26/02/2010

War Room: Amorphis - Elegy (1996)


Por Fernando Bueno
Colecionador
Collector´s Room

Esta é a segunda edição, ou segundo round, do War Room. O objetivo dessa coluna é apresentar novos discos e criar uma discussão sobre os mesmos.

Já foi dito na primeira edição, porém para deixar mais claro, a coluna é feita via MSN e os discos são escutados simultaneamente por mim (Fernando Bueno), pelo Daniel ACES HIGH e por um convidado especial.

Leia a coluna, escute o disco, comente, faça suas críticas e sugestões. Você pode ser convidado a participar também.

Assunto: Amorphis – Elegy (1996)

Convidado especial: Tiago Rolim (se preparando para ir ao show da Elba Ramalho)

Faixa 1: "Better Unborn"

Daniel: Introdução bacana me lembrou "Nomad", do Iron Maiden. Odeio vocal urrado! Bela levada de baixo e bateria. Quando entrou o vocal me lembrou Sentenced e algo de In Flames. Não gosto dessas bandas. Hoje é o dia da primeira treta, pelo visto! A música parece muito igual do começo ao fim.

Tiago: Eu acho a introdução desta música demais. Este disco marca uma mudança de fase do Amorphis que eu particularmente gosto mais do que o início da banda. Os vocais cavernosos demais não combinavam com o som. O vocal mais limpo utilizado depois deste aqui caiu muito melhor na banda.

Fernando: A introdução meio que resume o que vamos encontrar no disco. O riff principal é excelente. A alternância de voz do gutural para a voz limpa funciona como poucas vezes ouvi. Instrumental intrincado, porém sem exageros. Excelente música, talvez a melhor do disco.

Daniel: TRETA!!!

Faixa 2: "Against Widows"

Fernando: A música inicia-se mais rápida que a primeira, com um riff bem próximo ao heavy metal tradicional, e nas estrofes um riff mais thrash metal. Novamente temos alternância dos estilos de vocal, e novamente muito bom. Solo muito legal.

Daniel: Gostei das guitarras, destaque assim como na primeira. Eu gosto muito de vocalistas que cantam e parecem se superar a cada música. Vocais urrados não me atraem. A voz limpa está meio perdida no contexto. Talvez isso que atraia os fãs, mas não é o que gosto de ouvir, pois para mim soa tudo embolado. A banda é boa, mas sem um vocal decente para segurar não vai.

Tiago: Iron puro esse começo!!! Nossa, fazia tempo que eu não ouvia isso daqui. É Daniel, esses latidos de cachorro com dor de barriga não tem nada a ver. Pelo menos nesta banda. Quando o vocal muda, o som cresce muito mais. O solo é muito legal. É nítido que a banda esta atrás de uma mudança. Nessa área a gente pode fazer um paralelo com outros grupos que, em algum momento, começaram a mudar o seu som.

Faixa 3: "The Orphan"

Daniel: Metallica??? Agora entendo a influência do vocal. Parece aquelas baladas do Metallica para a MTV. Fase ruim do Metallica, sabe? Eles têm um ar muito forte do Metallica nessa música, mas os teclados lembram as bandas típicas finlandesas. Sem o teclado ficaria melhor, teclados não combinam com o Metallica.

Tiago: Tecladinho massa esse ... Lembra muito progressivo da década de 1970. Olha aí o vocal limpo dominando, coisa que ia ficar muito mais forte no Tuonela, que particularmente gosto mais. Só para não perder o raciocínio, falando das bandas que procuravam mudar o som, podemos citar o Sepultura no Chaos A.D. e o Metallica no Black Album, entre outros exemplos.

Daniel: A guitarra no final lembra o Maiden.

Fernando: Bela introdução lenta com pitadas de progressivo. Os vocais limpos são muito legais, mas insisto em dizer que a alternância que a banda faz é, ao meu ver, única. Belo clima da música sem a velocidade das duas primeiras, porém com levada bem ao estilo do metal tradicional.

Faixa 4: "On Rich and Poor"

Tiago: Me desculpem, mas esses vocais não dá. Acho que é por isso que bandas de gothic metal não me agradam, pois o som deles combina muito mais com o vocal mais limpo. Tipo o Paradise Lost - gosto muito mais do One Second do que do Lost Paradise, muito por causa do vocal. Boa música, mas o vocal não me agradou. O solo por baixo da faixa é demais, assim como o riff principal.

Fernando: Para mudar o clima deixado pela última música, uma rápida novamente. Os vocais guturais dominam a faixa, porém sem deixar os vocais limpos de lado. Novamente as guitarras com pitadas de heavy metal comandam a música. O riff do meio tem influências claras de Iron Maiden. Os teclados utilizados tem a função clara de não deixar a música muito direta.

Daniel: Começo pesado, melhor assim, mas o vocal urrado não me agrada, principalmente com o teclado "imitando" o ritmo. Depois da faixa três comecei a perceber a influência no vocal que lembra, eu disse lembra, o Metallica. As guitarras continuam soando como Iron Maiden.

Tiago: Essa parte no fim, com mais velocidade, é a melhor parte da música.

Faixa 5: "My Kantele"

Daniel: Música medonha, sem pé nem cabeça! O vocal limpo tem vários efeitos para disfarçar o desastre. Esse teclado é uma tortura. Próxima por favor.

Tiago: Esse riff introdutório me lembrou Black Sabbath. O teclado está ótimo. Difícil falar mal desta música, pois é uma das melhores da banda. O casamento da guitarra com o teclado aqui ficou perfeito. E o refrão é perfeito.

Fernando: Introdução meio arrastada muito legal. Depois da voz um solo de teclado bem progressivo que termina na entrada da voz. Muito legal. O interessante no vocal é que é a primeira vez que tem backing.

Tiago: É Daniel, olha a tetra!

Daniel: Tem refrão?? Juro que não percebi.

Faixa 6: "Cares"

Daniel: Iron Maiden vai ao circo com um riff típico do Gers (nota: não estou elogiando). Vocal urrado de novo, não combina. A música tem algumas variações de ritmo interessantes. O pedaço dance music é a melhor parte do disco até agora, pois me fez rir.

Tiago: Essa levada eu gosto. O que eu não gosto neste disco é que a mixagem deixou o vocal baixo, principalmente no gutural, então o que já é chato ficou pior por este motivo. Mas tirando o vocal, a levada da música é muito boa, essa parte meio 'diferente' no meio dá uma lufada de luz no ambiente negro da banda.

Fernando: Essa música é a que mais surpreende do disco. A introdução de guitarra não tem um estilo definido, mas é muito boa. A variação de ritmo é mais frequente. Adoro ver a cara das pessoas quando escutam pela primeira vez e se deparam com a passagem de música eletrônica no meio dela. Talvez seja um dos motivos porque escolhi esse disco (risos).

Faixa 7: "Song of the Troubled One"

Daniel: Essa música tem uma coisa interessante: parece o Max Cavalera cantando no Nightwish.

Tiago: Pois é ... Está começando a cansar. Lá vem intro, vocal gutural e daqui a pouco o refrão com o vocal limpo. O baixo participou nessa ... Legal! Errei, nada de vocal limpo.

Daniel: Não combina!

Fernando: Introdução com riff de guitarra e teclado bem legal. Durante a parte do vocal o riff de teclado é bem legal.

Tiago: Pô, agora tu foi longe Daniel.

Faixa 8: "Weeper on the Shore"

Fernando: Essa talvez seja a música menos inspirada do disco. Apesar dela ter as mesmas características das músicas anteriores, perde em alguma coisa. Gosto do final, onde a influência folk é mais perceptível.

Daniel: Já ouvi algo parecido em algum lugar. Parece de longe a "Prodigal Son" do Iron Maiden, mas com teclado e vocal urrado. As "paradas" no meio ficaram legais.

Tiago: Essa está legal, pois inverteu a ordem: agora o refrão é que é gutural. Mas a levada no violão está legal, e dá uma melhor dinâmica à música. Esse solo entrecortado pelo riff ficou bem legal.

Faixa 9: "Elegy"

Tiago: Esta é o meu xodó no disco. A música que pode ser definida como "a seguir cenas do próximo capítulo", pois o Tuonela é mais assim, com vocais limpos dominando e com um peso mais na manha, dando espaço para viagens.

Fernando: Introdução de piano muito bonita, com alguns "comentários" de guitarras para dar um efeito. O refrão dela talvez seja o melhor do disco. Se não fosse os teclados seria uma música bem mais metal no início. Faixa mais longa do disco, mostrando influências de progressivo novamente, não só pela duração, mas também pelos teclados.

Daniel: Pseudo balada imitando o Metallica de novo. Interessante como isso se repete no disco todo. É uma música de mais de 7 minutos que com 3 minutos já dá vontade de mudar de faixa.

Faixa 10: "Relief"

Fernando: A única música instrumental do disco. Introdução com bateria e guitarra muito legais, acompanhados de um baixo bem marcado. O teclado apenas para fazer a cama. A exemplo da introdução da primeira faixa, ela também resume um pouco o que é o disco.

Daniel: Instrumental. Para fechar! Odeio música instrumental. Pelo menos aqui não tem o vocal.

Tiago: Uma intro bem metal tradicional, esse solo está legal. O andamento deu uma quebrada e ficou excelente. Esse teclado que entra eu acho perfeito. Dá um aspecto bem progressivo para a música, sem tirar o peso dela. Eu adoro sons instrumentais.

Tiago: Treta de novo, Daniel (risos).

Faixa 11: "My Kantele" (Acoustic Reprise)

Tiago: Essa aí é legal, o vocal melhorou em relação à versão original, ficou mais com cara de norte europeu, aquele gelo todo, louras lindas e um monte de bebum tomando cerva geladíssima.

Daniel: Bonus track acústica. Fica menos embolada e o vocal aparece mais. Mas o vocal é muito ruim.

Fernando: Faixa bônus do War Room. Versão acústica de uma faixa do disco. Interessante ver o trabalho feito para transformar a música. O vocal gutural foi limado, afinal violão não combina com urros (risos). O solo de teclado foi substituído por um acordeom, o que mostra a versatilidade dos músicos.

Comentários e considerações finais:

Daniel: O disco é bem gravado, as guitarras lembram o Iron Maiden em diversos momentos, e o vocal tenta mostrar influências do Metallica. Nunca tinha escutado e esperava algo mais pesado e sem teclados. No final das contas eles não são originais, e parecem muito com o Sentenced. Não gostei. E me surpreende o Fernando, que tem um gosto tão apurado e voltado ao progressivo, gostar dessa banda.

Tiago: Bem legal ter participado, o disco escolhido foi legal, confesso que estava com medo de ser um Accept, Scorpions ou algum metal mais tradicional tipo Gamma Ray e essas coisas, pois não gosto muito. Só acho que o Daniel se deu mal, pois agora ele vai ouvir um disco de jazz ou MPB para a sessão (risos).

Daniel: A única explicação é pela variação que fazem nas músicas. Não gostei. Mandem as pedras!

Fernando: Escolhi esse disco por ele conter inúmeros pontos que podem gerar discussão. Eu adoro esse disco e conheço ele há mais de dez anos. Sempre me impressionou a variedade musical dele. Inúmeras influências como música folk, death e heavy metal tradicional, tudo com a temática lírica da mitologia finlandesa. A variação da voz limpa para a gutural é muito interessante. Mesmo eu não sendo um fã de death metal, onde os vocais guturais são predominantes, esse disco, o Demanufacture do Fear Factory e as coisas que o Sepultura gravou com o Max Cavalera eu gosto. Vejo também que se não existissem esses vocais provavelmente o álbum não teria o clima que tem. Um discaço de uma banda pouco ouvida a meu ver que, para mim, não produziu nenhum outro disco à altura deste. Os destaques ficam para "Better Unborn", "Against Windows", "The Orphan" e "Cares" e "Elegy".

Tiago: O Sentenced, se não me engano, veio depois deste disco, Daniel. A comparação com o Fear Factory é perfeita, Fernando, só que lá eles fizeram melhor, pois o Burton canta muito mais que esse vocal.

Daniel: Tudo o que eu gosto na música eles não tem. Jamais compraria o disco.

Fernando: Bem, obrigado Tiago por ter aceitado participar. Espero que agora tenhamos uma discussão mais intensa nos comentários feitos pelos leitores da Collector´s Room.

Tiago: Obrigado a vocês pelo convite. A ideia é genial, e espero que ela se frutifique com mais participações e discussões legais como esta que tivemos.

Daniel: Fernando e Tiago, obrigado pela paciência, em especial ao Tiago pela participação.

Fernando: Obrigado, e pode deixar que teremos uma nova oportunidade. Valeu Daniel por aguentar um disco que obviamente você não gostou (risos).



25/02/2010

Rolling Stones lançam edição especial de Exile on Main St com dez bonus tracks!


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Um dos álbuns mais importantes da carreira dos Rolling Stones, e consequentemente da história do rock, ganhará uma edição especial que irá fazer a alegria dos colecionadores. No dia 18 de maio Exile on Main St será relançado com dez suculentas faixas bônus, entre elas "Plundered My Soul", "Dancing in the Light", "Following the River" e "Pass the Wine", além de takes alternativos de canções como "Soul Survivor" e "Loving Cup".

Segundo Mick Jagger, a Universal, gravadora do grupo, perguntou para ele se haviam canções registradas no período de gravação de Exile on Main St que poderiam ser usadas como bônus em reedições futuras do disco. Jagger respondeu que não se lembrava de nenhuma, que achava que tudo havia sido utilizado no disco, lançado originalmente em 1972. Segundo Mick, "voltei a fuçar nos arquivos e achei um monte de coisas legais perdidas ali. Adicionei alguns vocais e percussão, enquanto Keith gravou algumas partes de guitarra em uma ou duas faixas". Jagger também escreveu uma nova letra para uma canção chamada "Following the River", mas o restante foi preservado da mesma maneira como foi gravado, há quase quarenta anos. Keith Richards encerrou o assunto comentando: "Você não interfere em coisas como a Bíblia, sabe. Eu ouvi as canções novamente, e são grandes sons".


Foi produzido também um documentário chamado Stones in Exile, dirigido por Stephen Kijak sobre o processo de composição e gravação do disco, que traz também trechos do controverso e polêmico Cocksucker Blues e de Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones, vídeos que cobrem as turnês realizadas pela banda no período.

Exile on Main St Deluxe Edition trará as 18 faixas originais, mais dez bonus tracks. Além da versão em CD, haverá também uma edição chamada Super Deluxe Edition incluindo o LP duplo, um DVD de 30 minutos com o documetário e um livro de 50 páginas com fotos da banda no período.

Agora, é só separar a grana e esperar pelo da 18 de maio!


Rigotto´s Room: Os registros ao vivo dos Rolling Stones


Por Maurício Rigotto
Escritor e Colecionador
Collector´s Room

Hoje vou discorrer acerca dos registros ao vivo da maior e mais longeva banda de rock do mundo, os Rolling Stones, através de mais de quatro décadas que separam o lançamento de seu primeiro álbum ao vivo, em 1966, e o mais recente, lançado em 2008.


Os Rolling Stones iniciaram as suas atividades em 1962, e após alguns compactos lançados no ano seguinte lançaram o seu primeiro álbum de estúdio em 1964. Após uma produção desenfreada de vários álbuns e singles em um espaço relativamente curto de tempo, em 1966 a banda largou o seu primeiro disco ao vivo, intitulado
Got Life If You Want It, um registro da turnê de divulgação do álbum Aftermath.

Os shows de rock nessa época costumavam durar de vinte a sessenta minutos no máximo, e os grupos mais populares - leia-se Beatles e Rolling Stones – costumavam tocar sem conseguirem se ouvir, devido à gritaria histérica das fãs, que abafavam qualquer equipamento de retorno existente na época. A qualidade de Got Life If You Want It é naturalmente precária para os padrões atuais, mas já mostra o poder ao vivo da banda em seus mais recentes sucessos “Under My Thumb” e “Lady Jane”, e seus grandes hits até então, “The Last Time”, “19th Nervous Breakdown” e “(I Can’t Get No) Satisfaction”. Acabou sendo o único disco ao vivo com o guitarrista Brian Jones (não considerando o Rock and Roll Circus), que morreria em 1969.


Em 1970 é lançado o segundo disco ao vivo dos Stones, com o estranho nome Get Yer Ya-Ya’s Out!, já com o novo guitarrista Mick Taylor. O álbum é até hoje considerado um dos melhores discos ao vivo já gravados por uma banda de rock, e registra a turnê norte-americana de 1969, contando com várias canções dos ótimos álbuns Beggars Banquet (1968) e Let It Bleed (1969), singles de sucesso como “Jumpin’ Jack Flash” e “Honky Tonk Women”, e duas covers de Chuck Berry. No mesmo ano sai o documentário Gimme Shelter, onde a banda é capturada ao vivo no Madison Square Garden em Nova Yotk e no fatídico concerto de Altamont, onde um expectador é assassinado por um integrante da gangue de motoqueiros Hell’s Angels, contratada para a segurança do evento.


Nos dois próximos anos, os Rolling Stones lançam os discos que hoje são considerados o ápice de sua vasta discografia - os álbuns
Sticky Fingers (1971) e Exile On Main St (1972) -, e fazem as maiores turnês até então já vistas por um grupo de rock. Considerando o álbum Get Yer Ya-Ya´s Out!, ainda recente, optam em não colocar no mercado um disco ao vivo dessas turnês, lançando apenas o vídeo Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones, que registra a turnê de 1972. Trata-se de uma aula de rock and roll, e certamente seria o seu melhor álbum ao vivo se tivesse sido lançado. A melhor opção, além do obrigatório vídeo, é o bootleg Unreleased Decca Live Album 1972, um ótimo disco pirata dessa turnê, embora a qualidade de áudio deixe a desejar.


No ano seguinte, optam novamente em não lançar nenhum disco ao vivo da turnê do álbum
Goat’s Head Soup. Aos caçadores de bootlegs, corram atrás do álbum Brussels Affair 1973, que em minha opinião é o melhor disco ao vivo, independente de ter sido lançado ou não, de toda a carreira dos Stones. Um brilhante registro da fase em que Mick Taylor fez parte da banda.


O próximo álbum ao vivo das Pedras Rolantes somente veio à tona em 1977. Trata-se de um disco duplo que registra os shows realizados em Paris e Toronto no ano anterior, durante a turnê do álbum
Black and Blue. O álbum tem altos e baixos e seu saldo acaba sendo decepcionante. Keith Richards estava afundado em seu vício em heroína, e tanto as performances quanto o repertório não empolgam. A exceção que destoa do restante do álbum é o maravilhoso lado três do disco, gravado na boate El Mocambo em Toronto, diante de uma plateia de apenas 300 pessoas. A banda interpreta “Mannish Boy” (Muddy Waters), “Crackin’ Up” (Bo Diddley), “Little Red Rooster” (Howlin’ Wolf) e “Around and Around” (Chuck Berry). Destaque para a capa, feita pelo papa da pop art, Andy Warhol.


Em 1982 é lançado
Still Life, com dez músicas extraídas da turnê americana realizada no ano anterior, a primeira somente com shows em grandes estádios. O disco é apenas um reles aperitivo ao ótimo filme Let’s Spend the Night Together, um grande documentário da excursão do grupo.


Somente em 1991 os Rolling Stones voltariam a lançar um disco ao vivo, o fraco Flashpoint, registrando a turnê Steel Wheels/Urban Jungle. Há muito o disco ao vivo deixara de ser um registro da performance de uma banda em um palco para se transformar em um souvenir de turnê, onde o fã vai ao show e depois compra o disco como recordação, como se fosse um chaveiro ou uma bandana. Prefira o DVD Live at the Max como registro dessa turnê.


Em 1995 os Stones optaram em lançar somente um DVD ao vivo da
Voodoo Lounge Tour, em detrimento ao disco. Ainda nesse ano, é lançado o CD e DVD The Rolling Stones Rock and Roll Circus, um especial gravado em um picadeiro de circo em 1968 com convidados como Jethro Tull, The Who, Taj Mahal, John Lennon e Eric Clapton. O especial ficou quase trinta anos engavetado, devido aos Stones não terem gostado do resultado de sua performance, provavelmente por a banda já demonstrar certa fadiga, ao se apresentarem tarde da madrugada após um dia inteiro de gravações.

O vídeo mostra a apresentação única do Dirty Mac, banda formada especialmente para o evento com John Lennon e Eric Clapton nas guitarras, Keith Richards no baixo e Mitch Mitchell (Jimi Hendrix Experience) na bateria. É também a última aparição de Brian Jones ao lado dos Rolling Stones.


Lançaram no ano seguinte o ao vivo
Stripped, com sets quase acústicos de performances em teatros de Paris e Amsterdam, em uma pequena escapada que fizeram dos grandes estádios durante a parte européia da turnê Voodoo Lounge, para matar a saudade do tempo em que tocavam em pequenos clubes, cara a cara com a plateia. Stripped é um disco bem bacana, e traz pela primeira vez a surpreendente cover da música “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan.


A turnê seguinte, do disco,
Bridges to Babylon (1997-98), rendeu mais um DVD ao vivo e o álbum No Security, sabiamente composto por músicas novas e outras não tão conhecidas, pois nem os mais ardorosos fãs aguentariam mais um ao vivo com “Start Me Up”, “Brown Sugar”, “Jumpin’ Jack Flash” e “Satisfaction”. Mesmo assim, é apenas mais um souvenir de turnê, que nada acrescenta à discografia do grupo.


O novo milênio trouxe novas grandes excursões mundiais dos Rolling Stones, e os registros agora são megalômanos, à altura da grandeza da banda e do fanatismo de seus seguidores. Nesses novos tempos, um disco ou um DVD não são mais suficientes para documentar uma turnê, e em 2003 o box set
Four Flicks, com quatro DVDs, é lançado, trazendo três shows na íntegra e um documentário sobre a excursão. A banda está novamente com todo o gás e não demonstra o menor peso da idade. Os shows são no Madison Square Garden em Nova York, no Twickenham Stadium em Londres (55.000 pessoas) e no Olympia Theatre em Paris, para apenas 3.000 pessoas. Imperdível! Também é lançado um CD duplo, Live Licks, que passou praticamente despercebido, ofuscado pela caixa de DVDs.


Em 2007, a megalomania é repetida com o lançamento de mais uma caixa com quatro DVDs, que documentam a turnê do disco
A Bigger Bang. O box set, intitulado The Biggest Bang, traz no primeiro DVD o show do grupo em Zilker Park, em Austin, no Texas; no segundo, o gigantesco espetáculo gratuito que a banda fez na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para um público estimado em um milhão e duzentas mil pessoas (o maior de toda a extensa carreira do grupo); e no terceiro, chamado de Rest of the World, um apanhado de apresentações no Japão, China e Argentina, tudo sempre recheado de muitos extras que deleitam o fã/expectador. O quarto DVD é um documentário da turnê, com depoimentos de todos os integrantes.

Ainda tem de bônus o grupo tocando “Get Up, Stand Up” (Bob Marley) e “Mr Pitiful” (Otis Redding). A caixa mostra que os Rolling Stones não são apenas uma grande banda de rock and roll, mas também são brilhantes ao tocar blues, soul, reggae, country e outros gêneros.


Não bastasse tudo isso, no ano seguinte o consagrado diretor de cinema Martin Scorcese resolveu filmar duas apresentações da banda no Beacon Theatre em New York City, com convidados como Buddy Guy e Jack White, rendendo o sensacional
Shine a Light. Os shows tiveram como apresentador o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, e sua renda foi revertida para a Clinton Foundation, uma fundação beneficente criada pelo político democrata. Além do DVD, é lançado um CD duplo como trilha do filme, outro grande registro ao vivo da maior banda de rock do mundo.


24/02/2010

Discos Fundamentais: Buffalo - Volcanic Rock (1973)


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Certos discos são tão espetaculares, apresentam uma qualidade sonora e artística tão elevada que nos fazem pensar porque diabos as bandas que os gravaram não se transformaram em monstros sagrados e ícones incontestáveis de um estilo. Esse é o caso de Volcanic Rock, segundo álbum do grupo australiano Buffalo, uma verdadeira jóia brilhante e reluzente, que passou anos perdida na poeira setentista, mas que recentemente, graças aos inúmeros blogs e fóruns de download mundo afora, começou finalmente a ser redescoberta por toda uma geração de novos ouvintes.

O Buffalo nasceu em Sydney, a mais importante cidade da Austrália, em agosto de 1971. O coração da banda era formado pelo vocalista inglês Dave Tice e pelo baixista australiano Pete Wells, que mais tarde faria parte de outro grande nome do rock daquele país, o Rose Tattoo. O embrião do conjunto foi o Head, grupo formado por Tice e Wells em 1968 e que passou por inúmeras formações. Foi apenas em 1971 que a banda alterou seu nome para Buffalo, por sugestão de seu empresário, Mel Myles.

Ainda que tenha lançado o bom álbum Dead Forever em 1972, o Buffalo não avistava muita luz no fim do túnel. O fraco desempenho do disco levou a banda a encerrar as suas atividades. Mas o que parecia uma parada eterna revelou-se apenas uma breve pausa. O motivo para isso foi a passagem do Black Sabbath pela Austrália, em janeiro de 1973. A Vertigo, que havia lançado Dead Forever e também era a gravadora do grupo de Ozzy Osbourne e Tony Iommi, queria um nome forte para a abertura dos shows da Sabbath pelo país, e foi atrás do Buffalo. Assim, o grupo ressurgiu praticamente das cinzas, tendo agora, além de Dave Tice e Pete Wells, o guitarrista John Baxter e o baterista Jimmy Economou.

A ótima repercussão dos shows ao lado do Black Sabbath gerou duas certezas para o quarteto: a de que valia a pena insistir mais um pouco, mantendo a banda ativa e na estrada; e que o quente mesmo era tocar o mais alto e pesado possível, batendo em cheio nas cabeças dos milhares de jovens australianos, que piraram com o som do grupo.


Tendo isso em mente, o reformulado quarteto entrou em estúdio para gravar o seu segundo disco. Batizado como Volcanic Rock, o play chegou às lojas em 1973 e mostrou um som muito mais pesado, coeso e poderoso do que aquele apresentado no primeiro álbum. O trabalho abre com "Sunrise (Come My Way)", uma faixa agitada que fará a alegria de quem ainda chama o hard rock de "rock pauleira". Destaque para o refrão, grudento e com belas linhas vocais de Dave Tice.

Já "Freedom", a faixa seguinte, é uma tour de force com mais de nove minutos de duração, uma composição estupenda com uma longa introdução de guitarra de John Baxter. A estrutura dessa canção lembra o que Neil Young fez na clássica "Cortez the Killer", do disco Zuma, de 1975. Sobre um andamento cadenciado, Baxter evolui com suas guitarras, despejando frases e melodias arrepiantes. Tice só aparece lá pelos dois minutos e tanto, cantando de forma arrepiante. Sua voz soa áspera e crua na medida certa, transparecendo feeling e emoção. A cama criada pela bateria de Economou e pelo baixo de Wells sustentam os delírios guitarrísticos de Baxter, que em seu solo faz uso de feedbacks e demonstra grande criatividade e talento. Enfim, "Freedom" é aquele tipo de faixa que, ao mostrar para os seus amigos que curtem som, inevitavelmente você irá ouvir o termo "sonzêra" em suas avaliações. O LP segue com "Till My Death", onde o destaque é o baixo de Pete Wells, bem na cara e repleto de distorção. O vocal de Tice também merece menção, e a faixa fechava o lado A do vinil em grande estilo.

O lado B de Volcanic Rock tem início com uma das melhores faixas do disco. "The Prophet" é outra composição cadenciada, mais ou menos na linha de "Freedom", com um riff repleto de groove de John Baxter. Além disso, conta com aquela que é, na minha opinião, a melhor performance vocal de Dave Tice em todo o play. A parte central tem mais um ótimo solo de Baxter, um guitarrista que possui um estilo muito mais focado naquilo que sente ao tocar uma canção do que na técnica propriamente dita. Aliás, essa observação não vale apenas para Baxter, mas se aplica com perfeição em toda a banda.

A dobradinha "Pound of Flesh / Shylock" fecha o álbum de maneira sublime. A primeira soa como uma sensacional jam instrumental entre os músicos. Com quase cinco minutos de duração, introduz "Shylock", um dos grandes sons do hard rock setentista. Dona de um riff cativante, a faixa é um rock pesado clássico, com ótimas linhas vocais e um refrão que não sai tão cedo da cabeça. Além disso, possui longas passagens instrumentais, em um exemplo quase didático de como um bom hard rock deve soar. Pura magia em uma composição antológica!

Indiscutivelmente, Volcanic Rock é um dos trabalhos mais consistentes e impressionantes do hard rock setentista. O entrosamento do quarteto, aliado à qualidade das composições, resultou em um disco excelente, que rivaliza em pé de igualdade com álbuns de nomes consagrados do estilo, como Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. Essa comparação pode até parecer exagerada em um primeiro momento, mas basta ouvir Volcanic Rock para perceber que ela é a mais pura realidade.

A capa do disco causou controvérsia quando o play chegou às lojas. A ilustração, mostrando um homem nu sobre uma montanha prestes a entrar em erupção, segurando uma rocha flamejante e flexível que lembra - e muito - o formato de um pênis, levou a inevitáveis interpretações e conclusões sobre o seu real sentido, fazendo com que vários lojistas se recusassem a expor e a vender o disco.


Ao longo dos anos, Volcanic Rock ganhou algumas reedições interessantes. O LP original, lançado pela Vertigo australiana em 1973, é objeto de desejo entre os colecionadores do cultuado selo. Para os amantes do vinil, a gravadora Akarma lançou em 2003 uma linda versão em LP de 180 gramas, preservando a arte original em uma bela capa gatefold. Recomendadíssimo! E, mais recentemente (em 2005), a também australiana Aztec colocou no mercado um CD remasterizado, em embalagem digipack, que, além das faixas adicionais, traz duas bônus tracks: a versão editada de "Sunrise (Come My Way)", lançado como single em 1973 para promover o disco; e uma estupenda execução de "Shylock" gravada ao vivo no Sydney Spring Festival, que aconteceu no Hyde Park de Sydney também em 1973.

Há ainda uma outra edição em CD, lançada pela gravadora Second Battle, com cinco faixas bônus - "Hobo", "Sad Song", "Just a Little Rock and Roll", "No Particular Place to Go" e "Barbershop Rock" -, todas elas presentes nos singles editados pelo grupo na primeira metade dos anos setenta.

Após Volcanic Rock o Buffalo ainda lançaria o bom Only Want You for Your Body em 1974 e os medianos Mother´s Choice (1976) e Average Rock´n´Roller (1977), esse último após o anúncio do fim do grupo, que encerrou suas atividades em novembro de 1976. Os integrantes se separaram mas continuaram envolvidos com música. Dave Tice voltou para a Inglaterra, onde passou a integrar o Count Bishops, e mais tarde retornou para a Austrália, onde teve passagens por diversos grupos, até decidir se lançar em uma carreira solo. Uma curiosidade: o baixista da sua banda é Mark Evans, ex-AC/DC. Pete Wells fez história com o Rose Tattoo, com quem gravou grandes discos - principalmente o primeiro, batizado apenas com o nome da banda e lançado em 1978 -, e também vagou por inúmeros nomes do rock australiano até falecer em 27 de março de 2006. Já John Baxter tocou com o Boy Racer e com o Sourthern Cross, enquanto Jimmy Economou, apesar de não abandonar a música, nunca mais alcançou um grande destaque na mídia, ficando envolvido apenas com bandas sem maiores repercussões.

Resumindo: se você nunca ouviu Volcanic Rock mergulhe agora mesmo nos sulcos de um dos melhores álbuns de hard rock dos anos setenta!

Faixas:
A1 Sunrise (Come My Way) 4:48
A2 Freedom 9:02
A3 Till My Death 5:38

B1 The Prophet 7:24
B2 i. Intro: Pound of Flesh 4:33
ii. Shylock 5:52


Minha Coleção - Luiz Mayro NAZA: "Estava ouvindo prog experimental e meu sogro perguntou se o aparelho de som estava com problema!"


Por Fernando Bueno
Colecionador

Para começar o nosso papo, eu queria agradecer sua participação e gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Meu nome é Luiz Mayro, mas sou conhecido no Orkut como NAZA. Sou dono da comunidade “Rock Progressivo – Brasil”. Trabalho na área comercial tem uns 25 anos.

Qual foi o seu primeiro contato com a música?

Meu pai sempre ouvia música clássica e ópera. Acho que no berço já curtia. Mas oficialmente foi no final dos anos 60 e início dos 70 que passei a entender e gostar.

Mais ou menos com que idade você percebeu que essa paixão pela música iria acompanhá-lo por toda a vida?

Foi a partir da compra do meu primeiro álbum que percebi que ia seguir este caminho. Eu devia ter uns dez anos.

Sendo assim, qual foi o seu primeiro disco?

Um disco que me chamou a atenção e comprei sem pensar, e é uma obra de arte na minha opinião, foi To Our Childrens Childrens Children, do The Moody Blues, de 1969.


Você consegue dizer em que momento se transformou de um fã normal de música em um colecionador?

Foi a vontade de ouvir repetidamente determinado álbum e a vontade de conhecer outros trabalhos da mesma banda. Assim eu acabei seguindo a carreira de algumas bandas e comprando todos os seus discos.

Quanto itens você tem?

Somando meus CDs, DVDs, LDs, VHS, discos e compactos, eu devo passar de 4.000 itens. Ainda vou contar meu acervo (risos).

Qual foi o número máximo de itens que você já adquiriu de uma única vez?

Não sou de arrematar lotes, mas já cheguei a comprar uns dez discos em um só dia visitando sebos do centro da cidade.


Qual item você considera o mais raro da sua coleção?

Não sei se posso classificar como raro, mas tenho certeza que não é fácil de se obter - Pink Floyd - Live in Rotterdam (vinil duplo). Deve ter sido gravado com um gravador portátil por alguém da plateia.

Não estou contando com alguns discos que tenho para serem tocados em Gramofone e que são tocados para alguns amigos que me visitam em casa no meu aparelho. O que enche o saco é ficar dando corda enquanto o pessoal esta curtindo (risos).


Isso é muito interessante, fale mais um pouco sobre o gramofone. Como você o conseguiu? De quando é o aparelho? Quais são esses discos que você possui para serem tocados nesse aparelho?

Eu sempre gostei muito de móveis e aparelhos antigos, e este aparelho gramofone eu comprei em um brechó já tem muitos anos. Tenho uma coleção de uns 40 discos que só podem ser tocados em um aparelho deste tipo. Quando paro para escutar estes discos é como voltar ao passado, uma verdadeira viagem no tempo.


Qual é o item mais diferente e curioso do seu acervo?

É um vinil “jingle” feito para General Motors de 1959. Foi no lançamento do caminhão Chevrolet. O curioso é que tenho a carta do pedido e cotação deste trabalho.

Existe algum disco que você passou um tempão atrás até consegui-lo para a sua coleção?

Sim, alguns deram trabalho para encontrar, e um foi o Riff Raff”com Tommy Eyre, de 1973.

E qual é aquele que você ainda não conseguiu?

É uma eterna procura, mas não tenho atualmente um em específico.


Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Sempre vou postar que depende muito de gosto pessoal quando se trata dos dez melhores para um ouvinte. Quando se trata de uma revista ou gravadora, o que se leva em conta é o poder de venda e retorno. E claro que isso é na minha opinião.

Como ouvinte vou mencionar 10 entre tantos :

1 - Dark Side of the Moon (Pink Floyd)
2 - Islands (King Crimson)
3 - When The Eagle Flies (Traffic)
4 - A Passion Play (Jethro Tull)
5 – The Yes Album (Yes)
6 - IV (Led Zeppelin)
7 - Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath)
8 - Criaturas da Noite (O Terço)
9 - 1º (Secos & Molhados)
10 - Corra o Risco (Olívia Byington com A Barca do Sol)

Na minha modesta opinião esses são trabalhos obrigatórios em qualquer acervo.


Pelos discos citados podemos dizer que o seu estilo musical preferido é o rock progressivo. É isso mesmo?

Sim, o rock progressivo e experimental é uma paixão sem controle.

A sua coleção tem um limite? Tipo, você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

Nunca vou parar, não tem como.


Você compra discos de bandas novas? Se sim, cite alguma banda que você ache que se destaca atualmente.

Minha procura por bandas novas não é constante. Continuo procurando por grupos que não tiveram espaço nos anos 60/70. Existe muitas bandas novas que tem um som fantástico (surgidas a partir de 2000), e entre uma destas eu destaco uma banda japonesa formada originalmente por três mulheres, chamada Ars Nova, e que hoje está com uma 4ª integrante.

Já parou para pensar em quem será o herdeiro da sua coleção no seu futuro?

Meu filho já esta no caminho certo. A banda que ele mais gosta é o Black Sabbath.

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Putz ... isso nunca deu certo. Já tentei mostrar algumas bandas prog e de rock e a reação foi “duca”. Mas para quem nunca ouviu um rock na vida, eu mandaria curtir uns discos dos Beatles e dos Rolling Stones.

Tem alguma história engraçada ou curiosa que aconteceu com você por causa da música?

Muitas. Uma foi quando minha família e eu estávamos passando um final de semana na chácara e meu sogro perguntou se o aparelho de CD estava com defeito quando eu estava ouvindo prog experimental. E piorou quando tentei explicar ... (risos)

Com isso tenho que perguntar: o que sua família (pais, mulher e filhos) dizem sobre sua coleção e seu gosto musical?

(Risos) A resposta já é conhecida. Eu tenho que escutar com fones de ouvido ou quando estou sozinho, caso contrario é “duca” (risos).


Você acompanhou a “época de ouro” do rock, com o progressivo em alta e o nascimento do hard rock e do heavy metal? Como foi participar daquela época?

Foi algo que marcou minha vida, foi uma época de descobertas e mudança total, foi a base de tudo que escutamos hoje.

Nos anos 70 não havia a divulgação que temos hoje, nem a facilidade de se conhecer coisas novas. Existe alguma banda daquela época que você gosta e só conheceu recentemente?

Era um parto conseguir um disco novo, descobrir e acompanhar os últimos lançamentos. O incrível era que essas bandas realmente criavam um novo som e não tinha influências de medalhões. A base era o clássico, blues, jazz e o simples, mas complexo, experimento.

Deixe um recado para os leitores da Collector´s Room.

Vou tomar emprestado uma frase que acho resumir o significado da música, a importância do som para a alma: "Nos fios tensos da pauta de metal, as andorinhas gritam por falta de uma clave de sol (Secos & Molhados)". Valeu pessoas !!!


Pré-venda do novo ao vivo de Ben Harper & Relentless7


Por Ricardo Seelig
Colecionador

Já está em pré-venda o novo disco de Ben Harper & Relentless7. O álbum tem o título de Live from the Montreal International Jazz Festival, e foi gravado ao vivo no tradicional festival canadense.

O show será lançado em duas versões: CD e DVD. A diferença entre ambas é que o CD terá um tracklist com treze faixas, enquanto o DVD possui duas a mais - "Skin Thin" e "Fly One Time".

Confira abaixo a lista completa de músicas do CD:

Faster Slower Disappear Come Around
Number With No Name
Shimmer & Shine
Lay There & Hate Me
Why Must You Always Dress In Black
Red House
Another Lonely Day
Keep It Together (So I Can Fall Apart)
Boots Like These
Under Pressure
Up To You Now
Faithfully Remain
Serve Your Soul

Live from the Montreal International Jazz Festival já está em pré-venda neste link.