Lady Killer é uma HQ escrita por Joëlle Jones (Batman, Mulher-Gato, Supergirl) e Jamie S. Rich (atual editor dos títulos do Batman nos EUA), com cores de Laura Allred (Red Rocket 7, Madman, iZombie), publicada nos Estados Unidos pela Dark Horse Comics desde 2015. A série foi indicada ao prêmio Eisner em 2016 e finalmente chegou ao Brasil pelas mãos sempre competentes da Darkside Books.
Na trama acompanhamos a história de Josie Schuller, uma
dona-de-casa dos anos 1950 que é também uma matadora de aluguel das mais
competentes. Josie precisa equilibrar os deveres domésticos e criar suas filhas pequenas enquanto convive com um marido compreensivo e passivo e uma sogra não tão amigável assim. O roteiro traz inúmeras críticas ao sexismo daquela década (em que
alguns aspectos ainda seguem valendo para o nosso tempo, infelizmente), sendo
que o ponto de virada da HQ se dá por uma questão que deriva disso. O texto
traz também uma mensagem clara de empoderamento e independência feminina.
O ritmo é atordoante, com um texto enxuto e muito bem
escrito. A dinâmica me lembrou a pegada atordoante e extremamente
dinâmica da adaptação cinematográfica de Atômica (também publicada no Brasil
pela Darkside), com Charlize Theron no papel principal. As ilustrações de Jones
são expressivas e marcantes, com um traço que conversa com a cultura pop e que
ganham ainda mais expressividade através do trabalho de cor exemplar de Allred.
Apesar de contar uma história repleta de violência, a HQ expõe esse aspecto de
sua narrativa sem apelar para quadros gratuitos e expositivos. As lutas, o
sangue e as mortes surgem como elementos que compõe quadros ilustrativos
repletos de vivacidade, com o trabalho de Joëlle e Allred fazendo toda essa
explosão conversar com o inconsciente do leitor de uma forma harmônica e
que traz lembranças de experiências que ele experimentou consumindo outros
livros, filmes e artes, e que contrasta com a forma crua, chocante e gratuita que vemos em
títulos como Preacher, por exemplo.
Graficamente, a edição de Lady Killer é uma das mais belas já publicadas pela Darkside Books. Com capa dura, 144 páginas e tradução de Raquel Moritz, o quadrinho conta com uma capa protetora, tudo impresso com cores vivas e um cuidado editorial absolutamente incrível. Pra completar, comprando através do site da editora a HQ vem com um par de luvas de borracha, que complementam a experiência. O resultado é um título excelente, tanto narrativa quanto artisticamente.
A série possui um segundo volume já publicado no mercado
norte-americano, e como essa primeira edição brasileira vem com um “volume 1”
na capa é certo que a Darkside Books já planeja o lançamento da sequência.
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