Depois de mais de uma década sem lançar um álbum de estúdio, o Exodus voltou ao jogo em 2004 com Tempo of the Damned, e não como uma banda tentando sobreviver à nostalgia, mas como um nome disposto a reafirmar sua relevância no thrash metal do século XXI. O disco não soa como um exercício de memória afetiva: ele é agressivo, direto e consciente de sua própria herança.
Produzido por Andy Sneap, o álbum apresenta um som moderno e limpo, sem polir em excesso a aspereza que sempre definiu o Exodus. Os riffs de Gary Holt continuam sendo o motor central da banda: cortantes, velozes e cheios de variações, equilibrando ataques frenéticos com momentos de groove pesado. A presença de Rick Hunolt completa a parede sonora com solos intensos e bem distribuídos, mantendo a tradição guitarrística do grupo em alto nível.
Steve “Zetro” Souza entrega uma performance que pode dividir opiniões, mas que funciona perfeitamente dentro da proposta do álbum. Seu vocal ácido e quase histérico reforça o caráter combativo das letras, que abordam guerra, decadência social, violência e hipocrisia política sem qualquer sutileza, como se espera de um disco de thrash metal fiel às suas origens.
Faixas como “Scar Spangled Banner”, “War Is My Shepherd” e “Blacklist” concentram o que o álbum tem de melhor: velocidade, peso e senso de urgência. A faixa-título, por sua vez, sintetiza o espírito do trabalho ao deixar claro que o Exodus não voltou para pedir licença. Até mesmo os momentos mais longos e repetitivos, frequentemente apontados como fragilidade do disco, ajudam a reforçar a sensação de brutalidade contínua, quase sufocante.
O álbum também carrega um peso simbólico importante: além de marcar o retorno do Exodus após anos de silêncio, é o último trabalho da banda com Zetro Souza antes de sua saída (ele retornaria em 2014 em Blood In, Blood Out), fato que acabou levando à entrada de Rob Dukes em 2005, fase que gerou discos igualmente aclamados como Shovel Headed Kill Machine (2005), Let There Be Blood (2008, regravação da estreia Bonded By Blood) e os dois volumes da saga Exhibit, lançados em 2007 e 2010, respectivamente.
Tempo of the Damned não tenta competir diretamente com clássicos como Bonded by Blood (1985), mas se firma como um dos grandes álbuns de thrash metal dos anos 2000. É um retorno forte, honesto e agressivo, que ajudou a recolocar o Exodus no centro do debate do metal extremo não como relíquia, mas como força ativa e relevante.
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