
Por Fernando Bueno
Colecionador
Collector´s Room
Esta é a segunda edição, ou segundo round, do War Room. O objetivo dessa coluna é apresentar novos discos e criar uma discussão sobre os mesmos.
Já foi dito na primeira edição, porém para deixar mais claro, a coluna é feita via MSN e os discos são escutados simultaneamente por mim (Fernando Bueno), pelo Daniel ACES HIGH e por um convidado especial.
Leia a coluna, escute o disco, comente, faça suas críticas e sugestões. Você pode ser convidado a participar também.

Assunto: Amorphis – Elegy (1996)
Convidado especial: Tiago Rolim (se preparando para ir ao show da Elba Ramalho)
Faixa 1: "Better Unborn"
Daniel: Introdução bacana me lembrou "Nomad", do Iron Maiden. Odeio vocal urrado! Bela levada de baixo e bateria. Quando entrou o vocal me lembrou Sentenced e algo de In Flames. Não gosto dessas bandas. Hoje é o dia da primeira treta, pelo visto! A música parece muito igual do começo ao fim.
Tiago: Eu acho a introdução desta música demais. Este disco marca uma mudança de fase do Amorphis que eu particularmente gosto mais do que o início da banda. Os vocais cavernosos demais não combinavam com o som. O vocal mais limpo utilizado depois deste aqui caiu muito melhor na banda.
Fernando: A introdução meio que resume o que vamos encontrar no disco. O riff principal é excelente. A alternância de voz do gutural para a voz limpa funciona como poucas vezes ouvi. Instrumental intrincado, porém sem exageros. Excelente música, talvez a melhor do disco.
Daniel: TRETA!!!
Faixa 2: "Against Widows"
Fernando: A música inicia-se mais rápida que a primeira, com um riff bem próximo ao heavy metal tradicional, e nas estrofes um riff mais thrash metal. Novamente temos alternância dos estilos de vocal, e novamente muito bom. Solo muito legal.
Daniel: Gostei das guitarras, destaque assim como na primeira. Eu gosto muito de vocalistas que cantam e parecem se superar a cada música. Vocais urrados não me atraem. A voz limpa está meio perdida no contexto. Talvez isso que atraia os fãs, mas não é o que gosto de ouvir, pois para mim soa tudo embolado. A banda é boa, mas sem um vocal decente para segurar não vai.
Tiago: Iron puro esse começo!!! Nossa, fazia tempo que eu não ouvia isso daqui. É Daniel, esses latidos de cachorro com dor de barriga não tem nada a ver. Pelo menos nesta banda. Quando o vocal muda, o som cresce muito mais. O solo é muito legal. É nítido que a banda esta atrás de uma mudança. Nessa área a gente pode fazer um paralelo com outros grupos que, em algum momento, começaram a mudar o seu som.
Daniel: Metallica??? Agora entendo a influência do vocal. Parece aquelas baladas do Metallica para a MTV. Fase ruim do Metallica, sabe? Eles têm um ar muito forte do Metallica nessa música, mas os teclados lembram as bandas típicas finlandesas. Sem o teclado ficaria melhor, teclados não combinam com o Metallica.
Tiago: Iron puro esse começo!!! Nossa, fazia tempo que eu não ouvia isso daqui. É Daniel, esses latidos de cachorro com dor de barriga não tem nada a ver. Pelo menos nesta banda. Quando o vocal muda, o som cresce muito mais. O solo é muito legal. É nítido que a banda esta atrás de uma mudança. Nessa área a gente pode fazer um paralelo com outros grupos que, em algum momento, começaram a mudar o seu som.
Faixa 3: "The Orphan"
Daniel: Metallica??? Agora entendo a influência do vocal. Parece aquelas baladas do Metallica para a MTV. Fase ruim do Metallica, sabe? Eles têm um ar muito forte do Metallica nessa música, mas os teclados lembram as bandas típicas finlandesas. Sem o teclado ficaria melhor, teclados não combinam com o Metallica.
Tiago: Tecladinho massa esse ... Lembra muito progressivo da década de 1970. Olha aí o vocal limpo dominando, coisa que ia ficar muito mais forte no Tuonela, que particularmente gosto mais. Só para não perder o raciocínio, falando das bandas que procuravam mudar o som, podemos citar o Sepultura no Chaos A.D. e o Metallica no Black Album, entre outros exemplos.
Daniel: A guitarra no final lembra o Maiden.
Fernando: Bela introdução lenta com pitadas de progressivo. Os vocais limpos são muito legais, mas insisto em dizer que a alternância que a banda faz é, ao meu ver, única. Belo clima da música sem a velocidade das duas primeiras, porém com levada bem ao estilo do metal tradicional.
Daniel: A guitarra no final lembra o Maiden.
Fernando: Bela introdução lenta com pitadas de progressivo. Os vocais limpos são muito legais, mas insisto em dizer que a alternância que a banda faz é, ao meu ver, única. Belo clima da música sem a velocidade das duas primeiras, porém com levada bem ao estilo do metal tradicional.
Faixa 4: "On Rich and Poor"
Tiago: Me desculpem, mas esses vocais não dá. Acho que é por isso que bandas de gothic metal não me agradam, pois o som deles combina muito mais com o vocal mais limpo. Tipo o Paradise Lost - gosto muito mais do One Second do que do Lost Paradise, muito por causa do vocal. Boa música, mas o vocal não me agradou. O solo por baixo da faixa é demais, assim como o riff principal.
Fernando: Para mudar o clima deixado pela última música, uma rápida novamente. Os vocais guturais dominam a faixa, porém sem deixar os vocais limpos de lado. Novamente as guitarras com pitadas de heavy metal comandam a música. O riff do meio tem influências claras de Iron Maiden. Os teclados utilizados tem a função clara de não deixar a música muito direta.
Daniel: Começo pesado, melhor assim, mas o vocal urrado não me agrada, principalmente com o teclado "imitando" o ritmo. Depois da faixa três comecei a perceber a influência no vocal que lembra, eu disse lembra, o Metallica. As guitarras continuam soando como Iron Maiden.
Tiago: Essa parte no fim, com mais velocidade, é a melhor parte da música.
Daniel: Música medonha, sem pé nem cabeça! O vocal limpo tem vários efeitos para disfarçar o desastre. Esse teclado é uma tortura. Próxima por favor.
Tiago: Essa parte no fim, com mais velocidade, é a melhor parte da música.
Faixa 5: "My Kantele"
Tiago: Esse riff introdutório me lembrou Black Sabbath. O teclado está ótimo. Difícil falar mal desta música, pois é uma das melhores da banda. O casamento da guitarra com o teclado aqui ficou perfeito. E o refrão é perfeito.
Fernando: Introdução meio arrastada muito legal. Depois da voz um solo de teclado bem progressivo que termina na entrada da voz. Muito legal. O interessante no vocal é que é a primeira vez que tem backing.
Tiago: É Daniel, olha a tetra!
Daniel: Tem refrão?? Juro que não percebi.
Daniel: Iron Maiden vai ao circo com um riff típico do Gers (nota: não estou elogiando). Vocal urrado de novo, não combina. A música tem algumas variações de ritmo interessantes. O pedaço dance music é a melhor parte do disco até agora, pois me fez rir.
Tiago: Essa levada eu gosto. O que eu não gosto neste disco é que a mixagem deixou o vocal baixo, principalmente no gutural, então o que já é chato ficou pior por este motivo. Mas tirando o vocal, a levada da música é muito boa, essa parte meio 'diferente' no meio dá uma lufada de luz no ambiente negro da banda.
Fernando: Essa música é a que mais surpreende do disco. A introdução de guitarra não tem um estilo definido, mas é muito boa. A variação de ritmo é mais frequente. Adoro ver a cara das pessoas quando escutam pela primeira vez e se deparam com a passagem de música eletrônica no meio dela. Talvez seja um dos motivos porque escolhi esse disco (risos).
Faixa 6: "Cares"
Daniel: Iron Maiden vai ao circo com um riff típico do Gers (nota: não estou elogiando). Vocal urrado de novo, não combina. A música tem algumas variações de ritmo interessantes. O pedaço dance music é a melhor parte do disco até agora, pois me fez rir.
Tiago: Essa levada eu gosto. O que eu não gosto neste disco é que a mixagem deixou o vocal baixo, principalmente no gutural, então o que já é chato ficou pior por este motivo. Mas tirando o vocal, a levada da música é muito boa, essa parte meio 'diferente' no meio dá uma lufada de luz no ambiente negro da banda.
Fernando: Essa música é a que mais surpreende do disco. A introdução de guitarra não tem um estilo definido, mas é muito boa. A variação de ritmo é mais frequente. Adoro ver a cara das pessoas quando escutam pela primeira vez e se deparam com a passagem de música eletrônica no meio dela. Talvez seja um dos motivos porque escolhi esse disco (risos).
Faixa 7: "Song of the Troubled One"
Daniel: Essa música tem uma coisa interessante: parece o Max Cavalera cantando no Nightwish.
Tiago: Pois é ... Está começando a cansar. Lá vem intro, vocal gutural e daqui a pouco o refrão com o vocal limpo. O baixo participou nessa ... Legal! Errei, nada de vocal limpo.
Daniel: Não combina!
Daniel: Não combina!
Fernando: Introdução com riff de guitarra e teclado bem legal. Durante a parte do vocal o riff de teclado é bem legal.
Tiago: Pô, agora tu foi longe Daniel.
Fernando: Essa talvez seja a música menos inspirada do disco. Apesar dela ter as mesmas características das músicas anteriores, perde em alguma coisa. Gosto do final, onde a influência folk é mais perceptível.
Daniel: Já ouvi algo parecido em algum lugar. Parece de longe a "Prodigal Son" do Iron Maiden, mas com teclado e vocal urrado. As "paradas" no meio ficaram legais.
Tiago: Essa está legal, pois inverteu a ordem: agora o refrão é que é gutural. Mas a levada no violão está legal, e dá uma melhor dinâmica à música. Esse solo entrecortado pelo riff ficou bem legal.
Tiago: Esta é o meu xodó no disco. A música que pode ser definida como "a seguir cenas do próximo capítulo", pois o Tuonela é mais assim, com vocais limpos dominando e com um peso mais na manha, dando espaço para viagens.
Tiago: Pô, agora tu foi longe Daniel.
Faixa 8: "Weeper on the Shore"
Fernando: Essa talvez seja a música menos inspirada do disco. Apesar dela ter as mesmas características das músicas anteriores, perde em alguma coisa. Gosto do final, onde a influência folk é mais perceptível.
Daniel: Já ouvi algo parecido em algum lugar. Parece de longe a "Prodigal Son" do Iron Maiden, mas com teclado e vocal urrado. As "paradas" no meio ficaram legais.
Tiago: Essa está legal, pois inverteu a ordem: agora o refrão é que é gutural. Mas a levada no violão está legal, e dá uma melhor dinâmica à música. Esse solo entrecortado pelo riff ficou bem legal.
Faixa 9: "Elegy"
Fernando: Introdução de piano muito bonita, com alguns "comentários" de guitarras para dar um efeito. O refrão dela talvez seja o melhor do disco. Se não fosse os teclados seria uma música bem mais metal no início. Faixa mais longa do disco, mostrando influências de progressivo novamente, não só pela duração, mas também pelos teclados.
Daniel: Pseudo balada imitando o Metallica de novo. Interessante como isso se repete no disco todo. É uma música de mais de 7 minutos que com 3 minutos já dá vontade de mudar de faixa.
Faixa 10: "Relief"
Fernando: A única música instrumental do disco. Introdução com bateria e guitarra muito legais, acompanhados de um baixo bem marcado. O teclado apenas para fazer a cama. A exemplo da introdução da primeira faixa, ela também resume um pouco o que é o disco.
Daniel: Instrumental. Para fechar! Odeio música instrumental. Pelo menos aqui não tem o vocal.
Tiago: Uma intro bem metal tradicional, esse solo está legal. O andamento deu uma quebrada e ficou excelente. Esse teclado que entra eu acho perfeito. Dá um aspecto bem progressivo para a música, sem tirar o peso dela. Eu adoro sons instrumentais.
Tiago: Treta de novo, Daniel (risos).
Faixa 11: "My Kantele" (Acoustic Reprise)
Tiago: Essa aí é legal, o vocal melhorou em relação à versão original, ficou mais com cara de norte europeu, aquele gelo todo, louras lindas e um monte de bebum tomando cerva geladíssima.
Daniel: Bonus track acústica. Fica menos embolada e o vocal aparece mais. Mas o vocal é muito ruim.
Fernando: Faixa bônus do War Room. Versão acústica de uma faixa do disco. Interessante ver o trabalho feito para transformar a música. O vocal gutural foi limado, afinal violão não combina com urros (risos). O solo de teclado foi substituído por um acordeom, o que mostra a versatilidade dos músicos.
Comentários e considerações finais:
Tiago: Bem legal ter participado, o disco escolhido foi legal, confesso que estava com medo de ser um Accept, Scorpions ou algum metal mais tradicional tipo Gamma Ray e essas coisas, pois não gosto muito. Só acho que o Daniel se deu mal, pois agora ele vai ouvir um disco de jazz ou MPB para a sessão (risos).
Daniel: A única explicação é pela variação que fazem nas músicas. Não gostei. Mandem as pedras!
Fernando: Escolhi esse disco por ele conter inúmeros pontos que podem gerar discussão. Eu adoro esse disco e conheço ele há mais de dez anos. Sempre me impressionou a variedade musical dele. Inúmeras influências como música folk, death e heavy metal tradicional, tudo com a temática lírica da mitologia finlandesa. A variação da voz limpa para a gutural é muito interessante. Mesmo eu não sendo um fã de death metal, onde os vocais guturais são predominantes, esse disco, o Demanufacture do Fear Factory e as coisas que o Sepultura gravou com o Max Cavalera eu gosto. Vejo também que se não existissem esses vocais provavelmente o álbum não teria o clima que tem. Um discaço de uma banda pouco ouvida a meu ver que, para mim, não produziu nenhum outro disco à altura deste. Os destaques ficam para "Better Unborn", "Against Windows", "The Orphan" e "Cares" e "Elegy".
Tiago: O Sentenced, se não me engano, veio depois deste disco, Daniel. A comparação com o Fear Factory é perfeita, Fernando, só que lá eles fizeram melhor, pois o Burton canta muito mais que esse vocal.
Daniel: Tudo o que eu gosto na música eles não tem. Jamais compraria o disco.
Fernando: Bem, obrigado Tiago por ter aceitado participar. Espero que agora tenhamos uma discussão mais intensa nos comentários feitos pelos leitores da Collector´s Room.
Tiago: Obrigado a vocês pelo convite. A ideia é genial, e espero que ela se frutifique com mais participações e discussões legais como esta que tivemos.
Daniel: Fernando e Tiago, obrigado pela paciência, em especial ao Tiago pela participação.
Fernando: Obrigado, e pode deixar que teremos uma nova oportunidade. Valeu Daniel por aguentar um disco que obviamente você não gostou (risos).

























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