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Extinct (2015): peso e melancolia em um dos discos mais coesos do Moonspell


Extinct
(2015), décimo álbum da banda portuguesa Moonspell, chegou após o ambicioso projeto duplo Alpha Noir / Omega White (2012), e acabou funcionando como uma espécie de síntese das duas direções exploradas naquele trabalho: o peso metálico e a atmosfera gótica mais melódica.

Gravado no Fascination Street Studios, na Suécia, e produzido por Jens Bogren, o disco apresenta uma sonoridade poderosa e cristalina, capaz de valorizar tanto os riffs de guitarra quanto as camadas atmosféricas de teclados. O resultado é um álbum que reforça o caráter sombrio e dramático do Moonspell, mas com um foco maior em melodias e refrões marcantes.

Logo na abertura, “Breathe (Until We Are No More)” estabelece o clima do trabalho. A faixa combina peso, melancolia e uma condução épica que serve como porta de entrada para o universo do disco. Em seguida, a faixa-título “Extinct” surge como um dos momentos mais memoráveis do álbum, sustentada por um refrão forte e um arranjo que equilibra agressividade e melodia com grande eficiência.


Ao longo do repertório, o Moonspell demonstra domínio absoluto de sua identidade sonora. Músicas como “Medusalem” exploram atmosferas exóticas e arranjos mais elaborados, enquanto “Domina” aposta em uma abordagem mais introspectiva e melancólica. Já o encerramento com “La Baphomette” surpreende ao incorporar um clima quase cabaré, ampliando a paleta estética do álbum e demonstrando a disposição da banda em experimentar dentro de sua própria linguagem.

Um dos grandes trunfos de Extinct é a performance do vocalista Fernando Ribeiro, cuja interpretação intensa reforça o caráter teatral e emocional das composições. Sua presença continua sendo um dos pilares da personalidade musical do Moonspell, conduzindo as músicas com carisma e dramaticidade.

Embora não seja um disco voltado à reinvenção, Extinct mostra uma banda plenamente consciente de sua identidade. Em vez de buscar rupturas, o Moonspell opta por refinar sua fórmula, entregando um trabalho coeso, atmosférico e repleto de momentos marcantes. O resultado é um álbum que reafirma a relevância do grupo dentro do gothic metal e demonstra que, mesmo após décadas de carreira, ainda há muito fôlego criativo na trajetória da banda portuguesa.


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