Historicamente,
o metal neoclássico surgiu na segunda metade dos anos 1970 e teve como banda
catalisadora o Rainbow de Ritchie Blackmore e Ronnie James Dio. Descontente com
a sonoridade que o Deep Purple adotou a partir da chegada de David Coverdale e Glenn Hughes, o
guitarrista saiu do grupo e montou o Rainbow tendo como um de seus objetivos
principais explorar as influências de música clássica que sempre estiveram em
sua maneira de tocar guitarra. E foi exatamente o que fez nos três excelentes
álbuns gravados com Dio – Ritchie Blackmore’s Rainbow (1975), Rising (1976) e
Long Live Rock ‘n’ Roll (1978). O caminho aberto por Blackmore foi aprofundado
por um dos seus maiores discípulos, o sueco Yngwie Malmsteen, que durante a
década de 1980 pesou ainda mais a mão nos elementos clássicos e deu a
cara moderna do gênero através de álbuns que definiram o estilo como Rising
Force (1984), Marching Out (1985) e Trilogy (1986).
É esse
universo que o guitarrista brasileiro Kiko Shred explora em sua carreira. Com
passagens pelas bandas de apoio de Tim Ripper Owens e Mike Vescera, o músico
chega ao seu terceiro álbum, Royal Art, lançado pela Heavy Metal Rock. Ao lado
de Kiko estão o veterano vocalista Mario Pastore, o baixista Will Costa e o
baterista Lucas Tagliari.
A música
apresentada em Royal Art traz, além do neoclássico, aspectos de power metal, o
que torna a sonoridade mais agressiva. Ao todo temos dez faixas, com a presença
de algumas instrumentais onde o foco na guitarra, já destacado nas demais
composições, é evidenciado ainda mais.
Royal Art é
um bom disco, com boas performances individuais – notoriamente de Pastore e do
dono da banda, Kiko Shred – e apresenta uma produção competente. Ainda assim, falta
um certo molho, um algo mais, que faça as suas músicas se destacarem e
conquistarem de maneira mais profunda o coração do ouvinte. Potencial para uma
evolução nesse sentido existe, principalmente se a mesma formação for mantida e
ficar ainda mais azeitada e entrosada com shows e a convivência. Espero
sinceramente que isso ocorra e que o grupo não foque essencialmente na figura
de seu guitarrista, pois se isso acontecer temo que a força do projeto acabe se dissolvendo.
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