26 de fev de 2010

25 de fev de 2010

Rolling Stones lançam edição especial de Exile on Main St com dez bonus tracks!

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Um dos álbuns mais importantes da carreira dos Rolling Stones, e consequentemente da história do rock, ganhará uma edição especial que irá fazer a alegria dos colecionadores. No dia 18 de maio Exile on Main St será relançado com dez suculentas faixas bônus, entre elas "Plundered My Soul", "Dancing in the Light", "Following the River" e "Pass the Wine", além de takes alternativos de canções como "Soul Survivor" e "Loving Cup".

Segundo Mick Jagger, a Universal, gravadora do grupo, perguntou para ele se haviam canções registradas no período de gravação de Exile on Main St que poderiam ser usadas como bônus em reedições futuras do disco. Jagger respondeu que não se lembrava de nenhuma, que achava que tudo havia sido utilizado no disco, lançado originalmente em 1972. Segundo Mick, "voltei a fuçar nos arquivos e achei um monte de coisas legais perdidas ali. Adicionei alguns vocais e percussão, enquanto Keith gravou algumas partes de guitarra em uma ou duas faixas". Jagger também escreveu uma nova letra para uma canção chamada "Following the River", mas o restante foi preservado da mesma maneira como foi gravado, há quase quarenta anos. Keith Richards encerrou o assunto comentando: "Você não interfere em coisas como a Bíblia, sabe. Eu ouvi as canções novamente, e são grandes sons".


Foi produzido também um documentário chamado Stones in Exile, dirigido por Stephen Kijak sobre o processo de composição e gravação do disco, que traz também trechos do controverso e polêmico Cocksucker Blues e de Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones, vídeos que cobrem as turnês realizadas pela banda no período.

Exile on Main St Deluxe Edition trará as 18 faixas originais, mais dez bonus tracks. Além da versão em CD, haverá também uma edição chamada Super Deluxe Edition incluindo o LP duplo, um DVD de 30 minutos com o documetário e um livro de 50 páginas com fotos da banda no período.

Agora, é só separar a grana e esperar pelo da 18 de maio!

Rigotto´s Room: Os registros ao vivo dos Rolling Stones

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Por Maurício Rigotto
Escritor e Colecionador
Collector´s Room

Hoje vou discorrer acerca dos registros ao vivo da maior e mais longeva banda de rock do mundo, os Rolling Stones, através de mais de quatro décadas que separam o lançamento de seu primeiro álbum ao vivo, em 1966, e o mais recente, lançado em 2008.


Os Rolling Stones iniciaram as suas atividades em 1962, e após alguns compactos lançados no ano seguinte lançaram o seu primeiro álbum de estúdio em 1964. Após uma produção desenfreada de vários álbuns e singles em um espaço relativamente curto de tempo, em 1966 a banda largou o seu primeiro disco ao vivo, intitulado
Got Life If You Want It, um registro da turnê de divulgação do álbum Aftermath.

Os shows de rock nessa época costumavam durar de vinte a sessenta minutos no máximo, e os grupos mais populares - leia-se Beatles e Rolling Stones – costumavam tocar sem conseguirem se ouvir, devido à gritaria histérica das fãs, que abafavam qualquer equipamento de retorno existente na época. A qualidade de Got Life If You Want It é naturalmente precária para os padrões atuais, mas já mostra o poder ao vivo da banda em seus mais recentes sucessos “Under My Thumb” e “Lady Jane”, e seus grandes hits até então, “The Last Time”, “19th Nervous Breakdown” e “(I Can’t Get No) Satisfaction”. Acabou sendo o único disco ao vivo com o guitarrista Brian Jones (não considerando o Rock and Roll Circus), que morreria em 1969.


Em 1970 é lançado o segundo disco ao vivo dos Stones, com o estranho nome Get Yer Ya-Ya’s Out!, já com o novo guitarrista Mick Taylor. O álbum é até hoje considerado um dos melhores discos ao vivo já gravados por uma banda de rock, e registra a turnê norte-americana de 1969, contando com várias canções dos ótimos álbuns Beggars Banquet (1968) e Let It Bleed (1969), singles de sucesso como “Jumpin’ Jack Flash” e “Honky Tonk Women”, e duas covers de Chuck Berry. No mesmo ano sai o documentário Gimme Shelter, onde a banda é capturada ao vivo no Madison Square Garden em Nova Yotk e no fatídico concerto de Altamont, onde um expectador é assassinado por um integrante da gangue de motoqueiros Hell’s Angels, contratada para a segurança do evento.


Nos dois próximos anos, os Rolling Stones lançam os discos que hoje são considerados o ápice de sua vasta discografia - os álbuns
Sticky Fingers (1971) e Exile On Main St (1972) -, e fazem as maiores turnês até então já vistas por um grupo de rock. Considerando o álbum Get Yer Ya-Ya´s Out!, ainda recente, optam em não colocar no mercado um disco ao vivo dessas turnês, lançando apenas o vídeo Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones, que registra a turnê de 1972. Trata-se de uma aula de rock and roll, e certamente seria o seu melhor álbum ao vivo se tivesse sido lançado. A melhor opção, além do obrigatório vídeo, é o bootleg Unreleased Decca Live Album 1972, um ótimo disco pirata dessa turnê, embora a qualidade de áudio deixe a desejar.


No ano seguinte, optam novamente em não lançar nenhum disco ao vivo da turnê do álbum
Goat’s Head Soup. Aos caçadores de bootlegs, corram atrás do álbum Brussels Affair 1973, que em minha opinião é o melhor disco ao vivo, independente de ter sido lançado ou não, de toda a carreira dos Stones. Um brilhante registro da fase em que Mick Taylor fez parte da banda.


O próximo álbum ao vivo das Pedras Rolantes somente veio à tona em 1977. Trata-se de um disco duplo que registra os shows realizados em Paris e Toronto no ano anterior, durante a turnê do álbum
Black and Blue. O álbum tem altos e baixos e seu saldo acaba sendo decepcionante. Keith Richards estava afundado em seu vício em heroína, e tanto as performances quanto o repertório não empolgam. A exceção que destoa do restante do álbum é o maravilhoso lado três do disco, gravado na boate El Mocambo em Toronto, diante de uma plateia de apenas 300 pessoas. A banda interpreta “Mannish Boy” (Muddy Waters), “Crackin’ Up” (Bo Diddley), “Little Red Rooster” (Howlin’ Wolf) e “Around and Around” (Chuck Berry). Destaque para a capa, feita pelo papa da pop art, Andy Warhol.


Em 1982 é lançado
Still Life, com dez músicas extraídas da turnê americana realizada no ano anterior, a primeira somente com shows em grandes estádios. O disco é apenas um reles aperitivo ao ótimo filme Let’s Spend the Night Together, um grande documentário da excursão do grupo.


Somente em 1991 os Rolling Stones voltariam a lançar um disco ao vivo, o fraco Flashpoint, registrando a turnê Steel Wheels/Urban Jungle. Há muito o disco ao vivo deixara de ser um registro da performance de uma banda em um palco para se transformar em um souvenir de turnê, onde o fã vai ao show e depois compra o disco como recordação, como se fosse um chaveiro ou uma bandana. Prefira o DVD Live at the Max como registro dessa turnê.


Em 1995 os Stones optaram em lançar somente um DVD ao vivo da
Voodoo Lounge Tour, em detrimento ao disco. Ainda nesse ano, é lançado o CD e DVD The Rolling Stones Rock and Roll Circus, um especial gravado em um picadeiro de circo em 1968 com convidados como Jethro Tull, The Who, Taj Mahal, John Lennon e Eric Clapton. O especial ficou quase trinta anos engavetado, devido aos Stones não terem gostado do resultado de sua performance, provavelmente por a banda já demonstrar certa fadiga, ao se apresentarem tarde da madrugada após um dia inteiro de gravações.

O vídeo mostra a apresentação única do Dirty Mac, banda formada especialmente para o evento com John Lennon e Eric Clapton nas guitarras, Keith Richards no baixo e Mitch Mitchell (Jimi Hendrix Experience) na bateria. É também a última aparição de Brian Jones ao lado dos Rolling Stones.


Lançaram no ano seguinte o ao vivo
Stripped, com sets quase acústicos de performances em teatros de Paris e Amsterdam, em uma pequena escapada que fizeram dos grandes estádios durante a parte européia da turnê Voodoo Lounge, para matar a saudade do tempo em que tocavam em pequenos clubes, cara a cara com a plateia. Stripped é um disco bem bacana, e traz pela primeira vez a surpreendente cover da música “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan.


A turnê seguinte, do disco,
Bridges to Babylon (1997-98), rendeu mais um DVD ao vivo e o álbum No Security, sabiamente composto por músicas novas e outras não tão conhecidas, pois nem os mais ardorosos fãs aguentariam mais um ao vivo com “Start Me Up”, “Brown Sugar”, “Jumpin’ Jack Flash” e “Satisfaction”. Mesmo assim, é apenas mais um souvenir de turnê, que nada acrescenta à discografia do grupo.


O novo milênio trouxe novas grandes excursões mundiais dos Rolling Stones, e os registros agora são megalômanos, à altura da grandeza da banda e do fanatismo de seus seguidores. Nesses novos tempos, um disco ou um DVD não são mais suficientes para documentar uma turnê, e em 2003 o box set
Four Flicks, com quatro DVDs, é lançado, trazendo três shows na íntegra e um documentário sobre a excursão. A banda está novamente com todo o gás e não demonstra o menor peso da idade. Os shows são no Madison Square Garden em Nova York, no Twickenham Stadium em Londres (55.000 pessoas) e no Olympia Theatre em Paris, para apenas 3.000 pessoas. Imperdível! Também é lançado um CD duplo, Live Licks, que passou praticamente despercebido, ofuscado pela caixa de DVDs.


Em 2007, a megalomania é repetida com o lançamento de mais uma caixa com quatro DVDs, que documentam a turnê do disco
A Bigger Bang. O box set, intitulado The Biggest Bang, traz no primeiro DVD o show do grupo em Zilker Park, em Austin, no Texas; no segundo, o gigantesco espetáculo gratuito que a banda fez na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para um público estimado em um milhão e duzentas mil pessoas (o maior de toda a extensa carreira do grupo); e no terceiro, chamado de Rest of the World, um apanhado de apresentações no Japão, China e Argentina, tudo sempre recheado de muitos extras que deleitam o fã/expectador. O quarto DVD é um documentário da turnê, com depoimentos de todos os integrantes.

Ainda tem de bônus o grupo tocando “Get Up, Stand Up” (Bob Marley) e “Mr Pitiful” (Otis Redding). A caixa mostra que os Rolling Stones não são apenas uma grande banda de rock and roll, mas também são brilhantes ao tocar blues, soul, reggae, country e outros gêneros.


Não bastasse tudo isso, no ano seguinte o consagrado diretor de cinema Martin Scorcese resolveu filmar duas apresentações da banda no Beacon Theatre em New York City, com convidados como Buddy Guy e Jack White, rendendo o sensacional
Shine a Light. Os shows tiveram como apresentador o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, e sua renda foi revertida para a Clinton Foundation, uma fundação beneficente criada pelo político democrata. Além do DVD, é lançado um CD duplo como trilha do filme, outro grande registro ao vivo da maior banda de rock do mundo.

24 de fev de 2010

Discos Fundamentais: Buffalo - Volcanic Rock (1973)

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Certos discos são tão espetaculares, apresentam uma qualidade sonora e artística tão elevada que nos fazem pensar porque diabos as bandas que os gravaram não se transformaram em monstros sagrados e ícones incontestáveis de um estilo. Esse é o caso de Volcanic Rock, segundo álbum do grupo australiano Buffalo, uma verdadeira jóia brilhante e reluzente, que passou anos perdida na poeira setentista, mas que recentemente, graças aos inúmeros blogs e fóruns de download mundo afora, começou finalmente a ser redescoberta por toda uma geração de novos ouvintes.

O Buffalo nasceu em Sydney, a mais importante cidade da Austrália, em agosto de 1971. O coração da banda era formado pelo vocalista inglês Dave Tice e pelo baixista australiano Pete Wells, que mais tarde faria parte de outro grande nome do rock daquele país, o Rose Tattoo. O embrião do conjunto foi o Head, grupo formado por Tice e Wells em 1968 e que passou por inúmeras formações. Foi apenas em 1971 que a banda alterou seu nome para Buffalo, por sugestão de seu empresário, Mel Myles.

Ainda que tenha lançado o bom álbum Dead Forever em 1972, o Buffalo não avistava muita luz no fim do túnel. O fraco desempenho do disco levou a banda a encerrar as suas atividades. Mas o que parecia uma parada eterna revelou-se apenas uma breve pausa. O motivo para isso foi a passagem do Black Sabbath pela Austrália, em janeiro de 1973. A Vertigo, que havia lançado Dead Forever e também era a gravadora do grupo de Ozzy Osbourne e Tony Iommi, queria um nome forte para a abertura dos shows da Sabbath pelo país, e foi atrás do Buffalo. Assim, o grupo ressurgiu praticamente das cinzas, tendo agora, além de Dave Tice e Pete Wells, o guitarrista John Baxter e o baterista Jimmy Economou.

A ótima repercussão dos shows ao lado do Black Sabbath gerou duas certezas para o quarteto: a de que valia a pena insistir mais um pouco, mantendo a banda ativa e na estrada; e que o quente mesmo era tocar o mais alto e pesado possível, batendo em cheio nas cabeças dos milhares de jovens australianos, que piraram com o som do grupo.


Tendo isso em mente, o reformulado quarteto entrou em estúdio para gravar o seu segundo disco. Batizado como Volcanic Rock, o play chegou às lojas em 1973 e mostrou um som muito mais pesado, coeso e poderoso do que aquele apresentado no primeiro álbum. O trabalho abre com "Sunrise (Come My Way)", uma faixa agitada que fará a alegria de quem ainda chama o hard rock de "rock pauleira". Destaque para o refrão, grudento e com belas linhas vocais de Dave Tice.

Já "Freedom", a faixa seguinte, é uma tour de force com mais de nove minutos de duração, uma composição estupenda com uma longa introdução de guitarra de John Baxter. A estrutura dessa canção lembra o que Neil Young fez na clássica "Cortez the Killer", do disco Zuma, de 1975. Sobre um andamento cadenciado, Baxter evolui com suas guitarras, despejando frases e melodias arrepiantes. Tice só aparece lá pelos dois minutos e tanto, cantando de forma arrepiante. Sua voz soa áspera e crua na medida certa, transparecendo feeling e emoção. A cama criada pela bateria de Economou e pelo baixo de Wells sustentam os delírios guitarrísticos de Baxter, que em seu solo faz uso de feedbacks e demonstra grande criatividade e talento. Enfim, "Freedom" é aquele tipo de faixa que, ao mostrar para os seus amigos que curtem som, inevitavelmente você irá ouvir o termo "sonzêra" em suas avaliações. O LP segue com "Till My Death", onde o destaque é o baixo de Pete Wells, bem na cara e repleto de distorção. O vocal de Tice também merece menção, e a faixa fechava o lado A do vinil em grande estilo.

O lado B de Volcanic Rock tem início com uma das melhores faixas do disco. "The Prophet" é outra composição cadenciada, mais ou menos na linha de "Freedom", com um riff repleto de groove de John Baxter. Além disso, conta com aquela que é, na minha opinião, a melhor performance vocal de Dave Tice em todo o play. A parte central tem mais um ótimo solo de Baxter, um guitarrista que possui um estilo muito mais focado naquilo que sente ao tocar uma canção do que na técnica propriamente dita. Aliás, essa observação não vale apenas para Baxter, mas se aplica com perfeição em toda a banda.

A dobradinha "Pound of Flesh / Shylock" fecha o álbum de maneira sublime. A primeira soa como uma sensacional jam instrumental entre os músicos. Com quase cinco minutos de duração, introduz "Shylock", um dos grandes sons do hard rock setentista. Dona de um riff cativante, a faixa é um rock pesado clássico, com ótimas linhas vocais e um refrão que não sai tão cedo da cabeça. Além disso, possui longas passagens instrumentais, em um exemplo quase didático de como um bom hard rock deve soar. Pura magia em uma composição antológica!

Indiscutivelmente, Volcanic Rock é um dos trabalhos mais consistentes e impressionantes do hard rock setentista. O entrosamento do quarteto, aliado à qualidade das composições, resultou em um disco excelente, que rivaliza em pé de igualdade com álbuns de nomes consagrados do estilo, como Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. Essa comparação pode até parecer exagerada em um primeiro momento, mas basta ouvir Volcanic Rock para perceber que ela é a mais pura realidade.

A capa do disco causou controvérsia quando o play chegou às lojas. A ilustração, mostrando um homem nu sobre uma montanha prestes a entrar em erupção, segurando uma rocha flamejante e flexível que lembra - e muito - o formato de um pênis, levou a inevitáveis interpretações e conclusões sobre o seu real sentido, fazendo com que vários lojistas se recusassem a expor e a vender o disco.


Ao longo dos anos, Volcanic Rock ganhou algumas reedições interessantes. O LP original, lançado pela Vertigo australiana em 1973, é objeto de desejo entre os colecionadores do cultuado selo. Para os amantes do vinil, a gravadora Akarma lançou em 2003 uma linda versão em LP de 180 gramas, preservando a arte original em uma bela capa gatefold. Recomendadíssimo! E, mais recentemente (em 2005), a também australiana Aztec colocou no mercado um CD remasterizado, em embalagem digipack, que, além das faixas adicionais, traz duas bônus tracks: a versão editada de "Sunrise (Come My Way)", lançado como single em 1973 para promover o disco; e uma estupenda execução de "Shylock" gravada ao vivo no Sydney Spring Festival, que aconteceu no Hyde Park de Sydney também em 1973.

Há ainda uma outra edição em CD, lançada pela gravadora Second Battle, com cinco faixas bônus - "Hobo", "Sad Song", "Just a Little Rock and Roll", "No Particular Place to Go" e "Barbershop Rock" -, todas elas presentes nos singles editados pelo grupo na primeira metade dos anos setenta.

Após Volcanic Rock o Buffalo ainda lançaria o bom Only Want You for Your Body em 1974 e os medianos Mother´s Choice (1976) e Average Rock´n´Roller (1977), esse último após o anúncio do fim do grupo, que encerrou suas atividades em novembro de 1976. Os integrantes se separaram mas continuaram envolvidos com música. Dave Tice voltou para a Inglaterra, onde passou a integrar o Count Bishops, e mais tarde retornou para a Austrália, onde teve passagens por diversos grupos, até decidir se lançar em uma carreira solo. Uma curiosidade: o baixista da sua banda é Mark Evans, ex-AC/DC. Pete Wells fez história com o Rose Tattoo, com quem gravou grandes discos - principalmente o primeiro, batizado apenas com o nome da banda e lançado em 1978 -, e também vagou por inúmeros nomes do rock australiano até falecer em 27 de março de 2006. Já John Baxter tocou com o Boy Racer e com o Sourthern Cross, enquanto Jimmy Economou, apesar de não abandonar a música, nunca mais alcançou um grande destaque na mídia, ficando envolvido apenas com bandas sem maiores repercussões.

Resumindo: se você nunca ouviu Volcanic Rock mergulhe agora mesmo nos sulcos de um dos melhores álbuns de hard rock dos anos setenta!

Faixas:
A1 Sunrise (Come My Way) 4:48
A2 Freedom 9:02
A3 Till My Death 5:38

B1 The Prophet 7:24
B2 i. Intro: Pound of Flesh 4:33
ii. Shylock 5:52

Minha Coleção - Luiz Mayro NAZA: "Estava ouvindo prog experimental e meu sogro perguntou se o aparelho de som estava com problema!"

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Por Fernando Bueno
Colecionador

Para começar o nosso papo, eu queria agradecer sua participação e gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Meu nome é Luiz Mayro, mas sou conhecido no Orkut como NAZA. Sou dono da comunidade “Rock Progressivo – Brasil”. Trabalho na área comercial tem uns 25 anos.

Qual foi o seu primeiro contato com a música?

Meu pai sempre ouvia música clássica e ópera. Acho que no berço já curtia. Mas oficialmente foi no final dos anos 60 e início dos 70 que passei a entender e gostar.

Mais ou menos com que idade você percebeu que essa paixão pela música iria acompanhá-lo por toda a vida?

Foi a partir da compra do meu primeiro álbum que percebi que ia seguir este caminho. Eu devia ter uns dez anos.

Sendo assim, qual foi o seu primeiro disco?

Um disco que me chamou a atenção e comprei sem pensar, e é uma obra de arte na minha opinião, foi To Our Childrens Childrens Children, do The Moody Blues, de 1969.


Você consegue dizer em que momento se transformou de um fã normal de música em um colecionador?

Foi a vontade de ouvir repetidamente determinado álbum e a vontade de conhecer outros trabalhos da mesma banda. Assim eu acabei seguindo a carreira de algumas bandas e comprando todos os seus discos.

Quanto itens você tem?

Somando meus CDs, DVDs, LDs, VHS, discos e compactos, eu devo passar de 4.000 itens. Ainda vou contar meu acervo (risos).

Qual foi o número máximo de itens que você já adquiriu de uma única vez?

Não sou de arrematar lotes, mas já cheguei a comprar uns dez discos em um só dia visitando sebos do centro da cidade.


Qual item você considera o mais raro da sua coleção?

Não sei se posso classificar como raro, mas tenho certeza que não é fácil de se obter - Pink Floyd - Live in Rotterdam (vinil duplo). Deve ter sido gravado com um gravador portátil por alguém da plateia.

Não estou contando com alguns discos que tenho para serem tocados em Gramofone e que são tocados para alguns amigos que me visitam em casa no meu aparelho. O que enche o saco é ficar dando corda enquanto o pessoal esta curtindo (risos).


Isso é muito interessante, fale mais um pouco sobre o gramofone. Como você o conseguiu? De quando é o aparelho? Quais são esses discos que você possui para serem tocados nesse aparelho?

Eu sempre gostei muito de móveis e aparelhos antigos, e este aparelho gramofone eu comprei em um brechó já tem muitos anos. Tenho uma coleção de uns 40 discos que só podem ser tocados em um aparelho deste tipo. Quando paro para escutar estes discos é como voltar ao passado, uma verdadeira viagem no tempo.


Qual é o item mais diferente e curioso do seu acervo?

É um vinil “jingle” feito para General Motors de 1959. Foi no lançamento do caminhão Chevrolet. O curioso é que tenho a carta do pedido e cotação deste trabalho.

Existe algum disco que você passou um tempão atrás até consegui-lo para a sua coleção?

Sim, alguns deram trabalho para encontrar, e um foi o Riff Raff”com Tommy Eyre, de 1973.

E qual é aquele que você ainda não conseguiu?

É uma eterna procura, mas não tenho atualmente um em específico.


Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Sempre vou postar que depende muito de gosto pessoal quando se trata dos dez melhores para um ouvinte. Quando se trata de uma revista ou gravadora, o que se leva em conta é o poder de venda e retorno. E claro que isso é na minha opinião.

Como ouvinte vou mencionar 10 entre tantos :

1 - Dark Side of the Moon (Pink Floyd)
2 - Islands (King Crimson)
3 - When The Eagle Flies (Traffic)
4 - A Passion Play (Jethro Tull)
5 – The Yes Album (Yes)
6 - IV (Led Zeppelin)
7 - Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath)
8 - Criaturas da Noite (O Terço)
9 - 1º (Secos & Molhados)
10 - Corra o Risco (Olívia Byington com A Barca do Sol)

Na minha modesta opinião esses são trabalhos obrigatórios em qualquer acervo.


Pelos discos citados podemos dizer que o seu estilo musical preferido é o rock progressivo. É isso mesmo?

Sim, o rock progressivo e experimental é uma paixão sem controle.

A sua coleção tem um limite? Tipo, você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Nunca vou parar, não tem como.


Você compra discos de bandas novas? Se sim, cite alguma banda que você ache que se destaca atualmente.

Minha procura por bandas novas não é constante. Continuo procurando por grupos que não tiveram espaço nos anos 60/70. Existe muitas bandas novas que tem um som fantástico (surgidas a partir de 2000), e entre uma destas eu destaco uma banda japonesa formada originalmente por três mulheres, chamada Ars Nova, e que hoje está com uma 4ª integrante.

Já parou para pensar em quem será o herdeiro da sua coleção no seu futuro?

Meu filho já esta no caminho certo. A banda que ele mais gosta é o Black Sabbath.

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Putz ... isso nunca deu certo. Já tentei mostrar algumas bandas prog e de rock e a reação foi “duca”. Mas para quem nunca ouviu um rock na vida, eu mandaria curtir uns discos dos Beatles e dos Rolling Stones.

Tem alguma história engraçada ou curiosa que aconteceu com você por causa da música?

Muitas. Uma foi quando minha família e eu estávamos passando um final de semana na chácara e meu sogro perguntou se o aparelho de CD estava com defeito quando eu estava ouvindo prog experimental. E piorou quando tentei explicar ... (risos)

Com isso tenho que perguntar: o que sua família (pais, mulher e filhos) dizem sobre sua coleção e seu gosto musical?

(Risos) A resposta já é conhecida. Eu tenho que escutar com fones de ouvido ou quando estou sozinho, caso contrario é “duca” (risos).


Você acompanhou a “época de ouro” do rock, com o progressivo em alta e o nascimento do hard rock e do heavy metal? Como foi participar daquela época?

Foi algo que marcou minha vida, foi uma época de descobertas e mudança total, foi a base de tudo que escutamos hoje.

Nos anos 70 não havia a divulgação que temos hoje, nem a facilidade de se conhecer coisas novas. Existe alguma banda daquela época que você gosta e só conheceu recentemente?

Era um parto conseguir um disco novo, descobrir e acompanhar os últimos lançamentos. O incrível era que essas bandas realmente criavam um novo som e não tinha influências de medalhões. A base era o clássico, blues, jazz e o simples, mas complexo, experimento.

Deixe um recado para os leitores da Collector´s Room.

Vou tomar emprestado uma frase que acho resumir o significado da música, a importância do som para a alma: "Nos fios tensos da pauta de metal, as andorinhas gritam por falta de uma clave de sol (Secos & Molhados)". Valeu pessoas !!!

Pré-venda do novo ao vivo de Ben Harper & Relentless7

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Já está em pré-venda o novo disco de Ben Harper & Relentless7. O álbum tem o título de Live from the Montreal International Jazz Festival, e foi gravado ao vivo no tradicional festival canadense.

O show será lançado em duas versões: CD e DVD. A diferença entre ambas é que o CD terá um tracklist com treze faixas, enquanto o DVD possui duas a mais - "Skin Thin" e "Fly One Time".

Confira abaixo a lista completa de músicas do CD:

Faster Slower Disappear Come Around
Number With No Name
Shimmer & Shine
Lay There & Hate Me
Why Must You Always Dress In Black
Red House
Another Lonely Day
Keep It Together (So I Can Fall Apart)
Boots Like These
Under Pressure
Up To You Now
Faithfully Remain
Serve Your Soul

Live from the Montreal International Jazz Festival já está em pré-venda neste link.

23 de fev de 2010

Dream Theater lança música inédita em trilha de game

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

O Dream Theater lançará uma nova faixa, totalmente inédita, no EP da trilha do game God of War III, cujas duas primeiras partes são consideradas pelos gamers como alguns dos melhores jogos da história do Playstation.

O nome da música é "Raw Dog", e a faixa estará presente no EP God of War: Blood and Metal. Além do Dream Theater, farão parte da trilha as bandas Killswitch Engage, Trivium, Taking Dawn, Opeth e Mutiny Within.

Confira o track list abaixo:

1. Killswitch Engage – My Obsession
2. Trivium – Shattering The Skies Above
3. Dream Theater – Raw Dog
4. Taking Dawn – This Is Madness
5. Opeth – The Throat Of Winter
6. Mutiny Within – The End

O EP já está em pré-venda, e para garantir a sua cópia é só clicar aqui.



21 de fev de 2010

Discos Fundamentais: Captain Beyond - Sufficiently Breathless (1973)

domingo, fevereiro 21, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

A mítica em torno do primeiro play do Captain Beyond, considerado por muita gente um dos melhores álbuns de hard rock dos anos setenta, ofusca tremendamente os outros discos do grupo. Se por um lado Dawn Explosion (1977), terceiro LP da banda, pode ser considerado apenas um trabalho honesto e sem maiores atrativos, o mesmo não pode ser dito do segundo álbum dos caras, Sufficiently Breathless, de 1973.

Mas antes de contarmos a história do disco é preciso falar sobre algumas coisas. Apesar de cultuado, Captain Beyond (lançado em junho de 1972) não alcançou um número expressivo de vendas, principalmente pelo descaso com que a gravadora da banda, a Capricorn - especializada em southern rock -, tratou o álbum. Não houve divulgação adequada, o grupo não recebeu suporte da companhia e, assim, mais uma banda repleta de talento via a sua promissora história escorrer pelo ralo.

Como se isso não bastasse, o quarteto formado pelo vocalista Rod Evans (ex-Deep Purple), pelo guitarrista Larry "Rhino" Reinhardt, pelo baixista Lee Dorman e pelo baterista Bobby Caldwell levou diversos calotes durante a tour do seu disco de estreia, fazendo as coisas ficarem ainda mais negras no horizonte.

Desanimado com essa falta total de perspectiva, o batera Bobby Caldwell não aguentou o tranco e jogou a toalha, trocando o Captain Beyond pela pela banda do guitarrista Rick Derringer. Evans, Rhino e Dorman eram osso duro de roer e decidiram continuar na estrada. Para o lugar de Caldwell chamaram o experiente Brian Glascock, ex-The Gods, Toe Fat e Bee Gees e irmão de John Glascock, baixista que tocou com o Jethro Tull. A exuberância criativa e técnica de Caldwell forçou o trio restante a recrutar também um percussionista, posto assumido pelo cubano Guille Garcia. Pra fechar a reformulação do Captain Beyond, Rhino trouxe seu ex-companheiro de Second Coming, Reese Wymans, para assumir o teclado. Pronto, o agora sexteto estava pronto para iniciar mais um belo capítulo em sua carreira.

Mesmo com todo o descaso da Capricorn, a banda ainda permanecia presa à gravadora. Assim, adentraram os estúdios da companhia em Macon, na Califórnia, para registrar seu segundo LP. Os executivos da Capricorn indicaram o produtor Giorgio Gomelski e exigiram que ele produzisse o álbum. Até aí tudo bem, não fosse um pequeno problema: Gomelski achava que Glascock não se encaixava no som do grupo, e deixou claro que, na sua opinião, o batera deveria ser substituído sem demora. Encurralados e vendo o que parecia um novo começo se transformar subitamente em uma situção inusitada e constrangedora, os integrantes do Captain Beyond não tinham a menor ideia do que fazer. Coube ao novato percussionista Guille Garcia solucionar a questão, sugerindo o nome de seu brother Martin Rodriguez, também natural de Cuba.


Pronto, agora a coisa vai, certo? Não, se a banda for o Captain Beyond sempre pode aparecer um problema maior. E ele apareceu! De saco cheio pelas infinitas confusões envolvendo o grupo, a falta de apoio da Capricorn e de seu empresário, o não reconhecimento do público e a evidente qualidade inferior do estúdio em que estavam trabalhando, Rod Evans surtou e simplesmente sumiu durante as gravações. Evans pegou suas coisas e voltou para Los Angeles, onde foi buscar conforto no carinho de sua esposa, no aconchego de seu lar.

A situação era a seguinte: a banda sofria pressão da gravadora para terminar logo a gravação do álbum, a grana disponibilizada pela companhia estava chegando ao fim e seu vocalista havia abandonado o barco, deixando suas partes vocais pela metade. Rhino, Dorman e companhia partiram atrás de Evans e, depois de muita discussão e bate-boca, o cantor acabou finalizando o processo no estúdio Record Plant, na cidade de Sausalito, também na Califórnia. Com o problema resolvido, Sufficiently Breathless finalmente chegou às lojas no outono de 1973. Como desgraça pouco é bobagem, quanto o disco foi lançado a banda praticamente não existia mais.

Rhino e Lee Dorman queriam, naturalmente, cair na estrada, mas a questão com Rod Evans era complicada demais, e a maionese já dava sinais que desandaria ainda mais. Um show foi marcado ao lado do lendário grupo canadense Charlee, mas na última hora o Captain Beyond teve que cancelar sua participação. Uma nova tentativa foi feita, e a banda acertou uma apresentação abrindo para a Climax Blues Band e a Electric Light Orchestra. Esse show acabou sendo o único a contar com o line-up que gravou Sufficiently Breathless, e, para fechar com chave-de-ouro toda essa história pra lá de complicada, a audiência contou com apenas 250 pessoas.

Mas vamos deixar todos esses contratempos de lado e focar nas oito faixas do LP. Sufficiently Breathless é bem diferente da estreia do conjunto. Sai o hard rock classudo e com influências de rock progressivo do primeiro LP, e em seu lugar surge um som predominantemente acústico, repleto de balanço e pitadas latinas. Em diversos momentos do play é possível ouvir uma clara influência do que o guitarrista mexicano Carlos Santana havia aprontado nos anos anteriores.

O disco abre com a ótima faixa-título, levado ao violão por Rhino com o tempero da percussão de Garcia e Rodriguez. Sem exageros, uma das melhores composições da curta carreira do Captain Beyond. Aliás, é de Martin Rodriguez a definição que melhor explica a sonoridade do grupo em Sufficiently Breathless: "space latin rock".

O clima continua ótimo com a sensacional "Bright Blue Tango", com grande performance de Rod Evans e um groove viajandão. O embalo permanece em "Drifting in Space", que parece saída de Abraxas, lançado pelo já citado Santana em 1970. O solo de Reese Wymans no piano elétrico merece destaque, dando um clima excelente para a faixa. Impossível ouvir "Drifting in Space" sem bater o pé no chão inconscientemente, marcando o ritmo.

Uma bela frase de guitarra introduz "Evil Men", mais um grande momento de Sufficiently Breathless. A estupenda levada de Martin Rodriguez, somada à percussão de Guille Garcia, dá um balanço sensacional para a canção. A cereja do bolo é o solo de Rhino no meio da faixa, mostrando porque de o guitarrista ser cultuado até hoje.

A balada viajandona "Starglow Energy" abria o lado B do vinil original, mostrando uma divisão bem clara no play, com o lado A apostando no balanço enquanto o segundo é mais trancedental. A faixa conta com uma bela interpretação de Evans e dá uma acalmada no clima. O hard psicodélico de "Distant Sun" vem a seguir. A passagem instrumental no meio dessa composição é arrrepiante, com a banda saindo de um clima guiado pela guitarra de Rhino para cair em um trecho que lembra o jazz cubano temperado com elementos de rock progressivo. Good trip total!

Retomando a tradição dos interlúdios tão presentes no primeiro álbum, "Voyages of Past Travellers" precede "Everything´s a Circle", que fecha o álbum unindo as suas duas principais caracteríticas: o balanço contagiante e as viajantes, e às vezes etéras, passagens instrumentais.

Ainda que seja inferior ao primeiro disco do grupo, Sufficiently Breathless mesmo assim é um senhor disco. A inclusão de Guille Garcia e Martin Rodriguez renovou o som do Captain Beyond, apostando em um caminho diferente do trilhado anteriormente, mas mantendo a alta qualidade e a criatividade instrumental. Uma pena que, mesmo sendo um excelente trabalho, o LP acabou mais uma vez passando batido devido aos infinitos problemas que sempre cercaram a banda.

No final de 1973 não havia mais o Captain Beyond de Sufficiently Breathless. A banda havia se dissolvido. Uma derradeira tentativa foi feita com a formação original, com Bobby Caldwell de volta às baquetas, com o grupo saindo em turnê executando o primeiro álbum na íntegra e algumas canções do segundo em seus shows. O quarteto abriu alguns shows de nomes como Jethro Tull, King Crimson, Ted Nugent, Bob Seger e Quicksilver Messenger Service - ao lado desse último, tocando para mais de cinco mil pessoas em Chicago. A momentânea estabilização solidificou a reputação do Captain Beyond como excelente banda ao vivo, atraindo mais e mais fãs para os shows. O ápice ocorreu em uma apresentação ao lado do Wishbone Ash no Texas, quando tocaram para um público de oito mil pessoas, que literalmente babou na performance de Evans, Rhino, Dorman e Caldwell.

Mas estamos falando do Captain Beyond, e nada seria eterno para o grupo. Rod Evans decide sair de vez do grupo em 31 de dezembro de 1973, e não coube outra alternativa aos músicos restantes a não ser encerrar as atividades da banda. Lee Dorman foi trabalhar na Warner como produtor e engenheiro de som, enquanto Rhino colaborou com o cantor soul Bobby Womack. Já Bobby Caldwell retomou sua parceria com Rick Derringer e Johnny Winter (com quem tocava antes de entrar no Captain Beyond, em 1971) no álbum Saint & Sinners, lançado pelo guitarrista albino em 1974. Na sequência, aceitou o convite de Keith Relf, ex-Yardbirds, e integrou outro cultuado nome do hard setentista, o Armageddon, ao lado de Relf, do baixista Louis Cennamo e do guitarrista Martin Pugh, ambos ex-Steamhammer, com quem gravou o homônimo e ótimo debut da banda, lançado em 1975. Infelizmente o Armageddon acabou logo depois, quando Keith Relf sofreu um violento choque elétrico e faleceu no dia 14 de maio de 1976.

Com o fim do Armageddon, Caldwell reativou o Captain Beyond ao lado de Rhino, Dorman e do vocalista Willy Daffern. A banda gravou o apenas mediano Dawn Explosion em 1977, e acabou de vez.


Uma curiosidade sobre Sufficiently Breathless é que sua bela capa traz uma ilustração do artista Joe Petagno, famoso por trabalhos com grupos como Baker Gurvitz Army, Thin Lizzy e, principalmente, Motorhead.

Se você gosta de música, é sua obrigação conhecer os dois primeiros discos do Captain Beyond. Enquanto o primeiro é um dos pilares do hard rock setentista, o segundo é um belo álbum que mostra toda a criatividade da banda, que infelizmente foi vítima de infinitos problemas e contratempos em sua curta carreira, o que com certeza os impediu de ser um dos maiores grupos dos anos setenta. Afinal, se com tudo o que o Captain Beyond enfrentou é lembrado até hoje, imaginem como seria se a história tivesse sido mais generosa com os caras ...

Faixas:
A1 Bright Blue Tango 4:11
A2 Sufficiently Breathless 5:15
A3 Drifting in Space 3:12
A4 Evil Men 4:51

B1 Starglow Energy 5:04
B2 Distant Sun 4:42
B3 Voyages of Past Travellers 1:46
B4 Everything's a Circle 4:14

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE