Review: Testament – Titans of Creation (2020)





Menos celebrado que seus colegas do Big 4 (Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax), o Testament possui uma carreira tão brilhante quanto. E enquanto os quatro fantásticos vivem momentos de reconexão com o passado (Metallica e Anthrax), renascem com novas formações (Megadeth) e encerram suas atividades (Slayer), o quinteto encabeçado por Chuck Billy atravessa uma de suas melhores fases.

A formação atual do Testament é ameaçadora. Billy e o guitarrista Eric Peterson contaram com o retorno de Alex Skolnick em 2005, a chegada de Gene Hoglan em 2011 e a volta de Steve Di Giorgio em 2014. Pra mim, o melhor line-up da história da banda. E esse time não decepcionou em discos excelentes como The Formation of Damnation (2008), Dark Roots of Earth (2012) e Brotherhood of the Snake (2016). Titans of Creation chega para formar o próprio Big 4 do Testament.

Lançado em 3 de abril, o décimo-terceiro álbum dos norte-americanos mantém a excelente fase da banda e agradará em cheio quem curte a união entre peso e melodia. O disco é violento em toda a sua duração, seja pelos vocais agressivos de Chuck Billy, pelos riffs afiadíssimos de Peterson e pela bateria “modo polvo” de Hoglan, mas não dispensa harmonias e arranjos elaborados, aspectos onde a técnica reconhecida dos músicos  - notadamente a guitarra de Skolnick e o baixo de Di Giorgio – transporta o som da banda para um nível muito superior.

Em um momento complicado como o que estamos vivendo, em que o futuro não passa de um borrão nada definido, ouvir um disco como Titans of Creation é gratificante. Músicas como “Children of the Next Level”, “Dream Deceiver” (com uma sutil semelhança com a clássica “He’s a Woman - She’s a Man”, do Scorpions, no refrão), “City of Angels”, “Symptoms”, “The Healers” e “Cause of Osiris” são destaques em um trabalho mais uma vez excelente.



Comentários

  1. Com certeza, concordo plenamente, ótimo review 🤘

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  2. Tão brilhante quanto, NÃO! INFINITAMENTE MELHOR que seus colegas pagadores de mico!

    Comparar a carreira do Testament com Metallica, Anthrax e Megadeth é até sacanagem! Testament, assim como Overkill sempre estiveram ali brilhantes e impecáveis eqto Metallica, Megadeth e Anthrax tavam lá pagando mico nos meados/fim dos anos 90.

    Ok, nos meados/fim dos anos 90 Testament e Overkill tbm lançaram seus patinhos feios (o que era de praxe nessa época! Exatamente a época que eu comecei a colecionar!!! Muito “sortuda” eu!🤦🏽‍♀️), mas logo tomaram vergonha na cara e retomaram suas carreiras brilhantes, já os outros insistiram na galhofada! Acho que o Metallica tá pagando mico até hoje, já que até a Lady Gaga tem mais empolgação pra levar o som nas costas que eles mesmos!

    Sobre o Slayer, não posso opinar pq nunca gostei da banda!🤷🏻‍♀️

    Sinceramente o Testament e o Overkill estão lançando só discos sensacionais!Já os colegas... Bom, não posso falar nada pq desisti do Megadeth no Risk,no Load do Metallica e ... nem lembro do Anthrax se não for os clássicos filés!🤷🏻‍♀️

    Ter esse lineup nesse disco só nos mostra o quão espetacular ele é! Com essa formação não tem como dar ruim! Espero ter o meu em breve, assim que essa maldita quarentena terminar!

    Gostei muito do review!E virei ao blog mais vezes comentar, já que no Instagram fica tudo muito apertadinho!🤣

    Sucesso!🤘🏼

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    1. Pois se eu fosse você não desistiria do Megadeth e escutaria Endgame e Dystopya, dois discos sensacionais que resgataram sim a grandiosidade dessa grandiosa banda. De resto, tirando sua não simpatia à melhor banda do mundo (Slayer), concordo com praticamente tudo o que escreveu.....

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  3. Eu ainda estou boquiaberto com o "Brotherhood of the Snake ".

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  4. Mais um troo por aqui, desconsiderando excelentes álbuns lançados pelos baluartes do gênero pós 80... um dia essa turma se liga! Deny, te recomendo conhecer os álbuns na íntegra, se possível em vinil, ou ao menos CD, magino que você seja da era streaming. depois, refletidamente, comente a respeito. Eu já fui radicalzão também.

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  5. O TESTAMENT, mesmo em seu auge, sempre esteve no lado b do THRASH. Há apenas 03 discos fundamentais e essenciais no estilo, cito: METALLICA: MASTER OF PUPPETS; SLAYER: REIGN IN BLOOD e EXODUS: BONDED BY BLOOD e dois grupos que são os principais "culpados" por sua existência, METALLICA e SLAYER...(Para mim pessoalmente, por exemplo, o KREATOR é mais importante na árvore genealógica do THRASH do que o MEGADETH, mas essa é apenas a minha opinião pessoal). Percebo que atualmente as pessoas se prendem muito em suas análises ao tal do BIG FOUR, sendo que este foi uma criação marqueteira para promover uma turnê, baseada exclusivamente em popularidade e venda de discos, e antigamente ninguém ligava para este "ranking", até porque ele é ridículo por si só. Na verdade o BIG FOUR não existe! O que existe de fato em termos mercadológicos é o BIG ONE, ou talvez, com um pouco de boa vontade, um BIG TWO, com diversas outras grandes bandas gravitando em volta, entre elas o TESTAMENT. Agora falando exclusivamente do disco TITANS OF CREATION, ele é muito bom, mas tenta evocar o passado, o auge do THRASH, e infelizmente entre este auge e a atualidade quase quarenta anos se passaram. Mas o TESTAMENT não está sozinho nesta mentalidade, todos os dinossauros do estilo que continuam lançando discos, e não só eles como também, pasmem, as bandas dos jovens que não eram nem projeto de vida nos anos 1980, parecem querer resgatar a áurea dos "bons tempos". E esta mentalidade, como sabemos, caminha lado a lado com a estagnação e a repetição, mesma que ela crie bons discos. Talvez para as bandas lançar discos que agradem aos "velhos" fãs seja suficiente, mas é bom que elas saibam que com isso ficarão restritas para sempre em um nicho muito pequeno de público. E se elas sabem deste fato e estão conformadas em atender apenas a este "mercado nostálgico" não sou eu que irei criticá-las...

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    1. Tá aí, uma análise de um cara que saca, acompanho aqui seus comentários. É um grande álbum, o Titans... no entanto, acho muito mais válido se arriscar como sempre fez e faz o Metallica, do que congelar sua criatividade para agradar a um público que escuta música por princípios, e não por qualidade. Imagina, o Hetfield sessentão escrevendo Kill Em All até hoje, quando pouco resta daquele moleque revoltado. Seria anacrônico, no mínimo, ele mudou, e como ele, todos nós. Agora, dizer que é ruim só porque mudou, aí é usar antolhos né? Veja o Hardwired, p.e. álbum variado, pungente, altamente relevante, veja o que o Sepultura fez no quadra... essa turma novinha aí copiando os itãs do gênero sem nada a acrescentare recebendo aplauso. Complicado cara.

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  6. Debate de alto nível, difícil até comentar. Mas, vamos lá: sou daqueles que preferem os álbuns do Testament dos anos 2000 pra cá, do que os "clássicos" dos 80'. No entanto, este novo álbum não me empolgou como os, sobretudo, dois anteriores. Claro, preciso ouvir mais vezes, dissecar cada música, o instrumental, melodias etc. Mas sei lá... Talvez tenha repetido fórmulas, requentado ideias dos álbuns anteriores; ou faixas demais, deixando a audição (pra mim) um pouco cansativa. Digamos, achei as primeiras e as últimas músicas muito boas, mas as do meio com um tempero sem sal. Enfim, como disse, tenho que ouvir mais vezes pra ter um "parecer" mais completo.

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    1. Achei um pouco longo tb! Outra razão de minha predileção pelos LPs, era all killer no filler, já que o espaço era curto! Sempre um prazer tocara ideia aqui com a turma! Foda, nós aqui em 2020 ainda conversando sobre nosso amor à música!

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