17/10/2009

Discoteca Básica Bizz#187: The Meters - The Meters (1969)


(Emerson Gasperin, Bizz#187, fevereiro de 2001)

Pergunte aos Red Hot Chili Peppers. A Public Enemy, LL Cool J, Ice Cube e NWA, entre vários nomes ligados ao rap. Pergunte a, hummmm, Rodrigo Audiolandro, do serelepe Mamelo Sound System. Todos fizeram a lição de casa e vão reagir da mesma forma: "Meters? Claaaasse!".

Enquanto houver alguém ou um sampler em busca de batidas improváveis e ritmos redondinhos, sempre existirá espaço para o grupo que definiu o funk de New Orleans a partir de 1969, com seu homônimo LP de estréia. Tem sido assim desde o começo da carreira da banda - ouvir Meters é descobrir um manancial de grooves e lamentar não ter conhecido a banda antes.

A primeira vítima a apresentar o sintoma foi o produtor e compositor Allen Toussaint, que no início dos anos 60 injetara soul no R&B local. Em 1968, ele viu Art Neville & Neville Sounds tocando no clube Ivanhoe e convidou o septeto para ser a banda de seu estúdio. Rebatizado como Meters e reduzido a um quarteto, o grupo passou a acompanhar Lee Dorsey, Betty Harris e demais artistas que gravavam pela Sansu Enterprises.

Não demorou muito para que os Meters recheassem seus próprios discos com suculentos instrumentais. Da influência primeira, Booker T & The MG's, eles desembocaram em um funk com a potência de um James Brown, a pegada de um Sly Stone, a riqueza de um Curtis Mayfield. E sem soar parecido com nenhum deles. Com o Hammond B3, Art Neville preenchia os intervalos da chacoalhante guitarra de Leo Nocentelli. Ambos eram perseguidos pelo baixo sinuoso de George Porter Jr. e pelas levadas perfeitas da bateria de Joseph "Zigaboo" Modeliste.

Contratada pela gravadora Josie, a banda chegou às lojas com o single "Sophisticated Cissy", conquistando o 69º lugar na parada. O compacto seguinte reservaria emoções mais fortes. "Cissy Strut", a abertura dos shows nos tempos de Ivanhoe, vendeu 200 mil cópias em duas semanas, atingindo a 23ª posição. O hit trouxe, refinada, aquela que seria a marca registrada do balanço dos Meters: Nocentelli e Porter brincando de gato e rato com seus instrumentos, Zig subvertendo a lógica e Neville encorpando o bolo.

O terceiro single, "Ease Back", exalava um ar do Caribe, um dos muitos elementos do caldeirão cultural de New Orleans. Mas um álbum cheio exigia mais. Surgiram "Here Comes the Meter Man", quase um remix de "Cissy Strut" (prática que o quarteto repetiria no terceiro disco, Struttin', em 1970, nomeando a canção de "Same Old Thing" na cara dura), "Seahorn's Farm", "Live Wire", sempre com algum acorde, alguma quebra que denunciava a presença dos Meters no ambiente. Duas covers, "Stormy" (do soft pop Classics IV) e "Sing a Simple Song" (de Sly Stone) mostravam que qualquer som, na mão dos quatro, ficaria a cara deles.

Para variar,
The Meters não foi um sucesso. Apesar de conferir à banda o prêmio de melhor grupo instrumental de R&B pela Billboard em 1969, nem arranhou o top#100. Após três álbuns nessa linha, nasceu um novo Meters, em 1972, contratado pela Reprise (ligada à Warner), com vocais e funks cada vez mais musculosos. Discos como Cabbage Alley e Rejuvenation os levaram a abrir a turnê dos Rolling Stones. New Directions, em 1977, pôs um ponto final na bem-aventurada carreira da banda.

De vez em quando, Neville arregimenta ex-integrantes e sai por aí como Funky Meters. Se você estiver em New Orleans, pode ir que a pajelança musical é garantida.


Faixas:
A1 Cissy Strut 3:00
A2 Here Comes the Meter Man 2:49
A3 Cardova 4:30
A4 Live Wire 2:35
A5 Art 2:30
A6 Sophisticated Cissy 2:50

B1 Ease Back 2:55
B2 6V6 LA 2:20
B3 Sehorn's Farm 2:25
B4 Ann 2:40
B5 Stormy 3:32
B6 Simple Song 2:56


Discos de rock viram selos no Reino Unido


Jude Quinn
Jornalista
Rolling Stone

Entrará em circulação no começo do ano que vem a coleção de selos postais mais legal de todos os tempos. A empresa Royal Mail, responsável pelos serviços postais no Reino Unido, selecionou dez capas de discos de rock ingleses para a série.

O critério de escolha dos álbuns foi estritamente estético: foi dada preferência às capas de maior potencial gráfico, aquelas que não só serviam como reflexo de uma cultura musical, mas também como ponto de referência para determinado estilo. Aspectos operacionais, como a luminosidade das capas, também foram levados em conta.

Caso você tenha algum amigo morando no Reino Unido, poderá receber uma carta que tenha o
Division Bell do Pink Floyd ou o Let it Bleed dos Rolling Stones como selo. O melhor disso tudo é poder imaginar a irônica cena de um padre ou uma simpática velhinha recebendo sua correspondência estampada com um jovem furioso quebrando sua guitarra, como na capa de London Calling do Clash.

As capas homenageadas:

The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars (David Bowie)
Let It Bleed (Rolling Stones)
The Division Bell (Pink Floyd)
Parklife (Blur)
London Calling (Clash)
Screamadelica (Primal Scream)
Power, Corruption & Lies (New Order)
A Rush of Blood to the Head (Coldplay)
Led Zeppelin IV (Led Zeppelin)
Tubular Bells (Mike Oldfield)


16/10/2009

Discos Fundamentais: Nevermore - This Godless Endeavor (2005)


Por Thiago Sarkis
Psicólogo e Colecionador

Chegaram a dizer que o Nevermore estava decaindo após a primeira edição de Enemies of Reality, lançada em 2003. Uma dedução bastante precipitada para alguém com ouvidos, e audição, intactos. É fato que havia um erro no disco: o produtor Kelly Gray. No entanto, mesmo naquela lama sonora, as músicas conseguiam se sobressair facilmente dentre as melhores de toda a carreira da banda de Seattle.

Para colocar a casa em ordem, e as coisas definitivamente no lugar, o grupo chamou Andy Sneap a retomar seu posto - do qual nunca deveria ter sido retirado, diga-se de passagem -, e fazer um trabalho impecável na produção de
This Godless Endeavor. Como estes cinco músicos não dão ponto sem nó, o resultado só poderia ser, novamente, uma verdadeira obra-prima!

Talvez não estejamos falando aqui do melhor CD da banda. Porém, sem dúvida alguma, eles conseguiram construir um álbum capaz de disputar cabeça-a-cabeça com o todo poderoso Dead Heart in a Dead World (2000), e essa não é uma tarefa fácil.

Detentor de uma das vozes mais expressivas do metal atual, Warrel Dane conquista o ouvinte com suas interpretações bem peculiares, resultas de uma incrível combinação de influências perpassando, entre outros, Geoff Tate (Queensryche) e Bruce Dickinson (Iron Maiden).

Jeff Loomis, por sua vez, parece ter encontrado na figura de Steve Smyth o parceiro ideal para suas indefectíveis guitarras. Uma dupla como há muito não se ouvia. Brutais nas harmonias, extremos e totalmente alinhados nos solos.

A máquina de riffs pode ser o destaque, mas não deve apagar as excelentes performances de Jim Sheppard (baixo) e Van Williams (bateria). O primeiro nem passa perto de ser o monstro soberano das quatro cordas, porém é essencial, especialmente na criação de atmosferas sombrias. Já o segundo, bem, é difícil encontrar um baterista deste calibre. Veloz, técnico, certeiro e criativo. Mais do que isso, 100% focado nas composições. Em momento algum ele busca ansiadamente os holofotes de estrela principal, mas, eventualmente, acaba neste posto, mesmo com tantos músicos fantásticos ao seu lado.

Desde 1995 o Nevermore mostra com êxito aos fãs o que o heavy metal é em sua essência. Nos últimos anos então, com ataques como "Final Product" e "The Psalm of Lydia", o que eles fizeram pelo estilo não pode ser medido. Deve ficar na história, e só!


Faixas:
1 Born 5:05
2 Final Product 4:22
3 My Acid Words 5:41
4 Bittersweet Feast 5:01
5 Sentient 6 6:58
6 Medicated Nation 4:02
7 The Holocaust of Thought 1:27
8 Sell My Heart For Stones 5:18
9 The Psalm of Lydia 4:16
10 A Future Uncertain 6:08
11 This Godless Endeavor 8:55


Discos Fundamentais: Led Zeppelin - How the West Was Won (2003)


Por Marcos A. M. Cruz
Colecionador
Whiplash! Rock e Heavy Metal

Com certeza boa parte da rapaziada que despertou há pouco tempo para o rock pesado não faz ideia de como o Led Zeppelin foi uma das grandes bandas da história, a mais popular dentre as três que consolidaram o gênero (além deles devemos considerar o Deep Purple e o Black Sabbath - não é exagero afirmar que TUDO que veio depois sofreu alguma influência deste trio).

Apesar de boa parte da fama do Led Zeppelin ter sido edificada através de seus legendários concertos (na época não se ia a um show, mas sim a um concerto de rock), até agora haviam somente dois títulos ao vivo oficiais disponíveis: o famoso The Song Remains the Same, trilha sonora do filme homônimo, e o BBC Sessions. Porém, nenhum dos dois reflete 100% do poder de fogo da banda nos palcos quando numa noite inspirada, embora ambos possuam seus pontos altos; o primeiro tem um lugar especial no coração dos fãs, por ter sido extraído da única fonte existente durante anos para se assistir ao grupo, e o segundo na realidade registra apresentações para programas de rádio, realizadas em ambientes fechados ou com um público reduzido.

Acontece que o forte do Led sempre foi os mega shows, e esta sua faceta está muitíssimo bem representada neste
How the West Was Won, CD triplo que compila duas apresentações incendiárias ocorridas em 25 e 27 de junho de 1972, em Los Angeles e Long Beach respectivamente, no que foram praticamente os derradeiros shows da oitava turnê da banda pelos EUA (fariam uma última data em San Diego no dia 28).

Nesta época, eles já haviam rodado praticamente todo o mundo (Europa, Japão, América do Norte e Austrália) e estavam apresentando músicas do seu quinto álbum de estúdio,
Houses of the Holy, que embora já estivesse pronto só seria lançado em março do ano seguinte.

Talvez os fãs mais radicais continuem preferindo os bootlegs, pois assim como nos outros dois títulos ao vivo neste também houve uma série de intervenções de estúdio, tais como uso de trechos de canções de ambos os shows para se compor uma só e o volume de algumas passagens dos instrumentos terem sido inflados artificialmente, sem contar que ficaram de fora "Tangerine", que foi tocada tanto em L.A. quanto em Long Beach, além da rara versão de "Louie Louie" e do trecho de "Blueberry Hill" no medley de "Whole Lotta Love", ambas do dia 25.

Seja como for, vamos adotar aquele velho ditado que diz que "
o fim justifica os meios", pois a despeito da existência de alguns títulos extra-oficiais com excelente qualidade sonora, nenhum deles chega nem perto do que temos aqui em duas horas e meia, onde podemos com fones de ouvido perceber com nitidez a perfomance de cada instrumentista (em "Going to California" é possível ouvir o dedo de Page passando de uma corda à outra), fato que reforça ainda mais a importância de Jones e Bonham, que estão literalmente arrasando de ponta a ponta!

Impossível destacar alguma canção em especial, mas vale mencionar "Since I've Been Loving You", que sempre serviu para Plant mostrar seus dotes vocais, e aqui traz uma fantástica interação entre Page e Jones; a impecável "Over the Hills and Far Away"; a trinca "Going to California", "That's the Way" e "Bron-Yr-Aur Stomp", no chamado set acústico, que depois de 1972 só seria executado novamente cinco anos mais tarde; "Black Dog", onde quem brilha é Bonzo, com sua pegada forte e precisa (realmente foi um dos maiores bateristas de rock de todos os tempos) e "Bring It On Home", que encerra o CD de forma apoteótica.

O único pequeno detalhe é em relação à produção gráfica, extremamente simples e pouco informativa, não trazendo nenhuma foto da banda. Em minha opinião poderiam ter incluído um livreto com imagens e textos.

Uma pena que, a se considerar as recentes declarações de Page, este será o último lançamento inédito do grupo, portanto o mercado de bootlegs continuará sendo a única alternativa para os fãs.

Então, parafraseando o western homônimo de 1962 com Henry Fonda, Gregory Peck e John Wayne, que foi lançado no Brasil sob o título
A Conquista do Oeste, podemos dizer que este CD ao menos serve como um epitáfio glorioso, e comprova que o Led Zeppelin, com sua obra, conquistou não somente o oeste, mas também o mundo!


CD 1
1 LA Drone 0:14
2 Immigrant Song 3:41
3 Heartbreaker 7:24
4 Black Dog 5:40
5 Over the Hills and Far Away 5:07
6 Since I've Been Loving You 8:01
7 Stairway to Heaven 9:37
8 Going to California 5:36
9 That's the Way 5:53
10 Bron-Yr-Aur Stomp 4:52

CD 2
1 Dazed and Confused [medley] 25:25
- Walter's Walk
- The Crunge
2 What Is and What Should Never Be 4:39
3 Dancing Days 3:41
4 Moby Dick 19:23

CD 3
1 Whole Lotta Love [medley] 23:07
- Boogie Chillun
- Let's Have a Party
- Hello Marylou
- Going Down Slow
2 Rock and Roll 3:55
3 The Ocean 4:19
4 Bring It on Home [medley] 9:29
- Bring It on Back


Miles na esquina, alargando os limites do funk hipnótico


Texto de Bento Araújo
Jornalista e Colecionador
(matéria originalmente publicada na revista poeira Zine#18)

On the Corner foi um álbum difícil para Miles Davis. Suas extrapolias e flertes com o rock psicodélico e o funk e sua admiração por Jimi Hendrix e Sly Stone angariavam o ódio dos puristas lá pelos idos de 1972, época em que Hendrix não estava mais entre nós e Sly estava fritando os poucos neurônios que ainda lhe restavam.

Miles, por sua vez, estava empolgado; sua audiência agora era mais jovem e muito mais ampla. O lendário ícone do jazz sentia que os anos 70 seriam o ápice da música negra norte-americana e não queria ficar de fora da festa. Marvin Gaye, Stevie Wonder e muitos outros eram superstars do momento e Miles apostava que sua música intricada e complexa poderia chegar aos jovens negros dos guetos.

No primeiro dia daquele junho de 1972, Miles adentrou o estúdio B da Columbia Records ao lado de 12 músicos, dentre eles John McLaughlin, Chick Corea e Jack DeJohnette, figuras que já haviam brilhado ao lado do mestre num divisor de águas chamado Bitches Brew. Herbie Hancock, um tocador de tabla e um especialista em cítara elétrica também estavam presentes para as sessões, assim como o arranjador e multi-instrumentista Paul Buckmaster, sujeito batuta de Bowie e Elton John.


Paul trabalhou uma espécie de pré-trilha sonora para as sessões; criou padrões rítmicos de percussão, melodias e trechos para sintetizadores, tudo para deixar o pessoal mais a vontade com os improvisos.

De todos os músicos envolvidos, talvez o mais inquieto era o percussionista indiano Badal Roy. Sua inquietação tinha uma razão: Badal nunca havia participado de uma jazz session antes. Miles, percebendo a tensão no ar, chegou para o percussionista e ordenou: "Just play like a nigger!" ("Apenas toque como um negro!").

O então ‘novo’ Miles concentrava-se menos nos longos solos e nas harmonias; jogava mais para o seu próprio time. Timbres, efeitos, texturas e grooves eram as preocupações da vez do músico; seu trompete servia agora de rhythm device. Segundo Buckmaster, tal fato ocorreu devido ao fascínio do Miles daquela época por Stockhausen. As manipulações de tapes do vanguardista deixavam Miles maluco – em sua Lamborguini, o cartucho mais executado era Hymnen. Por volta de outubro de 1972, Miles sofreu um grave acidente com essa sua Lamborguini, que resultou em oito semanas de internação num hospital.

The Complete On the Corner Sessions é o nono e último box da Sony dedicado à genial obra do músico; traz 30 takes, sendo que um terço deles ultrapassa a casa dos 20 minutos de duração. O mantra está garantido. Das faixas, 16 delas são inéditas e a maioria retrata as sessões na íntegra, sem os overdubs e cross-fades realizados pelo produtor Teo Macero na versão original do álbum. Alguns trechos e jams deste box também apareceram em outros álbuns de Miles, como Big Fun e Get Up With It.


A parte gráfica do lançamento também é um primor; um libreto de 120 páginas traz muitas informações, ensaios dissertativos de Paul Buckmaster e Tom Terrell, fotografias inéditas e novas ilustrações de Cortez McCoy, o artista responsável pela capa original do álbum.

The Complete On the Corner Sessions é um marco do genial Miles Davis, que após o verão de 1975 se retirou do showbizz pelo restante daquela década. Sendo assim, fica claro que essas sessões alimentaram o próprio Miles e o jazz por um belo (e triste) par de anos.


Confirmado: ZZ Top no Brasil em dezembro!


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Os rumores que rolavam agora são oficiais: o cultuado trio texano ZZ Top tocará pela primeira vez no Brasil em dezembro!

Os shows ocorrerão em São Paulo e no Rio de Janeiro, nas datas e locais abaixo:

10/12 - Via Funchal (São Paulo)
12/12 - HSBC (Rio de Janeiro)
13/12 - Espaço das Américas (São Paulo)

Uma chance única de ver ao vivo um dos grupos mais legais, divertidos, alto astral e, o mais importante, dono de um som único, repleto de personalidade e talento, aqui, bem pertinho da gente.

Imperdível é pouco!


Discoteca Básica Bizz#186: Tom Verlaine - Dreamtime (1981)


(Celso Pucci, Bizz#186, janeiro de 2001)

Quem diria que um dos patronos da punk rock nova-iorquino pudesse ser um cara extremamente culto, admirador de literatura e poesia, além de fã de mestres do jazz como John Coltrane e Miles Davis? E ainda por cima tocasse guitarra com habilidade e criatividade incomuns? Pois este é o cartão de apresentação de Thomas Miller, mais conhecido como Tom Verlaine.

O sobrenome - emprestado do poeta simbolista francês do século XIX, chegado de Rimbaud - já denunciava suas intenções musicais: queria mexer com rock, mas elevá-lo a um status artístico diferenciado da mesmice que caracterizava grande parte da produção da gênero, a exemplo do que outro ilustre representante de Nova York (Velvet Underground) havia feito nos anos 60.

Guiado por essas premissas, ele fundou o Television em 1973, com Richard Lloyd (guitarra), Richard Hell (baixo, que logo saiu para formar os Heartbreakers e os Voidoids, sendo substituído por Fred Smith) e Billy Ficca (bateria). O quarteto, ao lado do grupo de Patti Smith, foi o responsável por transformar um boteco dedicado a blues e country chamado CBGB na plataforma de lançamento do movimento, que depois abarcou Ramones, Talking Heads, Blondie e outros.

Mas, ao contrário de desenvolver carreiras perenes como a de seus contemporâneos, o Television acabou em 1978 após dois álbuns fantásticos - Marquee Moon e Adventure. Com o fim da banda, a dupla de guitarristas (e principais compositares) saiu em carreiras-solo. Lloyd não foi muito produtivo na sua, apesar da inegável qualidade dos três álbuns individuais que gravou, em parte pelo envolvimento pesado com heroína.

Com Verlaine a coisa foi diferente: começou em 1979 com um álbum homônimo, ainda na cola do antigo grupo, mas que revelava achados como "Breakin' My Heart" e "The Grip of Love". A principal mudança se daria dois anos depois, quando ele lançou
Dreamtime, um disco que iria redefinir os caminhos que sua trajetória solo iria tomar.

No álbum, o guitarrista afiava seus riffs, tornando-os mais densos, marcantes, com uma sonoridade mais pessoal, até pelo fato de duelar consigo mesmo em diversas faixas. As letras e os vocais ficaram mais intimistas, confessionais, quando não trespassadas por fina ironia e conotações passionais. Desde a abertura com "There's a Reason" ("Caminhando lentamente para o romance / Leões rugindo na entrada") até "Without a Word"("Tenho dado uma fortuna / Uma fortuna de mentiras / Como falava com Laura / Enquanto ele fechava os olhos"), passando pela explícita "Penetration", o clima de paixão poderia ser resumido pelo refrão de uma das melhores faixas do disco, 'Always" ("Ooooooo, querida /Os mistérios vêm e vão / Mas o amor permanece o segredo mais bem guardado da cidade").

Outros experimentos eram marcantes em "Down in the Farm", "A Future in Noise" (ambas com riffs poderosos de guitarra) e "The Blue Robe", na qual a textura musical delicada, sustentada por ótimos solos, comportava apenas o verso "Hi-fi".

Embora nunca tenham tido um hit massivo, o Television e Tom Verlaine solo sempre foram idolatrados pela crítica e até por outros músicos, não sem razão. Basta ver que The Edge, do U2, cita bastante Verlaine como uma de suas principais influências, além do Sonic Youth (que tem uma canção chamada "Tom V", dedicada a ele). Sem contar os artistas que fizeram covers de suas canções, que vão de David Bowie ("Kingdom Come", no álbum Scary Monsters) a Herbert Vianna ("The Scientist Writes a Letter", em seu primeiro disco-solo).


Faixas:
1 There's a Reason 3:39
A2 Penetration 4:01
A3 Always 3:58
A4 The Blue Robe 3:54
A5 Without a Word 3:17

B1 Mr Blur 3:24
B2 Fragile 3:27
B3 A Future in Noise 4:13
B4 Down on the Farm 4:49
B5 Mary Marie 3:25


14/10/2009

Mega box de Miles Davis


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Se você é fã de Miles Davis, prepare o seu coração! A Columbia/Legacy acaba de lançar um mega box com toda a obra que o genial trompetista gravou para o selo.

São 52 álbuns divididos em 70 CDs no formato de mini LPs; um DVD inédito chamado Live in Europe ´67; um livro de 250 páginas com biografia, discografia e índice de faixas; faixas raras e inéditas não lançadas nas versões anteriores dos álbuns In Paris Festival International De Jazz, Quiet Nights, At Plugged Nickel Chicago e We Want Miles; e o áudio original da lendária apresentação de Miles no Festival da Ilha de Wight em 1970, até então inédita.


O box está sendo vendido apenas pelo site da Amazon, e você pode adquirir o seu clicando aqui.

Para quem curte jazz e a obra de Miles Davis, certamente um presentaço para fechar o ano com chave de ouro!


Martin Popoff lança segunda parte de livro que conta a história do Deep Purple


Por Ricardo Seelig
Colecionador

O jornalista canadense Martin Popoff, dono de uma imensa bibliografia e considerado o maior escritor metálico do planeta, acaba de lançar a segunda parte do seu livro que conta a história de uma das mais importantes e influentes bandas da história, o Deep Purple.

Com o título de A Castle Full of Rascals: Deep Purple ´83-´09, o livro conta com 290 páginas repletas de informações sobre essa segunda fase da carreira do conjunto, iniciada com o retorno da formação clássica para a gravação do álbum Perfect Strangers, lançado em 1984.

Assim com a primeira parte (o ótimo Gettin´ Tighter: Deep Purple ´68-´76), A Castle Full of Rascals traz reviews, textos sobre os trabalhos lançados pelos integrantes e ex-membros do Purple no período e muitas histórias e curiosidades sobre a carreira do grupo.

Ou seja, é um livro obrigatório para quem gosta de música.





Discoteca Básica Bizz#185: Elvis Costello - My Aim is True (1977)


(Abonico R. Smith, Bizz#185, dezembro de 2000)

A virada na sorte de Declan McManus veio ao cruzar com um maluco de carteirinha de nome Jake Riviera, produtor da banda pré-punk inglesa Dr.Feelgood. Riviera abrira em sociedade com o amigo David Robinson um selo independente chamado Stiff. Com conceitos um tanto ortodoxos do que deveria ser o rock'n'roll (cabe aí a influência de nomes americanos selvagens como Iggy Pop e Ramones), ele levou para o elenco artistas considerados malditos - como Graham Parker e o também produtor Nick Lowe - e algumas bandas do então crescente levante punk londrino, entre elas o Damned.

A grande zebra do Stiff, porém, foi a figura tímida, nerd e desengonçada de McManus, um misto de Buddy Holly e Hank B. Marvin, líder dos Shadows. Melodista de mão cheia, o azarão rebatizado como Elvis Costello (homenagens ao rei do rock e ao comediante gordo da dupla Abbott & Costello) não só passou a perna em todos os companheiros de selo, como acabou no mesmo bolo da polvorosa instalada pelas músicas de protesto e anarquia de Clash e Sex Pistols. Em 1977, McManus, que só queria ser baladeiro na vida, entrou para a história como um dos pilares do punk rock, muito por culpa de seu primeiro single, "Less Than Zero", cujos versos punham em xeque ideais fascistas.

O álbum de estreia, My Aim is True, foi o grande contraponto para o turbilhão que varria a Inglaterra de xingamentos contra a família real, a decadência política e a desesperança socio-econômica. Acompanhado pela banda Clover (que não recebeu os créditos por questões contratuais) e produzido por Lowe, Costello destilava pérolas melódicas de extrema beleza. Mantinha um pé na tradição dos anos 50 e 60 (não à toa, o maestro Burt Bacharach, com quem gravou um álbum em 1998, é o seu maior ídolo) e, ao mesmo tempo, traçava conexões com dois movimentos que estavam por vir: a new wave e o ska two-tone.

Modestas 24 horas de estúdio, entre gravação e mixagem, acabaram sendo o suficiente para que fosse reunido um punhado de riffs, melodias e refrãos poderosos. Doze faixas entraram na edição original. No entanto, sobras, demos, gravações para rádios e o hit "Watching the Detectives" foram incluídos na edição destinada ao mercado americano. Puxado por esse sucesso, um irresistível ska com orgãozinho adicionado por Steve Nieve, o álbum apontava para baladas escancaradamente apaixonadas ("Alison"), flertava com as cordas country ("Stranger in the House"), estilizava o pop do começo dos anos 60 ("Miracle Man") e também trazia um pouco da fúria do espírito daquela época ("Mystery Dance"). Essa combinação explosiva fez com que My Aim is True fosse eleito o álbum do ano pela revista Rolling Stone.

No ano seguinte, já como músico 24 horas por dia e na companhia daquela que viria a ser por muitos anos sua banda de apoio (o trio The Attractions), Costello aperfeiçoaria em This Year’s Model a semente plantada em My Aim is True. Até que, em 1979, explodiria para o estrelato com o estouro do álbum Armed Forces e os hits "Oliver's Army", "Peace, Love & Understanding" e "Accidents Will Happen".

Depois de experimentar trabalhos mais intimistas e gravar outros menos inspirados, Costello só voltou a repetir a popularidade do fim dos anos 70 quando regravou, em 1999, a balada "She" (do francês Charles Aznavour) para a trilha sonora do filme Um Lugar Chamado Notting Hill, estrelado por Julia Roberts e Hugh Grant.


Faixas:
A1 Welcome to the Working Week 1:22
A2 Miracle Man 3:28
A3 No Dancing 2:37
A4 Blame It on Cain 2:48
A5 Alison 3:21
A6 Sneaky Feelings 2:08
A7 Watching the Detectives 3:42

B1 (The Angels Wanna Wear My) Red Shoes 2:46
B2 Less Than Zero 3:11
B3 Mystery Dance 1:35
B4 Pay It Back 2:32
B5 I'm Not Angry 2:57
B6 Waiting for the End of the World 3:21


13/10/2009

Blind Faith: a fé cega de uma mega banda


Por Ugo Medeiros
Colecionador, Geógrafo e Jornalista

Há quase quarenta anos surgia no mundo do rock o primeiro supergrupo, o Blind Faith. Formado por integrantes do Cream - Eric Clapton e Ginger Baker (guitarra e bateria, respectivamente) -, do Traffic - Steve Winwood (teclado, piano, órgão e vocais) - e do Family -Rick Grech (baixo e violino) -, a banda teve curta duração, infelizmente. Apesar de pouco tempo, de junho a agosto de 1969, e de ter gravado apenas um disco, Blind Faith (Polydor), o quarteto fez história e deixou um importante legado.

Tudo começou em meados de 1967, quando Clapton era, junto com Jimi Hendrix, o guitarrista mais venerado, um verdadeiro guitar hero. Após passar pelos Yardbirds e Bluesbreakers, ele conquistara roqueiros mundo afora com o Cream. O power trio, que ainda contava com o já citado Ginger Baker e Jack Bruce (baixo), explodiu nos EUA e logo depois na Inglaterra.


Rapidamente, as apresentações, que eram longas improvisações em cima da base de alguma música, despertaram interesse em plena explosão psicodélica (EUA) e Swinging London (Inglaterra). Eram tempos de efervecência cultural e, ao que tudo indicava, o Cream era um dos líderes dessa revolução.

Enquanto Baker esbanjava a técnica e precisão dos seus tempos de jazz e Clapton dava coloridos ao som, Bruce era o virtuoso que fazia a máquina andar. Além de compor boa parte das canções, o baixista ainda liderava os vocais com excelência. O segundo disco da banda, Disraeli Gears (Polydor), era um sucesso comercial e "Sunshine of Your Love" um grande hit na terra do Tio Sam.

Porém, os lucros não garantiam o bom relacionamento entre os três. Jack e Ginger sentiam um ódio mútuo e Eric não estava satisfeito com o rumo que a banda tomava. As longas turnês e o lado "selvagem" do rock o desgastavam. Ele queria participar de um projeto menor, em casas menores, já que estava cansado do show business. Além disso, sentia que o grupo perdia a unidade em meio às longas improvisações e ao virtuosismo.

As desavenças entre eles levou ao inevitável: no dia 26 de novembro de 1968 o Cream fazia o show de despedida no Albert Hall, em Londres. Cada um foi para o seu lado.

Durante os meses seguintes, Clapton ficou parado e logo ficaria perdido, completamente desorientado. Cada vez mais amigo de George Harrison, teria o coração dilacerado pelo amor platônico à Pattie Boyd, esposa do Beatle. Sem perspectivas profissionais e em depressão, entregou-se à bebida. A salvação atenderia pelo nome de Steve Winwood.

Após boa passagem pelo The Spencer Davis Group e genial participação no Traffic, o tecladista estava sem banda. As sucessivas brigas com Dave Mason culminaram no fim temporário do Traffic em janeiro de 1969. A admiração de Clapton por Winwood era antiga. Nos primórdios do Cream ele queria um som mais consistente e, para isso, acreditava que o tecladista seria perfeito. A sugestão fora negada, mas o desejo de trabalhar juntos não cessou.

Assim, sem compromisso, Eric e Steve passavam a maior parte do tempo livre tocando, fumando e tomando ácido no mesmo chalé em que o Traffic ficou hospedado para se inspirar e criar o primeiro disco da banda, Mr Fantasy (Island). As jams eram tranquilas até que, em uma madrugada, Ginger Baker chegou atraído pelos boatos de que lá havia boa música.


O trio passou a ensaiar e, em pouco tempo, uma nova banda concretizava-se. Apesar de Clapton ficar assustado com a provável volta à badalação dos tempos de Cream, sua vontade de gravar com o novo parceiro o fazia aguentar todo aquele mise en scène. Ainda faltava um baixista. Rick Grech, um camarada de Clapton, foi o escolhido para a função.

Uma vez formado o Blind Faith, o repertório era criado e o disco tomava forma. Jimmy Miller foi chamado para a produção do álbum, já que era conhecido pelo bom trabalho no Traffic. Entre maio e junho a obra-prima foi gravada.


Logo na abertura do riff redondo de Clapton em "Had to Cry Today", além do vocal característico de Winwood. "Can´t Find My Way Home" carrega uma leveza e, ao mesmo tempo, uma riqueza sonora. "Well All Right", cover de Buddy Holly, traz um Ginger Baker inspirado e um belo solo de teclado.

O álbum também revela um Eric Clapton compositor, caso de "Presence of the Lord", escrita na época em que comprou sua primeira casa. Durante a gravação da canção houve atritos entre ele e Steve: o guitarrista não queria cantar e ainda interferia na forma em que o tecladista gravava o vocal. Problemas dessa natureza seriam comuns mais tarde.

"Sea of Joy" conta com um show a parte da voz marcante de Winwood. Para encerrar, "Do What You Like", composição de Baker. Uma verdadeira viagem psicodélica de 15 minutos, onde todos têm um momento na música, inclusive Rick Grech que passava, até então, despercebido.

Sem mais palavras, um tesouro do rock. Seu impacto foi enorme e até a capa trouxe polêmica. O artista Bob Seidemann colocou uma menina nua segurando um avião, fato que causou rebuliço na sociedade puritana norte-americana. Após uma ameaça de boicote ao disco por parte dos comerciantes, a gravadora mudou a capa: uma triste e fria foto da banda. Enfim, viva a liberdade de expressão!


A estreia do supergrupo foi em um show gratuito para um público de mais de 100 mil pessoas, no dia 7 de junho, no Hyde Park, em Londres. A expectativa era grande, tanto por parte dos fãs quanto pela imprensa, porém a estrutura disponível era insuficiente. O registro marca um Clapton distante, sem empolgação, e uma banda sem identidade. Aos interessados, este show foi lançado em DVD pela Sanctuary Visual Entertainment.

O grupo tentava achar um ponto de convergência entre eles. A sensação era que havia quatro músicos de renome que há pouco tinham se encontrado no palco. Apesar de uma boa turnê pela Escandinávia, Clapton estava cada vez mais à margem daquilo tudo. Steve cobrava uma postura mais preponderante de Eric, que não queira de forma alguma liderar a banda.

Ainda que os shows no Madison Square Garden, em Nova York, estivessem lotados, e do disco figurar entre os mais vendidos, a digressão pelos EUA foi o começo do fim. A banda contratada para abrir os shows, Delaney & Bonnie, primeiro grupo branco contratado pela Stax (especializada em R&B e soul), logo roubaria as atenções de Clapton. O guitarrista venerava o som do casal, a ponto de sentir-se constrangido de subir ao palco depois deles. Aos poucos, o inglês passaria mais tempo com a banda de apoio do que com a sua própria. O fim do Blind Faith aproximava-se.

No dia 24 de agosto de agosto de 1969, em Honolulu (EUA), o quarteto realizava sua última apresentação. Neste dia os amantes do rock davam um adeus prematuro. O Blind Faith foi um cometa que passou pela Terra em um piscar de olhos, mas que ajudou a definir a música dos anos 1960.


Discoteca Básica Bizz#184: Devo - Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! (1978)


(André Barcinski, Bizz#184, novembro de 2000)

Corria o ano de 1974. Mark Mothersbaugh e Jerry Casale cursavam arte na Universidade Kent State, em Ohio, Estados Unidos, quando um evento macabro mudou a vida dos dois: naquele ano, a polícia invadiu o campus para reprimir uma manifestação estudantil. Os tiras distribuíram bordoadas e tiros. Quatro estudantes morreram. O fato ganhou manchetes em todo o mundo e inspirou Neil Young a escrever seu clássico "Ohio", gravado pelo Crosby, Stills, Nash & Young.

A morte dos alunos mexeu muito com Mothersbaugh e Casale e convenceu-os da veracidade de uma teoria maluca que há muito vinha remoendo seus cérebros: a tese da "de- evolução". "Começamos a perceber que o homem estava andando para trás", disse Casale certa vez; "Atingimos o ápice do avanço tecnológico e, em vez de evoluir, passamos a retroceder, a voltar à época das cavernas."

Fanáticos por Kraftwerk, música eletrônica e artes plásticas, os dois juntaram tudo isso à teoria da de-evolução e formaram o grupo que, sozinho, fundou a new wave. O Devo era mais um conceito do que uma banda. Antes de lançar qualquer disco, já tinham pensado num visual, uma mistura engraçada de roupas a lá
Jornada nas Estrelas com ridículos capacetes de peão de obra. Em 1974, isso era o futuro.

O grupo nasceu com o puro espírito punk do "faça você mesmo". Casale e Mothersbaugh começaram a gravar demos num porão. A música era minimalista ao extremo: órgãozinho vagabundo, bateria eletrônica de quinta, uma ou outra guitarra, vocais quase falados. Apesar da precariedade, essas demos (editadas anos depois nos dois CDs da série Hardcore Devo) são obras-primas absolutas.

O primeiro disco,
Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!, de 1978, juntava todas as influências da banda: futurismo kitsch, George Orwell, Planeta dos Macacos, 2001, ficção científica barata, o humor negro do Monty Python, Kraftwerk, Giorgio Moroder, cinema experimental. Era uma experiência audiovisual, uma trilha sonora do apocalipse, versão nerd. E a música era sublime: batidas eletrônicas capazes de sacudir até o mais enferrujado dos mortais, refrões pop pegajosos e letras espertas.

O trabalho causou comoção: o festejado Brian Eno produziu o álbum; David Bowie fez questão de apresentar a banda num show de Nova York. Grupos como Pere Ubu, B-52's e até o Talking Heads se inspiraram no pop cibernético de Mothersbaugh, Casale e companhia.

Como a maioria dos grandes discos da história, a estréia do Devo não vendeu bem. Sucesso comercial o quinteto só obteria em 1980, quando a faixa "Whip It" estourou nas rádios. Mas a teoria da de-evolução se espalhou, influenciando muita gente: Kurt Cobain era um dos maiores fãs; Trent Reznor e Billy Corgan também; grupos como Man or Astro-Man? e Atari Teenage Riot nem existiram sem o Devo. E até os
Simpsons usaram a banda como prova da teoria da de-evolução em Springfield. Homenagem maior, impossível.


Faixas:
A1 Uncontrollable Urge 3:09
A2 Satisfaction (I Can't Get No) 2:38
A3 Praying Hands 2:48
A4 Space Junk 2:14
A5 Mongoloid 3:42
A6 Jocko Homo 3:39

B1 Too Much Paranoias 1:55
B2 Gut Feeling 4:03
B3 Slap Your Mammy 0:51
B4 Come Back Jonee 3:44
B5 Sloppy (I Saw My Baby Gettin') 2:36
B6 Shrivel-Up 3:04