2 de out de 2009

Relançamentos do Black Sabbath em LPs de 180 gramas

sexta-feira, outubro 02, 2009

Por Tony Aiex
Colecionador
Tenho Mais Discos Que Amigos

A
Because Sound Matters é uma loja online que só vende relançamentos de várias bandas legais em vinil de altíssima qualidade, normalmente pesando 180 gramas e também normalmente com algum destaque, como LPs coloridos, caixa gatefold, entre outros detalhes.

Não, a loja não é uma ação de caridade de algum maluco que resolveu sair relançando clássicos do rock em versões cool, mas sim uma iniciativa da Warner Bros e das suas afiliadas Nonesuch, Reprise e Sire para presentear seus fãs com edições bacanas de discos das suas bandas preferidas.

Com o Black Sabbath não foi diferente, e a Because Sound Matters está lançando quatro discões das lendas do heavy metal em versões pra lá de especiais.

Se liga nas versões especiais:

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Heaven and Hell, de 1980, em vinil de 180 gramas

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Mob Rules, de 1981, em vinil de 180 gramas

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Live Evil, de 1982, em vinil duplo de 180 gramas

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Dehumanizer, de 1992, em vinil de 180 gramas

Vale lembrar que por ser de 180 gramas o LP é muito melhor manuseado, sem contar que não flutua na bandeja da vitrola, o que evita efeitos desagradáveis e outras distorções no som. Um bolachão de 180 gramas é muito mais bacana do que o convencional, por passar a impressão de mais solidez e maior qualidade ao ser retirado da caixa.

A única ressalva é o preço (18 dólares cada, sem contar a taxa de importação), até certo ponto justificável, pelo fato de se usar mais material na produção de um disco pesado como esse, já que o disco normal pesa em média 120 gramas.

Se você é fã do Black Sabbath, não perca esta oportunidade, e fique de olho, pois muito provavelmente outros títulos dos caras serão relançados nesse esquema também.

1 de out de 2009

Loucos por Coleções: Bento Araújo

quinta-feira, outubro 01, 2009

(publicado originalmente no site Loucos por Coleções)

Perfil do colecionador: O paulistano Bento Araújo, 32 anos, é jornalista - edita a ótima
Poeira Zine - e músico. "Compro LPs sem parar", revelou à equipe do Loucos. Aqui, você confere o depoimento completo desse colecionador de LPs e revistas sobre música.

Orgulhoso de seus LPs

"
Minhas aventuras no incrível universo colecionável começaram em 1984, quando tinha apenas 7 anos. Estava para acontecer a primeira edição do Rock In Rio, e eu tinha caído de amores pela banda alemã Scorpions. O clip da música "Rock You Like a Hurricane" passava direto na TV. Guardei a grana da mesada para comprar o LP deles. O mais engraçado é que eu era tímido e por isso pedi para a minha mãe cantarolar a música para o vendedor, que usava uma roupa de caubói supercafona, já que a loja se chamava Dallas!

Desde então, não parei mais. Tenho amigos que me trazem preciosidades do Japão e de todos os cantos do mundo. E hoje a internet também ajuda o colecionador de LPs a encontrar raridades, como alguns compactos.

Também sou viciado em revistas antigas, principalmente as de música. Tenho todas as raríssimas edições brasileiras da Rolling Stone lançadas em 1972. Também a Rock História & Glória/Jornal de Música, Bondinho, Flores do Mal, Pop, Canja, Intervalo e outras. Na minha coleção também tenho revistas americanas, como Circus e Hit Parade.

Já passei por alguns apuros e curiosidades por conta da minha coleção. Quando era garoto, fazia negociações de LPs que duravam mais de um dia, com amigos da escola. Isso deixava minha mãe maluca! Cheguei a dormir com um disco do lado da cama, tomar banho com LP (para lavá-lo no chuveiro com sabão de coco) e outras maluquices.

A banda que mais curto e coleciono é o Grand Funk Railroad, norte-americana, que fez muito sucesso na primeira metade dos anos 70. Tenho seis edições diferentes dos álbuns deles, em prensagens brasileiras, americanas, inglesas, japonesas, peruanas, argentinas, italianas. Tenho cerca de 40 compactos diferentes da banda e também alguns bootlegs. Tudo o que vejo deles na minha frente, compro! Ainda me faltam algumas gravações em cartuchos de oito pistas, itens completamente obsoletos, mas com um charme inigualável …
"

30 de set de 2009

AC/DC revela detalhes sobre novo box set

quarta-feira, setembro 30, 2009

Por Bento Araújo
Colecionador e Jornalista
Poeira Zine

No próximo dia 10 de novembro os fãs do AC/DC já poderão adquirir o novo box set a ser lançado pela banda.
Backtracks, como reportado pela revista inglesa Classic Rock, será dobrável no estilo amplificador, permitindo que as músicas sejam ouvidas através da caixa, de um watt de potência. O box também funcionará como um amplificador de verdade, então você poderá tocar guitarra por cima dos sons do AC/DC.

Limitada em 50.000 cópias e disponível apenas para compra através de um site criado pela banda (abaixo segue o endereço da página), o box será composto de três CDs, dois DVDs e um LP. O primeiro disco contará com faixas raras da carreira do grupo: lados B de singles, canções que pintaram em trilhas sonoras e nos lançamentos australianos da banda. Os outros dois CDs virão com gravações raras ao vivo, registradas ao longo dos anos.

O primeiro DVD é um complemento para a série
Family Jewels, com mais clipes promocionais e faixas ao vivo. O outro DVD tem um show completo no Circus Krone, em Munique, em 2003. O LP trará algumas das raridades de estúdio contidas também no CD 1.

Além disso, o box ainda contará com um mega e luxuoso book de 164 páginas e um envelope repleto de memorabílias; um botom com a inscrição "
I do it for AC/DC", o primeiro item de merchandise da banda; o flyer de Lock Up Your Daughters de 1976; a ficha completa de gravação de Dirty Deeds Done Dirt Cheap; um pôster da Let There Be Rock European Tour ‘77; um dólar australiano Money Talks; três litografias de fotos nunca antes vistas do grupo no Alberts Studio em 1977; palheta com o logotipo do conjunto e uma réplica da tatuagem do papagaio de Bon Scott.

A belezinha custará cerca de R$ 840, isso sem contar o frete.

Confira abaixo o conteúdo do material:

CD 1: STUDIO RARITIES

1. High Voltage (Original Australian Release)
2. Stick Around
3. Love Song
4. It’s A Long Way To The Top (If You Wanna Rock ‘N’ Roll) (Original Australian Release)
5. Rocker (Original Australian Release)
6. Fling Thing
7. Dirty Deeds Done Dirt Cheap (Original Australian Release)
8. Ain’t No Fun (Waiting Around To Be A Millionare) (Original Australian Release)
9. R.I.P. (Rock In Peace)
10. Carry Me Home
11. Crabsody In Blue
12. Cold Hearted Man
13. Who Made Who – 12″ extended mix
14. Snake Eye
15. Borrowed Time
16. Down On The Borderline
17.Big Gun
18. Cyberspace

CD 2: LIVE RARITIES

1. Dirty Deeds Done Dirt Cheap (live) (Sydney Festival, 30 Jan.1977)
2. Dog Eat Dog (live) (Apollo Theatre, Glasgow, 30 Apr. 1978)
3. Live Wire (live) (Hammersmith Odeon, London, 2 Nov. 1979)
4. Shot Down in Flames (live) (Hammersmith Odeon, London, 2 Nov. 1979)
5. Back In Black (live) (Capital Center, Landover MD, 21 Dec. 1981)
6. T.N.T. (live) (Capital Center, Landover MD, 20 Dec. 1981)
7. Let There Be Rock (live) (Capital Center, Landover MD, 21 Dec. 1981)
8. Guns For Hire
9. Sin City (live) (Joe Louis Arena, Detroit MI, 18 Nov. 1983)
10. Rock ‘N’ Roll Ain’t Noise Pollution (live) (Joe Louis Arena, Detroit MI, 18 Nov. 1983)
11. This House Is on Fire (live) (Joe Louis Arena, Detroit MI, 18 Nov. 1983)
12. You Shook Me All Night Long (live) (Joe Louis Arena, Detroit MI, 18 Nov. 1983)
13. Jailbreak (live) (Dallas TX, 12 Oct. 1985)
14. Shoot To Thrill (live) (Donington Park, 17 Aug. 1991)
15. Hell Ain’t A Bad Place To Live (live) (Donington Park 17 Aug. 1991)

CD 3: LIVE RARITIES

1. High Voltage (live) (Donington Park 17 Aug. 1991)
2. Hells Bells (live) (Donington Park 17 aug. 1991)
3. Whole Lotta Rosie (live) (Donington Park 17 aug .1991)
4. Dirty Deeds Done Dirt Cheap (live) (Donington Park 17 aug. 1991)
5. Highway To Hell (live) (Tushino Airfield, Moscow, 28 Sept. 1991)
6. Back In Black (live) (Tushino Airfield, Moscow, 28 Sept. 1991)
7 For Those About To Rock (We Salute You) (live) (Tushino Airfield, Moscow, 28 Sept. 1991)
8. Ballbreaker (live) (Plaza De Toros De Las Ventas, Madrid, 10 July 1996)
9. Hard As A Rock (live) (Plaza de Toros De Las Ventas, Madrid, 10 July 1996)
10.Dog Eat Dog (live) ( Plaza de Toros De Las Ventas, Madrid, 10 July 1996
11. Hail Caesar (live) (Plaza De Toros De Las Ventas, Madrid, 10 July 1996)
12. Whole Lotta Rosie (live) (Plaza De Toros De Las Ventas, Madrid, 10 July 1996)
13. You Shook Me All Night Long (live) (Plaza De Toros De Las Ventas, Madrid, 10 July 1996)
14. Safe In New York City (live) (Pheonix AZ, 13 Sept. 2000)

DVD 1: FAMILY JEWELS 3

VIDEOS
Big Gun
Hard As A Rock
Hail Caesar
Cover You In Oil
Stiff Upper Lip
Satellite Blues
Safe In New York City
Rock N Roll Train
Anything Goes

BONUS VIDEOS
Jailbreak
It’s A Long Way To The Top (If You Wanna Rock ‘N’ Roll)
Highway To Hell
You Shook Me All Night Long
Guns For Hire
Dirty Deeds Done Dirt Cheap (live)
Highway To Hell (live)

BONUS FEATURES
The Making Of Hard As A Rock
The Making Of Rock N Roll Train

DVD 2 LIVE AT CIRCUS KRONE, MUNICH

1. Introduction
2. Hell Ain’t A Bad Place To Be
3. Back In Black
4. Stiff Upper Lip
5. Shoot to Thrill
6. Thunderstruck
7. Rock N Roll Damnation
8. What’s Next To The Moon
9. Hard As A Rock
10. Bad Boy Boogie
11. The Jack
12. If You Want Blood (You’ve Got It)
13. Hells Bells
14. Dirty Deeds Done Dirt Cheap
15. Rock N Roll Ain’t Noise Pollution
16. T.N.T.
17. Let There Be Rock
18. Highway To Hell
19. For Those About to Rock (We Salute You)
20. Whole Lotta Rosie

RARITIES 180 GRAM LP

SIDE A
1. Stick Around
2. Love Song
3. Fling Thing
4. R.I.P. (Rock In Peace)
5. Carry Me Home
6. Crabsody In Blue

SIDE B
1. Cold Hearted Man
2. Snake Eye
3. Borrowed Time
4. Down On The Borderline
5. Big Gun
6. Cyberspace



28 de set de 2009

Eric Clapton: A Autobiografia

segunda-feira, setembro 28, 2009

Por Rodrigo Werneck
Colecionador
Whiplash!

Independentemente do fato de concordarmos ou não com as célebres pixações "
Clapton is God" que surgiram em Londres no fim dos anos 60, o fato é que esse inglês de aparência pacata vem se mantendo com grande sucesso no mercado musical já há quase cinco décadas. Boa parte dessa história é contada, de forma bastante eficiente por sinal, em sua autobiografia, lançada no Brasil (em português, portanto) pela Editora Planeta.

Talvez poucos músicos tenham feito de forma tão perfeita a transposição entre o blues e o rock quanto Eric Clapton. Tendo participado de grupos seminais como The Yardbirds (do qual fizeram parte também Jeff Beck e Jimmy Page), John Mayall’s Bluesbreakers e Cream (junto a dois outros monstros sagrados, Jack Bruce e Ginger Baker); de projetos breves mas que marcaram a história da música de forma indelével, como Derek & The Dominos (com Duane Allman, da Allman Brothers Band) e Blind Faith (com Steve Winwood, do Traffic); e tendo desenvolvido desde então uma carreira solo de grande sucesso, Clapton certamente tinha muita história para contar. E contou, sob sua perspectiva, neste livro.

É importante frisar que o enfoque principal da obra não é o aspecto musical de sua carreira, mas sim o aspecto pessoal. Claro, a música está sempre presente na narrativa, e não poderia deixar de ser, mas o que transparece é mesmo que o guitarrista tinha uma espécie de necessidade de botar pra fora todos os seus demônios, meio que num processo de "limpeza geral" que a sua vida vem sofrendo nos últimos anos.

De qualquer forma, é fascinante entender como uma personalidade como a de Clapton foi sendo moldada ao longo dos anos, e vários nomes que vão surgindo são, obviamente, bastante conhecidos: Chris Farlowe, John Lennon e Yoko Ono, George Harrison, Mick Jagger, Ron Wood, Roger Waters, Phil Collins, Albert Lee, Bob Dylan, Mick Fleetwood, John McVie, Alexis Korner, Jimi Hendrix. Não deixa de ser um relato (ou pelo menos uma visão) de como a cena rhythm’n’blues e, depois, blues/hard rock, foi formada na Inglaterra, especialmente.

Clapton passa a idéia de nunca ter inteiramente compreendido toda a veneração por seu nome, manifestando uma reação dupla em relação a isso, por vezes negando-a e por vezes simplesmente aproveitando o momento. Histórias como a da pixação de "
Clapton is God", ou de como surgiu seu apelido "slowhand" ("mão lenta"), ou sobre sua paixão por Pattie Boyd (esposa de George Harrison), são narradas no livro, de certa forma desmistificando a sua figura.

Sua visão pessoal da cena inglesa (e norte-americana) do final dos anos 60 e início dos 70 nos ajuda a melhor compreender como tudo se desenrolou. Ele cita, por exemplo, que seu estilo diferia do de Page e Beck, pois eles eram mais influenciados pelo rockabilly, enquanto que ele tinha raízes mais profundas no blues.

Chega a ser impressionante (e louvável) a forma extremamente sincera com a qual Clapton trata no livro de temas polêmicos, como o consumo de drogas e álcool de forma desenfreada, quase o matando em algumas ocasiões, entre outras questões. Vários dos relatos são oriundos de anotações de seu próprio diário.

Tragédias não ficaram de fora, como a morte de seu filho Conor, assim como as de Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan.

Não é um livro pequeno (são quase 400 páginas), mas é uma leitura tão fluida e fácil que de forma alguma se torna cansativa. Mais um trabalho bem feito de um artista que dá a si próprio menos créditos do que merece (e do que recebe dos outros).

A origem do space-rock

segunda-feira, setembro 28, 2009

Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador

A taxonomia musical é largamente aplicada e exagerada, mas muitas vezes fica difícil fugir dela quando há a necessidade de descrever com uma maior precisão o som de uma banda ou de um conjunto de bandas. No caso, o próprio termo "rock progressivo" esbarra em divergências e muitos músicos, do que os próprios ouvintes consideram como tal, negam o termo.

Confusão maior ainda se instala quando alguém surge com um termo para designar uma parte desse grande universo sonoro. Porém, convenhamos - é realmente um pouco complicado tentarmos achar uma associação clara entre o som de Yes, Can, Soft Machine, Gentle Giant, Focus, Guru Guru ou Renaissance, para exemplificar, todos dentro de um conceito geral de rock progressivo. Daí pipocam mil maneiras de se colocar cada um num compartimento separado, tentando achar semelhanças e divergências entre os trabalhos. Na verdade, tudo fazia parte de uma época muito eclética, de diversificação e experimentação dentro do rock, ou da música jovem (como preferirem).

Partindo desse pressuposto, um destes termos que surgiu como sub-gênero dessa coisa maior denominada rock progressivo foi o termo space-rock (cunhado já no fim dos anos 60). Com a chegada do homem à lua e toda a corrida espacial entre EUA e URSS que a precedeu, a ficção a respeito do tema cresceu muito, em seriados, filmes e desenhos animados. Até mesmo o design dos carros e eletrodomésticos nos anos 50 e 60 foi influenciado por isso. E claro que no rock isso não seria diferente. Em 1966 os Byrds já abordavam esse tipo de coisa em músicas, ainda que bem singelas, como "Hey Mr Spaceman" e "Fifth Dimension".

Com o advento da cultura psicodélica e todo seu aparato de adictos para a "expansão da mente", atingiu-se um novo patamar de possibilidades dentro do rock, e esses terrenos passaram a ser mais explorados. Trabalhos celébres dos Beatles e Beach Boys começaram a inovar no sentido de acrescentar ruídos do cotidiano em músicas, e também ruídos provenientes de novos equipamentos que estavam sendo construídos na época - os sintetizadores. Isso tudo foi combustível para que um sem número de grupos também usasse e abusasse deste tipo de recurso, muitas vezes se valendo deles de forma muito inventiva. Somaram-se também as novas tecnologias de efeitos sonoros que se popularizavam na época - reverb, delay, wah-wah, flanger, etc.


Em 1967 a estreia do Pink Floyd foi um marco nesse sentido, usando os efeitos sonoros dos pedais de guitarra e dos teclados para a criação de climas que remetiam à viagens espaciais e coisas relacionadas. Jimi Hendrix também foi um precursor nesse sentido, mas a maneira como ele experimentava os diversos recursos que tinha em mãos levava seu som para uma direção um pouco diferente da que o Pink Floyd conseguia. Pode se dizer que essa tendência do space-rock começou por ali, não como uma nova forma musical, mas sim como um novo aparato sonoro para a construção de intenções e climas diferenciados na música.

Nos anos 70 essa tendência também culminou em uma outra linha - a música eletrônica, feita quase que exclusivamente com sintetizadores e baterias eletrônicas, precursionada por gente como Tangerine Dream, Kraftwerk, Cluster e outros grupos alemães, principalmente. Em geral, existem poucos grupos que mergulharam tão fundo nessa tendência a ponto de serem até considerados como bandas de space-rock, mas podemos citar sem muita chance de exagero o próprio Pink Floyd na fase pré-Dark Side of the Moon, o Hawkwind e o Gong, como exemplos mais famosos.


Uma gama muito grande de bandas passearam pelo space-rock. Tanto as mais pesadas, como o UFO, Captain Beyond, Cargo, Road e Steamhammer, quanto as mais progressivas / experimentais, como o Soft Machine, Nucleus, Agitation Free, Embryo, Nektar, Khan e Steve Hillage (carreira solo), entre outros. Aqui no Brasil dos anos 70, as bandas que flertaram um pouco com essa seara foram O Terço e o Som Nosso de Cada Dia (na fase em que se transformou em um quarteto).

Como características principais, o space-rock traz diversos efeitos sonoros, letras remetendo a ficção científica (a despeito da maioria dos exemplos ser de música instrumental), timbres inovadores de sintetizadores, uso extensivo de pedais que modificam o som dos instrumentos acústicos e batidas e estruturas repetitivas e/ou hipnóticas. Enfim, tudo uma grande viagem sideral!


O programa Estação Rádio Espacial, veiculado pela Solid Rock Radio toda quarta-feira a partir das 21 horas, traz na próxima edição, dia 30 de setembro, um mini-especial de space-rock, tocando alguns exemplos dessa tendência dentro do rock progressivo. Estação Rádio Espacial é um programa dedicado ao rock progressivo e hard rock dos anos 70, a linguagem art-rock, tocando raridades, lado B e som underground (além de alguns clássicos também). Reprise do programa, toda quinta, 19 hs.

Apresentação e produção musical: Ronaldo Rodrigues.

Abbey Road: os 40 anos do último álbum dos Beatles

segunda-feira, setembro 28, 2009

Por Vitor Bemvindo
Historiador e Colecionador

Poderia uma banda com sérios problemas de relacionamento produzir um dos melhores álbuns de sua carreira? Quando se trata dos Beatles a resposta é óbvia: sim! O talento absurdo de cada um dos seus membros, combinado com uma química inigualável quando estavam juntos, ajudava a banda a superar crises e se focar na criatividade. Foi o que aconteceu em Abbey Road que está comemorando seus 40 anos de lançamento - o disco chegou às lojas no dia 26 de setembro de 1969.

O ano de 1969 foi extremamente traumático para os Beatles. Começou com a reunião da banda para as sessões de gravação do disco Get Back (que seria lançado uma ano mais tarde como Let It Be). Durante janeiro e fevereiro daquele ano as tensões entre os membros da banda mostraram-se destruidoras e o processo de produção do álbum foi desastroso. Todos os problemas fizeram com que o grupo interrompesse a produção de Get Back para tirar férias uns dos outros, até que esfriassem a cabeça e pudessem estar novamente juntos.

As tensões começaram a se evidenciar durante as gravações do álbum duplo The Beatles (mais conhecido como White Album), quando as divergências criativas se expuseram de maneira mais clara, ficando cada um responsável por um número determinado de faixas. O álbum acabou se tornando quase uma compilação de canções solo de cada integrante. Esse processo foi amenizado em Get Back, mas as divergências tornavam a convivência quase insustentável.

Depois da histórica aparição no telhado da gravadora Apple, cada um dos Beatles seguiu um caminho para tentar esquecer os problemas. O fanfarrão Ringo Starr resolveu investir na carreira de ator, protagonizando, ao lado do genial Peter Sellers, o filme The Magic Christian (lançado no Brasil como Um Beatle no Paraíso). John Lennon se engajou em sua campanha pela paz, lançado o single de sucesso "Give Peace a Chance" com a Plastic Ono Band. Paul McCartney resolveu tirar férias, mas mesmo assim trabalhou na produção do primeiro álbum da banda Badfinger (que acabaria por virar a trilha sonora de The Magic Christian). George Harrison se empenhou na finalização de seu segundo álbum solo, Eletric Sound, e logo em seguida iniciou o processo de produção do primeiro LP de Billy Preston.

Mas todos concordaram em abandonar temporariamente os projetos pessoais quando Paul sugeriu a George Martin (produtor de quase todos os álbuns do Fab Four) que os Beatles voltassem ao estúdio, como nos velhos tempos, para gravar um disco. Martin hesitou em aceitar o convite, pois temia que o projeto tivesse a oposição de John Lennon, que ao contrário do que se pensava, logo aprovou a idéia. Martin concordou em produzir o LP desde que o processo fosse levado coletivamente e que não houvesse problemas no relacionamento entre os quatro.

A idéia de dirimir as divergências criativas entre o quarteto durou pouco. John Lennon e Paul McCartney discordaram logo no princípio do processo, quanto ao conceito do álbum. Enquanto Lennon queria fazer um álbum básico de rock, com pouca pós-produção e overdubs, McCartney defendia a idéia de fazer uma ópera rock grandiosa, com arranjos orquestrados e muitos efeitos. A solução encontrada foi dividir o trabalho: o lado 1 seria como John idealizou, e o 2 teria as idéias de Paul. E assim foi feito.


A música que abre o disco era um convite à reunião. Apesar de todos os problemas e sabendo que o fim estava próximo, todos concordaram em deixar como tema de abertura "Come Together". Poucos sabiam, no entanto, que a faixa trava-se de um jingle eleitoral, elaborado pro Lennon para a campanha de Timothy Leary ao governo da Califórnia. Leary era um escritor entusiasta dos psicotrópicos, em especial do LSD, que por seu engajamento em defesa da liberalização das drogas era tido como um guru para a geração de fins dos anos 1960. Por fim, Leary desistiu da candidatura, mas Lennon resolveu aproveitar a canção, que nascera inspirada na faixa "You Can't Catch Me" de Chuck Berry. A canção de Lennon copiava deliberadamente alguns versos da de Berry, o que rendeu um processo contra o Beatle. No final, um acordo judicial livrou-o do processo com um acordo que previa a gravação de duas canções de Berry no seu disco solo Rock and Roll, lançado por John em 1975.

Outra polêmica em torno de "Come Together" foi a menção feita à Coca-Cola. Algumas redes de comunicação se negaram a executar a canção, por achar que se tratava de uma referência publicitária, mas nada foi provado a esse respeito.

O processo de gravação da faixa foi bem rápido. Em apenas nove tomadas a banda já havia concluído a canção. Mas isso não significou que as polêmicas entre os membros da banda não aconteceram. Lennon queria incluir um vocal confuso na introdução, que na verdade era a expressão "Shoot Me" (no sentido de "injete-me", ou na gíria "pique-me"). McCartney achou que isso poderia acarretar problemas judiciais por apologia ao uso de drogas. A solução encontrada foi mascarar a expressão, aumentando bastante a linha de baixo da canção. A solução, além de resolver esse "problema", deu uma sonoridade forte e agressiva à faixa, que agradou em cheio ao grupo e ao produtor George Martin.

A segunda faixa de Abbey Road, "Something", era uma composição feita por George Harrison para a sua então esposa, a modelo Pattie Boyd. O processo de produção da foi longuíssimo; foram necessários 36 takes até que tudo ficasse ao gosto da banda. Mas o processo tinha começado muito antes das sessões de gravação daquele álbum. George havia composto a música durante as gravações do White Album, e durante as sessões de Get Back (expostas no filme Let It Be) é possível perceber o grupo ensaiando a canção. O curioso é que um dos solos é feito por Lennon, que normalmente pouco se arriscava a fazer mais que as guitarras base. Há, ainda, a participação de Billy Preston no piano. O verso inicial da balada, "something in the way she moves", foi tirado da canção de mesmo nome de James Taylor. Nesse caso não houve complicações judiciais, já que Harrison e Taylor eram bons amigos e faziam parte da mesma gravadora.

Somente na terceira faixa se ouve o vocal solo de Paul McCartney, prova de que ele esteve um pouco ausente do processo de produção do lado 1 do disco. Em "Maxwell's Silver Hammer" Paul é responsável também pelo piano e pelo sintetizador, usado por influência de George Harrison, que havia abusado do recurso em seu segundo álbum solo. Rumores dão conta de que o processo de gravação dessa música foi um dos mais desgastantes da história da banda. Após gravar alguns violões e guitarras John teria abandonado o estúdio por achar as ideias de Paul para a canção por demais esdrúxulas. Entres as excentricidades de Paul estavam os sons de martelo batendo em uma bigorna e a bateria, que deveria ser tocada sem o som da caixa. A melodia harmoniosa contrasta com a letra sombria, que trata de um maníaco que atacava suas vítimas com um martelo. Um pouco do humor negro do compositor que todos taxavam como aquele que só sabia fazer musiquinhas açucaradas e de amor.

Paul volta a atacar em "Oh! Darling", na qual trabalhou muito, em especial nos vocais. Ele passou mais de uma semana trabalhando os vocais para que ficassem o mais vigoroso e áspero possível. Uma das lendas em torno das divergências entre McCartney e Lennon diz respeito que todo o esforço feito por Paul foi para que John não cantasse a canção, que tinha muito mais a ver com a sua voz. No fim das contas, o próprio John gostou do resultado e parece que a gravação da faixa foi uma das mais tranquilas do processo de Abbey Road.

No álbum saiu também a segunda composição de Ringo Starr em um trabalho da banda. A ideia surgiu durante uma viagem do baterista, quando em um tour de mergulho soube que os polvos juntavam pedras coloridas em frente às suas tocas, como forma de se proteger, formando assim um jardim, daí "Octupus's Garden" (jardim dos polvos). Assim como em sua primeira composição ("Don't Pass Me By"), a canção traz uma melodia agradável e pueril. Nesse caso, Ringo contou com a ajuda de George, como fica claro no filme Let It Be, apesar da faixa ser creditada somente ao baterista. Assim como havia sido feito em "Yellow Submarine", a banda voltou a usar efeitos que reproduzem sons aquáticos, como bolhas e ondas. A preocupação em passar um clima de fundo do mar chegou ao ponto de George e Paul fazerem os backing vocals gargarejando. Mais uma vez John se arriscou em um solo de guitarra. George também fez o seu!

Para fechar o lado 1, uma das faixas mais longas gravadas pelos Beatles: "I Want You (She's So Heavy)". Na verdade tratam-se de duas canções independentes ("I Want You" e "She's So Heavy"), que foram gravadas em épocas diferentes (a primeira nas sessões de Get Back e a segunda nas de Abbey Road), editadas de forma intercalada sem nenhuma espécie de transição. "I Want You" predomina na faixa, trazendo os vocais e a levada blues da guitarra de Lennon.

"She's So Heavy" foi inserida duas vezes durante a faixa, sendo que o epílogo da mesma é o riff da canção se repetindo constantemente e intensificado com efeitos de overdub e um sintetizador. A faixa é interrompida abruptamente e muito se especula sobre o sentido disso. Há especulações de que aquela interrupção seria uma metáfora sobre o fim repentino da banda, que se reuniu em estúdio pela última fez para terminar aquela canção. Outras versões dão conta de que a fita simplesmente acabou naquele ponto e o aspecto de inacabado agradou aos músicos.


Como já foi dito, o lado 2 de Abbey Road remete a ideia de Paul McCartney de fazer um espécie de ópera rock. Por isso existe uma incrível combatiblidade entre uma faixa e outra, sendo difícil apontar onde termina uma canção e começa a seguinte. Há algumas exceções a isso, como, por exemplo, na música que abre o lado B – "Here Comes the Sun" – mas, em geral, essa parte do LP parece composta por alguns grandes medleys.

A segunda composição de George Harrison para o álbum, "Here Comes the Sun", é mais um retrato do clima turbulento que cercava os Beatles naquele ano. Ela foi composta justamente em um dia de folga das gravações do disco. Harrison associava os dias que tinha que passar no estúdio de Abbey Road e nos escritórios da Apple Records como um verdadeiro inverno. A metáfora surgiu quando ele pode se libertar, por alguns dias, daquele clima, passando seus dias livres na casa do amigo Eric Clapton. O sol da canção não faz menção somente ao astro que ilumina a Terra, mas a melhora do clima ao se distanciar dos Beatles. Uma influência ainda mais direta de Clapton é a inspiração do dedilhado da guitarra, assumidamente inspirado em "Badge", canção composta pelos dois e lançada pelo Cream.

Na sequência vem uma faixa composta por John Lennon inspirada na "Sonata ao Luar" do compositor Ludwig van Beethoven. Ele compôs "Because" após ouvir Yoko Ono tocar a peça clássica ao piano. John pediu que sua esposa invertesse a ordem da sequência dos acordes e, após alguma reestruturação e a adição da letra, a música estava pronta. Nota-se, assim como em "Maxwell's Silver Hammer" e "Here Comes the Sun", o uso de sintetizador Mogg, adicionado por influência de Harrison. Outra adição foi um cravo, tocado por George Martin.

Iniciam-se, então, os medleys idealizados por Paul McCartney. Há uma discordância quanto ao fato de haver um ou dois medleys a partir de "You Never Give Me Your Money", mas há uma clara interrupção entre "She Came in Through the Bathroom Window" e "Golden Slumbers", marcando o fim de um e o começo de outro. Apesar de haver uma sequência ininterrupta entre essas faixas elas não têm, necessariamente, qualquer continuidade temática ou musical.

McCartney, certa vez, declarou que apesar de haver a vontade de se fazer uma ópera rock nessa parte do álbum, os medleys acabaram surgindo com uma forma de reunir diversos trechos de canções inacabadas escritas por ele e John. A verdade, no entanto, é que a continuidade entre as faixas é tão fluída e natural que se torna quase impossível ouvir cada uma dessas canções em separado.

A música que abre o primeiro medley – "You Never Give Me Your Money" – é, na verdade, também um medley de quatro canções. Apesar de creditada só com um nome, "You Never Give Me Your Money" trata-se apenas da primeira parte da faixa, na qual Paul retrata sua insatisfação com o momento financeiro da banda, cantando e tocando piano. Esses problemas relacionados com dinheiro são um capítulo a parte e seria por demais longo descrevê-lo. Resumidamente, Paul se mostrava bastante contrariado com a intromissão de Alan Klein nos assuntos da Apple e da banda. Houve grandes discussões em torno desse tema, quando eles tentavam substituir o empresário da banda, após a morte de Brian Epstein, em 1967.

A faixa continua com "The Magic Feeling", na qual Paul muda o estilo de tocar o piano, dando uma levada mais honk-tonk, encorpando o vocal para algo mais parecido com o que fizera em "Oh! Darling". A faixa ganha um tom mais rock and roll em "One Sweet Dream", quando nota-se a presença da guitarra de Harrison. Para finalizar, a última canção traz as vozes de John, Paul e George contando até sete e entoando o verso "all good children go to heaven" (toda as crianças boas vão para o céu). Ao final entra um fade-out sobreposto com o som de cricrilar de grilos, que vão se intensificando até o princípio da faixa seguinte.

"Sun King", segundo John Lennon, foi inspirado em um sonho que, aparentemente, não fez o menor sentido, a não ser para compor a faixa. A letra é um compilado de palavras, escolhidas ao ermo, em diversos idiomas (francês, italiano, espanhol e até português). Lennon disse que ele e Paul foram escrevendo várias palavras que vinham a cabeça em diversas línguas, sendo que alguma delas foram tiradas de jornais.

O medley prossegue com "Mean Mr Mustard", na qual se percebe um retorno a estrutura original do grupo. A faixa soa parecido com o que foi feito pelo quarteto nos primeiros anos de carreira, especificamente em álbuns como
Help! e Rubber Soul. A letra foi alterada para haver uma certa continuidade com a de "Polythene Pam", composta por John e baseada um contagiante riff executado num violão de 12 cordas.

Esse primeiro medley é finalizado por "She Came in Thought the Bathroom Window", música cuja letra retoma um fato ocorrido com a banda no auge da Beatlemania, quando uma fã subiu vários andares de um hotel, escalando um encanamento, e depois entrou pela janela do banheiro do quarto de um dos Beatles. A faixa foi uma das mais demoradas para ser finalizada, tomando dois dias das gravações. Naquele mesmo ano a canção ganharia um cover de Joe Cocker, que havia estourado um ano antes com uma versão para "With Little Help From My Friends".

Inicia-se então um segundo medley com a balada "Golden Slumbers", inspirada em algumas melodias celtas que Paul havia ouvido. A letra foi retirada, em parte, de um poema de Thomas Dekker. A canção emenda com "Carry the Weigth", na qual Paul, mais uma fez, demonstra a insatisfação com a situação da banda, evocando para si o papel de carregar o peso do grupo. Não por acaso a faixa retoma outra canção na qual o baixista reflete sobre os conflitos entre os membros do grupo, "You Never Give me Your Money".

Uma quebrada no ritmo traz "The End", intoduzida por guitarra, regida pelos vocais de Paul McCartney, seguida por um solo de bateria (o único feito por Ringo Starr durante sua passagem pelos Beatles) e um outro de guitarra. Na verdade são dois solos de guitarra sobrepostos, fazendo uma espécie de duelo entre as cordas de Lennon e Harrison. Há um forte mudança melódica, trazendo um piano e os vocais Paul, com backings de John, entoando o que muitos consideram o epitáfio da banda: "...
and in the end, the love you take is equal to the love you make" ("e no fim, o amor que você recebe é igual ao amor que você faz").

Parace que é definitivamente o fim, mas vinte segundos depois o silêncio é interrompido por "Her Majesty", uma espécie de releitura irônica do hino nacional da Grã-Bretanha, com um dedilhado de violão inspirado em Robert Johnson.

Sessão de fotos para a capa de Abbey Road

E, finalmente, veio o fim anunciado na canção anterior. Depois daquilo, nunca mais os Beatles se reuniram para compor ou gravar algo juntos. Cada um deles seguiu seu caminho em carreiras solo bem-sucedidas, como no caso John, Paul e George, e numa vida de bon vivant, como no caso de Ringo.

Abbey Road ficaria imortalizado com o epílogo da carreira da banda mais importante de todos dos tempos. As dezessete últimas obras de um grupo que esteve junto por muito pouco tempo, mas que mudou a forma de se fazer rock, de se comportar e de se viver.

A capa do álbum, como tudo relacionado à banda, tornou-se um ícone da cultura pop, levando milhares de pessoas à rua que deu o nome ao disco para reproduzir a fotografia registrada por Iain Macmillan.

Quarenta anos depois, a experiência de ouvir
Abbey Road ainda traz um frescor aos ouvidos. Frescor de músicos que estavam no auge de sua criatividade e que puseram um ponto final em suas histórias tão épico que nem todas as divergências entre eles foram capazes de macular.

O Mofodeu trouxe, essa semana, em sua 67ª edição, um especial que celebra os quarenta anos dessa obra-prima, tocando-o na íntegra e dissecando todo o processo de gravação do disco. Para ouvir o programa, basta acessar:
www.mofodeu.com

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