23 de jan de 2010

Opinião Produtora divulga comunicado com mais uma alteração no show do Metallica em Porto Alegre: leia o texto na íntegra

sábado, janeiro 23, 2010

”A Opinião Produtora, atendendo a diversas solicitações de seu público após a troca de local do show do Metallica, fará alterações na estrutura com lounge, adequando o espaço às preferências dos espectadores. Os assentos que substituirão as cadeiras do Estádio Passo d’Areia serão dispostos em arquibancadas laterais cobertas, mais próximas ao palco, construídas em ambos os lados do Parque Condor. Não haverá mais espaço de lounge.

As pessoas que adquiriram bilhetes para o setor poderão optar por ficarem ao lado direito ou ao esquerdo do palco. A elas serão entregues pulseiras, para que elas possam circular também pela pista, e almofadas confortáveis personalizadas do show, que poderão ser levadas após o espetáculo.

As pessoas que compraram antecipadamente as entradas, sentiram-se prejudicadas pela alteração de local da apresentação e desejarem fazer a devolução do ingresso mediante ressarcimento poderão dirigir-se à bilheteria da Multisom, localizada na Andradas, 1001, ou à Fnac do BarraShoppingSul – conforme o lugar de compra. Aqueles que adquiriram o bilhete pela internet ou pelo telefone podem entrar em contato com a Ticketmaster pelo (51) 4003-8282.

Mais informações podem ser obtidas pelo (51) 3211-2838.”


Discos Fundamentais: Metallica - Kill´Em All (1983)

sábado, janeiro 23, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

25 de julho de 1983. Foi nesta data que o primeiro álbum do Metallica chegou às lojas norte-americanas, com uma tiragem inicial de apenas 1.500 cópias. Na época, o quarteto era formado por James Hetfield (vocal e guitarra), Kirk Hammett (guitarra), Cliff Burton (baixo) e Lars Ulrich (bateria), todos garotos cabeludos e repletos de espinhas recém entrando na casa dos vinte anos.

Sedentos e repletos de energia, os quatro gravaram o disco em apenas duas semanas, no período entre 10 e 27 de maio de 1983. O que se ouve em Kill´Em All é um som agressivo e rápido, que ao mesmo tempo em que bebe em fontes mais agressivas como Motorhead e Venom, é também bastante influenciado por grupos oriundos da New Wave of British Heavy Metal, como Diamond Head e Iron Maiden.

Lançado pela então também iniciante gravadora Megaforce, o trabalho inicialmente teria o título de Metal Up Your Ass, com a capa mostrando um vaso sanitário de onde emergia uma mão segurando uma adaga, mas a gravadora considerou ambos - título e arte da capa - muito agressivos, e conseguiu convencer o grupo a batizar o play como Kill´Em All e embalá-lo em uma capa mais branda - mas nem tanto, já que a clássica imagem do martelo repleto de sangue caiu como uma bomba nas lojas mais tradicionais dos EUA, encontrando certa resistência de alguns lojistas.

Kill´Em All conta com uma produção crua, a cargo da dupla Paul Curcio e Jon Zazula, mas que agradou em cheio os ouvidos dos headbangers da época, e até hoje continua conquistando novos fãs para o Metallica. As guitarras soam ásperas, o que torna os riffs de faixas como "The Four Horsemen", "Phantom Lord" e "No Remorse" ainda mais agressivos.

Ainda um garoto, James Hetfield apresenta no disco um vocal mais agudo e gritado daquele que nos acostumamos a ouvir com o passar dos anos. Lars Ulrich toca com rapidez e segurança, encaixando viradas precisas e criativas nas composições. Kirk Hammett toca como se conhecesse Hetfield de outras vidas, dando corpo para seus riffs e mostrando em seus solos todo o talento que o levaria a ser considerado um dos maiores guitarristas da história do heavy metal. E Cliff Burton, o melhor instrumentista do grupo, eleva a atividade de baixista a um novo patamar, esbanjando técnica e criatividade, o que levou alguns críticos da época a classificarem o seu modo de tocar como "lead bass".

Entre as dez faixas de Kill´Em All estão alguns dos maiores clássicos do então nascente thrash metal, e do próprio heavy metal oitentista. Como você bem sabe, o disco abre com "Hit the Lights", faixa presente na lendária coletânea Metal Massacre Vol I, lançada pela gravadora Metal Blade em 1982 e responsável por apresentar o som do quarteto - e de bandas como Malice, Cirith Ungol e Demon Flight - aos ávidos fãs do então chamado speed metal.

A estupenda "The Four Horsemen", uma das melhores composições da história do Metallica, contém uma inacreditável coleção de riffs clássicos e foi também gravada por Dave Mustaine - autor da faixa, ao lado de Hetfield e Ulrich - no primeiro álbum do Megadeth, Killing is My Business ... and Business is Good, de 1985. Aliás, Mustaine divide a autoria de mais três faixas de Kill´Em All: a cheia de groove "Jump in the Fire", a agressiva "Phantom Lord" (mais tarde regravada por outro gigante do thrash, o Anthrax, como B-side do single de "Inside Out", do álbum Volume 8: The Threat is Real, de 1998) e a rápida "Metal Militia", que fecha o play.

Outras pauladas infalíveis são "Motorbreath", com uma virada de bateria antológica de Lars Ulrich e guitarras "pedaladas" que fizeram muita gente ter torcicolos frequentes; "(Anesthesia) Pulling Teeth", onde Burton calibra seu baixo com generosas doses de distorção e despeja melodias inesquecíveis sobre os ouvintes; "Whiplash", um violento soco no estômago que você não cansa de sentir; e a eterna "Seek & Destroy", que consegue unir de forma quase alquímica as melodias influenciadas pela NWOBHM com a agressividade e a rapidez que por muito tempo foram marcas registradas do grupo.

Kill´Em All caiu com uma bomba atômica no universo metálico, causando abalos sísmicos que abalaram definitivamente o heavy metal dali em diante. O thrash metal teve dois pais, e um deles foi, sem dúvida alguma, Kill´Em All - o nome do outro é Show No Mercy, primeiro disco do Slayer, lançado também em 1983. O álbum alcançou a primeira posição da parada underground da revista norte-americana Hit Parader, uma das maiores e mais importantes publicações dedicadas ao heavy metal da época. Além disso, figura na posição número 35 da lista dos 100 Maiores Álbuns dos Anos 80 produzida pela revista Rolling Stone.

Em 1988 a gravadora Elektra reeditou o álbum com duas bonus tracks - as famosas versões de "Am I Evil?" do Diamond Head e "Blitzkrieg", da banda homônima. O disco ganhou dezenas de reedições ao longo dos anos, sendo as mais interessantes essa de 1988 já citada; a versão lançada pela Universal japonesa em 2006, em edição limitada papersleeve; e a em LP de 180 gramas que a Warner colocou no mercado em 2008.

Kill´Em All é mais do que um disco. O primeiro álbum do Metallica é um marco na história do heavy metal, responsável por dar cara a um novo gênero - o thrash metal -, ao mesmo tempo em que apresentava ao mundo uma das mais importantes, influentes e maiores bandas da história da música pesada. Isso é mais do que suficiente para Kill´Em All carregar, de forma reluzente e inequívoca, o status de clássico.


Faixas:
A1 Hit the Lights 4:18
A2 The Four Horsemen 7:15
A3 Motorbreath 3:10
A4 Jump in the Fire 4:43
A5 (Anesthesia) Pulling Teeth 4:16
A6 Whiplash 4:12

B1 Phantom Lord 5:04
B2 No Remorse 6:28
B3 Seek & Destroy 6:57
B4 Metal Militia 5:13

22 de jan de 2010

Rebel Meets Rebel - Rebel Meets Rebel (2006)

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ***1/2

Este é um CD que garantirá muitas alegrias à qualquer fã de boa música. Rebel Meets Rebel traz três dos quatro integrantes de uma das bandas de heavy metal mais importantes dos anos noventa tocando ao lado de uma das maiores lendas do country norte-americano. A mistura, que a princípio teria tudo para soar indigesta, surpreende até o ouvinte mais experiente.

O som do Rebel Meets Rebel soa como a alquimia perfeita entre o clássico southern rock de grupos como Lynyrd Skynyrd, Black Oak Arkansas, Blackfoot e Allman Brothers, com o heavy metal cheio de energia imortalizado pelo Pantera na década de noventa (se você por acaso vive em outro mundo e não está entendendo o que eu estou falando, os tais integrantes são nada mais nada menos que Dimebag Darrell, Vinnie Paul e Rex Brown, que ao lado de Phil Anselmo injetaram peso e combustível na música pesada singular há quase vinte anos).

Os vocais de David Allan Coe são cheios de vida, de uma paixão pela música que ultrapassa qualquer tentativa de enquadrá-la (ou confiná-la, dependendo do ponto de vista que você escolher) a um gênero específico. O mesmo vale para Dimebag. Sem medo de soar bobo, sem medo de rótulos, sem temer julgamentos, o que temos em Rebel Meets Rebel é um atestado de amor incondicional à música.

As faixas são bastante variadas. “Nothin´ to Lose” é um cruzamento de Pantera com o rockabilly dos anos 50. Já “Rebel Meets Rebel” é a música perfeita para tocar em qualquer espelunca ao longo da mítica Route 66. Dimebag brilha na instrumental acústica “Panfilo”, que parece saída de um disco da Charlie Daniels Band. “Heart Worn Highway” soa como um Allman Brothers mais pesado. Ecos da clássica “Cemetery Gates” podem ser ouvidos em “Arizona Rivers”, enquanto “One Nite Stands”, “Get Outta My Life” e “Cherokee Cry” possuem riffs tipicamente Pantera.

David Allan Coe e Dimebag Darrell brilham intensamente em Rebel Meets Rebel. O primeiro mostra todo o seu talento em vocais cheios de personalidade, não soando deslocado nem forçado em nenhum momento. Já a guitarra de Dimebag irá levar às lágrimas os mais saudosistas e emotivos. Darrel estava muito inspirado quando gravou o disco, e isso fica evidente em todas as faixas. Aliando o seu estilo característico às raízes do rock norte-americano, que é a essência do som do Rebel Meets Rebel, mostra técnica, feeling e criatividade, alternando momentos de puro peso a outros onde a melodia fala mais alto.

Um CD muito legal e bastante interessante, e que deverá agradar não apenas os fãs do Pantera e do falecido guitarrista, mas todo e qualquer apreciador de boa música.



Faixas:
1 Nothin' to Lose 3:40
2 Rebel Meets Rebel 3:10
3 Cowboys Do More Dope 4:48
4 Panfilo 0:34
5 Heart Worn Highway 4:12
6 One Nite Stands 2:28
7 Arizona Rivers 2:27
8 Get Outta My Life 3:32
9 Cherokee Cry 3:50
10 Time 3:35
11 No Compromise 3:52
12 N.Y.C. Streets 4:12


Música do R.E.M. será regravada e lançada como single beneficente para as vítimas do terremoto no Haiti

sexta-feira, janeiro 22, 2010

(matéria publicada originalmente no site G1)

O produtor musical Simon Cowell, jurado dos programas American Idol e The X Factor, diz já ter escolhido a música que vai gravar com diferentes artistas para um single beneficente para as vítimas do terremoto que destruiu o Haiti.

A faixa será “Everybody Hurts”, do R.E.M. A música pertence ao álbum
Automatic for the People, de 1992, e a banda abriu mão dos ganhos com direitos autorais com a canção para aumentar a arrecadação pelo Haiti.

Estamos profundamente emocionados pelo fato de essa música ter sido escolhida pela campanha pelo Haiti”, contou Bertis Downs, o empresário da banda, ao The Sun. “Significa muito essa faixa que os meninos escreveram há tantos anos, sendo usada agora para uma causa tão importante”.

Cowell, que foi convidado pelo primiero-ministro britânico Gordon Brown para produzir a faixa, ainda não confirmou todos os artistas que participarão das gravações em Londres. Ele acenou com as possíveis participações de nomes como Paul McCartney e Robbie Williams. "
Vamos juntar o máximo de pessoas possível, quem quer que esteja disponível vai estar na gravação", afirmou ele, em entrevista à BBC.

Além de Cheryl Cole, do grupo Girls Aloud e também jurada do
The X Factor, primeira a confirmar a participação, Rod Stewart, Leona Lewis e Michael Bublé também devem cantar no single, informaram os organizadores.

Os 30 anos do clássico The Wall, do Pink Floyd

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Por Cleyton Lutz

Lançado em novembro e dezembro de 1979, dependendo do país, The Wall completou 30 anos recentemente. O trabalho, tão controverso quanto bem sucedido, mostrou que o quarteto britânico poderia igualar o sucesso comercial de Dark Side of the Moon (1973) – embora o último apareça nas listas de álbuns mais vendidos da história como o maior sucesso do Pink Floyd, calcula-se que The Wall tenha vendido 23 milhões de cópias só nos Estados Unidos, onde superou Dark Side of the Moon, transformando-se no terceiro disco mais vendido no país em todos os tempos.

O álbum conceitual narra a vida de Pink, um astro da música marcado por traumas ocorridos durante a infância, como a perda do pai, a super proteção materna e a opressão sofrida na escola. Paranóico, abusando de drogas, com o casamento em crise e cansado do estrelato, ele torna-se recluso e passa a construir um muro imaginário ao redor de si, isolando-se do resto do mundo e mergulhando cada vez mais em sua própria mente, alienado de tudo que passa a seu redor.

A combinação de todas essas características – uso de drogas, loucura, alienação e opressão – faz com que o conceito do disco seja visto normalmente como uma combinação das experiências de Roger Waters com as de Syd Barrett, um dos fundadores do Pink Floyd, afastado da banda devido ao uso abusivo de drigas e que já havia sido homenageado no disco Wish You Were Here (1975).

O final surpreendente – Pink se torna um ditador fascista e transforma suas apresentações em comícios, nos quais persegue tipos que lhe desagradam, sendo por fim levado a julgamento por sua própria mente e obrigado a destruir o muro que lhe isola do resto do mundo – contribuiu ainda mais para tornar a obra em um clássico da cultura pop, que gerou posteriormente um filme e uma peça da Broadway, além de um show simbólico em Berlim pouco depois da queda do muro em 1990 e diversas versões/regravações para músicas do disco, em especial “Another Brick in the Wall, Part II”, maior sucesso comercial do trabalho.

Em virtude da comemoração de 30 anos de The Wall, o site dedicado ao Pink Floyd Brain Damage publicou uma série de artigos sobre o álbum, compilados aqui nessa matéria.


O surgimento da ideia

A versão mais divulgada dá conta de que a ideia inicial teria surgido após um incidente ocorrido durante a turnê do álbum
Animals (1977), em um show realizado no estádio Olímpico de Montreal. Após um tumulto na plateia, o baixista/vocalista Roger Waters cuspiu em um fã. Incomodado com o fato, o músico procurou ajuda médica. Nas conversas ele relatava o quanto se sentia mal tocando em grandes estádios – após o enorme sucesso de Dark Side of the Moon, o Pink Floyd passou a se apresentar para audiências cada vez maiores.

Waters mencionou o desejo que sentia de construir um muro ao redor de si para se isolar da audiência durante os shows. E o baixista não era o único. O vocalista/guitarrista David Gilmour também havia tido problemas com a plateia em um show da mesma turnê ao se recusar a tocar uma música durante um bis de uma apresentação.


As batalhas internas

A banda começou a trabalhar na obra um ano antes do lançamento. Com os outros membros ocupados com projetos paralelos ou descansando, Waters escreveu o novo material e apresentou uma demo com uma hora e meia de duração, intitulada
Bricks in the Wall, aos demais músicos e à equipe técnica. Daí sairia o título definitivo do disco, The Wall – a outra sugestão de nome era The Pros and Cons of Hitch Hiking, abandonada posteriormente e que seria o título do primeiro álbum solo do baixista, lançado em 1984.

Desde o início Waters tomou a frente do projeto, o que fez com que
The Wall fosse associado muito mais a ele do que aos outros integrantes do Pink Floyd – basta lembrar o show idealizado por ele e realizado em Berlim, pouco depois da queda do muro que dividia as duas Alemanhas, que contou com a participação de várias artistas.

O papel desempenhado por Waters em
The Wall fez com que o álbum fosse visto por algumas pessoas como um trabalho praticamente solo do músico, apesar da participação de Gilmour na composição de músicas como “Young Lust”, “Run Like Hell” e “Confortably Numb” – as três se tornaram singles e “Comfortably Numb” acabou se tornando uma das canções mais famosas da banda, sendo executada constantemente por Gilmour em suas apresentações solo.

Apesar da contribuição de Gilmour em “Comfortably Numb”, a gravação da música foi marcada por discordâncias entre o guitarrista, Roger Waters e os produtores Bob Ezrin e James Guthrie. “
Havia alguns pontos notáveis de disputa, o mais famoso deles dizia respeito a ‘Comfortably Numb’ e a orquestração que seria incluída na faixa. David era contra, mas Roger e eu a fizemos. Negociamos com ele um bom tempo até que David concordasse. Mas acho que fizemos a escolha certa”, comenta Ezrin. “Suponho que teria sido bom tê-los tocando juntos como uma banda, mas eles não tinham mais esse tipo de espírito àquela altura”, analisa Guthrie, que também atuou como engenheiro de som do trabalho.

Na verdade, o controle de Waters sobre o processo de composição das músicas e definição dos conceitos dos álbuns do Pink Floyd foi uma tendência que surgiu de forma tímida em
Wish You Were Here (1975), ganhou corpo em Animals (1977) e se consolidou em The Wall, radicalizando-se posteriormente em The Final Cut (1983), esse sim um trabalho solo de Waters que teve o Pink Floyd como banda de apoio.

O fato é que em
The Wall o Pink Floyd não trabalhou em conjunto como, por exemplo, havia acontecido no célebre Dark Side of the Moon. As desavenças internas durante a gravação do disco fizeram com que o tecladista Rick Wright fosse demitido da banda – no entanto ele prosseguiu com o grupo, só que como músico contratado. O tecladista no início faria parte da equipe de produção, mas acabou “rebaixado” devido a discordâncias entre ele e Waters. O baixista via com ressalvas o que ele classificava como “pouco empenho” de Wright em terminar as gravações. De acordo com informações divulgadas posteriormente, o tecladista passava por um momento delicado marcado pelo uso de drogas, problemas conjugais e depressão.

A maioria das disputas pessoais foram resolvidas antes de The Wall’” diz Guthrie. “Wright sentia que estava se tornando cada vez mais distante de Waters. Ele estava inseguro sobre o seu papel na banda, e com razão. Waters tinha sido muito duro com ele”, testemunha Ezrin.

Além da relação conturbada entre os próprios membros, a gravação de
The Wall também foi marcada pela delicada situação financeira do Pink Floyd. O executivo Norton Warburg – que possuía um grupo de consultoria financeira de mesmo nome – responsável, entre outras coisas, por arrecadar e planejar as finanças do grupo, consumiu quase todo o dinheiro do conjunto em investimentos de risco, deixando o Pink Floyd quase falido. Para fugir dos altos impostos britânicos, a banda resolveu então iniciar as gravações na França, em uma área ao redor da cidade de Nice.


Bob Ezrin e James Guthrie

Procurando por um “
um jovem engenheiro talentoso, que poderia trazer uma abordagem diferente ao som da banda”, conforme relata o baterista Nick Manson no livro Inside Out, o Pink Floyd recebeu como sugestão de Alan Parsons – que havia trabalhado ao lado do grupo em Dark Side of the Moon – o nome de Guthrie, que tinha no currículo participações em álbuns de bandas como Heatwave, The Movies e Judas Priest.

Mas apesar da fama do quarteto na época, Guthrie conhecia o grupo mais pelo nome do que pela música propriamente dita, já que a referência que ele tinha do Pink Floyd remetia aos primórdios do conjunto. “
Eu nunca tinham assistido a um show deles”, explica. “Mas estava familiarizado com a música ‘See Emily Play’, ela me influenciou bastante quando a ouvi pela primeira vez. Acho que eu tinha 13 anos” comenta.

Após receber a demo das mãos de Waters, Guthrie começou a participar ativamente do processo de produção de
The Wall, principalmente na organização do material e das ideias envolvendo o disco. “Roger tinha escrito material suficiente para três álbuns, assim começamos fazendo os arranjos e gravamos as músicas por completo. Dessa forma, poderíamos começar a dar forma à história. Trabalhar em um álbum conceitual assemelha-se a fazer um filme. É muito importante como você vai contar a história”, compara. Depois de participar da produção, Guthrie caiu na estrada com a banda, trabalhando na equipe de som do Pink Floyd na turnê de The Wall – ele é o engenheiro de som responsável por Is There Anybody Out There? - The Wall Live 1980/81.

James, infinitamente paciente, apresentava um ponto de equilíbrio em relação ao estilo extremamente energético, e muitas vezes irrascível, de Bob Ezrin”, testemunha Manson. O nome de Ezrin também é importante para entender o sucesso de The Wall, principalmente do ponto de vista comercial. “Embora nós mesmos tivéssemos produzido Dark Side e Wish You Were Here, Roger tinha decidido utilizar Bob como produtor e colaborador. Na época, ele era conhecido por trabalhar em uma série de álbuns de Alice Cooper e Lou Reed”, comenta o baterista.

Bob Ezrin é considerado um dos responsáveis pelo retorno do Pink Floyd à prática de lançar singles, algo que nunca agradou muito à banda. O primeiro deles foi o mega-hit “Another Birck in the Wall, Part II”. “
Eu insisti porque sabia que era uma canção de sucesso inegável”, comenta Ezrin. “A banda não estava interessada em singles, mas eu estava determinado a lançar pelo menos um. Eles só gravaram um verso e um coro e se recusaram a tocar mais. Copiei os trechos e criei um segundo verso com refrão, acrescentando pequenos detalhes. Foi obviamente uma fórmula vencedora”, afirma.


As apresentações

Após gravar o LP em quatro estúdios – um em Nova York, um em Londres e dois na França – durante dois meses o Pink Floyd entrou em turnê – isso já em 1980. Mas os shows apresentavam um dilema difícil de resolver. Se por um lado o incômodo de tocar em grandes estádios havia sido um dos combustíveis para a concepção de
The Wall, por outro ficava difícil imaginar um concerto intimista que fizesse jus à grandiosidade da obra. "The Wall perdia a chama completamente quando tocado num estádio, sendo que nem o público nem a banda conseguia aproveitar coisa alguma”, afirmou o baixista em entrevista dada ao jornalista Chris Salewicz, em 1987.

Apesar da constatação, – com Wright já como músico contratado e não mais como membro do grupo – o Pink Floyd caiu mesmo na estrada. A banda começou a ensaiar para os shows em fevereiro de 1980. No mesmo mês aconteceu a primeira apresentação em Los Angeles. No total foram 31 shows durante dois anos. A turnê passou ainda por Nova York, Dortmond e Londres, além de LA.

Durante as apresentações um muro de 12 metros de altura, construído com tijolos de papelão, era gradualmente construído entre a banda e a plateia. As lacunas existentes, enquanto o muro não estava totalmente erguido, permitiam que o público visse o grupo. Também no muro eram projetadas animações, produzidas pelo ilustrador, designer e cartunista Gerald Scarfe, que remetiam à história. Outros elementos importantes eram os bonecos infláveis que iam surgindo durante o decorrer do show.

Um dos pontos altos era a execução de “Comfortably Numb”. Depois de Waters cantar as primeiras estrofes da música no chão, em frente ao muro, Gilmour surgia, suspenso por um guindaste, em cima do muro, iluminado por luzes azuis e brancas. E ao final da cada apresentação o muro era destruído com a banda ressurgindo. Em média cada show durava duas horas.

Mas, ao contrário do álbum, a turnê não se mostrou um sucesso do ponto de vista financeiro, muito pelo contrário. Toda a parafernália necessária para a realização dos shows - no total eram utilizadas 100 toneladas de equipamento em cada concerto - deixava as apresentações inviáveis economicamente. Prova disso é que o Pink Floyd fechou a turnê de
The Wall com um prejuízo de 600 mil dólares. Graças a isso tornou-se notória a história de que Wright teria sido o único a lucrar com a turnê, já que na época o tecladista trabalhou apenas como músico contratado.

Além da inviabilidade financeira da tour, os shows ocorridos em 1980/81 acentuaram ainda mais a divisão interna do conjunto. Waters se hospedou em hotéis diferentes dos demais integrantes, utilizando inclusive veículos próprios para se dirigir ao local de cada apresentação.

Apesar de todos os problemas e da relutância de Waters em realizar algo que contrariasse sua ideia inicial, os espetáculos se mostraram uma oportunidade única para o público. “
Assistir a um show de ‘The Wall’ era uma experiência semelhante a estar em um campo de batalha. O grande público era tomado por um frenesi impulsionado pelo rock and roll. Não se tratava de um show normal. Era, na verdade, um espetáculo multimídia grandioso”, afirma o colaborador do site Brain Damage, Paul Powell Jr.


O filme

Após o sucesso do álbum,
The Wall também acabou se transformando em filme. Lançada em 1982, a película contou com a direção de Alan Parker – responsável por obras como Mississipi em Chamas (1988) e Evita (1996) –, produção de Alan Marshall e roteiro do próprio Waters. Após ser exibido no conceituado Festival de Cinema de Cannes, o filme recebeu críticas positivas da maior parte da mídia especializada.

Baseada no conceito do álbum, a película inicialmente, de acordo com informações divulgadas na época da produção, foi concebida para ser um misto de trechos de apresentações ao vivo da banda na turnê de
The Wall com as animações de Scarfe. No entanto, a qualidade duvidosa das gravações realizadas durante as apresentações fez com que Parker abandonasse a ideia e optasse pelo uso de atores.

Após Parker assumir o comando na realização do filme – inicialmente Waters pretendia tocar o projeto por conta própria – ele logo descartou o baixista, que aspirava ao papel de Pink, personagem principal da história, optando pelo ator e cantor Bob Geldof. Se a produção do álbum foi marcada por um choque interminável de egos, no filme não foi diferente – só que dessa vez com dois personagens diferentes: Parker e Scarfe, além, é claro, de Waters

Desde o lançamento do filme, o baixista se mostrou relutante com relação à película. “
Foi uma experiência muito irritante e desagradável. Enganamos-nos muito”, afirmou em entrevista dada em 1988. Ele também se queixou da “apelação” que o filme produzia aos sentidos dos expectadores, tornando-se maçante e cansativo.

Já Scarfe viu seu roteiro, produzido para ajudar no desenvolvimento das animações, ser completamente abandonado – o texto é interessante na medida em que mostra o quanto a ideia original do filme passou por mudanças até que a obra fosse completada. Parker, por sua vez, em constante conflito com Waters e Scarfe, classificou o trabalho como uma das piores experiências criativas dele enquanto diretor.

Apesar das ressalvas dos realizadores do projeto,
The Wall se tornou um dos melhores musicais dos anos 1980, tendo rendido inclusive dois documentários dedicados a analisar o filme.

Dando ainda continuidade à ideia inicial de Waters, mesmo que tardiamente, de explorar
The Wall em todos os tipos de mídias possíveis – disco, concerto, cinema e teatro – em 2004 o músico promoveu uma peça na Broadway abordando mais uma vez o álbum – a iniciativa contou com o apoio da produtora/distribuidora de filmes Miramax Films e do empresário Thomas Mottola.


Uma peça de resistência

Relançado sete vezes nos mais diferentes tipos e formatos desde 1980,
The Wall se tornou um dos maiores clássicos da história do rock. O caráter atemporal da obra faz com que o disco seja relembrado e analisado constantemente. E não parece ser difícil entender o porquê. O álbum tocou em assuntos pertinentes ainda hoje: violência, opressão e isolamento, males da vida contemporânea.

Pink simboliza o ser humano posicionado entre as pressões da sociedade e as suas próprias vontades. Diante de um dilema existencial, sua primeira opção é alienar-se para depois “derrubar o muro” que o isola do resto do mundo, buscando o equilíbrio necessário para se livrar das neuroses que o atrapalham. A roupagem de astro do rock é apenas um disfarce para encobrir um ser humano comum, em constante conflito.

Se em algum momento você se identificou com Pink, ótimo. Sinal de que você é um ser humano.


As faixas do disco:
A1 In the Flesh? 3:16
A2 The Thin Ice 2:27
A3 Another Brick in the Wall Part 1 3:21
A4 The Happiest Days of Our Lives 1:46
A5 Another Brick in the Wall Part 2 3:59
A6 Mother 5:32

B1 Goodbye Blue Sky 2:45
B2 Empty Spaces 2:10
B3 Young Lust 3:25
B4 One of My Turns 3:41
B5 Don't Leave Me Now 4:08
B6 Another Brick in the Wall Part 3 1:48
B7 Goodbye Cruel World 0:48

C1 Hey You 4:40
C2 Is There Anybody Out There? 2:44
C3 Nobody Home 3:26
C4 Vera 1:35
C5 Bring the Boys Back Home 1:21
C6 Comfortably Numb 6:23

D1 The Show Must Go On 1:36
D2 In the Flesh 4:15
D3 Run Like Hell 4:20
D4 Waiting for the Worms 4:04
D5 Stop 0:39
D6 The Trial 5:13
D7 Outside the Wall 1:41


21 de jan de 2010

Iron Maiden - A Matter of Life and Death (2006)

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Cotação: ****

A grande verdade é que o Iron Maiden de hoje não é o Iron Maiden dos anos oitenta. Esta quarta fase da banda (a primeira foi com Paul Di´Anno nos vocais, a segunda o boom com Bruce Dickinson nos anos oitenta, e a terceira a chamada Era Blaze) tem demonstrado que o grupo ainda soa relevante quando falamos de música pesada.

Ao contrário do que dizem alguns críticos, a volta de Bruce e Adrian Smith em 10 de fevereiro de 1999 não deu apenas uma sobrevida ao Maiden. Com os dois novamente na sua formação, a Donzela recuperou instantaneamente, em um passe de mágica, toda a reputação que estava sendo jogada no lixo com o lançamento de
The X Factor e, principalmente, do constrangedor Virtual XI. Foi só anunciar a volta do eterno Mr Air Raid Siren e daquele que muitos consideram o melhor guitarrista de metal vivo (sim, estou falando do Senhor Smith) para que o nome do grupo voltasse a ser veiculado com destaque não só na mídia especializada, fazendo os fãs entrarem em ebulição em todos os cantos do planeta.

Mundo este que voltou a ser do Iron Maiden quando
Brave New World (2000) chegou às lojas. Refrescante, cheio de energia, o álbum é o ponto inicial da nova fase da banda. Olhando para o passado com respeito, mas sem se prender ao que fizeram na década de oitenta (e que os transformou no gigante de hoje em dia), mostrava já novas influências que seriam intensificadas no trabalho seguinte, Dance of Death, de 2003. Que influências são estas?

As longas passagens instrumentais, característica sempre marcante nas canções do grupo, estão mais presentes do que nunca. Não há em
A Matter of Life and Death uma música mais rápida e direta como “Rainmaker”, por exemplo. O Iron Maiden carrega em seu som características marcantes do rock progressivo setentista, unindo-as com perfeição ao heavy metal clássico que elevou o seu nome às alturas nos anos oiteta, transformando a banda, para muitos, na mais importante e influente da história do heavy metal. Seja pela idade de seus integrantes, pela maturidade de cada um como músico, ou por uma evolução natural mesmo (afinal, Steve Harris e Bruce Dickinson são apreciadores confessos de vários grupos setentistas), o fato é que em A Matter of Life and Death a banda atingiu o seu ápice na união destes dois gêneros, mostrando um novo som e um novo Iron Maiden para os fãs.

Não pense que você vai ouvir algo na linha do prog metal executado por grupos como o Dream Theater, por exemplo. Isso está muito longe de
A Matter of Life and Death. Suas dez faixas estão muito mais próximas das referências pioneiras do estilo, de grupos como Yes, Nektar e Rush. Mas pode ficar tranquilo porque a banda não perdeu nem uma grama de peso, muito pelo contrário. Ao mesmo tempo em que as músicas do novo álbum mostram um Maiden mais progressivo do que nunca, elas também apresentam um grupo pesadíssimo, como nunca tínhamos ouvido antes.

A Matter of Life and Death, apesar das evidências, não é um álbum conceitual. O tema central da maioria de suas faixas gira em torno da morte, da vida e da guerra, como o próprio título já prenuncia, mas considerá-lo um trabalho conceitual é um erro. Apesar de o atual sexteto já ter tratado destes assuntos inúmeras vezes na sua história (exemplos não faltam, como é o caso da clássica “Aces High” e da mais recente “Pashendale”), as letras nunca foram tão explícitas como agora. Tudo está mais evidente, mais na cara, acompanhado por uma performance instrumental excelente, como sempre.

Ainda que em uma análise superficial “Different World”, a faixa que abre o disco, pareça não ter nada a ver com as outras músicas do álbum, ela diz muito do que iremos ouvir a seguir. O Iron Maiden buscou inspiração no passado, em uma época repleta de originalidade chamada “anos setenta”. Mergulhando de cabeça, voltando mais de trinta anos no tempo, quando o conjunto não passava de um bando de guris tentando tirar alguns sons, o grupo encontrou os caminhos que fazem
A Matter of Life and Death soar original, ainda que continue sendo o bom e velho Maiden que aprendemos a amar através dos anos.

O Thin Lizzy, lendário grupo irlandês liderado por Phil Lynott e que desde sempre foi uma das maiores influências da carreira da Donzela, em “Different World” volta a projetar a sua sombra sobre a gangue de Steve Harris. Ao lado do UFO, o Thin Lizzy foi a grande fonte inspiração para a sonoridade que o Iron Maiden desenvolveu durante toda a sua história. As guitarras gêmeas e repletas de melodia do grupo irlandês tiveram um impacto gigantesco no Maiden, que com o seu talento as elevou a outro patamar, transformando-as na principal característica do seu som, influenciando mais tarde o Helloween da fase
Keepers e, por extensão, todo o chamado metal melódico.

Mas o que o grupo buscou agora no Thin Lizzy foi outro fator. Lynott e seus companheiros compuseram ao longo de sua carreira dezenas de clássicos, todos eles com refrões cheios de melodia, que grudavam imediatamente. Pois a Donzela pescou este elemento e o inseriu, com a competência habitual, não só em “Different World”, mas em todas as faixas de
A Matter of Life and Death. O resultado, como esperado, é excepcional. A ponte antes do refrão possui uma linha vocal inspiradíssima de Bruce Dickinson, com uma melodia muito interessante, e que faz toda a diferença. No final das contas é este detalhe que faz “Different World” ser uma faixa diferente, inovadora e refrescante, e não apenas mais uma canção de abertura dos discos do grupo.

O mergulho (profundo) nas influências progressivas começa em “These Colours Don´t Run”. A partir de sua segunda música,
A Matter of Life and Death não possui nenhuma faixa com menos de cinco minutos. Confesso que eu, um admirador ferrenho de clássicos da carreira da banda como “Hallowed be thy Name”, “Alexander the Great”, “Powerslave”, “Infinite Dreams” e “Seventh Son of a Seventh Son”, coloquei um sorriso no rosto quando vi a duração das faixas, já esperando o melhor, mas é colocando o CD para tocar que percebemos o quanto o Iron Maiden soa renovado em A Matter of Life and Death.

Com uma introdução de guitarras no estilo de “Brave New World”, “These Colours Don´t Run” explode em um hard rock vigoroso, onde o destaque imediato é a voz de Bruce Dickinson. Cantando como nunca, o baixinho mostra porque ainda é considerado a principal voz do heavy metal. Ele vai alternando linhas vocais diferentes durante o desenvolvimento da canção, levando a banda consigo. A parte instrumental é longa e possui um andamento que nos leva de volta ao clássico
Seventh Son of a Seventh Son, o álbum mais progressivo da fase clássica da banda. Os belos solos e melodias das guitarras são acompanhados por uma cama de teclados, e o resultado final agrada bastante.

“Brighter Than a Thousand Suns” possui algumas semelhanças com “Pashendale”, na alternância de passagens mais calmas com explosões sonoras repletas de peso. Mais uma vez as linhas vocais são cativantes, grudando na cabeça à primeira audição. O refrão é um dos melhores do disco, repetindo-se progressivamente, crescendo aos poucos, lembrando a estrutura de “Brave New World”. A música tem uma mudança de andamento lá pela metade que insere mais rapidez e ainda mais peso a tudo, com uma cavalgada de baixo e guitarras que irá agradar todo e qualquer apreciador do grupo. Bruce abusa dos tons mais altos em vários momentos, mostrando que está cantando um absurdo.

Podemos perceber um retorno às raízes em “The Pilgrim”. O riff inicial é puro anos oitenta. Outra vez a parte instrumental nos leva de volta a
Seventh Son of a Seventh Son. Mais direta, e com um arranjo mais épico que as faixas anteriores, “The Pilgrim” tem Bruce cantando de forma mais agressiva até chegar ao refrão, onde as melodias inspiradíssimas voltam à ordem do dia.

O que eu vou falar agora com certeza irá atiçar ainda mais a curiosidade dos fãs, mas desde a primeira vez que ouvi o início de “The Longest Day” a mais do que clássica “Rime of the Ancient Mariner” me veio à cabeça. Com o baixo servindo de guia, as três guitarras vão surgindo uma a uma, devagar e sem pressa. Alguns efeitos podem ser ouvidos nos instrumentos à medida em que a canção vai se desenvolvendo. Seguindo a linha melódica, Bruce declama a letra, explodindo em vocais com tons altíssimos e em um refrão que levanta qualquer estádio. Na metade da canção há uma mudança de andamento e somos surpreendidos por um riff que é puro Rush setentista, comprovando novamente a inserção da banda no universo daquela década. As guitarras são o principal destaque. Seja nas harmonias, nas melodias ou nos solos, o trabalho de Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers em “The Longest Day” é primoroso, dá gosto de ouvir. O entrosamento dos três alcançou um nível quase sobrenatural, inconsciente até em certos sentidos. Esta música tem, com a mais absoluta certeza, um dos melhores trabalhos nas seis cordas desde a estreia da nova formação.

Uma das grandes surpresas de
A Matter of Life and Death é a faixa que vem a seguir. “Out of the Shadows” é uma balada em que a banda usa bastante violões, mas não pense que estamos diante de uma nova “Journeyman”, porque o caminho seguido aqui é bem diferente. Sintetizando e tentando colocar em palavras, “Out of the Shadows” é uma música bem vigorosa, e nos leva de volta no tempo mais de vinte anos. É impossível escutá-la e não fazer uma associação com “Prodigal Son”, presente no segundo trabalho do grupo, Killers. O refrão traz à tona a lembrança de “Wasting Love”, de Fear of the Dark, último trabalho de Bruce Dickinson com o grupo antes de sair em carreira solo.

Após toda esta jornada, chegamos na parte final de
A Matter of Life and Death. Não sei se a minha opinião a respeito das últimas quatro faixas do disco será compartilhada com os milhares de fãs do Maiden aqui no Brasil, mas “The Reincarnation of Benjamin Breeg”, “For the Greater Good of God”, “Lord of Light” e “The Legacy” soaram aos meus ouvidos como uma grande suíte de fechamento do trabalho.

“The Reincarnation of Benjamin Breeg”, o primeiro single do álbum, é sem dúvida alguma uma das melhores faixas gravadas por esta formação do grupo. Se um “best of” desta fase fosse lançado, ela estaria presente, ao lado de músicas como “Ghost of the Navigator”, “Brave New World”, “Pashendale”, “Nomad” e “Wicker Man”. A introdução de guitarra cria o clima para o que iremos ouvir. Parece que Adrian, Dave e Janick estão frente a frente no estúdio, aquecendo seus instrumentos para o que irão fazer a seguir. Subitamente, Steve e Bruce entram em cena, e, enquanto o baixista cria a base, a voz do Maiden solta alguns versos calmamente, sem pressa, dando início à história do personagem.

Após esta breve intro, um riff de guitarra pesado, simples e eficiente, entra e quebra tudo. Bruce canta maravilhosamente, e suas linhas vocais vão se desdobrando em melodias crescentes, com um resultado muito legal. O refrão fica na cabeça de imediato, e é praticamente impossível não imaginar um estádio inteiro cantando-o a plenos pulmões. A parte instrumental mais uma vez é longa, cheia de cavalgadas de guitarra no melhor estilo do álbum Powerslave, além de ótimos solos. Li algumas críticas ao fato de “The Reincarnation of Benjamin Breeg” ter sido escolhida como primeiro single e juro que não entendi, uma vez que, além de ser uma das melhores canções de A Matter of Life and Death, sintetiza perfeitamente o disco.

O baixo de Steve Harris sutilmente invade nossos ouvidos e nos leva ao encontro de “For the Greater Good of God”. Com andamento crescente, a canção explode com os belos vocais de Bruce Dickinson. Aliás, Bruce canta praticamente toda a música em tons altíssimos, mostrando todo o poder de sua voz. É claro que os críticos do grupo irão dizer que ele não conseguirá cantá-la ao vivo da mesma maneira que em estúdio, mas para estas pessoas eu faço apenas uma pergunta: vocês ouviram o que Dickinson fez em “Hallowed be thy Name”, “The Trooper” e “Brave New World”, músicas que também possuem vocais no estilo, na turnê de
Dance of Death? Acho que isso responde qualquer dúvida.

Outro destaque de “For the Greater Good of God” é o arranjo orquestrado que entra lá pela sua metade, reforçando ainda mais o clima épico da canção. As mudanças de andamento são outra constante, reforçando o aspecto progressivo, além da bateria da Nicko McBrain, que foge do óbvio em suas linhas. Um faixa tipicamente Maiden, e que soa bastante emblemática, sintetizando o direcionamento que o grupo deu ao play.

Eu sei que isso soa repetitivo, mas não dá para ouvir “Lord of Light” e, de novo, não ficar extasiado com Bruce Dickinson. Nesta canção está a sua melhor performence no CD. Cantando mais do que nunca, em tons altíssimos mais uma vez, nos deixa sem saber o que dizer, quietos, apenas admirando o seu talento. “Lord of Light” possui também um belíssimo riff após a sua introdução, totalmente anos oitenta, que desemboca em um ataque certeiro de toda a banda. Nicko é outro que se destaca, inserindo mudanças de andamento e viradas de bateria certeiras.

Assim como aconteceu em
Brave New World com “The Thin Line Between Love and Hate” e em Dance of Death com “Journeyman”, em A Matter of Life and Death o Iron Maiden também guardou para o final uma grande surpresa para os fãs. “The Legacy” é uma das faixas mais longas do disco, e vem carregada de influências folk e celtas. Com um início acústico, parece saída de um álbum do Blind Guardian. Diferente de tudo que o Maiden já gravou em toda a sua carreira, possui um intrincado e belíssimo trabalho de violões. É chover no molhado, eu sei, mas canções como esta nos fazem perceber o quanto o grupo não está parado no tempo, o quanto está à frente, buscando inserir novos elementos em sua música. Em alguns momentos, a sonoridade acústica faz baixar um clima meio Led Zeppelin III, e nos sentimos em Stonehenge rodeados por druídas, fadas e elfos.

Voltando, este ritmo mais lento é quebrado quando, na segunda metade da faixa, um riff bem ao estilo do que o grupo fazia nos anos oitenta surge e leva a música ao seu ápice. Bruce dobra a sua voz, enquanto as guitarras derramam melodias sobre o riff, encerrando o álbum em alto estilo.

Em termos individuais, o maior destaque é Bruce Dickinson. Mostrando que é como vinho, o frontman do Maiden joga a experiência a seu favor, usando todo o poder de sua voz com sabedoria. As linhas vocais que criou para A
Matter of Life and Death estão entre as melhores desenvolvidas por Bruce nos últimos anos, tanto ao lado do Maiden quanto em sua carreira solo. Durante todo o álbum ele mostra que ainda tem muito o que ensinar e mostrar aos seus fãs, e muita influência ainda para exercer sobre várias gerações de artistas.

Steve Harris mostra a classe e a competência de sempre. Compositor ímpar, demonstra mais uma vez que a sua criatividade está longe de se esgotar. A performance de Nicko McBrain se destaca, mostrando uma evolução constante. Aliás, desde
Brave New World o baterista tem buscado variar e inovar bastante em suas passagens rítmicas, e isso é evidente em A Matter of Life and Death.

Fechando, o trio de guitarras reafirma o quão importante foi, não só para o Maiden, mas para a música de uma maneira geral, a decisão de manter Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers tocando juntos. O novo álbum leva a musicalidade dos três a um patamar ainda mais elevado do que os dois últimos discos. A interação entre estes músicos é absurda, e é uma das forças que mantém o Maiden vivo e relevante mesmo após trinta anos.

A produção de Kevin Shirley está bem melhor do que a de
Dance of Death. Tudo está soando mais claro, o peso sai das caixas de som cristalino, e não poderia ser diferente em um álbum do Iron Maiden.

A arte gráfica, parte fundamental da carreira do grupo, ao contrário do último álbum agradará em cheio os fãs. Os experimento da capa de
Dance of Death foram deixados de lado, e Eddie surge em sua forma tradicional, assustador e ameaçador como sempre.

Para os fãs, o álbum saiu no Brasil em duas versões: uma simples e outra contando com um DVD bônus, com o clipe de “The Reincarnation of Benjamin Breeg”, documentários e outros atrativos.

Concluindo,
A Matter of Life and Death soa muito mais conscistente que Dance of Death, e até mesmo que Brave New World, que transpirava energia. As influências progressivas estão mais presentes do que em qualquer disco lançado pelo Iron Maiden em toda a sua carreira, assim como o peso, mais evidente do que nunca. A Matter of Life and Death é o trabalho mais coeso e redondo do grupo desde Seventh Son of a Seventh Son, colocando no chinelo álbuns adorados pelo fãs, como é o caso do mediano Fear of the Dark.

Um novo Iron Maiden para um novo tempo: esta é a conclusão que eu chego após inúmeras audições de
A Matter of Life and Death. Uma banda mais madura do que nunca, experiente, ciente da sua importância e com criatividade para ainda surpreender os fãs. A aproximação com o rock progressivo deve continuar nos próximos trabalhos, intensificando-se até, e a Donzela dá toda a pinta de que, depois de ter reinventado o metal e influenciado toda e qualquer banda surgida nos últimos vinte anos, irá seguir um caminho semelhante com esta nova sonoridade.

Enfim, um ótimo disco.


Faixas:
1 Different World 4:17
2 These Colours Don't Run 6:52
3 Brighter Than a Thousand Suns 8:44
4 The Pilgrim 5:07
5 The Longest Day 7:48
6 Out of the Shadows 5:36
7 The Reincarnation of Benjamin Breeg 7:21
8 For the Greater Good of God 9:24
9 Lord of Light 7:23
10 The Legacy 9:20


Mallu Magalhães - Mallu Magalhães (2009)

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Por Luiz Felipe Carneiro
Jornalista
Esquina da Música

Cotação: ***1/2

Basta ouvir os primeiros acordes do piano de "My Home is My Man", faixa de abertura do novo CD de Mallu Magalhães (que, assim como o primeiro, leva o nome da cantora), para ver que há algo de diferente no reino da Dinamarca. Da estreia na internet com o hit "Tchubaruba", muita coisa mudou em Mallu Magalhães. Se em seu primeiro álbum 12 das 14 faixas tinha letra em inglês, nesse novo trabalho 6 das 13 músicas são cantadas em português, o que revela um acerto na condução de sua carreira. E mesmo as canções em inglês são mais encorpadas e originais do que no disco de estreia. As em português, então, nem se fala. Mallu Magalhães deu um upgrade de respeito.

Se Bob Dylan e Johnny Cash continuam a ser grandes (e respeitadas) influências, como pode ser verificado em faixas como a delicada "Make it Easy", as country "Ricardo" e "You Ain't Gonna Loose Me" e a cool "Soul Mate", Mallu abre o seu leque, inclusive mostrando que aprendeu um pouco da nossa música popular, como na experimental e tropicalista - até no título - "O Herói, O Marginal", e no "samba indie" "Versinho de Número Um", que conta com uma letra, no mínimo, fofa: "Fiz esse versinho pra dizer / Por mais que vasta a rima for / Não cabe ao verso o meu amor".

Ecos tropicalistas também estão bem nítidos em "Compromisso" ("É tanto compromisso / Obrigação e sacrifício / Qu'eu vivo aqui no vício / De pensar em ti"), com a sua batida no estilo "banda militar" e uma guitarrinha de Kadu Abecassis a la Lanny Gordin. Mais experimental ainda é "Bee on the Grass" - será que Mallu andou descobrindo Tom Zé? - que ganhou a adesão de Kassin na guitarra cítara.

A importância da (sempre) ótima produção de Kassin também pode ser conferida na valsinha "Te Acho Tão Bonito". Uma forma de soar tatibitate e original ao mesmo tempo - se é que isso é possível. Já "É Você Quem Tem" segue o mesmo estilo da anterior, mas escorrega no excesso de cordas do arranjo criado por Felipe Pinaud. O contrário ocorre no ótimo reggae "Shine Yellow", com um bom arranjo de sopros do mesmo Pinaud, no melhor estilo Los Hermanos. Vale citar que tal faixa conta com a participação especial de Marcelo Camelo, que, aliás, aparece em outras canções do disco, como "Bee on the Grass", "Make it Easy" e "Compromisso". Mesmo não participando de "Nem Fé Nem Santo", é possível ouvir uma Mallu Magalhães fortemente inspirada no modo de cantar de seu namorado.

Encerrei a resenha do disco de estreia de Mallu Magalhães da seguinte forma: "Se a cantora é realmente o gênio que muita gente insiste em dizer (ou se vai durar apenas um verão), só o tempo vai dizer". Talvez Mallu ainda não tenha provado - e nem teve tempo, é verdade - que é um gênio (e isso também é o que menos importa). Mas já fica a certeza de que ela está presente em mais um verão. E, pelo jeito, vai durar muitos outros. A julgar por esse seu segundo trabalho, com todo o merecimento.


Faixas:
Faixas:
1 My Home Is My Man
2 Nem Fé Nem Santo
3 Shine Yellow
4 Versinho de Número Um
5 Make It Easy
6 Compromisso
7 Te Acho Tão Bonito
8 Ricardo
9 Bee On the Grass
10 Soul Mate
11 You Ain’t Gonna Loose
12 É Você que Tem
13 O Herói e o Marginal

O culto ao vinil e a volta triunfante da Polysom

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Por Jaisson Limeira
Revisão de Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Com o crescente aumento das vendas de discos de vinil, que só em 2009 aumentaram cerca de 35% em relação a 2008, totalizando mais de 2 milhões e meio de unidades, os colecionadores receberam uma grande noticia, ao saberem que a Polysom, única fábrica LPs do Brasil, reabriria suas portas em 2010.

Com o lançamento do CD, que começou a ser comercializado em 1982 mas não obteve um sucesso imediato na época - sucesso esse que só foi alcançado a partir do final da década de 80 e começo da década de 90 -, gradualmente a venda de LPs foi diminuindo, principalmente pelo fato de os disquinhos tocados a laser possuírem teoricamente uma qualidade de som superior à do vinil, com inexistência de chiados, além da maior capacidade, podendo abrigar mais músicas, tornando o CD uma febre entre os colecionadores. Muitos consideraram que a partir dali os discos de vinil se tornariam um item obsoleto, interessante apenas para colecionadores saudosistas e fiéis aos bolachões.

Claro que a transação não foi nada fácil para o vinil. Durante muito tempo os LPs foram quase que esquecidos nas prateleiras, entrando assim em um período de decadência bastante longo. No Brasil, os grandes artistas ainda gravaram suas músicas em LP até 1997, ano a partir do qual tornou-se cada vez mais difícil encontrar LPs no mercado de varejo nacional - com exceção, é claro, aos bons e velhos sebos, onde os LPs nunca deixaram de marcar ponto.

Em 1999, mais exatamente em 1° de maio, em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, entrava em funcionamento a Polysom, que era um sonho do grande Nilton Rocha, um dos maiores conhecedores da nobre arte de fabricar LPs aqui no Brasil. A abertura da fábrica coincidiu com o abandono dos vinis pelo mercado nacional, o que tornou mais fácil a aquisição de novas máquinas e equipamentos, já que as grandes fábricas do passado, como Polygram e Continental, fechavam as portas de vez e se dedicavam exclusivamente ao CD.

Durante muito tempo a Polysom teve uma grande demanda de encomenda por conta de gravadoras independentes e pequenos selos, principalmente quando se tornou a única fábrica ativa na América Latina. Umas das indústrias que mais movimentava o caixa da empresa era a das igrejas evangélicas, mas isso não era suficiente para manter a fábrica a pleno vapor. A partir de novembro de 2007, com muitos problemas, entre eles a saída de muitos técnicos que influíam diretamente na qualidade dos vinis prensados, além do cancelamento de pedidos, acúmulo de dívidas e falta de perspectivas futuras, muitos audiófilos ficaram a ver navios com o fechamento da única fábrica ativa de fabricação de LPs em toda a América do Sul.

Em 2008, com o notório crescimento da demanda de vinis, que já ultrapassava a quantia de um milhão de novecentas mim cópias por ano, os proprietários da gravadora Deckdisc viram a possibilidade de adquirir o antigo maquinário e reativar a fábrica da Polysom, extinta desde 2007. O negocio só foi se concretizar em abril de 2009. Depois disso, foi feita uma operação de guerra para recuperação daquela que seria a única fabrica ativa da América Latina. Primeiro se fez uma grande reforma no prédio que abrigava a fábrica, que estava com sua estrutura comprometida devido ao abandono. Ao mesmo tempo, todas as máquinas (prensas, compressores, motores ) foramtotalmente restauradas e remontadas, ficando com aspecto de novas. Foram mais de sete meses de trabalho árduo, com muitas pesquisas, para que o vinil produzido pela nova encarnação da Polysom fosse da melhor qualidade possível.

Em novembro de 2009 iniciaram-se os primeiros testes de qualidade das prensagem da revitalizada Polysom, e o que se constatou foi que a qualidade dos vinis prensados era compatível à qualidade da fábrica norte americana Bill Smith Inc., que lidera o mercado norte-americano quando o assunto é a qualidade sonora dos discos.

Na visão dos donos da Deckdisc, há três tipos de perfis interessados na fabricação do vinil: um público ativo, que fala e briga pelo vinil com ardor; um público que não se manifesta ainda por causa da falta de oferta; e um contingente jovem que está conhecendo, ou vai conhecer, o formato e se apaixonar, o qual eles consideram um mercado muito promissor.

É com base essas perspectivas que a Polysom inicialmente produzirá LPs de 130 e 160 gramas, em que a variação na gramatura não influi em nada na qualidade, uma vez que a profundidade e a largura dos sulcos serão sempre as mesmas, mas em breve a fábrica poderá até ter a fabricação dos desejados LPs de 180 gramas, que são os mais venerados pelos audiófilos.

No começo de fevereiro a Polysom começará a distribuição de LPs no mercado nacional, com alguns lançamentos de artistas como Pitty e Cachorro Grande. Acompanhe a pequena entrevista que Rafael Ramos, da Polysom, concedeu a Daniel Vaughan, do site Viva o Vinil!, da MTV.

Viva o Vinil! – Quais serão os primeiros vinis lançados pela Polysom?

Rafa Ramos – Serão quatro títulos da Deckdisc: Cachorro Grande (Cinema), Pitty (Chiaroscuro), Nação Zumbi (Fome de Tudo) e Fernanda Takai (Onde Brilhem os Olhos Seus). Eles serão lançados no início de fevereiro.

O que eles trazem de diferente do CD?

São edições chiquérrimas, até porque a gente sabe que quem gosta de vinil gosta de qualidade, de um encarte bonito e tal. O encarte do vinil da Cachorro Grande é maravilhoso! É um livro.

E quais são as primeiras encomendas?

Desde dezembro de 2009 a Polysom tem recebido vários pedidos. Por exemplo, muitos títulos de várias gravadoras grandes, como EMI, Universal e Sony. Os independentes também, como é o caso do Tor (cantor da banda punk Zumbis do Espaço e que tem um trabalho solo de country). E tem muita gente fazendo orçamento.

Tem alguma encomenda de fora do Brasil?

Sim, por enquanto, da Argentina e Chile. DJs e bandas.

Vocês têm mais algum projeto em vista?

A Deckdisc está encubando um selo, ainda sem nome, que irá lançar compactos de bandas novas. Quero lançar singles em vinil e para download. E o primeiro lançamento será um split com músicas inéditas do Mukeka di Rato e Dead Fish. Tudo indica que teremos isso em março ou maio desse ano.


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