27/11/2009

Colírio: Dave Matthews Band - Big Whiskey and the GrooGrux King Super Deluxe Edition Box Set (2009)


Por Rodrigo Simas
Colecionador
DMBrasil

Com a precoce morte de Leroi Moore, saxofonista e fundador da Dave Matthews Band, em agosto de 2008, os fãs da banda se encontraram em uma situação confusa. Eram muitas perguntas sem resposta. A banda continuaria sem Leroi? Jeff Coffin assumiria seu posto? A banda faria uma turnê no ano seguinte? Com a turnê sul americana se aproximando, talvez a pergunta mais recorrente fosse mesmo a mais importante: a DMB lançaria o trabalho iniciado em estúdio com os últimos registros do saxofonista?

Para a felicidade dos fãs e para honrar o legado deixado por Leroi, os integrantes remanescentes decidiram não só continuar com o trabalho, como recrutaram Tim Reynolds e Jeff Coffin permanentemente e anunciaram o lançamento do aguardado
Big Whiskey and the GrooGrux King.

Em meio à divulgação da pré-venda e o anúncio da turnê de primavera 2009, um item chamou a curiosidade de todos e se tornou um objeto de cobiça para quem acompanha a banda: a edição Super Deluxe do CD. O box contém, além do CD convencional, mais um DVD com o documentário Scenes From Big Whiskey; um CD bônus, com quatro faixas, entitulado Little Red Bird; um livreto especial em homenagem a Leroi Moore chamado carinhosamente de Roi; um álbum de fotos variadas cobrindo toda a carreira da banda e todas as artes ilustradas para o encarte original, pelo próprio Dave Matthews, em formato grande (25,5x25,5 cm).

Little Red Bird traz quatro faixas que ficaram de fora da tracklist final, as famosas sobras de estúdio. Entre elas, a já cohecida dos fãs "#27", tocada regularmente nas turnês de 2007 e 2008; a bela acústica "Little Red Bird"; a excelente "Beach Ball", que segue o estilo clássico da Dave Matthews Band e foi tocada duas vezes na turnê de primavera 2009; e "Write a Song", que apareceu como bônus das edições lançadas na Europa e na Argentina do CD Big Whiskey And The Groogrux King.

Scenes From Big Whiskey é um documentário do processo de criação e gravação do CD, desde o primeiro encontro da banda em Charlottesville e Seattle ainda compondo as novas músicas com Leroi Moore, até as sessões finais, em Nova Orleans. Mais do que isso, o filme é um registro de uma banda que conseguiu se reerguer depois de uma grande tragédia e lançar seu melhor trabalho na década.

Roi é um livreto de fotos apenas de Leroi Moore, no formato de uma caixa convencional de CD. São diversas imagens do saxofonista, escolhidas minunciosamente para enriquecer ainda mais o pacote, mostrando a preocupação em destacar Leroi como alicerce do que se tornou a obra finalizada.

A edição
Big Whiskey and the Groogrux King Super Deluxe Box Set é essencial para todos os fãs da banda e coroa um lançamento que conseguiu unir ainda mais a DMB, diante de fatos que poderiam ter acabado com sua carreira. Com um acabamento belíssimo e um cuidado especial para satisfazer até os colecionadores mais detalhistas, o box oferece uma visão completa da obra concebida em homenagem a Leroi Moore.




Bento Araújo entrevista Nélio Rodrgues, autor do livro Histórias Perdidas do Rock Brasileiro: Vol 1


Por Bento Araújo
Colecionador e Jornalista
poeira Zine

"
É comum se pensar no rock brasileiro apenas a partir dos anos 1980, com o surgimento e a afirmação de bandas como Blitz, Paralamas, Legião, Titãs e tantas outras. (…) Fala-se também de Jovem Guarda, Mutantes, Secos & Molhados e pouco, muito pouco mais. Mas, paralelamente à Jovem Guarda e mesmo antes, os bravos guerreiros do rock já empunhavam suas guitarras".

O trecho acima foi extraído da orelha do novo livro do escritor Nélio Rodrigues, intitulado
Histórias Perdidas do Rock Brasileiro: Vol 1, que se propõe a destrinchar o período dos anos 60 e 70 do rock brazuca, resgantando muitas bandas do undreground que não ganharam os holofotes da grande mídia, mas que, segundo o jornalista Ricardo Schott, "ajudaram a pavimentar alguns dos primeiros cenários subterrâneos do rock nacional".

"
Foram bandas como Bubbles e Analfabitles que criaram a noção de um som da pesada mesmo, com a aparelhagem na frente do palco, impondo respeito", descreve Rodrigues – que também é o autor de Os Rolling Stones no Brasil e coautor de Sexo, Drogas e Rolling Stones, com o jornalista José Emílio Rondeau. Além dos Analfabitles e dos Bubbles, recheam as 130 páginas do livro grupos como Os Selvagens, Faia, Equipe Mercado, Karma, Módulo 1000, Os Incríveis, etc.

Já dizia o historiador que para compreender o presente é preciso olhar o passado. E Rodrigues, que é biólogo de formação, neste seu novo trabalho faz isso como poucos pesquisadores da cena roqueira do país. Se você acha que o verdadeiro rock só surgiu nos anos 80, é porque ainda não leu o livro comentando nestas linhas.

Nas palavras de Rodrigues: "
O rock só virou fenômeno de massa no Brasil nos anos 80. Antes era vida de guerreiro".

Leia abaixo uma entrevista com Nélio Rodrigues, o autor do livro:

Bento Araújo - Nélio, conte pra gente o que seriam "as histórias perdidas" do rock brasileiro, e como surgiu a ideia de lançar esse livro.

Nélio Rodrigues –
Na verdade, reuni algumas histórias de bandas obscuras ou pouco conhecidas dos anos 60 e 70, sobretudo do Rio. Acho que o que se conhece do rock brasileiro dos anos 60 e 70 é apenas a parte mais evidente, aquela que inclui a Jovem Guarda e nomes como Raul Seixas, Rita Lee, Erasmo Carlos e Secos & Molhados, de modo geral. O que aconteceu além disso não chegou nas páginas dos livros ainda. Nem seus personagens, muitos deles injustamente esquecidos. O pouco que existe por aí está cheio de erros. Recuperar esse legado histórico pouco conhecido me parece essencial.

Foi difícil de localizar os integrantes dessas bandas esquecidas da nossa cena? Qual desses textos te deixou mais orgulhoso?

Nem tanto. Alguns desses nomes ainda estão por aí, não com suas bandas originais. O que me deixou mais feliz foi ver a alegria com que alguns desses roqueiros, ao puxar pela memória, traziam à tona suas próprias histórias, e ver que contribuíram de alguma forma com a evolução do rock no Brasil. Agora, uma das histórias que mais me toca é a de Jorge Amiden, um talento que ajudou a fundar o Terço e o Karma, mas que foi derrotado pela doença.

Você foi/é colaborador do site Senhor F e lá conquistou vários seguidores. Qual a importância do site Senhor F no cenário do rock nacional? Os textos desse seu novo livro foram publicados anteriormente no site?

Fernando Rosa foi um dos primeiros a abrir espaço na web para esse universo pouco conhecido do rock brasileiro dos anos 60 e 70, eatraiu a atenção até de colecionadores internacionais, que através de Fernando reeditaram, na Europa, pérolas totalmente obscuras do rock brasileiro, como o álbum do grupo Spectrum, de Friburgo. Sim, os textos foram publicados anteriormente na revista eletrônica Senhor F. Aliás, alguns deles também apareceram nas páginas da poeira Zine, onde aliás, continuo, de tempos em tempos, resgatando histórias perdidas do rock brasileiro. Mas foram todos revistos e atualizados.

Esse é o volume 1. Para quando está previsto o segundo volume? Você já pode adiantar algumas bandas que estarão nele?

Faz tempo estou escrevendo um livro no qual conto as histórias de oito bandas do underground carioca, como A Bolha, Equipe Mercado e Módulo 1000, entre outras. Mas ainda há muito o que contar e já tenho uma razoável lista de bandas para pesquisar e incluir no volume 2. Os Aranhas é uma delas.

Das bandas abordadas no livro, a maioria é do Rio de Janeiro. Nesse caso, a localização do autor teve influência direta nisso? Você pretende falar de bandas obscuras de outros estados no próximo volume?

Moro no Rio, vi algumas dessas bandas dos anos 60 e 70 ao vivo. Trata-se, portanto, de um cenário com o qual tenho mais intimidade. Mas isso não exclui meu desejo de falar de bandas muito boas de São Paulo, do Rio Grande do Sul e de outras regiões do Brasil.

Para quem quiser adquirir o seu livro, qual o procedimento?

O fato de ter sido publicado por uma editora pequena dificulta a distribuição do livro. Em todo caso, quem quiser adquirir um exemplar pode entrar em contato comigo através do e-mail lneliorod@yahoo.com.br


Discoteca Básica Bizz#215: Cartola - Cartola (1976)


(Pedro Alexandre Sanches, Bizz#215, julho de 2007)

A capa do disco era uma janela. Cartola assinava o trabalho em letras garrafais, mas a capa era dividida entre o sambista e sua esposa, Dona Zica. Na cabeça dela, um lenço com motivos em verde e rosa, as cores da Mangueira, a escola de samba que era a janela de ambos para o mundo. Na cabeça dele, os cabelos já embranquecidos encimavam os indefectíveis óculos escuros, o bigode ralo e a peculiar coloração do nariz. Entre Zica e Cartola, Zicartola, um vasinho, um cacto, uma planta que armazena água para melhor aturar o deserto lá fora.

A janela durava já uma vida inteira, mas era, ao mesmo tempo, recém-inaugurada: fazia apenas dois anos que Cartola conseguira, aos 65 anos, gravar o primeiro LP, amontoando sambas doídos de uma vida inteira. Como o outro, este segundo se chamava Cartola e fora lançado de modo independente. Consolidava-se a última fase da presença de Cartola na MPB. Pobre, negro e morador do morro, ele fora ao longo dos anos pedreiro, tipógrafo, boêmio, vigia, lavador de carros, contínuo de ministério. Aos soluços nos intervalos da lida anônima, saíra à janela da popularidade e abastecera o samba com algumas das mais belas canções de que o Brasil teve notícia. Nos anos 30, fora gravado por Francisco Alves e Carmen Miranda. Nos 60, impulsionado pela inquietude de Nara Leão, virara jóia da coroa da juventude politizada do pós-bossa nova, da canção de protesto, da pré-tropicália.

A janela então se abriu na figura de um restaurante musical, o Zicartola. Iniciava-se a última e mais vigorosa de suas safras criativas. Assim se faria o LP de 1976, com antigos ("Sala de Recepção", de 1941, "Não Posso Viver sem Ela", de 1942, a oprimida "Peito Vazio", de 1961, "Senhora Tentação", de Silas de Oliveira) e uns muito e acachapantes sambas inéditos. Se uma síntese precisasse ser feita, seria fácil: "As Rosas Não Falam", nada mais, nada menos. Ou melhor, havia mais: ali estavam "Cordas de Aço", "Preciso Me Encontrar" (de Candeia), o lundu de lamento à semi-escravidão "Ensaboa" (cantada com a filha adotiva Cleusa).

Mais dois LPs seriam lançados antes que o co-fundador da Mangueira e do samba triste morresse, em 1980, aos 72 anos. Mas o de 1976 talvez fosse o que melhor condensava as delícias e os dissabores do imaginário do poeta. Ali ficava nítida a cisão de Cartola entre dois pólos, o do idílio e o da dor. No primeiro, tudo era ode: ao violão ("Cordas de Aço"), às escolas de samba ("Sala de Recepção"), à vida dura no morro ("Ensaboa"), às flores ("As Rosas Não Falam"). No campo da dor, jazia soberana a consciência do abandono, "As Rosas Não Falam" fazendo o elo de ligação entre um pólo e outro: "Volto ao jardim / com a certeza que devo chorar / pois bem sei que não queres voltar / para mim".

Embora elegante e delicado como ninguém, Cartola seguia o rio vicioso da música popular e projetava na figura feminina os males de dentro do peito. Temas de rejeição transbordam em "Minha" (nas ciganas "falsas" e cartomantes "mentirosas"), "Não Posso Viver sem Ela" e "Sei Chorar". Era o cacto, flor espinhosa plantada na janela-fronteira-abismo entre os homens e as mulheres. A mesma matéria moldava o testamento precoce "O Mundo É um Moinho": "Preste atenção, querida / de cada amor tu herdarás só o cinismo / quando notares estás à beira do abismo / abismo que cavaste com teus pés".

Mesmo reconhecido como o artista genial que era, o poeta se entregava ao culto à derrota, ao ceticismo quase exultante, a uma aridez de cacto. Por dentro, no parapeito da janela, a água jorraria suculenta à primeira dentada, e talvez significasse isso mesmo a música tão amorosa que Cartola produziu, sedento, até morrer: casca de cacto por fora, água potável na seiva. Imortal. Cartola é, ao mesmo tempo, a miragem e o oásis, para quem gosta de casca espinhosa e para quem gosta de água fresca.


Faixas:
1 O Mundo é um Moinho 3:57
2 Minha 2:21
3 Sala de Recepção 3:28
4 Não Posso Viver Sem Ela 2:44
5 Preciso Me Encontrar 3:00
6 Peito Vazio 2:55
7 Aconteceu 2:50
8 As Rosas Não Falam 2:56
9 Sei Chorar 2:30
10 Ensaboa Mulata 3:26
11 Senhora Tentação 3:08
12 Cordas de Aço 2:16


26/11/2009

Prateleira #003: AC/DC


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Nova edição do Prateleira no ar!

Nessa semana o assunto não poderia ser outro a não ser o AC/DC, que toca nesta sexta, dia 27, no estádio do Morumbi em São Paulo.

O Prateleira é um quadro do programa Estúdio A, onde o editor da Collector´s Room e crítico musical Ricardo Seelig dá dicas de discos, bandas e materiais sobre música.

Confira e deixe a sua opinião nos comentários:


Leia também: Editor da Collector´s Room estreia na Uno Web TV


AC/DC: especial da rádio Shock Box fará aquecimento para o show


Por Vitor Bemvindo
Colecionador e Historiador
Mofodeu

Se você não conseguiu ingressos para o show do AC/DC, não se desespere! A rádio Shock Box trará um programa especial com praticamente todo o set list do show que será tocado em São Paulo.

Apresentado e produzido por Vitor Bemvindo (responsável também pelo programa MOFODEU), o especial irá ao ar amanhã (dia 27 de novembro) às 20:30 (oito e meia da noite), logo após o programa
Best Of da Shock Box.

Além das canções que estarão no espetáculo que acontecerá no Morumbi, Vitor Bemvindo trará também muita informação, bem no estilo MOFODEU.

Para ouvir a Rádio Shock Box, basta acessar
www.radioshockbox.com.br

O padrão de programação da rádio Shock Box é tocar música de qualidade, mantendo-se fiel ao hard rock, heavy metal e suas vertentes. Sua programação tem como pontos fortes a música, a informação e a cobertura de eventos ligados ao cenário do rock. Sintonizada na internet, a rádio Shock Box atinge todo o planeta, caracterizando-se como uma nova opção para os que curtem hard rock e heavy metal em geral.

O MOFODEU, programa/podcast produzido por Vitor Bemvindo em parceria com Luiz Felipe Freitas, também está com uma programação especial sobre o AC/DC. Na semana passada foi disponibilizado o programa
AC/DC Além do Óbvio (#074), só com raridades e músicas esquecidas da banda.

Essa semana entrou no ar mais um podcast sobre o AC/DC. Desta vez, o MOFODEU trouxe um especial sobre o álbum Back in Black, no qual foram tocadas todas as faixas do disco, trazendo informação sobre as canções e falando sobre os aspectos da produção desse clássico do rock.

O MOFODEU, o programa que tira o MOFO do ROCK, pode ser baixado em
www.mofodeu.com ou ouvido na seção programas do site da rádio Shock Box.

Prepare-se para o show do AC/DC ouvindo a programação especial da rádio Shock Box e do MOFODEU!



Crítico musical Régis Tadeu ensina o que é funk para Tati Quebra Barraco


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Nesses tempos em que a maioria dos brasileiros acreditam que funk é aquele tipo de som que ficou popularizado como funk carioca ou pancadão, o vídeo abaixo é uma verdadeira aula.

Nele, o crítico musical Régis Tadeu, um dos mais respeitados do Brasil, explica para a funkeira Tati Quebra Barraco o que é o funk e enumera o porque de, na sua opinião, os seus discos não terem o menor valor musical.

Você escolhe de que lado fica: com quem passou a vida inteira ouvindo discos, conhece inúmeros gêneros musicais e usa a cabeça, ou com quem acha que vender CDs é sinônimo de qualidade artística.

Delicie-se:


Leia também: 11 discos para começar a gostar de funk


Beyond Ipanema: Ondas Brasileiras na Música Global (2009)


Por Mauro Ferreira
Colecionador e Jornalista

Em maior ou menor grau, a música brasileira tem influenciado os sons do mundo desde 1939, ano em que Carmen Miranda (1909-1955) foi para os Estados Unidos mostrar aos norte-americanos o que é que o Brasil tinha, criando involuntariamente a imagem-clichê tropical que ainda identifica muito mal o país no imaginário planetário.

Em cartaz dentro da programação do Festival do Rio 2009, o documentário Beyond Ipanema: Ondas Brasileiras na Música Global historia essa influência ao longo das décadas, montando um painel interessante que chega aos dias atuais, época em que - como mostra o filme dos diretores Guto Barra e Béco Dranoff (ambos brasileiros e ambos radicados em Nova York) - uma banda indie e desconhecida como a paulista Garotas Suecas já consegue contabilizar (cerca de) 25 shows na terra do Tio Sam em um ano.

A despeito da omissão indesculpável dos nomes de Djavan, Ivan Lins e Milton Nascimento (três compositores há anos com ampla visibilidade na cena de jazz dos Estados Unidos), o documentário expõe, através de minitextos didáticos e de depoimentos, um vasto panorama da presença da música brasileira no exterior. Há ênfase demasiada no legado da Tropicália - a rigor, evocada no cenário estrangeiro mais pelo culto aos Mutantes e pela redescoberta de Tom Zé do que pela ideologia em si do movimento pop de 1967. Aliás, uma das cenas hilárias é a que capta a exultação do ex-engraxate Joel Stones - hoje no comando do sebo Tropicalia in Furs, situado no Village - por ter vendido por cinco mil dólares um exemplar raríssimo do compacto do grupo O' Seis, que vem a ser o sexteto que originou os Mutantes. Os diretores vão além e também mostram a felicidade do comprador, Giuliano, ao receber o disco em sua casa.

Embora menos valorizada pela juventude, ao menos em sua forma tradicional, a bossa nova também é um assunto recorrente em
Beyond Ipanema. O filme lembra que ela deixou suas marcas perenes na música do mundo a partir do controvertido concerto organizado no Carnegie Hall em 1962. A música de Tom Jobim (1927-1994) seduziu os Estados Unidos pela voz de Astrud Gilberto, intérprete de "Garota de Ipanema" em Getz/Gilberto, histórico álbum de 1964 que espalhou pelo mundo a modernidade bossa-novista. Sem saudosismo, Beyond Ipanema mostra na sequência como a união da batida da bossa com os samples deu novo impulso mundial à música brasileira a partir dos anos 90, gerando ícones como Bebel Gilberto, uma das entrevistadas.

De forma superficial, os diretores focam também fenômenos recentes como o grupo paulista Cansei de Ser Sexy - exemplo de como atravessar as fronteiras brasileiras a partir da internet - e o grupo Forró in the Dark. Sem falar no funk carioca, o pancadão do estilo Miami Bass cultuado no exterior sob o rótulo de funk-favela.

Mas, no fim, o filme volta ao começo e fecha com a imagem tropicalista de Carmen Miranda, portuguesa vivaz que fez o mundo da música descobrir o Brasil com seus balangandãs bem antes da nova bossa.




Leia também: Tropicália ou Panic et Circensis (1968)


Travelling Wilburys, a superbanda


Por Maurício Rigotto
Colecionador e Escritor

No final dos anos oitenta, uma superbanda foi formada por mero acaso, sem nenhum planejamento, em uma informal reunião de amigos. Tudo começou com o ex-guitarrista dos Beatles, George Harrison, que lançou no final de 1987 o excelente disco Cloud Nine, cinco anos após o seu pouco inspirado LP Gone Troppo. A pedido da gravadora Warner Bros., George resolveu lançar um compacto com “This is Love”, uma das faixas do disco, mas quis gravar uma música inédita para o lado B do single.

Embora ainda não tivesse uma canção pronta para usar como lado B do compacto, George chamou o produtor do álbum, Jeff Lynne, ex-líder das bandas The Move e Electric Light Orchestra, para auxiliá-lo na gravação. Jeff Lynne a essa altura estava produzindo o disco Full Moon Fever do roqueiro Tom Petty, o primeiro do músico sem a banda que sempre o acompanhou, The Heartbreakers. Jeff Lynne encontrou George e disse que para gravar com ele teria que passar antes na casa de Tom Petty, pois havia esquecido lá a sua guitarra. George e Jeff rumaram juntos para a casa de Tom Petty e quando lá chegaram encontraram Tom tocando com Roy Orbison, pois Tom Petty, assim como Jeff Lynne, iria ser um dos co-produtores do álbum Mystery Girl, que marcaria o retorno de Roy Orbison as paradas de sucesso. Amigo de George desde que excursionou com os Beatles em 1963, Roy Orbison foi convidado para a gravação, assim como Tom Petty.

Restava agora encontrar um bom estúdio disponível. George telefonou para Bob Dylan, seu antigo amigo e parceiro, para perguntar se poderiam usar o seu estúdio em Malibu, na Califórnia. Bob Dylan, que havia encerrado naquele mês uma turnê ao lado do Grateful Dead e que no ano anterior havia feito uma grande turnê com Tom Petty & The Heartbreakers, respondeu afirmativamente, desde que ele também participasse da junção.


Reunidos em Malibu, Dylan, Harrison, Orbison, Lynne e Petty, juntamente com o veterano baterista Jim Keltner, relaxavam bebendo cervejas no jardim, ainda sem saber o que gravar, quando George avistou uma caixa na garagem de Dylan com os dizeres “handle with care”. Imediatamente surgiu a inspiração e George pegou o violão e compôs “Handle With Care”. Gravaram a canção com todos se revezando nos vocais e o resultado ficou tão bom que desistiram do single e resolveram gravar um álbum inteiro em dez dias, pois Dylan logo voltaria para a estrada.

Todos os integrantes colaboraram com as composições, e em uma semana estavam prontas as ótimas canções “Last Night”, “End of the Line”, “Margarita”, “Congratulations” e outras. Faltava um nome para a banda. George sugeriu Trembling Wilburys, inspirado em um termo que ele e Jeff usaram durante a gravação de Cloud Nine: “We’ll bury them in the mix”, algo como “Nós enterraremos tudo na mixagem”. Jeff contrapôs: “Que tal Traveling Wilburys?”. Todos concordaram.

Dizem que o grupo chegou a se apresentar em um clube minúsculo, com capacidade para setecentas pessoas e com menos da metade dos ingressos vendidos, pois o cartaz anunciava apenas “Traveling Wilburys” e poucos sortudos se animaram a sair de suas casas para assistir uma banda que ninguém nunca tinha ouvido falar. Imaginem que grata surpresa tiveram quando a banda subiu ao palco!


Em outubro de 1988 foi lançado o disco Traveling Wilburys Volume 1, quase simultaneamente ao lançamento dos discos de Roy Orbison e Tom Petty. No encarte, a banda aparece com os pseudônimos: Nelson Wilbury (George Harrison), Lefty Wilbury (Roy Orbison), Otis Wilbury (Jeff Lynne), Charlie T. Wilbury Jr. (Tom Petty) e Lucky Wilbury (Bob Dylan). O disco foi muito bem recebido pela crítica e pelo público, mas durante a divulgação, no dia 06 de dezembro, Roy Orbison morreu repentinamente, fulminado por um ataque cardíaco aos 52 anos.


Em 1990 o grupo se reuniu para gravar o seu segundo disco. Chegaram a convidar o cantor e compositor Del Shannon para o lugar de Orbison, mas esse gentilmente recusou o convite, alegando ter outros planos. Alguns dias depois, Del Shannon cometeu suicídio. Especula-se que o grupo cogitou convidar Carl Perkins a se juntar a eles, mas acabaram concluindo que Roy Orbison era insubstituível e resolveram gravar apenas os quatro.


Curiosamente, o segundo disco do grupo chama-se Traveling Wilburys Volume 3, provavelmente como uma forma de homenagear o integrante falecido. George explicou o título com a sua tradicional ironia: “O nosso forte é a música, não a matemática.” O Vol 3 traz mais um apanhado de boas canções, como “Inside Out”, “She’s My Baby”, “The Devil’s Been Busy” e a divertidíssima “Wilbury Twist”. Embora creditadas a todos, a maioria das composições são de Bob Dylan e George Harrison. No disco, os integrantes ganharam novos pseudônimos: Spike Wilbury (George Harrison), Clayton Wilbury (Jeff Lynne), Muddy Wilbury (Tom Petty) e Boo Wilbury (Bob Dylan).


Como as carreiras solos continuavam a ser prioridade, o grupo se separou amigavelmente depois desse segundo disco. George Harrison, dono dos direitos dos dois álbuns, trabalhou em 2001 para o relançamento dos discos, acrescidos de faixas bônus e um DVD. George, que morreu no final daquele ano, não chegou a ver a bela caixa com dois CDs e um DVD que seu filho Dhanni e Tom Petty lançaram. O
Vol 1 veio acrescido das inéditas “Maxine”, cantada por George, e “Like a Ship”, cantada por Dylan. O Vol 3 trouxe como bônus “Nobody’s Child”, lançada apenas em um disco beneficente em 1990, e “Runaway”, lado B do single “She’s My Baby”, uma homenagem a Del Shannon. O DVD traz os cinco videoclipes lançados pela banda e o emocionante documentário The True History of The Traveling Wilburys.

Esse é o legado da superbanda Traveling Wilburys, um verdadeiro deleite para ouvidos exigentes.



Discoteca Básica Bizz#214: Leo Jaime - Sessão da Tarde (1985)


(Fábio Bianchini, Bizz#214, junho de 2007)

Um musaranho que presenciasse aquelas sessões de cinema, com jovens pondo-se de pé em suas poltronas para dançar a música-tema do filme, haveria de pensar: "
Aí tem coisa". Certo, relatos sobre tumultos e histeria em salas de projeção não eram inéditos, mas pareciam uma coisa vinda daqueles volumes sobre história do rock. Mas ali, em 1986 ...

"Rock Estrela" não fazia parte de Sessão da Tarde, lançado no ano anterior, mas desvincular uma coisa da outra seria falacioso e, pior, estúpido. Afinal, o sucesso do disco pode não ter sido o que fez com que o diretor do filme, Lael Rodrigues, convidasse Leo Jaime para a trilha sonora, mas foi o que levou o pessoal pro cinema e pra cima das poltronas.

Usar o argumento "tem tantos hits que até parece coletânea" para evidenciar a importância histórica de um disco de rock brasileiro daquela época, além de desgastado, diz quase tanto sobre o espírito e as condições de seu tempo quanto sobre a obra em questão. Afinal, vale igualmente para vários outros. E Leo Jaime sempre foi um caso à parte. Então, por outra: quantas vezes a Discoteca Básica emplacou alguém que também já foi astro de novela das 7? Esse fator é fundamental para situar a linhagem do cantor, que vem sim de Roberto e Erasmo, mas também passa por Fábio Jr, em versão roqueira sem largar o romantismo, até mais brejeiro.

Sessão da Tarde vive da dualidade. Apresenta Leo Jaime como o sujeito feliz em fazer parte da turma, mas essencialmente um introspectivo, um solitário. Tem a ver com sua trajetória pessoal, que saiu de Brasília para o Rio, uniu-se a João Penca e os Miquinhos Amestrados, associou-se a Eduardo Dusek, desassociou-se de Dusek, saiu dos Miquinhos, usou a produção niueive para seu primeiro disco (Phodas C, de 1983) e desistiu da tal produção.

E é aí que chegamos a Sessão da Tarde, que tem participações de Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, João Penca e os Miquinhos e uma composição dos titãs Toni Bellotto e Marcelo Fromer. Uma ouvida mais atenta, no entanto, revela a impressão permanente de estar numa festa, mas dos outros. "Só" (o doo wop com os Miquinhos) e "A Vida Não Presta" (uma das baladas mais bonitas do rock brasil) escancaram, mas até na "engraçadinha" "O Pobre" o sentimento de inadequação aparece. É também único e perene (suas canções, pop simples e direto, poderiam ser dos anos 60, poderiam ser de hoje), mas inequivocadamente ligado à sua época, da nova descoberta do rock nacional e da redemocratização. Leo piadava sobre injustiça social ("O Pobre", "O Regime"), sua impressão de que a festa da corrupção não havia se encerrado ("O Crime Compensa") e usava trocadilho para misturar libertação pessoal com política ("Abaixo a Depressão").

"Solange", de uma vez só, homenageia uma funcionária da Censura e sacaneia a história de que os Paralamas copiavam o Police: é uma versão de "So Lonely" (olha a solidão aí de novo), da banda do Sting, com Herbert, Bi e Barone no acompanhamento.

O disco também já unia Leo ao cinema: "As Sete Vampiras" era um divertido rock de embalo feito de encomenda para o filme homônimo de Ivan Cardoso. Outro representante do disco nas FMs foi "A Fórmula do Amor", gravada com o Kid Abelha, que ainda contava com Leoni, co-autor da canção, e tão perfeita quanto dá para supor pela assinatura da composição.

Nos anos seguintes, o romantismo solitário e até melancólico pronunciou-se cada vez mais no cantor, que lançou alguns discos, com receptividade cada vez menor, estudou jornalismo, foi dirigente do Flamengo, comentarista de futebol e participou de festas revivalistas dos anos 80 travestidas de celebração ao mau gosto. Posição injusta para o talento de Leo Jaime.



25/11/2009

Edição nacional do livro que conta a história do AC/DC em pré-venda


(matéria publicada originalmente no site AC/DC Let There Be Rock in Brasil)

A pré-venda do livro
Let There Be Rock - A História da Banda AC/DC está disponível no site da loja Conrad. É o primeiro livro sobre o grupo a ser publicado em português.

Let There Be Rock é o relato difinitivo da ascensão do AC/DC ao topo da estratosfera do rock n' roll. Saiba como este grupo de rapazes australianos se tornou uma das mais lendárias bandas da história.

A autora Susan Masino recupera as raízes da banda, desde o início em Sydney, Austrália, no começo dos anos 1970, até conquistar o grande público dos EUA e a morte devastadora do vocalista Bon Scott, em 1980. Depois da tragédia, a banda se recompôs e saltou ao topo das paradas com o novo cantor Brian Johnson e o emocionante disco
Back in Black. Atravessando tudo isso, o AC/DC continua a conquistar legiões de novos fãs no século XXI.

Reunindo mais de trinta anos de entrevistas que Susan fez com a banda, assim como dezenas de novas entrevistas com músicos e amigos do grupo, enfim a verdadeira história do AC/DC é revelada ao público.

Formato / Composição:
Formato:24x17
ISBN:978-85-04-01607-9
Cód: Al01607
COMPANHIA EDITORA NACIONAL
Páginas: 254

Pré-venda - postagem prevista 30/11/2009
R$ 39,90


Colírio: AC/DC - Backtracks (2009)


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Faltando dois dias para o show do AC/DC em São Paulo, nada melhor do que se deliciar com esse vídeo onde dois fãs da banda apresentam o box Backtracks.

O conselho é o mesmo: chame seu cardiologista e separe o babador, porque as imagens são fortes!!!