Review: Yngwie Malmsteen – Blue Lightning (2019)



Blue Lightning, novo álbum de Yngwie Malmsteen, traz o icônico guitarrista sueco prestando homenagem ao blues através de músicas próprias e versões para clássicos do gênero. Mas é preciso deixar algo bem claro antes de qualquer coisa: este não é um álbum para quem é fã de blues, muito pelo contrário. Ele é um trabalho voltado para os apreciadores de Malmsteen e para fãs de guitarra tocada no estilo neo-clássico que levou Yngwie a ser reconhecido como uma referência. Com isso em mente, as coisas mudam de figura.

Pra falar a verdade, tenho a opinião de que Malmsteen deixou de fazer música para o grande público há algumas décadas, no mínimo. O último disco seu que, para mim, soa agradável para fãs de metal e rock de forma ampla a irrestrita, é Facing the Animal (1997). Desde então, o músico se embrenhou em um universo sonoro cada vez mais voltado somente para os seus fãs, pregando para devotos ao invés de um novo público. E Blue Lightning talvez seja o ápice dessa imersão.

O álbum, que está sendo lançado no Brasil pela Hellion Records em um bonito slipcase, traz doze músicas, sendo que oito são releituras para canções de nomes como Jimi Hendrix, Deep Purple, ZZ Top, Beatles, Rolling Stones e Eric Clapton. As demais – “Blue Lightning”, “’1911 Strut”, “Suns Up Tops Down” e “Peace, Please” – são composições inéditas de Malmsteen. E pra fechar o pacote, Yngwie assumiu também o vocal em todas elas.

Como já dito, quem é um fã purista de blues, que gosta de blues tradicional, vai torcer o nariz para esse disco. A questão é que a forma que Malmsteen toca a guitarra, a sua abordagem para o instrumento, não tem nada a ver e não casa com um gênero como o blues. A sensação é a de estar ouvindo, por exemplo, um baterista que não abre mão de blast beats tocando uma música dos Beatles. Mais que formas de ver a música de maneiras diferentes, a questão é que simplesmente uma coisa não funciona com a outra.

Porém, caso você seja fã do universo malmsteenano, Blue Lightning certamente torna-se um disco interessante, pois mostra um dos grandes guitarristas da história aplicando a sua maneira de tocar em um gênero que é totalmente distante do seu universo habitual.

Pessoalmente, não curti o resultado final. Acho que Yngwie Malmsteen e o blues são como água e vinho, e é impossível para ambos dividirem o mesmo espaço. Não vou nem entrar na questão se as versões são boas ou não, pois isso passa por tudo que escrevi nos parágrafos anteriores.


Comentários

  1. Esse sueco tinha que ser proibido de gravar músicas dos outros. Só faz lambança. O que ele já tinha feito em "Dream On " , do Aerosmith " , já era o suficiente para a proibição

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  2. Malmsteen não tem nem nunca teve feeling algum, de forma que blues não é mesmo para ele.

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