8 de mai de 2009

Mofo: Gentle Giant

sexta-feira, maio 08, 2009

Por Rubens Leme da Costa
Colecionador

O Gentle Giant é uma das bandas mais interessantes que surgiram na leva do progressivo. Um grupo inteligente, cheio de músicos competentes, mas longe daquele rococó chato de Yes ou Emerson, Lake & Palmer. Com uma discografia cheia de clássicos, o grupo formado pelos irmãos Ray, Derek e Phil Shulman foi um dos mais importantes e interessantes surgidos na década de setenta. Mesmo encerrando as atividades no início dos anos oitenta, o Gentle possui uma série de discos póstumos e uma legião de admiradores.

O conjunto nasceu no final dos anos sessenta, quando o chamado rock progressivo dava seus primeiros passos. 1969 foi um ano particularmente importante para o nascimento do prog, afinal eram lançados o primeiro do King Crimson - In the Court of the Crimson King - e Ummagumma, do Pink Floyd, entre outras obras. Assim como esses grupos, a proposta do Gentle Giant era ampliar os horizonte do rock e continuar os experimentos iniciados com o psicodelismo. Assim, o GG colocava em seu caldeirão musical a música clássica, a renascentista, o jazz, o avant-garde e o que mais desejassem. Apesar disso, a banda não chegou a ser um grande sucesso comercial como aconteceu com Yes ou EL&P, que também apostaram na mesma fórmula. O Gentle Ginant virou uma banda cult.

O grupo nasceu quando os irmãos Derek, Ray e Phil resolveram acabar com o combo Simon Dupree & The Big Sound, de certo sucesso comercial, especialmente com o single "Kites", que ficou entre as dez mais de 1967. Após lançarem o disco Without Reservations, em 1969, decidiram que era hora de acabar com aquela tentativa de r&b. O grupo era formado por Derek Shulman (o Simon da banda) nos vocais, Ray na guitarra, Phil no sax, Tony Ransley na bateria e Pete O'Flaherty no baixo. Uma curiosidade é que um certo Reginald Dwight acompanhou o grupo como tecladista durante alguns meses, enquanto o tecladista oficial do grupo, Eric Hine, se recuperava de um febre glândular. Se você não sabe quem diabos é Reginald, talvez o conheça por seu nome artístico: Elton John. 


E, mais bizarro ainda, até o pianista e ator Duddley Moore (alguém se lembra do filme Arthur?) tocou com o grupo nessa época. Essa pequena passagem é bem lembrada por Ray: "Reg tocou conosco por um meses e ficamos muito amigos durante a turnê pela Escócia. Em uma dessas noites, ele nos mostrou algumas de suas canções que fariam parte de seu primeiro disco. 'Your Song' era uma dessas e rimos muito quando ele disse que iria mudar seu nome para Elton John. Ele queria ficar conosco e em uma sessão, nos estúdios Abbey Road, tocou uma canção chamada 'Laughing Boy From Nowhere', com o meu sobrinho, Calvin. Depois disso, ele resolveu seguir a carreira sozinho e eu o vi várias vezes em companhia de seu parceiro Bernie Taupin em Watford, onde moravam, e o visitei enquanto gravava seu primeiro disco. Foi mais ou menos no mesmo período em que nascia o Gentle Giant. E Dudley realmente tocou conosco no single 'Broken Hearted Pirates', uma canção horrível, pois era amigo do arranjador Chris Gunning.

Entre 1966 e 1969 o GG lançou nove compactos.Querendo esquecer esse passado tenebroso, os irmãos resolveram montar uma nova banda. Ray explica como nasceu o gigante gentil: "Sabíamos que não podíamos tocar com aqueles músicos, porque eles não podiam contribuir em nada. Tínhamos que ficar os ensinando a tocarem seus instrumentos. Então saímos atrás de músicos novos e tivemos a sorte de encontrar Kerry Minnear rapidamente. Ele tinha saído da Royal College of Music e tinha ido para a Alemanha, onde montou um grupo chamado Rust. Ele estava passando sérios apuros financeiros na Alemanha, pois não tinha dinheiro nem comida, e nem conseguia tocar no país. Foi salvo por seus pais, que mandaram dinheiro para que voltasse para casa. Nós o conhecemos em Clapham e o convidamos para vir até Portsmouth. Ficamos uma semana tocando e vimos que ele era a pessoa que procurávamos. O chato foi dispensar o guitarrista que tinha vindo com ele, que não se encaixava em nosso som. Ficamos procurando um guitarrista por quatro meses e colocamos anúncios em jornais até aparecer Gary Green, após mais de cinquenta candidatos."

Assim, nascia o Gentle Giant, com outros membros e funções extras para cada irmão: Derek, além de cantar, tocava guitarra e baixo; Ray também cantava e se dividia entre o baixo e o violino; Phil ficava com o sax, e a banda havia encorporado Kerry Minnear nos teclados e Gary Green na guitarra. E, após muita procura, Martin Smith foi efetivado como baterista.


Em 1970 conseguiram assinar um contrato com o selo Vertigo, e lançaram o disco Gentle Giant, que ficaria famoso pela capa e pelo rosto do gigante, marca até hoje do grupo. O LP surpreendeu muito por uma mistura incomum de hard com elementos clássicos, e rendeu boas críticas e alguma atenção do público. Em termos de estilo, o Gentle parecia um pouco com o King Crimson, embora não tivessem uma sonoridade tão poderosa quanto a banda de Robert Fripp. Ainda assim, foi uma estréia muito interessante. Derek conta que o álbum não fez tanto sucesso como esperavam: "Em 1970 o King Crimson era o nome mais quente, e nós fazíamos um som parecido com o deles. Não vendemos muito, mas conseguimos chamar a atenção."


No ano seguinte entram em estúdio para gravar o segundo disco, Acquiring the Taste. Derek lembra que o álbum era um mistério para os próprios integrantes: "Esse foi um disco muito difícil para nós, porque não sabíamos muito bem o que queríamos. Era um trabalho mais experimental e tivemos algumas rusgas, especialmente entre Phil e Martin, que não conseguiam encaixar o som. Depois dessa gravação, Martin acabou deixando a banda e entrou Malcolm Mortimore. E tivemos problemas com nosso empresário, Gerry Bron, que não estava muito de acordo com o que fazíamos, e acabamos rompendo de maneira amigável."


Em 1972 saem em uma excursão ao lado do Jethro Tull e lançam Three Friends, o primeiro álbum do grupo a sair na América. "Esse foi o disco que sedimentou a banda. Tocamos muito bem na Itália, Alemanha e Suíça e acabamos fazendo nossos shows sozinhos nesses países. Foi então que saímos em uma turnê pelo Reino Unido com o Groundhogs, e aconteceu o acidente de motocicleta com Malcolm. Ele acabou sendo substituído por John Weathers, que acabou virando nosso baterista. Weathers mudou o nosso som e parecia casar melhor com nossa proposta. Com ele, ganhamos mais unidade, mais solidez."


Com Weathers lançaram, ainda em 1972, Octopus, tido como o melhor disco do grupo. Octopus era a perfeita conjunção entre o hard e o clássico, um trabalho muito mais bem resolvido em todas as frentes e bem mais palatável ao público. O título nasceu de uma brincadeira da esposa de Phil, Roberta, que falou "octo opus", ou um opus de oito músicos. O LP teve duas capas diferentes. A mais bonita e clássica, do polvo no mar, foi feita por Roger Dean, e a americana, mostrando um polvo dentro de um vidro, foi assinada por Charles White.

O álbum marcou também outra baixa na banda. Phil acabou deixando o Gentle após várias brigas. Derek relembra com certa tristeza do período: "Estávamos fazendo um grande sucesso nos Estados Unidos, com shows lotados e boas vendas, mas quando tivemos que mandar Phil embora durante a excursão italiana nos sentimos mal."


Em 1973 o grupo resolveu entrar novamente como quinteto em estúdio, e lançaram In a Glass House, que enfrentou problemas na América, já que a Columbia considerava o disco anti-comercial. E, na verdade, era um álbum com pouco apelo comercial. O trabalho falava de pessoas que supostamente vivem em uma redoma de vidro, e que não deveriam atirar pedras nas outras. Mas isso era apenas uma das explicações mais simples sobre a obra, que parecia exigir uma grande paciência do ouvinte. Na capa foi usado um efeito tridimensional. Quando foi lançado no formato em vinil foi usado papel celofane no revestimento da capa. O disco acabou realmente não saindo nos Estados Unidos, e teve que ser importado pelos fãs.


Em 1974 lançam The Power and the Glory. O álbum desenvolvia toda uma idéia sobre corrupção - haviam rumores que fora inspirado no escândalo Watergate, o que não era verdade. E a obra rendeu mais confusão para a banda. Era o segundo lançamento deles pelo novo selo, World Wide Artists, que exigia um trabalho mais comercial. Assim, o grupo foi obrigado a entrar em estúdio com a obrigação de abandonar um pouco o experimentalismo.

A banda demorou demais para escrever a canção-título, que curiosamente não foi incluída no disco por não estar pronta, mas foi lançada depois como single. Ela só entraria na coletânea Giant Steps - The First Five Years. O disco acabou sendo o maior êxito comercial do Gentle Giant na América, ficando entre os cinquenta mais vendidos, apesar de toda insatisfação do grupo pela forma como sua carreira estava sendo gerenciada. Ray confessa que odeia a música-título: "Essa foi a pior canção que já fizemos. Eles chegaram para cima de nós, dizendo que devíamos algo mais acessível, e fizemos três canções atrozes."


Giant Steps - The First Five Years colocou a banda novamente na estrada em janeiro de 1975, e em setembro do mesmo ano o grupo resolve mudar de gravadora - foi para Chrysalis - e lança um de seus melhores discos: Free Hand. Cansados do antigo selo, conseguiram o contrato com a Chrysalis através do Jethro Tull, uma das estrelas da casa, e por também impressionarem Terry Ellis, presidente da companhia. 


Free Hand era um álbum até bastante otimista depois de tantos problemas com empresários e gravadoras, e fez um grande sucesso, que acabou resultando em uma imensa excursão mundial. Na verdade, muitos dos problemas foram exorcizados no disco, que chegou ao 48º lugar nas paradas.


Após uma grande excursão pela América e alguns breve shows no Reino Unido, o grupo lança em 1976 um novo trabalho: Interview. Estruturado como se fosse entrevista por telefone, o disco critica a maneira como a indústria fonográfica trata os artistas e ironiza as perguntas bobas e inúteis feitas por jornalistas. A produção foi longa e cuidadosa, e a banda saiu em turnê no final de 1976, excursão essa que renderia um novo LP.


Os shows que aconteceram entre os meses de setembro e outubro acabaram virando um dos grandes discos ao vivo do rock progressivo e do rock em geral. O Gentle Giant atravessava um de seus melhores momentos como banda e o resultado acabou sendo o excelente Playing the Fool: The Official Live, lançado em 1977. 

O LP continha nove músicas, que posteriormente, quando lançado em CD pela Terrapin, foi editado com 22 faixas. O grupo vivia então, ao mesmo tempo, o melhor e o pior de seus dias. Após 51 shows em 90 dias no primeiro semestre de 1976, entre os meses de maio a julho, gravaram o disco em um momento, no mínimo, estranho. Enquanto alcançavam o auge técnico viam nascer uma nova geração que odiaria não apenas o Gentle Giant mas todas as bandas que praticavam o progressivo e o hard rock: os punks. De repente, os chamados "dinossauros" eram ridicularizados pela imprensa, e o GG viveu um momento crítico, já que a Chrysalis confiava no talento do grupo e investiu pesado na excursão.

Após os shows, a banda resolveu que iria se envolver pesadamente na escolha dos temas. Weathers lembra bem do período: "Todos nós queríamos o melhor som possível, mas sem overdubs. Tudo seria o mais natural possível, como queria a própria Chrysalis. E, na verdade, isso aconteceu, tirando pequenas partes que necessitaram ser refeitas, era bem o espírito de nossos shows."


No mesmo ano lançam um novo disco, considerado como a primeira bola fora da banda: The Missing Piece. Ray Shulman conta o dilema dos caras: "Quando o punk rock surgiu nós começamos a ser desprezados e sofremos pressão para sermos comercialmente mais viáveis. De repente a Chrysalis começou a ver nosso horizonte como pouco promissor, e por causa disso resolvemos fazer um disco mais comercial. Como devíamos dinheiro a eles e tínhamos medo que nos obrigassem a pagar os adiantamentos, cedemos."

Kerry Minnear lembra que a banda se sentia presa em um estilo em cima do palco: "
Você via aquelas bandas punks berrando, pulando, cheias de adrenalina no palco, e alguns de nós sentiam-se presos em uma camisa-de-força. E Ray estava realmente entusiasmado com o punk por causa dessa energia, e eu me sentia desconfortável com tudo isso."


Se
The Missing Piece já não foi lá muito apreciado, a coisa piorou bastante com Giant for a Day, o pior disco disparado da banda. Mais pop do que o anterior, o álbum, lançado em 1978, quase destruiu toda a reputação do grupo. Em busca de novas audiências, pressão da gravadora, o Gentle tentou aumentar seu público, mas apenas conseguiu irritar os fãs, da mesma maneira que Phil Collins enojou os fãs do Genesis após a saída de Peter Gabriel. O disco ainda teve uma excursão pela América, mas a sensação era de derrota total.


O grupo ainda lançou mais um disco em 1980, Civilian, que foi o verdadeiro fim do Gentle Giant. As canções já estavam dentro do padrão rock tradicional e foram igualmente apedrejadas pelos antigos fãs e pela crítica. Produzido para emplacar no gosto do ouvinte FM padrão, só conseguiu mesmo ser esculhambado. Ray conta que odiou toda a gestação do trabalho: "Foram momentos terríveis, já que tínhamos que ir para a Califórnia, onde morava Derek, e tudo isso resultou em um processo forçado de composição."

Após o álbum a banda acabaria e Ray faria fama como produtor de vários conjuntos nos anos oitenta, notadamente em dois discos: o primeiro do grupo islandês Sugarcubes -
Life's Too Good - e o primeiro solo de Ian McCulloch, Candleland. Vale lembrar que o Sugarcubes foi a banda que revelou ao mundo a exótica cantora Björk.

O culto ao Gentle Giant segue forte e em 2005 boa parte de sua discografia foi relançada em uma luxuosa edição comemorando aos 35 anos do primeiro disco. O GG segue sendo, da mesma maneira que o Soft Machine, um nome relevante e que, assim como o Soft, acabou de uma maneira triste, sucumbindo às pressões comerciais. 

7 de mai de 2009

Ben Harper - Lifeline (2007)

quinta-feira, maio 07, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Cotação: ***1/2

Ben Harper não gosta de caminhos fáceis. Seu novo álbum,
Lifeline, é mais uma prova. Basta olhar a história desse americano para perceber isso. Após construir uma sólida carreira e conquistar uma fiel legião de fãs, Harper estourou para o grande público com Diamonds on the Inside, lançado em 2003 e que o transformou em figura fácil na mídia. Ele poderia ligar o piloto-automático e entregar apenas aquilo que o seu novo público queria, mas não: ele decidiu ousar.

O resultado foi o álbum duplo
Both Sides of the Gun, de 2006, dividido em dois discos que explicitavam os caminhos sonoros característicos de Ben: as baladas sentimentais construídas no violão e o rock temperado com pitadas soul e funk. Uma obra-prima.

Depois de rodar o Brasil e inclusive gravar ao lado de Vanessa da Matta, Harper coloca no mercado seu novo trabalho, e surpreende de novo. Em uma primeira audição, a característica mais marcante é a grande quantidade de baladas, e o ritmo mais lento do disco.
Lifeline é um trabalho extremamente emocional, e que consegue, como poucos, transpor para o ouvinte todo o sentimento de seu autor.

Canções carismáticas, que agradam de imediato, podem ser ouvidas em “Fight Outta You”, “In the Colors” e “Fool for a Lonesome Train”. As raízes calcadas na música negra nos levam aos tempos da Motown em músicas como “”Needed You Tonight”, “Say You Will” e “Put It On Me”. “Having Wings” é um single instantâneo.

Mas a principal faixa de
Lifeline é mesmo a música que dá nome ao disco. Construída sobre acordes simples de violão, “Lifeline” é daquelas canções que faz você parar o que está fazendo e se deixar transportar para outro lugar sem sair de onde está. Lindíssima, figura, com certeza, entre as melhores músicas já escritas por Ben.

Mais um grande disco, mais uma prova do talento aparentemente inesgotável deste músico norte-americano. Perfeito para quem busca música verdadeira e feita com a alma.


Faixas:
1. Fight Outta You - 4:10
2. In the Colors - 2:57
3. Fool for a Lonesome Train - 3:30
4. Needed You Tonight - 2:46
5. Having Wings - 3:27
6. Say You Will - 2:58
7. Younger Than Today - 3:24
8. Put It on Me - 3:30
9. Heart of Matters - 4:31
10. Paris Sunrise #7 - 5:17
11. Lifeline - 4:29

poeiraCast#006 no ar: especial Heaven and Hell

quinta-feira, maio 07, 2009

Por Bento Araújo
Colecionador e Jornalista

Na esteira da vinda do Heaven and Hell ao Brasil, o programa mais polêmico de toda a web vai ao ar trazendo um especial sobre a banda: o disco novo (
The Devil You Know), as polêmicas em torno da voz de Ronnie James Dio, a avaliação dos discos do Black Sabbath na fase do baixinho, os shows pelo Brasil em 1992 e as promessas da nova tour pelo país, que acontece agora nos próximos dias.

Bento Araújo, José Damiano, Sérgio Alpendre, Ricardo “Phil Collins” Alpendre e o convidado especial Michel Leme, guitarrista de jazz instrumental e também da banda Born Again (que presta um tributo ao Sabbath) ainda passeiam por temas controversos, como grupos que voltaram com outros vocalistas e se deram bem (e também os que se deram mal).

Quem é melhor? Bruce Dickinson ou Paul Di´Anno? Sammy Hagar ou David Lee Roth? Peter Gabriel ou Ricardo Al… ops, Phil Collins?

Parafraseando o Michel Leme, este poeiraCast está “sal na lesma!”.

Clique aqui e ouça agora o poeiraCast volume 6.

Boa curtição!

6 de mai de 2009

Quais seriam os melhores discos de todos os tempos?

quarta-feira, maio 06, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Motivado por um tópico criado em
nossa comunidade no orkut a respeito dos vinte melhores álbuns de todos os tempos, me empolguei e fiz algumas pesquisas a respeito de alguns estilos que aprecio, como rock, hard rock, heavy metal e jazz, e, nelas, me lembrei que o site Rate Your Music tem uma lista permamente com os discos mais recomendados pelos seus usuários.

Como funciona? Assim como o iMDb, o RYM é um site colaborativo, onde cada pessoa que possui um perfil pode dar notas para os discos que ouviu e conhece. Assim, automaticamente o site gera listas com os álbuns mais bem ranqueados nos mais diversos gêneros, bem como uma lista geral com as melhores notas, elegendo aqueles que seriam, segundo os usuários do site, os melhores discos de todos os tempos.

Quer saber quais são eles? Confira a lista abaixo:

Top#20 Melhores Discos de Todos os Tempos by Rate Your Music:

1. The Beatles - Revolver (1966)
2. Radiohead - OK Computer (1997)
3. The Beatles - Abbey Road (1969)
4. The Velvet Underground - The Velvet Underground & Nico (1967)
5. Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973)
6. Bob Dylan - Highway 61 Revisited (1965)
7. Miles Davis - Kind of Blue (1959)
8. Pink Floyd - Wish You Were Here (1975)
9. David Bowie - The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars (1972)
10. The Beatles - The Beatles [White Album] (1968)
11. John Coltrane - A Love Supreme (1965)
12. The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)
13. Charles Mingus - The Black Saint and the Sinner Lady (1963)
14. Bob Dylan - Blonde on Blonde (1966)
15. Bob Dylan - Bringing It All Back Home (1965)
16. Led Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971)
17. Jimi Hendrix - Are You Experienced (1967)
18. Bob Dylan - Blood on the Tracks (1975)
19. The Clash - London Calling (1979)
20. Television - Marquee Moon (1977)

Aos curiosos, a lista completa, com centenas de discos,
pode ser vista aqui.

É claro que, como toda lista que se preze, faltam itens, sobram alguns, mas é, inegavelmente, um bom top#20 para quem quer se embranhar pelos caminhos da música.

Agora, vá até os comentários e diga o que você achou dessa lista do RYM, e aproveite e também coloque lá a sua lista com os vinte melhores discos de todos os tempos. Topa?

5 de mai de 2009

Carro Bomba - Nervoso (2008)

terça-feira, maio 05, 2009

Por Ben Ami Scopinho
Colecionador e Jornalista

Cotação: ****

Em 2005, o então power trio paulistano Carro Bomba causou ótima impressão ao liberar
Segundo Atentado, que se mostrava inesperadamente bem mais pesado que o debut auto-intitulado do ano anterior. Seguindo essa lógica, então o que dizer agora que o grupo foi reformulado e passou a ser um quarteto? Só podemos esperar algo ainda mais esporrento!

Pois bem, os remanescentes Marcello Schevano (guitarra) e Fabrizio Micheloni (baixo) contaram com Rogério Fernandes (voz, ex-Golpe de Estado) e Fernando Minchillo (bateria), e o que antes vinha acontecendo de forma aparentemente comedida agora ficou literalmente escancarado com o mais novo álbum.
Nervoso é, antes de mais nada, um disco sem frescuras de rock pesado – e muitos se lembram de uma época em que o dito cujo era assim chamado, pois os tantos subgêneros atuais eram desnecessários. O tal rock pesado era apenas distorcido e muito, mas muito barulhento.

Em Nervoso, ainda que soe devidamente atualizado e turbinado pela excelente produção da ocupadíssima dupla Heros Trench e Marcello Pompeu, é inegável que muito do fascínio pelo astral setentista que reinou (quase) absoluto nos discos anteriores continua presente. Mas agora tudo está muitas vezes mascarado sob todo o peso dos instrumentos – há boas doses de Black Sabbath e até ocasiões em que o Carro Bomba praticamente se envereda pelos lados do thrash metal!

Com uma audição que beira os 35 minutos em nove composições, dá para destacar com folgas a trinca inicial, “Punhos de Aço”, “Sangue de Barata” e “Bomba Blues”; além da incrível “O Passageiro da Agonia”, com todo seu jeitão stoner e dona de uma letra muito bem sacada. E, faixa após faixa, vai-se concluindo que este é um discaço feito para se escutar alto, a ponto de os incomodados vizinhos começarem a entender as letras cantadas em português.

Finalizando, vale mencionar que depois de este álbum figurar entre os Melhores de 2008 de vários veículos da mídia especializada, o até então independente Carro Bomba agora terá uma segunda prensagem de
Nervoso tendo como parceira a Voice Music cuidando da distribuição. Parabéns aos caras! O disco é praticamente indispensável a qualquer um que aprecie rock´n´roll de um verde-amarelo marginal e feito com atitude!


Faixas:
1. Punhos de Aço
2. Sangue de Barata
3. Bomba Blues
4. Fui
5. Válvula
6. O Passageiro da Agonia
7. O Foda-se
8. O Foda-se II
9. Intravenosa

Discos Fundamentais: Jethro Tull - A Little Light Music (1992)

terça-feira, maio 05, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

A Little Light Music traz dezessete faixas gravadas por quase uma dezena de países europeus na tour 1991/1992 do Jethro Tull. Aqui a banda está um pouco diferente do que estamos acostumados. Ao lado de Ian Anderson e Martin Barre estão o baixista Dave Pegg e o baterista do Fairport Convention, David Marracks. Além disso, o disco é acústico (apesar de uma ou outra intervenção da guitarra elétrica de Barre), o que realça ainda mais o clima folk das composições do grupo.

O resultado é um álbum belíssimo, um dos meus discos ao vivo prediletos. O trabalho abre com "Someday the Sun Won´t Shine For You", resgatada da longíqua estréia do conjunto,
This Was, de setembro de 1968. O CD segue com uma versão incrível de "Living With the Past", um dos maiores clássicos da banda. Momentos sublimes ocorrem em "Rocks on the Road", "Too Old to Rock and Roll, Too Young to Die" (que ficou ainda mais bela no formato acústico - arrepiante), na versão da tradicional "John Barleycorn" (gravada anteriormente, entre outros, pelo Traffic) e no encerramento, com "Locomotive Breath".

No meio disso tudo, Anderson e companhia pescaram faixas meio esquecidas de álbuns menos badalados do Jethro Tull e lhes deram outra dimensão. Isso acontece claramente em músicas como "Under Wraps", "Nursie", "A New Day Yesterday" e "Bouree".

Entre os músicos, Ian Anderson é o destaque principal, colocando uma enorme carga dramática em cada canção, além de mostrar-se em um momento especialmente inspirado, já que suas intervenções na flauta são não menos que divinas. Pra fechar, Ian ainda fala pelos cotovelos entre as músicas, destilando seu humor irônico tipicamente britânico. Martin Barre mostra classe e técnica no violão, fazendo-nos tirar os pés do chão com suas intervenções. Dave Pegg tem o seu baixo bem na cara, e segura as pontas para David Marracks mostrar sua técnica ímpar, principalmente na parte final de "Rocks on the Road".

Além de ser um discaço,
A Little Light Music é um trabalho muito bonito, dono de uma beleza tão inebriante que sua audição não cansa nem quem já o escutou quase uma centena de vezes, como é o meu caso.


Faixas:
1. Someday the Sun Won't Shine For You - 3:59
2. Living in the Past [instrumental] - 5:07
3. Life is a Long Song - 3:37
4. Under Wraps - 2:30
5. Rocks on the Road - 7:03
6. Nursie - 2:27
7. Too Old to Rock and Roll, Too Young to Die - 4:43
8. One White Duck - 3:15
9. A New Day Yesterday - 7:33
10. John Barleycorn - 6:34
11. Look Into the Sun - 3:45
12. A Christmas Song - 3:45
13. From a Dead Beat to an Old Greaser - 3:51
14. This is Not Love - 3:53
15. Bouree - 6:06
16. Pussy Willow - 3:31
17. Locomotive Breath - 5:51

Leia também: Neil Young - Everybody Knows This is Nowhere (1969)

4 de mai de 2009

Mofo: Black Sabbath - Paranoid (1970)

segunda-feira, maio 04, 2009

Por Rubens Leme da Costa
Colecionador

Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward. Essa é a formação clássica do Black Sabbath, um dos grupos que mais trocou de integrantes em quase quarenta anos de vida. Mas nenhuma formação chegou perto da original e nenhum álbum chamou mais a atenção que Paranoid, segundo disco do grupo e que catapultou o conjunto ao mega-estrelato. Se o Led Zeppelin flertava com um blues pesado, o Sabbath ia por um lado mais escuro, escorado nos riffs lentos e pesados de Tony Iommi. Em Paranoid, a banda se fixou entre os maiores da década de setenta e começava a criar uma fama recheada de sucesso, drogas, sexo e muitos shows.


A história do Black Sabbath começa em 1968, quando o guitarrista Frank Anthony Iommi e o baterista William Thomas Ward deixam o Mythology e formam uma nova banda com dois integrantes do Rare Breed: o vocalista John Michael Osborne e o baixista Terence Michael Butler. Juntos com outro guitarrista, Jimmy Phillips, e o saxofonista Alan "Aker" Clarke formam o The Polka Tulk Blues Company, que teve a alcunha encurtada para Polka Tulk. Como o nome sugere, era um grupo que estava mais ligado ao blues. Quando Phillips e Clarke saem, a banda muda de nome mais uma vez, passando a chamar-se apenas Earth.

O Earth era influenciado por Cream, Blue Cheer, Jimi Hendrix e fez uma série de shows na Inglaterra e Alemanha, principalmente em Hamburgo. O grupo sofre pequena crise quando Iommi deixa a banda para ingressar no Jethro Tull, em outubro de 1968. Porém, Tony não se acerta e logo volta ao line-up, em janeiro de 1969. 

Durante apresentações na Inglaterra descobrem que havia outra banda com o mesmo nome e resolvem adotar Black Sabbath, inspirado em um filme de terror estrelado por Boris Karloff. Assim, Ozzy (John Michael) Osborne, Tony (Frank Anthony) Iommi, Geezer (Terence Michael) Butler e Bill (William Thomas) Ward formam um das mais clássicas bandas da história: Black Sabbath. 


Tendo Jim Simpson como empresário, fecham contrato com o selo especializado em grupos progressivos, Vertigo. Apesar de terem recebido pouquíssimo dinheiro, o quarteto estava sedento para gravar as primeiras músicas, e em incríveis três dias e por módicas 600 libras é gravado o primeiro disco, que levava apenas o nome da banda, Black Sabbath. Gravado em janeiro de 1970 e lançado no dia 13 de fevereiro - uma sexta-feira, o álbum foi produzido por Roger Bain e havia sido precedido, em dezembro do ano anterior, pelo primeiro compacto do grupo, Evil Woman, que fez sucesso algum.Apesar de ter ainda momentos em que lembrava o antigo Earth, com Ozzy empunhando uma gaita de boca, percebe-se a força da banda, especialmente nos riffs lentos e pesados do canhoto Iommi, que tinha um som próprio, ao perder a ponta de dois dedos da mão direita em um acidente que teve em uma fábrica de aço, aos 17 anos.

Apesar do nariz torcido da crítica o disco fez enorme sucesso, chegando ao oitavo lugar na parada britânica. A obra começa com "Black Sabbath", com batulhos de chuva, sinos e um solo lento e pesado de Iommi, além dos vocais assustadores de Ozzy. Não havia paralelo para tal coisa naquela época. A edição norte-americana sai em maio de 1970, chegando ao 23º posto, um excelente resultado. Apesar de ser extremamente malhado pela crítica, o LP alcança vendas acima de 1 milhão de cópias. O álbum trazia letras falando de satanismo - "N.I.B." seria uma história contada pelo próprio Lúcifer - e a capa traz uma figura sinistra vestida de preto. O sucesso na América faz com que a banda entre rapidamente em estúdio para lançar um novo LP. E o resultado seria impressionante.

Quando, em junho de 1970, os quatro entraram nos estúdios Regent Sound e Island, novamente com Roger Bain, tinham pouco material produzido e deixaram a faixa "Paranoid" para o último minuto. Bill Ward conta que Iommi começou a tocar o riff e ele escreveu uma letra em cima, rapidamente.

O disco, aliás, teve várias mudanças em seu percurso. Primeiro, o nome seria War Pigs, música que abre o play e uma clara referência à Guerra do Vietnã. Não custa lembrar que a banda objetivava o mercado norte-americano. Com mais tempo para gravar, o Sabbath começou a desenvolver o som clássico que o consagrou, e as letras traziam referências à drogas, sexo, problemas mentais e críticas à guerra.


Mas enquanto era produzido, a gravadora editou o compacto
Paranoid, que chegou ao quarto lugar na parada no Reino Unido, dando um enorme susto no grupo, que até apareceu no programa Top of the Pops. Além disso, a Warner - gravadora da banda nos EUA - não queria um título referente ao Vietnã, que ainda ardia na consciência da população local.

Título mudado, havia um outro problema: não teria como mudarem a capa a tempo e acabou saindo a foto de um homem com uma espada e um escudo pulando de trás de uma árvore, e que pouco tem a ver com o título. A edição inglesa tinha ainda, no encarte, uma foto da banda com Tony, Bill e Geezer de um lado e Ozzy do outro.


Pela primeira vez o Sabbath podia mostrar toda sua personalidade e, apesar de muitos escreverem sobre satanismo e temas negros nas resenhas, o grupo abordava outros temas. Assim, a própria "Paranoid" fala de problemas mentais, "Electric Funeral" aborda o dia seguinte de uma guerra nuclear, "Hand of Doom" era uma canção contra o uso da heroína, apesar da banda estar começando a pegar pesado nas drogas.

O disco trazia as seguintes faixas:

Lado 1
1. War Pigs/Luke's Wall – 7:57
2. Paranoid – 2:52
3. Planet Caravan – 4:32
4. Iron Man – 5:58

Lado 2
1. Electric Funeral – 4:52
2. Hand of Doom – 7:07
3. Rat Salad – 2:31
4. Jack the Stripper/Fairies Wear Boots – 6:15


O álbum foi lançado em 18 de setembro, no Reino Unido, e teve a edição norte-americana em janeiro do ano seguinte, não antes de ser importado maciçamente. Com isso, a banda fez sua primeira viagem à América; na verdade, havia uma primeira agendada tão logo saiu o primeiro disco, mas o terrível escândalo do assassinato da atriz Sharon Tate por membros da Charlie Manson Family fez o grupo recuar, já que eram associados a temas negros e ao satanismo.

A primeira tour pelo país foi excelente e motivou o lançamento de um novo compacto, Iron Man. Apesar de ser um dos grandes clássicos do grupo, fracassou nas paradas, não ficando nem entre as 100 mais.

Novamente malhado pela crítica,
Paranoid chegou ao topo da parada britânica e em 12º na América, com vendas superiores a 4 milhões de cópias. Para muitos o disco é o primeiro LP de heavy metal, não apenas pelos temas, mas também pelo som.

Com
Paranoid o Sabbath deixava o passado de banda de blues bem distante e começava uma das mais famosas e impressionantes lendas da música, regada com muitos decibéis, groupies, drogas, brigas homéricas, horas intermináveis em palcos e em estúdios e egos inflados, tornando-se um dos maiores nomes do rock.

Jorn - Lonely Are the Brave (2008)

segunda-feira, maio 04, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

Lonely Are the Brave, sexto álbum solo de Jorn Lande, é um ótimo disco de hard rock com algumas características de heavy metal, principalmente nos riffs da dupla de guitarristas Tore Moren e Jorn Viggo Lofstad. Explorando mais uma vez as influências que o acompanharam por toda a vida, o vocalista norueguês, considerado por uma parcela considerável de fãs como um dos melhores do mundo quando o assunto é a música pesada, compôs um CD impossível de não ser apreciado por toda e qualquer pessoa que curte o trabalho de uma das escolas mais influentes do hard rock; estou falando, é claro, do Whitesnake e do Rainbow, cujas sombras repousam sobre Lonely Are the Brave sem, contudo, transformar o álbum em uma mera imitação.

Jorn sabe aplicar as referências que possui quando o assunto são os grupos de David Coverdale e Ritchie Blackmore e fazê-las jogar a seu favor, construindo, peça por peça, nota por nota, uma música cativante e pra lá de competente. A abertura com a ótima faixa-título exemplifica bem isso. Nela, Lande atualiza para os nossos tempos aquela sonoridade que o Whitesnake cravou a ferro e fogo em nossas memórias durante a década de oitenta, mas faz isso com tamanha autenticidade, talento e conhecimento de causa que qualquer fã do gênero irá vibrar como criança. Aos que chiarem dizendo que não passa de mera imitação dos tempos áures da cobra branca, desconsidere, pois esses são chatos mesmo e não irão nunca se contentar com nada.

A cadenciada "Night City" e seu riff pesadão dão sequência ao CD, e a segunda faixa do álbum é daquelas que pede uma estrada à frente, feita sob medida para pisar fundo e sem destino. O peso fica ainda mais evidente em "War of the World", outra a contar com um riff inspirado que, somado à linha vocal nada óbvia de Jorn, pega o ouvinte pelo pescoço e o joga sem dó em um mundo onde, cada vez mais, fala-se muito e age-se pouco. O refrão dessa composição é sensacional, um dos melhores do disco na minha opinião.

Os saudosos fãs do Masterplan, banda para a qual Jorn Lande anunciou recentemente o seu retorno, irão se deliciar com "Shadow People", que parece ter sido composta sob medida para eles. Nessa faixa é possível inclusive perceber ecos de Helloween fase
Better Than Raw - um dos melhores discos da banda, na minha opinião, e que não por acaso contava com Roland Grapow e Uli Kusch, que mais tarde convidariam Jorn a fazer parte do Masterplan - na estrutura da canção. Uma faixa muito boa, feita sob medida para o headbanging, e que irá tocar, especialmente, fãs do heavy metal executado nos anos oitenta.

Enquanto "Shadow People" nos leva em uma viagem ao passado recente, "Soul of the Wind" surpreende, e agrada, por trazer elementos novos ao som de Lande. Nessa caso, estamos falando de um clima sombrio e de riffs que parecem terem sido paridos pela guitarra do lendário Tony Iommi, mais conhecido como o homem por trás do Black Sabbath e, por extensão, de todo o heavy metal. Qualquer um, sem muito esforço, se pegará imaginando como essa faixa ficaria com os vocais de Ronnie James Dio, pode apostar. Destaque para o belo solo, repleto de melodia.

A apenas mediana "Man of the Dark" antecipa "Promises", essa sim uma bela composição, sombria, dona de um belo riff de guitarra e de um épico refrão na melhor tradição AOR, que bebe em fontes surpreendentes como, por exemplo, o Journey. Uma das melhores faixas do disco, fácil fácil.

Ouvindo "The Inner Road" tem-se a impressão que Jorn deixou para o final algumas de suas melhores composições. Mais uma vez contando com um ótimo riff, essa faixa talvez seja a que melhor exemplifique a sinergia entre o hard rock e o heavy metal a que me referi lá no início do texto. Seguindo um raciocínio elogiável na minha opinião, que é apostar mais no peso do que na velocidade, Lande entrega uma canção de andamento cadenciado, que incita ao
banging inconsciente, cativando de imediato. Lonely Are the Brave fecha com "Hellfire", uma boa canção, épica, bastante pesada e com uma grande performance de Jorn.

Se você está atrás de um hard rock bem feito, repleto de inspiração e executado por músicos técnicos na medida certa,
Lonely Are the Brave é uma ótima pedida. Encare sem medo porque vale a pena.

Faixas:
1 Lonely Are the Brave - 4:17
2 Night City - 5:27
3 War of the World - 5:32
4 Shadow People - 3:34
5 Soul of the Wind - 6:03
6 Man of the Dark - 5:10
7 Promises - 4:43
8 The Inner Road - 4:55
9 Hellfire - 6:12

Leia também: Marcus - Marcus (1976)

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