nos discos progressivos, que soam muito mais elaboradas e complexas do que o pop e rock comuns e trazem influências do jazz e do clássico. O desenvolvimento de passagens tendo como ponto de partida estruturas modais, assim como experimentações com harmonias atonais e dissonantes, são ingredientes marcantes.



Talvez a característica mais forte do rock progressivo seja a popularização da abordagem conceitual. Um disco contando uma única história, dividida em várias faixas que se desenvolvem de maneira contínua. Álbuns como The Wall, por exemplo, tem a sua força e impacto muito maiores quando digeridos e entendidos pelo conjunto de suas canções e não apenas por uma ou outra faixa isolada. Essa ideia se reflete também nas artes dos discos, e exemplos de bandas que desenvolveram uma identidade visual marcante são fartos. A colaboração entre o Yes e o ilustrador Roger Dean produziu artes impactantes que deram uma cara para a intrincada musicalidade da banda inglesa, enquanto a associação do Pink Floyd com o estúdio Hipnosis transformou em imagens repletas de surrealismo a sonoridade singular do quarteto liderado por Roger Waters e David Gilmour.


Outro ponto essencial do prog foi a transposição dos temas das canções e dos discos para o palco, com a inclusão de cenários grandiosos, figurinos e performances teatrais nos shows, buscando oferecer uma experiência sensorial completa. O Genesis foi um dos exemplos mais influentes disso, com Peter Gabriel assumindo diferentes personas a cada turnê. O mesmo vale para o aparato de palco do Pink Floyd, que elevou o padrão dos concertos a um nível até então inédito com seus porcos infláveis, aviões voadores e muros enormes.



O rock progressivo alcançou o seu auge criativo e de popularidade durante a década de 1970, através de bandas como Pink Floyd, Yes, King Crimson, Genesis, ELP, Yes, Jethro Tull e Gentle Giant. O gênero seguiu vivo nas décadas seguintes, com novos nomes renovando o estilo em cada década.


Abaixo está uma pequena discografia selecionada para quem busca saber mais sobre prog (existem muitos outros discos excelentes, as indicações abaixo são só pra começar a curtir), bem como uma playlist com alguns dos maiores clássicos do estilo:

King Crimson - In the Court of the Crimson King (1969)
ELP - Emerson, Lake & Palmer (1970)
Van der Graaf Generator - H to He Who Am the Only One (1970)
Yes - The Yes Album (1971)
Caravan - In the Land of Grey and Pink (1971)
Genesis - Nursery Crime (1971)
Yes - Fragile (1971)
ELP - Tarkus (1971)
Jethro Tull - Aqualung (1971)
Pink Floyd - Meddle (1971)
Van der Graaf Generator - Pawn Hearts (1971)
Genesis - Foxtrot (1972)
Premiata Forneria Marconi - Storia di un minuto (1972)
Yes - Close to the Edge (1972)
Jethro Tull - Thick as a Brick (1972)
Gentle Giant - Octopus (1972)
ELP - Brain Salad Surgery (1973)
King Crimson - Lark’s Tongues in Aspic (1973)
Genesis - Selling England by the Pound (1973)
Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973)
King Crimson - Red (1974)
Supertramp - Crime of the Century (1974)
Camel - Mirage (1974)
Yes - Relayer (1974)
Genesis - The Lamb Lies Down on Broadway (1974)
Pink Floyd - Wish You Were Here (1975)
Mike Oldfield - Ommadawn (1975)
Camel  - The Snow Goose (1975)
Van der Graaf Generator - Godbluff (1975)
Rush - 2112 (1976)
Camel - Moonmadness (1976)
Pink Floyd - Animals (1977)
Rush - A Farewell to King (1977)
Rush - Hemispheres (1978)
Pink Floyd - The Wall (1979)
King Crimson - Discipline (1981)

Pink Floyd: Syd Barrett na capa da nova Mojo

terça-feira, abril 26, 2016

O lendário Syd Barrett é o destaque da nova edição da revista inglesa Mojo. O gênio criativo dos primeiros anos do Pink Floyd tem a sua história contada através de uma rara entrevista com sua irmã, Rosemary, que revela detalhes da vida do músico antes e depois de sua passagem pela banda. No texto, Rosemary confirma a teoria de que Syd experimentou a condição definida como sinestesia, sendo capaz de "enxergar" os sons e "ouvir" as cores.

A Mojo 271 vem ainda com duas artes exclusivas do Pink Floyd, uma capa exclusiva de colecionador e o tradicional CD, nesta edição trazendo 14 faixas que traçam um panorama da cena psicodélica atual através de canções de nomes como Goat, Thee Oh Sees, Heron Oblivion e outros.

A reunião da formação clássica da banda do guitarrista Santana, a história do The Jam contada através de fotos selecionadas pelo próprio Paul Weller, a lenda do jazz Sonny Rollins e muita mais completam a edição.



25 de abr de 2016

Os Melhores Discos de Todos os Tempos: 1986

segunda-feira, abril 25, 2016


Sem medo de errar, dá pra afirmar que 1986 foi o ano do thrash metal. Afinal, nada mais nada menos que três clássicos indiscutíveis e fundamentais do gênero foram lançados naqueles doze meses: Master of Puppets, Reign in Blood e Peace Sells. Discos que não apenas resistiram ao teste do tempo como estão presentes até hoje nos shows de seus respectivos autores.

Refletindo a popularidade cada vez maior do glam metal no mercado norte-americano, a época também trouxe bastante experimentação com guitarras sintetizadas em trabalhos de ícones do heavy metal. Enquanto o Iron Maiden acertou a mão em Somewhere in Time, o Judas Priest soou corajoso e controverso em Turbo, que até hoje divide a opinião dos fãs. O próprio hair metal teve durante o ano o lançamento de dois de seus discos mais emblemáticos, The Final Countdown e Slippery When Wet, além de ter as suas características fortemente sentidas em Seventh Star e The Ultimate Sin, da dupla Black Sabbath e Ozzy Osbourne.

Em uma relação benéfica para ambos os lados, artistas de hard rock e metal colaboraram com nomes do hip-hop em trabalhos que tornaram-se clássicos. A parceria entre o Run-D.M.C. e o Aerosmith na regravação de “Walk This Way” pelos rappers trouxe os Toxic Twins de volta aos holofotes, enquanto a união entre os Beastie Boys e o Slayer (representados por Kerry King) gerou um disco excelente e que é uma amálgama perfeita entre o rap e o rock - Licensed to Ill, assinado por Rick Rubin.

Duas trilhas sonoras marcaram 1986. A de Rocky IV, puxada por duas canções do Survivor - “Eye of the Tiger” e “Survivor" - ajudou a elevar ainda mais a popularidade do AOR, enquanto a de Top Gun vendeu horrores puxada pela balada “Take My Breath Away”.

O ano também teve uma disputa interna entre o Van Halen e seu ex-vocalista, David Lee Roth. 5150 e Eat ‘Em and Smile foram lançados em 1986 e trouxeram sonoridades distintas. Enquanto David manteve o alto astral de seus tempos de Van Halen em um disco ensolarado, Eddie e companhia intensificaram a presença de teclados de 1984 e gravaram um álbum mais sério e até com uma certa pegada AOR, cortesia dos excelentes vocais de Sammy Hagar.

Rockers das antigas seguiram tentando se adaptar às novas sonoridades, alcançando resultados distintos. O Genesis, navegando na onda dos multi-platinados discos solos de Phil Collins, soou mais pop do que nunca em Invisible Touch. Eric Clapton manteve a adaptação aos novos tempos com o regular August, enquanto os Rolling Stones, atravessando uma crise sem precedentes com a rivalidade entre Mick Jagger e Keith Richards quase chegando às raias da agressão física, conseguiram se recuperar do horroroso Undercover e gravaram o mediano Dirty Work.

No pop, Madonna dominou as paradas mais uma vez, tendo seu terceiro álbum, True Blue, no topo em diversas partes do mundo. Tivemos também a estreia de mais um nome do clã Jackson, Janet, irmã de Michael, além do ótimo Pet Shop Boys e seu pop dançante e refinado.



Os principais fatos do ano foram:

  • no dia 30 de janeiro aconteceu a primeira edição do Rock and Roll Hall of Fame. Os primeiros artistas a serem induzidos na instituição foram Chuck Berry, James Brown, Ray Charles, Sam Cooke, Fats Domino, The Everly Brothers, Buddy Holly, Jerry Lee Lewis, Little Richard e Elvis Presley
  • no início de abril foi lançado o single “Stars”, do Hear ’n Aid. Liderado e organizado por Ronnie James Dio, o projeto foi uma espécie de resposta do heavy metal ao “We Are the World” do USA for Africa, lançado no ano anterior. Com a participação dos nomes mais importantes do metal na época, o single foi gravado nos dias 20 e 21 de maio de 1985 e alcançou a 26ª posição na parada inglesa
  • True Blue, terceiro disco de Madonna, foi lançado no dia 30/06. O álbum alcançou a primeira posição em 28 países e tornou-se o mais vendido em todo o mundo durante 1986
  • Eat ‘Em and Smile, primeiro álbum solo de David Lee Roth, foi lançado dia 7 de julho. Contando com uma banda espetacular - Steve Vai na guitarra, Billy Sheehan no baixo e Gregg Bissonette na bateria - e produzido por Ted Templeman (que durante anos assinou os discos do Van Halen), o disco foi um sucesso de vendas e até hoje é considerado o melhor trabalho solo de Diamond Dave
  • Raising Hell, terceiro álbum do Run-D.M.C., chegou às lojas no dia 14/07. O título foi o primeiro LP de hip-hop a receber Disco de Platina por suas vendas
  • em 27 de setembro o tour bus do Metallica sofreu um acidente no interior da Suécia, e o baixista Cliff Burton perdeu a vida no ocorrido
  • no dia 12 de dezembro os Smiths fizeram o seu último show, tocando no Brixton Academy, em Londres


Foram formadas em 1986 bandas como Buffalo Tom, Cowboy Junkies, Cypress Hill, Darkthrone, Faster Pussycat, Goo Goo Dolls, Green Day, Jesus Jones, Maná, Manic Street Preachers, N.W.A., No Doubt, Pixies, Prong, Rollins Band, Roxette, Skid Row, The Sugarcubes, Terrorizer, The Lemonheads, The Mission, Urge Overkill e Widespread Panic. Encerraram suas atividades durante o ano nomes como Asia, Black Flag, Culture Club, Dead Kennedys, Electric Light Orchestra, The Firm, Men at Work, NEU!, The Clash, Weather Report e Wham!.

Nasceram em 1985 Trombone Shorty (02/01), Alex Turner (06/01), Matt Heafy (26/01), Lady Gaga (28/03), Drake (24/10), Jerry Roush (15/11) e Oliver Sykes (2011). Faleceram durante o ano Phil Lynott (04/01), Benny Goodman (13/06) e Cliff Burton (27/09).

Os vencedores das principais edições da 28ª edição do Grammy foram:

Gravação do Ano: Quincy Jones por “We Are the World”
Canção do Ano: “We Are the World”, de Michael Jackson e Lionel Richie
Álbum do Ano: No Jacket Required, de Phil Collins
Melhor Artista Novo: Sade

Nas listas de melhores discos do ano das principais revistas de música do período, os vencedores foram:

Kerrang!: Eat ‘Em and Smile, de David Lee Roth
Melody Maker: Licensed to Ill, dos Beastie Boys
NME: Parade, de Prince & The Revolution
Rolling Stone: Graceland, de Paul Simon



Os cinco maiores hits de 1986 foram “Rock Me Amadeus” do Falco, “Papa Don’t Preach” da Madonna, “The Final Countdown” do Europe, “Take My Breath Away” do Berlin e “West End Girls” do Pet Shop Boys.

Também fizeram bastante sucesso durante o ano as seguintes músicas:

  • “Absolute Beginners”, de David Bowie
  • “Addicted to Love”, de Robert Palmer
  • “Bigmouth Strikes Again”, do The Smiths
  • “Bizarre Love Triangle”, do New Order
  • “Burning Heart”, do Survivor
  • “Coming Around Again”, de Carly Simon
  • “Dancing on the Ceiling”, de Lionel Richie
  • “Danger Zone”, de Kenny Loggins
  • “Dreams”, “Love Walks In” e “Why Can’t This Be Love", do Van Halen
  • “Harlem Shuffle”, dos Rolling Stones
  • “Invisible Touch” e “Land of Confusion", do Genesis
  • “A King of Magic” e "One Vision", do Queen
  • “Kiss”, de Prince & The Revolution
  • “Live to Tell”, “Open Your Heart” e “True Blue", de Madonna
  • “Living in America”, de James Brown
  • “Manic Monday” e “Walk Like an Egyptian", das Bangles
  • “Master of Puppets”, do Metallica
  • "No Sleep 'Til Brooklyn", parceria do Beastie Boys com Kerry King
  • “Notorious”, do Duran Duran
  • “Peace Sells”, do Megadeth
  • “Raining Blood”, do Slayer
  • “Sledgehammer”, de Peter Gabriel
  • “Suburbia”, do Pet Shop Boys
  • “Thorn in My Side”, do Eurythmics
  • “Turbo Lover”, do Judas Priest
  • “True Colors”, de Cyndi Lauper
  • “Two People” e "Typical Male", de Tina Turner
  • “Walk This Way”, parceria entre o Run-D.M.C. e o Aerosmith
  • “The Way It Is”, de Bruce Hornsby and The Range
  • “Your Love”, do The Outfield

O primeiro álbum de Whitney Houston, batizado apenas com o nome da cantora, foi o título que permaneceu durante o maior número de semanas na primeira posição do Hot 200 da Billboard durante 1986. No total foram 14 semanas, interrompidas apenas por um breve período de 21 dias no final de abril e início de maio onde 5150, primeiro disco do Van Halen com Sammy Hagar, assumiu a ponta. True Blue, de Madonna, permaneceu durante cinco semanas no primeiro lugar entre agosto e setembro, enquanto a trilha de Top Gun fez bonito e alcançou o topo também por cinco semanas. No final do ano os destaques foram Third Stage, terceiro do Boston, que dominou as paradas durante o mês de novembro, e o box Live/1975-85 de Bruce Springsteen, intocável no primeiro posto durante todo o mês de dezembro. 

O single mais vendido nos Estados Unidos foi “That's What Friends Are For”, canção de Burt Bacharach regravada por Dionne Warwick com as participações especiais de Gladys Knight, Elton John e Stevie Wonder. O disco mais vendido no mercado norte-americano durante o ano de 1986 foi True Blue, terceiro álbum de Madonna.

No Reino Unido o principal single foi “West End Girls”, do Pet Shop Boys, enquanto o título de LP mais vendido também ficou com Madonna e seu True Blue.



Mantendo a mesma metodologia dos anos anteriores, realizamos uma pesquisa em levantamentos similares publicados nos mais diversos veículos com o objetivo de identificar os discos mais significativos do ano. Feito isso, submetemos cada um desses títulos às notas dadas a eles por revistas e sites especializados em música, lançamos em nossa planilha e chegamos ao resultado abaixo.

Com vocês, os melhores discos lançados em 1986 (apenas discos de estúdio, pois como é padrão neste tipo de listas, álbuns ao vivo e compilações não entram):

50 Europe - The Final Countdown
49 Motörhead - Orgasmatron
48 Legião Urbana - Dois
47 Peter Gabriel - So
46 Pet Shop Boys - Please
45 Os Paralamas do Sucesso - Selvagem?
44 Elvis Costello - King of America
43 Ozzy Osbourne - The Ultimate Sin
42 The Mission - God's Own Medicine
41 Black Sabbath - Seventh Star
40 Talking Heads - True Stories
39 Gene Loves Jezebel - Discover
38 Bad Brains - I Against I
37 Kreator - Pleasure to Kill
36 Prince & The Revolution - Parade
35 The Church - Heyday
34 Depeche Mode - Black Celebration
33 Destruction - Eternal Devastation
32 Siouxie & The Banshees - Tinderbox
31 Love and Rockets - Express
30 Robert Cray - Strong Persuader
29 R.E.M. - Lifes Reach Pageant
28 Genesis - Invisible Touch
27 New Model Army - The Ghost of Cain
26 Janet Jackson - Control
25 Hüsker Dü - Candy Apple Grey
24 Titãs - Cabeça Dinossauro
23 Cro-Mags - The Age of Quarrel
22 Samhain - November Coming Fire
21 Angelo Badalamenti - Blue Velvet
20 Bon Jovi - Slippery When Wet
19 Steve Earle - Guitar Town
18 XTC - Skylarking
17 Tesla - Mechanical Resonance
16 Georgia Satellites - Georgia Satellites
15 Manilla Road - The Deluge
14 Sonic Youth - EVOL
13 Candlemass - Epicus Doomicus Metallicus
12 Madonna - True Blue
11 New Order - Brotherhood
10 Van Halen - 5150
9 Megadeth - Peace Sells … But Who’s Buying?
8 David Lee Roth - Eat ‘Em and Smile
7 Beastie Boys - Pleasure to Ill
6 Run-D.M.C. - Raising Hell
5 Iron Maiden - Somewhere in Time
4 Paul Simon - Graceland
3 The Smiths - The Queen is Dead
2 Slayer - Reign in Blood
1 Metallica - Master of Puppets

Meu top 10 do ano ficaria assim:

1 Metallica - Master of Puppets
2 Iron Maiden - Somewhere in Time
3 Van Halen - 5150
4 David Lee Roth - Eat ‘Em and Smile
5 Slayer - Reign in Blood
6 Beastie Boys - Licensed to Ill
7 New Model Army - The Ghost of Cain
8 Black Sabbath - Seventh Star
9 Titãs - Cabeça Dinossauro
10 Os Paralamas do Sucesso - Selvagem?

Abaixo você tem uma playlist com os maiores hits e as músicas mais significativas do ano. E nos comentários queremos saber quais foram os melhores discos lançados em 1986 na sua opinião. Poste a sua lista!

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