Review: Me and That Man - Songs of Love and Death (2017)


O Me and That Man é um duo formado por Adam Darski e John Porter. Adam é um dos principais ícones do metal extremo moderno e lidera o Behemoth sob a alcunha de Nergal. Porter é uma das principais referências do southern folk. Em comum entre os dois há a Polônia: Nergal é natural do país europeu e John Porter, apesar de nascido na Inglaterra, mora na Polônia desde 1976.

O que saiu dessa mistura? Um disco bonito pra caramba e que traz treze canções que caminham pelos meandros mais soturnos da rica herança musical norte-americana. Assim, temos nas canções de Songs of Love and Death, álbum lançado no final de março e cujo título faz referência ao terceiro LP do canadense Leonard Cohen (Songs of Love and Hate, de 1971), uma cativante coleção de faixas repletas de sentimento, muitas com predominância de instrumentos acústicos, e que caminham por elementos de gêneros como blues, country, folk e outros estilos da cultura musical norte-americana.


Liricamente, Adam e John exploram temas macabros e sombrios como o inferno, a morte, doses cavalares de sangue, o discurso anti-cristão e o demônio em pessoa. E essas letras, ao ganharem o acompanhamento de acordes que variam entre melodias contemplativas e momentos de êxtase coletivo e quase religioso, não só aproximam as suas mensagens do ouvinte como tornam as palavras cantadas muito mais verdadeiras e reais do que, por exemplo, quando elas vêm na companhia da violência e da instrumentação quase barroca do Behemoth.

Songs of Love and Death traz influências de nomes como o já citado Leonard Cohen, Johnny Cash, Nick Cave e Mark Lanegan, com arranjos que primam pelo minimalismo e com uma mixagem crua, que é capaz de transportar o ouvinte para uma encruzilhada perdida no meio do Texas, onde a escolha do caminho errado poderá afetar definitivamente toda a sua vida.

Pessoalmente, achei um trabalho belíssimo. As melodias, a enorme dose de feeling, os acordes e os arranjos me conquistaram quase de imediato. Nergal e Porter alternam-se nos vocais, ou cantam juntos em algumas passagens, construindo uma terceira criatura como fruto de sua parceria. Um dos melhores discos deste ano, e que mostra o quão livre musicalmente é a mente de um dos grandes nomes do black metal atual. 


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