19 de out de 2018

Review: Soulfly - Ritual (2018)

sexta-feira, outubro 19, 2018

Vou direto ao ponto: na minha opinião, o melhor disco do Soulfly é Enslaved (2012), onde a banda de Max Cavalera pisou fundo no peso e, com a presença do baterista David Kinkade (Borknagar), entregou o seu trabalho mais agressivo e completo. Na época, o quarteto tinha também o parceiro de sempre Marc Rizzo e o baixista Tony Campos (Fear Factory, Ministry, Asesino).

Corta pra 2018. Depois de dois discos discutíveis - o fraco Savages (2013) e Archangel (2015) -, a banda retorna ao seus melhores momentos com Ritual. O décimo-primeiro álbum do Soulfly traz a Max e Marc ao lado do baterista Zyon Cavalera (um dos filhos do ex-frontman do Sepultura e integrante do grupo desde 2012) e o baixista Mike Leon (que entrou em 2015), que faz a sua estreia em um CD do Soulfly. O play conta também com as participações especiais de Randy Blythe (vocalista do Lamb of God, em “Dead Behind the Eyes”) e Ross Dolan (vocalista do Immolation, em “Under Rapture”).

Ritual é bom porque traz o Soulfly investindo novamente em doses cavalares de peso, deixando de lado os experimentalismos que marcaram o início da carreira da banda e que volta e meia retornam. O que temos nas dez faixas do disco é um metal atual, moderno e construído com muito groove. É a receita que fez o Sepultura se destacar lá na primeira metade dos anos 1990 elevada a enésima potência, porém sem as batidas tribais e com um foco maior no lado mais extremo do metal. Além da óbvia e sempre presente influência do thrash, o disco traz canções que beiram o death e até mesmo o black metal - basta ouvir a dobradinha “The Summoning” e “Evil Empowered” para perceber isso.

Um fator determinante para o impacto está na mixagem e na produção, que deixou para trás a sonoridade mais crua dos dois álbuns anteriores - e que prejudicou Savages - e fez surgir em seu lugar uma parede sonora repleta de tons graves em uma muralha pesadíssima, onde todos os instrumentos soam bastante distintos. A evolução Zyon na bateria também é outro ponto forte, com o herdeiro de Max mostrando que a tradição da família Cavalera no metal mundial está garantida.

Com um tracklist muito bom, Ritual tem destaques individuais como a faixa-título (a única a remeter, ainda que de maneira bem sutil, aos primeiros anos da banda), a dupla de músicas com os convidados (Blythe em “Dead Behind the Eyes” e Dolan em “Under Rapture”, ambos trazendo elementos da sonoridade de suas bandas) e a dupla pancadaria de “The Summoning” e “Evil Empowered”, duas das melhores músicas já gravadas pelo quarteto. Há de se mencionar também a improvável aproximação de Max com o lado mais calmo de sua musicalidade em “Soulfly XI”, a tradicional faixa instrumental que fecha os discos do grupo. Desa vez, a banda trilha por uma espécie de jazz indígena, e o resultado é de cair o queixo.

Max Cavalera é um dos maiores e mais influentes músicos da história do metal mundial. Ainda que a sua carreira apresente períodos irregulares aqui e ali, quando o vocalista e guitarrista acerta a mão tudo ganha uma dimensão arrebatadora. Em Ritual, esse foi o caso. Discaço!

Review: Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army (2018)

sexta-feira, outubro 19, 2018

Anthem of the Peaceful Army é, provavelmente, o disco de uma banda de rock mais aguardado dos últimos anos. Álbum de estreia do quarteto norte-americano (From the Fires, que saiu o ano passado, reunia os dois primeiros EPs do grupo), o trabalho vem com onze músicas inéditas e dividirá opiniões.

A principal questão em torno do Greta Van Fleet é a semelhança, muitas vezes exagerada, com o Led Zeppelin. E isso não se dá somente pela aproximação entre o timbre do vocalista Josh Kiszka e o de Robert Plant. Ela é bastante perceptível também em outros aspectos. A abordagem do guitarrista Jake Kiszka deixa claro que ele é um grande fã de Jimmy Page. O timbre da bateria de Danny Wagner não faz questão de esconder a inspiração no do falecido John Bonham, assim como as frequentes viradas que Danny encaixa nas canções também trazem à mente a imagem do saudoso Bonzo. E o trabalho de composição é, inegavelmente, influenciado pelo Led Zeppelin.

Mas o Greta Van Fleet não se resume apenas a isso. A canção de abertura, “Age of Man”, por exemplo, aponta para um outro caminho. E ela, certamente, não foi escolhida como a primeira do disco à toa. O clima é meio gospel, transportando o ouvinte para uma igreja no meio dos Estados Unidos, sensação ampliada pelo uso certeiro do órgão. Uma balada crescente e muito bem feita, com refrão na medida para levantar estádios e que funciona como um ótimo cartão de visitas. 

Percebe-se um esforço em trilhar caminhos sonoros que diminuam a associação com o Led Zeppelin, e eles funcionam em canções como “Watching Over”, na ótima “Lover, Leaver” (uma das melhores do disco) e na linda “Brave New World”, na minha opinião a melhor música de Anthem of the Peaceful Army. No outro lado da moeda, mesmo quando não consegue dissociar-se da banda de Jimmy Page e Robert Plant, o Greta Van Fleet dá ao ouvinte ótimas canções como “The Cold Wind”, “When the Curtain Falls”, “You're the One” e “The New Day”.

No saldo geral, Anthem of the Peaceful Army é um bom disco e que mostra uma evolução em relação From the Fires. Como já dito, o Greta Van Fleet explora outras influências sonoras que deixam claro que a banda não tem apenas uma carta na manga. O caso do GVF me lembra bastante o que aconteceu com o Rival Sons, outra banda que foi bastante associada ao Led Zeppelin no início de sua carreira. Em Before the Fire (2009) e Pressure & Time (2011), o Rival Sons incomodava pela semelhança (para não dizer quase plágio) do universo sonoro do Zeppelin. Foi só a partir do seu ótimo terceiro disco, Head Down (2012), que os caras conseguiram encontrar a sua própria sonoridade, e conquistaram isso com maturidade e sem perder as influências que moldam a sua música. Essa tentativa de construção de uma identidade sonora própria é perceptível no disco de estreia do Greta Van Fleet, e aponta para que os próximos discos apresentem essa identidade de maneira mais efetiva. Ainda assim, Anthem of the Peaceful Army revela-se um álbum muito consistente e repleto de ótimas canções, algo que é muito saudável e importante para uma banda em início de carreira como o GVF.

Para concluir, deixo com vocês um pensamento: será que a associação que fazemos entre esses jovens norte-americanos e o Led Zeppelin não diz menos sobre o Greta Van Fleet e muito mais sobre o próprio Led Zeppelin e a falta que sentimos de uma banda tão mitológica e grandiosa como foi o quarteto formado por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham? Fico com a segunda opção.

18 de out de 2018

Bone, clássico de Jeff Smith, é relançado no Brasil

quinta-feira, outubro 18, 2018

Um dos mais cultuados quadrinhos dos anos 1990, Bone, de Jeff Smith, está sendo relançado no Brasil pela editora Todavia, com tradução de Érico Assis. O material terá três volumes coloridos, sendo que o primeiro deles, intitulado O Vale ou Equinócio Vernal, já está disponível para venda.

Definido por um amigo colecionador de quadrinhos como “a união entre Animaniacs com O Senhor dos Anéis”, Bone ganhou 10 prêmios Eisner e 11 prêmios Harvey, duas das principais premiações de quadrinhos do planeta, e foi publicado em 25 países.

A trama conta a história dos primos Fone, Phoney e Smiley, que ao serem expulsos da cidade de Boneville se veem perdidos num enorme deserto. Eles acabam chegando ao Vale, uma região misteriosa e repleta de criaturas fantásticas. Ao lado da garota Espinho, da vovó Ben e do Grande Dragão Vermelho, os primos se verão embrenhados em um conflito entre os cidadãos de Vale e um exército de ratazanas liderado pelo temível Kingdok. Ao mesmo tempo, forças infinitamente mais tenebrosas parecem ressurgir das sombras e uma grande guerra se anuncia no horizonte. Esta edição reúne os três primeiros volumes da saga.


A série nunca foi publicada em sua totalidade aqui no Brasil. O título passou primeiro pelas mãos da Via Lettera, que lançou quatorze edições entre dezembro de 1998 e abril de 2010, além de um encadernado em 2008. Em março de 2015 a HQM assumiu a publicação, mas ficou em apenas um volume de 144 páginas.

Bone: O Vale ou Equinócio Vernal vem com 448 páginas coloridas e capa mole, e será lançado dia 5 de novembro. A pré-venda pode ser feita abaixo:

Review: Riot - Fire Down Under (1981)

quinta-feira, outubro 18, 2018

Uma das bandas mais influentes do metal do final dos anos 1970 e início da década de 1980 também é, paradoxalmente, uma das menos lembradas pelos “fãs" do estilo. Estou falando do quinteto norte-americano Riot, responsável por algumas pérolas lançadas naquela época e que inseriram novos ingredientes ao então cada vez mais popular som pesado.

Ainda que os dois primeiros discos da banda sejam bem legais - Rock City (1977) e Narita (1979) -, inegavelmente foi o terceiro álbum que colocou o Riot definitivamente na história. Lançado em 9 de fevereiro de 1981, Fire Down Under é, sem exagero, um dos grandes discos do metal oitentista. Em um tempo onde ainda não existiam nomes como Helloween e outras bandas que são, de maneira correta, identificadas como precursoras do power metal, o Riot trouxe a união entre um som potente e repleto de melodia com letras sobre temas tirados de histórias de fantasia, dando sequência ao que o Rainbow de Ronnie James Dio e Ritchie Blackmore havia feito em canções como “Kill the King”, por exemplo.

Fire Down Under tem dez faixas, e entre elas estão clássicos como “Swords and Tequila”, “Altar of the King” e “Outlaw", todas mostrando a afiada união entre os vocais e a interpretação inspirada de Guy Speranza e as guitarras da dupla Mark Reale e Rick Ventura - o baixista Kip Leming e o baterista Sandy Slavin completavam a banda na época.

Esse clássico do metal dos anos 1980 foi relançado no Brasil pela Hellion Records com direito a duas faixas bônus - “Struck by Lightning” e “Misty Morning Rain” - e está disponível novamente nas lojas. É uma ótima oportunidade para conhecer um excelente disco que acabou sendo injustiçado pelo tempo, ou de completar a coleção com uma das jóias da coroa. Em ambos os casos, imperdível!


Greta Van Fleet: ame ou odeie, mas fale de mim

quinta-feira, outubro 18, 2018

É bem comum que acenemos positivamente quando uma banda se parece com algo que gostamos, principalmente quando nos traz um sentimento nostálgico, nos fazendo viajar no tempo. É maneiro quando você está diante de algo que lembra muito o Black Sabbath, o Kiss, o Thin Lizzy, o Queen, Rush, Nirvana, Iron Maiden, AC/DC, Metallica, Beatles, Stooges, Ramones, Pistols, Joy Division, Pink Floyd, Stones, Cream , Lynyrd Skynyrd, Radiohead, Slayer, Motörhead … ufa! É tanta banda que adoramos que dava um post só com nossas influências (e todas com estampas disponíveis em nossa loja, é claro!

O exemplo da hora e que nós, da Contra Grife, temos o orgulho de dedicar esse post, é a banda Greta Van Fleet, que nem lançou um disco completo e tem sido apontada como a salvação do rock. O maior motivo: a assustadora semelhança com uma das maiores bandas que pisaram a terra: o Led Zeppelin.

A similaridade faz com que o Greta Van Fleet divida opiniões. O que não impede que, mesmo por curiosidade, seus vídeos viralizem exponencialmente. Para ter uma ideia, o vídeo da música “Highway Tune” tinha 15 milhões de visualizações em maio último. Atualmente caminha para os 30 milhões, número surreal para qualquer banda, que dirá uma bem jovem e nova como eles.

É normal que diante de tanto “frisson”, a classe musical comece a dar seu ponto de vista sobre o som dos caras. Há quem goste, há quem não goste. Mas o GVF (como já são chamados) não depende de aprovação, seus integrantes estão vivendo o momento, tocando o terror.


O quarteto formado pelos irmãos Josh, Jake e Sam Kiszka (vocal, guitarra e baixo, respectivamente) e com Danny Wagner na bateria, vai muito além das comparações. Robert Plant e Elton John são entusiastas do trabalho do grupo. Elton, inclusive, os colocou na festa do Oscar. Plant, por sua vez, ficou enciumado quando Josh alegou que sua influência era mais para o lado do Aerosmith do que para o do Led. Sério?

Depois de dois EPs lançados - compilados no CD/LP From the Fires (2017) - e prestes a colocar na roda seu primeiro trabalho de estúdio, Anthem of the Peaceful City, que terá lançamento mundial dia 19/10, a banda se prepara para alçar vôos maiores, que com certeza atingirão altitude de cruzeiro e levarão o grupo em uma longa e feliz carreira. 

E nesse clima de novidade e opiniões divididas, a Contra Grife foi atrás do que pensa o pessoal ligado ao grupo e à cena musical internacional, bem como grandes expoentes da nossa guerreira música nacional. Vamos lá!


Robert Plant
“Há esta banda de Detroit chamada Greta Van Fleet, eles são o Led Zeppelin I. Um belo cantor, eu o odeio (disse Plant em tom de piada). Ele roubou a voz de alguém que conheço muito bem, mas o que pode ser feito? Ao menos ele tem um pouco de estilo, pois ele disse que se baseou no Aerosmith.” finalizou Plant enquanto virava os olhos em tom de brincadeira.

Slash
“Fiquei realmente feliz em assistir o GVF. Gostaria que não soassem tanto como o Led, mas ainda assim a ideia de quatro garotos subindo ao palco e mandando ver com apenas alguns amps e um kit de bateria é realmente inspirador. Isto faz com que um monte de garotos por aí e que estejam fazendo a mesma coisa tenham esperança de chegar a algum lugar.”

Jason Bonham
“Entrei em alerta por causa de toda aquela coisa sobre o Led Zeppelin. Mas teria me irritado se eu fosse o Robert Plant. Eu ficaria aborrecido se dissessem que ele, Josh (vocalista do Greta), soa como o Robert. Plant não canta assim. Ele era fantástico e ainda é, mas quando jovem, sua voz era muito melhor, porém de uma maneira diferente. Comparam os dois apenas por ele cantar alto e fazer o lance dos gestos com as mãos. Mas eu tenho receio de toda esta atenção que a banda está atraindo. Isto vai acabar com eles. Desejo o melhor para o GVF. As pessoas deveriam gostar da banda pelo que são e não ficar tentando comparar com o Zeppelin, pois isto vai acabar com eles. Às vezes estas coisas machucam. Acredite em mim, eu sei como funciona, pois imagine minha situação. Ser baterista tendo como pai o John Bonham, as comparações são a coisa mais difícil de ser superada. Desejo tudo de bom pra eles, mas acho que eles soam mais como o Black Crowes do que com o Led Zeppelin.”

Tom Hanks
“Estou feliz em anunciar que o novo álbum do Greta Van Fleet está aprovado.”

Alice Cooper
“Há bandas agora – olhe para o Greta Van Fleet. É uma banda que disse: ‘Faz muito tempo que o Led Zeppelin estava por perto, vamos ser o Led Zeppelin’. As pessoas estão prontas para um novo Led Zeppelin, então o rock de guitarra, mais uma vez, vai assumir a liderança.”

Joe Satriani
“Tenho ouvido essa jovem banda, Greta Van Fleet, e estou realmente gostando da exuberância que estou escutando.”


Felipe Toscano – chefe da produtora Abraxas, responsável pelo lançamento e shows de grandes nomes da cena independente mundial e nacional
“Acho bem fraco. Imita Led Zeppelin de uma forma tosca. As músicas são simples demais, falta originalidade, você não parece estar ouvindo uma banda nova, mas sim um Led Zeppelin cover, uma tentativa de Led.”

Ricardo Coser Seelig – Jornalista musical
“Gosto, acho um som bem legal. E acho massa que uma banda de rock ganhe a dimensão que eles estão ganhando. Gostei do primeiro disco, só achei que poderiam se descolar um pouco da influência do Led Zeppelin. Penso que esse descolamento virá com o tempo e com a experiência que já estão acumulando, tanto que nas músicas já divulgadas do novo disco percebe-se uma tentativa consciente de afastamento da banda de Jimmy Page. Resumindo: é uma boa banda e merecem os elogios que recebem.”

Flavio Flu Santos – De Falla
“Prefiro o original”.

Pepe Bueno – Tomada, Pepe Bueno & Os Estranhos, Denny Caldeira
“Fui ouvindo aos poucos o som dos moleques e logo pensei: “Caraca, igual ao Led”. Eu adoro Led. Peguei o disco todo para ouvir e curti. Os moleques sabem tocar e acho que com tempo ainda vão pegar mais personalidade ao som e ficarem mais autênticos.”

Junior Bocão – Mopho
“Não é novidade para ninguém que o rock corre nas veias de uma gurizada desde cedo nos EUA. Apesar de o gênero não ser o mais popular nas rádios ou streaming americanos, nunca deixou de produzir bandas interessantes e inovadoras. Para mim, o Greta Van Fleet é uma banda legal, mas não tem nada de novo. Tem uma turma mais antiga que há muito tempo não se atualiza sobre a cena do rock, brasileira e mundial. Aí quando ouve algo que desperte seu saudosismo, já corre para as redes sociais comentar, aclamar. Na real prefiro ouvir Alabama Shakes,  Amo Amo, Gary Clark Jr., até mesmo o rockinho pop dançante das irmãs Haim, ao menos mais alternativos. Independentemente das minhas preferências, uma coisa é certa: a molecada do Greta Van Fleet manda muito bem, mas não acredito que vão seguir esta sombra por muito tempo.”

Eduardo Cunha – Radialista da Ipanema FM e da Dinâmico FM
“Gosto muito. Para não gostar, só se não gostar de Led.”

Cristiano Wortmann – Hangar, Zerodoze
“Eu acho o som dessa gurizada fantástico. Os riffs de guitarra são matadores e as músicas também. Uma voz incrível! Um sopro de vida para o rock.”

Jonas Cáffaro – Matanza, Lâmmia
“Eu acredito muito que exista a salvação do rock. Mas eles são bastante influenciados pelas bandas clássicas que eu gosto. Só acho que eles precisam achar o som deles. O que eu ouvi é muito cópia de Led Zeppelin.”


Luciano Cunha –  Ilustrador, quadrinista e criador do personagem O Doutrinador, que em breve irá estrear nos cinemas
“Cara, eu gosto da banda, mas acredito que ela não tem personalidade nenhuma, sabe? É apenas uma cópia de riffs e passagens do Zeppelin. O Rival Sons, por exemplo, bebe do legado de Page e companhia com bastante frequência, mas consegue empregar personalidade própria ao seu som, não se tornando uma mera emulação do Zeppelin. Mas uma coisa realmente muito boa no GVF é que eles podem trazer uma nova legião de fãs adolescentes, soterrados pelo pop insosso atual, para a música verdadeiramente de qualidade de outrora. Isso não tem preço.”

Christian Santos – Comunidade Nin-Jitsu, Pedrada Afu, Ipanema FM
“Bah! Delicado, cara! Te confesso que ouvi algumas vezes e não consegui seguir em frente. Por um lado me deixa feliz por ser uma molecada fazendo rock sólido, mas acho que chega a ser comédia o quanto eles imitam o Led. Uma coisa é referência, outra é caricatura. Sei lá! O que veio na minha cabeça é aquela frase óbvia: prefiro ouvir o próprio Led. Mas eu penso que se eles desencanarem do Led, podem ser muito mais relevantes.”

Marcelo Gross – Cachorro Grande
“Eu acho uma grata surpresa! Numa época em que precisamos de novos ícones no rock, o fato deles se parecerem bastante com o Led na fase do primeiro disco vejo como uma coisa boa, pois é uma excelente referência. Acredito que com o tempo eles vão achar seu próprio caminho, misturando cada vez mais as influências. Gostei e ouvi bastante o primeiro disco, estou ansioso para ouvir o que vem pela frente. Essa gurizada promete!”

Jonnata Doll – Jonnata Doll e os Garotos Solventes
“Essa banda eu não gosto, não me pegou o coração. White Stripes, por exemplo, lembrava Zeppelin, mas era muito autêntico ao mesmo tempo. Não acho isso do Greta Van Fleet.”

Pedro Porto – Ultramen
“Quando ouço GVF tenho a sensação agradável de estar ouvindo um (bom) disco perdido do Led, que foi encontrado e remixado no século XXI. A eficiência da banda em reproduzir o clima dos discos do Led é incrível. Grandes compositores, excelentes performers. O único problema é que ter uma personalidade própria é essencial para uma banda garantir sua relevância no cenário musical.  Acredito que quando um artista assume a personalidade de outro, tende a ser esquecido com o tempo.”

Marcos Kleine – Ultraje a Rigor, Pad
“Então, mano! Minha opinião é meio na contra-mão, achei ok. Mas é muito igual ao Led, prefiro ouvir Led, que amo (risos). Não comprei a lógica deles, achei muito parecido. Muita gente me mostrou mas eu falei: Porra! É igual (risos).”

Jacques Maciel – Rosa Tattooada
“Uma bela surpresa! Garotos jovens com grandes influências e tocando muito. A prova de que o rock está vivo e sempre estará! Sou fã.”

Thedy Correa – Nenhum de Nós
“Gosto pra caramba! Moleques com uma referência de respeito e com capacidade para deixar essa influência vir a tona sem pagar mico. ”

A Contra Grife deseja toda sorte do mundo para essa garotada. Acreditamos que, indiferentemente de comparações, sempre é bom ouvir uma boa banda de rock causando furor na mídia. O rock precisa disso. Cada vez mais. E é fato que eles terão uma difícil tarefa pela frente: se manterem no estardalhaço, com o peso da assustadora similaridade nas costas.



Conheça o incrível projeto Rap em Quadrinhos

quinta-feira, outubro 18, 2018

Idealizado pelo Youtuber Gil Santos - o cara do canal Load Comics e que entrevistei aqui no site há um tempo - e pelo ilustrador Wagner Loud, o projeto Rap em Quadrinhos fez uma bela homenagem a vários rappers brasileiros, retratando-os como ícones das histórias em quadrinhos.

As ilustrações tiveram como referência capas icônicas de quadrinhos da Marvel e da DC, e uniram com inspiração e sensibilidade dois mundos repletos de aficcionados: a música e os quadrinhos. Load conta como é o processo criativo da dupla: "Eu sou responsável pela ligação das personalidades, escolho o herói e o MC, aí converso com o Loud e, quando chegamos em um acordo, ele desenha. É bem como criação de uma HQ: eu sou roteirista e ele o quadrinista”.

Loud fala sobre como tudo surgiu: "Eu já tinha feito uma série mesclando personagens Marvel com personalidades do punk rock, chamado Punk Rock em Quadrinhos. Fiz uma exposição na Central Panelaço, loja do João Gordo do Ratos de Porão. Desde aquela época eu queria fazer alguma coisa pro rap e conversando com o Load (que também gosta muito dos dois assuntos) a gente se animou pra começar o Rap em Quadrinhos. Basicamente a gente conversa, lista artistas que a gente gosta, o Load separa tudo e pensa no que cada herói tem a ver com cada MC. Fechando isso eu desenho e pronto. A gente tem tentado sempre mesclar a personalidade e o que cada personagem tem a ver com o MC. Perdemos um tempinho conversando e tentando chegar ao melhor possível pra não ser apenas o desenho pelo desenho”.

Load explica mais sobre o projeto: "Para dar o pontapé inicial escolhemos o Emicida como Miles Morales. Assim como o Miles Morales, o Emicida representa a nova geração e a mudança do cenário todinho. Foi mais ou menos essa linha de pensamento que eu segui. O Brown, por exemplo, sempre representou o Capão assim como o Pantera sempre representou Wakanda, e fora tudo que o Brown significa pro rap em questão de luta e representatividade. As ligações de cada artista vai da personalidade, de coisas em comum. Black Alien é um cara bem culto cheio de referências em suas letras, então pensamos nele como Dr. Estranho, muito por causa de uma de suas músicas chamada 'Universo Paralelo’”.

Divulgadas através das redes sociais dos idealizadores, a iniciativa reverberou enormemente nas redes sociais e levou à uma mostra na Central Panelaço, loja de João Gordo localizado em São Paulo.

Abaixo você confere as lindas ilustrações criadas por Wagner Loud, em um trabalho que encerrou o seu primeiro ciclo e, segundo seus criadores, terá uma segunda “temporada”.
























17 de out de 2018

Review: Vandenberg’s Moonkings - MK II (2017)

quarta-feira, outubro 17, 2018

O guitarrista sueco Adrian Vandenberg tocou no Whitesnake entre 1985 e 1997, período no qual participou dos discos Whitesnake (1987), Slip of the Tongue (1989) e Restless Heart (1997), além do ao vivo Live at Donington 1990 (2011) e do acústico Starkers in Tokyo (1998). Ou seja, Vandenberg esteve na época de maior sucesso da banda de David Coverdale, quando o Whitesnake emplacou sucessos planetários como “Is This Love”, “Still on the Night” e “Give Me All Your Love”.

A parceria com Coverdale foi o ponto mais alto da carreira de Adrian, e o próprio músico ratifica isso com o seu novo projeto, o Vandenberg’s Moonking. A banda foi criada em 2013 e lançou dois álbuns - a estreia auto-intitulada (2014) e MK II (2017), além do acústico Rugged and Unplugged (2018). MK II está saindo agora no Brasil pela Hellion Records.

Quando eu digo que o próprio Adrian Vandenberg sabe que o ápice de sua trajetória foi ao lado de David Coverdale me refiro, não necessariamente de uma maneira elogiosa, ao que ele está fazendo no Vandenberg’s Moonkings. O grupo é praticamente uma banda cover do Whitesnake, porém com canções originais que replicam os elementos da sonoridade que levou a Cobra Branca ao estrelato mundial. O vocalista Jan Hoving possui um timbre muito semelhante ao de Coverdale, intensificando ainda mais essa sensação. 

O problema é que Vandenberg nunca foi um Mick Moody, um Bernie Marsden, um John Sykes, e isso acaba sendo um fator determinante, pois apesar de não negar a influência (ou melhor dizendo, a sombra) do Whitesnake, o Vandenberg’s Moonkings não consegue chegar ao nível da banda de ex-vocalista do Deep Purple. As doze faixas de MK II apresentam sempre elementos que remetem à sonoridade clássica de Slide It In (1984) e Whitesnake (1987), mas o trabalho de composição é bastante inferior, resultando em um disco que acaba tendo força para agradar apenas os fãs mais fanáticos e os colecionadores mais completistas, que querem possuir tudo que possui associação com o Whitesnake.

Isoladamente, as canções de MK II até funcionam. Se você ouvi-las no meio de uma playlist ou encaixadas em um bloco de uma rádio, elas passam sem problemas. Porém, o conjunto completo soa cansativo. Também não curti muito a produção, que me pareceu carecer de espectros mais graves e que preencheriam melhor as músicas. 

Entre as faixas, destaque para “Tightrope”, “All or Nothing” e “Hard Way”.

Discoteca Básica Bizz #121: John Lennon - John Lennon / Plastic Ono Band (1970)

quarta-feira, outubro 17, 2018

Em 1970, John Lennon estava sofrendo de um acúmulo de tudo ao mesmo tempo, agora. Com os Beatles reduzidos a ruínas após anos musicalmente brilhantes, mas que deixaram os quatro integrantes da banda marcados por um desgaste físico, psicológico e artístico de proporções inéditas no rock, Lennon via-se num momento de transição, no qual suas convicções pessoais, prioridades profissionais e emoções foram radicalmente reavaliadas.

Recém-saído de sessões de terapia primal em Los Angeles com o doutor Arthur Janov, que pregava a libertação emocional através da exteriorização de sentimentos reprimidos desde a infância, John era um nervo exposto armado de uma metralhadora giratória apontada para tudo que ele havia construído até então – seu trabalho, sua obra musical, suas alianças pessoais – e para aquilo que, no seu entender, aprisionava-o: a idolatria, as drogas, a política e, sobretudo, os Beatles.

Com a cabeleira raspada em um ato simbólico cheio de significados para a época, ele se apresentava não mais como o "Beatle ferino e mordaz" (que na verdade acabava sendo um produto de consumo em massa), mas como um herói da classe operária que emergia de um longo torpor induzido pela fama e muita grana. E chegava cheio de raiva.


Este disco veio de uma catarse pessoal tornada pública, sem paralelos no rock. Algo realmente chocante para o mundo daquele tempo, quando o "tudo bem" da geração paz e amor triunfava em Woodstock. Gravado da forma mais crua possível por Lennon e um reduzido núcleo de músicos (Klaus Voorman no baixo, Ringo Starr na bateria e Billy Preston nos teclados), o álbum se tornou tão imediato e urgente quanto a sua realização: no máximo uma ou duas passadas por música antes de ser gravada e entregue a Phil Spector para mixar. Ao invés dos arranjos elaborados que marcaram os últimos lançamentos dos Beatles, um som descarnado, brutal. Que, curiosamente, veio a ser registrado no estúdio Abbey Road, em Londres, onde o quarteto trabalhou em suas mais célebres gravações.

Nas letras das canções, em vez dos inteligentíssimos jogos de palavras que eram a marca registrada de John, estavam diatribes aliadas às confissões íntimas, nas quais Lennon tornava pública- pela primeira vez - a falta que sentia do pai (que o abandonou ainda bebê) e da mãe (morta quando ele era garoto). E ainda revelava o seu plano de ação para o futuro: "O sonho acabou", decretava ele na faixa "God", depois de avisar ao mundo que já não acreditava mais em Elvis, nem em Bob Dylan ou nos Beatles, apenas nele mesmo e em Yoko ; "isso é a realidade".

Até as canções de amor dedicadas à sua mulher teimavam em pingar algumas gotas de fel contra o mundo: "Segure firme, Yoko", dizia ele nos versos de "Hold On", "tudo vai ficar bem, venceremos a luta".

Texto escrito por José Emilio Rondeau e publicado na Bizz #121, de agosto de 1995

Rock in Rio confirma P!nk e Black Eyed Peas, e Pearl Jam será anunciado em breve

quarta-feira, outubro 17, 2018

O Rock in Rio anunciou mais duas atrações para a edição 2019 do festival. A cantora P!nk e a banda Black Eyed Peas subirão ao palco no Rio de Janeiro no dia 5 de outubro, fazendo companhia à Anitta em uma noite dedicada inteiramente ao pop.

A outra notícia é que o Pearl Jam está praticamente fechado com a organização e também tocará no Rock in Rio 2019. O anúncio deve ser feito nas próximas semanas. A última passagem da banda norte-americana por aqui foi no Lollapalooza 2018.

Até agora, o Rock in Rio 2019 tem já confirmadas as presenças de Iron Maiden, Scorpions, Megadeth, Sepultura, P!nk, Black Eyed Peas e Anitta. Já fechados mas ainda não anunciados de maneira oficial temos o Helloween e o Muse.

O festival acontecerá no Rio de Janeiro nos dias 27, 28 e 29 de setembro, faz uma pausa e retorna para mais quatro datas nos dias 3, 4, 5 e 6 de outubro.

16 de out de 2018

Review: Lucifer - Lucifer II (2018)

terça-feira, outubro 16, 2018

O Lucifer estreou em 2015 com o seu auto-intitulado debut, e dá um passo enorme em seu segundo disco. A banda, que possui raízes suecas e alemãs, é uma das revelações da cena atual, com um som cativante e pronto para alcançar novos ouvintes.

O grupo é formado por Johanna Sadonis (vocal), Martin Nordin (guitarra), Linus Björklund (guitarra), Alexander Mayr (baixo) e Nicke Andersson (bateria). Essa é a formação ao vivo. No estúdio, a presença de Andersson, conhecido pelo seu trabalho como vocalista e guitarrista dos ótimos The Hellacopters e Imperial State Electric, dá um pedigree extra para o Lucifer e chama a atenção para uma banda que tem muitos méritos. Nicke assume a guitarra na gravação, imprimindo o seu toque único para a sonoridade do Lucifer.

A evolução apresentada entre o disco de estreia e esse Lucifer II é gigantesca. Da produção aos timbres, tudo soa melhor, principalmente as composições. As nove músicas do álbum são muito bem resolvidas e caminham pela seara do hard com pitadas setentistas, porém com a onipresença de melodia característica dos projetos em que Andersoon está envolvido. Mesmo não assumindo a guitarra, a influência das bandas de Nicke permeia a sonoridade do Lucifer, ainda que o quinteto possua uma personalidade própria e que é bem mais sombria que o Hellecopters e o Imperial State Electric.

O ponto focal do Lucifer é Johanna Sadonis. A bela vocalista, que é esposa de Nicke Andersson, canta com profundidade e possui uma voz agradável, que somada às escolhas sonoras da banda resulta em um disco acessível e que agrada de imediato. É rock, e dos bons, onde a pretensão está em compor boas canções e não em reinventar a roda e iniciar uma nova tendência. Na verdade, o Lucifer nada junto com a tendência do occult rock surgida a partir de 2010 com o Ghost, mas apresenta uma música com característica originais e que não possui praticamente nenhum elemento de heavy metal, enquanto bebe sem medo no hard dos anos 1970 e não esconde que o gênero é uma das suas maiores inspirações. O tratamento dado à “Dancing With Mr. D”, música de abertura de Goats Head Soup (1973), décimo-primeiro LP dos Rolling Stones, evidencia as qualidades da banda e seus pontos fortes: a sensualidade e a malícia, ambas caminhando para longe da luz e para extremos mais sombrios.

Outros pontos fortes são encontrados na abertura com “California Son” (com ecos sutis de Uriah Heep), na deliciosa “Dreamer” e no sentimentalismo da linda “Before the Sun”, onde Johanna entrega a melhor interpretação do disco. A adição de uma segunda guitarra tornou a música do Lucifer, além de mais encorpada, também mais rica, já que os duetos e a interação entre os instrumentos de Nordin e Björklund salta aos ouvidos e é outro dos grandes acertos do disco.

Este segundo álbum do Lucifer é uma das boas surpresas do ano. Totalmente underrated e pouco comentada, a banda gravou um ótimo disco e que deve cair no gosto de quem aprecia nomes como Blues Pills, Rival Sons e companhia. 

Pra fechar, a ótima notícia é que Lucifer II acaba de ser lançado no Brasil pela Hellion Records, facilitando o acesso pra quem curte os bons sons.

Segundo volume de Black Hammer, de Jeff Lemire, está em pré-venda

terça-feira, outubro 16, 2018

A Editora Intrínseca já colocou em pré-venda o segundo encadernado de Black Hammer, ótima série escrita por Jeff Lemire e ilustrada por Dean Ormston. Com o título de O Evento, o volume é a sequência de Origens Secretas, publicada há poucos meses pela própria Intrínseca.

Em Black Hammer somos apresentados a um grupo de super-heróis que vive isolado em uma fazenda após salvar o mundo de um evento catastrófico. O texto de Lemire é inspiradíssimo e mostra personagens muito bem construídos e extremamente humanos, ainda que donos de grandes poderes. A série foi muito elogiada lá fora - Black Hammer venceu o Eisner de Melhor Série Original em 2017 - e também ganhou grandes recomendações aqui no Brasil. O material é realmente excelente e merece todo o hype que tem recebido.

O Evento tem 176 páginas, capa mole e miolo em papel couchê, e a pré-venda dá ao comprador três pôsteres exclusivos. 

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Aclamadas graphic novels da Editora Nemo chegam ao Social Comics

terça-feira, outubro 16, 2018

A Social Comics, serviço de assinatura para leitura de HQs no formato digital, está implementando iniciativas interessantes. Após anunciar a estreia dos quadrinhos de The Walking Dead dentro da plataforma, em uma parceria com a Panini Comics, agora é a vez da Editora Nemo ganhar destaque.

Dezessete graphic novels publicadas pela Nemo, braço dedicado aos quadrinhos do Grupo Autêntica, serão disponibilizadas semanalmente para os assinantes da Social Comics, ampliando o catálogo já disponível no serviço tanto em quantidade quanto em qualidade. Entre os novos títulos estão obras de autores consagrados como Daniel Clowes, Jeff Lemire, Bastien Vivès e Fabien Toulmé, entre outros.

Abaixo você confere o calendário com os lançamentos da Nemo para a plataforma:

22/10/2018 – Vincent Van Gogh, de Mirella Spinelli
29/10/2018 – O Mundo de Dentro – Bruna Vieira em Quadrinhos, de Bruna Vieira
05/11/2018 – Rosalie Lightning – Memórias Gráficas, de Tom Hart
12/11/2018 – Quando Tudo Começou – Bruna Vieira em Quadrinhos, de Bruna Vieira e Lu Cafaggi
19/11/2018 – O Melhor Que Podíamos Fazer, de Thi Bui
26/11/2018 – Kobane Calling
03/12/2018 – Ghost World, de Daniel Clowes
10/12/2018 – Uma Irmã, de Bastien Vivès
17/12/2018 – Os Diários de Amora, de Aurélie Neyret e Joris Chamblain
24/12/2018 – Justin, de Gauthier
31/12/2018 – A Marcha, de John Lewis, Andrew Aydin e Nate Powell
07/01/2019 – Nada a Perder, de Jeff Lemire 
14/01/2019 – Ousadas, de Pénélope Bagieu
21/01/2019 – Duas Vidas, de Fabien Toulmé

Paciência (de Daniel Clowes), Lennon (de Foenkinos, Corberyan e Horne) e A Diferença Invisível (de Mademoiselle Caroline e Julie Dachez) também serão disponibilizadas no serviço, mas ainda não tiveram a sua data de chegada à plataforma divulgada.

A Social Comics foi lançada em 2015 e é o primeiro e maior serviço de streaming de quadrinhos no Brasil. A ideia é semelhante a da Netflix, com o assinante pagando um valor mensal e tendo acesso ao catálogo completo. Para mais informações, acesse o site http://www.socialcomics.com.br

Para o duplipensar brasileiro, Roger Waters é uma ameaça

terça-feira, outubro 16, 2018

Vivemos tempos de falsificação grosseira da história. O jogo sórdido da simplificação vence com facilidade porque a burrice vem pronta e embalada, para consumo rápido e fácil. A crítica e a reflexão são vistas como inimigos. Elas ameaçam esse mundo distópico de realidade paralela alimentado por notícias falsas e verdades distorcidas. Há que se dizer que a história é e sempre foi um campo de disputa. O passado, inclusive, nunca está inerme. Nunca esteve e nunca estará imune ao dissabor de quem o controla.

A história é uma arena de batalha permanente. Cada fissura no tecido social abre flancos que normalmente são usados com objetivos espúrios, por quem tem muito a perder com essa coisa inconveniente que é o pensamento crítico, sobretudo doutrinas autoritárias e sociedades em que o nazifascismo está galopante. Este é o Brasil que Roger Water se encontrou e, inevitavelmente, chocou-se contra o muro quase intransponível dos eleitores de Bolsonaro.

Como explicar, afinal, para um inglês que teve seu pai morto na II Guerra Mundial enquanto combatia o fascismo em 1944 na Itália quando Waters tinha apenas 5 meses de idade que, em um país que normaliza a barbárie, há um exército de zumbis capaz de dizer que “o nazifascismo é de esquerda”, tentando inclusive “desmentir” a Embaixada da Alemanha e absolutamente todos os intelectuais sérios a respeito do tema?

Como explicar a Waters, que dedicou sua vida inteira, pessoal e artística, a combater o autoritarismo, que, no Brasil, milhões de pessoas votam orgulhosas em um candidato que defende a tortura e a ditadura, o extermínio de “adversários”, a criminalização de movimentos sociais, a cassação de partidos políticos, o estupro de mulheres, o racismo, a perseguição aos gays, o preconceito e a eliminação primeira e última do “outro”? E mais, que boa parte dessas pessoas são, também, seus fãs?

É contra essa mediocridade falsificadora reinante que Waters se chocou no primeiro show em São Paulo, quando endereçou diretamente o fascismo de Bolsonaro, colocando-o corretamente ao lado de outros nomes que representam a ascensão da extrema-direita no mundo, de Trump a diversos países europeus. A reação do público, mista, entre o júbilo e a vaia, provocou um verdadeiro curto-circuito na cabeça de Waters. Então estou sendo atacado e vaiado por criticar o fascismo? Sim, está.


E aí precisamos voltar a Orwell não apenas porque Orwell dedicou sua obra inteira a analisar o autoritarismo, direta e indiretamente, mas também porque Waters e o Pink Floyd tem ligações umbilicais com o autor. Em 1984, livro chave da sua obra, Orwell diz que quem controla o passado, controla o futuro, quem controla o presente, controla o passado. Mas as alterações na história nunca passavam como mudanças de fato. O que agora era verdade sempre foi verdade. Bastava apenas “uma ideia infinda de vitórias sobre a memória”. O puro e simples controle da realidade ou, em “novilíngua”, o novo “idioma” deste mundo de simplificações grotescas, o controle da realidade é o duplipensar. Mas que diabos é isso?

Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência e então tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra “duplipensar” era necessário usar o duplipensar.

Qualquer semelhança com o mundo criado por Bolsonaro e sua equipe e engolido prontamente pelo séquito de milhões de eleitores sobretudo via whatsapp não é mera coincidência, é estratégia. A tática de Bolsonaro – seja orientada por Steve Bannon seja tipificada pelas dezenas de generais que fazem parte da sua campanha – é duplipensar purinho. Todo o seu discurso, cada movimento que faz, cada declaração que dá, cada fake news que espalha, cada suposta “contradição” do seu comitê visa o controle da realidade. É duplipensar em estado bruto e também lapidado.

É assim que não é tão difícil compreender como um fã de Roger Waters e do Pink Floyd é capaz de, ao mesmo tempo, adorar a banda e votar em Bolsonaro. Ouvir e cantar um discurso antifascista e ser fascista na prática, na crença e nos costumes, consciente ou não. Novamente: “ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas”.


Aqui entra o fenômeno não exatamente recente do “roqueiro reaça”. O reacionário convicto que tem no rock o “estilo de música favorito”, parte da “maneira como leva a vida”. O rock, supostamente rebelde e revolucionário, teoricamente questionador, há muito já processado, branqueado e falseado, há muito já parte intrínseca da indústria cultural contemporânea do consumo acéfalo. Não é preciso ler os teóricos da Escola de Frankfurt para chegar a tal conclusão.

O rock como parte fundamental da cultura pop tem no Pink Floyd um dos seus exemplos mais únicos. The Dark Side of the Moon é um dos cinco discos mais vendidos da história da música. 45 milhões de cópias – em números subestimados – de um álbum conceitual, de uma banda de rock progressivo, que endereça, do início ao fim, a alienação, as psicoses, o desconforto da modernidade, a ganância, a ansiedade, a angústia, os transtornos mentais causados pela sociedade contemporânea.

Nada mais paradoxalmente popular, portanto, que The Dark Side of the Moon, o disco que mudou o Pink Floyd de patamar, que catapultou a banda de uma estrela do underground psicodélico para os mega shows em estádios, o distanciamento cada vez maior entre banda e público e entre seus próprios integrantes. Que registra o início do domínio de Waters – que assina sozinho (mais) ou em conjunto (menos) quase todas as faixas do álbum – com exceção de duas instrumentais. Dark Side… é o início do fim do Floyd, dos conflitos e do esgarçamento da tensão que levarão em última instância a The Wall e ao fim da banda pós-Barrett, sua fase mais longeva e popular até então.

A história de Waters, portanto, é uma alegoria exata do show, do momento atual, dos conflitos, paradoxos e tensões que só o Brasil, com a sua jabuticaba de fascistas ouriçados que se julgam donos da história contra todo o resto do mundo, pode oferecer. De eleitores de um candidato que louva o mais notório torturador da ditadura brasileira e que tem como livro de cabeceira justamente A Verdade Sufocada, escrito por Brilhante Ustra, este mesmo torturador que exprime seu desespero, sua busca incessante em reescrever a história. Nada mais duplipensar do que isso.

O fã do Pink Floyd, banda que ultrapassa os nichos de mercado e se tornou um dos pilares da cultura pop contemporânea, portanto, certamente é bastante diversificado. E há aqui o elemento do espetáculo, teórica e diretamente falando, o cidadão que vai em grandes eventos para se sentir parte daquele acontecimento, para se exibir em redes sociais, como puro entretenimento, mesmo que no caso de Waters não seja só isso.

Em Brasília, após a querela em SP – teve muita gente abandonando o show cedo e querendo até (risos) fazer boletim de ocorrência contra Waters – a imensa maioria do público reagiu positivamente às suas críticas contra o fascismo e Bolsonaro, levando-o até a se emocionar. Perto de mim, um senhor goiano com camisa de tintas policiais, acuado pela maioria, não se conteve ao gritar “mito, mito, mito!”, prontamente contido pela esposa. Para quem gosta da metáfora do FlaxFlu, o clima no Mané Garrincha era nítido.

O incômodo explica-se também porque não se trata de uma mensagem curta e breve projetada no imenso telão durante uma das músicas. Waters dedica todo o intervalo do show, cerca de 15 minutos, em um crescendo de mensagens contra o autoritarismo, o fascismo, o domínio militar, a espionagem no mundo, as redes sociais, a supressão de liberdades individuais e de expressão, a defesa de direitos humanos, endereçando e nomeando adversários de tudo que ele acredita, até chegar a Bolsonaro – com uma tarja de “conteúdo político censurado” após o show em SP – o suficiente para trazer desconforto aos eleitores do Messias.


Das três turnês de Waters que tive a oportunidade de ver – 2007 no RJ, 2011 em SP e esta Us + Them em Brasília – a atual é a mais politizada de todas. Não por acaso: tivemos a ascensão da extrema-direita em praticamente toda a Europa e a vitória de Trump nos Estados Unidos, alvo principal de Waters. Durante “Pigs (Three Different Ones)”, música de Animals, de 77, todo o conceito é direcionado a defenestrar, expor e tripudiar da estupidez, do racismo, da xenofobia, da insegurança sexual, do autoritarismo de Trump, retratado em montagens francamente ofensivas, exposto em frases cretinas de sua autoria, até culminar em “Trump é um porco”, já que “os porcos mandam no mundo” e “que os porcos se fodam”, conforme levantado em cartazes por Waters, devidamente mascarado de acordo com o conceito de A Revolução dos Bichos, de Orwell, fábula-livro que serviu de base para todo o material do disco citado.

É de se pensar não só se algum artista brasileiro terá a coragem de ser tão incisivo, tão gráfico e direto em críticas a Bolsonaro, caso eleito, mas sobretudo se esse tipo de crítica será permitida e aceita sem represálias. Se não viveremos a volta da censura. Validado pelo voto, que cara terá o fascismo brasileiro do século XXI? Com um presidente fraco cercado de generais e um Congresso e Senado em que dominam a bancada BBB (bala, bíblia e boi), não é necessário um golpe propriamente dito para que toda a agenda de criminalização de movimentos sociais, o ultraliberalismo entreguista da Universidade de Chicago via Paulo Guedes, a destruição total dos biomas brasileiros, a perseguição a adversários políticos e o empoderamento dos nazifascistas brasileiros, como já se observa na onda de violência alimentada por Bolsonaro Brasil afora.

É este ninho de serpente que Waters encontrou. É nesse contexto tipicamente brasileiro após o fim do pacto que mantinha a Nova República em pé, mesmo cambaleante, que Waters traz toda a sua parafernália, seu espetáculo, suas críticas e sua história. Para quem se acostumou a falseá-la e simplificá-la de acordo com o que foi levado a acreditar para um projeto de poder autoritário que tem o intelectual como inimigo, é exigir demais o mínimo de discernimento. Perdemos todos. Mas toda a carreira de Waters e o mundo nos prova que, de fato, todos os seres humanos são iguais, mas alguns serão sempre mais iguais que outros.

Passando a Limpo: R.E.M.

terça-feira, outubro 16, 2018

O R.E.M. foi formado em 1980 na cidade de Athens, no estado da Georgia, nos Estados Unidos, e permaneceu na ativa até 2011, quando anunciou o fim da sua trajetória. Durante este período, o quarteto formado pelo vocalista Michael Stipe, pelo guitarrista Peter Buck, pelo baixista e tecladista Mike Mills e pelo baterista Bill Berry (que se afastou da banda após um aneurisma cerebral que se rompeu em pleno palco durante um show em março de 1995 - Berry retornou como convidado fazendo participações especiais em alguns shows ao longo dos anos, e hoje é um tranquilo fazendeiro e está afastado da música) lançou 15 discos, 3 álbuns ao vivo, 14 compilações, 1 disco de remixes, 1 trilha sonora, 12 DVD/Blu-rays, 7 EPs e 63 singles. 

Uma carreira brilhante e que deu ao grupo o status de uma das maiores e mais importantes bandas do rock alternativo norte-americano. O R.E.M. viveu o seu auge comercial nos anos 1990, principalmente devido ao enorme sucesso mundial alcançado pelo seu sétimo disco, Out of Time, que foi lançado em março de 1991 e vendeu mais de 18 milhões de cópias em todo o planeta. Criativamente, no entanto, a banda já mostrava desde os seus primeiros trabalhos o quanto era diferenciada e tinha ideias brilhantes para apresentar.

Para conhecer mais sobre o R.E.M., elaborei uma playlist cronológica que traz 52 músicas de todos os discos, iniciando em Murmur (1983) e indo até Collapse Into Now (2011). Essa jornada musical dá uma perfeita dimensão de tudo que esse quarteto incrível trouxe para o rock e de como a música do R.E.M. influenciou centenas de artistas ao longo dos anos.

Para ouvir e saber mais sobre o R.E.M., é só dar play abaixo:

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