12 de set de 2009

The Beatles Rock Band: o jogo é uma viagem pela trajetória da banda

sábado, setembro 12, 2009

Por Vitor Bemvindo
Colecionador

A experiência de mesclar rock and roll com jogos de vídeogame não é nova. Desde os primeiros passos dos joguinhos os desenvolvedores sempre buscaram colocar músicas associadas ao gênero e, até mesmo, às temáticas. Essa experiência começou a se aprofundar, nos anos noventa, durante a quarta geração de jogos eletrônicos, quando foram lançados títulos como Rock & Roll Racing e Revolution X para a plataforma Sega Genesis (no Brasil, Mega Drive). Esses jogos possuíam trilhas sonoras adaptadas baseadas em sucessos do Deep Purple, Black Sabbath, Steppenwolf e Aerosmith.

Mas foi em meados dos anos 2000 que a interação entre games e rock alcançou um novo patamar, com o lançamento, em 2005, da primeira versão de
Guitar Hero. O jogo simula, através de um joystick em formato de guitarra, a experiência de ser um astro de rock. O objetivo é, basicamente, seguir as notas musicais, representadas por cores, apertando os botões coloridos do controlador, ou melhor, da guitarra. O sucesso do jogo rendeu uma série de sequências, abrindo espaço também para uma nova franquia chamada Rock Band, que pela primeira vez ofereceu simuladores de bateria e microfones para que os jogadores pudessem cantar.

Esse tipo de jogo abriu um novo mercado para a combalida indústria musical, que passou a competir por espaço para os seus artistas nos novos lançamentos de vídeogames. A primeira banda a ter um jogo dedicado a ela foi o Aerosmith, e, em seguida o Metallica, mas nessas duas versões de
Guitar Hero havia espaço para músicas de outras bandas.

Em 2007 iniciou-se uma briga entre os desenvolvedores de
Guitar Hero e Rock Band para ter em seus jogos o direito de disponibilizar as músicas da banda mais importante de todos os tempos, os Beatles. A queda de braço foi vencida pela Harmonic Music System e pela Eletronic Arts, responsáveis por Rock Band, que prometeram fazer um jogo inteiramente dedicado ao quarteto de Liverpool.

Eis que no dia 09/09/09 – uma referência à faixa "Revolution 9", na qual os dizeres "
number nine" ficam repetindo-se em loop – houve o lançamento do tão esperado The Beatles: Rock Band. Ao contrário dos jogos dedicados ao Aerosmith e ao Metallica, essa versão só possui canções da banda que leva o nome do jogo, fazendo um mergulho profundo na carreira do Fab Four.

O jogo se torna impressionante logo na animação de abertura, com um medley de canções do grupo, trazendo vários momentos da carreira dos Beatles, desde os dias de "Twist and Shout" até a psicodelia final de "I Am the Walrus". Talvez nenhuma outra banda fosse tão apropriada para estrelar um jogo de vídeogame quanto os Beatles. Isso porque a trajetória do grupo favorece imensamente a elevação de nível de dificuldade de acordo com as fases da sua carreira. No início, faixas mais simples e menos elaboradas, como em "A Hard Day´s Night", até melodias mais complexas como a de "The End".

A evolução por cada nível de dificuldade acompanha as fases do grupo, que mudam de nível a nível, juntamente com o visual do quarteto (figurino, cortes de cabelo, bigodes e barbas). Os cenários também acompanham a trajetória do grupo, começando no Cavern, clube onde a banda se revelou, até o teto da gravadora Apple, onde a banda se apresentou junto pela última vez.


Após o Cavern Club, os jogadores tocam no Ed Sullivan Theater, em Nova York, onde a banda se apresentou pela primeira vez, em 1964. Logo depois, a excursão pelos Estados Unidos se transfere para o estádio de beisebol Shea, onde os Beatles realizaram o show para o seu maior público, 55.600 pessoas, no dia 15 de agosto de 1965. O nível dos detalhes deste cenário é impressionante: o comportamento do público é idêntico ao visto nos vídeos daquele concerto. Além disso, pode-se notar o trabalho que a polícia teve para conter as fãs enlouquecidas. Em alguns momentos, os guardas aparecem tampando os ouvidos para se proteger da gritaria; em outros, correndo atrás de garotas que tentam invadir o palco.

Em seguida o jogo nos transporta para 1966, quando os Beatles fizeram a sua última turnê mundial, apresentando-se pela primeira vez no Japão. O cenário reproduzido é a arena Budokan, em Tóquio, na qual o grupo fez uma série de concertos entre junho e julho daquele ano.

A possibilidade de cenários parecia esgotada, já que entre 1967 e 1969 a banda não se apresentou mais publicamente. Foi aí que os desenvolvedores resolveram utilizar o estúdio de Abbey Road para ambientar as canções escritas nesse período. Mas engana-se quem pensa que a partir daí o jogo fica monótono. Ao contrário, as músicas desse período têm tratamento individual. As temáticas de cada faixa transportam Paul, John, George e Ringo para cenários imaginados, alguns deles baseados em filmes da banda, como em "Yellow Submarine" (baseado no filme de mesmo nome) e "I Am the Walrus", na qual eles aparecem caracterizados como os personagens do filme
Magical Mystery Tour. Em alguns casos as artes da capas são inspiração para os cenários, como em "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band".


Quando tocam somente no estúdio, o impressionante é a reprodução exata dos figurinos e do visual da banda, que batem perfeitamente com os vídeos da época. Até mesmo a posição de cada integrante no estúdio é a mesma das sessões originais de gravação. Entre uma canção e outra pode-se ouvir algumas conversas gravadas durante essas sessões, e até mesmo algumas improvisações.

Ao final de três sessões que contemplam muitas viagens para além de Abbey Road, o quarteto seu reúne no telhado da Apple Records para fazer sua última apresentação pública juntos. Nessa parte do jogo pode-se tocar algumas canções nas versões idênticas as que foram executadas naquele 30 de janeiro de 1969. Mais uma vez os detalhes impressionam: desde o público passando na rua até os policiais preocupados em acabar com a festa.


O jogo chega ao fim com uma animação, que não poderia ter outra trilha que não "The End". Nela o Fab Four toca a canção de cima dos telhados da Apple, contemplando uma Londres incrementada pelos personagens de suas canções. Após o vídeo, a canção fica disponível para ser tocada, ou melhor, jogada.

Um dos atrativos do game são as recompensas dadas após atingir determinados objetivos. Há alguns presentinhos, como fotos raras e alguns vídeos que mostram os bastidores de apresentações as quais o jogo faz referência.

Enfim, todos os detalhes foram pensados para que nenhum fã dos Beatles pudesse colocar algum defeito. Jogar
The Beatles: Rock Band é participar de uma viagem pelos anos dourados do rock, tripulada pelos mais importantes comandantes dessa história.

O jogo ajuda não só saciar os sedentos seguidores da banda, que sempre estão atrás de lançamentos, mas também ajuda a perpetuar o legado do quarteto de Liverpool para as novas gerações.

A Harmonix e a Eletronic Arts prometem disponibilizar todo o catálogo da banda para ser jogado no
Rock Band. Já está disponível para download (pago) a faixa "All You Need is Love". Para outubro está previsto o lançamento do álbum Abbey Road na íntegra. Em seguida será a vez de Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band (novembro) e Rubber Soul (dezembro).

Para celebrar os lançamentos ligados aos Beatles, no mês de setembro, o Mofodeu fará dois programas especiais:

Dia 21/09/2009: Mofodeu #067: Especial 40 anos do lançamento de "Abbey Road"

Dia 28/09/2009: Mofodeu #068: Versões de Beatles (só com outros artistas executando canções do Fab Four)

Fique ligado em:

www.mofodeu.com



10 de set de 2009

Mofo: The Waterboys - Fisherman´s Blues (1988)

quinta-feira, setembro 10, 2009

Por Rubens Leme da Costa
Colecionador

Em 1997, eu tive a oportunidade de falar com Mike Scott por telefone. Ele foi extremamente gentil e paciente com meu inglês vacilante. Naquela época estava com a banda desmontada e seguindo carreira-solo. Mas em 99 voltou com o grupo. Existem dois discos do Waterboys que eu guardo com grande carinho: This is the Sea e Fisherman's Blues. O primeiro por conter "The Whole of the Moon" e "Don't Bang the Drum", duas canções que ouço até hoje. Mas foi com Fisherman's Blues que me apaixonei de vez pela banda. Eu fiquei fã do violino de Steve Wickham e dos outros músicos. O disco fecha com um poema de William Butler Yeats, "The Stolen Child", que foi musicado.

Mike Scott é um desses caras que você fica à vontade para bater um papo. Apesar da dificuldade de seu sotaque, meio escocês, meio britânico, teve a paciência de conversar comigo em uma ligação para Londres. Mike então falava com saudades da banda que, segundo ele, estava hibernando. "Gostava de trabalhar com pessoas como Karl Wallinger, que depois formou o World Party. Ele era uma usina de idéias, mas como às vezes discutíamos, ele preferiu montar seu próprio grupo". Wallinger era fascinado por Beatles, e os discos da banda mostram bem isso. O melhor de todos, Goodbye Jumbo, chegou a sair no Brasil em LP, em 1990 ou 1991.

Mike lembra bem do nascimento de
Fisherman's Blues: "Reuni um pessoal na Irlanda e na Escócia para começar um novo projeto. Eu queria algo mais perto da cultura dos dois países, instigado pelas jams que fazíamos nos shows, improvisando músicas de This is the Sea com outras inéditas. Durante as gravações, ficávamos horas e horas improvisando músicas". O disco é um bom antídoto para quem precisa de um momento para sentar e pensar na vida. Melodioso, foi gravado em duas partes: a primeira, de janeiro até março de 1986, e a segunda, de março a maio de 1987, na Irlanda.

Como não poderia faltar, há uma versão delicada para um trabalho que um irlandês gravara, "Sweet Thing", de Van Morrison. "
Van é o maior referencial da Irlanda quando você fala em música. Obviamente que os jovens conhecem pouco e tenham crescido ouvindo U2, de quem sou amigo e gosto. Mas Van, puxa, é aquela coisa: a voz, as melodias, seu jeito de interpretar. Ele é abençoado". Uma curiosidade no disco é a faixa "World Party", que fez com Karl, que a adotou como o nome de sua banda.

Mike Scott conta que foi influenciado por Lou Reed, Bob Dylan, Jimi Hendrix e Rod Stewart em sua primeira fase. "Quando éramos garotos na Grã-Bretanha, o punk era a maior referência cultural para nós. Eu até gostava de algumas bandas, mas não tinha muito a ver com o que eu ouvia. Clash e Pistols ficaram para a história, são bandas maravilhosas, mas eu gostava daqueles discos de música celta, folk, de ouvir a voz de Dylan ou mesmo de Van. Minha afinidade estava aí".


Aos 21 anos, mudou-se para Londres e formou o Another Pretty Face. A formação durou de 1979 até 1981, com Scott nos vocais e guitarras. No mesmo ano mudou o nome para Waterboys, roubado da canção "The Kids", do álbum Berlin de Lou Reed. "Era uma experiência maravilhosa ouvir música. Parecia que não tinha fim. Quando descobri Lou Reed, fiquei fascinado. Aquelas letras, que eram pornográficas para a época, me deixavam babando. Eu queria ser músico mais do que qualquer coisa".

Contando com músicos como Steve Winckham, Anthony Thistlewaite, Trevor Hutchinson e Roddy Lorimer, começou o projeto
Fisherman's Blues. "As músicas tinham que soar como uma continuação da outra. Usamos instrumentos típicos da Irlanda e começamos o processo de criação. Mas eu tive que parar no meio de 1986 para promover o This is the Sea, que acabara de ser lançado. Só pude retomar em 1987 a finalização do álbum. Uma das características que mais gosto do disco é que agradou fãs de várias idades. Eu cheguei a ser elogiado por crianças e adultos, que confessaram amar o trabalho. Tive sorte de tocar com grandes músicos, que participaram ativamente do projeto. Na verdade o Waterboys era eu e Anthony, mas como teve tantos convidados e amigos entrando na produção, o Waterboys ganhou mais integrantes, parecidos com uma grande família".

O disco serve como uma boa introdução às músicas mais antigas da Irlanda. Grupos como Dubliners e Chieftains já faziam o mesmo som desde os anos 60 e ainda continuam. "Quando o disco estava quase pronto, eu queria uma coisa diferente para fechar. Escolhi musicar "The Stolen Child", de Yeats, por ter paixão a esse poema e toda sua obra. Quando você produz alguma coisa que te agrada é como chegar mais perto de Deus, não pela perfeição, mas pela emoção e humildade que transparece nas faixas. Eu não gosto mais de uma música do que outra, isso é trabalho dos DJs. O meu é escrever, tocar e propocionar bons minutos de música para os meus fãs, não importando quem sejam. O trabalho tem que ser honesto, necessita de uma doação pessoal e muita concentração. Quando componho, fico totalmente focado no que estou fazendo. Compor uma música ou uma melodia pode não ser tão complicado, mas fazer com que todos toquem aquilo que você quer e passar sua visão do projeto para os outros é muito mais trabalhoso. Às vezes dá vontade de desistir, mas não faço isso. Eu sei o que desejo e vou até o fim do trabalho. Você tem que acreditar em si mesmo".

Eu tenho três cópias do disco, duas em vinil e uma em CD. Tive que comprar dois discos porque quase furei o primeiro de tanto ouvir. Se você quer escutar um disco que faça bem ao espírito, vá atrás de
Fisherman´s Blues. Conhecerá um outro lado da Irlanda e verá que lá não há apenas o U2.

Fiquem com a letra da faixa título. Um abraço.


Fisherman's Blues

I wish I was a fisherman
tumbling on the sea
far away from dry land
and its bitter memories
casting out my sweet line
with abandonment and love
no cieling bearing down on me
save the starry sky above
with Light in my head
and you in my arms

I wish I was the brakeman
on a hurtling, fevered train
crashing headlong into the heartland
like a cannon in the rain
with the beating of the sleepers
and the burning of the coal
counting the towns flashing by
in a night that's full of soul
with Light in my head
and you in my arms

Faixas:
A1 Fisherman's Blues 4:29
A2 We Will Not Be Lovers 7:05
A3 Strange Boat 3:09
A4 World Party 4:03
A5 Sweet Thing 7:16
A6 Jimmy Hickey's Waltz 2:08

B1 And a Bang on the Ear 7:35
B2 Has Anybody Here Seen Hank? 3:21
B3 When Will We Be Married? 3:03
B4 When Ye Go Away 3:47
B5 Dunford's Fancy 1:06
B6 The Stolen Child 6:57
B7 This Land Is Your Land 0:58

Minha Coleção: Reginaldo Caixeta - "Tornar-se um colecionador não é um processo planejado"

quinta-feira, setembro 10, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Esta nova entrevista da seção Minha Coleção, com o colecionador Reginaldo Caixeta, levanta um ponto interessante: ninguém traça um plano para se tornar um colecionador de discos. Vocês lembram qual o primeiro LP/CD que compraram, certo? Mas vocês imaginavam que iriam ter tantos discos como têm hoje, iriam se tornar colecionadores compulsivos, sabendo tudo e mais um pouco sobre as suas bandas favoritas? Aposto que não.

Mas, vamos deixar as teorias de lado e conhecer e curtir a coleção do Reginaldo. Venham comigo em mais uma fantástica viagem pelo mundo maravilhoso dos discos!

Pra começar muito obrigado por ter aceitado o convite para participar da Collector´s Room. Gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores e já nos contasse quais são os seus artistas e estilos musicais preferidos.


Inicialmente, obrigado a você Ricardo, por oferecer-me a oportunidade de participar da Collector´s Room, coluna que sempre acompanhei no Whiplash! e agora através do blog. Bem, meu nome é Reginaldo Silva Caixeta, sou administrador por formação e um apaixonado pelo rock e seus subgêneros. Tenho 29 anos, sendo um ouvinte assíduo do rock desde os onze. Tenho grande admiração por vários músicos e bandas, porém posso seguramente afirmar que um grupo que jamais deixei de acompanhar e me envolver com sua música ao longo dos anos é o grande Iron Maiden.

Como foi a transição de um ouvinte tradicional para aquele ponto em que você percebeu que estava se tornando um colecionador?

Bem, tornar-se um colecionador não é um processo planejado. Por volta de 1993 (então com 13 anos), o envolvimento com os colegas de escola e as calorosas discussões sobre as bandas me faziam ter vontade de estar bem informado sobre o material que circulava e também de ter acesso a coisas (bandas), digamos, mais difíceis de encontrar para mostrar aos amigos. Lembrando que esta é uma fase da vida de todos nós onde a influência que eventualmente venhamos a exercer na formação de opinião do grupo é quase que fundamental para nossa aceitação. 1992/1993 foi um período de transição no rock mainstream, com a explosão do Nirvana e seus similares, porém foi uma fase muito forte também para o death metal americano, e ouvi muitas daquelas bandas neste primeiro momento em que buscava todo o material possível. No início me preocupava mais com a quantidade do que a qualidade.

Você se lembra como foi o seu primeiro contato com a música, como você descobriu e se apaixonou pelo rock em geral? Cite o primeiro disco e o famoso marco zero da sua coleção.

Dei-me conta de que realmente gostava de música na segunda metade dos anos oitenta, ainda durante minha infância. Meus tios (do lado materno) possuíam vários LPs, dentre eles coisas como Abba e Rod Stewart, porém o disco que primeiro me apaixonei e ouvi até quase furar foi a coletânea All the Best, do Paul McCartney. "No More Lonely Nights" está certamente entre as músicas que mais ouvi na vida. Uma curiosidade sobre esta faixa é que apenas recentemente fui descobrir que quem faz o solo é o David Gilmour! Fez todo sentido!

No entanto, a primeira banda que me apaixonei e queria realmente ter tudo, e ouvia o dia inteiro, já no início da adolescência, foi o Guns N´ Roses. Achava tudo o máximo: a postura rebelde, a grandiosidade dos shows, os vídeoclipes. Ouvia tanto que cheguei ao ponto de decorar todas, eu disse TODAS, as letras das músicas, de todos os álbuns! Podia cantarolar o Appettite for Destruction do início ao fim, sem acompanhar no encarte! E cantarolava todos os solos de guitarra também! Dessa forma, posso dizer que Appettite for Destruction é o marco zero da minha coleção, do consumo do produto música. Mas o Paul McCartney é a fagulha inicial, a descoberta do fogo.

Onde a coleção é guardada

Quantos álbuns você possui e que outros itens formam a sua coleção, além dos discos e DVDs?

Atualmente tenho em torno de 1.100 CDs. Tenho poucos DVDs e também coleciono a revista Roadie Crew. Compro mensalmente e tenho todas a partir do número 27. Gosto bastante de DVDs também, porém, pra mim, comprar DVDs significa não comprar CDs, que é um item que aprecio mais, pois tudo não dá pra comprar mesmo em virtude do valor. Mesmo assim, tenho alguns do Iron Maiden (claro!!) e alguns outros gatos pingados. Tenho também vários CDs com álbuns em MP3, uns 500 álbuns aproximadamente. Porém, quando baixo algo que gosto muito, se achar o CD original, compro.

De que grupos você possui mais material?

Tenho bastante material do Iron Maiden, Black Sabbath, Judas Priest, Deep Purple e Queen. Cito estas bandas, pois são grupos com uma discografia (oficial) já extensa e possuo quase todos os álbuns desses grupos. Tenho também todos os álbuns oficiais de bandas como Savatage, Slayer e Testament, porém no total não são tantos discos assim. Tenho também muito de Whitesnake, Yngwie Malmsteen, Uriah Heep e várias outras.

O início de tudo

Digibook do Primal Fear

Você possui todas as versões de um mesmo disco ou se contenta apenas com uma? Se for só uma, qual versão você escolhe?


Neste item sou diferente de vários colecionadores. Não sou fascinado por versões. Talvez inconscientemente, pelo fato de o dinheiro destinado pra esse fim ser bastante limitado, então prefiro adquirir um álbum regular ao invés de um single com poucas músicas, e quase sempre repetidas. Mais de uma versão do mesmo álbum então, nem pensar! A preferência é pelas versões nacionais (que são mais baratas), e que ultimamente estão bem caprichadas também, com faixas-bônus exclusivas e tudo mais.

Acho legal quem se interessa por muitas versões, isso faz parte da fantasia de nós, colecionadores. Vi aqui mesmo na Collector´s um camarada colecionador de Iron Maiden que tinha onze (!!!) versões diferentes do álbum Fear of the Dark, entre outros títulos. Quando perguntado sobre se ainda lhe faltava algum item, ou algo parecido, ele disse que estava a procura da versão mexicana (?!?!?!) do single "Lord of the Flies". Aquilo me fez perceber que eu sou uma pessoa normal!! (risos)

Qual item você considera o mais valioso da sua coleção?

Tenho estima por tudo, é difícil pontuar apenas um. Porém, possuo um box japonês com todos os singles do Maiden nos anos 80 (o The First Ten Years, bem famoso. ..). Comprei de um amigo por um valor inacreditavelmente baixo (ele tinha consciência disso, mas estava querendo se desfazer mesmo), e em ótimo estado! Este até eu mesmo evito ficar manuseando pra não estragar ou marcar a caixa!!

Vale aqui uma explicação: citei a pouco que não sou consumidor de singles, porém trata-se de um item muito bonito de minha banda preferida e adquirido numa condição excepcional. E o mais importante: nos 80´s os singles do Maiden eram recheados de material interessante, como versões ao vivo inéditas, covers (a versão de "Massacre" do Thin Lizzy, no single de "The Evil That Men Do", supera a original!!) e músicas inéditas (os singles dos dois primeiros álbuns têm várias músicas que não saíram nos discos, mas o melhor mesmo é o single de "Wasted Years". Adrian Smith cantando "Reach Out" emociona!).

Qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?

Certa vez estive em Goiânia e aproveitei para visitar uns sebos. Acabei num mesmo dia comprando 27 CDs (!!!). O bom dos sebos é que você pode encontrar aquele item ultra-mega-difícil-raro de conseguir, empoeirado num canto e por um preço bacana. Nessa viagem que citei encontrei uma edição remasterizada com "trocentos" bônus do Night of the Blade, do Tokyo Blade, que é um mega-clássico da New Wave of British Heavy Metal. O CD estava novinho e eu paguei uma merreca (se fosse encomendar ficaria dez vezes mais caro, no mínimo!). Por outro lado, às vezes a gente encontra umas coisas difíceis em péssimo estado, faltando partes do encarte, e isso corta o coração ... (risos).

Bons discos de todos os gêneros marcam presença na coleção

Quantos álbuns em média você compra por mês?

Ultimamente tenho comprado muito pouco, em virtude de outros projetos pessoais. Mas já houve um tempo em que devo ter atingido uma média de cinco, seis por mês (o que considero uma média razoável levando-se em conta a economia e também o preço que cobram por um CD).

Com os downloads, muita gente já não compra CDs. Isso de alguma forma serviu de desculpa para o aumento do preço dos discos nas lojas (pela queda das vendas), o que fez diminuir a circulação dos títulos. Onde moro não existem lojas especializadas e quem tem CDs dificilmente os vende, daí o movimento nos sebos também diminui. Onde quero chegar? O legal de se comprar CDs é você se deparar com "aquele" título a muito desejado, numa prateleira, nas suas mãos! Comprar pela internet é fácil e seguro, porém vasculhar as prateleiras das lojas é, na minha opinião, parte do prazer em adquirir o título. Nada substitui a satisfação de se encontrar um Tokyo Blade novinho, no susto, em meio a um monte de outros títulos corriqueiros.

Tem algum item que, só de alguém chegar perto, você já gela e morre de ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

O box do Iron Maiden é um deles, com certeza. Devo dizer, porém, que não me passa pela cabeça vender nada da minha coleção. E tenho o mesmo ciúme de tudo, igualmente.

Entre tudo o que você possui, quais foram os itens que deram mais trabalho para conseguir?

Não há nada que eu tenha procurado desesperadamente pra dizer que foi difícil achar. No meu acervo possuo de Beatles a Krisiun, de Bad Company a Cannibal Corpse, de Asia a Morbid Angel. Logo, minha lista de interesse é muita ampla. O que costumo fazer é estar sempre pesquisando sites em busca de bons negócios e também de itens que eventualmente são difíceis, porém sem nada específico em mente. Quando viajo, não perco a chance de visitar um sebo. Então vou comprando à medida que encontro, sem obsessão por um título ou outro. Esse é o modus operandi.

Mas posso citar alguns casos de aflição: certa vez estava adquirindo uns títulos thrash da Combat que saíram nacionais (Forbidden, Dark Angel) e deixei por último o Fabulous Disaster, do Exodus. Quando finalmente tive o impulso de adquirir este, fui atrás e já havia se esgotado. Pesquisei em quase todas as lojas da Galeria do Rock que vendiam pelo correio e nada. Fiquei louco! Quase paguei uma pequena fortuna no importado de tão frustrado que fiquei, mas acabei me conformando. Recentemente este Exodus voltou ao catálogo. Comprei imediatamente, claro!!

Vivi situação parecida com o Live After Death, do Iron Maiden. Queria a versão dupla, que contém o lado quatro do vinil, porém quando finalmente fui atrás, sumiu! O vendedor da loja (que era meu amigo) quando me via entrando já advertia: "Calma, ainda não chegou, mas eu vou continuar pedindo". Isso sem eu dizer uma palavra!! Posteriormente voltou a aparecer e aí não perdoei!

O único CD que perdi a paciência em esperar uma boa oportunidade para adquirir foi o Rage For Order, do Queensryche. Porém, não foi difícil encontrar, apenas “salgado”.

Os discos convivem em perfeita harmonia

Qual é o CD mais estranho da sua coleção?


Acho que não possuo este item. Algumas pessoas às vezes acham estranho um cara "metaleiro" como eu ter CDs do Richard Marx e Michael Bolton, que são artistas essencialmente pop. Porém, no fim não acho nada demais, porque são artistas que estão sempre cercados de grandes músicos e produzem boa música. No fim, minha percepção destes artistas não fica tão distante, por exemplo, de um Journey (outra banda que eu adoro), de um Asia, Survivor, que são bandas respeitadas no âmbito do rock. Tudo bem, se compararmos com o Assassin ou o Kataklysm, aí fica bem distante (risos).

A sua coleção tem um limite? Você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Definitivamente não existe este ponto. Não somente pra mim, mas pra todo colecionador. Particularmente estou sempre tendo contato com coisas diferentes e, não raro, passo a me interessar por coisas que inicialmente não gostei. Então nunca há um limite. Além do mais Ricardo, se pensarmos na hipótese (absurda) de que, a partir desse exato momento, não haverá mais bandas, nem novos lançamentos de nada dentro do mundo do rock, ainda assim haveria uma infinidade de boas bandas e álbuns para se adquirir. Ouço música diariamente desde 1991. A partir de 1993, comecei a pesquisar, ir atrás de tudo mesmo. Posso dizer portanto que, pelo meu perfil e tempo de janela, conheço muita coisa. No entanto, até hoje me deparo com álbuns fantásticos lançados em 1985, por exemplo, de bandas que sequer sabia que um dia existiram! É impossível estabelecer um limite baseado na idéia de que já se adquiriu tudo. O acervo é virtualmente infinito.

Já parou para pensar com quem os seus discos ficarão quando você estiver mais velho? Quem será o herdeiro da sua coleção no seu futuro?

Confesso que não. Não tenho filhos ainda, e quando vierem não pretendo influenciar também. Paixão por arte, seja música, pintura, cinema, é algo que precisa despertar espontaneamente para ser verdadeira e sólida. Além do mais, o rock me dá energia suficiente pra viver mais uns 150 anos, assim ainda tenho muito tempo pra pensar nisso(risos).

Alguns clássicos da NWOBHM

Como sua família lida com essa quantidade de CDs?


Tenho uma família incrível, que me apóia e, principalmente, me respeita em tudo. Com a coleção não é diferente.

Você possui algum acervo de bootlegs? O que acha disso? Quais bootlegs de sua coleção você destacaria?

Não possuo bootlegs. Sei da existência de alguns muito legais, mas meu raciocínio com estes itens é parecido com minha idéia sobre os singles. Bootlegs são sempre caríssimos e quase sempre com qualidade discutível. Por curiosidade, já adquiri alguns bootlegs em DVD, entre eles um do Iron Maiden (um show da Somewhere on Tour ´86) e um show do Judas Priest na tour do Painkiller, mas parei por aí. Por sinal, adquiri estes com o Johnny Z, que mais tarde fui ver aqui na Collector´s Room e que atualmente é colaborador da Roadie Crew.

Sabemos que todo colecionador tem as suas manias. Alguns mais, outros menos, mas todos têm as suas. Como você guarda e conserva os seus CDs?

Fiz uma estante exclusivamente pra guardar os CDs e revistas. Eu mesmo desenhei e planejei as medidas. Guardo os CDs observando o estilo das bandas e a ligação que uma pode ou não possuir com a outra. Por exemplo, os álbuns solo do David Lee Roth estão juntos aos do Van Halen, os do Running Wild estão na sequência dos do Grave Digger e Rage, e assim por diante. Os álbuns da mesma banda são ordenados cronologicamente. De tempos em tempos procuro limpar pra evitar acúmulo de poeira e evitar assim a depreciação. Mas tudo sem muita paranóia.

Você empresta os seus discos ou emprestar é um verbo inconcebível com um colecionador?

Só empresto para um amigo que tem o mesmo cuidado que eu tenho, pois também possui bastante material. Para outras pessoas não empresto, pois já tive experiências bastante desagradáveis. Pode parecer chatice, mas existem alguns itens que são insubstituíveis. Coisas que já estão fora de catálogo a anos. Se estragar na sua mão já é complicado, imagina estragar na mão de um terceiro. Logo, não tenho nenhum constrangimento em negar. Se quiser ouvir, gravar, tudo bem, a gente marca aquela cervejinha em casa e curte, mas pedir emprestado é chamar pra briga!! A conjugação desse verbo é a seguinte: eu não empresto, tu não levas! (risos)

Os itens preferidos da coleção

Eu gostaria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

Difícil, mas vamos lá. Vou citar, porém não necessariamente identificando ordem de preferência:

- The First Ten Years (box japonês de singles do Iron Maiden);
- Live Shit: Binge and Purge (box do Metallica, com 3 CDs e 2 DVDs);
- Primal Fear - Jaws of Death (digibook europeu, muito bonito);
- Candlemass - Chapter VI (CD)
- Satan - Court in the Act (CD)

Sobre estes dois CDs, explico a minha admiração. Toda vez que penso em itens raros na minha coleção, lembro desses dois de imediato. Ambos são fantásticos! O Satan até já vi pra vender em algumas lojas virtuais, até por ser um item cult, porém é sempre caro. Quando digo caro, pense bastante caro! Esse Candlemass (outra banda que adoro) é um título bastante obscuro na discografia da banda, mas é tão maravilhoso quanto os clássicos. Esse eu nunca vi em lugar nenhum, nem site, nem loja física, nem pra download! E em ambos os casos (Satan e Candlemass) adquiri de pessoas que estavam se desfazendo de seus acervos, logo paguei uma babinha!!!! Não posso reclamar, sempre tive alguma sorte nestes casos.

Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Essa é aquela lista impossível de se fazer, porém mesmo assim fazemos e adoramos! Poderia fazer uma lista com dez títulos em cada subgênero que aprecio, ou uma única com uns oitenta (!) títulos, mas ok, os dez melhores de todos os tempos dessa semana pra mim são (não vou citar nenhum do Iron Maiden, porque senão teria de citar pelo menos uns seis só deles):

Savatage – Gutter Ballet
Whitesnake – 1987
Metallica – Ride the Lightning
Forbidden – Forbidden Evil
Black Sabbath – Heaven and Hell
Rainbow – Rising
Dream Theater – Images and Words
Journey – Trial by Fire
Europe – Prisoners in Paradise
Ozzy Osbourne – The Ultimate Sin

Que banda não te desce de jeito nenhum?

Iced Earth. Não sei a razão. É uma banda muito "metal", as capas dos discos são lindas, o visual da banda é legal, tudo apontaria pra que eu fosse fã. Mas eu detesto. Até tenho um CD, o Framing Armageddon, que adquiri pra dar uma nova chance a mim mesmo, mas falhou. Acho Jon Schaeffer um guitarrista muito meia-boca, repetitivo. Não me transmite nada.

Vou dizer uma coisa agora que vai chocar muita gente, mas posso citar um sentimento parecido com relação a um músico: Zakk Wylde. O cara é um puta guitarrista tecnicamente, presença de palco avassaladora, toca com a lenda Ozzy, e toca muito. Porém não consigo gostar dele. Aliás, acho um saco. Aqueles harmônicos a cada cinco segundos me dão nos nervos! E acho o timbre da guitarra dele totalmente artificial, "emborrachado". Sei que não é uma explicação muito lógica, mas enfim ... Acho que depois dessa, vou ter que andar na rua escoltado (risos).

O que você está ouvindo ultimamente e recomendaria aos nossos leitores?

Dois álbuns que estão competindo ultimamente no meu aparelho de som são o Beyond the Crimson Horizon, do Solitude Aeturnus - pra mim o true metal de fato: pesado, direto, tradicional e empolgante. E o segundo é o álbum V, da banda dinamarquesa de hard rock Fate. Essa banda foi formada pelo à época ex-guitarrista do Mercyful Fate, Hank Sherman, em meados dos 80´s. Este disco, porém, não conta com Sherman e foi lançado em 2006, uma espécie de comeback, pois não gravavam a muito tempo. É maravilhoso e o vocalista é incrível, com um timbre bem peculiar e muita potência, sobretudo para uma banda de hard rock.

Qual item que você tem apenas para completar a coleção?

A resposta óbvia pra essa pergunta todos já sabem: Virtual XI, do Iron Maiden. Uma pena realmente. Tem boas músicas, mas Blaze Bayley arruinou o disco. Harris e Murray não estavam inspirados e Janick Gers, bem ... ele é só Janick Gers. Mas tudo bem, toda grande banda já lançou uma granada, vide o Judas Priest com Demolition, o Queensryche com Hear in the Now Frontier, o Metallica com St Anger e por aí vai.

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Isso precisaria ser bem planejado. Começaria com Asia e Journey, pra não assustar muito, depois um Rainbow e em seguida Iron Maiden - ou seja, bastante melodia, mas com muita pegada -, e talvez fecharia este ciclo com um Metallica da fase Black Album. A partir daí, essa pessoa teria substância suficiente pra caminhar sozinha e poderia definir seu interesse por outras bandas e estilos.

Alguns clássicos obrigatórios

O rock já está aí há mais de cinquenta anos, e passou por diversas fases nestes anos todos. Sendo assim, eu gostaria que você indicasse aos nossos leitores os álbuns que você recomenda das décadas de sessenta até hoje.


Da década de sessenta conheço pouco. Mas a partir da década de setenta vou citar dez!! Vou descontar a listinha agora! Vamos lá:

60´s:
Led Zeppelin – I
The Jimi Hendrix Experience – Axis: Bold As Love
The Beatles – qualquer um

70´s:
Rainbow – Rising
AC/DC – Highway to Hell
Black Sabbath – Vol 4
Deep Purple – Burn
Boston – Don´t Look Back
Led Zeppelin – Physical Graffiti
Thin Lizzy – Fighting
Uriah Heep – Return to Fantasy
Van Halen – Van Halen
Queen – News of the World

80´s:
Iron Maiden – Powerslave
Uriah Heep – Abominog
Judas Priest – Defenders of the Faith
Accept – Metal Heart
Candlemass – Nightfall
King Diamond - Abigail
Metallica – Master of Puppets
Def Leppard – Pyromania
Journey – Frontiers
Metal Church – The Dark

90´s:
Black Sabbath – Dehumanizer
Angra – Angels Cry
Dream Theater – Images and Words
Blind Guardian – Somewhere Far Beyond
Death – Symbolic
Megadeth – Rust in Peace
Mr. Big – Lean Into It
Testament – Low
Saxon – Metalhead
Yngwie Malmsteen – The Seventh Sign

00´s:
Symphony X – Odissey
Candlemass – Candlemass
Exodus – Tempo of the Damned
Nevermore – Dead Heart in a Dead World
Saxon – The Inner Sanctum
Slayer – Christ Illusion
Allen / Lande – The Battle
Fate – V
Gotthard – Lipservice
Kamelot – The Black Halo

Nestes anos todos esta paixão pela música certamente propiciou a você diversas experiências interessantes e curiosas. Quais foram as mais divertidas e quais foram os momentos mais inesquecíveis?

Certa vez entrei num sebo onde o cara que trabalhava lá também era fã de metal (imagina você concorrendo pra pegar os títulos que chegam na loja com o cara que os recebe). Ele não havia trabalhado de manhã e chegou à loja praticamente junto comigo. Começamos a conversar enquanto eu passava os CDs na prateleira. De repente me deparei com o Love is for Suckers do Twisted Sister, me assustei e ele também! Como uma bala eu peguei o CD e ele se atirou na minha mão pra tentar me tomar! Foi uma cena ridícula, nós dois quase aos tapas pra ver quem ficava com o CD! Quase derrubamos a prateleira inteira no chão! (risos). No fim, fiquei com o CD, afinal achei primeiro.

Mas as melhores experiências com certeza estão nas amizades que fiz por meio da música. E é engraçado notar hoje em dia como a quinze anos atrás éramos radicais e limitados para analisar música. Atualmente ouço e gosto de coisas que naquele tempo jamais sonharia que um dia poderia gostar. Nada como o tempo pra abrir a mente.

O momento mais marcante nesta trajetória foi ver o Iron Maiden ao vivo em 2004. Ver aqueles caras 15 metros a minha frente me fez viajar no tempo e lembrar das fotos do encarte do Live After Death. Sequer parecia real! Realizei um sonho naquele dia.

Alguns itens bem interessantes da coleção

Algumas perguntas rápidas: Beatles ou Stones?

Beatles.

Deep Purple ou Rainbow?

Rainbow.

Led Zeppelin ou Black Sabbath?

Black Sabbath.

Iron Maiden ou AC/DC?

Iron Maiden.

Show ou CD?

Essa é difícil, mas acho que um CD.

Mais uma vez muito obrigado por ter participado da Collector´s Room e parabéns pela sua coleção.

Novamente muito obrigado pela oportunidade, Ricardo. Parabéns pelo trabalho. Minha coleção é acima de tudo equilibrada. Busco itens que tenham sido representativos na história do rock, mas acima de tudo coisas que realmente vou ouvir. Não possuo nada que olho e ignoro. Claro que a quantidade nos faz ficar alguns anos sem ouvir certos títulos, porém existem dias em que apenas aquele CD vai te satisfazer. Espero que os leitores apreciem a entrevista e possam talvez se identificar com o meu perfil e a minha história. Um forte abraço a todos e keep on rockin´!!!


9 de set de 2009

Beatles, a prova dos nove

quarta-feira, setembro 09, 2009

Por Luís Bissigo
Jornalista

Conseguirão os Beatles repetir neste 09 de setembro de 2009 o que fizeram tantas vezes na década de 1960: parar o mundo pop ao lançar um novo produto?

Serão na verdade dois novos itens a atiçar ouvidos - e esvaziar bolsos - dos fãs. A coleção completa dos álbuns da banda em versão remasterizada e o jogo Rock Band, dedicado ao repertório do quarteto, chegam oficialmente às lojas no dia de hoje.

O 09/09/09 em que os Beatles voltam às prateleiras e às manchetes foi anunciado ainda no primeiro semestre, a tempo de fazer fermentar a expectativa de antigos e novos admiradores. Poderá vir a gerar uma nova onde de Beatlemania, como ocorreu nos últimos 14 anos, em diferentes graus, com lançamentos como a série Anthology (1995 e 1996), a coletânea 1 (2000) e o álbum de remixes e colagens Love (2006) - além de filmes como I Am Sam (Uma Lição de Amor no Brasil - 2001) e Across the Universe (2007), nos quais a trilha sonora Beatle tem papel decisivo.

Um termômetro é o site de vendas da Amazon, no qual as caixas com a obra de banda remasterizada tiveram a pré-venda esgotada na semana passada - a página não informa o número de itens vendidos, apenas que se tratava de uma edição limitada e que haverá mais caixas à venda em breve.

Amostras de áudio disponíveis na própria loja virtual ajudam a explicar. As novas edições dos discos de estúdio do grupo realmente têm som mais limpo, mais claro e mais alto que o dos CDs dos Beatles disponíveis no mercado, feitos ainda com tecnologia de 1987. Não que os novos fonogramas cheguem ao ponto de dar ao ouvinte a sensação de estar dentro da sala de gravação, ouvindo as reverberações dos alto-falantes e ds tambores, mas trazem o som dos Beatles para bem mais perto dos padrões de áudio do século 21.

Para fãs trintões - ou sessentões - que já passaram por LPs pipocados e fitas-cassete abafadas, nas quais o som correspondia a uma imagem distante vista por uma luneta invertida, a experiência promete ser, no mínimo, emocionante. Entre os adolescentes de ouvidos já educados em linguagem MP3, a vantagem poderá ser menor - pelo menos, não terão que aumentar o volume quando o player selecionar uma faixa Beatle logo depois de um McFly ou um Kaiser Chiefs.


Para os mais jovens, o impacto maior da nova onda Beatle deverá ser causado pelo jogo Rock Band, dedicado exclusivamente ao quarteto. Será a porta virtual para quem quiser entrar na história dos Beatles e brincar de guitarrista, baixista, baterista e até cantor - uma das inovações do game é a possibilidade de interpretar as harmonias das canções originais. Para os mais dedicados, haverá até controles em forma de instrumentos idênticos aos que os Fab Four usavam nos anos 60.

Tudo isso certamente fará sucesso, mas provavelmente sem o mesmo impacto comercial e cultural dos tempos em que John Lennon (1940-1980), Paul McCartney, George Harrison (1943-2001) e Ringo Starr se tornaram, juntos, a maior banda da história do rock. Passados 39 anos do fim dos Beatles, já quase não há artistas de alcance tão global, e comprar discos já não é a única maneira de se consumir música. Mas, mais uma vez, a tecnologia vai ajudar a trazer à tona o que realmente importa nessa história: a beleza das melodias, a singeleza dos vocais, a inventividade dos arranjos e a maestria das composições daqueles quatro caras de Liverpool. E nisso eles permanecem insuperáveis.


Porque 09/09/09?

O dia escolhido para o lançamento é uma aposta no caráter místico da data e uma provável referência aos versos de "Revolution 9", faixa do White Album, de 1968.

Por que remasterizar?

A restauração digital do som das fitas originais é o grande trunfo da nova edição dos álbuns dos Beatles. O áudio foi processado por meio do programa Pro Tools, eliminando eventuais estalos, chiados e ruídos de edição. Seria um passo adiante em relação aos CDs anteriores, produzidos com tecnologia do final dos anos 1980. O engenheiro de áudio Marcos Abreu explica: "A diferença será bem clara em termos de graves e agudos, mas sem exageros. Esse processo torna mais claro e mais limpo o som dos instrumentos".

Segundo a gravadora EMI, o processo de remasterização dos álbuns levou quatro anos. Uma das partes mais demoradas do trabalho, por exemplo, foi transferir o conteúdo das fitas analógicas para o meio digital. Depois de reproduzida cada faixa, o equipamento era limpo para remover eventuais resíduos de poeira deixados pela fita durante a execução. Tudo isso foi feito no lendário estúdio Abbey Road, em Londres.

Alguns LPs dos Beatles foram lançados em mono, ou seja, com o áudio distribuído em um canal único. Outros, só em estéreo, com o som espalhado em dois ou mais canais. A maioria, no entanto, saiu nas duas opções. Para contemplar tudo isso na nova edição em CD, uma caixa vai reunir versões em mono dos discos anteriores a Yellow Submarine.

Há quem diga que os álbuns iniciais soam melhores em mono, e outros preferem esse formato por considerá-lo mais fiel à sonoridade original do quarteto. Também há quem goste dos efeitos proporcionados pelo estéreo - na música "Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band", por exemplo, a voz começa no canal direito e, no refrão, surge no esquerdo.

No livro Antologia, Ringo faz piada sobre o dilema mono/estéreo: "George Martin ficou surdo de um ouvido, agora ele só trabalha em mono".

O pacotão de 09/09/09 certamente não será o último. Ainda não há, por exemplo, uma data definida para as músicas da banda serem lançadas oficialmente no mercado virtual. Marcos Abreu aponta que ainda estão por vir outras ondas tecbológicas, como o SACD - Super Audio CD, ou mesmo em pen drives ou cartões de memória.

Será inevitável que os CDs novos sejam convertidos em MP3 para abastecer iPods e celulares. O volume dos novos arquivos deverá ser mais alto que o dos atuais, normalmente mais baixo que o de discos produzidos nos dias de hoje. Mas muito do som pode se perder. "O MP3 perde conteúdo harmônico. Um arquivo de MP3 tem quase 90% menos dados do que o arquivo do CD normal, é um som oco", explica Abreu.

O jogo


Muitos reivindicaram, ao longo dos anos, o título de Quinto Beatle. Agora, todos poderão ser os quatro Beatles - ao menos na tela da TV ou do computador, jogando The Beatles: Rock Band. O game terá 45 músicas da banda, entre elas "Hello Goodbye", "Helter Skelter" e "Here Comes the Sun".

Como na versão normal do Rock Band, o desafio do jogo é acompanhar com precisão as linhas de baixo, guitarra e bateria para somar pontos e avançar na carreira. Neste caso, o jogador se propõe a passar do porão do Cavern Club para os holofotes do Ed Sullivan Show e para o topo do prédio da Apple - para citar três cenários importantes da história Beatle reproduzidos com fidelidade na tela.


Uma novidade do beatlegame é a chance de reproduzir as belas harmonias vocais dos Beatles por meio de microfones. O fetiche são os controles em forma de instrumentos - a bateria Ludwig de Ringo, o baixo Hofner em forma de violino de Paul, a guitarra Gretsch de George e a Rickenbacker de John. O disco Abbey Road em breve será disponibilizado para o jogo via download.

Dois herdeiros do clã Beatle foram decisivos para a concretização do game. Fã de Guitar Hero, Dhani Harrison, filho de George, foi quem deu a idéia para a MTV Music Group, dona da Harmonix, empresa que desenvolveu o Rock Band original, e também ajudou a convencer outros envolvidos, como Paul, Ringo e Yoko Ono, viúva de John. Quem cuidou da parte sonora foi Giles Martin, filho do produtor George Martin, com quem produziu o álbum Love, trilha sonora do espetáculo homônimo do Cirque du Soleil.


O que chega às lojas no dia 09 de setembro de 2009?

São 14 álbuns. Cada disco (exceto o Past Masters) inclui uma faixa de vídeo com um mini documentário sobre a produção do álbum, com depoimentos dos próprios Beatles e imagens raras. Há também livretos com novos textos informativos. Preço médio de cada CD: R$ 35 (R$ 50 os duplos).

A coleção também está à venda em uma caixa com todos os CDs e um DVD reunindo os mini documentários. O preço médio no Brasil será de R$ 800 (a caixa é importada), com chegada prevista para o dia 02 de outubro. Há ainda uma caixa com edições em mono dos discos anteriores a Yellow Submarine. O preço médio é de R$ 950 e a caixa deve chegar ao Brasil simultaneamente à em estéreo.

Já o game The Beatles: Rock Band está disponível para XBox 360, PlayStation 3 e Nintendo Wii. O jogo custa em média R$ 250 nas lojas brasileiras e US$ 60 no site da Amazon, excluindo impostos e taxas. Pacotes de R$ 2 mil (US$ 250 na Amazon) incluem bateria, baixo e microfone para jogar. As guitarras são compradas separadamente, a R$ 800 (US$ 100) cada.


E tem mais vindo por aí

Na onda Beatle, livros e jogos de tabuleiro estão à venda:

The Beatles: Gravações Comentadas e Discografia Completa - Livro da Larousse em formaro de CD (496 páginas, R$ 60), conta tudo sobre os álbuns da banda;

The Beatles: A História por Trás de Todas as Canções - A obra do jornalista inglês Steve Turner disseca a origem das composições de John, Paul, George e Ringo. Lançamento previsto para novembro, pela editora CosacNaify;

Monopoly: The Beatles - O conhecido jogo de tabuleiro (Banco Imobiliário, para nós brasileiros) ganha versão Beatle na qual a ordem é comprar e vender discos. Ainda sem previsão de chegada ao Brasil.

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