Review: The Night Flight Orchestra – Aeromantic II (2021)


O The Night Flight Orchestra alcançou mais expressão que o Soilwork, ao que parece. Pelo que menos é o que dá a entender o foco de Björn Strid em sua banda paralela nos dois últimos anos. Enquanto o último álbum do Soilwork saiu em 2019 – Verkligheten -, o TNFO gravou dois discos na sequência, com a primeira parte de Aeromantic saindo em 2020 e a segunda agora em 2021. O próprio investimento da Nuclear Blast na banda, traduzido em clipes muito bem feitos, aponta para isso.

A questão é que a música do TNFO é mais universal que a do Soilwork. Mesmo que álbuns como Natural Born Chaos (2002) tenham impactado muito o metal dos anos 2000, é inegável que trata-se de uma banda com um potencial mercadológico menor. E na realidade atual, onde o classic rock dita as regras e o público de rock não apenas envelheceu como está mais saudosista do que nunca, o mergulho nos anos 1980 proporcionado pelo The Night Flight Orchestra soa como a música certa na hora certa.

A sensação ao ouvir Aeromantic II é que entramos em uma máquina no tempo de volta para o passado. O álbum é mais redondo e inspirado que seu irmão lançado em 2020, com uma coleção de canções que o coloca facilmente entre os melhores discos do TNFO. Os timbres, arranjos, instrumentos, batidas, refrãos e tudo que compõe a música da banda bebe diretamente e sem filtro na década de 1980, priorizando o AOR e alguns elementos do pop daquela época. A questão é que a viagem não apela apenas para o saudosismo, mas consegue cativar também pela inspiração com que é feita.

Os teclados de John Kyoto Lönnmyr, que entrou na banda durante a pandemia, deram um novo fôlego ao grupo. Criativo e fluente em diversas linguagens musicais, John agregou sangue novo ao conjunto, e isso se refletiu claramente no ânimo geral. Tudo parece soar mais leve, provavelmente refletindo o ambiente atual da banda.

O tracklist é pura diversão e coloca qualquer um pra cima. Tendo o guitarrista David Andersson como principal força criativa (o cara assina dez das doze faixas), o The Night Flight Orchestra fez um disco repleto de hits potenciais como “Violent Indigo”, “How Long”, “Burn for Me” (cuja introdução lembra “Modern Love”, clássico oitentista de David Bowie), “Zodiac” e “White Jeans”.

A bela capa, criada pela artista Giorgia Carteri, responsável também pelo disco anterior,  merece destaque não só pela ilustração mas sobretudo pelo excelente trabalho de colorização.

A edição nacional, lançada pela Shinigami Records, vem em um digipack com dois paineis e traz encarte com todas as letras. Além disso, a Shinigami tem incluído em seus lançamentos recentes uma contracapa para quem prefere a edição em acrílico, mas sinceramente eu não entendi muito bem pra que isso serve. É pra cortar o digipack e colocar ele dentro de uma caixa de acrílico? Alguém me explica ...

Mais um belo disco do The Night Flight Orchestra, que segue o seu objetivo de trazer raios de sol cada vez mais brilhantes para iluminar nossos dias. E não preciso nem dizer que eles são muito bem-vindos em uma era tão cheia de momentos sombrios como a que estamos vivendo.


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