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Death By Metal: a história intensa, breve e revolucionária de Chuck Schuldiner (2021, Estética Torta)


Existem artistas cuja trajetória ultrapassa a simples soma de discos, shows e entrevistas. Eles acabam se transformando em pilares estruturais de um gênero inteiro. Chuck Schuldiner é um desses nomes. Líder, guitarrista, vocalista e principal compositor do Death, o músico norte-americano não apenas ajudou a moldar o death metal como também expandiu suas fronteiras musicais e temáticas ao longo de uma carreira relativamente curta, mas profundamente influente. É justamente essa história que o escritor italiano Rino Gissi se propõe a contar em Death By Metal: A História de Chuck Schuldiner, publicado no Brasil pela editora Estética Torta.

A obra segue uma estrutura essencialmente cronológica, acompanhando Schuldiner desde os primeiros contatos com a música, ainda na adolescência, passando pela formação embrionária do Death até chegar ao amadurecimento artístico que marcou os últimos trabalhos do grupo e o projeto Control Denied. Essa organização narrativa facilita o acompanhamento da evolução criativa de Chuck e ajuda a contextualizar como cada fase da banda dialogou com transformações internas e externas do cenário do metal extremo.

Um dos grandes méritos do livro está na forma como Gissi conecta a discografia do Death ao desenvolvimento pessoal e artístico de seu líder. O autor dedica atenção especial à transformação estética do grupo: dos registros iniciais marcados pelo horror visceral e pela agressividade crua até os álbuns que incorporam estruturas progressivas, lirismo existencial e uma abordagem técnica cada vez mais refinada. Essa transição é apresentada não apenas como uma evolução musical, mas como reflexo direto da personalidade inquieta e perfeccionista de Schuldiner.


Outro aspecto interessante é o espaço dado às letras e aos conceitos temáticos trabalhados por Chuck. O livro mostra como o músico abandonou rapidamente os clichês gore típicos do death metal para explorar reflexões sobre mortalidade, individualidade e conflitos humanos. Esse movimento reforça a imagem de Schuldiner como um artista que via o metal extremo como forma de expressão artística legítima, e não apenas como choque estético ou provocação.

Naturalmente, o livro apresenta algumas limitações. A narrativa concentra-se fortemente na trajetória musical de Schuldiner, deixando em segundo plano aspectos mais íntimos de sua vida pessoal fora do universo artístico. Além disso, existem deslizes pontuais de tradução. Ainda assim, esses detalhes não comprometem a relevância do trabalho como registro histórico. A edição da Estética Torta conta com capa dura, acabamento trilateral na cor preta e 264 páginas, com diversas imagens ao longo do livro. A obra está esgotada atualmente.

Death By Metal funciona tanto como biografia quanto como estudo sobre a construção de um dos gêneros mais importantes da música pesada. Para fãs do Death, a leitura oferece um mergulho detalhado na trajetória da banda. Já para leitores interessados na história do metal, o livro serve como retrato de um momento de transformação estética e cultural. A obra ajuda a entender como Chuck Schuldiner se tornou sinônimo de integridade artística e inovação dentro do metal extremo. E talvez seja justamente por isso que, mesmo décadas após sua morte, sua influência continue ecoando com tanta força.

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