9 de mar de 2018

A história das coincidências entre O Mágico de Oz e The Dark Side of the Moon

sexta-feira, março 09, 2018

Uma das convergências mais estranhas e aleatórias entre duas peças de arte clássicas da história da cultura pop é a noção de que o filme O Mágico de Oz (1939) serve como um companheiro de vídeo perfeito para o álbum The Dark Side of the Moon (1973), do Pink Floyd.

Não se sabe quem surgiu com a ideia de tocar as duas obras simultaneamente, mas o fato foi levado pela primeira vez à atenção do público pelo jornalista Charles Savage, que escreveu um artigo para o Fort Wayne Journal Gazette em 1 de agosto de 1995. Na matéria ele observou que se você começar a tocar o CD no mesmo instante em que o leão da MGM dá o primeiro rugido, as músicas e o vídeo sincronizam-se de forma estranha em diversos momentos. O artigo foi batizado como The Dark Side of the Rainbow, que desde então passou a ser o nome comum adotado ao mashup.

Entre as semelhanças, Savage encontrou: Dorothy começa a correr durante a frase “No one told you when to run” (“Ninguém lhe disse quando correr”) presente na letra de “Time”; David Gilmour canta “Home, home again” em “Breathe" quando é dito para Dorothy voltar para casa; e “Brain Damage” começa quase no mesmo instante em que o Espantalho canta “If I Only Had a Brain” (“Só Se Eu Tivesse um Cérebro”) e dança na Yellow Brick Road enquanto Roger Waters canta “Got to keep the loonies on the path” (“Mantenha os lunáticos no caminho”).

De forma ainda mais estranha, “The Great Gig in the Sky” (“O Melhor Show no Céu”) coincide com a chegada do tornado, e Dorothy abre a porta da casa para encontrar o colorido País dos Munchkin - quando se dá o início do segundo ato do filme - ao mesmo tempo em que “Money”, a primeira música do lado B de The Dark Side of the Moon, começa a tocar. E assim que o álbum cai em um batimento cardíaco, Dorothy coloca a orelha no peito do personagem Tin Woodsman.

Ao longo dos anos a história de Savage se espalhou, e dois anos após a publicação original a MTV deu em rede nacional a história toda, com bastante destaque. O engenheiro de som do disco, Alan Parsons, foi perguntado se aquilo tinha sido intencional e negou tudo. “Simplesmente não havia equipamentos para fazer algo assim naquela época”, declarou Parsons. “Nós não tínhamos meios de reproduzir vídeos no estúdio onde gravamos o álbum, e além disso o VHS ainda não havia sido lançado em 1972, certo?”. Alan Parsons está correto. Mesmo que a gravação de programas de TV através de fitas de vídeo tenha iniciado em 1956, elas foram projetadas apenas para uso profissional e a tecnologia não ficou disponível para uso doméstico até meados dos anos 1970.

O baterista Nick Manson, no entanto, tem outra versão. “Isso é um absurdo absoluto. O disco não tem nada a ver com O Mágico de Oz, tudo foi baseado em A Noviça Rebelde (filme lançado em 1956 e cujo título original é The Sound of Music)”.

Em 2011 a revista norte-americana Goldmine publicou um artigo que expõe todas as coincidências e explicou o que acontece se você tocar o CD novamente depois que ele termina. Ou você pode simplesmente assistir ao vídeo abaixo:

Tradução de Ricardo Seelig

8 de mar de 2018

Novo ao vivo de Neil Young resgata show inédito de 1973

quinta-feira, março 08, 2018

Chegará às lojas dia 24 de abril um novo álbum ao vivo de Neil Young. Com o título de Roxy: Tonight’s the Night Live, o disco será lançado em vinil duplo e resgata um show realizado em meados de 1973 na casa de shows californiana citada no título.

Na época Young estava lançando o seu sexto trabalho, Tonight’s the Night, e sua banda era formada por Nils Lofgren (piano), Ben Keith (guitarra pedal steel), Billy Talbot (baixo) e Ralph Molina (bateria).

Tracklist completo abaixo:

1. Tonight’s The Night
2. Mellow My Mind
3. World On A String
4. Speakin’ Out
5. Albuquerque
6. New Mama
7. Roll Another Number (For The Road)
8. Tired Eyes
9. Tonight’s The Night
10. Walk On

Novo álbum ao vivo de Joe Bonamassa

quinta-feira, março 08, 2018

Joe Bonamassa lançará dia 19 de maio mais um álbum ao vivo. British Blues Explosion Live terá versões em CD/DVD, CD/Blu-ray e LP triplo. O material foi gravado em um show realizado no Greenwich Mean Time Festival, que aconteceu em Londres no dia 7 de julho de 2016.

Este ao vivo traz um dos cinco shows que Bonamassa realizou naquela ano tocando apenas clássicos do blues inglês, principalmente canções compostas e imortalizadas por Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page, três de suas maiores influências.

O DVD tem como atrativo extra a versão do guitarrista para “Taxman” dos Beatles, gravada no imortal Cavern Club, em Liverpool.

Abaixo está o tracklist e o trailer de British Blues Explosion Live:

1. Beck's Bolero / Rice Pudding
2. Mainline Florida
3. Boogie With Stu
4. Let Me Love You Baby
5. Plynth (Water Down The Drain)
6.  Spanish Boots
7. Double Crossing Time
8. Motherless
9.  SWLABR
10. Tea For One / I Can't Quit You Baby
11. Little Girl
12. Pretending
13. Black Winter / Django
14. How Many More Times

Rebeldia, atitude e originalidade: uma breve narrativa da revolução feminina na história do rock and roll

quinta-feira, março 08, 2018

Foi ouvindo artistas como Janis Joplin, Patti Smith e Rita Lee, com suas vozes magistrais saindo pelos auto-falantes do meu som, que pude chegar a uma conclusão lógica: o rock jamais teria desenvolvido todo o seu charme e elegância sem o papel das mulheres.
            
Desde que surgiu o que conhecemos por rock clássico, as mulheres desempenharam um papel importante no seu desenvolvimento e sucesso. O toque feminino agregou muito ao estilo, e a evolução natural do rock passou a elevar cada vez mais o papel da mulher dentro do cenário da cultura pop em geral. Porém, apesar de as mulheres terem conseguido mais espaço na cultura pop desde meados da década de 1960, o caminho não foi fácil. A abertura para as mulheres adentrarem o mundo do rock foi conquistada com muita luta, assim como na luta contra o preconceito a que foram expostas ao longo da história.


Por mais que o papel da mulher na história do rock possa remeter aos anos 1930, quando Sister Rosetta Tharpe inovou na música gospel acrescentando elementos do blues e country com sua guitarra elétrica, foi Janis Joplin a primeira responsável por quebrar as barreiras do preconceito durante os anos 1960. Com uma voz absurdamente poderosa e uma clara influência do blues na sua maneira de cantar, Janis foi a primeira mulher a personificar a trindade sexo, drogas e rock and roll até sua morte, em 1970.
            
No Brasil, as coisas foram um pouco diferentes. Alguns críticos musicais afirmam que o marco zero do rock nacional está nos limites da década de 1950 com a cantora Celly Campello, responsável por fazer diversas versões de clássicos internacionais do estilo. Porém, até a chegada de Rita Lee com o grupo Os Mutantes, já nos anos 1960, o rock nacional possuía pouquíssimas representantes do gênero feminino.
          

Na década de 1960, através do movimento hippie e a geração flower power, iniciou-se o declínio do famigerado American Way of Life. Porém, por mais que as mulheres já estivessem conseguindo maior espaço em outras esferas, no rock o caminho continuava árduo, sendo reconhecido muitas vezes como um ambiente machista e conservador. E, como citado anteriormente, sem sombra de dúvidas a maior figura feminina deste período foi Janis Joplin. Porém, ainda assim vimos grandes nomes surgirem, como Nico, que gravou o primeiro e clássico álbum do Velvet Underground, e a cantora folk Joan Baez.
            
A virada para os anos 1970 chegou como um momento em que o rock começava a experimentar diversas ramificações. Nesse período, Stevie Nicks e Christine McVie entraram para a história com o Fleetwood Mac, nesta que foi uma das melhores fases da banda. O grupo norte-americano Heart também surgiu nesta década, tendo à frente as irmãs Ann e Nancy Wilson. Porém, foi Suzi Quatro a primeira mulher a apresentar uma sonoridade realmente metálica no rock, além de trazer consigo um visual bem mais selvagem e uma atitude um pouco mais agressiva em comparação à suas antecessoras.
            

Entretanto, foi por outro grupo que a revolução feminina setentista do rock ficou conhecida. Idealizado pelo empresário Kim Fowley e contando com a presença de Cherie Currie, Lita Ford e Joan Jett, o The Runaways foi a primeira banda feminina a ter de fato relevância para o estilo. O que surgiu como proposta meramente comercial de Fowley fugiu completamente do estigma de banda manufaturada e traria a Litta e Joan um enorme sucesso, escrevendo seus nomes na história do estilo.
            
O surgimento do punk rock no fim da década possibilitou que outras mulheres deixassem seus nomes marcados na história. Entre elas a poetisa anarquista Patti Smith que estreou com o clássico Horses (1975), Debby Harry da banda nova-iorquina Blondie e Chrissie Hynde, do The Pretenders. No cenário pós-punk tivemos como uma das pioneiras do movimento a banda Siouxsie and The Banshees, liderada pela vocalista Siouxsie Sioux.
            

Outro grupo formado apenas por mulheres e de extrema importância para história do rock foi o Girlschool. A banda de heavy metal britânica, que é considerada por muitos como sendo parte do movimento NWOBHM, foi um dos principais nomes a lutar pelo espaço feminino no meio do hard rock e do heavy metal na década de 1980. Porém, foi graças ao apadrinhamento do Motörhead que a banda pôde alcançar mais reconhecimento.
            
Na década de 1990 surgiu o Riot Grrrl, uma das iniciativas femininas mais fortes dentro do rock. O movimento era liderado pela banda punk Bikini Kill e trazia a proposta de espalhar mensagens feministas emolduradas por uma sonoridade punk.
            

No geral, o rock nos presenteou com muitas artistas e bandas lideradas por mulheres. Há poucos registros, porém muito a se dizer sobre a presença das mulheres no rock. Óbvio que inúmeras outras artistas não figuram aqui neste texto meramente por questão de memória ou de espaço. Porém, se este conseguir mostrar que o rock não seria o mesmo sem elas, teve então seu papel cumprido.

Referências biliográficas para quem quiser saber mais:
GAAR, Gillia. She's a Rebel: This History of Women in Rock and Roll.
CHRISTE, Ian. Heavy Metal: A História Completa 
JACKSON, Andrew Grant. 1965 - O Ano Mais Revolucionário da Música
O'DAIR, Barbara. The Rolling Stone Book of Women in Rock: Trouble Girls
FLORENT, Mazzoleni. As Raízes do Rock

Por André Carvalho

Review: Judas Priest - Firepower (2018)

quinta-feira, março 08, 2018

Já vou começar esse review deixando claro a minha posição sobre a carreira do Judas Priest. Pra mim, a banda inglesa não lança um álbum digno de nota há 32 anos, desde o controverso Turbo. Sendo um pouco mais cabeça dura, dá até pra aumentar esse tempo para 34 anos e considerar Defenders of the Faith, que chegou às lojas em janeiro de 1984, como o último grande disco do Judas Priest. Uma vida e tanto, né? E sim: na minha opinião, Painkiller (1990) é um álbum bem mediano e cuja faixa-título até hoje soa como uma gritaria sem sentido aos meus ouvidos. Daí tivemos a fase com Ripper Owens - que gerou os meia-bocas Jugulator (1997) e Demolition (2001) - e o posterior retorno de Rob Halford com dois discos apenas medianos - Angel of Retribution (2005) e Redeemer of Souls (2014) -, além do pior álbum da carreira do quinteto, o horrendo Nostradamus (2008).

Agora que vocês já leram o primeiro parágrafo e estão me mandando para os lugares mais criativos possíveis, vamos a Firepower. O décimo-oitavo disco de uma das maiores instituições do metal britânico é surpreendente. Produzido por Tom Allon (a primeira colaboração entre ambos desde Ram It Down, de 1988) e Andy Sneap (um dos mais reconhecidos produtores do metal contemporâneo, aqui em sua primeira parceria com a banda), é o segundo a contar com o guitarrista Richie Faulkner e não lembra nada do que o Judas Priest entregou nos últimos tempos. Firepower é muito superior a tudo que o Judas criou nas últimas décadas, e com folga. Ótima notícia, né?

São quatorze faixas que mostram na prática porque a banda carrega a alcunha de Metal Gods nas costas. O Judas Priest gravou um álbum moderno, alinhado com o que está sendo produzido no cenário metálico contemporâneo mas sem soar forçado como em Painkiller. Isso se dá porque a banda conseguiu equilibrar com experiência e sabedoria elementos atuais sem abrir mão dos ingredientes que compõe a sua sonoridade clássica. Estão aqui os belos riffs, os duetos inspirados de guitarra, a voz rascante de Rob Halford, a batida contagiante e a energia pulsante. E tudo feito com a mais alta qualidade.

Tem gente que acha que quem escreve sobre música sente prazer em criticar e detonar discos ruins. É divertido, admito, escrever sobre os problemas evidentes de álbuns como Nostradamus, Virtual XI ou St. Anger, mas é muito mais gratificante ser surpreendido faixa após faixa por um trabalho como Firepower. A sensação de estar ouvindo um clássico moderno do estilo é onipresente, e esse sentimento não tem preço que pague.

De modo geral, o que o Judas Priest fez foi olhar muito mais para os álbuns solo de Halford do que para os seus trabalhos mais recentes na hora de compor Firepower. As influências de Resurrection (2000) e Crucible (2002) são evidentes, como se o vocalista finalmente estivesse livre, pela primeira vez após o seu retorno em 2003, para aplicar o seu modo de ver as coisas na banda que o consagrou.

Rob Halford está cantando de maneira incrível em Firepower, em nada aparentando os quase 67 anos de vida. As guitarras, como sempre, são um destaque, com a juventude de Faulkner energizando Glenn Tipton como há tempos não se via. E a cozinha, com a dupla Ian Hill e Scott Travis, é de uma solidez arrepiante.

Não há destaques entre as faixas. Todas são fortes e consistentes e passeiam por características da sonoridade do grupo, indo de composições mais rápidas a momentos mais épicos. A inspiração é a protagonista em todas elas, e isso é tão evidente que soa até mesmo surpreendente, pois não é algo que se esperaria de uma banda como o Judas Priest após quase cinquenta anos de carreira. É como se ao quinteto atingisse outro ápice criativo em sua maturidade, algo bastante raro de presenciar no heavy metal, onde um dos poucos exemplos similares está em 13 (2013), o canto do cisne do Black Sabbath.

Firepower pode não ser o último disco da carreira do Judas Priest, mas se a banda resolvesse encerrar as atividades após a sua turnê de divulgação seria um fechamento perfeito para um dos nomes mais emblemáticos e influentes da história do metal.

Um disco surpreendentemente excelente, como há décadas o Judas Priest não gravava. Ouça já!

Procol Harum ganha mega box dedicado à sua carreira

quinta-feira, março 08, 2018

Still There'll Be More, caixa óctupla dedicada ao Procol Horum, chegará em 23 de março próximo em cinco CDs e 3 DVDs.

Os primeiros três CDs virão com 69 faixas de toda a carreira da banda, enquanto os outros dois trarão as duas últimas apresentações ao vivo, incluindo um show no Hollywood Bowl em setembro de 1973 com a Orquestra Filarmônica de Los Angeles e o coral de Roger Wagner, e um concerto inédito de março de 1976 nos Jardins de Inverno de Bournemouth.

Já os DVDs incluirão mais de três horas e meia de imagens, a maior parte delas inéditas, das aparições da banda na televisão em programas como Top of the Pops, Beat Club Workshop, Musikladen e Sight e Sound in Concert.

O material ainda acompanha livro de capa dura de 68 páginas com um ensaio de Patrick Humphries e comentários de Roland Clare.



Def Leppard lançará EP limitado no Record Store Day

quinta-feira, março 08, 2018

O Def Leppard anunciou o EP Live at Abbey Road Studios, que será disponibilizado em uma edição limitada a 4 mil cópias somente durante o Record Store Day, que este ano acontecerá no dia 21 de abril.

O disquinho será lançado em um LP de 12 polegadas e traz três músicas - “C'mon C’mon”, “Rock On” e “Rocket" -, gravadas no dia 8 de maio de 2008 em uma sessão da banda inglesa no lendário estúdio londrino promovendo o álbum Songs From the Sparkle Lounge, que chegou às lojas no final de abril daquele ano.

Organização do Dynamo Open Air cria selo para lançar discos ao vivo gravados no festival

quinta-feira, março 08, 2018

Um dos mais tradicionais festivais europeus de metal, o holandês Dynamo Open Air anunciou o lançamento de dois álbuns ao vivo do Pantera e do Soulfly.

Os títulos trazem os shows realizados pelas bandas em 1998 e fazem parte do selo Dynamo Concerts, licenciado pela gravadora Caroline/Universal. A ideia é colocar no mercado os arquivos que o festival reuniu em mais de 30 anos de história, em um acervo que conta com mais de 300 apresentações nunca lançadas comercialmente e inclui materiais de nomes como Iron Maiden, Metallica, Sepultura, Machine Head e diversos outros ícones do heavy metal. Todos os discos serão disponibilizados em CD e LP e virão com o áudio remasterizado.


Abaixo estão os tracklists de Live At Dymano 1998 do Pantera e do Soulfly - ambos serão lançados dia 22 de junho:

01. Walk
02. A New Level 
03. Suicide Note Pt. II
04. War Nerve
05. Becoming 
06. Sandblasted Skin
07. Hard Lines Sunken Cheeks
08. Primal Concrete Sledge 
09. I'm Broken 
10. Fucking Hostile
11. This Love
12. Domination, Hollow
13. Mouth For War
14. Cowboys From Hell


01. Eye For An Eye
02. No Hope = No Fear
03. Spit
04. Bleed
05. Beneath The Remains / Dead Embryonic Cells
06. Tribe
07. Bumba
08. Quilombo
09. Prejudice
10. Roots Bloody Roots
11. Attitude
12. The Song Remains Insane
13. First Commandment

7 de mar de 2018

Entrevista exclusiva: Marcelo Nova

quarta-feira, março 07, 2018

Ele se autodefine como o "Nero do rock baiano", e isso revela bastante sobre sua personalidade. Marcelo Nova foi o primeiro punk made in Bahia e liderou uma das melhores bandas do rock nacional, Camisa de Vênus. "Não havia nenhuma cena de rock em Salvador, a cidade era completamente parada. Achei que era a hora de alguém fazer algo em relação a isso. Como ninguém se apresentou como candidato, resolvi montar uma banda e chamei meu amigo Robério Santana”.

O pioneiro de um estilo, um compositor sarcástico, um cara apaixonado por Little Richards. Qualidades essas que despertaram a atenção de Raul Seixas e juntos gravaram A Panela do Diabo (1989), último disco do icônico roqueiro, também baiano. "O início da minha turnê com o Raul surgiu de um convite para irmos à Bahia fazer um show de lançamento para o meu primeiro disco solo. Ele aceitou e deu uma canja. Após o término do show, combinamos mais dois ou três shows... e acabaram virando cinquenta", relembrou Marcelo

Se a discografia do Camisa de Vênus é excelente, o mesmo é possível dizer sobre sua carreira solo, cheia de grandes discos sempre com músicos do mais alto quilate. Blackout (1991), tido por muitos como o primeiro disco brasileiro totalmente acústico, conta com o bluesman André Christovam. Já A Sessão Sem Fim (1994) trazia a guitarra do experiente Luis Carlini, parceiro de Rita Lee no Tutti Frutti. "Depois do Blackout, que era um disco inteiramente acústico, quis fazer justamente o oposto, um álbum com guitarras elétricas, consistente e pesado. Estava com uma banda que era ideal para esse projeto: Franklin Paolillo na bateria, Carlos Alberto Calasans no contrabaixo e Luis Carlini na guitarra", contou.

Marcelo Nova é old school não apenas por ser um aficionado colecionador de discos ou por dissecar a obra de Jerry Lee Lewis. Fala o que pensa e, diferentemente do que é visto atualmente, pensa de forma independente e inteligente. É um chute no saco desses artistas artificialmente enlatados, um sopro de resistência. O coroa - ele completará 67 anos no dia 16 de agosto - é rock and roll até o último grama da alma e isso é muito bom! Saudemos aliviados, o rock vive! 


Marcelo, é um grande prazer falar com você. Me identifico demais contigo desde o dia que te vi falando algo como “não tenho saco para nada novo, eu quero escutar folk rock!”. Porra, te entendo demais! Nunca falaremos mal de um Jimi Hendrix ou Led Zeppelin, mas não há nada como passar um dia inteiro escutando a discografia do The Band ou da fase clássica do Neil Young, como Zuma e Harvest! Isso sem falar no Byrds! Folk rock é a parada, né?

Sim, o folk rock é essencial. Bandas clássicas como Byrds e The Band, de certa maneira, forjaram essa trajetória que vem até os dias de hoje.

Você certa vez falou que é o “Nero do rock baiano”. Isso aí dá pano para manga! Imagino a Bahia ao final dos anos 1970, sem internet, com mercado fonográfico bem limitado por estar fora do eixo Rio/São Paulo. Aquela coisa do carnaval, tudo colorido,  e você de preto escutando Elvis e Little Richard. Como foi se descobrir roqueiro naquele clima?

Eu descobri Little Richard por acaso, e a partir dali foi uma espécie de tsunami que passou pela minha vida. Comecei a colecionar discos e não parei mais, até hoje.

Quem você considera o pai do rock: Elvis, Little Richard ou Jerry Lee Lewis? Por falar em Elvis, você concorda com aquela visão de que ele “roubou o rock a partir do blues dos negros”?

O rei do rock sou eu, Chuck Berry, Raulzito, Jerry Lee Lewis, Little Richard. Não existe essa de “roubou”. Cada um vai chegando e pegando emprestado do outro, depois ninguém sabe mais de onde partiu tudo isso.

Voltando ao “Nero baiano”: quando e como você começou a incendiar Salvador com o rock?

Não havia nenhuma cena de rock em Salvador, a cidade era completamente parada. Achei que era a hora de alguém fazer algo em relação a isso. Como ninguém se apresentou como candidato, resolvi montar uma banda e chamei meu amigo Robério Santana. Foi assim, começamos a montar essa banda que veio a se chamar Camisa de Vênus e o resto é história.


Antes de formar o Camisa de Vênus você viu a cena punk e hardcore bem de perto nos EUA. Claro que isso te influenciou, assim como ao Camisa de Vênus, mas gostaria de saber como foi ver aquela cena? Foi um susto ou meio que um “puta que pariu, existem outros babacas como eu...”? Chegou a ver o show de alguma banda de maior nome?

Quando cheguei em Nova York em 1980 aquela cena toda era uma novidade para mim. Conhecia os discos, mas nunca tinha visto a cena, de fato, em ação. Percebi rapidamente que toda aquela ideia preconcebida de que era necessário músicos virtuosos na banda, com larga experiência, não era verdade. Partindo disso aí, fui em frente!

Gosto muito de punk e hardcore. Diversas bandas faziam críticas diretas ao sistema ou ao que fosse, mas eu sempre preferi as bandas mais irônicas. Por isso sempre gostei da sua atitude: sarcasmo ácido com um humor cretino!

É, o Camisa de Vênus sempre teve uma dose bem grande de sarcasmo e ironia nas letras, mas nem sempre. Essa é apenas uma das características do Camisa …

Como foi o seu primeiro contato com o Robério Santana? Bicho, aqueles primeiros discos são demais...

Ele trabalhava na TV Aratu e eu na Rádio Aratu. Nós éramos amigos e ele foi a primeira pessoa a quem expus a ideia do que viria a ser o Camisa de Vênus. Estou falando de 1980, começamos a conversar e a colocar rapidamente essa ideia em prática.


Você gravou com um dos maiores guitarristas brasileiros, André Christovam. Já o entrevistei duas vezes, sempre uma aula de música, afinal foi o primeiro bluesman brasileiro. Ele participou do disco Blackout, certo? Como foi? 

Gravar com o André foi um prazer muito grande. Nós já éramos amigos, ele trouxe uma série de violões, dobros e bandolins para o estúdio. Foi muito divertido fazer o Blackout com a participação dele. O que pouca gente sabe é que esse disco tem uma canção que é parceria minha e dele, chama-se "O Que Você Quer?”.

Logo depois você faz um disco todo elétrico com Luis Carlini, outro grandíssimo guitarrista. A Sessão Sem Fim trazia uma onda diferente. Poderia falar sobre o álbum e sobre o Carlini?

Depois do Blackout, que era um disco inteiramente acústico, quis fazer justamente o oposto, um disco com guitarras elétricas, consistente e pesado. Estava com uma banda que era ideal para esse projeto: Franklin Paolillo na bateria, Carlos Alberto Calasans no contrabaixo e Luis Carlini na guitarra. Já admirava o Carlini desde a época que ele tocava com o Tutti Frutti, foi o guitarrista certo para o disco certo.


O Eric Burdon gravou algumas músicas suas. Como a sua música chegou até ele? Chegou a conhecê-lo pessoalmente ou viu algum show dele? Sempre o considerei o vocalista mais versátil do rock, podendo cantar rock, blues, soul, funk, etc. 

Sim, o Eric Burdon gravou duas músicas minhas e fizemos uma em parceria. Já o conhecia antes da gravação do disco dele, já havíamos trabalhado juntos. Ele participou do disco do Camisa de Vênus, Quem é Você? (1996), isso lá pelo meio dos anos 1990. Depois viramos amigos, nos gostamos e nos respeitamos até hoje.

Bicho, essa pergunta eu PRECISO FAZER: A Sílvia existiu de verdade ou ela foi uma mera criação artística?

A pessoa, a figura Sílvia, nunca existiu. A letra estava lá e precisava de um nome, acabou que foi Sílvia, mas poderia ser qualquer outro.


O seu disco O Galope do Tempo (2005) é MUITO BOM! Poderia falar sobre ele?

O Galope do Tempo é um disco diferenciado na minha carreira porque ele traz dezesseis canções, todas elas sobre o mesmo tema: a minha passagem através do tempo. É um disco autobiográfico de cunho existencial, acabou se tornando um marco na minha carreira.

Um dos motivos para você virar roqueiro foi ter visto Raulzito e os Panteras. Anos depois vocês gravaram A Panela do Diabo. Ele já estava bem baleado de saúde. Como nasceu o projeto? Poderia falar sobre o convívio curto com o Raul?

O início da minha turnê com o Raul surgiu de um convite para irmos à Bahia fazer um show de lançamento para o meu primeiro disco solo. Ele aceitou e deu uma canja. Após o término do show, combinamos mais dois ou três shows... e acabaram virando cinquenta!


Seus últimos registros foram 12 Fêmeas (2013, solo) e Dançando na Lua (2016, com o Camisa de Vênus). Planeja algum novo registro no estúdio? 

Compor é o meu ofício, então nunca fico sem escrever, sem pegar no violão. Estou sempre tentando escrever novas canções, é um trabalho e eu adoro trabalhar.  

Marcelo, muito obrigado pelo papo. Tu é um cara que eu considero demais! No seu próximo show aqui no Rio de Janeiro espero que possamos tomar um álcool e escutar um disco do Bruce Springsteen, We Shall Overcome: The Seeger Sessions, ou do Black Crowes, Before the Frost … Until the Freeze, todos folk rock/americana! Manda teu recado para os leitores do Coluna Blues Rock!

Ok! É isso aí, um abraço a todos da Coluna Blues Rock!



Review: Masmorra - Masmorra (2018)

quarta-feira, março 07, 2018

Por alguma razão desconhecida, mas que provavelmente passa por um preconceito implícito ao próprio estilo, uma parcela do público ainda tem preconceito com rock pesado cantado em português. Essas pessoas não têm problema algum com rock cantado na nossa língua natal, mas apenas quando as guitarras pesam o sentimento de inadequação vem à tona. Sinceramente, azar de quem pensa assim, pois está deixando de curtir bandas excelentes como Carro Bomba, Baranga e a novata Masmorra.

O quinteto foi formado no final de 2016 em São Paulo e conta com Ricardo Peres (vocal), Ronaldo Martins (guitarra), Frank Gasparotto (guitarra), Airton Jr. (baixo) e Toni Estrella (bateria). Uma galera experiente, com boa rodagem e que sabe o que está fazendo. Uma curiosidade: o guitarrista Ronaldo Martins também é colecionador e já foi entrevistado duas vezes pela Collectors Room (leia aqui o papo mais recente que tivemos).

A estreia do Masmorra se dá através do EP auto-intitulado recém-lançado e que já está disponível nas lojas. São apenas quatro músicas, todas apresentando um hard rock calcado em bons riffs e com influências de nomes clássicos do gênero e algumas pitadas dos anos 1980, principalmente de nomes como Ratt e Dokken - “Tudo Fica Pra Trás”, por exemplo, tem um riff que parece saído dos primeiros discos da banda de Stephen Pearcy e Warren DeMartini.

As composições são bem construídas, com tudo no lugar e sem exageros. A banda deixa claro que sabe o que está fazendo e domina a linguagem sonora que explora. A produção, bem feita, intensifica ainda mais essas qualidades. E, ao final da audição do EP, fica o desejo de algo mais e a sensação de que os caras estão prontos para gravar um álbum completo.

Uma ótima surpresa, que me surpreendeu bastante.




Steppenwolf celebra 50 anos de carreira com box triplo

quarta-feira, março 07, 2018

Comemorando 50 anos de carreira, o Steppenwolf está lançando a coletânea tripla Steppenwolf At 50, que traz 41 faixas de toda a trajetória da banda norte-americana. O box chegará às lojas no dia 16 de março e será disponibilizado apenas em CD.

A compilação traz canções dos treze discos do grupo, iniciando na estreia lançada em 1968 e incluindo hinos como “Born to Be Wild”, “Magic Carpet Rider” e “Rock Me”.

Abaixo está o tracklist completo:

01. Screaming Night Hog
02. From Here To There Eventually (alternate version)*
03. Angel Drawers*
04. For Ladies Only
05. You Win Again
06. My Sportin' Life
07. Drift Away
08. Straight Shootin' Woman
09. Caroline (Are You Ready For The Outlaw World)
10. Skullduggery
11. Hold Your Head Up
12. Hot Night In A Cold Town
13. Give Me News I Can Use
14. Ain't Nothin' Like It Used To Be
15. Magic Carpet Ride (Performed With Grand Master Flash and The Furious Five)

Disk 2:
01. Hold On (Never Give Up Never Give In)
02. Rock & Roll Rebels
03. Give Me Life
04. Rise & Shine
05. The Wall
06. Rock & Roll War
07. Feed The Fire
08. Rock Steady
09. Down In New Orleans
10. Business Is Business
11. Compared To What*
12. Labor Of Love*
13. For The Women In My Life

Disk 3 (All Tracks Recorded Live: 1992-1995):
01. Move Over
02. Rock Me
03. I'm Movin' On
04. Sookie Sookie
05. I'm Your Hootchie Cootchie Man
06. Hey Lawdy Mama
07. Desperation
08. Ride With Me
09. Snowblind Friend
10. Monster/Suicide/America
11. Magic Carpet Ride
12. Born To Be Wild
13. The Pusher

* indicates previously unreleased

The Cure anuncia novo disco de remixes

quarta-feira, março 07, 2018

Em 1990 o The Cure surpreendeu ao lançar o álbum duplo Mixed Up, apenas com remixes de suas melhores canções. O resultado foi excelente, e 28 anos depois os ingleses retomam o mesmo caminho.

A banda lançará no Record Store Day o disco Torn Down (Mixed Up Extras), uma nova compilação que traz 16 remixes do catálogo da turma de Robert Smith. O álbum é duplo e contém novas interpretações para faixas como “Three Imaginary Boys”, “Just One Kiss”, “Never Enough” e outras.

Abaixo está o tracklist completo:

01. Three Imaginary Boys
02. M
03. The Drowning Man
04. A Strange Day
05. Just One Kiss
06. Shake Dog Shake
07. A Night Like This
08. Like Cockatoos
09. Plainsong
10. Never Enough
11. From the Edge of the Deep Green Sea
12. Want
13. The Last Day of Summer
14. Cut Here
15. Lost
16. It’s Over

Vem aí um novo álbum de Rod Stewart

quarta-feira, março 07, 2018

O novo disco de Rod Stewart tem o título de Blood Red Roses e será lançado no segundo semestre. O álbum virá com 11 músicas inéditas e tem o seu lançamento previsto para setembro em diante.

Blood Red Roses será o trigésimo álbum solo de Stewart e é o sucessor de Another Country, que saiu em 2015.

Sir Roderick Davis Stewart está atualmente com 73 anos e nos últimos tempos tem se dedicado à regravação de standards da música norte-americana, iniciativa que gerou cinco discos em uma série intitulada The Great American Songbook, lançados entre 2002 e 2010.

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