Review: AC/DC – Stiff Upper Lip (2000)


O AC/DC adentrou século XXI com um retorno às raízes. Vinda do pesado Ballbreaker (1995, produzido por Rick Rubin) e do enorme sucesso de The Razors Edge (1990) – um dos álbuns mais vendidos do quinteto e que apresentou o som do grupo para a geração dos anos 1990 com hits do porte de “Thunderstruck” e “Money Talks” -, a banda dos irmãos Young olhou para passado e entregou o disco mais blues de sua carreira.

Stiff Upper Lip é sujo, sacana, sexy e repleto de feeling. Décimo-quarto álbum do grupo, chegou às lojas em 28 de fevereiro de 2000 e teve a produção assinada por George Young, irmão mais velho de Angus e Malcolm. A ideia era retomar a parceria com Bruce Fairbairn, que com quem trabalharam em The Razors Edge e no duplo ao vivo Live (1992), mas o produtor faleceu em maio de 1999 enquanto gravava o álbum The Ladder, do Yes.

As composições presentes em Stiff Upper Lip começaram a ser trabalhadas três anos antes, no verão de 1997, com Angus assumindo a bateria e Malcolm despejando seus riffs em sessões captadas em Londres e Amsterdam. A banda gravou dezoito novas músicas entre setembro e novembro de 1999 no Warehouse Studios em Vancouver, no Canadá (e cujo dono é um certo Bryan Adams). Dessas, apenas doze entraram no disco – “Cyperspace”, gravada nas sessões do álbum, foi lançada na edição deluxe do disco.

O título, segundo Angus, veio de pensamentos que ele teve enquanto estava preso em um engarrafamento e começou a analisar como os lábios eram importantes na mitologia do rock and roll, com lendas como Elvis Presley e Mick Jagger corroborando com esse raciocínio. Já a capa, uma das mais icônicas da banda, traz uma estátua de bronze de Angus Young criada pelo artista Mista Dean Karr e esculpida pela empresa SMG Effects. O palco da turnê tinha a estátua em tamanho gigantesco atrás da banda.

Essa pegada blues já é sentida na primeira música, justamente a faixa que batiza o disco e que é uma das melhores da carreira do AC/DC. Os riffs de Malcolm transpiram malandragem em “Meltdown”, enquanto “House of Jazz” soa como se John Lee Hooker tocasse hard rock. “Safe in New York City” bebe no rock dos anos 1950 ao mesmo tempo que revisita os tempos com Bon Scott, mesmo caminho seguido pela cadenciada “Can't Stop Rock 'n' Roll”. A aura blues do álbum surge é reafirmada em “Satellite Blues”, uma das melhores do tracklist. E o restante das faixas mantém o nível alto, com aquele rock básico e único que só o AC/DC sabe fazer.

Stiff Upper Lip muitas vezes acaba meio esquecido na discografia dos australianos, talvez por estar entre dois discos muito marcantes na história do AC/DC como The Razors Edge e Black Ice (2008), seu sucessor, que contou com uma turnê antológica eternizada em Live at River Plate (2011) e que se revelaria a última com Malcolm Young, falecido em 2017.

Independente disso e como diriam os Rolling Stones: it’s only rock and roll, but I like it.


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