25 de set de 2009

Podcast Collector´s Room #019: A História do Hard Rock e do Heavy Metal - Parte II

sexta-feira, setembro 25, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

No ar o segundo programa da série sobre a história do hard rock e do heavy metal. Aqui você vai perceber como as guitarras ficaram mais pesadas e os riffs mais importantes na concepção do som pesado da virada dos anos 60 para os 70.

Nessa edição rolaram sons do Black Sabbath, Led Zeppelin, Lucifer´s Friend, Steppenwolf, Humble Pie, James Gang, Trapeze e Buffalo.


E não esqueça de deixar o seu comentário e opinião sobre o programa, porque eles são muito importantes.

Então aumente o volume e venha nessa viagem pelo tempo com a gente!


Meu novo blog

sexta-feira, setembro 25, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Estou com um novo blog. Nele, não falarei sobre música. Ele será usado para saciar a minha necessidade de escrever. Provavelmente terá muita coisa de cultura pop, assim como exercícios textuais.

Enfim, se você ficou interessado, acesse, coloque em seus favoritos e confira todos os dias:

http://ricardoseelig.blogspot.com/


Colecionadores de discos e de calcinhas

sexta-feira, setembro 25, 2009

Por Cláudio Vigo
Arquiteto e Colecionador
Whiplash!

A distância entre um colecionador de discos e um tarado colecionador de calcinhas é muito menor do que possamos imaginar. Nos dois casos o que importa é o objeto, o fetiche, ficando o contemplado, tanto a mulher quanto a música, em segundíssimo plano, só interessando a aquisição de uma nova presa, que será venerada por alguns minutos até instigar a eterna sede para o próximo alvo. Parece maldição de filme de vampiro; o sujeito na verdade vive insatisfeito e macambúzio porque não é proprietário de todos os discos (ou calcinhas) do mundo. Uma verdadeira maldição. Não existe diferença entre colecionar discos de rock, estampilhas de Eucalol, selos ou revistas pornográficas.

Se o ato de colecionar passa a ser mais importante que o usufruto daquele objeto, o perigo de se tornar um devasso do acúmulo é iminente. Eu já passei perto disto (não, caros amigos, não eram calcinhas que eu colecionava) e consegui escapar através de uma auto imposta quarentena regeneradora que me levou a desprezar a compulsão por aquele disco de progressivo sueco, aquele pirata da infância do Johnny Winter e outras bizarrices que tinham graça porque ninguém tinha ou conhecia e me davam um orgulho desmedido em apresentar a patuléia ignara como se fossem pérolas atiradas.

No meio de tudo isto eu tinha um disco piratão em que estavam o já citado Winter com Hendrix e Jim Morrison (cantando numa bebedeira total) que era tenebrosamente tocado e gravado, mas que eu insistia em colocar pra todo e qualquer visitante como se fosse mulher barbada de circo de cavalinhos. Todo mundo fazia "oh!" e eu me enchia de orgulho.

Os debates e as disputas com meus pares eram acirradíssimos. Falávamos muito mais de discos raros do que da música propriamente dita, e certa vez fui terrivelmente desafiado dentro de minha casa quando um filhote de vampiro destes afirmou conhecer todos aqueles grupos finlandeses, russos, tchecos e argentinos dos anos 60 que eu lhe mostrava como se fossem troféus de honra ao mérito do Lions Clube. Mas percebendo ser impossível que ele conhecesse tais petiscos raros, inventei descaradamente um grupo imaginário inglês com discografia pirata e tudo mais e quando percebi que havia mordido a isca o desmascarei sem dó nem piedade. Foi constrangedor ver o embusteiro se retirar com o rabo entre as pernas enquanto eu sapateava em seu orgulho com um sorriso beatífico e alucinado. Uma coisa impressionante!

Quando percebi o rumo obsessivo que as coisas estavam tomando resolvi dar um tempo e fazer a promessa de ouvir um disco de cada vez, dar preferência aos clássicos e esquecer as pirotecnias raras. Podem acreditar, isto me fez um bem enorme, mas de vez em quando tenho lá minha recaída e fico procurando um disco loucamente até conseguir, custe o que custar.

Foi assim com um grupo que eu adoro, mas bem pouco conhecido por aqui. Trata-se do Sparks, maravilhoso banda de glam rock dos 70 que é uma dificuldade para conseguir qualquer coisa mesmo em importadoras (só encomendando), e que tenho ouvido direto desde a recente aquisição. Formado em 1971 pelos irmãos Rom & Russel Mael, o Sparks tinha uma sonoridade com ecos de vaudeville, umas guitarras à la T. Rex e umas vocalizações hilárias que ensandeciam as platéias. O visual era alopradérrimo. Enquanto um integrante fazia a linha "andrógino flamboyant", o outro tocava de farda com um bigodito nazista e o couro comia em discos como "Kimono My House", "Propaganda" e "Indiscret". Imperdível para quem gosta de Marc Bolan, Bowie, Roxy Music e outras coisas semelhantes. Coloquem para ouvir "Propaganda" e "At Home, At Work, At Play" e depois me contem.

Outra raridade histórica que tenho procurado obsessivamente sem sucesso é uma banda também setentista chamada Back Door, uma espécie de Morphine pré-histórica. Eram também um trio de baixo, sax e bateria, só que tocavam um blues-jazz-rock de primeiríssima e tinham no baixo do genial Colin Hodgkinson, que solava como guitarrista, sua principal atração.

Ando obcecado pelo tema e quem puder ajudar agradeço. Mas em todo caso, devo confessar: estou quase curado e já consigo passar por uma loja de CDs sem entrar, simulando uma indiferença próxima do tarado na porta do showroom da DuLoren.

Paul Desmond e o jazz milionário

sexta-feira, setembro 25, 2009

Por Roberto Muggiati
Jornalista, Crítico Musical e Escritor

No seu estilo pedante, a crítica de jazz cita 1959 como um
annus mirabilis, um ano premiado. Nele foram gravados os álbuns Kind of Blue e Sketches of Spain, de Miles Davis; Mingus Ah Um, de Charles Mingus; e Time Out, de Dave Brubeck. Todos numa antiga igreja armênia da Rua 30, em Nova York, convertida em estúdio pela Columbia.

Uma faixa do álbum de Brubeck, "Take Five", logo fascinou a todos por sua ginga hipnótica e pelo uso arrojado do tempo 5/4. Lançada em single, se tornaria, em 1961, o primeiro disco de jazz a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas. Embora Brubeck fosse o cérebro do quarteto e sua autêntica máquina-de-compor, o sucesso veio de onde menos se esperava: de Paul Desmond, o saxofonista improvisador, basicamente um intérprete de material alheio.

O autor da façanha era branco e franzino, com óculos de intelectual, e parecia tudo menos um músico de jazz. Pior ainda, teve a infelicidade de tocar sax alto, quando o rei do instrumento era Charlie Parker, que todo mundo tentava igualar e não conseguia. O nome também não era nada jazzístico: Paul Emil Breitenfeld, filho de judeu e irlandesa. Mas herdou o DNA musical do pai, organista que tocava em teatro de variedades e cinemas, na época dos filmes mudos.

Paul escolheu o sobrenome artístico de Desmond folheando ao acaso uma lista telefônica. Conheceu o pianista Dave Brubeck numa banda militar em 1944 na Europa. Depois da guerra, formaram um pequeno grupo. Com seu humor típico, Desmond lembra: "Eu ainda guinchava a palheta do sax a maior parte do tempo nos agudos e Dave parecia tocar Bartók com a mão direita e Milhaud com a esquerda. Juntos podíamos esvaziar qualquer clube noturno em poucos minutos sem que ninguém tivesse gritado ‘incêndio!’".

Paul Desmond ficou 17 anos no quarteto de Dave Brubeck e escreveu um livro sobre a experiência, How Many of You Are There in the Quartet?, referindo-se à pergunta que invariavelmente as aeromoças faziam: "E quantos são vocês no quarteto?". Certa vez, um crítico de jazz chato (99% o são) perguntou a Paul onde se encaixava, entre a abordagem vertical, ou harmônica, e a abordagem horizontal, ou melódica. Ele respondeu: "Pode me colocar na abordagem diagonal".

Seu humor sutil traía a vocação de escritor, que era o que desejava ser. Tempos depois, frequentando o Elaine’s — QG da
Intelligentsia nova-iorquina — descobriu que todos os grandes escritores sonhavam ser músicos de jazz, entre eles Woody Allen, que tocava uma razoável clarineta Dixieland. Com a ironia costumeira, Desmond dizia que a inspiração de "Take Five" veio de um caça-níquel num cassino de Reno: "O ritmo da máquina me sugeriu o tema e, além do mais, eu precisava dar um jeito de recuperar o dinheiro perdido naquele caça-níquel". Às vezes, Paul oferecia outra explicação para "Take Five". Fumante compulsivo, dizia que concebeu o tema para que, durante o longo solo de bateria de Joe Morello, tivesse tempo de dar umas tragadas.

Steve Race, nas notas de capa do LP original, disseca "Take Five": "Cônscio de quão facilmente o ouvinte pode perder o pé num ritmo quíntuplo, Dave toca uma vamp (figura rítmica e harmônica constante) ao longo dos 5m26s, mantendo-a até mesmo durante o solo de bateria de Joe Morello. É interessante notar como Morello se livra gradualmente da rigidez da pulsação 5/4, criando contrafiguras intricadas e frequentemente inesperadas sobre a figura repetitiva do piano. E, contrário a qualquer expectativa normal — talvez até mesmo do próprio compositor — ‘Take Five’ realmente suinga".


O álbum Time Out quase não foi lançado. Chegou às lojas contra a vontade de todos os executivos da Columbia, menos um: o manda-chuva Goddard Lieberson, presidente da companhia. Dave Brubeck relembra: "Quebrei três leis da Columbia. Todas as sete faixas eram composições originais, quando a gravadora gostava de entremear com standards. Queriam também músicas que fizessem as pessoas dançar e eu lhes dei todos aqueles compassos esquisitos. Botaram um pintura na capa do LP, coisa que nunca se fazia com um disco de jazz. Obviamente, a companhia não queria lançar o álbum".

Surpreendentemente, os fãs estavam mais preparados para os compassos extravagantes de Brubeck do que os executivos da indústria fonográfica e não só compraram o álbum, como dançaram ao som dele. Como intérprete, Paul Desmond foi um saxofonista cool por excelência. Avesso aos ruídos fisiológicos subjacentes ao instrumento (arquejos, guinchos e sussurros de palhetas, percussão de teclas), sempre tocou longe do microfone, emitindo um som limpo e cristalino. Definia seu som inconfundível com um gracejo: "
Eu sempre quis soar como um martini seco".

"Take Five" foi tocada muitas vezes pelo quarteto e dezenas de artistas a gravaram, da cantora sueca Monica Zetterlund em 1962 à versão póstuma de King Tubby em 2002. Em 1961, Carmen McRae gravou uma versão com letra composta por Dave e sua mulher, Iola.

Desmond morreu aos 52 anos, em 1977, de câncer do pulmão, sem descendentes. Os royalties de suas composições e interpretações foram destinados, segundo sua vontade, para a Cruz Vermelha norte-americana, que recebe cerca de cem mil dólares por ano. "Take Five" representa grande parte desta receita, e continua fazendo a rapaziada dançar ao compasso de 5/4.

Novo álbum ao vivo do Deep Purple

sexta-feira, setembro 25, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Novo ao vivo do Deep Purple na área! A gravadora polonesa Metal Mind lançará no dia 19 de outubro o álbum duplo Live Enconteurs, gravado na cidade de Katowice, na Polônia, em 1996, na turnê do disco Purpendicular, que marcou a estreia do guitarrista Steve Morse (ex-Dixie Dreggs) no lugar de Ritchie Blackmore

O álbum será lançado em duas versões: a normal, em embalagem jewel case, e também em digipack, tendo como bônus a faixa "No One Came".

Confira abaixo o tracklist:

CD1
1. Fireball
2. Maybe I'm a Leo'
3. Vavoom: Ted the Mechanic
4. Pictures of Home
5. Black Night
6. Cascades: I'm Not Your Lover / Steve Morse's solo
7. Sometimes I Feel Like Screaming
8.Woman From Tokyo

CD2
1. Rosa's Cantina
2. Smoke on the Water / Jon Lord's solo
3. When a Blind Man Cries
4. Speed King
5. Perfect Strangers
6. Hey Cisco
7. Highway Star

24 de set de 2009

Lester Bangs: o brilho eterno de uma mente psicótica

quinta-feira, setembro 24, 2009

Por Pablo Tavares
Jornalista
Os Armênios

Uma das coisas pela qual eu sou sempre criticado nos meus textos é o fato de eu não "perdoar ninguém". Sei que muita gente não gosta que eu fale mal de certas bandas ou artistas, mas azar. Sou honesto e impiedoso.

Em uma das passagens mais interessantes do filme
Quase Famosos, o personagem de Lester Bangs, vivido pelo ator Philip Seymour Hoffman, dá um conselho ao aspirante à jornalista William Miller, papel do estreante Patrick Fugit: "No nosso meio (jornalismo musical) precisa-se construir uma reputação de honesto e impiedoso". Foi essa frase que regeu toda a vida de Bangs.

Embora Lester Bangs já tenha morrido há mais de 20 anos, somente recentemente um pequeno resquício de sua obra foi lançado no Brasil.
Reações Psicóticas (Conrad, 2005) é uma complicação de artigos que Bangs escreveu para revistas como Creem, Rolling Stone e Village Voice, entre outras, nos anos 60 e 70.

Quando o rock "era mais popular que Jesus Cristo", Bangs era único. Ele praticamente criou os termos punk e heavy metal, falou mal do Jethro Tull numa época em que Ian Anderson e asseclas dominavam os EUA de leste a oeste. Bangs endeusava o grupo sueco ABBA, mas dispensava Jim Morrison e seu Doors.

Lester Bangs fazia uma linha totalmente voltada para o jornalismo gonzo, ou seja, o New Journalism de Tom Wolfe que fora violentado por Hunter Thompson, com todas as regras da vertente jornalística: textos em primeira pessoa, fatos que ficam na beira da ficção com a realidade. Afinal, Bangs, certa vez, entorpeceu-se de anfetaminas e álcool para entrevistar Lou Reed, sendo que só achincalhou com a cara do cantor do Velvet Underground. Outra vez, pegou um álbum do já citado Jethro Tull, voou para o Vietnã para falar com o presidente do país e pergunta-lo o que ele achava daquela banda tocando som vietnamita, ao que só ouviu:
"Cara, eu gosto é de jazz".


Em outra cena de
Quase Famosos Bangs dá outro conselho à William Miller: "Cara, o rock acabou. Você só vai presenciar alguns resquícios (…), por isso vá ser advogado ou algo assim". Bangs encontrou o rock, mas não o rock que o resto das pessoas encontrou. Viu nos canadenses do Guess Who uma afronta ao establishment, e nos Stooges (principalmente em Iggy Pop) o início do punk. Certa vez, perguntado sobre para onde o rock estava indo, respondeu: "Ele está sendo tomado pelos alemães e pelas máquinas", fazendo alusão ao grupo alemão Kraftwerk, banda que definiu todo o som e a estética da década de 80.

Honesto e impiedoso, Lester Bangs fez tudo o que quis, escreveu o que lhe deu na telha e é como Greil Marcus escreveu na introdução da edição norte-americana: "
Talvez o que este livro exija do leitor seja disposição em acreditar que o maior escritor norte-americano tenha escrito apenas análises de discos".

Se o rock acabou em 1973 eu não sei. Agora, por que eu, que só estou pegando o resquício dos resquícios (e não venham me dizer que essa coisa que o Franz Ferdinand e as bandas do gênero fazem é rock) deveria ser desonesto? Enquanto o lixo predominar, eu não vou me calar.

Good night and good luck!

Estreia do Chickenfoot ganha Deluxe Edition

quinta-feira, setembro 24, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Um dos grandes discos de 2009 ganhará uma edição especial, para a alegria dos fãs e colecionadores.

Chickenfoot, o disco, sairá em uma Deluxe Edition no próximo dia 26 de outubro. Essa edição especial trará um CD com o ábum e um DVD com os clipes de "Soap on a Road" e "Oh Yeah", além de entrevistas, fotos de backstage e de shows do quarteto formado por Sammy Hagar, Michael Anthony, Joe Satriani e Chad Smith.

Separe a grana porque vale a pena!

23 de set de 2009

Raridades do Led Zeppelin

quarta-feira, setembro 23, 2009

Por Bento Araújo
Colecionador e Jornalista

Tratando-se dos dois primeiros álbuns do Led Zeppelin, não faltam raridades espalhadas pelo globo. Bem-vindo a um mundo de capas diferentes, nomes de músicas trocados, acetatos exclusivos para rádios, cartuchos de oito pistas e prensagens teste, cada um deles tirando o sono dos colecionadores. As cotações são baseadas nas revistas Record Collector e Goldmine.

Prensagens Diferentes

Led Zeppelin I


O disco de prensagem inglesa mais raro do Zeppelin é o "Legendary Turquoise Sleeve", onde o nome da banda e o selo da Atlantic aparecem não na tradicional cor alaranjada, mas sim em azul turquesa. Menos de duas mil cópias foram prensadas com esse erro de tonalidade. Recentemente uma dessas cópias foi negociada no eBay por mil libras.


No Japão a estreia do grupo saiu numa luxuosa capa dupla (MT1067) pelo selo Nippon Grammophon e vale cerca de 80 libras. Em 1971 a Atlantic relançou esse elepê por lá (P10105A) com um pôster. Em 1992 nova prensagem, com um encarte extra e um obi caprichado (AMJY2000).

A capa do primeiro disco da banda também sofreu alterações em diversos países. Na Austrália e Nova Zelândia a contra-capa trazia um longo texto baseado no press release original inglês do grupo ao invés da foto do quarteto. Essa edição (SAL933232) chega a bater as 80 libras nos leilões pela net. Na África do Sul a capa saiu bem mais escura, quase marrom e com o selo mais antigo da Atlantic estampado. Na Repúplica Tcheca as letras do nome do grupo saíram em vermelho, e na Espanha uma alteração curiosa: a foto da contra-capa era diferente daquela usada no resto do mundo. Essas prensagens sempre fazem sucesso no eBay.

Led Zeppelin II


A primeira prensagem inglesa do álbum (Atlantic 588198) foi distribuída pela Polydor e listava "Livin’ Lovin’ Maid" erroneamente como "Livin’ Lovin’ Wreck", e dizia que "The Lemon Song" era uma composição do grupo. Não se sabe ao certo quantas unidades foram prensadas, mas essa edição sai de 100 libras nos leilões pela net.

Na terceira prensagem da Polydor, "The Lemon Song" vinha como "Killing Floor" e estava creditada a Chester Burnett, por exigência da gravadora de Howlin’Wolf (Burnett em pessoa), que reclamou pelos direitos originais da canção. Agora "Livin’ Lovin’ Maid" vinha com o subtítulo "She’s Just a Woman”" ao invés de apenas "She’s a Woman" da primeira edição, e no lado dois mais uma peculiaridade: os créditos de composição referente ao baixista do Led Zeppelin apareciam com o nome de John Baldwin, o nome real de John Paul Jones.

A maior raridade referente ao segundo disco do grupo no entanto se dá na prensagem turca do disco (Atlantic SD8236), com capa diferente, já que a original foi censurada no país por trazer uma sátira as forças armadas alemãs - a Turquia foi aliada da Alemanha na II Guerra, mas foi logo derrotada. No lugar da capa original foi usado um desenho psicodélico de uma pessoa segurando três garotas nuas rodeada de ovos pelo chão! Essa capa bizarra faz com que esse disco chegue na casa das 800 libras no eBay.


Na Alemanha e na Áustria, o álbum também foi lançado com uma capa diferente pela RCA (SK92508), trazendo uma foto do grupo no palco e uma bela tipografia psicodélica, além de listar "Heartbreaker" como "Heartbreakers". Vale atualmente no mínimo 100 libras.

No Brasil o álbum foi lançado em 1970, antes do primeiro disco do grupo. Saiu como capa simples e com uma contra-capa diferente: além de uma foto promocional, o lançamento brazuca contava também com um texto hilário de Nelson Motta apresentando o Zeppelin para a moçada.

Compactos de 7"

No início de 1969 foi distribuído para as rádios norte-americanas um compacto promocional (Atlantic EP 1019) exclusivo com duas faixas retiradas da estreia do quarteto: "Babe I’m Gonna Leave You" e "Dazed and Confused". O item é avaliado em cerca de 300 libras, sendo que existem versões em mono e em estéreo na praça.


Em muitos países um compacto contendo "Good Times Bad Times / Communication Breakdown" foi lançado em sete polegadas, com exceção do Reino Unido. Na Grécia, no entanto, foi lançado um compacto com "Babe I’m Gonna Leave You /How Many More Times". Na Austrália a Atlantic lançou três EPs contendo canções dos dois primeiros álbuns da banda, assim como no México. Esses EPs valem mais de 300 libras cada atualmente.

No Japão, apenas três cópias existem de um compacto com "Good Times Bad Times / Communication Breakdown" (DT1105Y400), que vinham num envelope de papel, cada uma delas valendo mais de mil libras. A versão promo com capa colorida (DT1105) vale 500 libras.


Na primavera de 1969 foi lançado na Inglaterra um promo em compacto para promover o disco de estreia, com "Communication Breakdown / Good Times Bad Times" (584269). Apenas alguns poucos DJs e jornalistas receberam o disquinho, que vale 500 libras. É sabido também que Peter Grant negava veemente qualquer lançamento do grupo em single na Inglaterra, sendo que uma versão editada de "Whole Lotta Love" foi prensada de forma precipitada pela Atlantic, mas teve de ser recolhida no último instante por ordem do temido empresário. No entanto, para desespero de Grant, 500 cópias desse compacto escaparam de um armazém em Manchester. Esse compacto pode ser considerado um dos mais raros 7" da história da música pop, fechando facilmente em 500 libras.

Não podemos nos esquecer também dos compactos japoneses "Whole Lotta Love / Thank You" e "Living Loving Maid / Bring It on Home" (200 libras cada), lançados em 1970 e com capas deslumbrantes, ambas mostrando Page e Plant em ação.


Na Itália também pintaram dois compactos: "Heartbreaker /Bring It on Home" e "Moby Dick / Gallow’s Pole", essa última já do terceiro disco do grupo.

O compacto espanhol de 1970 que ilustra este post foi inclusive um presente do amigo Víctor Bernardes, recém chegado da Espanha. O Víctor é o maior fã vivo do Led Zeppelin do Brasil. Além desse do Led ele ainda me trouxe compactos do Grand Funk, Free e uma shirt do mestre Terry Reid, show que ele assistiu por minha indicação.

Acetatos

Recentemente surgiram dois acetatos teste na África do Sul do primeiro disco do grupo. Um tinha dois lados e o carimbo "not approved" (ATC 9180) e outro somente a faixa "Black Mountain Side". Cada belezinha sai a partir de 300 libras nos leilões.

Na Inglaterra pintou um acetato de apenas um lado com "Good Times Bad Times" (584269A), prensado sob pedido de Peter Grant. Só uma cópia deste acetato existe e se ele aparecer no eBay, deve começar na casa das 500 libraa.

Na América vários acetatos e prensagens teste também foram distribuídos para rádios, jornalistas e executivos. Em algumas poucas cópias os norte-americanos escreviam o nome do grupo no selo como Led Zepplein ou Led Zeppelein. Um desses acetatos chegou a ser leiloado por três mil libras no eBay!

Promos

No final dos anos 60 era comum na América os grandes selos distribuírem às lojas discos promocionais com seus principais contratados tomando conta de um lado do LP. No começo de 1969 a Atlantic prensou um desses promos com o Led de um lado e Dusty Springfield de outro (Atlantic TLS 35). Era comum também nesses lançamentos uma voz linkar os trechos principais de cada álbum entre as faixas, algo como um slogan que serviria para alavancar as vendas no instante em que esse promo estivesse rolando nos falantes das lojas pelo país. No lado do Zeppelin essa voz dizia: "O Led Zeppelin te levará para uma viagem inesquecível". Esse item costuma ser trocado de mãos por não menos que 300 libras.

Compilações

Na metade dos anos 70 pipocaram pela Europa discos duplos sob o nome de 2 Originals Of, e um volume foi dedicado a reunir os dois primeiros álbuns do Zeppelin (ATL800005), com capa chamativa e tudo mais. Quem não gostou nada do lançamento foi Peter Grant, que mandou recolher os discos das prateleiras das lojas pela Alemanha e Ioguslávia, onde a bolacha já havia sido lançada. Quem segurou uma cópia conta hoje com pelo menos 200 libras no bolso.


Cassetes e 8-tracks

Uma das primeiras prensagens inglesas em cassete do primeiro disco chegou a sair também com as letras em azul turquesa e a ordem dos lados saiu trocada, com "Your Time is Gonna Come" abrindo o lado A. No cartucho de oito pistas, "You Shook Me" e "Dazed and Confused" saíram editadas.

Leia também: Poeira Zine #26: Led Zeppelin

21 de set de 2009

Cliff Burton ganha biografia

segunda-feira, setembro 21, 2009

Por Lucas Mosca
Jornalista
Poeira Zine

Não só grande parte dos fãs do Metallica, mas os de heavy metal em geral, tem Cliff Burton como um mito insuperável das quatro cordas. Super valorizado ou não, o fato é que o ex-baixista do Metallica foi um dos grandes nomes da cena no começo dos anos 80, sem sombra de dúvidas. Mas, como diz a música do Iron Maiden, "Only the Good Die Young" ... E foi também seu caso, infelizmente.

Para quem quiser se aprofundar mais na história desse ícone da música pesada, ou até mesmo matar em parte a saudade, Joel McIver, colaborador da revista
Record Collector, está lançando a biografia To Live is to Die: The Life & Death of Metallica’s Cliff Burton, ainda sem tradução no Brasil.

São aproximadamente trezentas páginas recheadas de fotos, relatos de pessoas e parentes ligados ao músico, suas influências – que passavam do compositor clássico Bach ao southern rock do Lynyrd Skynyrd -, sua sede de conhecimento e, claro, cerveja. Constam ainda depoimentos inéditos de pessoas como Steve Doherty, professor de baixo de Cliff; o fundador da gravadora Metal Blade, Brian Slagel; o fotógrafo Ross Halfin; e o primeiro roadie do baixista, Chuck Martin.

Músicos como Mikael Åkerfeldt (Opeth), Alex Webster (Cannibal Corpse), Alex Skolnick (Testament), Dave Ellefson (F5/ex-Megadeth), são alguns dos caras influenciados por Cliff e entrevistados por McIver nesse trabalho, sucessor de outra grande obra do escritor sobre o Metallica, lançado há cinco anos e traduzido para nove línguas:
Justice For All: The Truth About Metallica.

Como registrado pelo crítico Joe Shooman, esse novo livro é "
um tributo em palavras".

Altamente recomendado!

Novo livro faz paralelo entre a carreira dos Beatles e a música popular norte-americana

segunda-feira, setembro 21, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Com o provocativo título de
How The Beatles Destroyed Rock´n´Roll: An Alternative History of American Popular Music, o novo livro do escritor Elijah Wald traça um paralelo entre o impacto da música dos Beatles na sociedade americana, e mundial, e o desenvolvimento do consumo de música.

Dono de uma teoria interessante, que diz que o que fica para a posteridade é aquilo que cai no gosto dos críticos, que, segundo ele, tem o poder de eternizar a obra de um artista, seja ela em que segmento for, Wald provocou discussões mais acirradas entre os fãs do Fab Four que, baseando-se apenas no título do livro e não em seu conteúdo, jogaram o trabalho do escritor aos leões romanos.

Sinceramente não é para tanto, já que a obra garante bons momentos de leitura e, além disso, traz conceitos bem interessantes.

Se você se interessou pelo livro pode adquiri-lo pelo site da Amazon por apenas 17 dólares. Lembrando: livros não sofrem tarifação de impostos ao chegar ao Brasil, então aproveite!

Eu apóio Cultura em Casa

segunda-feira, setembro 21, 2009

Fomentar a cultura local e trazer espetáculos de grande porte para Chapecó e região é o objetivo do projeto
Cultura em Casa, que foi lançado no Mogano Hotel, nesta sexta-feira (18). A atividade busca a interação entre os diferentes grupos apreciadores de cultura e tem como base o trabalho de produtores locais dispostos a oferecer serviços de qualidade e competência, equivalentes aos de grandes centros.

Um forte argumento do projeto é tornar a cultura um escape do cotidiano, marcado fortemente pelo trabalho. Criar oportunidades de lazer e entretenimento para tornar a região um pólo cultural, através de parcerias com a iniciativa privada e pública.

Os espetáculos previstos para este ano são
Comédia em Pé; Humor à Primeira Vista, com André Damasceno; e o show Beatles Abbey Road.

"
Temos interesse em movimentar a economia regional através de investimento publicitário, manutenção de espaços culturais públicos e, é claro, da valorização do trabalho local", comenta o produtor executivo do projeto, Ernesto Antonini.

"Todos os espetáculos foram criteriosamente selecionados para que o projeto pudesse oferecer excelência em eventos culturais", diz Felipe Breunig, produtor cultural do projeto.

Eu Apóio Cultura em Casa é uma campanha viral e voluntária que cria um uma rede de apoiadores através do selo. Além de apoiar o projeto, essa campanha ressalta a necessidade e o anseio da região por mais opções de entretenimento e lazer.

Use o selo, dissemine essa idéia: apóie a cultura em casa.

20 de set de 2009

Campanha Publique-se!

domingo, setembro 20, 2009

Em um dia desses bati o olho nesse excelente texto do meu conhecido - e futuro grande amigo -, Érico Assis, e ele fala muito do que eu penso a respeito da atual internet, que torna o caminho entre quem escreve e seu futuro e eventual leitor muito mais curto e direto, sem a burocracia das companhias ditas "facilitadoras".

Por isso, estou republicando-o aqui. Espero que você, ao lê-lo, faça como eu, como o Érico e como milhões de pessoas que já perceberam isso em todo o mundo: coloque a cara para bater, mostre o que você pensa, sem medo. Publique-se, que, com certeza, o que você pensa, o que você faz, irá tocar alguém em algum lugar nesse mundo, e a sua vida irá se tornar muito mais interessante.

Não tenha medo, mostre o seu talento!

(Ricardo Seelig)

Por Érico Assis
Professor da Unochapecó, jornalista do site
Omelete, tradutor de gibis da Quadrinhos na Cia., AAA do Estúdio Alice, blogueiro no www.ericoassis.com.br, marido da Marcela e gordo.

Acho incrível que, em tempos de web 2.0 (ou 3.0, ou 4.0, 17.62, sei lá), ainda tenha gente enrolando pra mostrar o que cria. Conheço gente demais que escreve muito bem, desenha, fotografa, compõe, que filosofa ou borda maravilhosamente e não mostra isso para o mundo. Essa é a grande maravilha da web: todo mundo tem acesso a tudo, mas você só alcança o mundo (ou um nicho) se tiver algo legal pra mostrar. E essa regra vale pra todos: quem tiver a ideia vai atrair o público.

Boa notícia: ferramentas de publicação são cada vez mais fáceis. Abrir uma conta no Flickr e no MySpace e no YouTube te toma cinco minutos. Criar um blog leva uns 100 toques no teclado – menos que uma twittada. Aliás, twittar o link do que você publicou toma o tempo de um CTRLC+CTRLV. E pronto! Você virou uma pessoa-mídia com uma audiência do tamanho da qualidade do que faz.

Não tem ideias? Ah, se você é um ser humano, tem pelo menos uma boa ideia por ano. Tem preguiça? Ora, dê um exercício pros dedos gordos. Excesso de autocrítica? Parabéns! Gente demais joga qualquer coisa na web sem qualquer julgamento. Não tem tempo? "
Oh, tenho que pagar as contas neste mundo capitalista cruel…"

Primeiro: viver trabalhando pros outros, por melhor que seja o salário, não compensa. Segundo: pense a longo prazo – seja visto agora pra criar e manter contatos no futuro. Terceiro: neste momento, seu chefe ou cliente está acessando o site do cara que vai ser contratado no seu lugar.

No fim das contas, há duas vantagens: a pessoal, que é de você dizer "eu que fiz" e receber umas massagens no ego; e a social, que é de você colaborar com suas ideias para impulsionar outras ideias que tornem o mundo mais legal.

Já tive vários dias que mudaram de rumo por causa de um texto, de um vídeo, de um desenho. Já aconteceu com você também? Mexer com a cabeça de uma pessoa é incrível, e se isso vai acontecer que seja pelas suas ideias – desde que publicadas.


Loki, o documentário sobre Arnaldo Baptista

domingo, setembro 20, 2009

Por Rogério Ratner
Músico e Escritor
Blog do Rogério Ratner

É emocionante, sob todos os aspectos, o filme
Loki, sobre Arnaldo Baptista, líder dos Mutantes. Um excelente trabalho do diretor Paulo Fontenelle e sua equipe, que souberam costurar muito bem as cenas de arquivo, as entrevistas, as apresentações, com um ótimo timing.

Após ver o filme, pus-me a refletir sobre algumas coisas, que podem ser bobagem, mas que me ocorreram. É que de súbito surgiu na minha cabeça a seguinte pergunta: porque a história de Arnaldo é capaz de nos mobilizar tanto emocionalmente? Dito de outra forma, porque, em meio a enormes talentos dentro da música brasileira, dos mais diversos estilos, surgidos no final dos anos 60 e durante os anos 70, Arnaldo - que, sem dúvida, era um deles -, nos suscita tanta comoção?

Diversas coisas ocorreram-me como resposta. Em primeiro lugar, é claro, porque Arnaldo é de um talento tremendo, de uma criatividade única, de uma humanidade ímpar, de uma honestidade indiscutível, sem dúvida alguma. Mas isto, por si só, não parece ser suficiente para satisfazer a incógnita, pois muita gente boa surgida naquela época também tinha estas características. Basta lembrarmos de nomes como Walter Franco, Tom Zé, Jorge Mautner, Hermes Aquino, Sérgio Hinds e tantos outros talentos que foram despejados, em maior ou menor grau, da grande máquina das gravadoras no período.

O que parece fundamental, como explicação para o que ele mobiliza em nós, além de sua genialidade, é, ao menos pra mim, o aspecto épico de sua história pessoal. Ou seja, é a gangorra emocional e profissional, desde o ápice do sucesso e da felicidade até o fundo do poço afetivo e do reconhecimento popular, com o seu tardio (embora, felizmente, não tarde demais) ressurgimento triunfal, que emociona profundamente. De alguma forma, a sua história é uma metáfora de toda a trajetória humana, embora, em geral, não seja comum que a maioria das pessoas viva estes contrastes de altos e baixos de forma tão aguda quanto Arnaldo viveu. Neste sentido é que, então, o seu caminho torna-se transcendente, catártico, arquetípico e épico, e nos toca profundamente.

Em verdade, a história de Arnaldo, em termos profissionais, não fosse todo o turbilhão de problemas emocionais e pessoais que vivia, e que se misturaram, evidentemente, à questão profissional e a invadiram e a contaminaram, não era assim tão imprevisível. Com isto, quero dizer que me parece que o período de entressafra vivido por Arnaldo em sua carreira, após a saída de Rita Lee dos Mutantes e após a sua própria saída da banda, não parece haver decorrido apenas de seus problemas pessoais, mas também de um contexto. Vale dizer, é bem possível que mesmo que ele não entrasse no inferno astral pessoal, talvez profissionalmente as coisas não caminhassem de forma muito diferente, muito embora, sempre é bom ressalvar, a própria crise pessoal tenha invadido a sua própria criação, diminuindo as suas chances comerciais, embora a grande densidade e qualidade musical e artística de sua fase "depressiva".

Com efeito, o rock brasileiro dos anos 70, pode-se dizer assim de forma quase geral, ao enveredar pelo caminho do progressivo e ao radicalizar demais na psicodelia, entrou, de uma certa forma, sob o aspecto comercial, num beco sem saída - não digo no aspecto artístico, pois era música de excelente qualidade. De fato, após a explosão comercial da Jovem Guarda, nos anos 60, da qual, sem dúvida, os Mutantes entraram no rastro, evoluindo, claro, para a psicodelia via Tropicália, o rock brasileiro, em termos comerciais, ficou em um nicho muito particular, encolheu-se, embora tenha crescido, sem dúvida, em termos de criação artística.

Assim, pode-se dizer, sem muito risco de erro, que é bem possível que Arnaldo, mesmo que não passasse pelos problemas pessoais todos que teve no período, em termos de sucesso comercial, fosse também cair na entressafra que se abateu sobre o rock brasileiro. De fato, daquela conjuntura poucos artistas e bandas se safaram, sendo a mais notória a própria Rita Lee, que ao ir para o caminho do glitter (o que implicava em boas doses de folk e hard rock), conseguiu ficar relativamente bem nas paradas de sucesso.

Afora ela, os sucessos comerciais do rock brasileiro foram muito episódicos. Os roqueiros da Jovem Guarda, por sua vez, nos anos 70, de uma forma geral, deixaram de fazer rock strictu sensu: ou foram para o lado das canções românticas algo melancólicas, seguindo a vertente de Roberto Carlos; ou foram para a MPB; ou para a música sertaneja; e alguns, ainda, fundaram bandas de rock nos anos 70 que recaíram, justamente, na mencionada vertente do progressivo.

Neste contexto, vale lembrar que as grandes bandas dos anos 70 (Casa das Máquinas, O Terço, Tutti Frutti, Som Nosso de Cada Dia), no final da década estavam comercialmente marginalizadas. De fato, foi somente no final da década e no início dos anos 80 que muitos artistas surgidos nos anos 70, exorcizados de maiores psicodelismos e progressivismos, voltaram a realmente figurar na programação das rádios e na parada de sucessos: foi o caso dos Novos Baianos Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Baby Consuelo e A Cor do Som; de Guilherme Arantes, que nos 70 integrou o Moto Perpétuo; do 14 Bis, com ex-componentes do Terço e do Bendegó; os ex-Vímana Lobão, Lulu Santos e Ritchie; Dalto; do Roupa Nova; e, claro, da própria Rita Lee, que no final dos 70 repaginou-se para um som mais light, mais pop e influenciado pela onda disco. Ou seja, dentro do contexto do rock brasileiro dos anos 70, o sumiço de Arnaldo do mainstream da música brasileira não seria uma anomalia, sob o aspecto comercial.

Vale dizer, a história de Arnaldo talvez não chamasse tanto a atenção se a tragédia pessoal não houvesse invadido a sua existência. Não fosse isto, talvez ele fosse apenas mais um artista genial, que, após um período de evidência e ápice, teria sido ejetado da indústria do disco, então estruturada na necessidade de um sucesso quase imediato (de preferência, no primeiro disco solo, no máximo no segundo, e, aos 45 do segundo tempo, em um último suspiro, no terceiro disco, chance dada a poucos).

Assim, parece-me que é a mistura da genialidade de sua obra, a profundidade de como a sua vida pessoal misturou-se à sua obra, e o roteiro da euforia seguida de depressão, seguida - após longo período sabático, é verdade, por sua vez, da redenção contemplativa e da aceitação dos limites humanos -, que trouxe, em alguma medida, embora bem restrita, a sua alegria juvenil de antes do período de depressão e de envolvimento com drogas, que faz da história de Arnaldo a formação de um verdadeiro mito grego modernizado no tempo do Brasil psicodélico.

Enfim, a velha combinação da tragédia e da redenção, ao mesmo tempo tão mítica e ancestral, e, ao tão moderna, é que nos suscita esta emoção tão profunda. E o grande artista que Arnaldo é, como antena da raça, ao mesmo tempo super-homem e tão humano, demasiado humano, e por isso, forte e frágil, indiscutivelmente nos seduz tremendamente.

Parafraseando a música de O Terço, a história de Arnaldo é o verdadeiro "Vôo da Fênix".

Feira do vinil na Av Paulista

domingo, setembro 20, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Pra dar água na boca, um vídeo da última feira do vinil realizada na Av Paulista, ao do Trianon. A feira é organizada pelo Sr Tangerino, lojista tradicional da região, e acontece em todos os feriados.

Essa aconteceu no último dia 07 de setembro. Por ser um feriado nacional e ter feito um dia bem bonito na capital de São Paulo, a feira ficou bastante movimentada, inclusive com feirantes vindos de outras cidades e estados.

Este é um registro simplório do que rola, e foi produzido pelo Paulo Beto, segundo ele, "com uma estética de vídeo de churrasco".

Delicie-se!

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