Review: Iron Maiden – Seventh Son of a Seventh Son (1988)


Steve e eu havíamos voltado a compor juntos. Quando ele mencionou a expressão álbum conceitual, meus ouvidos se espicharam e meu coração disparou. Trama, teatro: estava tudo lá em Seventh Son of a Seventh Son.” Assim Bruce descreve em sua autobiografia Para que Serve esse Botão? parte do processo de composição desse que, para muitos, trata-se do melhor álbum da carreira do Iron Maiden.

Último a contar com sintetizadores nas guitarras e com a formação considerada clássica pela maioria dos fãs, o álbum foi gravado no Musicland, um estúdio que ficava dentro de um hotel em Munique na Alemanha, mesmo estúdio onde foi gravado o clássico Rising (1976), do Rainbow. Era inverno rigoroso, o que talvez tenha inspirado colocar um Eddie congelado em geleiras da Antártida na capa.  

Com influências de progressivo, o álbum conta com a famosa “cama” de teclados e mudanças de tempo em quase todas as músicas, principalmente na excelente e melhor faixa, “Infinite Dreams”, e também na música título, que tem estrutura parecida com “The Rime of the Ancient Mariner”, com três seções distintas: a primeira com o vocal do Bruce, a segunda um interlúdio e a terceira um instrumental muito bem trabalhado.

Refrãos marcantes dão a tônica nesse álbum, talvez inspirados por “Heaven Can Wait” e “Wasted Years” do antecessor Somewere in Time (1986). Como exemplo temos “Moonchild”, “Only the Good Die Young” e “Can I Play With Madness”, que talvez seja a música mais comercial já feita pela banda. Ser comercial é um problema para uma canção de heavy metal? Logicamente que não! Só um daqueles fãs bitolados do segmento pra concordar com tamanho absurdo.
 
Dave Murray e Adrian Smith fazem nesse disco um dos melhores trabalhos de guitarras de toda a discografia da banda, executando bases detalhadas e solos marcantes, como em “The Evil That Men Do”, que possui um solo de guitarra magnífico de Adrian. Bruce está cantando muito como sempre (apesar se soar meio exagerado em algumas passagens), o baixo está “na cara” como em “The Clairvoyant”, mas poucos falam de Nicko McBrain: ele não é um baterista considerado virtuose, não toca as batidas mais técnicas do metal, mas principalmente aqui ele demonstra extremo bom gosto e versatilidade.
               
Em conclusão, esse álbum do final dos anos 1980 encerra o auge da carreira do Iron Maiden, pois foi o último a contar com Adrian, que retornaria somente em Brave New World (2000). O seu sucessor, No Prayer for the Dying (1990), ressalta o impacto da saída do guitarrista, pois entrega uma sonoridade mais crua e menos refinada. Enfim, um álbum que certamente influenciou muitas bandas de power metal espalhadas pelo mundo. Obrigatório em qualquer coleção.

Por Diego Colombo

Comentários

  1. Gostaria de saber onde estão os exageros de Bruce nesse álbum...muito pelo contrário, está extremamente contido. Nicko é muito técnico sim, a questão é que opta por tocar aquilo que a música precisa e não acrescentar coisas só por acrescentar.

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