1 de out de 2016

Trilha de sábado: novas músicas do Animals As Leaders, Civil War e Amy Lee

sábado, outubro 01, 2016

Vamos colocar um peso saudável neste sábado, pra animar um pouco as coisas. 

Pra começar, temos o Animals As Leaders quebrando paradigmas, como sempre. "The Brain Dance" está no novo disco dos norte-americanos, The Madness of Many, que será lançado dia 11/11 pela Sumerian Records. Metal com jazz, jazz com metal: a escolha é sua. O fato é que temos doses cavalares de inovação e experimentação em uma faixa pra explodir corações e mentes.



Indo agora para um terreno mais tradicional, temos o Civil War, banda que nasceu de uma dissidência do Sabaton. Assim como o grupo que lhe deu origem, o Civil War tem como proposta produzir um power metal cujas letras exploram temáticas de guerra. 

"Road to Victory" é a faixa de abertura do terceiro disco da banda, The Last Full Measure, que sairá dia 4 de novembro pela Napalm Records. Vista sua armadura, empunhe sua espada e mergulhe na batalha!



Acalmando (bastante) os ânimos, vamos para o novo vídeo do disco infantil de Amy Lee. "If You´re a Star" faz parte de Dream Too Much, álbum lançado recentemente pela vocalista do Evanescence. 

Balada bonitinha e doce, inspirada em seu filho e que conta com um lindo clipe em animação.

30 de set de 2016

Debate Collectors Room: ainda vale a pena comprar discos?

sexta-feira, setembro 30, 2016

O Debate Collectors Room é um espaço para debatermos assuntos relevantes e interessantes para quem consome música. E uma das principais discussões entre nós que produzimos o site e você que está aí do outro lado, lendo o que escrevemos, é se com o crescimento cada vez maior dos serviços de streaming ainda continua valendo a pena comprar discos.

Vamos contextualizar as coisas. A assinatura do Spotify custa um pouco mais de R$ 20 por mês, dando acesso a um catálogo quase infinito de discos dos mais variados gêneros. Atualmente, um CD custa, no mínimo, R$ 30 nas lojas espalhadas pelo país. Blaskstar, o derradeiro e excelente álbum de David Bowie, está saindo por R$ 49,90 na Saraiva, por exemplo. Quando o assunto vai pro vinil, a disparidade é ainda maior. Com sorte, é possível encontrar os títulos lançados pela Polysom em LP por algo em torno de R$ 80. Um LP importado, no entanto, varia entre R$ 150 e R$ 200, e algumas vezes até mais do que isso.

Colocando na balança, é fácil concluir o porque de o Spotify e seus concorrentes terem apresentado índices de crescimento tão elevados nos últimos tempos. Isso que nem entramos na questão dos dispositivos móveis, já que com o Spotify é possível ouvir música em qualquer lugar através de um smartphone ou um tablet, tendo acesso ao seu acervo virtual quando quiser.

É claro que continua legal ter uma coleção de discos. Mas em um mercado e em uma realidade como a nossa, onde é preciso avaliar cada vez mais os custos diários e é possível ter acesso a serviços completos e com vasto catálogo por um valor muito menor do que o que encontramos na música em formato físico, a pergunta é relevante: ainda vale a pena comprar discos?

Coloque a sua opinião, o que você pensa sobre o tema e como você vê tudo isso nos comentários. Vamos discutir o assunto juntos, trocando ideias e argumentos. 

A semana: maconha combatendo o bullyng, quadrinhos sobre rock and roll e a reforma do ensino médio

Novas músicas: Alter Bridge e Phil Campbell and The Bastards Sons

sexta-feira, setembro 30, 2016

Pra aquecer a sexta, duas novidades rockeiras. A primeira é o single de estreia da nova banda de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead. Phil montou uma banda com seus filhos, a batizou de The Bastards Sons e seguiu na mesma linha do que fazia ao lado de Lemmy.

O negócio é rock básico e cheio de energia, como fica claro no player abaixo. O EP auto-intitulado do grupo será lançado dia 18 de novembro pelo Motörhead Music.




A outra é o Alter Bridge, que produziu um lyric video para a música que dá título ao seu novo álbum, “The Other Side”. Riffs pesados, um clima meio soturno e os vocais excelentes de Myles Kennedy dão o tom de uma ótima canção.

Dê o play e bata cabeça:

Discos da semana: a volta do Green Day, a estreia do Giraffe Tongue Orchestra e o novo do Crobot

sexta-feira, setembro 30, 2016

Semana farta em lançamentos de peso. Temos o retorno do Green Day, a estreia do supergrupo Giraffe Tongue Orchestra, hard rock de alto quilate com Crobot e RavenEye, Suicidal Tendencies com Dave Lombardo e, lá no final, um jazz esperto pra descer a poeira.

Confira abaixo nossas dicas com o que de melhor está chegando às lojas esta semana, e também com alguns títulos que já estão disponíveis nos serviços de streaming e na rede.


Van der Graaf Generator - Do Not Disturb

Novo álbum de estúdio da lendária banda prog inglesa. Atualmente reduzido a um trio formado por Peter Hammill, Hugh Banton e Guy Evans, o grupo retomou as atividades em 2005 e vem lançando discos interessantes desde então.


Van Morrison - Keep Me Singing

Novo disco do veterano trovador irlandês. Os elogios são fartos para Keep Me Singing, tanto vindos da crítica quanto de quem já ouviu o trabalho.


Truckfighters - V

Quinto disco desta ótima banda sueca, que faz um stoner influenciado por nomes como Kyuss e Fu Manchu. Neste novo álbum, a presença de trechos atmosféricos e viajantes divide espaço com a sonoridade característica do trio.


Green Day - Revolution Radio

O aguardado retorno do Green Day após quatro anos sem material inédito. Revolution Radio foi produzido pela própria banda e traz doze novas faixas. Os primeiros singles divulgados apontam para um retorno às raízes, o que deve agradar os fãs.


Epica - The Holographic Principle


Sétimo álbum da banda holandesa, que tem como figura central a vocalista Simone Simons. Segundo a cantora, foram compostas 27 canções no último ano, sendo que 12 estão em The Holographic Principle, disco que é temático e explora a ideia de um universo habitado apenas por hologramas.


Suicidal Tendencies - World Gone Mad


O décimo-segundo disco do Suicidal Tendencies vem com uma atração bastante especial: Dave Lombardo, ex-baterista do Slayer. E isso se reflete no som, mais agressivo e com uma pegada matadora. Elogiado pela crítica, World Gone Mad ganhou 4 de 5 estrelas na avaliação da Metal Hammer.


Giraffe Tongue Orchestra - Broken Lines

Disco de estreia do projeto formado por Ben Weinman (The Dillinger Escape Plan), Brent Hinds (Mastodon) e Willian DuVall (Alice in Chains). Metal com pegada experimental e sem medo de inovar, mas que também sabe equilibrar uma pegada mais tradicional em certos momentos. Um som bastante acessível e que deve agradar uma boa parcela de ouvintes.


RavenEye - Nova

Trio inglês que vem recebendo muitos elogios em relação ao seu disco de estreia. A proposta é dar uma pegada atual e moderna ao blues rock e ao rock de garagem. O debut, um trabalho bastante consistente e agradável, mostra que a banda conseguiu.


Crobot - Welcome to Fat City

Terceiro disco desta excelente banda norte-americana de hard rock. O som é pesado e urgente, com ótimos riffs e refrãos certeiros. Um dos principais lançamentos de 2016 pra quem curte rock direto ao ponto.


John Scofield - Country For Old Men


Novo álbum do veterano guitarrista norte-americano. Jazz-rock e fusion em um disco muito bem acabado e com primoroso trabalho de composição.

Steel Panther anuncia novo álbum e mostra versão para clássico do Cheap Trick

sexta-feira, setembro 30, 2016

O divertido Steel Panther lançará dia 24 de fevereiro o seu quarto disco, Lower the Bar. A banda não deu maiores detalhes do trabalho - como produtor e coisas do tipo -, mas saciou a curiosidade dos fãs com uma canção inédita.

“She's Tight” é o primeiro single e tem a participação especial de Robin Zander, vocalista do Cheap Trick. Trata-se de uma releitura para a canção lançada pelo Cheap Trick em 1982, no álbum One on One.


O clipe traz a banda interagindo com Zander, Bobbie Brown (a loira eternizada no vídeo de “Cherry Pie”, do Warrant), Paris Michael Jackson (filha do Rei do Pop e fã confessa de glam metal) e Tony Palermo (baterista do Papa Roach).

Diversão garantida abaixo:

Metallica toca “Moth Into Flame” no Jimmy Fallon

sexta-feira, setembro 30, 2016

Hardwired … To Self-Destruct sai só dia 18 de novembro, mas o Metallica já está rodando o circuito de programas da TV norte-americana promovendo o seu novo disco.

Nesta quinta, 29/09 o quarteto foi no programa de Jimmy Fallon, subindo ao palco para tocar “Moth Into Flame”, segunda faixa divulgada do aguardado novo álbum.

Assista abaixo:

Assista ao show completo do Metal Allegiance no Bloodstock 2016

sexta-feira, setembro 30, 2016

O supergrupo Metal Allegiance se apresentou no festival inglês Bloodstock Open Air no dia 14 de agosto passado. O show foi gravado de maneira profissional e disponibilizado no YouTube.

A formação ao vivo contou com Mark Oseguda (vocalista do Death Angel), Alex Skolnick (guitarrista do Testament), Mark Menghi (baixo e mentor do projeto) e Charlie Benante (baterista do Anthrax).

Gary Holt (Exodus, Slayer) faz uma participação especial nas versões para as clássicas “Iron Fist” e “Fast as a Shark”, respectivamente do Motörhead e do Accept.

Headbanging abaixo:

29 de set de 2016

Novos clipes: Evergrey, Crowbar e Faith No More

quinta-feira, setembro 29, 2016

O Evergrey lançou mais um clipe para uma das faixas de seu último disco, The Storm Within. Com bons reviews da crítica, o álbum é o décimo trabalho da banda sueca e foi lançado dia 9 de setembro. 

O vídeo faz parte de uma trilogia dedicada à canções do disco, completada pelos clipes para as faixas “Distance" e “The Paradox of the Flame”, todos dirigidos por Patric Ullaeus. 

Assista à trinca abaixo:




Os mestres do sludge de New Orleans retornam com a primeira prévia de seu novo álbum, The Serpent Only Lies, com data de lançamento marcada para 28 de outubro. 

O décimo-primeiro disco do Crowbar, que teve a capa criada pelo respeitado ilustrador Eliran Kantor (Soulfly, Hatebreed, Kataklysm), chega mostrando que a banda liderada por Kirk Windstein segue fazendo a diferença, como pode ser comprovado a seguir.




Fechando o pacote de hoje temos o novo vídeo do Faith No More, “Cone of Shame”. A canção está em Sol Invictus, disco lançado pela banda norte-americana em 2015. Dirigido por Goce Cvetanovski, o clipe divulga a canção, que também será lançada em um compacto de 7 polegadas dia 25/11.

Um trabalho absolutamente incrível e cinematográfico, como você pode comprovar abaixo:


Maior clássico do Deep Purple ganha livro dedicado à sua história

quinta-feira, setembro 29, 2016

O riff de “Smoke on the Water” faz parte do inconsciente coletivo. A canção, lançada pelo Deep Purple no álbum Machine Head (1972), é indiscutivelmente um dos maiores clássicos e uma das canções mais conhecidas da história do rock.

Tanto que a faixa acaba de ganhar um livro inteiramente dedicado à sua história. Fire in the Sky foi escrito pela dupla Simon Robinson e Stephen Clare e chegará às livrarias do hemisfério norte no outono de 2017. A obra aborda o período de composição de Machine Head, com foco na criação de “Smoke on the Water”, que, segundo a lenda, nasceu após o incêndio do famoso cassino de Montreaux. A obra conta em detalhes tudo que envolveu o Deep Purple no período, indo do processo de criação de “Smoke on the Water” e das demais canções de Machine Head até a turnê do disco.


Fire in the Sky é uma espécie de sequência de Wait for the Ricochet, livro lançado em 2014 pela mesma dupla de escritores e que teve como tema central o álbum In Rock (1971).

Para mais informações, acesse esse link.


Novidades pra deixar a sua navegação mais fácil

quinta-feira, setembro 29, 2016

Você percebeu que o site está de cara nova já há alguns dias. Um novo layout marcando uma nova fase da Collectors Room, onde a sua participação é ainda mais importante. Falando nisso, já enviou o seu texto pra gente avaliar e publicar? Saiba como escrever pra CR clicando aqui.


Algumas mudanças práticas estão sendo implantadas pra tornar a sua experiência mais interessante e a sua navegação mais fácil. Acima do menu no topo do site você tem os ícones com as nossas redes sociais. Basta clicar neles para acessar nossas redes e começar a nos acompanhar também no Facebook, Twitter e Instagram. 


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Nesse mesmo menu temos CONTATO e ENVIE SEU TEXTO. Clicando no primeiro você sabe tudo sobre como entrar em contato conosco, enviar o seu material para a nossa redação ou bater um papo com a gente. No segundo você fica sabendo como enviar as pautas e os textos sobre música que você escreveu aí na sua casa, para que eles possam ser publicados aqui na Collectors Room.


Em relação aos comentários, também temos novidades substanciais. Ao acessar cada post, você tem agora três opções para postar o seu comentário: através do Disqus, do Facebook ou do próprio Blogger. Essas opções estão disponíveis através de abas na lateral direita. É só escolher o seu sistema preferido e mandar ver.

Aos poucos esperamos implantar mais novidades para tornar a troca de experiências entre quem faz a Collectors Room e quem lê a Collectors Room ainda mais intensa. Obrigado por estar junto conosco e acompanhar o nosso trabalho. Lembre-se: é a sua participação que faz tudo valer a pena e ficar muito mais interessante.






Os 30 anos de Somewhere in Time, minha porta de entrada para o universo do Iron Maiden

quinta-feira, setembro 29, 2016

O ano era 2002. Ainda dava meus primeiros passos no descobrimento desse novo estilo musical que estava começando a ouvir. Como todo adolescente da minha geração, fui iniciado nos caminhos do rock ouvindo bandas como Legião Urbana e Guns N' Roses. Cada vez mais interessado nesse tipo de som, e depois de tantas fitas K7 gravadas de amigos (sim, esse ainda era o formato de música que eu ouvia à época), era a hora de dar um passo além. Sim, estava decidido a comprar meu primeiro CD. Ainda não sabia qual seria, nem o impacto que ele teria na minha vida pelos anos seguintes.

Ao passar por uma das únicas lojas que vendiam discos originais em minha cidade natal, me deparei com alguns CDs expostos de uma certa banda chamada Iron Maiden. Conhecia um pouco o grupo após a sensacional apresentação deles no Rock in Rio do ano anterior, e também tinha gravado em fita K7 o último lançamento deles - Brave New World. Após admirar por alguns longos minutos a vitrine com tantas capas magníficas, me chamou a atenção em especial a que contava com uma certa ilustração com um cyborg monstruoso na capa criada por Derek Riggs, que também era recheada de vários outros detalhes futuristas e ao mesmo tempo citando apologias ao passado da banda, que eu viria a descobrir aos poucos nos anos seguintes.

Não pensei duas vezes. Comprei na hora o disco com a capa mais bela da vitrine, chamado Somewhere in Time. Paguei caro. Na época era quase quarenta reais o disquinho simples, com algumas faixas multimídias. Hoje, acharia um absurdo pagar por esse valor, mas pra um jovem adentrando na vida adulta pouco importava o preço, eu só queria chegar em casa e apreciar esse disco, imaginando que se a música fosse tão legal quanto sua capa, estava levando uma verdadeira obra-prima para minha residência, e justificando seu alto valor.

E era.


Muito melhor do que poderia imaginar, e tão interessante quanto o pouco que eu já conhecia da banda. Desde os primeiros acordes de "Caught Somewhere in Time", não tive dúvidas que estaria ouvindo o melhor disco que eu já tinha conhecido até então. Na verdade, até hoje ainda sustento essa opinião. 

Coincidentemente lançado no mesmo ano do meu nascimento (1986), o trabalho mostra uma evolução em relação à sonoridade apresentada pela banda em seu trabalho anterior - Powerslave (1984). Com um clima futurista, altamente influenciado pelo filme Blade Runner - o grande blockbuster da época - Somewhere in Time apresenta pela primeira vez a inclusão dos tão polêmicos sintetizadores, que causaram a torção de muitos narizes dos fãs mais ferrenhos à época. Hoje renegado quase que por completo pela banda, à exceção de algumas músicas tocadas na turnê que relembrou os "wasted years" do hoje sexteto na Somewhere Back in Time e a inclusão da música de mesmo nome encerrando o setlist da mais recente turnê, The Book of Souls Tour, o Iron Maiden praticamente não possui registros ao vivo de qualidade dessa época (segundo Steve Harris, um de seus maiores arrependimentos), que contou com uma das melhores e mais caras produções de palco até então, com direito a bateria alçada aos ares pela cabeça inflada do tal cyborg da capa (que descobri algum tempo depois que se tratava de uma das reencarnações de Eddie, o mascote da banda). Com um jogo de luzes em profusão à altura do espetáculo futurista, roupas chamativas - destaque para a vestimenta luminosa do vocalista Bruce Dickinson -, seria absolutamente fantástico um registro ao vivo dessa época, porém infelizmente ficamos restritos aos poucos bootlegs espalhados aí pela internet.



Ainda sobre o disco - que contou mais uma vez com a produção sempre certeira de Martin Birch - é inevitável mencionar a sonoridade característica do grupo, com a inclusão levemente de elementos mais "comerciais" a este trabalho, claramente influenciado pelo hard rock americanizado que era executado à exaustão nessa época nas rádios, o qual podemos constatar na sensacional "Stranger in a Strange Land” e em várias passagens de outras composições. 

Assim como seu antecessor, Somewhere in Time foi composto e gravado em Nassau, nas Bahamas, e também em Hilversun, na Holanda. Dessa vez, o líder soberano Harris não estava sozinho à frente das composições, que contaram em grande parte com o brilhantismo do guitarrista Adrian Smith. Autor principal de três das oito músicas do disco, Smith direcionava cada vez mais o som para caminhos mais melódicos, tão intenso em peso quanto os trabalhos anteriores, mas com uma sonoridade mais limpa e cristalina. As composições de Dickinson, que desde sua entrada no Maiden e até Powerlave ainda apareciam com alguma frequência, não foram utilizadas neste disco, uma das frustrações do vocalista e que viriam a culminar no lançamento de seu primeiro álbum solo, Tattooed Millionaire, lançado quatro anos depois.               

Bem como sugere o título, Somewhere in Time é realmente uma viagem perdida no tempo, através dos séculos, culminando na épica "Alexander the Great", contando a história de um dos mais célebres conquistadores do mundo antigo, o Rei Alexandre (o Grande) Magno da Macedônia. Com passagens memoráveis como as de "Heaven Can Wait", que ao vivo tem o seus "ôôô's" cantados por toda a equipe de roadies da banda subindo ao palco, todas as composições apresentam uma coesão impressionante, tornando esse trabalho um dos mais homogêneos de toda a vasta discografia da Donzela.



Somewhere in Time foi o meu primeiro disco comprado. E foi minha porta de entrada para a discografia dessa que é uma das minhas bandas favoritas desde sempre. Até hoje considero suas oito faixas e seus pouco mais de cinquenta minutos de duração como alguns dos melhores momentos registrados em estúdio pelo Iron Maiden. O valor nostálgico e qualitativo desse disco, que hoje pode até certo ponto soar datado, é bem maior do que o preço pago pelo mesmo.

Aproveitemos então esta data especial - hoje, 29 de setembro, Somewhere in Time comemora três décadas de seu lançamento - e façamos uma viagem no tempo - mais especificamente há trinta anos atrás - relembrando estas canções tão especiais, e espaciais - por que não?



Ouça “A Different World”, nova música do KoRn com participação de Corey Taylor

quinta-feira, setembro 29, 2016

O novo álbum do KoRn, The Serenity of Suffering, será lançado dia 21 de outubro pela Roadrunner. E uma das atrações do décimo-segundo trabalho dos norte-americanos é a participação de Corey Taylor, vocalista do Slipknot e do Stone Sour, em uma das canções.

“A Different World” traz Jonathan Davis interagindo com Corey, que canta tanto com a voz limpa quanto com os seus guturais característicos.

Me corrijam se estiver errado, mas pelo que lembro essa é a primeira colaboração entre duas das vozes mais emblemáticas do metal norte-americano. Confere, produção?

Enquanto você pensa e pesquisa, ouça “A Different World” abaixo:

O stoner rock do século XXI: separando o joio do trigo

quinta-feira, setembro 29, 2016

No começo dos anos 1990, algumas bandas da Califórnia, destacando-se entre elas o Kyuss e o Sleep, apareceram no cenário musical com uma proposta sonora calcada no resgate da psicodelia, peso, influência do blues e timbres dos instrumentos das bandas de hard rock / heavy metal do final dos anos 1960 e início dos anos 1970. As principais inspirações eram nomes como Blue Cheer, Black Sabbath, Sir Lord Baltimore, Led Zeppelin, Deep Purple, entre outros. 

A mídia logo tratou de atribuir alguns nomes para rotular a nova cena musical, dentre eles desert rock e o mais popular e que acabou pegando: stoner rock. Essas novas bandas traziam essas influências numa reciclagem do padrão setentista, incorporando também bastante peso, distorção e uma certa sujeira na produção, dando aquele ar de banda de garagem.

A partir disso, muitas outros grupos surgiram com proposta similar, o movimento cresceu, atingiu a Europa (principalmente a Suécia) e se diversificou. Entretanto, nada se compara ao crescimento e surgimento demasiado de novas bandas com a proposta stoner como o que está ocorrendo no nosso atual século, principalmente nos últimos dez anos. Os Estados Unidos e a Suécia seguem sendo as maiores fontes, mas o estilo ganhou outras partes do mundo e vem conseguindo até mesmo ultrapassar as fronteiras do underground, alcançando o mainstream. Nomes como Queens of the Stone Age, Wolfmother e o atual Rival Sons são exemplos disso.

O meu compromisso neste trabalho é traçar um panorama superficial sobre essa atual cena stoner (já que são bandas demais), deixando claro minha opinião sobre alguns tão falados nomes e literalmente separar o joio do trigo, ressaltando realmente aqueles que valem à pena e trazem um algo mais a tudo isso e acabam se destacando dentre muitos outros que apenas estão procurando, de forma genérica, serem inclúidos dentro da cena.

Nesse espaço, cito os nomes que me conquistaram e realmente fazem um algo a mais além de apenas reproduzir aquilo que já foi produzido anteriormente durante a década de 1970.

BLOOD CEREMONY

O Blood Ceremony é uma banda canadense formada em Toronto, Ontário, no ano de 2006, criada pela vocalista, organista e flautista Alia O'Brien e pelo guitarrista Sean Kennedy, responsável pela grande parte do processo de composição das músicas.

Seu estilo funciona como um inesperado encontro do Black Sabbath, com seus riffs pesados e arrastados, com o lado folk do Jethro Tull, refletido principalmente através da flauta tocada por Alia. Sua temática é baseada em temas relacionados ao ocultismo e à magia negra, o que os leva a ser relacionados à cena occult rock de nomes como Ghost e Year of the Goat.

Sendo honesto, atualmente de toda esta cena rock retrô, é a minha banda preferida. Essa combinação de elementos pesados à leveza e suavidade do folk, combinado ao notório talento de Alia em todas as funções que exerce, seja nos belos vocais, na flauta à la Ian Anderson ou nos solos de Hammond que nos remetem ao Uriah Heep, me conquistou. Acredito que o equilíbrio, fruto dessa mescla mais que saudável de elementos, essa versatilidade do suave com o pesado, acaba sendo o seu grande diferencial. Há um mar de bandas fazendo um som previsível, redondinho e abusando de repetir as mesmas fórmulas, o que particularmente acho cansativo. Felizmente, o Blood Ceremony passa longe disso.

Recomendação: Living With the Ancients ( 2011)

GRAND MAGUS 

O Grand Magus é um power trio de peso formado em Estocolmo, na Suécia, no ano de 1996. A banda é liderada pelo vocalista e guitarrista Janne "JB" Christofferson, que também passou pelo Spiritual Beggars.

O grupo começou praticando um stoner metal pesado, com muito groove e pitadas de melodias ao estilo southern rock, além de influências de doom metal, proposta que já ficou clara seu auto-intitulado debut, lançado em novembro de 2001.

Ainda na discografia do trio, podemos destacar Monument ( 2003) e Wolf's Return ( 2005). O terceiro disco já começava a apontar para o futuro da banda, com a inclusão de elementos do heavy metal tradicional. Com o passar do tempo, isso foi se tornando cada vez mais predominante e o som do Grand Magus foi ficando cada vez mais parecido com o praticado por bandas como Judas Priest e Manowar, o que, na minha concepção, não foi muito positivo como um todo, já que a sonoridade da banda passou a ficar um tanto quanto comum, previsível e longe da magia da estreia.

Recomendação: Grand Magus ( 2001) 

GRAVEYARD

O Graveyard é uma banda de hard rock/ stoner rock formada em Gotemburgo, na Suécia, no ano de 2006, pelo guitarrista e vocalista Joakim Nilsson, o guitarrista Truls Mörck, o baixista Rikard Edlund e baterista Axel Sjöberg.

A banda sueca lançou quatro álbuns na carreira e vem ganhando crescente popularidade dentro da cena nos últimos anos. Apesar da produção retrô de seus discos e das referências e influências de nomes como Led Zeppelin e Black Sabbath, a cada álbum o grupo evolui e já pode se orgulhar de ter um som bem próprio e autêntico dentro da cena (exatamente algo que todos deveriam buscar para não ficarem como meras cópias e clones). O ouvinte é capaz de pegar qualquer balada dos últimos dois discos, como " Hard Times Lovin", com todo o seu feeling blueseiro, quase soul, e pensar: "Isso soa como uma balada do Graveyard”. Ou uma música mais acelerada como "Goliath" e concluir: "Essa soa como as mais aceleradas do Graveyard". Tudo isso sem contar o vocal de Joakim Nilsson e toda sua versatilidade, variando desde momentos mais amenos a outros carregados de agressividade, com seu timbre particularmente pigarreado.

Infelizmente, a banda encerrou recentemente as atividades devido a divergências internas. Uma pena!

Recomendação: Hisingen Blues ( 2011)

HORISONT

Cansado de ouvir bandas retrô que necessariamente estão sempre revisitando riffs e a psicodelia de ícones como Black Sabbath, Deep Purple, Blue Cheer, etc? Eis aqui uma boa indicação. O Horisont mostra seu diferencial justamente por abordar o hard rock/ heavy metal da segunda metade da década de 1970, influenciado principalmente por bandas como Thin Lizzy e Judas Priest. 

Com base nessas influências, o que encontramos por aqui é muito bom gosto em um trabalho farto para amantes das guitarras gêmeas. O vocal do vocalista Axel Söderberg é um atrativo à parte, dando preferência por notas mais altas e explorando melodias vocais que, em muitos momentos, nos remetem à lenda Rob Halford.

A banda é mais uma das que surgiu em meio a esse cenário revival que povoa a Suécia. Formada em 2006, já tem quatro álbuns no currículo e parece que vem evoluindo a cada disco. Seu último trabalho, Odyssey, foi escolhido por mim como um dos melhores de 2015. (veja aqui).

Recomendação: Odyssey ( 2015)

KADAVAR

O Kadavar é um power trio formada em Berlim, na Alemanha, no ano de 2010. Mesmo com pouco tempo de estrada, os alemães já lançaram três discos e vem conquistando uma crescente popularidade.

Se em seu primeiro e auto-intitulado álbum a banda prestava explicitamente homenagem aos seus ídolos do passado como Black Sabbath, Pentagram, Led Zeppelin e Scorpions, aos poucos as influências foram se diluindo. Seu terceiro disco, Berlin, deixa bem claro isso, refletindo em um passo mais contundente rumo à identidade do grupo. 

Comparado aos outros nomes dessa atual seara do rock retrô, os alemães apresentam uma psicodelia mais contida. O foco mesmo é em um som mais simples, direto e até palatável em certos aspectos, considerando principalmente os dois últimos trabalhos. Se você curte um rock and roll sem maiores frescuras, pode cair dentro que não se arrependerá!

Recomendação: Berlin (2015)
   
RADIO MOSCOW

O Radio Moscow é uma banda norte-americana de blues-rock psicodélico, formada em Story City, no Iowa, em 2003. O trio é liderado pelo vocalista, guitarrista e baterista de estúdio Parker Griggs, único presente desde a fundação. O grupo já tem ao todo seis discos, sendo quatro de estúdio e dois  ao vivo.

Confesso que esses norte-americanos foram uma das grandes surpresas que tive nos últimos tempos. O som dos seus álbuns é gravado de forma predominantemente analógica, o que reflete em uma sonoridade extremamente orgânica (um verdadeiro oásis em tempos de ampla digitalização) e é um deleite para os saudosos dos tempos de Woodstock. A fonte da música da banda está muito presente no blues e na psicodelia de grupos como Cream, Jimi Hendrix Experience e Cactus, explorando sem medo passagens de muito experimentalismo e psicodelia, sempre com um climão rock and roll embutido. Tudo isso misturado a uma moderada urgência e agressividade advindas dos tempos mais modernos.

Com esse tipo de pegada é natural que o trio tenha um foco maior nos shows, o que se reflete nos dois álbuns ao vivo já lançados pela banda em tão pouco tempo de estrada, onde o som do grupo ganha novos e poderosos contornos.

Recomendação: Brain Cycles (2009)

THE VINTAGE CARAVAN

Acredito que dentre todas as bandas desta lista, a islandesa The Vintage Caravan seja possivelmente a mais surpreendente. Uma das melhores bandas da atualidade sem pestanejar Como pode esse power trio (mais um!) formado por garotos em torno de seus apenas 20 anos executar um som tão denso, pesado, avassalador e já com tanto bom gosto?

O The Vintage Caravan foi formado no ano de 2006 em Álftanes, na Islândia, quando os integrantes da banda ainda eram apenas crianças, e tem apenas três álbuns gravados.

O seu som é uma amálgama de nomes do heavy rock dos anos 1970 como toda boa banda de stoner, por vezes explorando temas mais longos com muitas jams e psicodelia. O instrumental é bastante coeso e muito bem trabalhado, em alguns momentos até com influências do rock progressivo. Tudo isso somado a uma intensa energia e vitalidade.

Para quem se interessar mais, vale a dica: a banda está passando pelo Brasil pela primeira vez, com apresentações confirmadas em mais de sete capitais. É a hora de conferir os caras ao vivo!

Recomendação: Voyage ( 2014) e/ou Arrival ( 2015)

WITCHCRAFT

Banda sueca de stoner/doom metal/hard rock formada em Örebro no ano 2000 pelo vocalista e guitarrista Magnus Pelander, a princípio com o intuito apenas de prestar homenagem a Bobby Liebling, do Pentagram. 

O Witchcraft lançou neste 2016 o seu quinto álbum de estúdio, Nucleus (confira resenha aqui). Após ter passado por diversas mudanças de formação, Pelander segue sendo o único remanescente. 

Em seus três primeiros discos a banda executava um som bastante retrô, com uma produção super crua no modo old school, refletindo influências principalmente de Sabbath e Pentagram. Em Legend ( 2012), seu quarto trabalho, o grupo tratou de modernizar um pouco a sua sonoridade sem abrir mão de sua essência, o que na minha opinião acabou por fazer o Witchcraft encontrar a sua melhor forma. 

O som é pesado mas com bastante ênfase nas melodias, com instrumental coeso e bem trabalhado e forte destaque para o trabalho das guitarras em riffs criativos e grudentos, além de solos de puro feeling. O vocal de Magnus Pelander é outro destaque com seu particular e agradável timbre de voz. Aliás, sem exageros pra mim, um dos melhores vocalistas da atualidade.

Recomendação: Legend (2012)

No próximo capítulo, um olhar mais crítico sobre outras bandas do movimento, além de indicações de bandas nacionais do estilo. E aí, gostaram? Concordam com os nomes, gostariam de acrescentar outros? Deixem os seus comentários abaixo.





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