25/09/2009

Podcast Collector´s Room #019: A História do Hard Rock e do Heavy Metal - Parte II


Por Ricardo Seelig
Colecionador

No ar o segundo programa da série sobre a história do hard rock e do heavy metal. Aqui você vai perceber como as guitarras ficaram mais pesadas e os riffs mais importantes na concepção do som pesado da virada dos anos 60 para os 70.

Nessa edição rolaram sons do Black Sabbath, Led Zeppelin, Lucifer´s Friend, Steppenwolf, Humble Pie, James Gang, Trapeze e Buffalo.


E não esqueça de deixar o seu comentário e opinião sobre o programa, porque eles são muito importantes.

Então aumente o volume e venha nessa viagem pelo tempo com a gente!



Meu novo blog


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Estou com um novo blog. Nele, não falarei sobre música. Ele será usado para saciar a minha necessidade de escrever. Provavelmente terá muita coisa de cultura pop, assim como exercícios textuais.

Enfim, se você ficou interessado, acesse, coloque em seus favoritos e confira todos os dias:

http://ricardoseelig.blogspot.com/



Colecionadores de discos e de calcinhas


Por Cláudio Vigo
Arquiteto e Colecionador
Whiplash!

A distância entre um colecionador de discos e um tarado colecionador de calcinhas é muito menor do que possamos imaginar. Nos dois casos o que importa é o objeto, o fetiche, ficando o contemplado, tanto a mulher quanto a música, em segundíssimo plano, só interessando a aquisição de uma nova presa, que será venerada por alguns minutos até instigar a eterna sede para o próximo alvo. Parece maldição de filme de vampiro; o sujeito na verdade vive insatisfeito e macambúzio porque não é proprietário de todos os discos (ou calcinhas) do mundo. Uma verdadeira maldição. Não existe diferença entre colecionar discos de rock, estampilhas de Eucalol, selos ou revistas pornográficas.

Se o ato de colecionar passa a ser mais importante que o usufruto daquele objeto, o perigo de se tornar um devasso do acúmulo é iminente. Eu já passei perto disto (não, caros amigos, não eram calcinhas que eu colecionava) e consegui escapar através de uma auto imposta quarentena regeneradora que me levou a desprezar a compulsão por aquele disco de progressivo sueco, aquele pirata da infância do Johnny Winter e outras bizarrices que tinham graça porque ninguém tinha ou conhecia e me davam um orgulho desmedido em apresentar a patuléia ignara como se fossem pérolas atiradas.

No meio de tudo isto eu tinha um disco piratão em que estavam o já citado Winter com Hendrix e Jim Morrison (cantando numa bebedeira total) que era tenebrosamente tocado e gravado, mas que eu insistia em colocar pra todo e qualquer visitante como se fosse mulher barbada de circo de cavalinhos. Todo mundo fazia "oh!" e eu me enchia de orgulho.

Os debates e as disputas com meus pares eram acirradíssimos. Falávamos muito mais de discos raros do que da música propriamente dita, e certa vez fui terrivelmente desafiado dentro de minha casa quando um filhote de vampiro destes afirmou conhecer todos aqueles grupos finlandeses, russos, tchecos e argentinos dos anos 60 que eu lhe mostrava como se fossem troféus de honra ao mérito do Lions Clube. Mas percebendo ser impossível que ele conhecesse tais petiscos raros, inventei descaradamente um grupo imaginário inglês com discografia pirata e tudo mais e quando percebi que havia mordido a isca o desmascarei sem dó nem piedade. Foi constrangedor ver o embusteiro se retirar com o rabo entre as pernas enquanto eu sapateava em seu orgulho com um sorriso beatífico e alucinado. Uma coisa impressionante!

Quando percebi o rumo obsessivo que as coisas estavam tomando resolvi dar um tempo e fazer a promessa de ouvir um disco de cada vez, dar preferência aos clássicos e esquecer as pirotecnias raras. Podem acreditar, isto me fez um bem enorme, mas de vez em quando tenho lá minha recaída e fico procurando um disco loucamente até conseguir, custe o que custar.

Foi assim com um grupo que eu adoro, mas bem pouco conhecido por aqui. Trata-se do Sparks, maravilhoso banda de glam rock dos 70 que é uma dificuldade para conseguir qualquer coisa mesmo em importadoras (só encomendando), e que tenho ouvido direto desde a recente aquisição. Formado em 1971 pelos irmãos Rom & Russel Mael, o Sparks tinha uma sonoridade com ecos de vaudeville, umas guitarras à la T. Rex e umas vocalizações hilárias que ensandeciam as platéias. O visual era alopradérrimo. Enquanto um integrante fazia a linha "andrógino flamboyant", o outro tocava de farda com um bigodito nazista e o couro comia em discos como "Kimono My House", "Propaganda" e "Indiscret". Imperdível para quem gosta de Marc Bolan, Bowie, Roxy Music e outras coisas semelhantes. Coloquem para ouvir "Propaganda" e "At Home, At Work, At Play" e depois me contem.

Outra raridade histórica que tenho procurado obsessivamente sem sucesso é uma banda também setentista chamada Back Door, uma espécie de Morphine pré-histórica. Eram também um trio de baixo, sax e bateria, só que tocavam um blues-jazz-rock de primeiríssima e tinham no baixo do genial Colin Hodgkinson, que solava como guitarrista, sua principal atração.

Ando obcecado pelo tema e quem puder ajudar agradeço. Mas em todo caso, devo confessar: estou quase curado e já consigo passar por uma loja de CDs sem entrar, simulando uma indiferença próxima do tarado na porta do showroom da DuLoren.


Paul Desmond e o jazz milionário


Por Roberto Muggiati
Jornalista, Crítico Musical e Escritor

No seu estilo pedante, a crítica de jazz cita 1959 como um
annus mirabilis, um ano premiado. Nele foram gravados os álbuns Kind of Blue e Sketches of Spain, de Miles Davis; Mingus Ah Um, de Charles Mingus; e Time Out, de Dave Brubeck. Todos numa antiga igreja armênia da Rua 30, em Nova York, convertida em estúdio pela Columbia.

Uma faixa do álbum de Brubeck, "Take Five", logo fascinou a todos por sua ginga hipnótica e pelo uso arrojado do tempo 5/4. Lançada em single, se tornaria, em 1961, o primeiro disco de jazz a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas. Embora Brubeck fosse o cérebro do quarteto e sua autêntica máquina-de-compor, o sucesso veio de onde menos se esperava: de Paul Desmond, o saxofonista improvisador, basicamente um intérprete de material alheio.

O autor da façanha era branco e franzino, com óculos de intelectual, e parecia tudo menos um músico de jazz. Pior ainda, teve a infelicidade de tocar sax alto, quando o rei do instrumento era Charlie Parker, que todo mundo tentava igualar e não conseguia. O nome também não era nada jazzístico: Paul Emil Breitenfeld, filho de judeu e irlandesa. Mas herdou o DNA musical do pai, organista que tocava em teatro de variedades e cinemas, na época dos filmes mudos.

Paul escolheu o sobrenome artístico de Desmond folheando ao acaso uma lista telefônica. Conheceu o pianista Dave Brubeck numa banda militar em 1944 na Europa. Depois da guerra, formaram um pequeno grupo. Com seu humor típico, Desmond lembra: "Eu ainda guinchava a palheta do sax a maior parte do tempo nos agudos e Dave parecia tocar Bartók com a mão direita e Milhaud com a esquerda. Juntos podíamos esvaziar qualquer clube noturno em poucos minutos sem que ninguém tivesse gritado ‘incêndio!’".

Paul Desmond ficou 17 anos no quarteto de Dave Brubeck e escreveu um livro sobre a experiência, How Many of You Are There in the Quartet?, referindo-se à pergunta que invariavelmente as aeromoças faziam: "E quantos são vocês no quarteto?". Certa vez, um crítico de jazz chato (99% o são) perguntou a Paul onde se encaixava, entre a abordagem vertical, ou harmônica, e a abordagem horizontal, ou melódica. Ele respondeu: "Pode me colocar na abordagem diagonal".

Seu humor sutil traía a vocação de escritor, que era o que desejava ser. Tempos depois, frequentando o Elaine’s — QG da
Intelligentsia nova-iorquina — descobriu que todos os grandes escritores sonhavam ser músicos de jazz, entre eles Woody Allen, que tocava uma razoável clarineta Dixieland. Com a ironia costumeira, Desmond dizia que a inspiração de "Take Five" veio de um caça-níquel num cassino de Reno: "O ritmo da máquina me sugeriu o tema e, além do mais, eu precisava dar um jeito de recuperar o dinheiro perdido naquele caça-níquel". Às vezes, Paul oferecia outra explicação para "Take Five". Fumante compulsivo, dizia que concebeu o tema para que, durante o longo solo de bateria de Joe Morello, tivesse tempo de dar umas tragadas.

Steve Race, nas notas de capa do LP original, disseca "Take Five": "Cônscio de quão facilmente o ouvinte pode perder o pé num ritmo quíntuplo, Dave toca uma vamp (figura rítmica e harmônica constante) ao longo dos 5m26s, mantendo-a até mesmo durante o solo de bateria de Joe Morello. É interessante notar como Morello se livra gradualmente da rigidez da pulsação 5/4, criando contrafiguras intricadas e frequentemente inesperadas sobre a figura repetitiva do piano. E, contrário a qualquer expectativa normal — talvez até mesmo do próprio compositor — ‘Take Five’ realmente suinga".


O álbum Time Out quase não foi lançado. Chegou às lojas contra a vontade de todos os executivos da Columbia, menos um: o manda-chuva Goddard Lieberson, presidente da companhia. Dave Brubeck relembra: "Quebrei três leis da Columbia. Todas as sete faixas eram composições originais, quando a gravadora gostava de entremear com standards. Queriam também músicas que fizessem as pessoas dançar e eu lhes dei todos aqueles compassos esquisitos. Botaram um pintura na capa do LP, coisa que nunca se fazia com um disco de jazz. Obviamente, a companhia não queria lançar o álbum".

Surpreendentemente, os fãs estavam mais preparados para os compassos extravagantes de Brubeck do que os executivos da indústria fonográfica e não só compraram o álbum, como dançaram ao som dele. Como intérprete, Paul Desmond foi um saxofonista cool por excelência. Avesso aos ruídos fisiológicos subjacentes ao instrumento (arquejos, guinchos e sussurros de palhetas, percussão de teclas), sempre tocou longe do microfone, emitindo um som limpo e cristalino. Definia seu som inconfundível com um gracejo: "
Eu sempre quis soar como um martini seco".

"Take Five" foi tocada muitas vezes pelo quarteto e dezenas de artistas a gravaram, da cantora sueca Monica Zetterlund em 1962 à versão póstuma de King Tubby em 2002. Em 1961, Carmen McRae gravou uma versão com letra composta por Dave e sua mulher, Iola.

Desmond morreu aos 52 anos, em 1977, de câncer do pulmão, sem descendentes. Os royalties de suas composições e interpretações foram destinados, segundo sua vontade, para a Cruz Vermelha norte-americana, que recebe cerca de cem mil dólares por ano. "Take Five" representa grande parte desta receita, e continua fazendo a rapaziada dançar ao compasso de 5/4.


Novo álbum ao vivo do Deep Purple


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Novo ao vivo do Deep Purple na área! A gravadora polonesa Metal Mind lançará no dia 19 de outubro o álbum duplo Live Enconteurs, gravado na cidade de Katowice, na Polônia, em 1996, na turnê do disco Purpendicular, que marcou a estreia do guitarrista Steve Morse (ex-Dixie Dreggs) no lugar de Ritchie Blackmore

O álbum será lançado em duas versões: a normal, em embalagem jewel case, e também em digipack, tendo como bônus a faixa "No One Came".

Confira abaixo o tracklist:

CD1
1. Fireball
2. Maybe I'm a Leo'
3. Vavoom: Ted the Mechanic
4. Pictures of Home
5. Black Night
6. Cascades: I'm Not Your Lover / Steve Morse's solo
7. Sometimes I Feel Like Screaming
8.Woman From Tokyo

CD2
1. Rosa's Cantina
2. Smoke on the Water / Jon Lord's solo
3. When a Blind Man Cries
4. Speed King
5. Perfect Strangers
6. Hey Cisco
7. Highway Star


24/09/2009

Lester Bangs: o brilho eterno de uma mente psicótica


Por Pablo Tavares
Jornalista
Os Armênios

Uma das coisas pela qual eu sou sempre criticado nos meus textos é o fato de eu não "perdoar ninguém". Sei que muita gente não gosta que eu fale mal de certas bandas ou artistas, mas azar. Sou honesto e impiedoso.

Em uma das passagens mais interessantes do filme
Quase Famosos, o personagem de Lester Bangs, vivido pelo ator Philip Seymour Hoffman, dá um conselho ao aspirante à jornalista William Miller, papel do estreante Patrick Fugit: "No nosso meio (jornalismo musical) precisa-se construir uma reputação de honesto e impiedoso". Foi essa frase que regeu toda a vida de Bangs.

Embora Lester Bangs já tenha morrido há mais de 20 anos, somente recentemente um pequeno resquício de sua obra foi lançado no Brasil.
Reações Psicóticas (Conrad, 2005) é uma complicação de artigos que Bangs escreveu para revistas como Creem, Rolling Stone e Village Voice, entre outras, nos anos 60 e 70.

Quando o rock "era mais popular que Jesus Cristo", Bangs era único. Ele praticamente criou os termos punk e heavy metal, falou mal do Jethro Tull numa época em que Ian Anderson e asseclas dominavam os EUA de leste a oeste. Bangs endeusava o grupo sueco ABBA, mas dispensava Jim Morrison e seu Doors.

Lester Bangs fazia uma linha totalmente voltada para o jornalismo gonzo, ou seja, o New Journalism de Tom Wolfe que fora violentado por Hunter Thompson, com todas as regras da vertente jornalística: textos em primeira pessoa, fatos que ficam na beira da ficção com a realidade. Afinal, Bangs, certa vez, entorpeceu-se de anfetaminas e álcool para entrevistar Lou Reed, sendo que só achincalhou com a cara do cantor do Velvet Underground. Outra vez, pegou um álbum do já citado Jethro Tull, voou para o Vietnã para falar com o presidente do país e pergunta-lo o que ele achava daquela banda tocando som vietnamita, ao que só ouviu:
"Cara, eu gosto é de jazz".


Em outra cena de
Quase Famosos Bangs dá outro conselho à William Miller: "Cara, o rock acabou. Você só vai presenciar alguns resquícios (…), por isso vá ser advogado ou algo assim". Bangs encontrou o rock, mas não o rock que o resto das pessoas encontrou. Viu nos canadenses do Guess Who uma afronta ao establishment, e nos Stooges (principalmente em Iggy Pop) o início do punk. Certa vez, perguntado sobre para onde o rock estava indo, respondeu: "Ele está sendo tomado pelos alemães e pelas máquinas", fazendo alusão ao grupo alemão Kraftwerk, banda que definiu todo o som e a estética da década de 80.

Honesto e impiedoso, Lester Bangs fez tudo o que quis, escreveu o que lhe deu na telha e é como Greil Marcus escreveu na introdução da edição norte-americana: "
Talvez o que este livro exija do leitor seja disposição em acreditar que o maior escritor norte-americano tenha escrito apenas análises de discos".

Se o rock acabou em 1973 eu não sei. Agora, por que eu, que só estou pegando o resquício dos resquícios (e não venham me dizer que essa coisa que o Franz Ferdinand e as bandas do gênero fazem é rock) deveria ser desonesto? Enquanto o lixo predominar, eu não vou me calar.

Good night and good luck!


Estreia do Chickenfoot ganha Deluxe Edition


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Um dos grandes discos de 2009 ganhará uma edição especial, para a alegria dos fãs e colecionadores.

Chickenfoot, o disco, sairá em uma Deluxe Edition no próximo dia 26 de outubro. Essa edição especial trará um CD com o ábum e um DVD com os clipes de "Soap on a Road" e "Oh Yeah", além de entrevistas, fotos de backstage e de shows do quarteto formado por Sammy Hagar, Michael Anthony, Joe Satriani e Chad Smith.

Separe a grana porque vale a pena!


23/09/2009

Raridades do Led Zeppelin


Por Bento Araújo
Colecionador e Jornalista

Tratando-se dos dois primeiros álbuns do Led Zeppelin, não faltam raridades espalhadas pelo globo. Bem-vindo a um mundo de capas diferentes, nomes de músicas trocados, acetatos exclusivos para rádios, cartuchos de oito pistas e prensagens teste, cada um deles tirando o sono dos colecionadores. As cotações são baseadas nas revistas Record Collector e Goldmine.

Prensagens Diferentes

Led Zeppelin I


O disco de prensagem inglesa mais raro do Zeppelin é o "Legendary Turquoise Sleeve", onde o nome da banda e o selo da Atlantic aparecem não na tradicional cor alaranjada, mas sim em azul turquesa. Menos de duas mil cópias foram prensadas com esse erro de tonalidade. Recentemente uma dessas cópias foi negociada no eBay por mil libras.


No Japão a estreia do grupo saiu numa luxuosa capa dupla (MT1067) pelo selo Nippon Grammophon e vale cerca de 80 libras. Em 1971 a Atlantic relançou esse elepê por lá (P10105A) com um pôster. Em 1992 nova prensagem, com um encarte extra e um obi caprichado (AMJY2000).

A capa do primeiro disco da banda também sofreu alterações em diversos países. Na Austrália e Nova Zelândia a contra-capa trazia um longo texto baseado no press release original inglês do grupo ao invés da foto do quarteto. Essa edição (SAL933232) chega a bater as 80 libras nos leilões pela net. Na África do Sul a capa saiu bem mais escura, quase marrom e com o selo mais antigo da Atlantic estampado. Na Repúplica Tcheca as letras do nome do grupo saíram em vermelho, e na Espanha uma alteração curiosa: a foto da contra-capa era diferente daquela usada no resto do mundo. Essas prensagens sempre fazem sucesso no eBay.

Led Zeppelin II


A primeira prensagem inglesa do álbum (Atlantic 588198) foi distribuída pela Polydor e listava "Livin’ Lovin’ Maid" erroneamente como "Livin’ Lovin’ Wreck", e dizia que "The Lemon Song" era uma composição do grupo. Não se sabe ao certo quantas unidades foram prensadas, mas essa edição sai de 100 libras nos leilões pela net.

Na terceira prensagem da Polydor, "The Lemon Song" vinha como "Killing Floor" e estava creditada a Chester Burnett, por exigência da gravadora de Howlin’Wolf (Burnett em pessoa), que reclamou pelos direitos originais da canção. Agora "Livin’ Lovin’ Maid" vinha com o subtítulo "She’s Just a Woman”" ao invés de apenas "She’s a Woman" da primeira edição, e no lado dois mais uma peculiaridade: os créditos de composição referente ao baixista do Led Zeppelin apareciam com o nome de John Baldwin, o nome real de John Paul Jones.

A maior raridade referente ao segundo disco do grupo no entanto se dá na prensagem turca do disco (Atlantic SD8236), com capa diferente, já que a original foi censurada no país por trazer uma sátira as forças armadas alemãs - a Turquia foi aliada da Alemanha na II Guerra, mas foi logo derrotada. No lugar da capa original foi usado um desenho psicodélico de uma pessoa segurando três garotas nuas rodeada de ovos pelo chão! Essa capa bizarra faz com que esse disco chegue na casa das 800 libras no eBay.


Na Alemanha e na Áustria, o álbum também foi lançado com uma capa diferente pela RCA (SK92508), trazendo uma foto do grupo no palco e uma bela tipografia psicodélica, além de listar "Heartbreaker" como "Heartbreakers". Vale atualmente no mínimo 100 libras.

No Brasil o álbum foi lançado em 1970, antes do primeiro disco do grupo. Saiu como capa simples e com uma contra-capa diferente: além de uma foto promocional, o lançamento brazuca contava também com um texto hilário de Nelson Motta apresentando o Zeppelin para a moçada.

Compactos de 7"

No início de 1969 foi distribuído para as rádios norte-americanas um compacto promocional (Atlantic EP 1019) exclusivo com duas faixas retiradas da estreia do quarteto: "Babe I’m Gonna Leave You" e "Dazed and Confused". O item é avaliado em cerca de 300 libras, sendo que existem versões em mono e em estéreo na praça.


Em muitos países um compacto contendo "Good Times Bad Times / Communication Breakdown" foi lançado em sete polegadas, com exceção do Reino Unido. Na Grécia, no entanto, foi lançado um compacto com "Babe I’m Gonna Leave You /How Many More Times". Na Austrália a Atlantic lançou três EPs contendo canções dos dois primeiros álbuns da banda, assim como no México. Esses EPs valem mais de 300 libras cada atualmente.

No Japão, apenas três cópias existem de um compacto com "Good Times Bad Times / Communication Breakdown" (DT1105Y400), que vinham num envelope de papel, cada uma delas valendo mais de mil libras. A versão promo com capa colorida (DT1105) vale 500 libras.


Na primavera de 1969 foi lançado na Inglaterra um promo em compacto para promover o disco de estreia, com "Communication Breakdown / Good Times Bad Times" (584269). Apenas alguns poucos DJs e jornalistas receberam o disquinho, que vale 500 libras. É sabido também que Peter Grant negava veemente qualquer lançamento do grupo em single na Inglaterra, sendo que uma versão editada de "Whole Lotta Love" foi prensada de forma precipitada pela Atlantic, mas teve de ser recolhida no último instante por ordem do temido empresário. No entanto, para desespero de Grant, 500 cópias desse compacto escaparam de um armazém em Manchester. Esse compacto pode ser considerado um dos mais raros 7" da história da música pop, fechando facilmente em 500 libras.

Não podemos nos esquecer também dos compactos japoneses "Whole Lotta Love / Thank You" e "Living Loving Maid / Bring It on Home" (200 libras cada), lançados em 1970 e com capas deslumbrantes, ambas mostrando Page e Plant em ação.


Na Itália também pintaram dois compactos: "Heartbreaker /Bring It on Home" e "Moby Dick / Gallow’s Pole", essa última já do terceiro disco do grupo.

O compacto espanhol de 1970 que ilustra este post foi inclusive um presente do amigo Víctor Bernardes, recém chegado da Espanha. O Víctor é o maior fã vivo do Led Zeppelin do Brasil. Além desse do Led ele ainda me trouxe compactos do Grand Funk, Free e uma shirt do mestre Terry Reid, show que ele assistiu por minha indicação.

Acetatos

Recentemente surgiram dois acetatos teste na África do Sul do primeiro disco do grupo. Um tinha dois lados e o carimbo "not approved" (ATC 9180) e outro somente a faixa "Black Mountain Side". Cada belezinha sai a partir de 300 libras nos leilões.

Na Inglaterra pintou um acetato de apenas um lado com "Good Times Bad Times" (584269A), prensado sob pedido de Peter Grant. Só uma cópia deste acetato existe e se ele aparecer no eBay, deve começar na casa das 500 libraa.

Na América vários acetatos e prensagens teste também foram distribuídos para rádios, jornalistas e executivos. Em algumas poucas cópias os norte-americanos escreviam o nome do grupo no selo como Led Zepplein ou Led Zeppelein. Um desses acetatos chegou a ser leiloado por três mil libras no eBay!

Promos

No final dos anos 60 era comum na América os grandes selos distribuírem às lojas discos promocionais com seus principais contratados tomando conta de um lado do LP. No começo de 1969 a Atlantic prensou um desses promos com o Led de um lado e Dusty Springfield de outro (Atlantic TLS 35). Era comum também nesses lançamentos uma voz linkar os trechos principais de cada álbum entre as faixas, algo como um slogan que serviria para alavancar as vendas no instante em que esse promo estivesse rolando nos falantes das lojas pelo país. No lado do Zeppelin essa voz dizia: "O Led Zeppelin te levará para uma viagem inesquecível". Esse item costuma ser trocado de mãos por não menos que 300 libras.

Compilações

Na metade dos anos 70 pipocaram pela Europa discos duplos sob o nome de 2 Originals Of, e um volume foi dedicado a reunir os dois primeiros álbuns do Zeppelin (ATL800005), com capa chamativa e tudo mais. Quem não gostou nada do lançamento foi Peter Grant, que mandou recolher os discos das prateleiras das lojas pela Alemanha e Ioguslávia, onde a bolacha já havia sido lançada. Quem segurou uma cópia conta hoje com pelo menos 200 libras no bolso.


Cassetes e 8-tracks

Uma das primeiras prensagens inglesas em cassete do primeiro disco chegou a sair também com as letras em azul turquesa e a ordem dos lados saiu trocada, com "Your Time is Gonna Come" abrindo o lado A. No cartucho de oito pistas, "You Shook Me" e "Dazed and Confused" saíram editadas.

Leia também: Poeira Zine #26: Led Zeppelin


22/09/2009

Minha Coleção: Ricardo Lira - "Coleção é particular; faça dela o seu mundo"


Por Daniel Sicchierolli
Colecionador

Daniel Sicchierolli bateu um papo com Ricardo Lira, colecionador e pesquisador do Iron Maiden e outros grupos, e o resultado é uma das melhores e mais completas entrevistas publicadas pela Collector´s Room nos seus quatro anos de vida.

Então, vamos deixar de papo furado e vamos ao que interessa: segure-se na cadeira e venha comigo em mais uma viagem pelo maravilhoso mundo dos discos!

(Ricardo Seelig)

Para começar muito obrigado por ter aceito o convite para participar da Collector's Room. Apresente-se aos nossos leitores, por favor.

É uma honra participar da entrevista da Collector's Room. Apesar de ter entrado há pouco tempo na comunidade devo dizer que já vi coleções ótimas por lá. Me chamo Ricardo Lira, trabalho com informática e sou escritor, compositor e colecionador nas horas vagas.

Qual é o seu estilo musical preferido e artista favorito?

Rock em geral, desde que também sejam consideradas as influências do jazz à música clássica. Artista preferido na verdade são vários. Devo destacar dois de sublime criatividade: David Bowie e Trent Reznor. Pela voz e melodia, Roy Orbison.

Quantos itens você possui no geral?

Ah não sei! Muitos! Estão espalhados pelo quarto e também pelos HDs. Infelizmente não tenho uma lista de tudo.

Quantos do Iron Maiden e quantos relacionados ao Iron Maiden?

Do Iron Maiden, contando álbuns, singles e bootlegs de turnê: 115 pastas de áudio. Dos relacionados, em torno de 182 pastas de áudio. Já cheguei a baixar quilos de bootlegs de turnês do Maiden, mas nunca sabia por onde começar a ouvir, quais tinham as melhores gravações, etc. Pra fazer isso, tive que guardar um ou dois dos melhores bootlegs e jogar o restante fora, sem piedade. Não adianta ficar com tudo se você não for aproveitar. Melhor começar de leve.

Tenho também em mídia a caixa do First Ten Years japonesa, bootlegs e vinis de artistas relacionados, como Wolfsbane, The Secret e Jenny Darren, mas não é ainda uma coleção mídias.

Vídeos eu não consegui contar. Estou organizando essa parte.

Por que você não gosta de ter várias versões do mesmo álbum?

Porque não sei o que vou fazer com elas. A banda lança álbuns no mundo inteiro, mas não acho necessário comprar uma versão italiana, outra holandesa, alemã, sendo que todas tem as mesmas músicas ou porque a capa teria um gradiente de cor diferente. São caprichos de muitos colecionadores, mas não combina comigo. É perda de tempo e de dinheiro. Conheço colecionadores que se gabam de possuírem + de 1.000 itens no acervo. Legal, é relativo àquele perfil, àquela visão de coleção em particular, mas não é o que enche os meus olhos.

Por outro lado, seria extremo não pensar em guardar um 2 Minutes to Midnight japonês pela raridade. Mas também não pagaria o preço. Usaria o dinheiro para itens que falem pelo conteúdo.

Além do Maiden e afins, que banda você mais gosta?

As do Glenn Danzig.

Qual o marco zero da sua coleção?

Posso dizer que foi quando o Maiden lançou o Fear of the Dark, na época. Antes disso eu gravava músicas do Helloween, Ratos de Porão e Sepultura misturadas numa fita, depois pegava outras bandas e misturava em outra fita. Mas foi a partir do Fear que comecei a gravar uma fita cassete por álbum. Quando completei uma caixa com dez fitas, disse que tinha completado minha coleção! (Infame! - risos.) Era 1992 e eu estava engatinhando ...

A curiosidade da sua coleção é a procura e pesquisa das origens e ramificações do Iron Maiden. A banda por si só já tem material para deixar qualquer um doido (e pobre!). Como você faz para conseguir tanto material?

Em 2001 entrei em um site antigo (não existe mais) que relacionava em tabela todas as possíveis bandas paralelas dos integrantes e seus lançamentos (bootlegs também). Achei fascinante o que havia e fiz questão de reescrever tudo à mão, fazendo um exercício. Depois passei a organizar os arquivos que ia conseguindo.

Era duro conseguir álbuns do Samson ou do Praying Mantis. Como não conhecia bem do ramo de trocas, sofria. Mas visitava fóruns e batia papo. Tinha retorno de pessoas mais experientes e de vez em quando até me mandavam algum material. O item que eu não tinha e era difícil conseguir, deixava na fila. Às vezes dependia de conseguir algo para uma pessoa, que eu não tinha, então recorria a outro que tinha, e assim foi. Fui aprendendo com o meio. É um processo lento, e é necessário ter paciência.

É fácil achar arquivos raros, ou colecionadores dispostos a trocar arquivos raros? Como funciona isso?

Não, não é fácil. Raro é raro. Não é definitivamente o Bruce Audition Tapes de 1981 que sobem mil vezes no Orkut com o label "raro". Deixou de ser há séculos! Raro é o que dificilmente você vai encontrar, seja em qualquer meio, até mesmo na internet.

Colecionadores estão sempre dispostos a trocar e funciona conforme a política de cada um. E é engraçado ver alguns disponibilizando tudo como se estivessem se livrando de um peso. Mas como eu disse, é de cada um. É complicado encontrar um colecionador que tenha raridade hoje em dia (a não ser em mídias e souvenirs). Tudo, claro, graças à divulgação em massa de hoje.

Por que existe esse sigilo e até uma certa "proibição" de se divulgar esses arquivos?

Depende com quem você troca e o que você troca. É necessário respeitar a origem daquilo que te fornecem, porque a pessoa pode não estar copiando com o intuito de publicar. Ela confia em você e pronto. Tudo o mais é inquestionável. Jamais quebre um sigilo quando te pedem, pois além de mal sucedido, a fama se espalha.

Há casos em que alguém manda uma informação que será usada no futuro e pede pra não divulgar, há casos em que o material é confidencial da banda, há casos em que o bootleg é o xodó do cara, e há diversas outras culturas lá fora que não compartilham desses achismos de que todo e qualquer bootleg existe para ser distribuído e compartilhado. Por isso, alguns meios secretos se referem a shade ao invés de bootleg. Tipo, "deixem o bootleg correr solto nas mãos do público, e o que não for é shade". Pronto, resolvido o problema. Ao invés de ficarem discutindo o destino dos bootlegs, deixa os outros ficarem com a razão de que devem ser distribuídos e etc, e vamos tratar do que não é conhecido. Uma questão de identidade e não de discussão. Sábio.

Até parece que tudo o que não foi lançado oficialmente não tenha uma propriedade! Essa gente é desinformada, mas se assim pensam vão colher o que é do tamanho desse pensamento.

Eu conheço o Gogmagogg, o Urchin, More, dentre outras bandas que vão além dos discos do Bruce Dickinson solo. Das bandas que você descobriu, quais você destacaria?

Destacaria o Stretch e a Pat Travers Band, onde tocou o Nicko McBrain; o Tanz Der Youth, onde tocou o Tony Moore; e o Wildfire, onde cantou o Paul Day. O Lionheart também, mas antes do vocalista Chad Brown.

Qual a banda mais estranha que você descobriu?

Acredito ter sido o Toltex 9 do Thunderstick. Foi através de uma entrevista do próprio baterista, e nessa banda ele tinha o pseudônimo de "Pop Star" (!). Na contracapa do split tem ele sem máscara (risos).

Não sei se você acompanhou o lançamento do album Welcome to the World do Psycho Motel, com o Adrian Smith e o Dave Murray tocando juntos pela primeira vez muito tempo após o Adrian ter saído do Maiden. Você acompanhou isso? Como se sentiu?

Na época eu nem sabia direito disso. Queria ouvir o álbum mais porque Adrian estava se juntando ao Bruce e aquela coisa toda. Não havia divulgação do Psycho Motel a não ser em algumas lojas da zona sul que eu visitava. Murray tocou no álbum, mas foi participação (não lembro quais músicas). Eles nem saíram em turnê ou algo do tipo.

E o Bruce e o Adrian juntos?

Foi ótimo, mas também foi como: "Hã? E o Skunkworks, acabou?". Porque eu amava o Skunkworks. Lembro de estar tocando baixo com uns amigos na garagem de uma casa em São Francisco e Alt, meu amigo que tinha acabado de comprar o disco, deixou o CD em shuffle. Cada música era muito foda. Com o Accident of Birth gostei de saber da novidade dos dois juntos, do metal voltando a aparecer e de cogitarem uma volta dos dois ao Maiden, mas o impacto musical pra mim não foi tão forte quanto seu antecessor. Talvez porque se saiba que Adrian e Bruce não dariam outra coisa. Por outro lado, não acho que tudo tenha que ser sempre metal ou ter origem no Iron Maiden. Conheço gente que valoriza bastante o Skunkworks.

Quando você percebeu que estava colecionando, ou seja, passou a ser um pesquisador e, consequentemente, um colecionador?

Enquanto escrevia um artigo que durou 50 páginas sobre tudo o que a banda possuía, em 2002. Eu já colecionava, mas ali eu estava determinado a expandir para os relacionados. Pobre de mim ...

Já pensou em escrever um livro sobre essas informações? Colocá-las todas juntas seria um documento histórico, até mesmo para o chefão Steve Harris, não acha?

Já, e eu pensei em fazer isso através de um selo artístico que tenho com um grupo, o Friends for Art, mas, como já respondido antes, não queria fazer propaganda de livro maçon de banca, que promete os segredos e você nunca encontra (risos), de forma que algumas informações vou precisar pedir autorização pra colocar lá. Não dá pra ser um baú de segredos. Isso faz até mal.

Então, a idéia do livro é boa, mas o Steve vai ter tempo pra ler? (risos)

Qual item você considera o mais valioso da sua coleção? E qual é o arquivo mais raro?

Certamente o mais valioso é o Maiden na época em que tocavam pub rock. O arquivo mais raro nada mais é do que uma lista contendo vários itens que ainda estão para serem encontrados. É uma relação onde jazem nas profundezas terríveis raridades.

Conte em primeira mão algo que você nunca contou que tem, ou até mesmo não pode contar que tem! (risos)

Algo que nunca contei (exceto para alguns) é ter descoberto a fonte do vídeo do Urchin que vem no 12 Wasted Years do Iron Maiden. A história foi engraçada porque o próprio guitarrista do Urchin que toca no vídeo (e quase não aparece) só tinha visto esse programa uma vez, na época em que foi ao ar! Entrei em contato com ele, que me passou o endereço de envio porque adoraria rever o vídeo, e me disse que inclusive deve se encontrar com os outros da banda pra mostrar pra eles. Estou tentando acreditar nisso ainda ... Via o 12 Wasted Years desde os meus 15 anos, como é que hoje estou mandando o vídeo pra eles?!?!?

Algumas raridades

Sobre os discos, qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?


Esta pergunta é fácil porque não sou de comprar muitos, mas até tenho precisado de uns. Deve ter sido uns três de uma tacada. Pouco, não?

Quantos álbuns em média você compra por mês?


Dois.


Tem algum item que, só de alguém chegar perto, você já gela e morre de ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

Que tenha cuidado especial e não venderia, sim. Mas isso de ninguém chegar perto, não. O que eu não quero vender ou que copiem, digo que não está disponível e pronto. Também não sou de fazer propaganda dos meus itens. Raramente tiro alguma foto e mostro.

Entre tudo o que você possui, quais foram os itens que deram mais trabalho para conseguir? Mencione discos e arquivos, por favor.

Certamente foi a fase pub rock do Maiden (eu não divulgo mais o nome dessas gravações). Acredito que haja limites para tudo, mas é certo que alguma bizarra intuição me levava a crer que existiam. Foram seis anos de procura sem o menor traço de existência e pouco mais de um e meio em negociação. Após esse teste traumático de paciência, posso dizer que confio muito na minha intuição e na arte de persistir com cautela.

Qual é o item mais diferente e curioso da sua coleção?

Talvez seja o Perfect & Beautiful do Tony Moore, lançado em 2005. São músicas mais românticas, mas muito bonitas em piano. Com certeza isso difere do restante. Outro louco e bom é o EP Feel Like Rock ‘n Roll do Thunderstick. Tudo isso vale a pena ser ouvido, não é só por ser coleção.

A sua coleção tem um limite? Você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos ou pesquisar porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Prefiro que não. Tenho um amigo que coleciona até certo ponto, para, depois vende tudo. Depois determina outra coleção, para, e depois vende tudo. O que é isso, um loop na Terra do Nunca? Nunca fica satisfeito, nunca guarda pra posteridade. Acho que a satisfação do colecionador deve se munir de duas coisas: uma é a coleção conquistada e a outra é a que se vê no horizonte.

Já havia batido a minha meta no início de 2008, pouco antes do show do Maiden. Poderia desistir de tudo, mas um ano depois e os contatos e as raridades continuam aumentando. Há poucos meses tinha escrito uma lista com 25 dos itens mais procurados, hoje já passou dos 70! Não vejo isso acabando tão cedo.


Como seus amigos e o resto da famíla encara a coleção, a paixão pela música e a quantidade de itens?

Meus amigos curtem esse meu lado porque envolve histórias engraçadas. Alguns querem saber o que tenho conseguido ou se interessam por ouvir uma gravação. A minha família não liga muito. De qualquer forma procuro encher o mínimo do saco de todos.


Como você guarda e conserva os seus itens? Conte alguma mania.

Faço pequenos procedimentos apenas para arquivos. Primeiro de tudo é backup e segundo é não deixar nada no computador. Vinis e CDs é aquela empilhada de sempre (em alguma ordem) e precisam de limpeza. Acho que é só isso.


A maioria dos colecionadores não empresta nada. Como você encara um pedido desses?

Encaro normalmente. Pode me pedir. Vai ser sim ou não (risos).

Materiais raros do Wolfsbane

Eu gostaria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.



Curto todos. Os que eu mais tenho ouvido são:



1 – Iron Maiden - Flight 666 Soundtrack
2 – Iron Maiden - The Entire Population of Hackney
3 – Lionheart - Unearthed-Riders of the Lost Archives
4 – Tanz Der Youth - I´m Sorry, I´m Sorry
5 – Stretch - Forget the Past


Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Muito discutível e não nessa ordem, mas aí vai:

1 – Iron Maiden - Killers
2 – Nine Inch Nails - The Fragile
3 – Misfits - Walk Among Us
4 – Ramones – Acid Eaters
5 – Manic Street Preachers - This is My Truth Tell Me Yours
6 – U2 - The Joshua Tree
7 – Iron Maiden - Seventh Son of a Seventh Son
8 – Iron Maiden - Piece of Mind
9 – David Bowie - The Man Who Sold the World
10 – David Bowie - Reality

De 2009 até 2000, quais os discos que você destacaria?

Você deve ter confundido os anos, mas se forem discos recentes minha resposta fica com os do Maiden, o Tyranny of Souls do Bruce e o The Man Who Would Not Die do Blaze Bayley.


O que você está ouvindo ultimamente?

Tenho procurado ouvir a turnê nova do U2, Jethro Tull, Mutantes, Bob Dylan e Lou Reed.


Qual é o item que as pessoas ficariam surpresas em saber que você possui?

Depende de como elas entendem sua coleção. Se forem colecionadores abrangentes que pegam tudo relacionado e que já vem com uma gama de informação do que pode ser raro, certamente vão gostar de saber do primeiro show de Clive Burr depois que ele saiu do Iron Maiden. A banda se chamava Escape, antes ainda do Stratus.

Iron Maiden, a banda preferida

Qual o item que você tem que é apenas para completar a colecão?


Boa pergunta. A única banda que vejo isso acontecendo é o próprio Iron Maiden. É lógico que vou comprar um CD como Somewhere Back in Time apenas pra preencher a minha coleção (risos). Consideremos a arte gráfica, não? Mas aquela ridícula, estúpida e asquerosa coletânea da Sony, The Essential, acho que foi o único item que já descartei de uma coleção. Eu tinha, mas me livrei daquilo. Foda-se. Me dava arrepio ver aquilo ocupando espaço. A Sony lançou The Essential para vários artistas, logo não acho que seja uma particularidade do Maiden.
Outros desses caem no campo do Paul Di´Anno, com The Nomad e The Living Dead, Beyond The Maiden e The Masters, tudo farinha do bom e velho saco.

Qual o melhor show que você assistiu?

Todos foram bem diferentes. Mas o Iron Maiden nessa última turnê estava espetacular. Assisti-los em Curitiba e no Rio foi mesmo inesquecível.

Se você pudesse ir para qualquer época e assistir qualquer dessas bandas que você pesquisa, que show você gostaria dever ou presenciar a gravação? Vou ser legal, pode citar três (risos).

Ah, ótimo (risos). Eu teria ido no primeiro show do Gypsies Kiss pra ver o Steve errando a introdução do baixo na Endless Pit e tirar um sarro atemporal; no primeiro do Maiden pra gravar e tirar algumas fotos da performance; e no Islington Park em 1975 para ouvir o Evil Ways tocando "22, Acacia Avenue".

Alguns dos arquivos raros da coleção

Como você vê a mudança do vinil para o CD, e como você encara o download de músicas?

Do vinil para o CD, desde que preservada a qualidade, uma bela economia de espaço nas prateleiras (fora que faixas bônus puderam ser adicionadas). Não sou um aficcionado pelo som do vinil, mas tenho que concordar que o CD dificilmente o reproduz com fidelidade - uns dirão que nem de longe.


Já o download, desde que a internet se popularizou, existe. Ótimo – o que dizer? Faço uso. Encaro é o MP3. Nunca alguém caiu em cima do formato quanto às questões de pirataria na rede. É engraçado ir em cima de Napsters e servidores quando o que compacta e tira a qualidade da música original para facilitar a veiculação são os formatos!

Complementando, como você vê o mercado musical para a próxima geração? Qual será o próximo passo?

Não faço a menor idéia. As gravadoras estão em pé de guerra, fazendo acordos para tentar proibir ao máximo a liberação de músicas. Cada vez mais vemos siglas de criptografias e termos que coíbem servidores e apagam seus conteúdos. Não conseguem nem dirimir o fluxo deliberado das músicas. Antigamente você copiava em fita cassete, mas hoje você vê tudo em arquivos e a rede está aberta. Alas, o nirvana foi atingido! "Foda-se o mercado digital, queremos ver vídeos e ouvir música de graça!". Eu pergunto: o que há além disso?

Você teve contato com algumas dessas bandas que você possui itens? Qual foi a reação deles?

Sim, tive contatos e as mais diversas reações. A maior parte é legal quando sabem que você é um fã que curte. Tem uns que trocam e-mails, revelam histórias e são pacientes, e outros que são bem reservados e logo te esquecem. É preciso ser um pouco ousado, mas ter o máximo de cuidado se for pedir alguma coisa.

Já pensou em organizar um show com esses artistas que possuem uma história próxima ao Iron Maiden?

Logo depois que o Adriano da Pub comentou sobre essa idéia, eu comecei a anotar coisas no papel. Depois procurei produtoras, bati um papo, e recebi respostas positivas sobre a idéia. Ainda está em fase de conversação. Eu não sei ainda o que vai sair disso.

Sei que você foi num encontro de fãs no Rio. Como foi?

Foi muito legal conhecer o pessoal das comunidades: Padro, Adriano, Delon, Jessica, Ricardo. Trocamos idéias e ouvi as histórias engraçadas do Adriano se encontrando com a banda pelos hotéis Brasil afora. Infelizmente, estava um parto ouvir as pessoas com o som alto do lugar. Isso me irrita muito. Mas a experiência foi boa. Espero que role outro encontro com a proposta do Padro, em local aberto.

Alguns itens relacionados ao Maiden

Quem é Benjamim Bregg? Ele é o 7th Son? Conte o que você sabe e não esconda nada!


O Benjamin Bregg é o 7th Son? Hummm, acredito que sim. A dica é comparar a letra de The Prophecy com a de Benjamin Bregg. Naquela, o narrador na letra é o sétimo filho prevendo o que acontecerá ao seu sétimo filho. Sete álbuns depois e você tem em The Reincarnation of Benjamin Bregg alguém reclamando dessas previsões. Look there ...

Você entrevistou o Paul Day. Acredita que o Harris tenha se "esquecido" de mencionar algo nas autorias das músicas?

Esse "esquecido" só poderia estar entre aspas. Acredito que não foi o Harris, mas o braço da EMI. Quando você contrata álbuns com uma gravadora, ela fará suas exigências. Foi assim com os Beatles, não vai ser com o Iron Maiden? Não se pode esperar que o carinha lá de 1976 que cantava na banda e que compôs a música vá receber sua parcela pela contribuição. Acho até que Tony Parsons foi mandado embora porque esses caras viram a banda e não devem ter gostado do guitarrista (o contrato foi assinado logo depois!).

Tivesse o Day registrado a música na época ... Infelizmente é assim que as coisas funcionam.

Você já encontrou algum dos integrantes ou ex-integrantes do Maiden? Como foi? Alguma curiosidade?

Pouca. Eu só me encontrei com o Di´Anno em 1997. Ele estava com uma toalha em volta do pescoço após o show, na garagem do Imperator. Assinou num papel e a gente foi conversando até ele entrar na van. Bem simpático.

Em 1994, durante a turnê do Balls to Picasso, na mesma garagem do Imperator estava o cara que tinha roubado o boné do Dickinson aqui em 1992 e não havia devolvido, mesmo que o cantor tivesse pedido na MTV. Cheguei a pôr o boné na cabeça e perguntei se ele ia entregar aquilo um dia. Ele respondeu: "Entrego hoje mesmo! Vou ali falar com o segurança que estou com o boné do Bruce e aproveitar pra tirar algumas fotos". O cara conseguiu a façanha e quando retornou disse que o Bruce avisou que se ele tivesse entregado na época teria enfiado porrada nele (risos). Respondi que ele era um cara de sorte, mais por questão de tempo do que por acesso ao ídolo (risos)! Mas nesse dia o Bruce deu um ataque de britanismo e a van da banda parou na porta de saída dele, sendo que ninguém pôde ter um único autógrafo! Bati no vidro onde ele estava sentado, mas mal olhou pra mim. Não havia muita gente e aquela atitude dele achei desnecessária.

Alguns discos do Iron Maiden

Algumas perguntas rápidas: melhor capa do Iron Maiden?

Twilight Zone.

Melhor música do Maiden?

Boa. Próxima ...

Integrante preferido do Maiden?

Não tenho como responder isso!

Melhor música da carreira solo do Bruce?

Tá bom! Uma das melhores: "Devil on a Hog".

Melhor música de um outro projeto?

A situação se agrava ainda mais ... Peguei no ar: "Star", do Electric Gypsies.

Lauren Harris gravou o disco por que é bonita, filha do homem ou tem talento?

Deixa ver ... Pelo número de dedos levantados na abertura dela para algumas músicas, não é talento. Rita Lee não é bonita há séculos, mas continua famosa. Por exclusão, só pode ser porque é filha do homem.

Bruce ou Di´Anno?

Cada um foi melhor em sua época. Pra mim não existe a comparação, e eu teria incluído o Blaze na pergunta.

Golden Years ou a formação atual?

Todas pra mim são Golden Years, desde as primeiras formações. Essa é a minha visão particular.

Blaze foi um erro?

Só se você entender que grandes feitos não provêm de erros. Ele era o cara certo para aquele momento. Ótimo que ele tenha decepcionado uma gama de pessoas. Fico feliz em saber que o Iron Maiden algum dia perdeu seu brilho, preocupou-se com a existência e passou a tocar em lugares menores, ou isso não teria tanta graça. A regressão é bela. A intolerância fica no passado.

Dio ou Ozzy?

Dio e Ozzy! Viva o Sabbath, o Rainbow e todas essas famílias.

Black Sabbath ou Deep Purple?

E viva o Sabbath, o Purple ...

Beatles ou Led Zeppelin?

... os Beatles, os Yardbirds, o Led Zeppelin ...

Um show ou um disco?

Um show. Mas se for raro, é o disco.

DVDs da Donzela de Ferro

Para encerrar: você pode dividir a história do Iron Maiden em fases e fazer um breve comentário de cada uma delas?

Fase pub: 1976-1978 - De Paul Day a Dennis Wilcock

O Maiden começa com a particularidade de ser uma banda que chama a atenção por ter músicas próprias, mas as imaturidades dos jovens integrantes não estão a par do que Steve Harris visualiza e a mudança de membros começa a ser uma constante. Difíceis decisões são feitas, Murray sai e volta, e os fãs que o grupo conquistou de repente se sentem abandonados pela saída de Dennis, que estava cheio daquela confusão toda, e da volta do guitarrista.


Núcleo de profissionalização: 1978-1979 - Murray, Di´Anno, Harris e Sampson

A banda passa meses em estúdio para ensaiar as músicas, até achar um novo e promissor vocalista. Uma fase que, pela determinação, atrai a atenção do empresário Rod Smallwood e, ao mesmo tempo, conquistam lugares maiores e melhores que os pubs. Ao final do ano o grupo já tinha a atenção da EMI, com os shows e a rapidez com que sua demo foi vendida.

Estabelecimento: 1980-1982 - Stratton, Adrian, Dickinson e Burr

Com Clive Burr e Dennis Stratton a banda começa um esquema pesado de shows e turnês. O guitarrista Adrian Smith molda as antigas músicas e facilita o lançamento delas no Killers, que com o peso da produção de Martin Birch esmaga a concorrência. Em 1981, em meio a NWOBHM, a banda está tocando em velocidade sônica e atraindo as multidões. Paul não aguenta e sai. Dickinson dá prosseguimento e é aceito com certa restrição no início. Em três anos e três álbuns seguidos, Burr não aguenta a pressão também.

Sucesso: 1983-1992 - Nicko

Em um período de quase 10 anos o Maiden alcança sucesso cada vez maior com grandes turnês e um baterista bom em tudo. Mesmo após a saída de Adrian e com uma turnê mais apagada que a do 7th Son, o Maiden é um sucesso de vendas e mercado. O Fear of the Dark finaliza essa fase com o anúncio da saída de Dickinson.

Determinação: 1995-1998 - Blaze Bayley

Blaze é a certeza do Iron Maiden em um momento em que não sabiam se iam continuar. O público vê que o vocalista não acompanha a banda como Dickinson fazia e o estranhamento leva pessoas a desistirem da compra de ingressos. Mesmo sabendo que algumas músicas não encaixam com Blaze, um segundo álbum é lançado e novos problemas de aceitação acontecem, obrigando Blaze a sair. O Maiden continua ...

A volta da fórmula: 1999-hoje - Todos

Com a volta de Bruce e Adrian, não só Dickinson volta cantando melhor como os lançamentos são muitos. Apesar de a fórmula ser a mesma, a motivação publicitária, os temas das turnês e a idéia de um avião particular mantém os fãs atônitos e cada vez mais participativos. Um filme é lançado no cinema pela primeira vez na história da banda, e espera-se que tudo isso um dia não acabe.

Mais uma vez muito obrigado por ter participado da Collectors Room. Este espaço é seu, manda bala e deixa seu recado!

Obrigado pela oportunidade. Coleção é particular, faça dela o seu mundo. Ceda algo, mas mantenha as coisas que você conquistou. Aquilo que você entrega será de todos e depois de ninguém ao mesmo tempo, nem mesmo seu! Prender demais pode gerar o egoísmo, assim como compartilhar demais, a estupidez.