27 de jan de 2017

Novo álbum do Mastodon terá edição especial onde você mesmo poderá colorir a capa

sexta-feira, janeiro 27, 2017

O Mastodon deu detalhes dos formatos em que Emperor of Sand, seu sétimo disco, será disponibilizado. Além da versão em CD e da presença nos aplicativos de streaming, o álbum terá também uma atrativa edição em LP.

A versão em vinil será dupla com discos de 180 gramas e capa gatefold, e virá com uma capa extra com a arte em preto e branco e uma caixa de lápis de cor personalizados, para que o próprio fã possa colorir da maneira que imaginar. Uma ideia original e legal pra caramba, né não?

Emperor of Sand será lançado dia 31 de março em todo o mundo.

Review: John Mayall - Talk About That (2017)

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Verdade seja dita: poucos músicos ainda na ativa possuem um legado como o de John Mayall. Do alto de seus 83 anos, o pai do blues inglês revelou nomes como Eric Clapton, Peter Green e Mick Taylor ao mundo, isso sem falar na tradução do blues vindo dos negros norte-americanos para o jovem público inglês, um trabalho de ourives que impactou todo o rock britânico produzido a partir da segunda metade dos anos 1960, de Cream a Rolling Stones, de The Who a Led Zeppelin.

Uma lenda vida no mais literal sentido da palavra, John Mayall acaba de lançar o seu novo álbum, Talk About That. Ao seu lado estão o guitarrista Rocky Athas (texano que lidera a sua própria banda solo), o baixista Greg Rzab (que tocava na banda de Buddy Guy) e o baterista Jay Davenport (com longa ficha de serviços prestados ao blues ao lado de ícones como Junior Wells, Pinetop Perkins, Sugar Blue e grande parte da turma de Chicago), além da participação do emblemático Joe Walsh (Eagles, James Gang) em duas faixas - “The Devil Must Be Laughing” e “Cards on the Table". O disco traz onze músicas gravadas no House of Blues Studio localizado na cidade californiana de Encino, em sessões realizadas em 2016. Entre elas, versões para “It's Hard Going Up” de Bettye Crutcher, “Goin' Away Baby” de Jimmy Rogers e “Don't Deny Me” de Jerry Lyn Williams.

Os vocais, bem como o piano e a harmônica de John Mayall, servem como condutores de algumas das melhores canções gravadas pelo bluesman em anos. Destacam-se o blues repleto de groove da faixa-título, a classe de Joe Walsh ao colocar lá no topo a bela “The Devil Must Be Laughing” e a classuda “Cards on the Table", o balanço made in Nova Orleans de “Gimme Some of That Gumbo” (com ecos de Dr. John), a sutilmente dançante “Blue Midnight” (Eric Clapton certamente adorou essa!), o clima de big band de “Across the County Line” e o fechamento com o jazz “You Never Know”.

Talk About That é um acréscimo respeitável no longo catálogo de John Mayall. Um disco excelente, que mostra que o lendário músico inglês segue vivo, produtivo e ainda muito relevante.


Rob Halford conta a quantas anda o novo álbum do Judas Priest

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Em entrevista ao Ultimate Classic Rock, Rob Halford contou como está sendo a gravação do novo disco do Judas Priest e qual a sua percepção sobre o sucessor de Redeemer of Souls, lançado em 2014.

Está soando ótimo. Eu realmente não posso falar mais do que isso porque tudo está ainda meio nebuloso, mas está soando incrivelmente excitante. Tenho certeza de que vamos falar sobre o álbum quando chegar a hora. Acho que é muito importante que façamos outro disco independente, sem relação com Redeemer of Souls. Um álbum de heavy metal que possa caminhar com as suas próprias pernas e soe tão diferente quanto todos os discos do Judas Priest até hoje”.

O novo álbum do Judas Priest não tem data de lançamento e nem título ainda definidos. Em entrevista ao Sweetheart Sound, o guitarrista Richie Faulkner declarou que a banda iria começar a trabalhar no novo disco em janeiro de 2017, e que por isso o grupo não sairia em turnê antes de 2018.

Assista ao trailer do documentário que mostra a passagem de Bruce Dickinson pela Bósnia em 1994

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Com previsão de lançamento mundial para este ano, o documentário Scream For Me Saravejo mostra como foi a passagem de Bruce Dickinson pela capital da Bósnia e Herzegovina, onde o vocalista realizou um show com sua banda solo em 1994, após sair do Iron Maiden. A película já foi exibida no Saravejo Film Festival e foi escrito por Jasenko Pasic. A direção é de Tarik Hodzic, com produção da Prime Time Productions.

A obra é interessante pois recorta um momento histórico muito importante, a Guerra da Bósnia, que ocorreu entre abril de 1992 e dezembro de 1995, com estimativa de 200 mil mortos e mais de 1,3 milhão de refugiados. O conflito gerou a separação da antiga Iugoslávia, que passou a se chamar Sérvia e Montenegro, e envolveu também a Croácia, gerando uma grande comoção mundial pelas vítimas.

Abaixo está o trailer de Scream For Me Saravejo:

Ouça "Sultan´s Curse", nova música do Mastodon

sexta-feira, janeiro 27, 2017

O Mastodon divugou nessa madrugada a primeira faixa de seu novo disco, Emperor of Sand. Com produção de Brendan O´Brien, que trabalhou com a banda anteriormente no já clássico Crack the Skye (2009), o trabalho será lançado dia 31 de março.

"Sultan´s Curse" tem peso, guitarras gêmeas, belos riffs e a pegada característica da banda norte-americana. Uma ótima prévia do que vem por aí.


Ouça abaixo:


26 de jan de 2017

Título, capa e tracklist do novo álbum do Mastodon

quinta-feira, janeiro 26, 2017

O novo álbum do Mastodon será lançado dia 31 de março e terá o título de Emperor of Sand. O sétimo disco da banda norte-americana trará onze faixas inéditas, e o primeiro single, “Sultan's Curse”, já está disponível para audição na versão australiana do iTunes - o quer dizer que deve ser liberado o resto do mundo em breve.

Confira abaixo o tracklist completo de Emperor of Sand, e aqui neste link uma prévia do disco:

1 Sultan’s Curse
2 Show Yourself
3 Precious Stones
4 Steambreather
5 Roots Remain
6 Word to the Wise
7 Ancient Kingdom
8 Clandestiny
9 Andromeda
10 Scorpion Breath
11 Jaguar God

Review: Alírio Netto - João de Deus (2016)

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Alírio Netto possui uma longa folha corrida de serviços prestados ao metal nacional. Vocalista das bandas Khallice e Age of Artemis, construiu uma carreira sólida e conquistou admiradores em todo o país graças à técnica vocal diferenciada que sempre possuiu. Mais recentemente, Alírio fez parte do casting da versão brasileira do musical Jesus Cristo Superstar interpretando o papel de Judas Iscariotes, e também do musical We Will Rock You, onde interpreta o papel de Galileo nessa celebração à obra do Queen.

João de Deus é o primeiro disco solo de Alírio Netto e foi lançado no final de 2016, mais precisamente dia 15 de dezembro, pela TRM Records. Ao contrário do que fez em toda a sua carreira, aqui Netto explora outro lado de sua personalidade musical, cantando em português e apostando em uma sonoridade bem mais suave. O disco foi produzido pelos irmãos Falaschi - Edu e Tito - e conta com participações especiais de Felipe Andreoli (Angra), Marcelo Barbosa (Angra), Tiago Mineiro e Milton Guedes (Rita Lee, Lulu Santos), além do próprio Tito Falaschi. Vale citar que o ex-vocalista do Angra, Edu Falaschi, além de assinar a produção também participa da composição de duas faixas, “Viver (One Love)” e “Nada Mais Importa”.

Musicalmente, é tudo muito bem feito e produzido, com tudo no lugar. A voz de Alírio surge cristalina e perfeita em cada faixa, realçando a capacidade do músico. As participações especiais são marcantes, como o belo solo de Marcelo Barbosa em “João de Deus, o piano de Tiago Mineiro em “Retratos” e o sax de Milton Guedes em “Nada Mais Importa”.

Quando aposta em uma sonoridade descaradamente pop, Alírio consegue fazer isso com bom gosto e alcança resultados agradáveis, como podemos conferir em “Viver (One Love)”, “O Palhaço” e “Nada Mais Importa”. No entanto, confesso que não curti muito as canções mais lentas como “De Sol a Sol” (versão de uma música do cantor mexicano Erik Rubin), “Retratos" e “Segredos”, que mesmo mantendo a excelência instrumental e interpretativa presente nas demais faixas do disco, acabaram soando excessivamente melosas aos meus ouvidos. 

Trilhando de maneira corajosa um caminho totalmente oposto a tudo o que fez em sua carreira até agora, Alírio Netto mostra em João de Deus a capacidade que possui de experimentar novas sonoridades mantendo a qualidade que sempre marcou a sua carreira. É um trabalho que não agradará a todos os ouvidos, principalmente aos mais acostumados com sonoridades relacionadas ao rock. 

Pessoalmente, achei um disco apenas mediano, mas acredito que quem é adepto de um som mais suave tem tudo pra curtir.

Graveyard anuncia retorno às atividades

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Para alívio de todo mundo, durou pouco o fim da banda sueca Graveyard. Após anunciar o fim de suas atividades em setembro, o grupo postou hoje em sua página do Facebook um vídeo anunciado o retorno das atividades.

O baterista Axel Sjöberg saiu por diferenças musicais, e ao que tudo indica, ele foi o responsável pelos atritos que levaram a banda a anunciar o seu fim.

Resumindo: o Graveyard está oficialmente de volta, e à procura de um novo baterista.

O vídeo com a declaração oficial pode ser assistido abaixo:

Trilha sonora emblemática do grunge, Singles ganha edição especial comemorando seus 25 anos

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Lançada em 30 de junho de 1992, a trilha sonora de Singles marcou a era grunge do rock, trazendo faixas das bandas que faziam parte da cena de Seattle ilustrando o filme dirigido por Cameron Crowe e estrelado por Bridget Fonda, Campbell Scott, Kyra Sedgwick e Matt Dillon. No Brasil, o filme recebeu o título de Vida de Solteiro.

Marcando os 25 anos de seu lançamento, Singles retornará às lojas dia 10 de maio em uma nova edição trazendo dois discos e uma nova capa, com farto material extra incluindo diversas raridades da era de ouro do grunge. A nova edição da trilha será disponibilizada em CD duplo e LP duplo, com o segundo disco contendo exclusivamente faixas bônus. Entre elas temos o EP de estreia de Chris Cornell, Poncier - nome do personagem vivido por Dillon na película, Cliff Poncier -, além de diversas faixas que estarão saindo pela primeira vez em CD.

Abaixo está o tracklist completo de Singles: Original Motion Picture Soundtrack - Deluxe Edition:

Disc One
1. Alice in Chains – "Would?"
2. Pearl Jam – "Breath"
3. Chris Cornell – "Seasons"
4. Paul Westerberg – "Dyslexic Heart"
5. The Lovemongers – "Battle of Evermore'
6. Mother Love Bone – "Chloe Dancer"/"Crown of Thorns"
7. Soundgarden – "Birth Ritual"
8. Pearl Jam – "State of Love and Trust"
9. Mudhoney- "Overblown"
10. Paul Westerberg – "Waiting for Somebody"
11. The Jimi Hendrix Experience – "May This Be Love"
12. Screaming Trees – "Nearly Lost You"
13. Smashing Pumpkins – "Drown"

Disc Two
1. Citizen Dick – "Touch Me I'm Dick" (first time on CD)
2. Chris Cornell – "Nowhere but You" (Poncier)
3. Chris Cornell – "Spoon Man" (Poncier)
4. Chris Cornell – "Flutter Girl" (Poncier)
5. Chris Cornell – "Missing" (Poncier) (first time on CD)
6. Alice In Chains – "Would?" (live) – (first time on CD)
7. Alice In Chains – "It Ain't Like That" (live) – (first time on CD)
8. Soundgarden – "Birth Ritual" (live) – (first time on CD)
9. Paul Westerberg – "Dyslexic Heart" (acoustic) – (first time on CD)
10. Paul Westerberg – "Waiting for Somebody" (score acoustic) – (previously unreleased)
11. Mudhoney – "Overblown" (demo) – (previously unreleased)
12. Truly – "Heart and Lungs"
13. Blood Circus – "Six Foot Under"
4. Mike McCready – "Singles Blues 1" (previously unreleased)
15. Paul Westerberg – "Blue Heart" (previously unreleased)
16. Paul Westerberg – "Lost in Emily's Words" (previously unreleased)
17. Chris Cornell – "Ferry Boat #3" (previously unreleased)
18. Chris Cornell – "Score Piece #4" (previously unreleased)

Chickenfoot anuncia compilação que vem com música inédita

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Sem lançar material inédito desde 2011, o Chickenfoot, supergrupo formado por Sammy Hagar (Montrose, Van Halen), Joe Satriani, Michael Anthony (Van Halen) e Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) anunciou o lançamento do álbum Best + Live. O registro chegará às lojas dia 10 de março e trará a primeira música inédita da banda em seis anos, “Divine Termination”. 

O material será duplo, com o primeiro CD trazendo um best of da banda, com músicas vindas dos dois discos lançados pelo quarteto, enquanto o segundo CD traz material ao vivo e coisas interessantes para os fãs, como as versões para as clássicas “Highway Star” do Deep Purple, “Bad Motor Scooter” do Montrose e “My Generation” do The Who.


Abaixo está o tracklist de Best + Live, bem como um vídeo gravado por um fã e onde é possível ouvir em primeira mão a nova canção dos caras, “Divine Termination”.

CD1 – Best Of
01. Divine Termination (brand new song)
02. Soap On A Rope
03. Sexy Little Thing
04. Oh Yeah
05. Get It Up
06. Future In The Past
07. Big Foot
08. Different Devil
09. Lighten Up
10. Dubai Blues
11. Something Going Wrong

Bonus Live Tracks:
12. Highway Star
13. Bad Motor Scooter
14. My Generation

CD2 - Live
01. Avenida Revolution
02. Sexy Little Thing
03. Soap On A Rope
04. My Kinda Girl
05. Down The Drain
06. Bitten By The Wolf
07. Oh Yeah
08. Learning To Fall
09. Get It Up
10. Turnin' Left
11. Future In The Past

Review: Rhino Head - You Get What You Pay For (2016)

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Na ativa desde 2015, o Rhino Head vem de São Paulo com um som bastante interessante. Formada por Stefano Zalla (vocal), Fabio Yamamoto (guitarra), Thor Salles (guitarra), Victor Kutlak (baixo) e Caio Al-Behy (bateria), a banda equilibra influências de blues e grunge na construção de um cativante rock and roll que irá agradar os fãs do lado mais clássico do gênero.

Ecos de AC/DC, Pearl Jam, Free e mais um monte de gente boa são facilmente identificáveis em You Get What You Pay For, lançado de forma independente no final de 2016. São dez faixas de fácil assimilação, que mostram uma banda com inegável potencial para alçar vôos mais altos. As faixas são sempre construídas a partir dos riffs, realçando a pegada classic rock que acompanha o som do Rhino Head.


You Get What You Pay For traz aquele tipo de som que cai como uma luva em encontros de amigos, no churrasco com cerveja e nas reuniões de tribos urbanas como motociclistas, Harleyros e similares. Dá pra curtir sem esforço, o que só atesta o excelente trabalho desenvolvido pela banda em seu disco de estreia.

Com o desenvolvimento natural que o tempo dá, rodando mais nos palcos e entrando em contato com outros músicos, o Rhino Head tem tudo para gravar discos com qualidade ainda maior nos próximos anos.

Fique de olho, por aqui tem futuro!




25 de jan de 2017

Documentário celebra os 30 anos do clássico Rock Grande do Sul

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Em meados de 1986, o Brasil conheceu a cena que rolava no Rio Grande do Sul através da coletânea Rock Grande do Sul, lançada pela RCA e que trazia dez faixas de cinco novas bandas que estavam dando o que falar em Porto Alegre: Engenheiros do Hawaii, Os Replicantes, TNT, Garotos da Rua e DeFalla. 

Cada grupo entrou com duas canções no LP - Engenheiros com “Sopa de Letrinhas” e “Segurança”, Replicantes com “Surfista Calhorda” e “A Verdadeira Corrida Especial”, TNT com “Entra Nessa” e “Estou na Mão”, Garotos da Rua com “Sozinho Outra Vez” e “Tô de Saco Cheio”, e o DeFalla com “Você me Disse” e “Instinto Sexual”. Um tracklist formado por clássicos incontestáveis do rock gaúcho, cantados até hoje Brasil afora.


Celebrando os 30 anos do disco (que saiu em LP na década de 1980, e nos anos 1990 recebeu uma edição em CD), a Rádio Atlântida, o jornal Zero Hora e a TVCom, todas empresas do grupo RBS (afiliada da Globo no RS), produziram um documentário a respeito de toda a cena que rolava na época, com entrevistas com os músicos e dezenas de histórias bem interessantes.

O documentário Rock Grande do Sul 30 Anos pode ser assistido abaixo:

Review: Pain of Salvation - In the Passing Light of Day (2017)

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Certa vez sonhei com a morte. Não era o Grim Reaper vestindo uma capa negra e segurando uma enorme foice reluzente, determinado a me levar deste mundo de uma vez por todas, mas sim uma senhora de cabelos brancos e olhos tristes. Eu estava em um quarto de hospital, mergulhado na luz fria de lâmpadas fluorescentes, olhando por uma janela que mostrava um mundo distante e sem cor e ouvindo os bipes ritmados de aparelhos médicos, como se fossem uma canção, a canção que me mantinha preso à vida. A senhora de cabelos brancos e olhos tristes me olhava com pesar, dizendo sem mexer os lábios que não queria me levar, que o seu coração era despedaçado a cada batida, que o peso de sua tarefa era pesado demais. A morte me disse para lutar, para viver.

Eu não sei se Daniel Gildenlöw viu a morte nos olhos quando passou pelo inferno de ser atingido por uma bactéria comedora de carne que quase o matou. Mas o que eu sei é que o simples conceito de encarar a morte tão de perto, mesmo que apenas em um sonho, é o suficiente para perturbar uma pessoa, mexer com suas percepções, anseios e angústias. O que dirá então enfrentar isso tão de perto. 

Por mais que Daniel componha, escreva ou fale sobre o episódio, nós nunca saberemos completamente o que se passava em sua mente, a forma como ele sobreviveu e se transformou após a dolorosa e desesperado experiência. É pessoal demais, talvez intraduzível em sua mais profunda magnitude. In the Passing Light of Day é um trabalho poderoso, onde Daniel exprime da melhor forma possível seu próprio encontro com a quase morte em um quarto de hospital sueco. 

Não se apegando exclusivamente a velhas fórmulas do passado, o disco transcorre como uma tempestuosa jornada através de uma mente conturbada e perturbada, repleta de medo e desespero. Uma enxurrada de emoções transpostas em arranjos ora complexos e irascíveis, ora singelamente simples e tocantes. Quem sabe uma viagem sinuosa e sufocante pelos cinco estágios do luto. 


Temos momentos mais intensos de rock/metal progressivo, remetendo às origens da banda nos longínquos anos 1990, como "On a Tuesday", "Tongue of God" e "Full Throttle Tribe”, onde esbanjam técnica e feeling em arranjos e melodias complexas, além de sombrias e cheias de tensão. Um deleite para qualquer fã mais veterano do bom e velho prog metal. 

Existe também um lado que grita e transpira um senso de urgência e medo que se manifesta de diferentes maneiras. "Silent Gold" é uma balada de piano, mais simples e direta impossível, mas absurdamente carregada de sentimento e o desejo por conforto e segurança em meio à tempestade. "Meaningless" é angústia, tensão sexual, sobre o terror existencial de se sentir não sendo mais dono de si mesmo. Para mim já é um clássico da banda. 

"Reasons" é experimental, com um toque avant-garde com o qual já flertaram no passado. Me faz pensar em Be (2004). "Angels of Broken Things" e "If This is the End" apostam em construções lentas que levam a clímaces grandiosos e intricados, cheios de força e personalidade. Já "The Taming of a Beast" é a faixa mais “diferente” do disco, algo que remete ao rock clássico, talvez uma sutilíssima pitada de country. Energética, cheia de tesão, com fome de vida e de viver, o encontro com a sua besta pessoal, às vezes intangível, outras vezes sua força motriz mais primordial. Espero que toquem nos shows, haveria de ser fantástico. 

A faixa que dá título ao disco é quase um disco dentro de si mesmo, ou um curta metragem em sépia cheio de memórias, remorsos, arrependimentos, mas também alegrias, júbilos, sorrisos e amor. Apesar dos seus quinze minutos, não é a música mais diversa e complexa do álbum, é bastante simples e intimista em sua maior parte, pontuada por ápices vigorosos que não chegam a explodir para valer. Uma reflexão linda sobre o fim, sobre as coisas não ditas e não feitas, sobre os momentos do passado que nos irritaram e agora parecem tão distantes e tão sem significado. Lindo, simplesmente lindo. Analisando como um todo, acho que posso dizer ser uma das coisas mais profundas e tocantes que já ouvi na minha vida. 

In the Passing Light of Day é uma obra absolutamente honesta e visceral, flutuando com destreza entre todos os territórios por onde o Pain of Salvation já se aventurou. Tem o prog hermético e técnico de Entropia (1997), One Hour by the Concrete Lake (1998), The Perfect Element I (2000) e Remedy Lane (2002), assim como as ousadias conceituais de Be (2004) e Scarsick (2007), e por fim toda a pegada mais humana, psicológica e sexualmente densa de Road Salt I (2010) e II (2011). Tudo aí, em maior ou menos proporção, formando uma obra que a partir disso tem sua própria identidade, influências e coerência. Já é um dos mais fortes candidatos a ser o melhor disco do ano, mesmo ainda sendo apenas janeiro. 

Daniel Gildenlöw pode ser uma pessoa difícil, de personalidade incrivelmente forte (talvez o motivo que faça dele o único remanescente da formação original da banda), mas é sem dúvida nenhuma um gênio, uma dessas pessoas iluminadas que veio parar nessa pedra azulada perdida no meio do universo para causar um impacto imenso na vida das pessoas. Um artista como poucos conseguem ser. 

Obrigado por ainda estar conosco, Daniel. 



24 de jan de 2017

Review: Hardshine - So Far and So Close (2016)

terça-feira, janeiro 24, 2017

Uma das principais críticas que faço à imprensa especializada em heavy metal no Brasil é a falta de coerência e o baixo nível de exigência da imensa maioria dos resenhistas. Explico: para a grande maioria dos blogs e sites - e até o povo das revistas que falam sobre o assunto -, todo e qualquer disco de uma banda brasileira de metal ou hard rock é nota 10, excelente, incrível e já nasceu clássico. Isso cria vários problemas. Por um lado, baixa o nível de exigência não só de quem escreve, mas também de quem produz e consome a música. E, no outro lado da moeda, faz com que álbuns realmente bons passem batido e fiquem perdidos neste mundo utópico e maravilhoso onde tudo nasce excelente e com potencial para mudar o mundo.

Dito isso, vamos para algo que realmente é bom e merece todos os elogios que receberá: So Far and So Close, disco de estreia do Hardshine. A banda é formada por Leandro Caiçolo (vocal), Pedro Esteves (guitarra), Bruno Ladislau (baixo) e Anderson Alarça (bateria), músicos já conhecidos de quem acompanha a cena nacional. O trabalho foi gravado no início de 2013 no Masterpiece Studio, em São Paulo, e finalmente está saindo em formato físico. So Far and So Close é o primeiro lançamento da TRM Records, selo que está chegando ao mercado em uma iniciativa de Thiago Rahal Mauro, colaborador de longa data da Roadie Crew, e o disco pode ser encontrado em lojas com Die Hard, Hellion Records e Voice Music.

Tendo Caiçolo e Esteves como principais forças criativas, a ideia do Hardshine é produzir um som voltado para o hard rock, com influências das escolas setentista e oitentista do gênero - principalmente a segunda, como fica claro no disco. São dez faixas, todas trazendo os elementos que fazem o estilo ser tão cativante: riffs fortes, refrãos marcantes, boas melodias e composições bem construídas, além das indefectíveis baladas.

Ainda que o hard rock dos anos 1980 não esteja entre os meus gêneros favoritos de música, é inegável que o quarteto conhece a seara por onde se aventura. O destaque principal é Leandro Caiçolo, dono de uma voz acima de média e que consegue se sair bem tanto nas canções mais agitadas quanto nos momentos mais calmos.

So Far and So Close cai como uma luva como trilha pra pegar tanto a estrada como para encarar o vai e vem do dia a dia, a bordo do veículo que for. Bem acabado, o disco, apesar de já ter quatro anos de vida, chega ao grande público ainda refrescante e causa uma ótima impressão.

Vale a pena conhecer, vale a pena ouvir. E vale frisar: os elogios são todos merecidos.

Billy Corgan sai em viagem pelo interior dos Estados Unidos e mostra um país bem diferente do que imaginamos

terça-feira, janeiro 24, 2017

Billy Corgan, coração e alma do Smashing Pumpkins, iniciou um projeto chamado Thirty Days onde a ideia é viajar sem rumo pelos Estados Unidos, sempre por estradas secundárias e longe das grandes rodovias, visitando pessoas em vários estados, conversando com os indivíduos e falando dos lugares, enquanto toca algumas canções no meio do projeto. Esta é a segunda vez que o música embarca em uma iniciativa do tipo - no início de 2016, o vocalista e guitarrista realizou uma viagem semelhante pelo país.

O que chama a atenção nos vídeos postados até agora por Corgan - assine o canal da banda no YouTube para seguir tudo de perto - é a construção do retrato do cidadão americano médio e excluído, morador de cidades e regiões outrora fortes economicamente e que agora parecem áreas fantasmas, com indústrias e construções abandonadas, um contraste forte com a visão geral que se tem dos Estados Unidos.

Abaixo estão os dois primeiros vídeos do projeto:

Review: Powerfull - Warrior Soul (2016)

terça-feira, janeiro 24, 2017

Mario Pastore é um dos vocalistas mais conhecidos e veteranos da cena metal brasileira. Com passagens por Delpht, Acid Storm, Heaviest, além do projeto Hamlet e da banda que batizou com o seu sobrenome, o músico está com uma nova banda, para alegria de seus fãs.

O Powerfull traz Pastore ao lado do guitarrista Jones Jones e do baterista Vagner Gilabel - o nome do baixista que gravou o disco não foi divulgado. Warrior Soul, estreia do grupo, saiu no final do ano, e é indicado para quem curte o speed metal de nomes como Viper, Helloween, Primal Fear e afins - aliás, só eu acho que Pastore possui uma semelhança física, além do timbre vocal, com Ralf Scheepers? A proposta da banda é fazer um som bem tradicional, que bebe na linguagem do gênero e não se preocupa em buscar inovações ou apresentar novas ideias. Pelo contrário: a sensação é que os músicos estão mesmo revisitando o seu passado e prestando tributo à trajetória que cada um deles fez no gênero.

Com uma produção mediana, Warrior Soul é aquele disco feito sob medida para quem curte a pegada oitentista, com boas melodias de guitarra, linhas vocais bem construídas, bateria rápida e os vocais agudos característicos de Pastore, que é o destaque do trabalho. Esses ingredientes tem tudo para agradar uma parcela do público, ainda que alguns possam achar estes mesmos elementos cansativos e repetitivos.

Com um tracklist bem homogêneo, Warrior Soul possui momentos que farão a alegria dos fãs - a abertura com “Fireball" é um deles, assim como a cadenciada “Screaming Inside” e a bela instrumental acústica “Spain”, que encerra o disco com um agradável acento flamenco -, e dá continuidade a longa e brava trajetória de Mario Pastore. 

Pra fechar, um adendo: vi que a banda também gravou uma versão para “I Want Out”, do Helloween, mas a versão disponibilizada para audição não continha a faixa.

Lançamento via Marquee Records.

Quadrinhos: Mulher-Maravilha: Terra Um, de Grant Morrison e Yanick Paquette

terça-feira, janeiro 24, 2017

O selo Terra Um reúne graphic novels onde personagens clássicos da DC são reimaginados em um universo paralelo. Ou seja, é algo totalmente fora da cronologia oficial, o que permite mais liberdade criativa para que os autores possam fazer o que bem entenderem com ícones da cultura pop que possuem mais de sete décadas de vida.

Nos Estados Unidos, a série estreou em novembro de 2010 com Superman: Earth One, escrita por J. Michael Straczynski e desenhada por Shane Davis. Na sequência vieram as novas versões do Batman, Novos Titãs e Mulher-Maravilha. Aqui no Brasil, a Panini já lançou dois encadernados de capa dura para as histórias do Superman e do Batman - escrito por Geoff Johns e desenhado por Gary Frank -, enquanto os Novos Titãs de Jeff Lemire e Teddy Dodson seguem inéditos.

O assunto aqui é Mulher-Maravilha: Terra Um, lançado recentemente no mercado brasileiro. A história foi escrita por Grant Morrison (Superman Grandes Astros, Asilo Arkham, Homem-Animal) e ilustrada por Yanick Paquette (Corporação Batman, Sete Soldados da Vitória, X-Men: Guerra Civil), e saiu no mercado norte-americano em abril de 2016. A edição nacional copia a americana nos mínimos detalhes, e traz toda a trama desenvolvida até agora acondicionada em capa dura.

Em relação ao roteiro, Grant Morrison reconta a origem da Mulher-Maravilha através de um recurso narrativo interessante: um julgamento. Diana é chamada de volta à Ilha Paraíso por sua mãe, Hipólita, a Rainha das Amazonas, após fugir de Themyscira e passar um tempo no mundo dos homens. Essa ação da Princesa das Amazonas é motivada pelo desejo sempre presente de fazer e conhecer mais do que apenas o terra de suas irmãs e pelo fato de Diana encontrar um homem - pela primeira vez na vida -, o piloto Steve Trevor, após a queda do seu avião.

Na releitura de Morrison, Trevor é negro, o que gerou discussões infundadas entre os fãs. Se é um mundo paralelo, qual o problema do coadjuvante mais conhecido da Mulher-Maravilha ser negro? Racismo reprimido? Menos gente, menos. 



Grant Morrison explora de maneira constante durante toda a história o aspecto sexual onipresente em uma ilha habitada apenas por belas mulheres. As ilustrações mostram, de tempos em tempos, quadros com orgias cheias de personagens, além da presença de diversos elementos de bondage compondo os figurinos. Correntes, couro, chicotes e outros elementos pipocam nas páginas, e muitas vezes de maneira pouco sutil. O ponto final nessa pegada proposta pelo escritor são as expressões de Diana, que invariavelmente surge nos quadros da história com caras e bocas sensuais, em uma tentativa de imprimir um clima de lascivo em toda a HQ. No início isso até funciona, mas aos poucos esse recurso vai se tornando cansativo e, no final das contas, revela-se apenas gratuito e sem sentido.

Outro ponto que gera discussão em Mulher-Maravilha: Terra Um é o texto de Morrison, que coloca um discurso explicitamente feminista na boca de praticamente todas as personagens. É claro que o apelo feminista faz parte da história e da trajetória da Mulher-Maravilha, que foi criada para ser uma mulher à frente do seu tempo, como um elemento para mostrar a um mundo predominantemente machista que uma mulher poderia fazer qualquer coisa e não ficava atrás do homem em nenhum aspecto - pelo contrário: em muitas situações, estava muito à frente dos portadores do cromossomo Y. No entanto, Grant Morrison até tenta, mas só consegue deixar o texto da história chato e sem profundidade, repetindo clichês há muito deixados de lado pelo feminismo. Só para fazer um paralelo, enquanto séries como Lumberjanes e Miss Marvel falam sobre o assunto de uma maneira muito mais orgânica, dinâmica e natural - e não por acaso alcançam impacto muito maior -, o tom empregado por Morrison em Terra Um mais parece um grande textão do Facebook escrito por alguém com uma visão radical. E isso, meus amigos, faz com que muito da força da HQ se perca.

Em relação à arte de Yanick Paquette, temos uma Diana linda como nunca. E aqui vale citar uma curiosidade: a inspiração para o rosto da Princesa foi a ex-atriz pornô Sasha Grey, atualmente DJ e escritora. O traço do artista faz a Mulher-Maravilha surgir voluptuosa e sensual em todas as páginas, fator que, somada às caras e bocas já citadas, acaba também depondo contra. No início funciona, daí vai cansando, e quando nos damos conta percebemos que não passa de um recurso apenas gratuito. No entanto, Paquette supera esse aspecto a retratar uma Themyscira belíssima e cheia de detalhes, repleta de referências à milenar arquitetura grega. 



Outro fator muito agradável da arte é o fato de termos páginas e páginas onde a divisão dos quadros não segue o padrão comum das histórias em quadrinhos. Ao invés de quadros fechados com ações independentes, Yanick Paquette faz complexas páginas duplas onde as diversas situações que estão acontecendo são divididas ora pelo Laço da Verdade de Diana, ora por vegetações, ora por outro elemento que faça sentido com o assunto abordado naquele momento. E o resultado são quase pequenos pôsteres a cada nova virada de página, transmitindo uma ótima sensação para o leitor.

Um outro aspecto que gera justas discussões é o fato de a história não apresentar uma conclusão. Ao final do julgamento de Diana, onde durante o processo somos apresentados às suas experiências no mundo dos homens e aos personagens que ela encontra pelo caminho, temos uma resolução bastante óbvia e que, na verdade, não conclui coisa nenhuma, deixando tudo extremamente aberto para uma continuação. Não que isso seja necessariamente ruim, mas como a volume 2 ainda não saiu nos Estados Unidos, é bastante provável que a sequência demore muito pra chegar por aqui.

Finalizando, Mulher-Maravilha: Terra Um fica bem abaixo da expectativa. Apesar da arte incrível de Yanick Paquette, a reimaginação proposta por Grant Morrison, além de não apresentar grandes novidades, escorrega em clichês gratuitos e em um discurso extremamente panfletário, fazendo com a leitura seja cansativa além da conta. 

Se você quer ler algo interessante da Mulher-Maravilha para entrar no clima do filme da personagem, que sairá este ano, a recomendação ainda é a mesma: vá atrás dos encadernados que a Panini está publicando com a trama escrita por Brian Azzarello para a Princesa Diana. Já saíram dois por aqui - Sangue e Direito de Nascença -, e ambos são excelentes e retratam a personagem de maneira muito mais contundente e cativante do que a ideia proposta por Morrison em Terra Um.

23 de jan de 2017

5 clipes de Emicida pra fazer você pensar

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Emicida é hoje, ao lado de Criolo, o principal rapper do Brasil. Com discurso afiado, inspirado e inteligente, do alto de seus 31 anos Leandro Roque de Oliveira é cada dia mais conhecido Brasil afora, merecendo o justo reconhecimento que recebe.

As canções de Emicida estão entre as minha favoritas nos últimos anos. O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013) e, principalmente, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa (2015), foram dois dos discos que mais ouvi recentemente. Considero o álbum de 2015 um dos grandes álbuns brasileiros recentes, uma obra de arte dona de uma profundidade arrebatadora.

Abaixo estão cinco clipes de Emicida, cinco canções marcantes de sua carreira e que mostram os dois lados mais claros de sua musicalidade e personalidade. O lirismo à flor da pele está em “Mãe” e “Crisântemo”, homenagens a seus pais, ambas belas e arrepiantes. E as letras inteligentes de “Levanta e Anda”, “Boa Esperança” e “Mandume”, que falam de questões sociais sem papas na língua e deixam claro o quão profundo o racismo está inserido na sociedade brasileira. 

“Mandume”, com participações inspiradas de Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin, é o retrato musical de um Brasil que teima em esconder embaixo do tapete a sua origem, ignorando e colocando de lado toda uma enorme parcela de sua população apenas por causa da cor de sua pele.

Ouça, preste atenção nas letras e veja como Emicida, o Leandro, é um poeta não apenas singular, mas extremamente necessário para que consigamos construir um país melhor a cada dia.

Review: Pain of Salvation - Remedy Lane Re:visited (2016)

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Um dos principais nomes do rock progressivo contemporâneo, a banda sueca Pain of Salvation possui uma discografia sólida e com momentos de pico altíssimos. A trilogia The Perfect Element I (2000), Remedy Lane (2002) e Be (2004) beira a perfeição. E é justamente o disco do meio dessa trinca, considerado por muitos como o melhor trabalho do grupo, que volta às lojas em uma bela nova edição.

Remedy Lane Re:visited foi lançado no início de julho de 2016 na Europa, e recentemente ganhou uma edição nacional através da Hellion Records. Com trabalho gráfico de primeira, embalagem digipak e uma nova leitura para a arte original, o disco (duplo) traz de volta à ordem do dia um dos mais belos trabalhos dos anos 2000.

Conceitual, Remedy Lane chegou às lojas em 15 de janeiro de 2002 e conta em suas letras uma história de auto-descoberta de seu protagonista. Totalmente composto pelo vocalista e guitarrista Daniel Gildenlöw, o disco pode ser considerado quase como uma semi-biografia do músico.

Essa nova edição vem com dois CDs. No primeiro, batizado como Re-mixed, somos presenteados com uma nova mixagem das faixas originais. Em um trabalho digno dos mais talentosos artesãos sonoros, o produtor Jens Bogren (Between the Buried and Me, Symphony X, BabyMetal) revitaliza sobremaneira a obra, inserindo mais profundidade e peso às gravações, o que resulta em uma mixagem mais orgânica e verdadeira, que realça ainda mais as qualidades do álbum original.

O segundo CD, que possui o título de Re:lived, traz o Pain of Salvation tocando Remedy Lane na íntegra durante a edição de 2014 do PowerProg USA Festival. O destaque é a performance arrebatadora e cirúrgica da banda, beirando a perfeição. A entrega de Gildenlöw, notadamente em suas interpretações vocais, deixa as faixas ainda mais marcantes e tocantes, demonstrando o quanto as canções presentes em Remedy Lane representam para o líder do Pain of Salvation.

Remedy Lane Re:visited é uma das raras reinterpretações de um trabalho clássico que conseguem ir além da obra original, soando superior, em diversos aspectos, ao disco lançado em 2002. Uma obra de arte que desde o seu lançamento foi reconhecida pela crítica e pelos fãs, e que soa renovada e apaixonante mais de uma década depois.

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